BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.

Com galhardia, tem na sua frente a enviada de Deus para salvar a escola. Não é, de facto, um "Picoto" qualquer. É uma Doutora. Também não é uma Doutora qualquer, é a Doutora Maria de Lurdes Rodrigues. Uma espécie de Branca de Neve que de entre os seus 7 anões se destacam 2: Valter Lemos e Jorge Pedreira.
Estamos portanto, no País das Maravilhas. Palavras para quê? São artistas portugueses!!
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Maria de Lurdes Rodrigues, já pertence a um passado que corresponde ao pior período da história da educação em Portugal. Sempre foi CONTRA os professores, a quem tinha ÓDIO, e assim pretendeu levar por diante um ministério que caiu de podre, de tanto cheirar mal. Segue-se Isabel Alçada, a escritora das "Aventuras". Vejamos no que isto vai dar.


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domingo, 8 de Novembro de 2009

MUITOS PRIMOS TEM JOSÉ SÓCRATES ...

Caso Face Oculta - Primo de Sócrates constituído arguido

Depois de Armando Vara, ex-dirigente do PS e grande amigo de José Sócrates, ter sido constituído arguido, pelo crime de tráfico de influências, no processo “Face Oculta”, o nome Domingos Paiva Nunes, primo do primeiro-ministro, também foi constituído arguido no caso, avança o semanário SOL na edição desta semana.

O actual administrador da EDP é casado com a prima de José Sócrates e é ex-vereador da Câmara de Sintra, durante o mandato de Edite Estrela – também ela socialista e amiga do primeiro-ministro. Numa das conversas entre Armando Vara e José Sócrates, gravadas pela Polícia Judiciária, um dos temas abordados é o da venda da TVI.

De recordar, que em Junho deste ano a PT preparava-se para comprar a estação acabando o negócio por ser vetado por Sócrates, devido à polémica que se gerou em redor deste tema. O Ministério Público de Aveiro, que está a investigar o caso “Face Oculta” separou nove certidões, onde são referidos vários crimes, nomeadamente o de tráfico de influências.

As certidões foram enviadas ao Procurador-geral da República, mas ainda não foi tomada nenhuma decisão pelo facto de “não estarem completamente documentadas”, disse Pinto Monteiro ao semanário Sol.

CARTA DE ARMANDO VARA A PEDIR A "SUSPENÇÃO"

É VERDADE !!!!

Vejam como Armando Vara, melhor, o Dr. Armando Vara, um turbo-licenciado à pressa na Independente (apenas 2 dias antes de assumir a direcção na CGD) no mesmo tempo de Sócrates, pede a "suspenção" do seu mandato (e não a suspensão)!

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RIO QUEVE, O PEQUENO GIGANTE (1)

1.- Introdução

O rio Queve pertence às bacias costeiras do Centro-Oeste de Angola. A sua mais longa nascente situa-se próximo de Boas Águas/Vila Nova- onde passa a ferrovia de Benguela- a 45 km a Este da cidade de Huambo. O rio tem um estirão de 505 km a que corresponde uma bacia hidrográfica de 23 870 km2 . Desagua ao sul de Porto Amboim. Desenvolve-se segundo dois eixos o primeiro no sentido NW com 340 km e o segundo no sentido W com 165 km. A bacia ocupa cerca de 1,5% do território de Angola (1 246 700 km2 ).



Fig 1 Bacia hidrográfica do rio Queve no total angolano. É uma bacia costeira, central. Ocupa cerca de 1,5% da área de Angola. Na relatividade continental é um rio pequeno; no contexto angolano é uma bacia média. Em termos de recursos naturais é uma bacia rica, onde os chamados produtos tropicais encontram boas condições climáticas e edáficas. Possui um formidável potencial hidroelectrico. O turismo poderá ser uma fonte de riqueza, a par com a agricultura,pecuária e floresta exótica.A abundância de energia potencial (hidroeletricidade) poderá atrair indústrias. O Amboim,no terço final, cujo centro de gravidade é a Gabela, é uma região lindíssima. Marcelo Caetano,primeiro ministro de Portugal em 1969, quando por ali passou em 1945, como Ministro das Colónias, escreveu:«O Amboim é o Buçaco decuplicado».

2.- História
O Queve ou Cuvo foi cartografado no século 16 e foi sempre um rio de referência em relatórios muito antigos.
António de Oliveira Cadornega escreveu no século 17 três alentados volumes, cuidadosamente anotados em 1940 por José Matias Delgado e Dr.Alves da Cunha: História Geral das Guerras Angolanas, cada volume contendo em torno de 600 páginas. A ultima edição em 3 volumes foi editada em 1972 pela antiga Agência Geral do Ultramar. Trata-se de uma obra literária valiosa que aborda a história de Angola em tempos recuados (século 17). Pode dizer-se que, historicamente, é a maior obra de referência, pese embora alguns exageros e estar escrita sob a otica dos portugueses de então. Mas é,indiscutivelmente, uma obra de grande importância, até mesmo em termos do continente africano.


Cadornega chegou a Angola em outubro de 1639, tendo enveredado pela carreira militar onde atingiu em 1649 o posto de capitão que lhe foi conferido pelo governador Salvador Correia de Sá. Viveu 28 anos em Massangano, tendo chegado a juiz ordinário em 1660. Morreu em Luanda em 1690. Pode dizer-se que Cadornega é o primeiro historiador da História Escrita de Angola. E é, também, um dos primeiros colonos que se estabeleceu definitivamente em Angola, terra onde “deixou os ossos”.
Na obra citada há muitas referências sobre os vários rios de Angola. Sobre o rio Queve escreveu Cadornega:«O que dizião os antigos conquistadores, que alguns negros antigos dos quilombos dos Jagas que vierão da terra dentro, dizião que de huma lagoa que estava no íntimo deste sertão sahião dela quatro rios caudalozos, que hum deles era este rio Coamza, que descrevemos, outro o rio Cuneni, que fazia sua demora atravessando no reino de Benguella as provincias dos Quimbundos e o Hila, desagoando com suas caudalozas agoas na costa daquele reino; mas não dizião em que parte se metia no mar; o outro era o rio Cubo tambem caudalozo, que pára com sua corrente em o mar, em terras do Mani-Quicombo passando pella província dos Sembis; e o quarto era o famozo e caudalozo rio Coango, que este apelido lhe dá a gentilidade pella terra dentro, e onde desagoa suas numerosas agoas no mar em o Porto do Pinda, vindo fazendo o curso de suas correntes com espaçoza largura pellas costas do Quilombo do Jaga Casangi, pelo quilombo da rainha Ginga e reino de Matamba».


Em outra referência Cadornega diz:«...onde pára com suas correntes o rio Cubo e suas numerozas lagoas, pagando com elas seu tributo ao mar...» «...e pasando o rio Cubo da banda dalem do sertão, está o nosso reino de Benguella com sua cidade São Phellipe beira mar, sita em a provincia chamada dos Quimbundos, com a qual confina a dos Sumbis, e pello sertão dentro com a provincia do Gemge, toda povoada de quilombos de jagas, outros lhe chamão os Quillengas».
E mais adiante:«...e por diante Benguella a Velha, que em hum e outro porto se faz negócio de peças e marfim: aqui entre dous senhorios pára a corrente das suas doces e abundozas agoas o rio Cubo, misturando a sua doçura com o salgado, sendo isto na provincia dos Sumbis, hindo correndo o do Libolo, até onde desagoa no mar o rio Longa, que nesta paragem tributa agoas ao mar desta costa, e pára com as suas arrebatadas correntes; e tambem se diz tem seu nascimento na lagoa ou brejo, de que diz algum do gentio sahe o Zairi, Coamza e Cuneni, e algumas pessoas que discursarão esta materia tem para si serem braços do Nilo;»
No governo do Marquês de Pombal governou a colónia Inocêncio de Sousa Coutinho de 1764 a 1772 . Ele procedeu a um reconhecimento cartográfico de Benguela até Cabo Negro hoje pertencendo à Namíbia. Naquele relatório o rio Queve é mencionado várias vezes:«O rio Cuvo, que faço dividir os dois governos,corre junto a Benguela-a-Velha, e logo vizinhas a este estão umas minas de cobre excelente,que os negros não deixam ver, mas que ao passo de se marchar na sobredita comunicação deve o oficial que comandar a marcha examinar cuidadosamente, e o fará sem algum risco...».


No século 18 os maiores objectivos de Portugal em Angola eram o completo levantamento cartográfico da linha litoral, e posterior edificação de fortalezas na costa, em locais abrigados, e a procura exaustiva de metais preciosos. Corria a lenda de que em Cambambe havia prata em grande quantidade.Novo Redondo (actual Sumbe) despertava a curiosidade e a cobiça dos europeus. De facto foi explorado um cobre vermelho, no rio Quicombo, de valor próximo do ouro. Como era previsível esgotou-se em pouco tempo.
Fundamentalmente o que mais interessava era descobrir um bom local para salvaguarda da navegação marítima. Já vimos, em anteriores ensaios, que a costa de Angola é lisa, com pequenas baías nas restingas originadas pelos rios costeiros que se precipitam dos planaltos.
Logo nos primeiros reconhecimentos se verificou que o rio Queve não “dava entrada” mesmo para barcos de muito pequeno calado. Nem sequer para canôas. A 40 km da sua foz destacam-se, imponentes e vigorosas ameaçando qualquer embarcação, as Cachoeiras do Binga com mais de 15 m de altura e muito caudalosas. Morriam ali as esperanças da Corôa Portuguesa em querer demandar o interior onde constava que havia inúmeras minas de prata.
Como já enfatizámos era, em termos práticos, quase impossível “subir” para os planaltos.A evidente inadaptabilidade de animais de tiro ou carga (cavalos, burros e bois) tornava impossível a ocupação do interior de Angola. Tudo agravado com o maior inimigo dos portugueses: o clima mortífero carregado de doenças desconhecidas a maior parte.


Se até 1885 prevaleciam aqueles objectivos- baías de bom abrigo e minas de metais- a partir daquele ano passou a ser prioritária a ocupação efectiva do interior. Cumprir o estabelecido na Conferência de Berlim em 1885 era o objectivo principal: instituir-se rapidamente a autoridade portuguesa nos novos territórios delineados em Berlim.
Era com sofreguidão que se procuravam rios “calmos”onde se pudesse navegar com uma certa segurança. Em 1885 já o rei da Bélgica Leopoldo II se tinha apoderado do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) porque neste país os rios, enormes e caudalosos, são “mansos” (com muito pouca inclinação) dando aso a uma navegação fluvial com relativa facilidade. Isto permitiu uma fácil ocupação militar através de pequenas canhoneiras adaptadas para os rios africanos. Estas canhoneiras possuiam, à frente e à ré, dois pequenos canhões que provocavam o pânico entre os aguerridos africanos quando estes faziam cargas tumultuadas sobre as pequenas e móveis fortalezas fluviais.
Desde Cadornega (1680) até fins do século 19 pouco ou nada se alterou sobre o conhecimento do rio Queve. Em 1890, na sequência da Conferência de Berlim(1885), os reconhecimentos do interior de Angola passaram a ser primordiais para a Corôa Portuguesa com o objectivo de se efectuar uma “Ocupação Efectiva” como estabeleciam os artigos da Carta final da referida Conferência.


Em 1898 Alfredo Filipe de Andrade regente agrícola (engenheiro-técnico agrário hoje) recebeu a incumbência de efectuar um reconhecimento exaustivo do rio, procurando localizar trechos que fossem navegáveis, mesmo sem inter-ligação. Este engenheiro residia em Belmonte (depois Silva Porto,actual Cuito) um povoado bisonho no centro de Angola a caminho de se tornar sede de distrito e depois cidade em 1935.
Alfredo de Andrade deixou um relatório acompanhado de um mapa desenhado por ele. Apesar dos fracos recursos de que dispunha, os dados por ele colhidos aproximam-se muito da realidade. Fez o percurso todo a pé recorrendo, algumas vezes quando se encontava doente, a um boi de montada. Cavalgar um boi de montada era de um incómodo atroz. Os europeus só o faziam em último recurso, quando já estavam muito debilitados pelos febrões do paludismo ou diarreias provocadas por alimentos deteriorados ou águas estagnadas. Quando não havia bois, porque morriam sistematicamente, o recurso era a muito criticada tipoia. A tipoia salvou muitos europeus e nem tudo se cercou de violências: muitos africanos carregavam os europeus doentes por solidariedade.

RIO QUEVE, O PEQUENO GIGANTE (2)

Alfredo de Andrade assinalou o afluente Cuito (não confundir com o outro Cuito que deu o nome à antiga cidade de Silva Porto, nem com o Grande Cuito mais ao sul, afluente do rio Cubango) destacando o seu grande caudal. Trata-se de um rio, na margem esquerda do Queve, que recebe as águas da vertente oriental da serra do Moco (2620 m) a maior altitude de Angola e que passa ao lado da vila de Quipeio. Em um trecho deste rio destaca-se a célebre Ilha dos Amores, um ponto turístico para pic-nics.
Alfredo de Andrade destacou vários fazendeiros europeus que se dedicavam à fabricação de aguardente. Esta era a maior fonte de receitas para os europeus que se aventuravam para o interior. Seria de pouca duração esta fonte de lucros. Em 1919 em Saint Germain-en-Laye foi revisto o regime sobre bebidas alcoólicas em África e foi estabelecido um protocolo proibindo o seu fabrico, excepto para a África do Sul, Argélia (onde havia milhares de franceses vivendo da vinha) e a Líbia(onde havia colonos italianos). Era o fim das destilarias em Angola, único suporte económico dos europeus A comissão, reunida em Saint Germain-en-Laye, que proibiu o fabrico de aguardente em África, foi uma ancestral das comissões que se lhe seguiram em Bruxelas, a capital da União Europeia. Parece que ali, desde sempre, gostam de proibir... e de legislar até leis qua vão contra o bom senso. Exemplo actual: a célebre lei que estabelecia o tamanho da fruta, sabendo-se que a fruta “torta” e pequena nunca “apanhou” insecticidas nem pesticidas e que é uma fonte de receita dos pequenos agricultores.



Fig 2 Mapa do levantamento topográfico efectuado por Alfredo de Andrade em 1899. Foi a primeira cartografia da bacia do rio Queve. Todo o percurso foi feito a pé, já frisámos em artigos anteriores que em Angola não havia cavalos ou burros devido a doenças mortais e fulminantes. Apesar dos pouquíssimos recursos disponíveis,em transportes e comida, e das doenças, com a sempre omnipresente malária, este mapa aproxima-se bastante da realidade. A carta aerofotogramétrica 1/100 000 (484 folhas), inteiramente executada por angolanos a partir de 1950, completou com rigor este exaustivo e primitivo trabalho topográfico.

Gente humanitária a daquele tempo, preocupada com os estragos do alcoól nos africanos. Apenas um pormenor: a lei garantiu o consumo das zurrapas que se fabricavam um pouco por toda a Europa. E Angola passou a receber os vinhos e aguardentes da Metrópole, apelidados, jocosamente, de “vinhos para pretos”. Era o fim do desafogo financeiro de muitos e pequenos fazendeiros angolanos. A partir desta proibição não mais se enriqueceu em Angola. As grandes fazendas pertenciam a oligarquias metropolitanas. Estas, sim, enriqueciam graças aos monopólios dos quais se destacava, sempre, a mão de obra barata. Os salários foram , até 1961, escandalosamente baixos, denunciando um mercantilismo ultrapassado. Estes salários nunca propiciaram riqueza para os residentes em Angola
Sobre estes magros salários Marcelo Caetano opinou do alto da sua sabedoria: «A experiência demonstra que os salários muito altos dos produtos da lavra indígena podem ter consequências desastrosas para a população nativa».Teria muito gosto que alguém me explicasse quais são as consequências desastrosas de um salário “muito alto”. Coitados dos gestores actuais! Preparem-se para as “consequência desastrosas”!
O fabrico de aguardente era um suporte económico para a grande maioria dos europeus residentes em Angola, ou usando o economês, era a “holding” dos colonos. A maior parte das fortunas de Angola, daquela época, fundava-se no fabrico de aguardente. Um hectare de cana dava cerca de 450 litros de alcool. A aguardente e a pólvora eram as melhores moedas de troca com os géneros que os angolanos produziam (marfim, borracha e cera) ou já estavam começando a produzir: milho, feijão, e rícino principalmente. Os africanos não aceitavam moeda como troca, vigorava o sistema de permuta.
Alfredo de Andrade passou por onde seria implantado, em 1949 o colonato da Cela. Assinalou: «A Sella é uma grande região, muito rica, muito extensa e muito interessante». Confirma-se, assim, que o nome Cela não é de origem portuguesa, não havia necessidade de lhe mudar o nome para Waku-Kungo no tsunami iconoclasta que varreu Angola aquando da independência.


Já um tanto desanimado, em virtude da forte inclinação do rio, às vezes espumando em quedas e cachoeiras, escreveu:«Se se destruir um obstáculo na ilha Massango o rio Queve é navegável numa extensão de 100 km para barcos aos quais basta a altura média de água de 3 m mas de pouco comprimento por causa das curvas muito fechadas que por vezes o rio tem». Em resumo: muito pouco se aproveitava para navegação fluvial. Apenas 100 km saindo do zero para chegar ao nada. Portugal teria que ocupar o território de Angola a pé uma vez que, como já assinalámos em escritos anteriores, as doenças inviabilizavam a utilização de cavalos, burros ou até bois. Seis anos depois deste reconhecimento começou a construção da ferrovia de Benguela (1349 km) que atravessou Angola em sentido transversal. As ferrovias, de certo modo, atenuaram “a má vontade” dos rios angolanos. As cidades desenvolveram-se, primordialmente, ao longo das ferrovias e das estradas, mas estas só a partir de 1920 sem pavimentos duros até 1961.
Alfredo de Andrade assinalou: «De Sanga para oeste o rio Queve muda de nome para Cuvo e termina na catarata Paula Cid (a ultima)». Trata-se das Cachoeiras do Binga ultima ruptura de declive do rio Queve, a 40 km da foz. Sobre esta escreveu:«...porém, parece que a sua barra é, como as do Quanza, Cunene, Catumbela, e outros, obstruída pela areias arrastadas nas águas do rio e repelidas pela calemas, ali tão vulgares». Na verdade, a foz de todos os rios costeiros em Angola apresenta muita areia quartzosa proveniente dos granitos dos planaltos. Trata-se de uma riqueza que não pode ser desbaratada à tôa. Esta areia é uma preciosa matéria prima para a fabricação de vidros e material electrónico, além da sua evidente utilidade no fabrico de betão de alta resistência. Actualmente a areia já é um bem valioso, os milhões de edificíos e barragens promoveram-na a um melhor patamar. Há países que já têm falta de areias, importam-nas de outros países.


Do estudo feito em 1898 por Alfredo de Andrade consta um mapa de reconhecimento, por ele elaborado, de bom teor técnico, se atendermos aos parcos recursos daquele tempo.
Em fins da década de 50 o governador geral de Angola capitão José Agapito da Silva Carvalho recebeu a incumbência de implantar um colonato, só de europeus, na bacia do rio Queve, mais propriamente na Sella. O colonato foi batizado, obviamente, de Cela.
O novo colonato, mais um a somar ao rosário de fracassos com que Angola se enfeitava, seria uma cópia fiel do teor de vida metropolitano, sendo proibido o recurso à mão de obra africana. Julgava-se, assim, que se calariam as vozes internacionais que acusavam Portugal de utilizar um regime de trabalho compelido entre os africanos-o célebre contrato- já aqui abordado, exaustivamente, em nossos anteriores escritos. Salazar viu o tremendo erro que cometeu ao obstaculizar o desenvolvimento de Angola (duas décadas de torpor de 1930 a 1950) e tentou disfarçar, através de uma ocupação de europeus tardia e diminuta, uma presença europeia que lhe facultasse direitos internacionais ou que disfarçasse o pequeno número de colonos .


O geógrafo Orlando Ribeiro escreveu (182): «O colonato da Cela, o primeiro que se empreendeu, começou em 1950 e deve-se a um governador ignaro e à credulidade de Salazar perante os que o adulavam. Um passeio de avião nesta convergência de rampas rodeadas de montes-ilhas, e por isso pantanosas no centro, e coberta de capim verdejante, levou o governador a considerar a área ubérrima (termo que várias vezes ouvi aplicado por administrativos a solos de aptidão agrícola duvidosa). O projecto inicial era de fundar quarenta aldeias com um total de dez mil habitantes, as expropriações foram poucas, pois a natureza pantanosa do fundo da bacia limitava as áreas de cultura e de povoamento indígena. O colonato ficou sempre muito àquem dos seus ambiciosos propósitos: na melhor das hipóteses ele fixaria apenas 1% da população que sobra no nosso campo».

RIO QUEVE, O PEQUENO GIGANTE (3)

Tudo foi modificado a partir de 1961: em vez de casais agrícolas, com 5 ha de terras, passou a haver fazendas médias, de criação de gado, tractores em vez dos idílicos carros de bois, regadio, e mão de obra africana paga de acordo com as tabelas oficiais. Esta modificação foi feliz pois a adaptação de gado leiteiro foi um sucesso, de tal maneira que em 1973 Angola passou de importador a exportador de lacticínios. Diga-se, de passagem, que este sucesso se ficou devendo, também, a vários vectores: estradas asfaltadas, um grande mercado consumidor (Luanda), maior poder de compra das populações, um competente apoio pecuário através da recem criada faculdade de medicina veterinária em Nova Lisboa e da faculdade de agronomia. A concepção inicial da Cela, dirigida com mão de ferrro pelo governador geral Silva Carvalho, falhou estrondosamente, embora tenha recebido muitos avisos por parte dos colonos. A falta de estradas asfaltadas e o baixo poder de compra foram as principais lacunas que inviabilizaram a Cela tal como tinha sido idealizada pelos estrategas de Salazar. As produções apodreciam nos lamaçais em que se convertiam as pseudo-estradas no tempo das chuvas.
Na Cela, e na Matala mais ao sul, consumiram-se milhões de contos, mais de metade das verbas dos Planos de Fomento, na implantação de colonatos “que faziam lembrar os campos da Metrópole”. O retorno destes investimentos foi praticamente nulo. No Tempo Extra a Cela já era cidade, até já tinha liceu (12º ano de escolaridade). Mas com quanto dinheiro, com quanta protecção (escandalosa) oficial? E se este dinheiro tivesse sido gasto com os três EE´s (ensino,estradas asfaltadas e eletricidade?
A colonização da Cela tornou-se uma obsessão para o governador Silva Carvalho. O Bié, principal alfobre da mão de obra compelida, ficou completamente abandonado durante o seu governadorado. O Bié não tinha um metro de asfalto, não tinha telefones, só a sede do distrito é que tinha energia electrica, mas muito deficiente, não tinha raio X no hospital (que funcionava precariamente na Mansão dos Colonos), não tinha ensino secundário gratuito (e portanto fechado para os africanos), nenhuma obra oficial, nenhum estudo, nenhum projecto, nada.
Em meados da década de 50 uma firma americana fez um estudo sobre a Cela, em especial sobre uma regularização dos caudais do rio Queve e o enxugo da Baixa do Cussoi. Este rio, durante as cheias, transbordava para as áreas contíguas onde estavam instalados colonos. Aquela firma preconizou uma barragem de terra no sítio Massango, com acumulação de 600 milhões de m3 de água. Um outro inconveniente no colonato da Cela, este de ordem sanitária, foi a existência de bilharzíose (esquistossomose no Brasil) em alguns rios da região, com especial incidência no rio Cussoi.
Em 1963 um grupo de engenheiros angolanos que constituiam a Brigada de Engenharia da Junta Provincial de Povoamento, começou, finalmente, o estudo da bacia do rio Queve. Como prioridade a instalação de estações e postos hidrométricos com vistas a obterem-se os caudais ao longo do tempo. Fizeram uma obra notável. Foi possível, finalmente, conhecer o rio Queve e os seus potenciais apoiando-se na carta aerofotogramétrica 1/100 000 e naqueles dados de campo. É justo nomear o engenheiro Joaquim Forte de Faria., como representante de todos os técnicos e auxiliares que contribuiram para a excelência dos resultados obtidos em climatologia, hidrologia e medição de caudais.
Infelizmente o rio Queve nunca mereceu a atenção do governo colonial. A sua imensa potencialidade hidroeletrica, para não citar outras (agricultura de géneros tropicais e temperados, mas com métodos modernos e empresários preparados, floresta exótica e gado bovino, abundância de água e um grande potencial hidroeletrico) permaneceu sempre sob um manto de segredo. Ao norte, no rio Cuanza em 1957, uma empresa metropolitana (Sonefe), criada às pressas e eivada de um monopolismo exacerbado, não deixou que se apontassem as potencialidades do Queve, o rio de maior rendimento hídrico de Angola. Logo em 1957 começaram, rapidamente os estudos e execução da barragem de Cambambe no rio Cuanza (Ver Rio Cuanza: o elo entre o sul e o norte, entre o passado e o futuro em Psitacideo.)


Fig 3 Bacia hidrográfica do rio Queve. Tem o feitio de uma “cabaça” um dos objectos familiares da cozinha angolana. Orograficamente a bacia tem três niveis: Planalto com 18 300 km2, Transição com 4 150 km2 e Litoral com 1 420 km2 . No Planalto chove abundantemente e não há secas, apenas anos menos bons em chuvas. A configuração da bacia, a grande e regular precipitação anual, a perda de altitude em escassos quilómetros originam um rendimento hídrico excepcional sob o aspecto de energia Assinala-se a importante situação de Alto-Hama (cruzamento de duas estradas principais), um bisonho povoado antes do asfalto(1961), que se estava transformando em uma grande cidade. É o maior nó rodoviário de Angola. Além disto o Alto-Hama ainda tem boas águas termais e um bom clima de “primavera eterna”. E paisagens lindíssimas, pontilhadas por inselbergs. Tinha condições para se tornar em uma hidrópole.



2 – Climatologia

A maior parte da bacia do Queve insere-se nos planaltos onde as temperaturas são amenas, raramente atingindo os 30 ºC e onde as chuvas são abundantes, regulares e bem distribuídas, física e temporalmente. A estação das chuvas estende-se de Setembro a Maio. É um verão chuvoso com a precipitação média anual atingindo 1400 mm no bojo superior da bacia; no bojo inferior a chuva média anual é de 1200 mm;no gargalo superior a chuva anual situa-se em torno de 1000 mm; no gargalo inferior a precipitação média anual é irregular em torno de 500 mm.


Fig 4 Isoietas anuais na bacia do rio Queve. Isoietas são linhas que unem pontos com igual precipitação, neste caso as médias anuais.Verifica-se que mais de quatro quintos da área beneficiam de chuvas excedendo os 1000 mm anuais. Isto confere-lhe um alto rendimento hídrico, tanto mais que a bacia tem uma apreciável percentagem de granitos “em osso”.Os lençois freáticos (águas subterrâneas) são abundantes, pouco profundos e com recargas anuais.

A temperatura média anual no planalto é de 20 ºC, sendo de 27º C a média máxima anual e de 13º C a mínima média anual. Raramente se atinge 30 º C no Planalto Central.
Na Transição a temperatura média anual é de 23º C, sendo de 29º C a máxima média anual e de 17ºC a mínima média anual.
Na zona litoral as temperaturas são respectivamente 25º, 29º e 21ºC.
A humidade relativa é de 65%, 75% e 80% respectivamente.Os dois primeiros valores são típicos de climas temperados primaveris.

3.- Potamografia

A bacia hidrográfica do rio Queve ou Cuvo está compreendida entre os paralelos (latitude sul) 10º 37´e 12º 47´e os meridianos (longitude Este G.) 13º 35´e 16º 10´. A área da bacia hidrográfica é de 23 870 km2 . O comprimento total da directriz (com duas direcções NO e WNO) é de 420 km mas o seu estirão (percurso real ) é de 505 km.
O rio “nasce” na linha de cumeada, onde está implantada a ferrovia de Benguela, entre as cidades de Boas Águas e Vila Nova à altitude de 1930 m. A maior altitude na bacia é de 2 620 m na serra do Moco. A menor altitude é na foz no Oceano Atlântico 20 km ao sul de Porto Amboim.
Segundo a classificação de castanheira Diniz é uma bacia costeira inserida nos rios do Centro-Oeste, com a foz entre as cidades de Porto Amboim e Sumbe (Novo Redondo).
A área da bacia hidrográfica (23 870 km2 ) ocupa cerca de 1,5% da área de Angola (1 246 700 km2 ). De acordo com o usual em Angola, nenhuma cidade se encontra nas margens do rio Queve. Contrariamente à tendência mundial, as cidades em Angola, como já aqui foi afirmado em escritos anteriores, “fugiram dos rios” devido a vários factores: doenças (paludismo ou malária, bilharzíose, e disenterias) inavegabilidade (leitos muito inclinados e de forte corrente, com rupturas de declive muito acentuadas), crocodilos e hipopótamos. Os rios, ao contrário do Brasil, não contribuiram para a união do país. Foi uma das grandes causas do atraso de Angola onde a modernidade entrou tardiamente só graças à ferrovia e ao automóvel. Usando um termo genuinamente angolano a bacia hidrográfica do rio Queve tem a configuração de uma cabaça, com uma parte bojuda de 18 300 km2 e um gargalo com 5 570 km2 .


Fig 5 O rio Queve “espreguiçando-se” nas extensas planícies fluviais inundadas anualmente. Algumas destas áreas planas podem converter-se em albufeiras armazenando um gigantesco volume de água que poderá ser utilizado em tempo posterior.É uma transmissão de água no tempo. As tubagens fazem a transmissão de água no espaço.

A parte bojuda, planáltica, tem altitudes de 1930 m a 1200 m. O ponto culminante da bacia é no monte Mepo com 2360 m de altitude O rio espraia-se em planícies fluviais, inundadas anualmente, que retardam os picos de cheia. Estas planícies estão rodeadas por cadeias montanhosas de rara beleza. Mas no meio delas emergem inselbergs (montes ilhas) que chegam a atingir alturas de mais de 300 m(em relação ao solo circundante). Estes testemunhos de relevo são de constituição granítica, resistentes às erosões geológicas. Um inselbergue notável, por estar proximo de uma estrada nacional, é o Monte Lovili ou Lubiri com 2503 m de altitude.
Nos primeiros 70 km, até à confluência do rio Cuito, o Queve tem inclinações acentuadas; segue-se um leito com inclinação suave até Cafula somando 315 km. Depois é a Escarpa Atlântica onde o rio desce mais de 1 200 m em escassos 80 km. O trecho final é “plano” com inclinação menor do que 1/1000, ou seja menos de um metro em um quilómetro.



RIO QUEVE, O PEQUENO GIGANTE (4)

Os principais afluentes do rio Queve com áreas das respectivas bacias superiores a 300 km2
são : na margem direita Lumbuambua, Colele, Cusso, Cunhamgama, Cuvira, Caninda, Cussoi, Tunga,Chilo e Carlaongo.
Na margem esquerda: Calongua, Cuito, Hama, Cuvombua, Cuchém, Cuvele, Hungue, Cassalovir e Luati.
Até ao “gargalo superior” (altitude de 600 m) a constituição geológica da bacia é predominantemente granítica o que favorece a recarga dos aquíferos subterrâneos por apresentar embasamentos arenosos. Por tal motivo todas a linhas de água são perenes (têm caudal todo o ano), com fortes caudais, mesmo na estação seca (Cacimbo de Maio a Setembro). A estação das chuvas vai de Outubro a Abril).
Cerca de 80 % da área total é envolvida por uma cadeia montanhosa de vertentes muito inclinadas que limitam uma zona central vasta e plana pontilhada “aqui e ali” por numerosos inselbergs ou montes-ilhas graniticos que conferem uma rara beleza à região.
O maior afluente é o rio Cuvira com 2 410 km2 de bacia hidrográfica e apreciável caudal.
O caudal médio do rio Queve, na estação seca, situa-se entre 200 e 240 m3 /s. O menor caudal situa-se entre 20 a 30 m3 /s. No trecho próximo da jangada do Amboíva foi estimada uma cheia de 1 770 m3 /s tendo como escala a subida do nível do rio em 5,40 m.


Fig 6 A Cela, o Amboim e o Litoral são as três regiões edafo-climáticas da bacia do rio Queve. Na Cela os dois rios-Queve e Cussoi-transbordam anualmente,com relativa facilidade. Na estação seca(Cacimbo) as áreas inundadas apresentam gramíneas (capim) de notável aspecto vegetativo, bons para pecuária embora acres. A Cela apresentava em 1973 um bom desenvolvimento económico apoiado na produção de leite e lacticínios. Corrigiu-se a tempo o erro da Cela que foi o de se querer implantar ali o modo agrícola metropolitano sem estruturas rodoviárias de escoamento dos produtos.. O Amboim (a verde) é uma região orográfica intermédia com excepcionais aptidões agrícolas para as culturas tropicais ricas, com relevância para o café arábica. O Amboim ainda é bem servido por chuvas (800 mm anuais). Nesta região situava-se a maior “plantation”(fazenda) de Angola: a CADA (leia-se cádá). Tinha um dos melhores hospitais de Angola, tudo nela funcionava “em esferas”. A montante, a azul, destaca-se a Cela(rio Queve e rio Cussoi). Na foz (a azul) podem-se irrigar milhares de hectares “gota a gota”por aspersão e em pivots centrais por gravidade.


Fig. 7 Pico do Lubire ou Lovili. Situa-se próximo da estrada Luanda-Huambo. Atinge a altitude de 2503m- com uma altura de 978 m. É um inselberg de granito que se destaca altaneiro na paisagem circundante até dezenas de quilómetros.



Fig.8 Dois inselbergs destacando-se na paisagem. Eram conhecidos, entre os camionisas, por “as mamas” Quase granito puro originam enormes escorrências durante as chuvas.


Fig.9 Perfil longitudinal de rio Queve.Na parte superior, até à confluência com o rio Cuito perfazendo 70 km, o leito apresenta inclinações da ordem de 7,5 m em 1 km; segue-se um trecho de 320 km onde a inclinação do leito é da ordem de 60 cm em 1 km ou seja um optimo declive para armazenar as águas das chuvas; neste trecho o rio espreguiça-se desenvolvendo-se em meandros. Segue-se a Escarpa Atlântica onde o rio cai 900 m em 80 km, um formidável potencial hidroeletrico; depois mais 35 km até ao mar. Neste ultimo trecho destacam-se as Cachoeiras do Binga com 15 m de altura.


Fig.10 O rio Queve “muito calmo”antes de transpor a Escarpa Atlântica. Foi neste trecho que o engenheiro agrário Alfredo de Andrade em 1899 conseguiu” arranjar” 100 km navegáveis mas sem qualquer interesse para a penetração no interior, de modo que se pudesse concretizar uma das clausulas exaradas na Conferência de Berlim em 1885:ocupação efectiva do território. Em termos de economia não existiam quaisquer povoados ou produções que justificassem uma tal navegação.E como trazer os materiais constituintes das barcaças tendo que subir a Escarpa Atlântica, sem auxílio de animais de tracção?

4 – Aproveitamentos hidroelétricos

O rio Queve, como aliás todos os rios de Angola, decepcionou os governos de Lisboa nos longínquos anos dos fins do século 19. Só o rio Cuanza, no século 16, chegou a dar uma certa esperança de navegabilidade quando os portugueses subiram até Cambambe (onde se encontra a barragem de Cambambe) em cerca de 200 km; para montante da barragem o rio Cuanza precipita-se em rápidos, corredeiras e grandes quedas tornando inviável qualquer navegação, mesmo até de canôas. Outro rio conhecido naquelas épocas (Dande) ficou inviabilizado nos rápidos das Mabubas, onde se encontra erigida uma barragem. O rio gémeo do Dande-Zenza ou Bengo- que abastece Luanda- só dava navegabilidade, para barcos de muito pequeno porte, em cerca de 70 km entrando pela foz no Cacuaco. No século 19 chegou a haver um transporte regular, com pequenos barcos a vapor, do Cacuaco até Icolo e Bengo.
Foi num destes pequenos barcos que o missionário e explorador inglês David Livingstone iniciou a sua viagem de regresso até ao Linyanty (actual sudoeste da Zâmbia). Livingstone saiu pela foz do Bengo, no Cacuaco, em um pequeno barco a vapor em 20 de setembro de 1854,subiu o rio, passou pelas ruínas do convento de S.António até Icolo e Bengo cuja «...população era de 6530 africanos,172 mestiços e 11 europeus. Proporção de escravos 3,38%» conforme escreveu Livingstone, minuciosamente, no seu diário.
No contexto geográfico angolano o rio Queve insere-se na categoria de bacia média mas é excepcionalmente energivoso, pois pode produzir mais de 3000 MW de potência hidroeletrica, não incluindo os afluentes que têm as mesmas características orográficas.


Fi.11 Porto Amboim já era conhecida no século 16. O seu nome primitivo foi Benguela, uma homenagem ao soba Benguela que privou com os primeiros navegadores que tentaram subir o rio Longa, mais ao norte. Após a fundação de S.Filipe, depois a actual Benguela, passou a chamar-se Benguela-Velha até ser rebatizada de Porto Amboim. Tinha tudo para ser um bom porto marítimo servindo o eixo Calulo-Quibala-Gabela. Infelizmente ficou apenas um sonho dos angolanos.

O perfil longitudinal é elucidativo. O rio Queve é extraordinariamente energivoso ( significa que tem grande potencial de energia eletrica). Reune todas as condições necessárias para geração de energia eletrica: chuvas abundantes, regulares e bem distribuidas, solos porosos, solos rochosos mas muito fendilhados (retêm a água durante um certo tempo), planícies de inundação propícias para transferência de água no tempo regularizando caudais através de grandes barragens; materiais de construção baratos, expropriações de pouca monta, povos sedentos de progresso e muito industriosos, regiões agrícolas bem definidas com vocação para cereais e gado bovino, ou para produtos tropicais ricos (café, algodão, rícino, frutas etc), áreas extensas no terço inferior susceptíveis de serem irrigadas gota a gota por gravidade ou outros processos. Por ultimo, mas das


Fig.12 Cachoeiras do Binga. Estão a 40 km da foz, têm 15 m de altura. Estiveram sempre sob a mira dos habitantes de Gabela e Porto Amboim desejosos de “extrairem” eletricidade. Chegou a ser feito um projecto de aproveitamento hidroeletrico que foi, deliberada e estrategicamente, ignorado. Ao fundo vê-se a estrada Gabela-Novo Redondo (Sumbe) e a ponte construída na década de 40.
mais importantes, a zona do Amboim em escarpa ao longo de 70 km, pode albergar mais de 4 grandes aproveitamentos hidroeletricos a fio de água utilizando a água acumulada a montante.


RIO QUEVE, O PEQUENO GIGANTE (5)

Estimamos um volume provável de mais de 5 km3 de água em duas ou três barragens. Este volume não excede a afluência anual média, o que significa que estarão sempre com grande repleção.. Fig.13 Ponte sobre o rio Queve (referida na figura anterior) antes das Cachoeiras do Binga. Observa-se a água ficando “mais branca” ao atravessar a ponte: começam os rápidos do Binga logo transformados em quedas mais a jusante. A ponte tem quase sempre carros parados em cima dela: quem é que resiste a um tão belo espectáculo?

O rio Queve tem um bom caudal específico anual, podendo gerar mais de 3000 MW, com uma garantia de mais de 85%. Portugal tem 36 barragens totalizando 4 578 MW, ou seja o rio Queve, por si só pode produzir 65% de todas as barragens portuguesas. Estas estão muito condicionadas aos anos hidrológicos com garantias que chegam a atingir menos de 40%.

5 – Zonagem agro-climática

A figura a seguir apresenta a zonagem agro-climática definida pelo engenheiro Castanheira Diniz nos anos setenta do século passado.
O engenheiro agrónomo Alberto Castanheira Diniz foi para Angola em 1953 contratado pela CUF –Companhia União Fabril- para efectuar estudos de viabilidade para a cultura do Kenaf (cânhamo) em redor de S.Salvador, actual Mbanza Congo, em uma área de 22 000 ha. Esta planta fibrosa podia substituir a juta, matéria prima da sacaria destinada ao transporte do café.
A sacaria de juta era toda importada da União Indiana então já de muito má vontade em relação a Portugal. Motivo: a pendência em relação aos territórios de Gôa, Damão e Diu administrados por Portugal. Nehru, primeiro-ministro da União Indiana- recém independentizada da Inglaterra (1947)-, queria acabar com todas as ocupações estrangeiras no continente indiano. Apelidava as possessões portuguesas de “uma verruga no lindo rõesto da União Indiana” que era necessário extirpar..
De tal maneira Castanheira Diniz se enfeitiçou por Angola que acabou por se radicar. Era difícil, a um espírito científico como ele, resistir aos desafios que Angola apresentava. Uma tremenda sorte para Angola! Ele desenvolveu uma notável actividade científica publicando mais de 15 obras de inegável valor. Mas a sua obra maior é “Características Mesológicas de Angola”, publicada em 1973.


Fig.14 Mais um inselberg beirando uma estrada secundária. Estes monte-ilhas, de constituição granítica, acumulavam muita água contribuindo para o grande caudal de base durante o período seco ou cacimbo.


Fig.15 (para ampliar, clique em cima do mapa)


através dos dados fornecidos pela Missão de Inquéritos Agrícolas e por diversos estudos feitos em Angola. A Missão de Inquéritos Agrícolas, idealizada pelo engenheiro agrónomo Jorge Bravo Vieira da Silva, foi de uma utilidade indesmentível. Pela primeira vez tinha-se uma noção das riquezas de Angola, quer de recursos naturais quer humanos. Os resultados referentes às produções agrícolas foram surpreendentes.
A obra “Características Mesológicas de Angola” é uma descrição e correlação dos aspectos fisiográficos, dos solos e da vegetação das zonas agrícolas angolanas. É uma monumental obra científica que pode e deve servir de base a qualquer empreendimento agro-pecuário, comercial ou até de mineração. É, indubitavelmente, a base da moderna geografia angolana. Emparelha com a obra de Gossweiler “Carta Fitogeográfica de Angola”de 1943.
Posteriormente, já em Portugal e com o patrocínio da Cooperação Portuguesa, o engenheiro Castanheira Diniz publicou em 1998 outra obra de referência: “Angola o meio físico e potencialidades agrárias”. Além desta destacam-se, também, obras sobre o rio Cunene e Rio Cuanza. Seria fastidioso enumerar todas as suas realizações constantes em livros e artigos dispersos.
De acordo com a Zonagem Agro-Climática definida por Castanheira Diniz a bacia do rio Queve insere-se, parcialmente, nas zonas agricolas ZA 15- (Litoral-Sul de Luanda), ZA 16- (Libolo-Amboim), ZA 17- Transição Centro-Noroeste e ZA 24- Planalto Central .
ZA 15- Litoral-Sul do Cuanza- Estação de chuvas de 6 meses variando de 400 mm anuais no litoral (influência da corrente fria de Benguela) até cerca de 1000 mm na periferia interior sendo março o mês mais chuvoso. O período mais quente é entre março e abril (26-27ºC) e os mais frios (Cacimbo) entre 20-21ºC. Pequenas amplitudes térmicas. Clima semi-árido a árido. Esta faixa litoral possui solos calcários (uma raridade nos planaltos do país) de boa fertilidade, originando pastos doces. A irrigação tem que ser sistemática devido à ausência de linhas de água perenes, à pouca precipitação irregular e à debilidade (águas salobras) dos lençois subterrâneos. Pode dispor-se de água canalizada, à pressão, em conjugação com os sistemas de barragens a montante.
O abacateiro, o algodoeiro, a bananeira, o mamoeiro, a mangueira, a cana de açucar,o feijão e a palmeira dem-dem podem ser culturas de grande sucesso. Porto Amboim posiciona-se como pivot desta área.
ZA 16 – Libolo-Amboim- Estação de chuvas de 7 meses (outubro a abril) variando de 900 mm a 1000 mm. Ao contrário da zona anterior as chuvas são regulares com poucos desvios. Na estação seca há nevoeiros persistentes com um grau de insolação muito baixo, predominando a saturação em humidade da atmosfera, especialmente durante a noite, um aspecto da mata característica que abriga o café robusta (regiões cafeeiras de Libolo, Amboim e Seles). As temperaturas médias anuais são superiores a 20 ºC, com amplitudes em torno de 4ºC. A cidade da Gabela pode considerar-se o pivot desta zona.
ZA 17 – Transição Centro-Noroeste- Estação de chuvas de 7 meses (outubro-abril) variando de 1000 mm nas terras baixas até 1300 mm nas terras altas. Temperatura média anual entre 20º e 21º C. Amplitudes térmicas anuais inferiores a 4ºC. Café robusta em culturas ocasionais. Boa aptidão para rícino, sisal, massambala, mandioca, batata, batata-doce, arroz, amendoim,soja, bananeiras, maracujá, goiabeira, citrinos, mangueira, produtos hortícolas, milho, feijão. As espécies florestais exóticas têm bom poder vegetativo.«A bovinicultura, com tecnicas de maneio tendente à melhoria de pastos e à sua utilização por períodos mais dilatados durante a seca, poderá ser uma das alavancas promotoras do progresso desta zona». Nesta zona podem implantar-se sistemas de irrigação ocasional,aproveitando-se a energia abundante e barata que pode ser obtida por sistemas hidroeletricos implantados no rio Queve. O pivot desta zona é a cidade da Quibala situada na bacia do rio Longa.
ZA 24 – Planalto Central- É a área de maior altitude com a sua maior parte acima dos 1500 m. Temperatura média anual entre 19 e 20º C.Pode considerar-se um clima temperado mas com inverno seco (maio a setembro) e verão quente e chuvoso (outubro a abril). Chuva de 1100 mm a 1400 mm anuais. No inverno seco são raros os nevoeiros mas a insolação é muito alta. As noites frias, sem humidade e de ceu limpo, proporcionam um ceu estrelado de rara beleza, difícil de narrar. É a maior impressão que eu guardo de Angola, vindo em segundo lugar as chuvas diluvianas acompanhadas de trovoadas violentíssimas. Nesta zona o nível de fertilidade é baixo mas os africanos souberam tirar notável partido do meio e das diversas situações fisiográficas cultivando com sucesso milho, feijão, batata, batata-doce, mandioca, produtos hortícolas e frutas tropicais e de clima temperado (uma chamada especial para os morangos). Aqui é pertinente a irrigação ocasional para suprir as pequenas oscilações temporárias das chuvas (pequeno cacimbo). O arroz é uma cultura bem sucedida. Toda a zona é favorável à bovinicultura e à suinicultura apoiadas em pastos melhorados e em medicina veterinária permanente. Condições excepcionais pera floresta exótica (eucaliptos, cedros, cupressus, casuarinas e grevíleas) associadas à industria de mel e cera.

6 – Conclusões

6.1 – Até ao século 19 o rio Queve, como todos os rios de Angola, com excepção dos rios Dande, Bengo e Cuanza próximos de Luanda, mereceram pouca atenção dos governos de Lisboa. Portugal empenhava-se no Brasil, a população metropolitana (pouco mais de 1 milhão de habitantes) era escassa para ocupar tão grandes extensões territoriais. A principal preocupação em África, em termos geográficos, era o reconhecimento da costa angolana (1 650 km) com o fito de encontrar boas baías de acolhimento para os barcos. Foram cartografadas as partes finais dos rios costeiros e tentou-se subi-los, mas sem sucesso. O rio Queve já era mencionado em fins do século 16 como sendo muito turbulento.
6.2 - No século 18, no tempo do Marquês de Pombal, o governador geral Sousa Coutinho (que cumpriu 8 anos de governância, só igualado por Silva Carvalho em 1947-1955) interessou-se pela cartografia angolana especialmente a linha litoral.
6.3 - Em decorrência das “imposições” da Conferência de Berlim (1890) foi efectuado um reconhecimento exaustivo, feito pelo engenheiro tecnico agrário Alfredo de Andrade em 1898, com vista à navegabilidade do rio Queve. Frustraram-se as expectativas: o rio Queve oferecia alguns trechos “calmos”, isolados sem comunicação com o mar, sem qualquer peso económico. Logo a seguir, integrado em um estudo da áreas circunjacentes à futura ferrovia de Benguela, o médico naval Pereira do Nascimento apresentou um estudo em 1905 sobre as potencialidades do terço superior do rio Queve. Este estudo conduziu à implantação de vários colonatos europeus, com destaque para o Lépi.
6.4 - No governadorado de Silva Carvalho foi implantado o colonato europeu da Cela no terço médio do rio Queve. Sem estradas e portanto sem saída para os seus produtos, com as populações africanas arredadas do projecto, o colonato definhou e foi salvo a partir de 1961 com uma reconversão para a bovinicultura. Projectou-se uma barragem em Massango para produzir eletricidade e prover à irrigação. Ficou no papel.
6.5 - Em 1962 foi criada a Brigada de Engenharia da Cela que em pouco tempo obteve dados valiosos sobre as chuvas e os caudais da bacia hidrográfica. Foi possível aquilatar a enorme potencialidade energivosa do rio Queve, por si só susceptível de produzir mais de 3500 MW (se incluirmos os afluentes também bastantes energivosos).
6.6 – Em 1973, dois anos antes da independência, a balança comercial de Angola era a segunda melhor de África em termos quantitativos e qualitativos. O petróleo em 1973 ainda não era marcante na economia angolana. Naquele ano Angola produziu 147 068 barris diários ( menos de 10% da actual produção em torno de mais de 1,5 milhões de barris). A partir de 1985 o petróleo em Angola foi uma autêntica corcucópia. Uma descolonização desaustinada e depois duas guerras civis desmantelaram toda a economia angolana. Foi uma pena, pois poder-se-iam ter construido 4 grandes hidroeletricas e umas dezenas de pequenos aproveitamentos hidráulicos, tudo interligado por uma rede nacional de transmissão. Angola hoje disporia de um melhores sistemas de hidroletricidade no mundo. A energia seria abundante e barata o que atrairia empresários sérios a capazes de impulsionar uma economia, empresários que viveriam permanentemente em Angola.
A energia do petróleo tende a ser substituida por outra formas de energia menos poluentes e a electricidade ocupa o primeiro lugar entre todas elas. Um motor eletrico tem muito maior rendimento do que um motor de combustão. Vale aqui acentuar que a energia do rio Queve, toda convertível em eletricidade, corresponde à de 60 000 barris de petróleo por dia.

Luiz Chinguar
Outubro 2009


Esta matéria esta integrada no livro “ Mucandas do Tempo do Caparandanda” em fase de pré-prelo


sábado, 7 de Novembro de 2009

FACE OCULTA - SÓCRATES, UM EXTRATERRESTRE QUE ESTÁ EM TODAS.



Parece que afinal Sócrates não telefonou para o seu grande amigo do peito e ex-sócio da Sovenco, o arguido Armando Vara, apenas para o convidar a ir tomar chá.
Esta face não é assim tão oculta.
As certidões tiradas prometem.
Esperemos para ver até onde vão os tentáculos deste polvo.
A TVI agradece e o povo português também.



segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

CURRICULO DE ISABEL ALÇADA

(Mais uma "istória" de habilitações literárias deste governo?)

Currículo oficial distribuído:


Ministra da Educação, Drª. Isabel Alçada (Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar) – 59 anos, escritora. Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston. Ex-administradora da Fundação de Serralves (2000-2004). Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Lisboa. Exerce actualmente funções como Comissária do Plano Nacional de Leitura.

A realidade:

A Sra. Dra. Isabel Alçada (que além de excelente escritora de livros – currículo profissional – tem a virtude de estar casada com Rui Vilar – currículo político), apresenta como currículo de governante o que está acima.
Cerca de 200 pessoas como ela, frequentaram nos idos dos anos 80’s (claro que diversos anos) um curso de Verão, de dois meses, na Universidade de Boston.
Esses senhores, todos eles ligados às ESE’s (Escolas Superiores de Educação), voltaram para Portugal depois do estio, e como as ESE’s, em pleno desenvolvimento dessa fraude que foram e são os Institutos Politécnicos, precisavam de mestres para lhes atribuir a categoria de Professores Adjuntos (nos Inst. Polit. basta o mestrado para se atingir o topo da carreira – Prof. Coordenador), dirigiram-nos a algumas Universidade de província (Évora, Algarve, Minho e etc.) para aí obterem a equivalência dos cursos de Verão, de dois meses, da Universidade de Boston, a mestrados (grau académico do ensino universitário).
A certa altura, creio que em 1987 ou 1988, o Ministro da Educação da altura (Roberto Carneiro?) pôs fim a isso.
Entretanto, cerca de duas centenas de falsos mestres iniciavam as suas carreiras nos IP’s. Foi o caso da dra. Isabel Alçada.
(Recebido por email)

sábado, 24 de Outubro de 2009

BALDAIA NÃO TEM EMENDA ...

Numa altura em que a nova rádio TSF de Paulo Baldaia se tornou correia de transmissão do governo e a voz do dono, em que o jornal DN de João Marcelino e Bettencourt Resendes é um submisso escravo do pensamento de Sócrates e em que a RTP tem na propaganda socretina o programa "Prós e Prós" como uma lança em África, depois de silenciar a TVI e o Público, aqui está uma carta recente com direito a indignação enviada ao Director dessa mesma rádio adesiva e pegajosa:

______________

Exmo Senhor Paulo Baldaia. <paulo.baldaia@tsf.pt>

Já em tempos lhe escrevi uma carta quando em Outubro do ano passado entrevistou o sr. PM e o deixou dizer o que lhe apeteceu sobre educação, acreditando eu que tanto o sr. Paulo Baldaia como o sr. João Marcelino não sabiam que ele estava a mentir. Disse-lhe na altura que tinha a obrigação de ter ido informado para essa entrevista.

Depois de o ter ouvido ontem na SIC, no "Expresso da Meia-Noite" continuar a afirmar da forma como o fez, espelhando ódio aos professores, que o que os professores não querem é ser avaliados e que nunca foram avaliados, começo a pensar que, de facto, o seu problema não era apenas estar mal informado. É também má fé num propósito onde não consegue mostrar-se politicamente independente e jornalisticamente equidistante.

Devo confessar-lhe o quanto me tenho sentido incomodado de cada vez que o senhor procura falar de avaliação dos professores. Não me incomoda que o senhor fale, incomoda-me é a sua perfeita e completa ignorância na matéria e teimosia em querer falar de uma coisa que não sabe mas acha que sabe. Mas, se sabe e conhece o ECD e a ADD, então é muito mais grave porque, nesse caso, o senhor mente de cada vez que fala sobre isso. Como já referi, ontem ouvi-o dizer na televisão, com algum destempero e irritação, que este governo deve manter a ADD porque os professores o que não querem é ser avaliados nem NUNCA foram avaliadas.

É FALSO, redondamente falso.

Já anteriormente lhe tinha referido a avaliação a que fui sujeito ao longo da minha carreira de professor e, conforme alguns anexos que encontrei e agora anexo, pode verificar que progredi na carreira com o cumprimento rigoroso de todos os créditos e subi ao 8º escalão com provas públicas efectuadas em Coimbra nas instalações do Direcção Regional de Educação do Centro. Não progredi com benesses até chegar ao 10º escalão onde tenho a minha carreira congelada. Outros, como sabe, que se "licenciaram" em universidades privadas, não poderão dizer o mesmo.A avaliação não mete medo a nenhum professor. Para além das avaliações a que já fui sujeito na escola pública, concorri por vontade própria e paguei do meu bolso avaliações em provas públicas num mestrado (quando ainda eram de 2 anos) e num doutoramento (quando ainda eram de 5 anos) na Universidade do Porto, que é uma universidade pública.

Mas, rejeitei absolutamente este modelo de avaliação imposto às escolas públicas. Não entreguei objectivos individuais, não aceitei qualquer observação de aulas. Em protesto, a minha avaliação limitou-se à entrega simples de um relatório de auto-avaliação, nada mais. Não porque tivesse medo de avaliações sérias, rigorosas e de mérito e excelência a que estou mais do que habituado mas porque, era injusta, sem qualquer mérito e rigor e partia de pressupostos errados como é o ECD que divide professores entre bons e maus com base em parâmetros também injustos como a própria ministra MLR já reconheceu publicamente.

Senhor Paulo Baldaia, o senhor alguma vez leu o Estatuto da Carreira Docente? Sabe como é que os professores foram divididos entre titulares e professores? Já alguma vez viu o dossier de fichas e processo de avaliação? Conhece a Avaliação de Desempenho Docente? Já leu? Conhece o processo e a forma como a avaliação se processava ou deveria processar? A sua exequibilidade?Tenha paciência. Antes de partir para uma mesa redonda, é importante informa-se, documentar-se. Não falar sobre aquilo que ouve falar para fazer política. Leia !!!

Até o PM, apesar do ódio pelos professores da escola pública, já reconheceu publicamente que os professores eram avaliados antes desta ADD. A avaliação que hoje existe nas escolas, acredite, não é NADA. É pior do que aquela que, de facto, existia. E o ECD não ajuda a escola, os professores e os alunos. É um documento feito, acima de tudo, CONTRA os professores. Acha mesmo que mais de 100.000 professores se manifestaram várias vezes por não quererem ser avaliados? Fizeram uma greve de 88% porque não queriam ser avaliados? Não lhe parece que havia realmente feridas graves e que os professores se sentiam injustiçados? Pense bem.

Cumprimentos

Francisco Teixeira Homem

BI 7356693


LANÇOU O BARRO À PAREDE E TORNOU-SE MINISTRA DA EDUCAÇÃO.

O dia em que Isabel Alçada se tornou Ministra da Educação

Não sei se foi um discurso para primeiro ministro ouvir (e emprenhar pelos ouvidos) de rampa de lançamento para o cargo que conseguiu. Sei é que o discurso é mais do mesmo - "Dou o meu inteiro apoio à política educativa que tem vindo a ser seguida." (pela defunta)


sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

BOA VIAGEM !!!!


domingo, 18 de Outubro de 2009

JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO - 2016

A preparaçao e o treino, começam cedo.

Para que nada falhe.


sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

PARABÉNS PEDRO FEIJÓ - DO LICEU LUIS DE CAMÕES

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O representante dos alunos do Liceu Camões destacou-se hoje durante as comemorações dos 100 anos da escola ao tecer duras críticas à política educativa, acusando a ministra da Educação de “tirar credibilidade à democracia”.
Pedro Feijó, delegado dos alunos no Conselho Pedagógico do Liceu Camões, foi um dos participantes da cerimónia do 100º aniversário da escola, ao lado do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, além do director da escola e do médico João Lobo Antunes, um dos antigos alunos.
Pedro Feijó, que discursou de improviso, criticou o que disse serem os “entraves que foram postos à democracia nas escolas pelas novas políticas de Educação” e “a linha de orientação errada que a Educação tomou”, acusações que não mereceram qualquer reacção da ministra no discurso que fez de seguida.
O que o Ministério fez foi tirar credibilidade à democracia dentro e fora da escola”, sublinhou.

MAIS UM DOUTOR DA MULA RUÇA!


(pique em cima para aumentar e ler)

Este também se deve ter licenciado a um domingo. Agora que "foi apanhado" diz que já não foi na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que se licenciou. Diz que, afinal, foi em ... MOÇAMBIQUE. Façam o favor de não se rir.

LOGOTIPO DOS JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO

Já existe e ... já só tem 4 argolas

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

PINOCRETICES

video

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

LEGISLATIVAS 2009 - A MENTIRA (AFINAL) COMPENSA

Esta é daquelas eleições que dá para dizer que TODOS ganharam. A ideal.
Ganhou o PS porque ... ganhou, foi o primeiro.
Ganhou o PSD porque aumentou ligeiramente, ... mas aumentou
Ganhou o CDS porque passou para terceira força política e aumentou substancialmente o nº de deputados.
Ganhou o BE porque duplicou o nº de deputados.
Ganhou a CDU porque também, tal como o PSD, aumentou ligeiramente.

Mas, a verdade é que o PS perdeu a maioria absoluta, perdeu a arrogância e o insulto às diferentes classes sociais, ficou com menos 25 deputados. É, de facto, um derrotado.
O PSD quase consegue o resultado das anteriores eleições. Depois de 4 anos e meio de disparates, MENTIRAS e desgoverno, não foi capaz de cativar o povo português. Perdeu, e perdeu bem.
A CDU, passou para último lugar no parlamento. De facto, não ganhou nada mas agarra-se a pequenas coisas como se de uma tábua de salvação se tratasse. Uma campanha e uma ideologia fechada e a falar para dentro.
Quem de facto ganhou verdadeiramente? O CDS e o BE porque cresceram em percentagem e em deputados. E não cresceram pouco.



E Sócrates?
Os portugueses continuaram a votar nele como continuam, a votar em Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais, Avelino Ferreira Torres ou até, Ana Cristina Ribeiro, do Bloco de Esquerda, partido que gosta muito de se fazer passar por puritano mas na única câmara municipal que detém, a sua presidente é arguida.

Continuam a votar nele mesmo sabendo que o seu passado não é RIGOROSAMENTE NADA TRANSPARENTE (Independente, registos biográficos, CM da Covilhã, projectos na CM Guarda, freeport, Offshores ... querem mais?) não está RIGOROSAMENTE NADA ESCLARECIDO e continua a MENTIR DESCARADAMENTE. E mais, NINGUÉM NEGA OS DOCUMENTOS mas ... fazem parte de "uma campanha negra contra o Sócrates". Imagine-se !!

Poderia pensar ou dizer que apenas perseguiu com ódio os professores, mas não. Não há quase classe social que não tenha sentido a sua ira. Diria que foi uma loucura quase transversal às classes sociais portuguesas. O que era preciso era ... MALHAR ! MALHAR !!
As pessoas sentiram, estão desempregadas, passam dificuldades, têm os salários congelados mas, ... andam com alzheimer.

Atirou-se a quase TODAS as classes sociais e depois? ... andam com alzheimer.
Afrontou a Escola Pública e espezinhou os professores e a Educação melhorou? NÃO ... PIOROU !!
Afrontou e "qualificou" os Magistrados, e a Justiça melhorou? NÃO ... PIOROU !!
Afrontou e vexou os funcionários públicos e o funcionalismo mehorou? NÃO, ... PIOROU !!
Afrontou e humilhou a polícia, e a segurança melhorou? NÃO, ... PIOROU !!
Afrontou e desprezou os médicos que lhe fizeram frente e a saúde melhorou? NÃO, ... PIOROU !!
E por aí em diante ... mineiros, farmacêuticos, enfermeiros, funcionários judiciais, pilotos ... etc., só os jornalistas não fizeram greves e percebe-se PORQUÊ. São os "meninos de oiro".

E assim estamos nós, neste Portugal que tem o que merece, que chafurda na MENTIRA e na CORRUPÇÃO, que gosta da FALTA DE TRANSPARÊNCIA e OPORTUNISMO como quem alinha com prazer e em fila indiana para o toque rectal com um sorriso de orelha a orelha.

No final, vendo bem as coisas, até pode ter sido uma dádiva de sinal oposto à "crise" que tanto o favoreceu. É que agora, vai ter de trabalhar com o estado miserável em que deixou Portugal desde o déficit de 6% até às promessas que (re)prometeu e NUNCA cumpriu nem cumprirá.

Resta saber se depois os portugueses continuarão com alzheimer.

Admiram-se ???



LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO NACIONAL


LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO EM AVEIRO


LEGISLATIVAS 2009 - VOTAÇÃO NA FREGUESIA DE ESGUEIRA


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009: LISTA DOS DEPUTADOS ELEITOS PELOS DIVERSOS PARTIDOS

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PS - Partido Socialista

Açores
Ricardo Manuel Amaral Rodrigues
Luiz Manuel Fagundes Duarte
Luísa Santos

Aveiro
Maria de Belém Roseira
Afonso Candal
Sérgio Sousa Pinto
Rosa Maria Albernaz
Vítor Fontes
Filipe Neto Brandão

Beja
Luís António Pita Ameixa
Fernando Medina

Braga
António José Seguro
António BragaT
eresa Venda
Luís Miguel Laranjeiro
Fernando Moniz
Sónia Fertuzinhos
Laurentino Dias
Ricardo Gonçalves
Isabel Coutinho

Bragança
José Carlos Correia Mota de Andrade

Castelo Branco
José Sócrates
Fernando Serrasqueiro

Coimbra
Ana Jorge
Victor Manuel Bento Baptista
Horácio André Antunes
Maria Antónia Moreno Areias de Almeida Santos

Évora
José Carlos das Dores Zorrinho

Faro
João Soares
Miguel Freitas
Isilda Gomes

Guarda
Francisco Assis
José Albano Pereira Marques

Leiria
Luis Amado
José Miguel Medeiros
Maria Odete João
João Paulo Pedrosa

Lisboa
Jaime Gama
Alberto Costa
Inês Medeiros
José Vera Jardim
Vitalino Canas
Celeste Correia
Miguel Vale Almeida
Miguel Coelho
Manuela Augusto
João Serrano
Pedro Farmhouse
Manuela Melo
Ramos Preto
Duarte Cordeiro
Custódia Fernandes
Rui Pereira
Rui Prudêncio
Teresa Damásio
Marcos Sá

Madeira
Bernardo Trindade

Portalegre
Júlio Francisco
Miranda Calha

Porto
Alberto Martins
Teixeira dos Santos
Ana Paula Vitorino
José Lello
Augusto Santos Silva
Rosario Carneiro
Manuel Pizarro
Renato Sampaio
Isabel Oneto
Jorge Streche Ribeiro
Manuel Seabra
Maria José Gamboa
José Magalhães
Marques Júnior
Luísa Salgueiro
Fernando Jesus
José Manuel Ribeiro
Glória Araújo

Santarém
Jorge Lacão Costa
Idália Moniz
João Galamba
António Ribeiro Gameiro

Setúbal
José António Vieira da Silva
Eduardo Arménio Nascimento Cabrita
Eurídice Maria Sousa Pereira
Pedro Manuel Dias Jesus Marques
Ana Catarina Veiga S. M. Mendes
Catarina Marcelino Rosa Silva
Osvaldo de Castro

Viana do Castelo
Rosalina Maria Barbosa Martins
Defensor de Oliveira Moura
Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão

Vila Real
Manuel Pedro Cunha Silva Pereira
José João Pinhanços Bianchi

Viseu
José Junqueiro
Acácio Pinto
Elza Pais
José Rui Cruz

PSD - Partido Social Democrata

Açores
João Bosco Mota Amaral
Joaquim Ponte

Aveiro
Fernando Couto dos Santos
Ulisses Pereira
Maria Paula da Graça Cardoso
Amadeu Soares Albergaria
Paulo Cavaleiro
Carla Maria de Pinho Rodrigues
Luís Filipe Montenegro

Braga
João de Deus Pinheiro
Miguel Macedo
Maria Francisca Fernandes Almeida
Fernando Nuno Fernandes Ribeiro
Emídio Guerreiro
Maria Teresa Machado Fernandes

Bragança
José Ferreira Gomes
Adão Silva

Castelo Branco
Carlos Costa Neves
Carlos São Martinho

Coimbra
Paulo Mota Pinto
Pedro Saraiva
Maria do Rosário Águas
Nuno Encarnação

Évora
Luís Capoulas

Faro
Jorge Bacelar Gouveia
José Mendes Bota
Antonieta Guerreiro

Guarda
António Carlos Peixoto
João Prata

Leiria
Teresa Morais
Fernando Marques
Paulo Baptista Santos
Maria da Conceição Bretts Jardim Pereira

Lisboa
Manuela Ferreira Leite
Luís Marques Guedes
José Matos Correia
Maria José Nogueira Pinto
Pedro Lynce
Arménio Santos
Clara Carneiro
António Preto
José Matos Rosa
Helena Lopes da Costa
Duarte Pacheco
António Leitão Amaro
Celeste Maria Amaro

Madeira
Alberto João Jardim
Guilherme Silva
Vânia de Castro Jesus
Filipe Correia de Jesus

Portalegre
Cristóvão Crespo

Porto
José Pedro Aguiar Branco
Miguel Frasquilho
Raquel Coelho
Agostinho Branquinho
Jorge Costa
Luísa Roseira
Sérgio Vieira
Luís Filipe Valenzuela Menezes
Margarida Almeida
Adriano Rafael
Pedro Duarte
Carla Barros

Santarém
José Pacheco Pereira
Vasco Cunha
Carina Oliveira

Setúbal
Fernando Negrão
Luís Filipe Rodrigues
Maria das Mercês Borges

Viana do Castelo
José Eduardo Martins
Luís Álvaro Campos Ferreira

Vila Real
António Montalvão Machado
António Monteiro Cabeleira
Isabel Maria Sequeira

Viseu
José Luís Arnaut
António Almeida Henriques
Teresa Santos
João Carlos Figueiredo

CDS - Partido Popular

Aveiro
Paulo Sacadura Cabral Portas
Raul Mário Carvalho Camello de Almeida

Braga
Telmo Augusto Gomes Noronha Correia
Altino Bernardo Lemos Bessa

Coimbra
João Manuel de Serpa Oliva

Faro
Artur José Gomes Rego

Leiria
Maria da Conceição O. Cristas Machado da Graça

Lisboa
Teresa Margarida Vasconcelos Caeiro
Luís Pedro Russo da Mota Soares
João Guilherme Nobre Prata Fragoso Rebelo
Isabel Maria Mousinho de Almeida Galriça Neto
Pedro Manuel Brandão Rodrigues

Madeira
José Manuel de Sousa Rodrigues

Porto
José Duarte Almeida Ribeiro e Castro
João Rodrigo Pinho de Almeida
Cecília Felgueiras de Meireles Graça
Michael Lothar Mendes Seufert

Santarém
Filipe Lobo d’Ávila

Setúbal
Nuno Miguel Miranda de Magalhães

Viana do Castelo
Abel Lima Baptista

Viseu
José Hélder do Amaral

BE - Bloco de Esquerda

Aveiro
Pedro Filipe Gomes Soares

Braga
Pedro Manuel Bastos Rodrigues Soares

Coimbra
José Manuel Marques da Silva Pureza

Faro
Maria Cecília Vicente Duarte Honório

Leiria
Heitor Nuno Patrício de Sousa e Castro

Lisboa
Francisco Anacleto Louçã
Ana Isabel Drago Lobato
Luís Emídio Lopes Mateus Fazenda
Helena Maria Moura Pinto
Rita Maria Oliveira Calvário

Porto
João Pedro Furtado da Cunha Semedo
José Borges de Araújo de Moura Soeiro
Catarina Soares Martins

Santarém
José Guilherme Figueiredo Nobre de Gusmão

Setúbal
Fernando José Mendes Rosa
Mariana Rosa Aiveca Ferreira

CDU - Coligação Democrática Unitária

Beja
José Mestre Soeiro

Braga
Agostinho Lopes

Évora
João Oliveira

Lisboa
Jerónimo de Sousa
Bernardino Soares
Rita Rato Araújo FonsecaJ
osé Luís Teixeira Ferreira
Miguel Tiago Crispim Rosado

Porto
José Honório Novo
Artur Jorge da Silva Machado

Santarém
António Filipe Rodrigues

Setúbal
Francisco LopesPaula Santos
Heloísa Apolónia
Bruno Dias


domingo, 27 de Setembro de 2009

VOTAÇÃO NAS LEGISLATIVAS 2009

.

Voto nulo, voto em branco e a abstenção,

são perfeitas NULIDADES


sábado, 26 de Setembro de 2009

PAULO PEDROSO E A PERSEGUIÇÃO AO JUIZ RUI TEIXEIRA

A propósito da perseguição ao Juiz Rui Teixeira

Só para que eles saibam que nós sabemos. É só para recordar...

É uma boa altura para recapitular e tentar descobrir onde estará afinal O TAL erro grosseiro.

É para que todos saibam e para eles saberem que nós nos lembramos e sabemos!!!!

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

SONDAGENS LEGISLATIVAS 2009

Oiço sondagens que não me cheiram
Ando pela rua e falo com as pessoas.
Ou eu estou doido ou o povo português é hipócrita.
Também podem andar com medo de dizer em quem votam, com este governo já nada me admira.
A minha previsão é esta:

PS - 33-34%
PSD - 31-33%
BE - 11-13%
PP - 11-13%

CDU - 9-10%

ANA PAULA SANTOS - A BRIGADEIRA

Ana Paula dos Santos promovida a Brigadeiro na reserva enquanto militares apodrecem à espera de um simples reconhecimento da sua condição de combatentes . . .



A primeira Dama, Ana Paula dos Santos terá sido promovida ao grau militar de brigadeiro na reserva, em circunstâncias nunca tornadas publicas.
Em 2001 havia sido promovida a Coronel, a quando as autoridades atribuíram patenteamento alargado a algumas figuras como Silva Mateus e José Fragoso, conotados ao movimento “27 de maio”. Ambos haviam sido elevados a generais na reserva.

São mesmo desconhecidos os critérios ou passagem da mesma em alguma academia militar no país. Em geral, as primeiras damas, antes de os esposos tomarem posse são remetidas a um treinamento ou instrução com bases elementares acerca da própria segurança e em manterias de inteligência no sentido da gestão de informação de assuntos do Estado.

É provável (embora sem certeza) que a primeira dama tenha recebido alguma instrução militar ou de segurança. Uma das evidencias esta na forma como se comunica em “gestos” ou “sinais” com os seus seguranças quando deseja abandonar um local publico onde se encontra (cinemas, festas e etc).

A AGRICULTURA DO PS

Jornal de Negócios – 24 de Setembro - Olival biológico avança na Beira

DN – 24 de Setembro - CAP acusa Jaime Silva de falsificar cifras de apoio aos agricultores

Jornal de Notícias – 24 de Setembro - Portugal perdeu 71 milhões de euros

SIC – 23 de Setembro - Portugal foi o país da UE que mais fundos perdeu em 2008

Comunicado da CAP – 23 de Setembro - Comissão Europeia e OCDE desmentem Jaime Silva e a propaganda do governo contra os agricultores

Comunicado da CAP – 23 de Setembro - CAP acusa ministro de falsificar quadro de execução de fundos comunitários

Comunicado da CNA – 23 de Setembro - Desperdício de verbas comunitárias é fruto das más políticas agrícolas e financeiras

Agroportal – 23 de Setembro - A Propósito de asfixia democrática … ANEFA afastada do Conselho Florestal Nacional

JOSÉ SÓCRATES PROVINCIANO


quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

MAIORIA ABSOLUTA DO PS

MAIORIA ABSOLUTA

O que é que o PS fez com a maioria absoluta que lhe foi dada?

Ofereceu-nos um primeiro-ministro “não-socialista”, trapaceiro, narcisista, oportunista, autoritário e arrogante, destituído de cultura, de perspectiva histórica e de ideologia;

Um primeiro-ministro que alega desconhecer a lei, que ele próprio fez aprovar, para fumar, às escondidas, num avião;

Um primeiro-ministro que, no plano pessoal, mostra um carácter pouco recomendável, ao usurpar o título profissional de engenheiro, quando na realidade não o é ( independentemente das trapalhadas da sua licenciatura na Universidade Independente) pelo simples facto de a Ordem dos Engenheiros não reconhecer aquele curso daquela universidade;

Ofereceu-nos um governo de inaptos, com ministros sem opinião própria, acobardados face à arrogância do chefe;

Aumentou-nos a carga fiscal (excepto à Banca, relativamente à qual a diminuiu), contrariamente ao anunciado no seu programa eleitoral, de forma brutal e sem qualquer laivo de consciência social;

Reduziu o défice, à custa desse aumento da carga fiscal, sem qualquer melhoria palpável na eficiência do Estado e com significativa redução das regalias sociais;

Promoveu, em todas as entidades estatais, o espírito da caça à multa, em detrimento da pedagogia e da prevenção, numa atitude de gananciosa obtenção de receitas;

Hostilizou vários sectores da nossa sociedade, sem que daí adviesse qualquer benefício para o funcionamento das instituições e respectivas actividades;

Empenhou-se na destruição do Estado Social e na precarização total do emprego, impondo uma nova Lei do Trabalho, que acaba com a necessidade de haver “justa causa” para despedir, instalando a insegurança total no emprego;

Criou sérios problemas na prestação de cuidados de saúde;

Desautorizou os professores e empenhou-se em falsear as estatísticas do aproveitamento escolar, promovendo o facilitismo, dando origem à criação de uma geração de analfabetos com “computador e doutoramento”;

Mostrou-se um falhanço total, no plano da economia do país, tendo aumentado as falências, as deslocalizações de empresas nacionais e estrangeiras, o desemprego e, genericamente, as dificuldades de todos os sectores da nossa actividade produtiva;

Falhou em todas as promessas eleitoralistas, com particular destaque para a de “não aumento de impostos” e a da criação de um “aumento líquido de cento e cinquenta mil postos de trabalho”;

Não conseguiu captar investimento estrangeiro de forma sustentável, dado que não foi capaz de tornar o País atractivo e competitivo;

Mendigou, em nome da “real politic” junto de líderes estrangeiros pouco recomendáveis, devido às atrocidades que cometem reiteradamente, elogiando nomeadamente o governo de Angola, de forma escandalosa, ao dizer que aquele tem desenvolvido um “trabalho notável” (talvez por lidar com muitas notas!...) mostrando, claramente, já não haver lugar para princípios;

Fez com que, em 2008, atingíssemos o recorde absoluto de endividamento em relação ao estrangeiro – 100% do PIB – coisa nunca antes ocorrida;

O grau de pobreza aumentou, de forma generalizada, em todo o País – quase metade dos portugueses está vulnerável à pobreza;

Aumentou a emigração de pessoal com qualificações superiores, empobrecendo, assim, o lote de aptos e disponíveis para integrarem os quadros dirigentes do País;

Foi complacente com escandalosas retribuições e benesses de gestores públicos e privados;

Foi incapaz de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, aquando da insurreição dos camionistas, mostrando que apenas era forte relativamente aos fracos, sendo medroso em relação aos fortes, caindo, assim, por terra, a imagem propagandeada de firmeza;

Nada fez para contrariar o aumento da criminalidade, não sendo capaz de dar resposta ao crescente sentimento de preocupante insegurança, que se instalou no país;
Tem, pois, sido fraquíssimo quando e onde deveria ser forte (ex.: na luta contra a corrupção e contra as corporações e os interesses lautamente instalados) e tem sido fortíssimo onde deveria ser fraco (ex.: na intromissão na vida privada e social dos cidadãos);

Falhou na União Europeia, patrocinando o chamado “Tratado de Lisboa”, cuja ratificação pelos estados membros veio a fracassar, por falta de democraticidade do processo e reprovação das manobras de bastidores, o que o transformou no “Destratado de Lisboa”;

Negou aos portugueses o direito de se pronunciarem sobre este tratado, não promovendo o referendo, com o qual se tinha comprometido no seu programa eleitoral;
Recebeu em Portugal Robert Mugabe, apadrinhando, assim, um criminoso tirano;

Não foi capaz de prevenir a crise dos combustíveis, mediante a definição atempada de uma estratégia energética para o país, continuando à deriva nesta como noutras matérias, demitindo-se das suas responsabilidades e remetendo-se à cobarde posição de atribuição de todas as culpas às instâncias internacionais e ao funcionamento do mercado-livre e à especulação, no que é contrariado pelo Fundo Monetário Internacional FMI) que veio dizer, claramente, que a crise em Portugal se deve a razões internas;

Apadrinhou o comportamento da Galp, a qual se aproveitou da subida ( em dólares e não em euros ) do preço do petróleo para aumentar discricionariamente o preço dos combustíveis, não os baixando na mesma proporção sempre que o preço do petróleo entrava em queda;

Criou um sistema de controlo da informação e de propaganda, essencialmente preocupado com a ocultação das enormes debilidades e com a gestão da imagem, digno de fazer inveja ao anterior regime;

Criou as “Novas Oportunidades” – uma enorme encenação de “formação”, que apenas se limita a atribuir “canudos” a nulidades, que nada aprenderam de útil para a sua integração na nossa economia real, iludindo, apenas, as estatísticas do nosso atraso cultural e tecnológico;

No caso BPP, não assumiu as responsabilidades do Estado, inerentes à falta de supervisão. Discriminou clientes no próprio BPP e em relação aos clientes do BPN, não pautando as suas decisões por critérios de justiça, mas sim pela avaliação da existência ou não de risco sistémico, não contribuindo, em nada, para a credibilização da banca;

Reagiu mal e tardiamente à crise, tentando disfarçá-la com um optimismo
estúpido.

Os sacrifícios, que a grande maioria dos portugueses vêm suportando e aos quais os gestores, os políticos e os respectivos afilhados se eximiram, foram em vão, tendo servido apenas para uma redução do défice, não sustentada!!! Este um magro resultado para um governo com tanta propaganda de eficiência!!!

A avaliação de um governo faz-se olhando para os resultados alcançados no quotidiano dos cidadãos e, no caso do governo de maioria do Iiiingiiiiiiiinheiro
Sócrates, eles foram:

Maus na Educação
Maus na Saúde
Maus na Economia
Maus na Justiça
Maus na Segurança Interna
Maus no Ambiente
Maus na Agricultura
Maus na decência e no exemplo para com os cidadãos
Maus na credibilidade e liberdade da informação

“Bons” na demagogia, na mentira, no compadrio e na roubalheira!


É por isso que chegou a hora de dizer BASTA!

Votem em qualquer outro partido!
No PS (que deixou de ser socialista…) NÃO!

Com maioria absoluta, o PS mostrou ser uma fraude!
É tempo de castigar a mentira, a incompetência, a arrogância, a ditadura de uma maioria, o favoritismo, o despudor, a subserviência rastejante de um partido face ao seu chefe, a irresponsabilidade, a incoerência, o autismo e a vaidade pessoal…

Estes são os principais atributos do PS, enquanto partido político, e dos seus membros que pactuaram com as diatribes do seu líder e do governo que patrocinaram!

Não são estas as qualidades que o País precisa para os seus dirigentes e, de uma
forma geral, para os seus cidadãos.

Quem não se revê nestas “qualidades” vai, certamente, RECUSAR O VOTO NO PS!

“O país jaz morto e arrefece nas mãos socialistas”
Não queiras colaborar no enterro do país!
Vamos ressuscitá-lo, banindo do poder os falsos
socialistas!

NÃO TE ABESTENHAS!
VOTA NOUTRO PARTIDO!
OU VOTA “NULO” COMO PROTESTO!
MAIORIAS ABSOLUTAS NUNCA MAIS!

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

SÓCRATES - UM MENTROSO COMPULSIVO

Veja AQUI

Para a opinião pública, continua a MENTIR insistindo que os professores NÃO ERAM avaliados nem o querem ser. A prova de que é MENTIROSO está AQUI ou AQUI

E continua a MENTIR.

José Sócrates, justificou a sua entrada no PSD referindo que o fez pela designação do mesmo - ser um Partido SOCIAL DEMOCRATA. Aconteceu, segundo el mesmo em 1974 e saiu em 1975 ... apenas 1 ano depois .

Ora, acontec que o nome do partido nessa altura era PPD (Partido POPULAR DEMOCRATA) desde 1974 e apenas adoptou a designação PSD (Partido SOCIAL DEMOCRATA) em 1977, isto é, 1 ano após a sua saída.

Faz lembrar toda a ALDRABICE que engendrou para justificar a su licenciatura a um domingo em engenharia.


.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

CORRER COM SÓCRATES !!!!


segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

VOTO ÚTIL NAS LEGISLATIVAS 2009 (2)

No sistema eleitoral português muitos votos são perdidos, uma vez que não são convertidos em mandatos de deputados. Esta situação ainda é mais grave nos distritos com pouca população. Por isso, os eleitores destes distritos têm de pensar muito bem onde vão colocar a sua cruz. Donde, devemos concentrar os nossos votos para derrotarmos o PS de Sócrates.

Nos distritos mais populosos os cinco maiores partidos portugueses (Bloco, CDU, PS, PSD e CDS) vão eleger deputados, casos de Lisboa, Porto, Braga e Setúbal. Por isso, nestes distritos os eleitores devem votar no partido com o qual se identificam, sem estar condicionados pelo voto útil (dentro da lógica deste texto).

Noutros distritos, um pouco menos populosos, alguns partidos não elegerão possivelmente deputados:

- a CDU em Aveiro;
(voto inútil)
- o CDS em Coimbra; (voto inútil)
- a CDU e o Bloco em Leiria; (voto inútil)
- o CDS em Santarém; (voto inútil)
- o Bloco e a CDU em Viseu; (voto inútil)

No entanto não irei apresentar previsões nem indicações do voto útil para estes distritos, pois é uma tarefa muito arriscada, uma vez que a subida de três ou quatro pontos percentuais de um partido pode ditar a eleição de um deputado.

Nos distritos menos populosos a situação é bem diferente. A maioria dos partidos não vai eleger deputados e por isso devemos concentrar energias. Este texto não é muito simpático para os pequenos partidos, mas há uma dura realidade que não podemos esconder. Nos distritos com pouca população o Bloco, a CDU e o CDS teriam de duplicar muitas vezes os seus resultados habituais para terem hipóteses de eleger um deputado. Facto que não é previsível. É verdade que nestes distritos o PSD é quase sempre indicado como a solução óbvia de voto útil, por vezes conjuntamente com outro partido. Esta situação resulta do facto de com base nos resultados eleitorais anteriores e em função das sondagens, apenas um mandato estar em dúvida. Sendo o PS e PSD os partidos mais votados em quase todos os distritos, não votando no PSD está-se a dar vantagem ao PS, pois os pequenos partidos não vão eleger deputados nesses distritos.

É óbvio que o cenário que aqui traçamos é a de um PS com ligeira vantagem. É esta vantagem que queremos combater. Não queremos uma maioria absoluta do PSD. Aquilo que queremos é que o PS perca as eleições!

O Distrito de Beja apenas elege três deputados. Tradicionalmente um deputado é da CDU e outro é do PS. Apenas está em disputa o terceiro deputado. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de tomar duas opções. Ou votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado, ou votar CDU pensando que este partido ficará à frente do PS, ficando com o terceiro deputado. Nas eleições europeias a CDU ficou à frente do PS, pelo que se tivesse os mesmos resultados nas eleições legislativas de 2009 elegeria o terceiro deputado. No entanto, olhando para os resultados de 2005 (21036) verificamos que a CDU teve quase o mesmo resultado de 2009 (18018), fruto de ter eleitores mobilizados e fiéis. É previsível que a CDU tenha nas legislativas de 2009 um número de votos semelhante à de 2005 e que o PS suba em relação às eleições europeias de 2009. Já o PSD terá de ter mais 2000 ou 3000 votos do que nas eleições anteriores para aspirar a obter o terceiro deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco ou no CDS (votos perdidos em Beja), têm de fazer um sacrifício votando na CDU ou no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
__________

O Distrito de Bragança apenas elege três deputados. Perdeu um deputado em relação às eleições de 2005. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. O terceiro deputado é disputado entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria o terceiro deputado, mas nas legislativas de 2005 o PS ficou à frente do PSD, pelo que a manter-se este resultado, obteria o terceiro deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Bragança), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
__________

O Distrito de Castelo Branco apenas elege quatro deputados. Perdeu um deputado em relação às eleições de 2005. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O terceiro e o quarto mandato são disputados entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro e talvez o quarto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria dois deputados, mas nas legislativas de 2005 o PS elegeu quatro deputados e o PSD apenas um. Este é um distrito especial, pois concorrem José Sócrates e Valter Lemos nas listas do PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Castelo Branco), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates. O PS pode perder aqui 2 a 3 deputados em relação às eleições de 2005.
__________

O Distrito de Évora apenas elege três deputados. Tradicionalmente um deputado é da CDU e outro é do PS. Apenas está em disputa o terceiro deputado. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de tomar duas opções. Ou votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro deputado, ou votar CDU pensando que este partido ficará à frente do PS, ficando com o terceiro deputado. Nas eleições europeias de 2009 a CDU e o PSD tiveram um resultado que lhes permitiria eleger deputados se as eleições fossem legislativas. No entanto, olhando para os resultados da CDU em 2005 (20246), verificamos que teve quase o mesmo resultado de 2009 (17079), fruto de ter eleitores mobilizados e fiéis. É previsível que a CDU tenha nas legislativas de 2009 um número de votos semelhante à de 2005 e que o PS suba em relação às eleições europeias de 2009. Já o PSD terá de se aproximar dos 20000 votos para aspirar a obter o terceiro deputado. A hipótese mais plausível é o PSD eleger o terceiro mandato.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco ou no CDS (votos perdidos em Évora), têm de fazer um sacrifício votando na CDU ou no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Faro elege oito deputados. Três deputados estão garantidos para o PS e outros três para o PSD. Estão em disputa mais dois mandatos. O Bloco de Esquerda devido à sua subida de 2005 para 2009 elegerá possivelmente um deputado e a CDU tem poucas hipóteses de eleger um deputado. Nas eleições europeias de 2009 os partidos tiveram um resultado que nas legislativas lhes permitiriam eleger os seguintes deputados: PSD três deputados; PS três deputados, Bloco de Esquerda um deputado; CDU um deputado. A CDU tem tradicionalmente eleitores mobilizados e fiéis, pelo que terá uma subida menor que os outros partidos entre as europeias e as legislativas. Por isso, é provável que nas legislativas de 2009 o PSD eleja três deputados, o PS três deputados e o Bloco um deputado. O último deputado (oitavo) será disputado entre o PS, PSD e CDU. Nas legislativas de 2005 o PS elegeu seis deputados e o PSD dois. Podemos retirar três deputados ao PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no CDS e talvez na CDU (votos perdidos em Faro), têm de fazer um sacrifício votando no PSD e no Bloco (votos na CDU podem não ser convertidos em mandatos) para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Guarda apenas elege quatro deputados. Tradicionalmente um deputado é do PS e outro é do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O terceiro e o quarto mandato são disputados entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o terceiro e talvez o quarto deputado (pouco provável). Nas eleições europeias de 2009 e nas legislativas de 2005 o PSD e o PS tiveram resultados que lhe dariam para dividir os mandatos (dois a cada um).

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos na Guarda), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
__________

O Distrito de Portalegre apenas elege dois deputados. Tradicionalmente um deputado é do PS. O segundo deputado é disputado entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD pensando que este partido poderá alcançar o segundo deputado. Nas eleições europeias o PSD teve um resultado que lhe daria o segundo deputado, mas nas legislativas de 2005 não conseguiu, sendo o segundo deputado atribuído ao PS.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Portalegre), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
__________

O Distrito de Viana do Castelo elege seis deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois do PSD. Estão em disputa dois mandatos. O quinto e o sexto mandato são disputados entre o PS, PSD e CDS. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD ou no CDS pensando que estes partidos poderão alcançar o quinto e sexto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 apenas elegeu dois deputados. Nestas eleições o PS elegeu três deputados e o CDS elegeu um deputado.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco e na CDU (votos perdidos em Viana do Castelo), têm de fazer um sacrifício votando no PSD ou no CDS para derrotarmos o PS de Sócrates.
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O Distrito de Vila Real apenas elege cinco deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois são do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o quinto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu dois deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos em Vila Real), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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Os Açores elegem cinco deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e dois são do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o quinto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria três deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu dois deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos nos Açores), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
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A Madeira elege seis deputados. Tradicionalmente dois deputados são do PS e três do PSD. Esta apenas um deputado em disputa entre o PS e o PSD. Se os portugueses querem penalizar o PS de Sócrates têm de votar PSD, pensando que este partido poderá alcançar o sexto deputado. Nas eleições europeias de 2009 o PSD teve um resultado que lhe daria cinco deputados, mas nas legislativas de 2005 o PSD apenas elegeu três deputados, tendo o PS eleito três deputados.

Portanto, portugueses que votam habitualmente no Bloco, na CDU e no CDS (votos perdidos na Madeira), têm de fazer um sacrifício votando no PSD para derrotarmos o PS de Sócrates.
Para consultar os quados, veja aqui:
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VOTO ÚTIL NAS LEGISLATIVAS 2009 (1)

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Face às medidas tomadas pelo governo de José Sócrates contra os professores, conjugadas com as ofensas constantes da sinistra ministra da Educação e seus maquiavélicos secretários de Estado, urge, da parte dos docentes portugueses e seus familiares a tomada de uma posição radical nas eleições legislativas de 27 de Setembro: não votar no PS.
Com efeito, independentemente da ideologia de cada um de nós, existem, à direita e à esquerda, várias alternativas à actual maioria socretina. Contudo, face ao sistema eleitoral português, nem todos os votos contribuem para eleger deputados, em especial nos círculos mais pequenos.
Por esse motivo, é importante que o nosso voto, em 27 de Setembro, seja o mais eficaz para derrotar o PS nos 22 círculos eleitorais (20 no território nacional e 2 da emigração).
Com esse objectivo, analisei os resultados das eleições legislativas de 2005 e das europeias de 2009: as primeiras por serem as anteriores eleições da mesma natureza; as segundas, por serem bastante recentes.
Para uma maior facilidade de análise, considerei as europeias como se de legislativas se tratassem, com os mandatos (virtuais, obviamente) que cada partido teria obtido em cada círculo eleitoral. Por seu turno, na análise dos resultados de 2005, considerei os mandatos atribuídos de acordo com a distribuição dos deputados a eleger em 2009 (mais um em Braga, Porto e Aveiro e menos um em Lisboa, Castelo Branco e Bragança).
Para que o estudo seja mais fácil de entender, vou explicar, de forma sucinta, como funciona o método de Hondt, utilizado em Portugal para transformar os votos em mandatos. Assim, o número de votos de cada partido é sucessivamente dividido por 1, 2, 3, …, n, sendo n igual ao número de deputados a eleger no círculo. Os mandatos são atribuídos aos maiores quocientes dessas divisões sucessivas. Por comodidade de análise, podemos utilizar as percentagens de votos em lugar dos números absolutos.

Eis um exemplo hipotético:
Num círculo onde há 10 mandatos a atribuir, concorrem 5 partidos. Os resultados são os seguintes:
A – 38%
B – 30%
C – 14%
D – 8%
E – 6%
Brancos e nulos – 4%

Daqui resulta seguinte distribuição de mandatos:
A – 5 mandatos
B – 3 mandatos
C – 1 mandato
D – 1 mandato
Analisando a tabela, verificamos que o último mandato é o 5º do partido A (cujo quociente corresponde a 7,6% dos votos). Por seu turno, o primeiro a ficar de fora é o 4º do partido B (quociente de 7,5% dos votos). O partido E (que obteve 6%) não elege nenhum deputado.
Ou seja, para que um partido eleja um deputado por este círculo necessita de obter, no mínimo, 7,6% dos votos.
Como se pode verificar, este método favorece os maiores partidos, especialmente nos círculos mais pequenos. Assim, enquanto que, em Lisboa (que elege 47 deputados), um partido necessita de cerca de 1,9% para eleger um deputado, em Portalegre (onde apenas são eleitos 2), 25% podem não chegar. Já em círculos de média dimensão, como Leiria e Coimbra (que têm direito a 10) são necessários entre 7,5 a 8% dos votos, aproximadamente.
Os limiares mínimos para um partido obter representação num dado círculo eleitoral variam de eleição para eleição, dependendo de vários factores. Como se pode observar na folha de Excel anexa, na maioria dos círculos ele é maior nas legislativas de 2005 que nas europeias de 2009. Isto deve-se ao facto de, nestas últimas, o número de votos brancos, nulos ou em pequenos partidos ter sido bastante elevado (cerca de 12% contra pouco mais de 5% em 2005). Nas legislativas deste ano, é provável que, em conjunto, somem 7-8%, o que baixa ligeiramente esse limiar relativamente a 2005, embora não tanto como nas europeias.
É com base neste estudo e tendo em conta o nosso objectivo declarado (derrotar o PS) que considero cinco níveis prováveis de utilidade do voto num determinado partido em cada distrito, de acordo com o resultado daqueles actos eleitorais:
Nível 5 (Voto certamente útil) – Partido que elegeu deputados pelo círculo em 2005 e que subiu a sua votação nas europeias, o que lhe permitiria eleger novamente, e sem problemas, deputados nesse círculo. É um voto que permitirá, normalmente, eleger um ou mais deputados da actual oposição;
Nível 4 (Voto previsivelmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas que registou uma significativa subida nas europeias, o que lhe permitiria eleger, sem problemas, um ou mais deputados nesse círculo. É um voto relativamente seguro e que, em princípio, também permitirá a eleição de um ou mais deputados da actual oposição;
Nível 3 (Voto eventualmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas cujo resultado nas europeias lhe permitiria eleger, com dificuldade, um deputado nesse círculo. É um voto já com algum risco, mas que poderá permitir eleger alguém se o partido mantiver, sensivelmente, a votação das europeias;
Nível 2 (Voto dificilmente útil) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 mas cujo resultado nas europeias o colocaria próximo da eleição de um deputado pelo círculo. É um voto de grande risco, que só permitirá eleger alguém se o partido subir um pouco a votação das europeias;
Nível 1 (Voto só para protestar) – Partido que não elegeu deputados pelo círculo em 2005 e cujos resultados nas europeias o manteriam longe de eleger qualquer representante. Um voto que não serve para eleger ninguém. Aqui se incluem, igualmente, os votos brancos e nulos.
Nível 0 (Totalmente inútil) – Abstenção. Equivale a demissão cívica.

CONCLUSÃO-SÍNTESE

NOTA – O CDS em Viana do Castelo constitui um caso especial: o partido elegeu um deputado pelo círculo nas legislativas de 2005 e continuaria a eleger se as europeias de Junho fossem legislativas. Mas a sua percentagem desceu ligeiramente, pelo que optei por baixar a utilidade desse voto para o nível 4.

É certo que nem sempre o que parece é. Assim, poderá ser interessante votar num partido que está à beira de eleger um deputado pelo círculo (por exemplo, o CDS em Santarém ou a CDU em Faro) em lugar de votar noutro que tem a eleição assegurada e deixar esses partidos com uma boa percentagem mas sem eleger ninguém. O que mostra que tudo isto é bastante contingente e, portanto, difícil de prever.
Claro que cada um é livre de votar da forma que entender: por convicção ou de forma estratégica.
Este estudo destina-se apenas a fornecer informação sobre os efeitos mecânicos do seu voto (ou seja, aqueles que estão ligados à mecânica do sistema eleitoral) a todos aqueles que desejem votar com o objectivo supremo de derrotar Sócrates, Milú e Cª.
Por mim, desde que não votem no PS, tudo bem!

Jorge Martins (Professor de Geografia da Escola Secundária Rodrigues Lobo, em Leiria, membro dos órgãos sociais da APEDE e mestrando em Ciência Política na Universidade Nova de Lisboa)

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

CAMPANHA DO PS: OS OUTDORS









DEBATE SÓCRATES vs SÓCRATES

Olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço.

O seu grande amigo e ditador Hugo Chavez, não passa de um
verdadeiro aprendiz de MENTIROSO. Corja de ALDRABÕES

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

HÁ 35 ANOS A SERMOS ROUBADOS

ASSIM SE GANHA(RA)M CAMPEONATOS

08-09-2009

"Meti a bola lá dentro e pirei-me para trás do bandeirinha"


Muitos ainda escrevem que o golo foi «limpo», alguns acreditam nisso. Quase 35 anos depois, o verdadeiro autor do golo do nevoeiro, num célebre FC Porto-Sporting, José Maria Ferreira de Matos, explicou ao jornal Sporting como tudo aconteceu naquela tarde de nevoeiro.
Actualmente a trabalhar em Lisboa, o ex-apanha-bolas da formação «azul e branca» e árbitro amador, mostrou-se arrependido pelo seu acto irreflectido.

JORNAL SPORTING – De que se lembra desse dia?

JOSÉ MARIA FERREIRA DE MATOS – Lembro-me do intenso nevoeiro que estava. Antes do jogo, o «chefe» dos apanha-bolas, o Valter Leitão, distribuiu-nos pelo campo e mandou-me para trás da baliza. Recordo-me que o Sporting começou a ganhar. Na segunda parte, a vantagem continuava do Sporting, mas nunca pensei em fazer o que acabaria por fazer. Eu era conhecido pelas asneiras que fazia, mas também nunca ninguém pensou que fizesse o que fiz.

– Como foi o lance?

– Não sei bem como a bola chegou a mim, mas sei que ela veio ter comigo e vi o Gomes a pôr as mãos na cabeça. Sem pensar, dei uns passos e fui até ao canto da baliza, meti a bola lá dentro e fugi para o mais longe possível. Então, vejo o Damas a ralhar comigo, mas eu pirei-me para trás do ‘bandeirinha’; ele já tinha a bandeirola no ar a assinalar o golo. Foi quando os jogadores do Sporting correram para o árbitro, a reclamar. Aí o juiz, que julgo não ter visto bem o lance, começou a mostrar cartões.

– Porque razão meteu a bola na baliza?

– Foi tudo muito rápido. O FC Porto estava a perder, a bola estava na minha mão e então pensei: vou metê-la lá para dentro e vou-me pirar. Foi um daqueles momentos em que se faz, ou não se faz; optei por fazer e já não dava para voltar atrás. Aconteceu numa fracção de segundo.

– Depois de meter o golo, o que pensou?

– Eu só queria que não me «topassem». Felizmente, ou infelizmente, o árbitro marcou e eu saí impune. Tenho pena do Damas, que não teve culpa nenhuma e sofreu um golo ilegal.

– E se visse o árbitro desse encontro?

– Não sei… Gostava de estar com ele para lhe confessar que fui mesmo eu a marcar o golo e não o Gomes. Eu tenho quase a certeza de que ele não conseguiu ver o lance como realmente aconteceu, pois estava um nevoeiro muito intenso. Também gostava de falar com o fiscal de linha; foi ele quem assinalou o golo e foi para trás dele que eu «fugi» depois de fazer o que fiz.

– Acha mesmo que o árbitro não viu nada?

– Julgo que não. Tenho ideia de ver o fiscal de linha levantar a bandeirola e validar o golo do FC Porto. Depois, lembro-me de ver o Damas e outros jogadores a correrem para o árbitro e sei que houve cartões mostrados. Nessa altura, já eu estava «escondido» atrás do fiscal. Só aí é que percebi o que tinha feito, mas pensei,"já está, já está!" Não havia nada que eu pudesse fazer.

– Alguma vez falou com o Fernando Gomes sobre a autoria do golo?

– Sim, uns anos depois encontrei-o num Centro Comercial do Porto. Perguntei-lhe, sem ele saber quem eu era, se tinha sido ele a marcar o golo; ele disse que sim e cada um seguiu o seu caminho. Mas acontece a mesma coisa quando o jogador mete a bola com a mão; se lhe perguntarem, ele dirá, quase sempre, que foi com a cabeça. Neste caso, eu sei que não foi o Gomes que a meteu. Digo-lhe isso nos olhos dele, ou nos olhos de quem quer que seja.

– Como se sente, agora que «confessou» o seu «feito» ao nosso jornal?

– Muito aliviado. Muito mesmo. Era uma coisa que eu tinha de contar mais cedo ou mais tarde. Queria ter falado com o Damas, mas não consegui. Agora, fica a faltar falar com o sr. Alder Dante e com o presidente do Sporting. Quero agradecer ainda a oportunidade que o jornal ‘Sporting’ me deu, ao poder de ter entrado no Estádio José Alvalade. Quando pisei o relvado, senti um calafrio; as minhas mãos e as minhas pernas tremeram como há muito não tremiam.

– Não tem receio de ter contado a história desse golo?

– Não. Eu sou um homem correcto. Quando as pessoas quiserem, que me procurem. A falar é que as pessoas se entendem.

– Nunca pensou falar com Victor Damas?

– Sempre tive o desejo de ir ter com ele. Tentei, várias vezes, mas nunca o consegui apanhar. Na altura, cheguei a vir do Porto a Alvalade, mas nunca tive a oportunidade de o encontrar. Não era fácil falar com ele, pois um humilde apanha-bolas não chega facilmente à fala com um jogador, para mais sem conhecer ninguém do Sporting. É das coisas que me dá mais pena. Era um sonho falar com ele. Nunca me esquecerei do Damas; pelo guarda-redes que foi e por nunca ter conseguido falar com ele. Sempre que via jogos do Sporting, em que o Damas participava, pensava sempre na malfeita bola do nevoeiro.

– O que lhe diria se o tivesse chegado a encontrar?

– Dizia o que lhe disse hoje e, com toda a certeza, pedir-lhe-ia muitas desculpas.

Leia a entrevista na íntegra, na edição de jornal ‘Sporting’

domingo, 6 de Setembro de 2009

1 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

«Isto é selva e na selva só sobrevive a lei do mais forte e, por isso, não vale a pena estarmos para aqui com fantasias e cada um procurará armar-se o mais possível; até no campo político o sucesso depende muito do factor força».
Do arvorado a almirante Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola em 1974 citado pelo general Silva Cardoso no seu livro “Angola Anatomia de uma Tragédia”.

«Acabaram-se os sonhos. Agora só nos restam as pataniscas e as rabanadas».
De um “retornado
” ao desembarcar no fervilhante aeroporto de Lisboa, fugido de Angola, no Verão de 1975.

Antes de 1960 não existia a palavra descolonização. Ela apareceu para explicar a debandada dos europeus de África. Como já afirmámos, o termo mais correcto seria "descolonialismo" uma vez que, exceptuando a Argélia, Angola, Moçambique e Rodésia (actual Zimbabué), não havia colonos nos restantes países de África. O termo descolonização só se pode aplicar aos três primeiros. No Zimbabué não houve descolonização porque o país se auto- proclamou independente em 1966 com um regime dominado pelos colonos. Posteriormente estes abandonaram o país. A África do Sul nunca passou pelas agruras do colonialismo mas acumulou pesares também muito graves, originados pelo apartheid que ali vigorou até 2000.
Portugal nunca considerou que Angola se pudesse tornar independente, por isso sustentou uma guerra, contra as correntes nacionalistas angolanas, durante 13 anos (1961/1974). Era inevitável a emancipação de Angola mas o governo metropolitano convenceu os colonos de que tal não se verificaria. E estes, ingénuos e mal informados, acreditaram. E aquele tentou “segurar” a colónia até onde fosse possível, na esperança de que tudo poderia melhorar com o tempo.
Devido a vários factores, já enumerados em artigos anteriores , Angola em 1974 estava bem estruturada administrativamente mas anulada nos aspectos mais importantes para uma nação: político, diplomático, comércio internacional,cultural , jurídico e militar. Este ultimo era o mais importante para uma independência endógena ou seja de dentro para fora. Na independência teria que ser um exército, genuinamente angolano e coeso, a assumir, posteriormente, a segurança e a defesa, permitindo e assegurando referendos e eleições. E sobretudo não permitindo abusos. Mas isso não sucedeu porque toda a estrutura militar em Angola em 1974 era primordialmente metropolitana. Diz-se que os efectivos militares em Angola já dispunham de mais de 50% de angolanos, mas a verdade é que não os havia no topo da hierarquia militar. Foi pungente ver estes angolanos atarantados, procurando um nicho nos três exércitos que entraram em Angola, referentes aos Movimentos de Libertação. Em resumo: teria que haver um "descolonialismo" porque os colonos também estavam sujeitos aos caprichos de Lisboa. De certo modo estavam colonizados.
Por outro lado as forças militarizadas da Metrópole estavam inquietas após 13 anos de guerra, sem uma solução à vista. A maioria dos jovens em Portugal estava a emigrar, fugindo a uma guerra injusta e despropositada e que, em essência, não lhes dizia respeito. Portugal queria entrar na Europa mas as colónias eram um empecilho.
Em 25 de Abril de 1974 uma parte dos oficiais e sargentos do exército português, após treze anos de operações militares, o período que nós designámos por O Tempo Extra (1961 a 1974), resolveu dar um basta à guerra da independência, ou guerra colonial ou guerra em África, conforme o ponto de vista da cada um. A causa próxima do poisar das armas teve contornos de corporativismo. Durante o período culminante do colonialismo, de 1930 a 1960, o corpo de oficiais do exército português era de elite.O ingresso na Academia Militar estava sujeito a filtros,mais ou menos apertados, conforme as circunstâncias e as vagas. Os ultramarinos, ou seja os naturais das colónias, podiam esperar um filtro tipo chapa de aço. Os oficiais saídos daquelas academias eram de absoluta confiança do governo. Gozavam de prerrogativas elitistas e regalias materiais. A Academia Militar, antes de 1961, destinava-se inteiramente para os metropolitanos e, mesmo estes, passavam por uma rigorosa selecção.
Podemos supor que Salazar alimentava a secreta esperança de que, in extremis, irromperia um qualquer acontecimento internacional que pudesse reverter o quadro “de aguentar” para um quadro a seu favor, menos implicante internacionalmente. Já tinha havido ameaças, em épocas anteriores, e ele sabia disso. Eis algumas dessas situações, já aqui indicadas (no livro), mas que repetimos para frisar a sorte que sempre tinha acompanhado os governos de Lisboa:
-Após o ultimato de 1890 a Inglaterra acabou por proteger as colónias de Angola e Moçambique da cobiça da Alemanha, da Bélgica, e da França. Portugal sempre era um velho aliado e, sobretudo, não tinha indústrias que absorvessem os minérios de África. Portugal era um empecilho às pretensões dos alemães, dos belgas e dos franceses , mas não fazia sombra à Inglaterra. Neste aspecto até convinha aos ingleses a posição portuguesa, esta evitava o predomínio de qualquer outra potência europeia. A viagem do rei inglês Eduardo VII a Portugal, em princípios do século 20, acabou por apagar todos os azedumes provocados pelo Ultimato em 1890.
-Após a guerra 14/18 as colónias continuaram intactas devido à cooperação de Portugal no conflito. Quando chegou a altura do rateio, entre os vencedores, Portugal lá estava entre eles. E, para desenvolver o território, conforme se preconizou na Sociedade das Nações após o conflito, lá foi para Angola, outra vez, Norton de Matos. Foi demitido logo que passou o perigo. Um costume que se repetiria mais tarde. Os ardores desenvolvimentistas passavam logo que o horizonte político internacional se desanuviava.
-Durante a década de 20 Portugal foi acusado de praticar trabalho forçado. Foi publicado o Relatório Ross, em 1925, que provocou comentários acres na imprensa mundial. Chegou a insinuar-se que a Sociedade das Nações deveria intervir. O craque da Bolsa de Nova Iorque em 1929 acabou por desviar as atenções.
-Em 1935 novo sobressalto: Hitler começou a mostrar apetites coloniais, chegou a referir-se às antigas colónias alemãs em África. Angola foi mencionada, como pátria de acolhimento, para os judeus que estavam a ser expulsos da Alemanha nazi. A grande guerra 1939-1945 acabou por salvar, mais uma vez, a presença portuguesa em África. Esta ficou, desta vez, com prazo.
-Durante a guerra 1939-1945 o fim do colonialismo foi preconizado pelo presidente Roosevelt mas a sua morte em 1945 lançou tudo no esquecimento.
-Em 1961, quando houve necessidade de intervir militarmente em Angola, Salazar alimentava a esperança de que ia haver uma terceira guerra mundial e, neste caso, a colónia de Angola permaneceria, como despojos, como sucedeu após a guerra 1914-1918. É dele a seguinte frase, citada por Franco Nogueira(159):«Não entrámos na guerra 39/45 mas de certeza que entraremos na próxima». No fundo talvez ele alimentasse a secreta esperança de um novo conflito mundial, que seria devastador, não tenhamos dúvidas, mas que alteraria profundamente o estado do mundo e do qual talvez se pudesse tirar partido como sucedeu após a guerra de 1914-1918.
Sabe-se hoje que o conflito esteve muito perto de acontecer com os atritos relativos à instalação de misseis em Cuba, em 1962, pela União Soviética.
Antes das guerras africanas iniciadas em 1961, na admissão para a Academia Militar em Portugal eram mais os candidatos do que as vagas. A selecção era rigorosa. A partir do início da guerra colonial em 1961 começou a reversão: eram mais as vagas do que os candidatos. Em termos práticos significa que a guerra iria ser comandada “sempre pelos mesmos”. A situação foi-se agravando e acabou por ficar insustentável. Solução: admitir milicianos como candidatos à Academia Militar. Em alguns casos a guerra acabou por apontar para milicianos com mais atitude militar do que os eleitos segundo as regras anteriores, o que confirmava o elitismo vesgo que existia na admissão àquela Academia.
As vagas na Academia Militar, antes de 1961, eram reservadas só para metropolitanos, e para as famílias privilegiadas. Gilberto Freyre, quando visitou Portugal em 1952 apercebeu-se disso, tendo escrito, a propósito, quando esteve na Índia portuguesa(95):«Só os comandantes e oficiais são metropolitanos e brancos. Outra restrição aos direitos de plena cidadania portuguesa sentida pelo luso-indiano. Desde Cabo Verde que ouço à prática portuguesa de impedir-se ao português nascido no Ultramar ocupar cargos de responsabilidade político-militar e de tornar-se oficial do Exército ou das Forças Armadas; e também a discriminação entre português da Metrópole e português do Ultramar, quando funcionários públicos, para efeitos de licenças ou de viagens a Portugal».
Era inevitável o choque. O Ministro da Defesa, que promulgou os Decretos 353/73 e 409/73, que abriam a inacessível porta da Academia Militar aos oficiais milicianos, era o General Sá Viana Rebelo que tinha sido Governador Geral de Angola de 1956 a 1959. O decreto banalizava o curso de oficiais do Quadro, uma situação injusta e desagradável para quem a Academia era emblemática.
Era a causa próxima para o eclodir de uma revolta. Estavam fartos de comissões todos os oficiais do Quadro e, como prémio, recebiam a desvalorização do curso, com o consequente rebaixamento do status e o atraso em promoções.
A opinião pública mundial não alinhava com as razões apresentadas por Portugal, em querer manter as suas colónias. Até o Brasil, embora nunca tivesse sido hostil, punha as suas reticências quando Portugal “era chamado à pedra” nas instâncias internacionais. O ostracismo do país era mais um motivo para o descontentamento dos oficiais e dos portugueses em geral. Ninguém, no mundo, alinhava com os agonizantes imperialismos, nascidos no fim do século 19. Os jovens na Metrópole estavam a ser castigados com incorporações que lhes obstruíam o futuro.
O governo, nos fins de 60, argumentava que a incorporação de Angola era constituída por mais de 50% de naturais da colónia, mas não elucidava que não existia um único oficial subalterno e, muito menos, um oficial superior africano. Até 1961 nem sequer havia sargentos africanos no Exército português. Só “soldados indígenas”. A incorporação militar angolana era acéfala. Quando foi necessário assumir a defesa das populações, porque o Exército Português se desobrigou “de um dia para o outro”, verificou-se uma insólita debandada geral. Os angolanos militarizados não possuíam uma hierarquização de topo nacional. Obedeciam a uma estrutura superior metropolitana e absentista. Na independência do Brasil isto não sucedeu. Mesmo em Angola até 1947, provindo da 1ª república em Portugal, ainda Angola tinha um exército próprio, com oficiais que ficavam a residir em Angola quando se aposentavam, muito embora centralizado sob um comando metropolitano. Em 1947 o governo de Salazar desmantelou toda a ainda incipiente estrutura militar de Angola e centralizou tudo em Lisboa.
Em 1974 o governo já tinha institucionalizado a guerra. A situação militar na Guiné agravava-se de ano para ano. Aquele país africano é pequeno, mas Portugal continha com dificuldade os focos de insubmissão. Volvidos quase 40 anos, quem lê sobre a guerra na Guiné pergunta-se, perplexo: mas qual o interesse de Portugal em relação à Guiné? Salazar temia o desfecho dominó, pois já existia um precedente na Índia Portuguesa.
Os guineenses eram mais unidos e organizados naquela guerra do que hoje, independentes e em tempo de paz. A guerra é sempre mais fácil de fazer do que a paz. Destruir é facílimo.Agora, construir...
O general Spínola, quando foi governador na Guiné, tentou uma aproximação com os nacionalistas, chegou a dialogar com o Presidente do Senegal Leopold Senghor. Mas esbarrou com a intransigência de Marcelo Caetano ( substituiu Salazar em 1968) que insinuou que era mais honrosa uma derrota militar, como já tinha sucedido em 1961 em Goa, Damão e Diu na Índia. Parece que aceitava a derrota como um fatalismo, tal como sucedera com o seu antecessor Salazar no caso da Índia Portuguesa em 1961.
Logo que Marcelo Caetano assumiu o cargo de primeiro ministro em Portugal em Setembro de 1968, devido à precária saúde de Salazar, começaram as desavenças. Spínola e Costa Gomes, dois generais bem conceituados, queriam mudanças mas Caetano era um irresoluto. Tinha medo de tomar qualquer decisão para o Ultramar, embora tivesse apresentado um Parecer sobre uma federação, em 1962, quando não estava no governo.Não teve coragem de o assumir. Depois, no governo, era contrário às ideias então defendidas (uma federação de estados) e, segundo dizem, não queria que se falasse no tal Parecer. A sua desculpa era a de que o Parecer estava ultrapassado.

2 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Há uma velha fábula que relata que um gato enorme e façanhudo aterrorizava uma pacífica comunidade de ratos. Quando o gato aparecia, silencioso como só os felinos o sabem ser, era um pânico geral pois, às vezes, nem havia tempo para fugir. Os ratos resolveram fazer uma reunião geral. A proposta, feita por um velho rato político já aposentado (com três reformas acumuladas, a caminho de uma quarta e sempre “à coca” de mais prebendas), uma espécie de senador caga-sentenças,foi aprovada por unanimidade: alguém tinha que colocar um guizo, barulhento, no pescoço do gato. Assim, quando ele se deslocasse, por causa do tlim tlim agudo, dava tempo para “cavanço”. Alguém tinha que afrontar o gato. A seguir foi apresentada outra moção: quem iria desafiar o felino, quem iria pôr o guizo no pescoço do gato ? Também unanimidade geral: ninguém se ofereceu. A proposta caiu logo a seguir, e todos concordaram: o melhor era, cada um, manter-se em forma para poder correr rápido.


António de Spínola resolveu “pôr o guizo no gato”, neste caso Caetano, cuja mentalidade de adiamento estava criando embaraços aos militares, fartos das guerras coloniais. O guizo foi o livro “Portugal e o Futuro” saído em 1973. Segundo muitas opiniões, era um desafio a Caetano.
O regime caetanista estava tão sensível que o livro lhe provocou um abalo. Não apareceu logo à venda, foi barrado pela censura, a sua primeira aparição foi no Brasil. Depois acabou por circular a princípio só em Portugal, e finalmente em Angola muito mais tarde, quando já não interessava e todas estruturas desabavam diariamente. O livro de Spínola, quando entrou em Angola, estava mais desactualizado que um balancete de 1920, quando ainda se faziam escritas comerciais de modo a detectar-se qualquer alcance que era a palavra então usada para a hoje vulgar roubalheira.
A ditadura estava tão fechada a mudanças que o livro causou um abalo. Li a edição brasileira em 1973, quando eu estava completamente desinformado (para não dizer tapado), e achei-a pouco concisa, com frases demasiado complicadas, com uma solução escondida e capciosa (denunciando medo) e, especialmente, fora das realidades e do tempo. Propunha uma pálida solução, favorecendo só os metropolitanos, com soluções extraídas do pequeno universo da Guiné. Esta colónia, em área, equivalia à de um pequeno distrito em Angola.
O livro é um exercício de contorcionismo político, com medo de afrontar a dura realidade e, principalmente, de abordar as independências das colónias. Ainda hoje não percebo o afã da DGS (polícia política da ditadura que substituiu a PIDE ) em não deixar a sua livre circulação. Poucos portugueses terão a pachorra de o ler e, menos ainda, facilidade em o entender. Diz-se que se venderam 100 000 exemplares. Talvez, mas que tenham sido lidos integralmente, arrisco um numero 100 vezes menor. Como dizem os brasileiros era prosa “para boi dormir”.


Mais de metade do livro(212) estende-se por considerações filosóficas, que nada tinham a ver com os complexos problemas com que se debatia Angola. Vejamos algumas passagens: «Os homens não se constituem em sociedades por reconhecerem estas como valores transcendentes a preservar; antes, as sociedades é que se constituem por atitude volitiva dos seus participes, que a ela aderem na medida em que reconhecem beneficiar da sua integração na comunidade».
E, mais adiante « Toda a super-estrutura deve, pois, para permitir a subsistência e a prosperidade da sociedade que serve, harmónica e harmonizante, isto é, deve reger-se pelo equilíbrio individual, em ordem a que de troca entre o que cada um dá e recebe resulte um excedente pessoal que permita a satisfação das necessidades crescentes de cada um».
E depois: “A intransigência na defesa de controversas convicções não pode conduzir à adesão das partes contrárias; e os apelos à coesão só resultam quando se afasta o que desune e se procura o que é de facto agregador».
E esta: « Mas não se ignora que, em qualquer arquitectura política, a consistência que lhe advém da existência de um poder em exercício se radica no binário “finalidade a atingir –força prossecutora”, factores que, pela geral adesão que provoquem, produzem a obediência voluntária que por sua vez gera o poder autêntico em termos de vida política e social. Somos, por esta via, conduzidos ao cerne do problema, que se situa no quadro das “ideias prosseguidas-força prossecutora”, pedra angular da sobrevivência das nações».
E toma lá mais prosa narcoléptica:« Não se trata de um quadro estático, pois que o limiar das necessidades mínimas sobe de nível a um ritmo cada vez mais acelerado, tendendo cada vez mais a ampliar-se a gama destas necessidades e a reduzir-se o leque das necessidades e solicitações complementares - isto é, daquelas cuja insatisfação, proporcionando mal-estar relativo, não constitui todavia problema social».
E continuando a prosa hipnoléptica:« São valores essenciais permanentes, embora de conteúdo mutável, o respeito dos direitos humanos que não podem ser feridos pela integração dos indivíduos na vida social: a harmonização do interesse geral entendido como somatório e resultante dos interesses particulares que o conformam; a construção de um Estado em que o poder se subordine aos fins assim definidos e se revista da autoridade legítima que lhe advém dessa subordinação; e a participação dos cidadãos na gestão dos seus destinos, tornada cada vez mais imperativa pela permanente elevação do seu nível cultural e do seu grau de consciencialização».
E mais prosa: «Primeiro, do ponto de vista lógico há que estabelecer uma certa correspondência entre os factos passados e futuros, integrados numa linha de sequência que se traduz na evidência de o futuro ser história no amanhã. Assim o futuro, tal como foi o passado, surge numa sequência de factos que só terão sentido desde que ligados por relações de nexo. E aqui apenas se apresentam duas alternativas: ou essas relações são deixadas a leis naturais, que as encadearão ao sabor das reacções de fortuna, ou se pretende controlar os factos eliminando zonas de incerteza, influenciando as suas determinantes e comandando as suas consequências, o que obviamente pressupõe a definição prévia de uma lógica de concatenação que afinal não é mais do que a definição de uma estratégia».


Conteúdos chatos, mais para impressionar do que para elucidar, encontradiços em qualquer manual de sociologia enfatuada, mas inadequados para o momento grave, que exigia uma profunda e realística reflexão sobre os verdadeiros problemas que afligiam os residentes das colónias.Tinha que se discutir frontalmente, preto no branco ( a frase vale, até, pelo seu duplo significado), qual a saída para uma situação provocada, essencialmente, por um torpor histórico a que não faltou displicência, arrogância, egoísmo, incompetência e muita preguiça. Conteúdos difíceis de entender, numa fase em que tinha que se usar uma linguagem popular, compreensível por todos.
Naquela altura, o que nos interessava que « Toda a super-estrutura deve, pois, para permitir a subsistência e a prosperidade da sociedade que serve, harmónica e harmonizante, isto é, deve reger-se pelo equilíbrio individual, em ordem a que de troca entre o que cada um dá e recebe resulte um excedente pessoal que permita a satisfação das necessidades crescentes de cada um»?
O livro perde-se em 2/3 do seu conteúdo com divagações sociológicas do tipo atrás apresentado. Só no último capítulo intitulado “Uma Hipótese de Estruturação Política da Nação” é que é, finalmente, apresentada uma hipótese de solução para o fim das guerras coloniais. Mas neste capítulo volta o mesmo pendor que é o de não se abordar os problemas com frontalidade, ou, como diz o povo, “ não se dá o nome aos bois”.


Este capítulo começa usando o estilo anterior, de tudo explicar para que ninguém entenda coisa alguma. O que interessa é manter um estilo intelectual um tanto incompreensível. Vejamos:«Seguindo um processo mental puramente analítico, tem-se vindo a equacionar o problema nacional no quadro dos factores que o condicionam, agrupados quanto possível segundo as suas múltiplas dependências. E, como a complexidade que hoje caracteriza a fenomenologia político-social vem determinando uma crescente gama de interligações entre esses factores, os diversos campos de análise deixaram de encerrar-se em compartimentos estanques, sendo assim inevitáveis certas repetições de conceitos, em ordem a que a análise não resulte incompleta em dado plano, pelo facto de determinado argumento, que também lhe é próprio, ter sido já expendido noutro ponto. E, entre imperativos opostos de simplificação e clareza, prevaleceu este último por motivos evidentes. Por outro lado, sendo o trabalho de análise essencialmente decompositivo, impôs-se desmontar os factos à luz de um espírito realista que, por extrapolação dos seus efeitos, nos conduziu a uma conclusão de impossibilidade; e por aí poderíamos ter ficado se apenas nos animasse uma intenção meramente crítica, deixando a outros a tarefa de construir soluções».
Lendo mais este pedaço de prosa ocorre perguntar: qual era o medo do Governo em publicar-se este livro ? Eu confesso a minha ignorância: não percebo a maior parte destes conceitos, apesar de ter visto todos os filmes do Cantinflas. Mas Marcelo Caetano ficou magoado com o tom e o desafio de Spínola. Que tom e que desafio? Não restam dúvidas de que o regime, o Estado Novo, estava em fase terminal, em tudo viam fantasmas. Pelo contrário, o governo deveria ter autorizado este livro com fins terapêuticos. Era um grande remédio, sem efeitos colaterais, para todos os portugueses que sofressem de insónias.


Finalmente a páginas 196 vislumbra-se qual a solução política que Spínola preconiza para as colónias: « a tese federativa, para a qual somos assim impelidos, não deixa, é certo, de comportar aspectos negativos que devem ser acautelados».
A favor desta tese Spínola pergunta :« Será porque o portuguesismo da nossa gente africana desapareceria por encanto perante uma mudança da Constituição?» Mas ele acredita: « Somos dos que crêem firmemente no portuguesismo da nossa gente africana. E, porque assim é, defendemos a tese federativa como a única que permite real expressão ao País plural que idealizamos. Porque, se não acreditássemos nesse portuguesismo, não teria sentido o empenhamento pessoal na mais firme defesa do Ultramar».
Em síntese, o livro “Portugal e o Futuro” não apontava os “cancros” da dominação colonialista, fáceis de enunciar, impossíveis de “curar” depois de dezenas de anos sem quaisquer reformas:
Apropriação, pela Metrópole, das divisas comerciais, e outras, de Angola. A colónia produzia, então, mais de 40 artigos de exportação, cada um com valor superior a um milhão de dólares;
Clivagem propositada entre as comunidades africana e europeia de modo a não se verificarem entendimentos sociais e, muito menos, políticos;
Obstrução quase total dos lugares de topo, políticos ou outros, para os angolanos quer fossem de ascendência europeia ou africana, mais agravada para estes últimos;
Exaltação,a toda a hora , de um portuguesismo exacerbado induzindo a ideia de que quem não concordasse com ele era “um traidor à Pátria”; o portuguesismo aliás é o grande trunfo de Spínola imbuído, como estava, com as suas pequenas, e algo artificiais, experiências sociais na Guiné;
Ensino com anos de atraso: só depois 1961, a partir do governo de Venâncio Deslandes, é que o ensino primário foi encarado a sério; com muitos bons resultados posteriores, acrescente-se;
Também a partir de 1961 foi instituído o ensino universitário mas com três lacunas: não havia os cursos de direito, arquitectura e sociologia.
Censura obstinada nos jornais, na rádio, no cinema e na literatura;
Dificuldades em viajar para o estrangeiro, era difícil tomar conhecimento das democracias;
Ausência confrangedora de televisão;
Grande incorporação de angolanos nas Forças Armadas mas comandados sempre por metropolitanos.


A moeda circulante em Angola era fictícia sem qualquer valor internacional inclusivé na própria Metrópole. Na pré-independência deixou de ter valor até em Angola.
Capacidade decisória totalmente centrada em Lisboa.
Volvidos quase 40 anos confunde-nos a ingenuidade política de Spínola: quantos na Guiné, em Angola, em Moçambique, até em Portugal tinham a noção do que era uma constituição? Quantos sentiam a nacionalidade Portuguesa?


Alguém escreveu que os portugueses são os chineses da Europa. Quando querem dizer verdades fazem mil e um rodeios, a maioria das vezes acabam por não concretizar o essencial.E as verdades nunca são paridas, desculpem este termo, devido aos circunlóquios e subterfúgios que enfeitam, e acabam por mascarar, qualquer verdade em Portugal exasperando os ouvintes os tele-espectadores e os leitores. Os portugueses têm medo de dizer, frontalmente, uma verdade!
Respeitando o patriotismo de Spínola e a sua boa vontade, melhor dizendo a sua ingenuidade, entendemos que a sua solução, na realidade bem intencionada, mas só isso, apresentava-se fora do tempo, se é que, alguma vez, esteve dentro do tempo. E fora da realidade, também. Talvez que na década de 50, quando Portugal ainda não sofria as asfixiantes pressões internacionais , quando os africanos “ainda não tinham aberto os olhos” e não tinham enveredado pela luta armada, fosse possível encarar a hipótese de uma federação de estados, mas para isso teriam que se fazer reformas arrojadas para a época. Muito ousadas, enfatizamos. A velha frase latina tem sempre acuidade: ubi bene, ibi patria, a minha pátria é onde me sinto bem. Ora para que os africanos se sentissem portugueses, como argumentava Spínola, era necessário que se tivessem feito reformas muito ousadas a tempo e horas. Era necessário que eles usufruíssem, em pleno, da cidadania e da civilização moderna.O que não sucedeu.

3 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Um caso que serve de exemplo é a Guiana Francesa. Situada ao norte do Brasil ainda hoje pertence à França, apesar de se terem feito referendos e de haver movimentos independentistas. Por que se mantém francesa? Resposta simples: porque um referendo assim o confirmou. Por que ganhou o “sim”? Resposta: a segurança social francesa e outras regalias são extensíveis à Guiana! Há lá muitos naturais (mas franceses de facto e de direito) nos lugares da governação. O velho lema cínico acaba por se confirmar: “pátria e a tripa escrevem-se com as mesmas letras”!

O livro de Spínola, de que saíu uma edição serôdia em 2004, acabou por ser emblemático para o golpe de estado em 25 de Abril de 1974 . Mas volto a perguntar: quantas pessoas conseguiram lê-lo? E conclue-se: o regime estava mesmo no fim, um livro entediante e codificado foi o suficiente para abalar as estruturas que provinham do longínquo ano de 1926. Salazar foi derrubado por uma cadeira e Marcelo por um livro enigmático e fastidioso. Spínola foi condecorado, para quando a condecoração do carpinteiro ?
Marcelo Caetano não era indicado para conduzir o processo histórico angolano. Todo o seu passado estava ligado ao Acto Colonial, era um dos ideólogos do regime, pelo menos sob o aspecto ultramarino. Opositor da miscigenação, e muito mais da aculturação, mostrou estes pendores em inúmeras conferências e escritos. Embora, modernamemte, tenha corrigido rapidamente determinadas ideias. Mas já não servia para resolver a situação colonial porque, como é óbvio, tinha escritos comprometedores. E deu mostras de que continuava aferrado ao elitismo racista, não lhe passava pela cabeça ver um africano em um alto cargo de governo. Diz-se, e já é tempo de se confirmarem as suposições, que lhe foram propostos vários nomes de africanos para ocuparem lugares de topo. Recusou tudo.

Fig Um cédula de Angola com a efígie do Presidente da República Portuguesa. É de 1962. Este dinheiro nunca valeu nada fora de Angola e isso ficou amargamente provado quando se deu o êxodo para Portugal principalmente.
Estas cédulas eram meras “fichas de casino” mas com a agravante que, depois no próprio casino, não eram trocáveis. Um autêntico jogo de batota política, social e até histórica. Foi em 1951 que Angola, até então designada oficialmente como Colónia,passou a designar-se como Província Ultramarina. Esta mudança filia-se nas pressões internacionais iniciadas com a independência da Índia em 15 de Agosto de 1947. Até 1953 a moeda em Angola era o angolar; a partir daquele ano passou a ser o escudo, mas só nas notas porque, na realidade, nada tinha a ver com o escudo que vigorava em Portugal. Era mais uma maneira de tentar convencer de que Angola era uma província portuguesa.


Conforme escreveu Orlando Ribeiro (182)« Marcelo Caetano representa a visão monolítica do problema do Ultramar, tal como Salazar a concebeu e impôs...embora hoje alguns (e ele próprio) pretendam mitigar essa visão».
No governo de Caetano, ironicamente, registaram-se os maiores índices de progresso, tanto em Angola como em Portugal. Paradoxalmente, nunca em Portugal se respirou tanto optimismo e nunca no país houve tantos empregos (postos de trabalho, com se diz hoje), como nos seis anos de governo de Marcelo Caetano. Contradições da história. Foi um tempo em que ficou evidenciado que Angola tinha todas as condições para ser um grande país, ultrapassadas que estavam algumas barreiras de outrora: indigenato e contrato extintos, doenças tropicais praticamente erradicadas, boa rede de estradas asfaltadas, bons aeroportos, telefones entre cidades, ensino em roda livre instalado em bons edifícios incluindo o universitário, trabalho fiscalizado, não mais os grandes abusos patronais de outrora, bancos comerciais, emfim todas as acções que deveriam ter sido impulsionadas a partir de 1950. Pelo menos a partir de 1950. Mas que, infelizmente, só foram iniciadas em 1961.
E, sobretudo, havia uma maior abertura económica. Mas ficou uma barreira bem difícil de ultrapassar: a clivagem entre as comunidades europeia e africana. Uma clivagem que nunca foi resolvida, apesar dos esforços, infelizmente tardios, do governador geral Silvério Marques e dos seus sucessores. Foi esta barreira que provocou todas as irresoluções de Marcelo Caetano. Que ele não soube ultrapassar, talvez porque tinha contribuido para ela.
Angola, ao contrário de qualquer país, entrou em convulsão devido a problemas políticos, e não económicos como é o normal. É dos poucos países, se não for o único, que desmoronou apenas por assimetrias sociais e ideologias estranhas, e não por problemas económicos. Os problemas económicos são, sempre, a causa da queda de governos e até do colapso de civilizações. Às vezes são quase impossíveis de resolver, especialmente quando um país não tem meios de sobrevivência. Não era o caso de Angola e Portugal. Ambos estavam em bom ritmo económico.
A esmagadora maioria das crises nacionais funda-se na economia.Os colapsos civilizacionais, ao longo dos séculos, fundaram-se, todos, na economia. Em Angola tudo desmoronou, só devido a ideologias. Ou seja morreu com saúde!


Marcelo Caetano apresentou um parecer em 1962 (em anexo no livro) em que previa uma federação de estados autónomos dentro de uma Comunidade Lusíada. Quando tomou posse, como primeiro ministro, ficava irritado quando lhe falavam no seu parecer. Evitava falar sobre ele.
O que podemos pensar, então, sobre a sua tentativa de « finalmente desembaraçar-se da África», isto é, provocar um “grito do Ipiranga” forjado em Lisboa. De acordo com o que vem exarado no livro de Silvério Marques “ Marcelo Caetano Angola e o 25 de Abril “(136) era em Massangano em 15 de agosto de 1974 que se ia dar o “grito do Ipiranga”, tudo engendrado por e em Lisboa. Para tomarmos conhecimento deste episódio, afinal nós não éramos os ultimos a saber, nós éramos sempre os únicos que nunca chegávamos a saber, basta ler o livro de Silvério Marques, publicado em 1985, que se baseou em depoimentos de Franco Nogueira, de Santos e Castro (último governador geral) e de outros. O historiador Veríssimo Serrão manteve uma quente polémica com Silvério Marques sobre a veracidade da “tentativa” de Marcelo Caetano.
Como se tem enfatizado ao longo deste livro os angolanos não eram, nem nunca foram, “tidos nem achados”, para nada. O facto de existir a SEDES, um organismo extra governamental que Caetano ouvia e apoiava, que preconizava o abandono puro, rápido e simples, do Ultramar, e abertura ampla para a Europa, contribue para que façamos fé na “tentativa” descrita por Silvério Marques. O 25 de Abril inviabilizou esta tentativa de forçar a história, de se querer impor uma independência tipo Rodésia, de se tentar recuperar, atabalhoadamente e com um futuro comprometido logo de início, um tempo perdido.


No referido livro(136) lê-se: «...para o Chefe do Governo (Marcelo Caetano) afigura-se claro que, se conseguisse finalmente desembaraçar-se da África, teria ultrapassado as dificuldades internas...então pensa em organizar ou impulsionar um cenário que libertaria o Governo do problema ultramarino e não o responsabilizaria pela solução. A um círculo muito restrito de altas personalidades, desempenhando funções civis ou militares, Marcelo Caetano sugere a possibilidade de ser suscitado, sob qualquer pretexto, um conflito entre o Ministério do Ultramar e um Governo Ultramarino local. Agravado o dissídio, propositadamente o Governo Central fingiria intervir e resolver o conflito; mas não tinha sucesso; e o governo local, apoiado nos elementos locais, assumiria um estado de rebelião que o Governo de Lisboa se confessaria impotente para dominar, e que conduziria à separação e à independência».
Esta atitude de abandono colide com uma frase escrita a Salazar quando Marcelo Caetano era Ministro das Colónias em 1946:« O português não tem têmpera para suportar demorada e pacientemente contrariedades. Há que assisti-lo a cada passo, sobretudo quando longe da terra natal. É um dado que o Governo tem de ter sempre presente».
Mas a guerra colonial tinha-se transformado num labirinto aparentemente sem saída. Talvez houvesse uma ou duas saídas hábeis, mas teriam que ser “a tempo e horas”. Saídas que nem sequer foram admitidas por Caetano. Ele achava que não havia condições para uma transição pacífica. Deixou o tumor chegar à supuração. E o golpe aconteceu na madrugada de 25 de Abril de 1974.


Em Portugal o golpe de 25 de Abril levantou um onda de alegria. Mas não sucedeu o mesmo em Angola onde a população ficou fortemente apreensiva. Mesmo a minoria que fazia parte dos Movimentos de Libertação ficou receosa do futuro. As assimetrias de Angola, se fossem convenientemente exploradas, poderiam transformar o país num inferno. Infelizmente foi o que sucedeu.
O regime deposto tinha tanta imobilidade, a tal “habitualidade” de que gostam os portugueses e a que Salazar se referia com frequência, e que justificava a inércia do regime, que só dois dias depois, em Angola, é que se começaram a notar, mas ainda timidamente, o início das alterações. Que se iriam suceder, depois, com uma alucinante velocidade, um contraste com os lerdos 40 anos do colonialismo salazarista.
Só através da rádio é que no interior, no mato, se tinha uma ténue percepção do que se estava a passar. O Secretário Geral, segundo na hierarquia superior de Angola e que substituiu o Governador Geral, leu uma proclamação destinada a acalmar os ânimos. A desinformação, a má informação,os silêncios capciosos e as mentiras deslavadas que caracterizaram o salazarismo mantiveram-se. Mas, agora, as mentiras eram mais danosas e iriam provocar situações trágicas, e mais rápidas, porque já ninguém tinha mão no sistema.
Um militar, obviamente metropolitano,completamente alienado dos problemas de Angola (e imbuído da ideologia em moda o marxismo), encarregou-se da manutenção da já existente censura à imprensa, apesar de o novo regime apregoar a liberdade de imprensa. Agora era mais apertada e tendenciosa! Uma censura desde o tempo de Paulo Dias de Novais (1575), passe o exagero!





Fig Rosa Coutinho rodeado por Agostinho Neto (que viria a ser o primeiro Presidente de Angola) e por Jonas Savimbi. O outro líder Holden Roberto está ausente, explicável, em parte, devido à aversão pessoal de Rosa Coutinho pelo líder da FNLA. Uma tal animosidade não era conveniente num processo político tão complicado, não era a pessoa indicada para um tal momento histórico.

Em Lisboa o general Spínola dirige-se ao país prometendo “garantir a sobrevivência da Nação soberana no seu todo pluricontinental”. É um discurso bafiento, fora do tempo, recebido com cepticismo sarcástico pelos angolanos. Para Angola é nomeado o general Silvino Silvério Marques que tinha sido Governador Geral de 1962 a 1966. Só aguentou um mês, o país já estava todo politizado, o ódio instalara-se por todos os cantos. É substituido, em fins de Julho de 1974, pelo capitão de mar e guerra, arvorado em almirante, Rosa Coutinho presidente de uma Junta Governativa.


Este oficial de marinha governou até 27 de Janeiro de 1975, sendo substituido por outro militar o general Silva Cardoso, devido às pressões exercidas pelos movimentos FNLA e UNITA. Os cinco meses de Rosa Coutinho foram suficientes para desmontar o país. Foram tantas as tontices
deste governante que é difícil arranjar comparações com outras situações históricas.
Desde que Rosa tomou posse que o seu objectivo estava definido: entregar o poder ao MPLA, o movimento que controlava a capital, de feição moscovita, constituído, em maioria, pela burguesia urbana africana, que tinha resistido á sua aniquilação, desde tempos longínquos. A entrega do poder ao MPLA obedece à lógica da história universal: a burguesia urbana africana que a Metrópole espezinhou sempre e que, a partir de 1930, foi ainda mais subalternizada, era a que tinha mais vínculos com Portugal, entre os dois houve (e há ) sempre uma relação ódio-amor. O próprio Rosa Coutinho confessou em um programa de televisão que“os do MPLA escrevem poesia em português e gostam de bacalhau”.


Havia várias Angolas, mesmo entre os europeus. Durante o governo colonial a comunidade europeia foi considerada como uma tribu: “é branco, portanto tem amor à Metrópole, gosta de mandar nos pretos, é contrário a qualquer movimento autonomizante”.
Durante A Virada (1974-1975) verificou-se que havia diferenças notórias dentro da comunidade europeia. Diferenças que se podem filiar nas dicotomias que começaram no século 19: litoral/mato, clima quente e humido/clima frio e seco, comerciantes/aviados, pombeiros/ carregadores, calcinhas/matumbos. Não é por acaso que alguns europeus do interior eram pró-Savimbi e alguns europeus do litoral eram pró-Agostinho Neto. Era o século 19 a impor-se.
Lembramos aqui a reacção dos comerciantes de Benguela, quando pressentiram que iam perder o monopólio das importações, porque ao longo da linha do CFB, em 1929, os comerciantes do mato (aviados) já não precisavam das praças do litoral. O porto do Lobito e a ferrovia tinham acabado com os monopólios dos comerciantes de Benguela!
As diferenças eram mais notórias entre os comerciantes do sul e os fazendeiros do norte, os donos do café. No sul o sistema dos contratos era abominado, não só pelo esvaziamento demográfico reflectido nas quedas de produção agrícola, como especialmente pelas situações de opressão e injustiças verificadas no angariamento de pessoal, o célebre contrato.No norte apoiava-se o contrato, única razão de ser das fazendas. Não há máquinas para colher café, tem que ser à mão.No sul repudiava-se o contrato, o comércio apoiava-se na produção nativa.


O movimento FNLA tinha as suas raízes na República Democrática do Congo e não havia afinidades com os europeus. Rosa Coutinho empenhou-se em ressaltar o reacionarismo dos europeus que não aceitavam a entrega do poder sem referendos. Como se esta reacção não fosse mais do que legítima! Quem é que gosta de ver os seus problemas resolvidos por estranhos, ainda por cima incompetentes e fanatizados por uma ideologia estranha e já com muitos maus resultados!
Rosa chegou a dizer, a propósito de um pretenso “grito do Ipiranga”(42): « Os colonos tinham condições económicas e força para isso, o que, como na Rodésia, não iria resultar mas arrastaria o processo de descolonização por mais cinco ou dez anos». O que é apenas um conclusão precipitada que merece os comentários que já fizemos acima, a propósito de uma independência forjada em Lisboa. Quais os europeus, ou descendentes, que ficariam em Angola formando “o quadrado da resistência” e defendendo o quê? E com que material de guerra? Com as Kropatchecks, espingardas do tempo da guerra franco-prussiana em 1870? Quando eu “fiz a tropa” em 1957 o fardamento era igual ao do tempo da rainha Victoria na Índia.Ainda se usava capacete colonial! Onde estavam as “condições económicas e demográficas e a força para isso”? Os colonos estavam desinformados de tudo, mas instintivamente, sabiam distinguir a situação política em Angola, como ficou, inexoravelmente demonstrado, com o exodo total.


Onde estava o poder económico dos colonos? Em Angola não havia super fortunas como as que existiam em Portugal. Em Angola 60% dos europeus viviam “chapa ganha chapa batida” eram os remediados; 20% viviam muito mal, 15 % viviam bem e 5% viviam muito bem. Esta última franja era constituida pelos metropolitanos em comissão, à qual o almirante pertencia. O grande capital de Angola, obtido à custa do trabalho compelido, estava todo em Lisboa, era sempre transferido. Em Angola o único palacete, digno desse nome, pertencia ao eng. Brognon, director da empresa petrolífera que estava em prospecções. Só conheci um único colega de liceu que tinha enriquecido: saíu-lhe a sorte grande ou 6 000 contos. Com este dinheiro ele comprou uma fazenda e começou a criar gado de raça. Perdeu tudo, como é mais que óbvio.

4 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Voltamos a enfatizar: sem exército, sem força aérea, sem marinha, sem magistratura, sem diplomatas, sem encaixe monetário ouro, com o comércio de exportação totalmente nas mãos dos metropolitanos, sem fortunas, em flagrante inferioridade numérica, com clivagens internas graves, somatório de centenas de anos de injustiças, contra toda a opinião pública mundial, quais eram as chances de uma independência unilateral ? Os europeus de Angola estavam desinformados, optavam pela Metrópole por uma questão de sobrevivência, mas nunca embarcariam no barco furado, que era a independência pensada em Lisboa e montada pelos militares metropolitanos desejosos de abandonarem a colónia. Pensada em Lisboa, indiciando um oportunismo deslavado e descarado. Talvez imaginando que depois, se tudo corresse bem, poderiam voltar, que os grandes privilégios seriam mantidos, afinal “somos todos portugueses!”
Como um dique que rebenta, assim começou o êxodo, perante a estupefação dos líderes do Movimento das Forças Armadas. Estes julgavam que as pessoas se agarrariam aos seus bens. Pensavam que “ia ser igual ao Brasil”. Tinham como certo que os colonos usufruíam de uma vida insubstituível. Que não havia mais mundo para eles! Que não sabiam “fazer pela, vida fora de Angola”! “Que só sabiam explorar os pretos!” “Que não iam deixar o seu património de imóveis”. Mas qual era esse património? Apenas casas modestas ou apartamentos (cochichos copiados dos de Lisboa, sem garagens, com um sanitário por apartamento, as mais das vezes tipo “câmara de expurgo” sem janela). Recordamos, de novo, a frase de Marcelo Caetano:« O português não tem têmpera para suportar demorada e pacientemente contrariedades. Há que assisti-lo a cada passo, sobretudo quando longe da terra natal». O que não funcionou neste caso! Marcelo Caetano abandonou-os.

Em Angola a maioria da população europeia pertencia ao C.F.A. ou seja comércio, funcionalismo e administrativos, habituada a constantes mudanças de residência, as célebres e inopinadas transferências, eram autênticos caracóis sempre com a casa às costas. O apego à terra era reduzido. Só as actividades agro-pecuárias, de dezenas de gerações, criam o sentimento telúrico, abordado na literatura universal de que nos lembramos em “E tudo o vento levou”, “O tempo e o vento”, “Guerra e paz”, “ Dr. Jivago”, “Os Cisnes Selvagens” e outros. Só o somatório de muitas gerações a viverem e trabalharem em uma terra, é que cria o amor telúrico. Quase ninguém, entre a população europeia, tinha vínculos seculares à terra, porque a sua presença era apenas de pouco mais de meio século. A colonização europeia começou em 1848 mas só tomou expressão em 1920. Quase toda ela se cingiu ao comércio. Havia pouco contacto com o “mato”, na maioria das pessoas, o que pode filiar-se na ausência do cavalo e, posteriormente, do jipe cuja aquisição não era fácil.

Mais de 90% das cidades, vilas e povoados, em termos urbanos europeus, só apareceram depois de 1920, coincidindo com a difusão do automóvel. A maior parte dos europeus vivia nas cidades em actividades terciárias. E isso pesou muito quando eles resolveram partir. Abandonaram Angola, cada um deixando para trás apenas uma casa(a maioria das vezes alugada) e alguns haveres e, infelizmente, muito tempo perdido que mais se não conseguia recuperar. Ao contrário dos haveres, que facilmente se repõem. E até melhores.E em menos tempo.
Ninguém em Angola deixou para trás uma Tara, a fazenda dos O´Hara do filme “E Tudo o Vento Levou” carregada de força telurica. Os donos das boas fazendas, com sedes luxuosas, viviam em Lisboa. As sedes das fazendas dos que residiam em Angola eram modestas e muito recentes. Viviam do seu trabalho. Exceptuando as regiões do café, no resto não eram fazendas, apenas chitacas que não enriqueciam os donos.
Eu só me apercebi disto quando visitei fazendas no Brasil com instalações opulentas. E foram muitas as boas fazendas que visitei no Brasil onde viviam permanentemente os donos. Não viviam no Rio de Janeiro nem em S.Paulo. Ficavam vigiando a manada porque o “melhor pasto é o olho do dono”. Não é sem razão que a cidade de S.Paulo ostenta, orgulhosamente, a divisa:”mando, não sou mandado”. A cidade nunca esperou por decisões vindas de fora! Eles é que decidiam!

Hoje as saudades, exteriorizadas por alguns desangolanizados, são mais sentimentais do que epidérmicas. Já passaram trinta anos. A maioria já tem mais anos de Europa ou estrangeiro do que de Angola. A vida em África era dura, cheia de privações e de muitas frustrações. Por muito mal que se passe em Portugal, no Brasil, nos E.U.A, no Canadá e na Finlândia (até há “retornados” neste país) dispõem-se de muito mais oportunidades e facilidades do que em Angola. Em Portugal há algumas contrariedades: as filas no trânsito, as esperas nos hospitais que, apesar de tudo, são de melhor qualidade do que em África, as escandaleiras do dia a dia, as politiquices de baixo nível, os políticos profissionais e preguiçosos, as constantes ameaças de que o nível de vida vai baixar “nestes próximos anos”, as inconcebíveis derrotas internacionais em futebol, as incríveis peripécias nos tribunais onde até se roubam máquinas multibanco etc.
No tempo do “marsupialismo colonial” tudo era feito pelos angolanos, mas nada era decidido por eles. Ficava-se sempre à espera das decisões e ordens de Lisboa. Depois da independência, tudo é decidido em Luanda, mas os angolanos, agora, podem esperar eternamente. Tudo é feito pelos doadores, pelas ONG´s, e, ultimamente, pelos chineses. Quando é que Angola começa a “carburar”como país deixando de lado tantos cooperantes ? Alguém acredita que há benfeitores dispostos a ajudar, desinteressadamente, os angolanos ? Alguém acredita que os estrangeiros vão ensinar as suas tecnologias?

Uma das desculpas do descalabro final :“era a descolonização que era possível”. Não concordamos. É certo que, devido à intransigência de Salazar e, depois, às irresoluções de Marcelo Caetano, tinha-se atingido um “no return point” ou seja um ponto de não retorno.
Politicamente era uma situação muito complexa agravada pela permanente inacção política, em que se encontravam as gentes de Angola. Inacção filiada na ignorância.E que caracterizou, também, a postura do exército. O exército, em 13 anos de guerra, nunca pensou em soluções políticas, apesar de os militares já estarem saturados de acções no terreno. Infelizmente nunca pressionaram o governo para arranjar uma saída política para o “saco de gatos” em que se tinha transformado o Ultramar.
O exército mantinha-se afastado dos civis, não dialogava com eles, os militares ficavam confinados às suas messes, restaurantes, casões e casulos. Os militares do Quadro só intervinham na vida civil quando “ abichavam um tacho”. E os civis em Angola desinteressaram-se da guerra, “isso é com os militares” dizia a maioria. Mas alguns, com fanfarronices, diziam”qualquer dia vamos nós resolver o problema”. Estes, possivelmente, já tinham comprado sapatos de maratonas, ou até sapatilhas de corridas de 100 m. E tinham um “apartamentozito” em Portugal.

Apesar de Marcelo proclamar que o comboio da autonomia progressiva estava em andamento, a realidade era diferente. Não havia comboio, andava-se apenas em um tapete rolante. Em 1974 Angola não apresentava nenhuma RN ( referência nacional )ou, se quiserem,uma RP (referência provincial ). Ninguém com expressão para aparecer como representante das gentes angolanas, do povo que residia permanentemente em Angola. Mas no estrangeiro eram às dezenas os nacionalistas angolanos, alguns conhecidos internacionalmente e com grande prestígio, como é o caso de Viriato Cruz, Gentil Viana,Agostinho Neto, Mário de Andrade, Joaquim de Andrade e outros.
Portugal nunca encarou uma independência endógena, isto é, de dentro para fora (feita pelos residentes angolanos) e o resultado viu-se. Foi uma independência exógena, de fora para dentro, desastrada, em que forasteiros, sem qualquer vínculo com Angola, “esgaravataram”, perante a impotência, a tristeza e muita raiva, dos filhos de Angola. Onde estão agora, e o que fazem, as centenas de “barbudinhos portugueses” que caíram em Angola, como enxames de marimbondos (que me desculpem estes simpáticos ,e úteis insectos, pela comparação), e espalharam o ódio e a discórdia ? E, depois, desapareceram como tinham chegado: sorrateiramente. Será que ainda são marxistas?

Angola era um campo fértil para todos estes aventureiros “salvadores do mundo”, que iam implantar a justiça social (que nunca existiu no mundo), porque os governos coloniais sempre persistiram em não ceder qualquer espécie de governo ou de representação aos angolanos. Fazia parte do folclore angolano: o governo central, na década de 50, desviou para Macau o prestigiado director das finanças , filho da Huíla, Simões de Abreu, porque ele era natural de Angola. Mas Simões de Abreu, dotado intelectualmente, nunca tinha mostrado qualquer pendor político.
O governo central via fantasmas na própria sombra. Marcelo Caetano não se cansava de falar na autonomia progressiva que estava em marcha. Em teoria. Em 1972 foi designado para Presidente da Câmara de Luanda um metropolitano, sem qualquer consulta aos luandenses. Não desmerecendo do ilustre presidente, mas, deste modo, onde é que estava a tal autonomia progressiva? O mesmo se passou em outras Câmaras de Angola. E em quase todos os governos de distrito! Só quando o colonialismo estava agonizante é que houve alguns governadores de distrito angolanos, mas de ascendência europeia.

Para tratar da descolonização foi nomeada uma troica, que, à boa maneira portuguesa, era composta por quatro elementos. Tomaram posse mas nada resolveram. Deixaram tudo ao sabor dos acontecimentos. Por ignorância ? Por maldade ? Por preguiça ? Por pragmatismo que, levado ao extremo, é acomodação ? Por ideologia ? Só os futuros historiadores poderão responder, mas para nós fica a impressão de que foi uma mistura de todas estas interrogações. Mas podem-se fazer, desde já, algumas conjecturas. Os “troiquianos” chegaram a pensar que Angola era um novo Brasil, que as pessoas não deixariam os seus bens. Nos discursos iniciais transparece uma certeza misturada com um optimismo patético e um irrealismo atroz: os europeus não abandonariam a colónia, inicialmente haveria alguns confrontos que se iriam amortecer com o tempo. É sintomática a frase do Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho(42): «...eles sabem que vão perder privilégios mas vão ganhar noutros campos...» Estes militares, apesar dos inúmeros altos estudos que faziam (ou seriam estudos por alto?), estavam altamente por fora de tudo o que fosse sociologia ou geo-estratégia mundial, estavam confrangedoramente ausentes das realidades.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em uma conferência de imprensa do general Costa Gomes, em que este fez um discurso tranquilizador (e mentiroso, também ), um jornalista perguntou se o governo garantia o transporte das “bicuatas” (imbambas, trastes ou tarecos) de quem quisesse partir. O que ele foi dizer! Foi brutalmente deblaterado, tudo sob o efeito das patriotadas que acompanharam a vida de Angola ao longo de meio século. As pessoas, e os governantes, refugiavam-se em cenários continuistas, do género “isto aqui é diferente”. Quem assim falava, repetimos, já era dono de um apartamento nas avenidas novas em Lisboa.
Mas a “troica” de quatro elementos, um autêntico cavalo de Troia (ou um cavalo da Troica ?), dois dos quais com comissões militares em Angola, tinha obrigação de sentir o problema e ver que, pelos factos negativos, acumulados em centenas de anos, apontados ao longo deste livro, e pela acção nefasta dos comunistas em Lisboa, haveria que acautelar os interesses dos angolanos envolvidos neste furacão africano. O que teria então que ser feito? Com uma transição de alguns anos dar tempo a uma retirada com dignidade, salvaguardando os haveres, as economias e, principalmente, os documentos pessoais. A própria ONU perfilharia uma transição de, no mínimo, 5 anos. O então Secretário Geral da ONU Kurt Waldheim esteve em Lisboa em Agosto de 1974 e ofereceu os seus préstimos ao sugerir uma transição. Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Melo Antunes não aceitaram a oferta de Kurt Waldheim, achavam que era desprestigiante para Portugal. Mas aceitaram os milhões de dólares doados pelos Estados Unidos e outros países. O dinheiro foi todo desbaratado. Este dinheiro obstou a que o turismo em Portugal não entrasse em falência. Facto nunca visto, os desalojados foram aboletados em hotéis de cinco estrelas, mas o tratamento era o de um quartel.

Isto na pior das hipóteses, porque haveria outras soluções menos radicais que até poderiam passar por um entendimento.Difícil mas possível. O “status quo” da África do Sul era bem pior e conseguiram-se plataformas de conciliação.
Um entendimento para o qual era necessário muito pragmatismo, mas dentro de parâmetros realistas, a ser encarado por políticos excepcionais. O que infelizmente não foi o caso. A clivagem entre as duas comunidades, a europeia e a africana, foi intencionalmente exagerada com o fim de entregar o país ao bloco soviético. Para quê, afinal? Para descambar no impensável: centenas de multinacionais, os tais “cães imperialistas”, que eles apontavam nas suas arengas, instalaram-se em Angola, onde continuam, com a maior das calmas, a explorar todas as riquezas sem que o estado lhes imponha obrigações, ou as fiscalize,como é norma nos países mais evoluídos onde, também, se encontram instaladas. Mas nestes com obrigações trabalhistas.
Em abono da verdade, o que poderiam fazer os angolanos que ficaram, sem quadros e com o país esfrangalhado, face à invasão dos oportunistas e das multinacionais?
E o que fez a Troica ? Nada. Ingenuamente, ou por maldade porque queriam ver-se livres deles, acreditaram que “os brancos não saiem” e limitaram-se a viajar de cidade em cidade, de Alvor para Nakuru, de Nakuru para Lusaca e, nos intervalos, para Nova Iorque, Paris e outras cidades. As agências de viagens podem confirmar. Negociações? Assina-se tudo o que puserem à frente. O chic era aparecer na primeira página da Time, Newsweek, L´Express, Pravda e outros. Mas, já naquela altura, qual era o interesse em aparecer no Pravda ?
Um dos componentes da “Troica” chegou a pronunciar uma frase histórica, uma óbvia conclusão lapaliciana: «Emoção à parte, só não vê quem não quer que a posição de Angola é substancialmente diversa». Mas, pelos vistos, ele não enxergou. O processo foi igual ao da Guiné, sem desmerecimento por este país.

E chegou-se a este extremo: quem saísse de Angola com dinheiro ou haveres era preso no aeroporto. E em pleno governo ainda português. Dinheiro ganho no labor do dia a dia, ao longo de duros anos! Era proibido levar quaisquer valores, uma proibição que deixaria Lenine, Estaline e Hitler completamente embevecidos.
Comigo passou-se um caso hilariante. Tive que sair pelo terminal normal em Agosto de 1975. Apesar de ainda subsistir a autoridade portuguesa fui revistado de alto a baixo, apreenderam-me todos os escudos angolanos, mas consegui sair com 500 dólares, debaixo do saco, onde um apalpanço se torna embaraçoso. Mas o mais hilariante desta revista foi o facto de me terem apreendido um frasco que continha terra de Silva Porto e de Malanje. Desconfiados, julgando ser pó de ouro ou diamantes escondidos. Deve ter sido a primeira terra expropriada e nacionalizada.
A queima de etapas era inevitável. O entusiasmo pela independência atingiu níveis de intolerância difíceis de conter mas, pelo menos, tinha-se que garantir as vidas e os haveres dos angolanos que repudiavam a índole marxista de que se rodeou todo o processo, e a situação caótica que se instalou no dia a dia. Não eram só os colonos que iam ser abandonados. Milhões de africanos estavam na mesma situação e estes não tinham onde se refugiar. Porque o governo português recusou-lhes a nacionalidade, apesar de estar expresso nos seus bilhetes de identidade que eram portugueses. E de se ter afirmado, sempre, “Portugal do Minho a Timor”.
E foi surpreendente. A maioria dos europeus e descendentes resolveu partir, perante a estupefação dos militares que estavam convencidos que Angola era um novo Brasil. E resolveram partir, também, perante a estupefação ainda maior, milhares de africanos, receosos pelo futuro. E como tinham razão. O tempo mostrou-o, sobejamente.

5 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Foi tudo ao contrário do Brasil, ou não tivesse sido uma independência de fora para dentro, uma independência imposta. Na independência do Brasil só saíram os que estavam comprometidos com a realeza, que os brasileiros denominavam de “reinóis”, os militares (muitos ficaram) e alguns fidalgos. E logo a seguir o Brasil começou a receber fornadas de imigrantes portugueses, numa onda que perduraria até à década 60 do século 20. Uma onda que, ironicamente, ainda mais atrasou o desenvolvimento das terras de África. Os portugueses preferiam o Brasil onde havia emprego imediato e sem ser com a parker de 9 libras (enxada).
E em Angola ? Saíram milhares de angolanos, e continuam saindo, sem que se vislumbre uma maneira de travar esta hemorragia angolana. Se se está à espera dos doadores e dos cooperantes, podem arranjar uma boa poltrona porque vai demorar muito tempo. Vai ser um tempo medido em anos luz. E, entretanto, os angolanos mais capazes emigram e assumem empregos para os quais estão sobre dimensionados, como por exemplo ajudantes nas obras. Empregos abaixo das suas habilitações!Os angolanos na Diáspora parece que carregam a maldição que persegue a sua terra há mais de 500 anos, continuam a viver uma vida ingrata, uma vida que não merecem.
Rosa Coutinho governou, ou melhor dizendo, desgovernou Angola de Julho de 1974 a Janeiro de 1975. Gostava de frases de efeito, subestimando a inteligência dos angolanos.

Do livro “Anatomia de uma tragédia”(42) do general Silva Cardoso transcrevemos: « Rosa Coutinho, após ter tomado posse em Lisboa, chegou a Luanda ao fim da manhã no dia 25 de Julho. Como sempre, estava bem disposto, cheio de energia e afável. Das suas declarações merecem realce os seguintes esclarecimentos: tenho o prazer de informar, em nome do senhor Primeiro Ministro, que em breve a Província gozará de um estatuto administrativo que lhe permitirá governar-se sem ser a partir do Terreiro do Paço ou do Restelo e, portanto, satisfazendo uma ambição que Angola há muito tempo manifesta. Conjuntamente, quero também asseverar-lhes que faremos tudo, e com inteiro apoio do governo da Província, para que Angola passe a dispor do seu banco emissor aqui localizado, tendo aqui as suas reservas».
Se há uma frase que melhor defina este abominável cinismo, essa é: tarde piaste. Não se deve ter passado um único dia em que os angolanos não tenham suspirado pelas prerrogativas de autonomia, palavra mágica no imaginário colonial angolano, sugeridas pelos velhos tempos do governo Norton de Matos (1921/1924) em que houve um princípio de autonomia e correu dinheiro, única época em que foi permitido sonhar e em que as leis não permitiam o trabalho compelido. A promessa de autonomia era uma velha arma secreta com que os governos em Lisboa julgavam poder acalmar as pessoas ou resolver situações complicadas. Os tempos eram outros. Fico pensando se os governantes abrileiros pensavam sério, julgando que os angolanos acreditariam nesta miragem, num tempo em que toda a gente arrumava caixotes para o êxodo.
Como se explica que Portugal, que esteve na formação de um país multirracial, onde se verificam os menores atritos sociais, e onde a miscigenação era comum há mais de quatro séculos (Cabo Verde), tenha fracassado tão redondamente em Angola ?

Como se explica que estando Portugal na génese do Brasil, um país miscigenado que agora está a ser copiado até pelos países colonizadores (a selecção francesa de futebol, campeã do Mundo em 1998 e da Europa em 2000, mais parecia o Brasil devido à interessante mistura de povos), tenha falhado, tão rotundamente em Angola?
Como se explica que, sendo Angola um país cheio de riquezas naturais e com um povo pleno de diversidades, de criatividade e de potencialidades, tenha recebido uma independência éxogena, ou seja, inteiramente congeminada no exterior ?
Como se explica que os angolanos que viviam no país, e que o domaram com grandes sacrifícios, não tenham tido os seus direitos garantidos e, pior, não tiveram, sequer, o direito de exprimir as suas opiniões? Aliás, nunca tiveram!
Como se explica que Angola tenha soçobrado, repentinamente, quando acusava elevados índices de desenvolvimento, indicativos de grande fulgor económico e de um futuro sustentável?
Como se explica que tenham sido unicamente os militares portugueses a resolverem um problema que só aos angolanos dizia respeito? Quem lhes passou procuração? Por que se meteram numa guerra em 1961, que comprometeu milhões de angolanos (e em que se comprometeram eles próprios!), quando sabiam que estava condenada, logo à partida, e que exigia uma solução rápida? Por que esconderam a verdade, aos angolanos, até ao ultimo segundo do processo histórico? Por que envolveram milhões de africanos em uma luta fratricida, sabendo que o desfecho lhes seria adverso e, com isso, os deixariam à mercê dos novos governantes, e completamente incapazes de se oporem às multinacionais? E, principalmente, por que abandonaram povos, dando a entender de que o assunto “era entre eles”? E, por último, se estavam fartos da guerra, empreendida unicamente por eles, por que não entregaram o processo à ONU, a pessoas descomprometidas, não facciosas e desejosas de ajudar? Por que não desapareceram da cena angolana no dia 26 de Abril de 1974, providenciando substitutos descomprometidos?

Uma maneira simplista de tudo explicar é culpar a descolonização por todo o descalabro. È vulgar ouvir-se: “o Mário Soares foi o culpado”. A história não vive de acontecimentos isolados, mas sim de todo um encadeamento de factos. Uma frase estereotipada é a de que “era a descolonização que era possível...” repetida até à exaustão pelos descolonizadores. Mas os colonialistas argumentam “ foi a descolonização mal feita, porque Angola estava imparável em desenvolvimento...” “...eram precisos mais dois anos”!!
O governo colonial de Lisboa governou, como quis, durante quase 500 anos; O desgoverno descolonial, após a queda da ditadura na Metrópole, desgovernou Angola em apenas ano e meio; vinte anos depois estava tudo destruído, primeiro com uma insensata guerra pelo poder e depois, a partir de 1992, por uma guerra civil que destruiu as próprias ruínas. “Etiam periere ruinae” (Até destruíram as ruínas) é uma frase latina que pode ser inscrita em uma futura bandeira da cidade do Cuito, quando esta for reconstruída.
O sótão da história colonial portuguesa tem dois grandes armários o do colonialismo e o da descolonização. Armários grandes com trinta esqueletos no total. No primeiro, o do colonialismo, jazem quinze esqueletos, todos começados por C que é a primeira letra de colónia: cidadania, contratados, centralismo, cultura, comunicações, conhecimento científico da colónia, crédito, centrifugação do capital, consumo, castigos corporais, censura, colonatos, cartas de chamada, carências de energia, e compadríos (concessões, comissões, condicionamentos e cunhas).

Erros espessos, que persistiram até ao início do” Tempo Extra”, e alguns até ao “arriar do glorioso pendão das quinas”. Erros que deixaram estes quinze esqueletos que atestam as causas de todas as tragédias que viriam a seguir e que, infelizmente, perdurarão durante umas boas (ou más se persistirem as condições actuais) dezenas de anos. Estes erros já foram descritos em um anterior ensaio (Os ossos do colonialismo).
No armário da descolonização jazem, também, quinze esqueletos, erros crassos cometidos em apenas um ano e meio. São eles, todos começados por I, que é a primeira letra de independência:ignorância,irresponsabilidade,intolerância,ideologia,imposição,ingenuidade, indisciplina, insensibilidade,imprudência,imediatismo,ignomínia,imolação,impunidade,inferno e inveja.
Façamos, resumidamente, porque eles serão dissecados exaustivamente ao longo destas mucandas, a exumação destes últimos quinze esqueletos, uma vez que os esqueletos do colonialismo já foram exumados em escritos anteriores, como afirmámos atrás.

O primeiro esqueleto da descolonização é o da ignorância. Ignorantes estavam os habitantes de Angola, desinformados e crédulos em tudo quanto aparecia nos jornais ou era captado pela rádio.Tudo censurado. Sempre, anos e anos, com informações falsas ou distorcidas. Ignorantes eram os membros da comissão liquidatária portuguesa encarregada de conduzir o processo da descolonização. Estavam imersos em um oceano de ignorância.
A palavra descolonização, como afirmámos acima, não existia antes de 1960. Em qualquer dicionário, anterior àquele ano, ela não existe. Foi arranjada, às pressas, para justificar a fuga precipitada de África dos países europeus que a ocuparam, e onde tinham cidadãos nacionais, em quantidades tão pequenas, e com tão pouco tempo de permanência, que não se poderiam denominar colonos, mas antes residentes, ou moradores como se dizia no século 19 . Nos Estados Unidos, no Brasil, na Austrália, no Canadá, etc não houve descolonização, porque havia colonos. Que se independentizaram a tempo e a horas. Ninguém fugiu. E as metrópoles não concederam as independências, não tiveram outra atitude senão aceitá-las. Contrariadas, mas aceitaram!

A comissão liquidatária da descolonização era uma Troica constituída, à boa maneira portuguesa, por quatro pessoas, três actuantes e um “fiscal”. O chefe era um advogado (Mário Soares) que nunca tinha estado em Angola. O único conhecimento que ele tinha sobre o país era através de um atlas histórico-geográfico, por sinal muito ruim. E espanto: interveio em todo o processo descolonizador sem nunca ter posto os pés em Angola. Igualzinho a Oliveira Salazar, confirmando aquela máxima: os extremos tocam-se.

O segundo membro era outro advogado (Almeida Santos) que conhecia Angola através de uma viagem folclórica, quando acompanhou o Orfeão Académico de Coimbra em 1949, era o orador oficial da Embaixada Académica, cantou alguns fados e perorou sobre patriotismo.


O terceiro era um oficial do exército (Melo Antunes) que tinha conseguido ler as obras de Karl Marx, o que é uma grande proeza, especialmente em Portugal em que só se lêm os jornais desportivos e, agora, os jornais gratuitos distribuídos nas viagens de comboio e metropolitano. A estes jornais presto a minha homenagem, se não fossem eles o panorama literário seria arrasador.
Melo Antunes, imbuído das suas leituras recentes de marxismo-leninismo, que levou os jornais a apelidá-lo de ideólogo, chegou a elaborar um programa económico para Angola. Dá para sorrir!

O quarto elemento ( Pezarat Correia) era um fiscal do Movimento das Forças Armadas. Major do exército português, era um oficial de topo no exército colonial que desenvolvia a guerra em Angola. Ele gosta de reinventar a história e contar tudo à sua maneira. E que desempenhou a missão como se fosse imparcial e não tivesse actuado na guerra colonial
Este senhores “arrumaram” o problema de Angola, com que direito?

O director de uma multinacional reune todo o pessoal e diz: amanhã vamos receber um grupo de colegas franceses. Gostaria que confraternizassem com eles. Quem, entre vós, sabe francês? Fez-se um silêncio, depois quebrado por um sabichão, daqueles que gosta de se intrometer e tem propostas para tudo: francês, francês, não sei, mas tenho uma prima que toca viola francesa.
Finalmente, ignorantes eram os representantes dos três movimentos de libertação que não se aperceberam de que o que existia em Angola não eram só opressão, injustiças ou humilhações. Existia todo um passado utilizável, um passado regado com o suor de milhões de angolanos. Um passado utilizável que sobrepujava, e muito, o somatório das injustiças. Se o país exportava alimentos e não havia fome, se o país apresentava uma invejável balança de pagamentos, se o país apresentava uma boa situação sanitária com as terríveis doenças já controladas e algumas erradicadas, se o país apresentava uma boa rede de estradas asfaltadas, se o país apresentava uma rede hoteleira, a segunda melhor em África, se o país tinha já uma razoável rede de ensino básico e secundário, se o ensino era gratuito para todos e o número de vagas era ilimitado, se o país tinha já uma interessante base industrial , se o país estava bem organizado em termos administrativos e, fundamentalmente, se o país estava em paz,nem tudo era mau! Antes pelo contrário, algumas coisas eram más, mas o saldo aproveitável, positivo em linguagem contabilística, era enorme. Quantas situações, muitíssimo piores, existem por esse mundo fora, até mesmo em países altamente civilizados? Quantos países, com séculos de independência, apresentavam a pujança económica de Angola em 1973?

Ao se des-sacralizarem as leis do regime salazarista, porque se admitia que eram todas“fascistas”, ao se atropelarem as hierarquias e, principalmente, o mérito, criou-se um vazio propício para todos os graus de irresponsabilidade, agravados com as incompetências dos novos mandantes ungidos de presunção e auto convencimento.
A descolonização foi feita para entregar o país à União Soviética e um dos pontos mais sensíveis era explorar as assimetrias sociais, e as injustiças, tão ao gosto do comunismo, pelo menos quando se pretende a sua implantação. É a tal luta de classes. Depois a conversa é outra. Criar uma atmosfera de intolerância, entre as duas comunidades foi um dos objectivos. Com a intolerância vieram a ideologia comunista e a sua consequente imposição.Ideologia foi outro esqueleto deixado pela descolonização. O comunismo acabou por querer ser uma religião e com isso punha-se a ideologia acima da economia, tal como na Idade Média se punha a religião acima da economia. Com resultados, a longo prazo, catastróficos. Deve ter passado pela cabecinha daquela gente que era fácil implantar sovietes em Portugal e em Angola. Em Portugal logo verificaram que não ia ser fácil, tanto mais que o país era mais antigo do que a União Soviética. Mas em Angola, explorando bem as assimetrias, as injustiças, a extrema ignorância e detendo o poder, não era difícil, pelo menos aparentemente, a implantação do marxismo, melhor dizendo do estalinismo. O que de facto conseguiram, mas numa altura em que a própria União Soviética já não conseguia disfarçar o seu próprio colonialismo.


O comunismo em Angola foi uma ideologia efémera que durou apenas 15 anos. Em termos históricos nada ficou. Serviu apenas para criar “esquemas”. Quando ele se implantou já trazia os germes da sua própria destruição.Mas que provocou estragos de difícil reparação. Quem os provocou vive hoje repatanado em Portugal beneficiando das delícias da democracia egoísta implantada em 1974. E vivem garimpando no tesouro nacional. Impuseram o marxismo em Angola e depois ficaram assobiando para o lado. Redunda em tragédia sempre que se quer sobrepor a ideologia à economia. Razão teve o escritor brasileiro Jorge Amado quando lhe perguntaram o que achava de ideologia. A resposta foi curta e lapidar: “vocês querem saber o que é ideologia? É uma merda”

6 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Imposição era a directriz trazida de Lisboa. Nada de consensos.Nada de referendos. Tudo estava já resolvido. Ingenuidade foi uma das facetas da população. Os angolanos de ascendência portuguesa e os europeizados, habituados a serem sempre conduzidos, ingenuamente acreditaram que os novos governantes saberiam honrar as suas promessas e que o exército “sabia o que estava a fazer”. Ingenuidade foi, também, a da população autóctone que acreditou que a nova era traria, finalmente, a felicidade que tanto esperavam. Ingenuidade foi, também, a dos futuros donos que se convenceram que as suas novas doutrinas facilmente seriam implementadas, e que eram a chave da felicidade universal. Exemplos da felicidade universal: a ex-União Soviética e os dois relictos comunistas Coreia do Norte e Cuba, paradigmas de modernidade , e exemplos dos direitos humanos. Mas o pior da ingenuidade dos angolanos foi o facto de aceitarem, como normal, o abandono perpetrado por Portugal, de aceitarem como normal o facto de Portugal não querer assumir as suas responsabilidades históricas, de aceitarem como normal o facto de um exército bandear-se para o lado contrário, para o inimigo (ou “in” como era mencionado nos comunicados militares). Esta ingenuidade funda-se na falta de informação e, sobretudo, na falta de cultura política.

Indisciplina foi a principal característica do exército português, ressalvando umas poucas, mas honrosas, excepções. O exército português que conseguiu dominar toda uma guerrilha, com poucos recursos e muita competência, de repente desbundou. A disciplina esvaiu-se, a autoridade conferida pela hierarquia – um pilar indiscutível em um exército- escorregou para os escalões mais baixos e, então, viu-se o inimaginável: cabos mandarem em oficiais, capitães darem ordens a generais.
Em Angola sucederam casos que foram testemunhados por pessoas que, ainda hoje, os recordam com amargura. Em Cabinda um grupo de capitães prendeu um general numa pequena sala, no Moxico um batalhão foi desarmado e posto em cuecas, por isso ficou conhecido como a "batalhôa". Desarmado, só faltou desfilar por uma Avenida das Forças des-Armadas. Eu vi um soldado de suspensórios vermelhos, o que não deixa de ser lógico, era a cor da revolução. Só faltou pôr um cravo na orelha.
O episódio de Cabinda foi tragi-cómico. O general governador do distrito acumulando com o cargo de comandante em chefe das forças armadas foi preso, com o seu staff, por um bando de revoltosos. Foram trancafiados numa pequena sala. É um caso gravíssimo de indisciplina que, num exército a sério, conduz a fuzilamentos. Abriu-se um rigoroso inquérito. Nesse ano a frota pesqueira portuguesa, que ia para a Terra Nova pescar bacalhau norueguês, vendido depois como português, não precisou de se fazer ao mar alto, aproveitou as “águas de bacalhau” em que se transformou o tal rigoroso inquérito.
O general Silva Cardoso (42) conta que uma reunião na fortaleza de S.Miguel em Luanda, onde compareceram oficiais generais, foi dirigida, com a maior “cara de pau”, por um major (Pezarat Correia), neste caso seria o major “cara de pau”.
Kapuscinski, um repórter-escritor polaco, recentemente falecido (Janeiro 2006), presenciou o seguinte(122) em Angola: « Regressei num camião que transportava soldados portugueses.Eram tropas num estado de total dissolução.Tinham barba comprida e não usavam bonés nem cinto. Vendiam as suas rações no mercado negro e arrombavam carros. Tinham ordens para se manterem neutros, não dispararem, não se envolverem.Estavam a carregar os navios com tudo. A última unidade partiria daí a uma semana».

Insensibilidade foi o que se instalou nas mentes dos portugueses na Metrópole. Uma bem urdida campanha, de descrédito e de falsas culpabilidades, instilou na alma generosa dos portugueses a noção de que os problemas coloniais diziam respeito, exclusivamente, a quem vivia nas colónias. Talvez a frase mais demolidora tenha sido: “nem mais um soldado para as colónias”, numa situação em que era fundamental proteger as populações indefesas, era mais necessário garantir a ordem nas cidades, era premente salvaguardar um património feito por milhões de angolanos. É conveniente lembrar que em Angola, durante os 13 anos de guerra, não se registou um único acto de violência dentro de cidades, ao contrário, por exemplo, da Argélia ou do Vietname onde os actos de barbárie nas cidades atingiram níveis incomportáveis. Qual foi a causa de se não terem registado actos violentos nas cidades? Humanismo dos movimentos ? Inépcia dos movimentos ? Segurança eficaz feita pelas forças armadas portuguesas ? Ou um sentimento de paz bem instalado nas populações ? Perfilho esta última hipótese.
O geógrafo Orlando Ribeiro(182) escreveu: «A exigência de mais nenhum soldado para o Ultramar mostra que não ocorreu à multidão e aos políticos que, para garantir uma correcta transferência de poderes, seria preciso reforçar ou render algumas guarnições. Angola mergulhou no caos e abriu-se à intervenção estrangeira. Sob o sorriso imperturbável de um governador português inepto. O Governo, que ainda parecia decidido a negociar, seguiu logo o caminho mais fácil da abdicação total. Bens materiais, influência cultural, acção espiritual, de tudo se abriu mão. O destino dos que, noutro lugar, chamei “africanos brancos” não foi acautelado, nem lá, nem cá, deixado aos azares de uma trágica debandada».
Onde a infeliz frase,” Nem mais um soldado para as colónias” deixou um rasto de horrores foi em Timor. A fuga da autoridade, baseada na tal frase, deixou um vazio que acabou por ser preenchido, a contra-gosto, pela Indonésia. O Governador de Timor protagonizou uma fuga caricata, para uma pequena ilha, abandonando o cargo e as populações que nele confiavam.
Há um contraste entre a independência do Brasil e a de Timor. Quando perguntaram ao Imperador Pedro I o que faria se Lisboa o mandasse regressar, a resposta foi: fico. Quando perguntaram ao Governador de Timor qual seria a sua atitude se Lisboa o mandasse ficar, a resposta foi: fujo.

Outro esqueleto foi a imprudência. Ao fim de 13 anos de guerra existiam milhares de armas e munições nos quartéis em Angola. E de que se lembrou o Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho? Nada mais nada menos do que distribuí-las pelos três movimentos, reforçando, deste modo, o poder bélico e a vontade de “atirar por tudo ou por nada” e “atirar antes de conversar”. O Presidente da Junta acabou por satisfazer a velha vontade de Salazar(159): «pôr os brancos contra os brancos em África, e os pretos contra os pretos, e brancos e pretos uns contra os outros...». E, para piorar, foram oferecidas milhares de granadas que contribuíram para uma diminuição drástica do peixe nos rios de Angola e para a morte de milhares de crocodilos e hipopótamos. Além dos horrores em pessoas e bens. Igual razia sucedeu com os elefantes.
Norton de Matos em 1921 apaziguou Angola e lançou-a no caminho da paz e do progresso, culminado com o aumento surpreendente de todas as produções, ao desarmar as populações. Rosa Coutinho e outros, imprudentes e irresponsáveis, tiraram o descanso merecido à alma do grande general, e abriram o caminho para uma longa e medonha guerra civil e para uma delapidação da fauna e da flora. E, mais grave, alguns militares portugueses tornaram-se, depois, agentes de venda de armas e de recrutamento de mercenários. Alguns chegaram a participar em combates. Não há dúvida de que “não queriam mais guerras”!

Imediatismo foi outra das facetas da descolonização. A frase de Mário Soares diz tudo: «Quanto mais depressa nos virmos livres das colónias, melhor». Resolver tudo de imediato, e, depois, justificando com a estafada frase: “fez-se o que era possível”. Um pouco seguindo a lei Belungas. Esta historieta passou-se no futebol. Vindo dos bicanjos (berças em Portugal, grotão no Brasil) chegou Belungas um beque (defesa) com a fama de limpador de área. Dizia-se que onde ele assentava a chuteira nunca mais nascia capim. O que se confirmou em parte, pois os campos eram pelados. O capitão do time recomendou-lhe várias vezes: a bola não pode entrar na grande área, o objectivo numero um é “afastar o perigo”, chutão para a frente. Minutos decorridos vem uma bola por alto e o nosso beque aplica-lhe um chuto de voleio (ou seja sem deixá-la tocar no chão). Em que direcção ? Para a própria baliza, golo contra. O capitão, espumando de raiva, interpela-o, mas a desculpa dele deixa-o imobilizado de espanto: Ó sr. Jaime, pelo menos eu “afastei o perigo”.

Intrujice foi a palavra sempre presente em todos os actos da descolonização. Intrujice do exército português que teve sempre medo de dizer a verdade. Intrujice do colonialismo onde nunca campeou a verdade. Intrujice dos movimentos de libertação que traziam uma conversa, mas actuavam ao contrário. Intrujice dos descolonizadores ou visão curta em geopolítica e estratégia histórica?

Fig Debandada do exército português. Ele não soube (ou não quis?) arranjar uma solução política para uma guerra que estava, à partida, perdida. Todas os exércitos que lutam contra a história estão condenados à derrota. Se o exército Português tivesse formado um irmão mais novo (um exército Angolano com quadros superiores angolanos e integral capacidade de decisão) Angola hoje não apresentaria uma tal magnitude de destruição.

O que levou os militares a entrarem na guerra colonial quando se sabia, pela própria história universal, que o desfecho lhes seria adverso? E após terem passado por uma humilhação colonial na Índia em 1961? Por que não coadjuvaram o desastrado general Botelho Moniz que quis destituir Salazar? Porquê tantos altos-estudos militares, em que se estudavam todas as espécies de guerrilhas e os seus desfechos? Por que, durante os 13 anos de guerra, não forçaram o Governo a arranjar uma solução política, que teria sido fácil, como depois se verificou, quando se viram as fragilidades dos movimentos de libertação e a boa vontade da ONU, dos E.U.A. e de muitos países, até africanos? Como se pode explicar a atitude estática das forças armadas? Como pode um exército ser tão despolitizado, e reagir tão tarde? Como pode a população civil ser tão despolitizada e acomodada?


Treze anos é tempo mais do que suficiente para se ter compreendido que tinha que se arranjar uma solução política e pacífica. E, sobretudo, o exército já tinha uma triste experiência de rendição na Índia Portuguesa. E tinha o conhecimento sobre Dien Bien Phu na Indochina (tratado mais adiante neste livro) e sobre o êxodo da Argélia.
Os militares convenceram-se de que o processo ia ser pacífico ou quiseram imolar as populações que nunca se revoltaram contra a ditadura ? A primeira hipótese é pouco abonatória da sua percepção política da história; a segunda hipótese, a imolação, revela maldade própria de quem se quer ver livre de um problema de que foi o principal causador, mas do qual quer sair como imparcial. Se possível levando vantagens. E levaram-nas, mas a história, aos poucos, vai repondo as verdades.


De início o propósito do MFA era passar todo o ónus de 500 anos para os colonos, e abandoná-los, uma espécia de imolação que pode ser comparada com a fuga da tripulação de um barco, não deixando baleeiras ou salva-vidas. Era uma espécie de naufrágio do Lusitanic.
O MFA, denotando uma confrangedora perspectiva da História, esperava uma reacção independentista dos colonos, tipo Rodésia. Mas enganaram-se. Os colonos, muito sabiamente, resolveram partir em bloco. Um independência dos “brancos” era um rematado suicídio. Angola não era, nem de longe, um Brasil! Felizmente que houve unanimidade, os angolanos não eram tão ingénuos como supunham os militares descolonizadores. Há um limite para as mentiras e para a insensatez!


Houve actos da parte do presidente da Junta governativa (Rosa Coutinho) que nos levam a acreditar que ele tentou “empurrar” os “brancos” para uma independência tipo Rodésia. Assim viam-se livres de um pesado ónus histórico! De uma penada livravam-se do pesadelo originado pelo êxodo de meio milhão de pessoas.Nas arengas quotidianas de Rosa Coutinho transparece claramente a alusão, e o desejo de uma independência rodesiana.


Impunidade é outro esqueleto da descolonização. Os militares que empreenderem todo o processo revolucionário cometeram excessos que nenhum sistema judiciário deixaria passar em claro. E o que fizeram para “limpar o caminho” ? Nada mais nada menos do que forjarem, aproveitando a revolução, leis que isentavam de culpa os desmandos que eles próprios tinham feito. Mas com essas leis que eles forjaram admitiram implicitamente as culpas, chegando a denominá-las de crimes nos laudos das novas leis descriminalizantes.


Em 25 de Abril eclodiu o golpe de estado seguido de um vale tudo. Quebraram-se juramentos de lealdade, saltou-se por cima das leis, espezinharam-se regulamentos, ignoraram-se direitos e tradições. Em tempo de paz social estes desmandos são punidos com tribunais comuns ou cortes marciais, mas nada se verificou. Apareceram leis, feitas pelos próprios contraventores, isentando-os de qualquer culpa. Em 1979, quando ainda estava muita poeira no ar, os próprios revoltosos fizeram leis para limpar todas as áreas.Em 23 de Novembro de 1979 saíu a Lei 74/79 cuja alínea 1 do artigo 1º exarava:«São amnistiadas as infracções criminais e disciplinares de natureza política, incluindo as sujeitas ao foro militar cometidas depois de 25 de Abril de 1974, nomeadamente as conexionadas com os actos insurreicionais de 11 de Março de 1975 e 25 de de Novembro de 1975». Uma autêntica auto-faxina em cima de atropelos e desmandos, em alguns casos atingindo níveis criminosos. Um revoltoso, que se auto isenta de ter atropelado as leis, é marxismo puro. Não de Karl Marx mas sim de Groucho Marx. Este cómico de Hollywood ficou famoso pela suas tiradas de “non sense”. Num dos seus filmes um interlocutor diz-lhe:”Vou propô-lo para sócio do meu clube.” Responde-lhe Groucho: “Não posso aceitar essa oferta, porque eu não quero ser sócio de um clube que me vai aceitar como sócio”.

7 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Inferno é outro esqueleto. O pânico apoderou-se das pessoas ludibriadas por aqueles que ficaram anos e anos alimentando falsas esperanças e prometendo uma quimera. Infernal é o facto de uma guarnição militar fugir de madrugada, abandonando tudo e todos e sem avisar as populações. Infernal é um exército aliciar os nativos, ingénuos e puros, fazendo-os passar para o seu lado, e depois abandoná-los à sorte, sabendo que o mínimo que lhes iria suceder seriam os campos de reeducação cujos manuais foram redigidos pelo “grande pedagogo educador das massas” Pol Pot.
Na Guiné foram fuzilados mais de 500 comandos africanos portugueses porque cometeram o erro de acreditar em Portugal. Infernal é assistir à desmontagem de um país e à arrogância de militares que achavam que estavam no palco da história desempenhando um grande papel. Infernal é assistir-se a estes militares oferecerem-se, posteriormente, como mercenários ou traficantes de armas, aos três movimentos inimigos, como eles os classificavam, querendo assim perpetuar-se nas guerras. Mas diziam antes, com ênfase, que estavam fartos de guerra. Aliás não sabiam e não sabem fazer mais nada! Infernal é ver militares, que afirmavam que queriam a paz, passarem posteriormente a intermediários de armas destinadas a uma guerra fratricida. Nesta foram enterradas muitas minas anti-pessoal que originaram (e infelizmente ainda originam!) milhares de estropiados. E deixaram vastas zonas do país, ainda hoje (2005), com perigos de morte enterrados no chão.



Uma guarnição militar, altamente conceituada, melhor dizendo estimada, entre os angolanos, recebeu ordem para evacuar a população civil. Abandonou-a, à sorrelfa, de madrugada. O povo dizia que eles cumpriram as ordens mas trocaram os artigos gramaticais: em vez de evacuarem a população eles “evacuaram” na população.

Inveja é a última palavra dos Lusíadas e é o último esqueleto deixado pela descolonização. Ficou intolerável para os militares e para os oligas africanistas a ideia de uma Angola com um ritmo de desenvolvimento acima das médias mundiais e, especialmente, com um fabuloso horizonte originado pelos enormes recursos naturais. E, fundamentalmente, uma Angola livre das amarras colonialistas que tudo inviabilizavam, que se opunham ao progresso material e, principalmente, humano. Tudo em Angola era grande, o país ia ter um exército com oficiais angolanos, o país iria ser um exemplo mundial. Não mais haveria obstruções ao progresso!

Para os militares portugueses acabavam as comissões, as sinecuras, o bem bom “de um pé cá e outro lá”, as viagens, os casões onde se comprava tudo por metade do preço, as chorudas aplicações de escudos metropolitanos no mercado negro, a compra de uma segunda casa. Para eles restavam, de futuro, os comandos de esquadras de polícia, não seriam mais comandantes em chefe, em áreas com mais de 100 000 km², mas apenas mandariam numa jurisdição concelhia com 50 ou menos quilómetros quadrados. Iam comandar num quintal, não mais numa região. Em síntese, almejavam uma situação futura com Angola mergulhada no desgoverno. Para eles, triunfantes, argumentarem “estão a ver, nós saímos, ninguém se entende, não sabem dirigir seja o que fôr”.


É óbvio que apenas nos referimos a alguns militares da oligarquia, aos que se bandearam para o”in”, não nos referimos à maior parte dos militares, com destaque para os milicianos, verdadeiras vítimas em toda a desaustinada guerra. Vítimas que estão à espera de serem indemnizadas.Os civis portugueses, os milicianos que foram integrados no exército que combateu em África, que pouco ou nada tinham a ver com Angola,foram os mais sacrificados em todas estas desgraças, uma desdita igual à dos “indígenas” que também foram abandonados pelos novos senhores de Angola. Os portugueses que “serviram a Pátria” foram vergonhosamente abandonados pelos “revolucionários”. Ainda hoje, em 2009, se arrasta o processo de reparações morais e monetárias a que os milicianos têm direito. Os oligas estão à espera que todos morram. Mas, entretanto vão-se conferindo pensões chorudas para quem nunca descontou!
Em 1999 festejou-se em Portugal o 25º aniversário do golpe de estado. Fez-se um filme e desenrolaram-se muitas cerimónias. O ponto alto destas comemorações foi a petição de alguns “capitães de Abril”, agora coroneis, pleiteando a promoção a general. Motivo: tinham sido prejudicados com a revolução que eles próprios tinham desencadeado. Era o regresso ao marxismo do Groucho Marx! Vamos resumir: eles fizeram o golpe porque estavam a ser ombreados com oficiais milicianos que não tinham feito “academia”; agora queriam ser generais sem terem feito os “altos estudos necessários” e sem terem um único dia de quartel! O que eles condenaram serviu depois de pretexto para as suas serôdias ambições carreiristas.

O mais pungente, impróprio de um país europeu, é o numero brutal de deficientes, completamente abandonados pelos governos, sob a alegação de que “não há verba”. Mas há-a para 124 generais. Rácio em Portugal: um general para 322 soldados.
Os assimilados, os colonos e os indígenas edificaram, a partir praticamente do nada, um país com infrastruturas fundamentais, com uma interessante organização e com um mais que aproveitável sistema de produção de alimentos e bens. Os militares portugueses e os militantes angolanos estraçalharam todas as actividades, infrastruturas e sistemas construídos ao longo de mais de 60 anos.

A história é constituída por factos inter-ligados, onde o passado é o factor preponderante que explica o presente. Angola não fugiu a esta regra. Em 25 de Abril de 1974 os militares que perpretaram o golpe de estado que derrubou uma ditadura de 40 anos, estavam cientes desta regra ou ,pelo menos, deveriam estar. O processo histórico colonial angolano estava eivado de injustiças mas também de sacrifícios e de dedicações. Em meio século os colonos e os africanos erigiram um país, um dos mais bem estruturados do continente africano, augurando uma grande nação próspera. Infelizmente tudo correu mal, acabando no processo que conduziu à independência. Esta foi resolvida pelos militares portugueses e por três movimentos de independência que nunca se entenderam. Uma emancipação exógena (de fora para dentro) ao contrário dos variados países colonizados que se independentizarem endogenamente.

Entre os chamados retornados está arreigada a crença de que “o Mário Soares foi o unico culpado”. Não foi. Era difícil a resolução do processo histórico angolano tal como ele se apresentava. Séculos de dominação implacável e depois 40 anos ininterruptos de ditadura surda e cega às modificações que se geraram em todo o mundo conduziram a uma independência precipitada de que poucos dirigentes metropolitanos anteviram as consequências. O facto de não haver uma cultura democrática em Portugal, e muito menos em Angola, foi o principal motivo do desentendimento geral. Todos se guerrearam num processo niilista, difícil de entender.
Havia alternativas menos piores do que aquela que se verificou? Ou, utilizando a frase predilecta dos descolonizadores, “foi a descolonização que era possível”, isto anos depois, porque inicialmente eles proclamavam “urbi et orbi”, com um ridículo orgulho, de que foi “uma descolonização exemplar”. Tão “exemplar” que todos foram despojados dos seus bens e dos seus direitos! Tão “exemplar” que ninguém foi indemnizado, ao contrário de outros países que tiveram colónias. Tão exemplar que precipitou Angola em lutas fratricidas cujos resultados foram desastrosos em todos os sentidos.

Mário Soares, por estar mal elucidado, por não ter qualquer conhecimento das realidades africanas , e não estava interessado em conhecê-las( corre a fama de que “não lê os dossiers”), por alimentar uma incontida má vontade contra os “ultramarinos”, mesmo assim não pode receber todo o ónus de políticas anteriores seculares e desastrosas. Mário Soares, com aquela ligeireza com que aborda qualquer assunto, com aquela empáfia de ser laico, republicano e socialista (embora tenha como passatempo a acumulação de reformas, subvenções e subsídios) e com aquela facilidade de “ceder os trunfos” sem pensar,não estava, minimamente, à altura de um processo histórico tão complexo e tão melindroso.

No Brasil, na gíria, diz-se para uma pessoa que não se está apercebendo da sua incompetência, do ridículo, da ignorância, da vaidade ou da má vontade : si manca. Entre os jovens esta frase significa: cai na real O dicionário Aurelião consigna: « mancar- capacitar-se de que está sendo inoportuno,inconveniente ou está cometendo erro, engano». Em Portugal diz-se “que não se dá conta” a propósito de não estar à altura ou a ser inconveniente.O fantástico humor brasileiro criou o xarope “Simancol” que deve ser tomado por todos aqueles que “não se mancam”, ou seja de que se não dão conta, que não caiem na real. Em 1974 as farmácias portuguesas deveriam ter este xarope à venda, teriam evitado milhões de desgraças! Foi enorme a quantidade de gente incompetente que “se não mancou”, de pessoas que não cairam na real.Hoje estão mudos e quedos!

Fig Reunião no célebre Acordo de Alvor. Em primeiro plano da esquerda para a direita Melo Antunes, Rosa Coutinho,Agostinho Neto,Costa Gomes,Holden Roberto,Jonas Savimbi,Mário Soares e Almeida Santos. Em 8 intervenientes 5 são portugueses sem quaisquer interesses em Angola.Um destes (Mário Soares)“nunca lá pôs os pés”.Dos mais de 5 milhões de residentes em Angola ninguém está representado. Estranha forma de se exercer democracia, agravada com o facto de que o Movimento dos militares portugueses tinha como ponto de honra um referendo e eleições em Angola.


Fig Arriar da bandeira portuguesa e hasteamento da nova bandeira. Nenhum alto-representante (Presidente da República)do governo português.O novo governo em Portugal,saído de um golpe de estado em 25/04/1974, ficou inquinado com ideologias marxistas e com ideias mirabolantes sobre a nova ordem e justiça a implantar em Angola.Os três movimentos independentistas entraram armados em Angola,e depois receberam mais armas do exército português. Em pouco tempo estava instalado o caos, com terríveis consequências em bens e pessoas. O governo de Lisboa teve vergonha de conceder a independência: a quem? Numa breve cerimónia na fortaleza de S.Miguel, restrita apenas aos militares,sem qualquer elemento da imprensa, foi arriada a bandeira portuguesa,« dobrada, colocada em bandeja de prata e entregue ao alto-comissário».Os três movimentos proclamaram, cada um de “per si”, a independência. Na gravura vê-se a cerimónia que decorreu em Luanda somente com o MPLA. Angola merecia uma liturgia mais consentânea com o seu passado e com os seus povos. Como afirmamos mais adiante isto não foi mais do que a cereja ácida no bolo amargo(feito com farinha de quina) do colonialismo.

Era possível uma descolonização menos traumatizante? Era. Bastava terem entregue todo o processo à ONU. Se os militares portugueses estavam fartos de guerra e se “nem mais um soldado para África”, a solução era a ONU. O próprio secretário-geral ofereceu a opção ONU que foi recusada pelos militares portugueses. Aliás não se compreende que, sendo os militares portugueses a parte mais preponderante da guerra, tenham intervindo como imparciais. Nestas circunstâncias temos que admitir que, na recente independência de Timor, a Indonésia (ocupante) também tivesse interferido naquele processo. O Brasil estava pronto a ajudar no processo da descolonização angolana, estava disposto a enviar quaisquer tropas requeridas pela ONU. Estas tropas garantiriam a segurança de pessoas e bens. Infelizmente, “orgulhosamente sós” no colonialismo e “orgulhosamente sós” na descolonização


Fig Retirada da bandeira americana de uma urna, para depois ser entregue à família de um militar morto em combate. Há todo um cerimonial de recolha onde imperam a honra, o rigor, o orgulho, o respeito, o patriotismo.A fotografia transmite emoção!


Fig Recolha da bandeira portuguesa por um´” barbudinho”. Ela é levada debaixo do braço, como qualquer melão. As mãos estão sem luvas, as mangas arregaçadas, não se vislumbra qualquer escolta!. Ocorre-nos a pergunta: não havia um regulamento para a dobragem e transporte da bandeira? O que transmite esta fotografia?

Se os militares portugueses estavam fartos de guerra, o que até é verdade, por que quiseram levar o processo até ao fim, conduzindo-o afinal para piores confrontos, agravados com ideologias importadas e, convenhamos, a caminho de estas próprias se tornarem também ultrapassadas?

8 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Em 1962, em plena guerra diplomática entre Salazar e Kennedy, os Estados Unidos propuseram planos para a independência de Angola, todos eles tendentes a estabelecer um governo de maioria africana, de absoluta confiança de Washington. Prazo: dez anos. Os interesses e haveres dos que quisessem abandonar a colónia teriam sido levados em conta, como uma das prioridades. Os americanos comprometiam-se a indemnizações, a garantia de direitos, e previam grandes êxodos.
Apareceram vários planos, todos eles feitos por “especialistas”, dos quais os mais importantes eram o Plano Sakwa e o Plano Anderson. O Plano Sakwa foi preparado por Paul Sakwa funcionário da CIA e preconizava o seguinte: em troca da alienação das colónias, Portugal receberia uma compensação financeira, de tal modo avultada que era suficiente para que o país “ levantasse a cabeça”. O dinheiro recebido permitiria que o país duplicasse o seu rendimento por habitante, em cinco anos. Em Angola era acelerado o ensino de modo a preparar as populações para um auto-governo. Seriam feitas em 1967 eleições locais (autarquias?), em 1969 seriam feitas eleições regionais (distritos ?) e em 1970 seria o coroamento dos planos com eleições nacionais e proclamação da independência. Estavam previstas indemnizações para todos os que quisessem abandonar Angola.


O Plano Anderson apareceu mais tarde, em 1964, e propunha que Portugal aceitasse a autodeterminação das suas colónias num prazo de 8 anos. Em troca receberia várias compensações e indemnizações. Anderson era o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, substituto de Elbrick o embaixador que ajudou e incentivou Botelho Moniz para a efectivação de um golpe de estado, infelizmente fracassado, conhecido depois como Abrilada.
Em 1974, e uma vez que a continuidade da leuco-comunidade em Angola estava seriamente comprometida, podia-se ter reavivado o Plano Sakwa, adaptando-o aos tempos actuais, de modo a defender os muitos interesses: as pessoas que quizessem abandonar o território seriam indemnizadas e colocadas, pacificamente, em qualquer país que as quizesse receber.

Mas tudo se fez estouvadamente. O país recebeu, de muitos países, milhões de dólares e toneladas de donativos que foram distribuidos sem “rei nem roque”. Os fugitivos de Angola- mais de metade não conheciam a metrópole- receberam o nome de retornados e foram alojados em hoteis de turismo (3, 4 e 5 estrelas). Estas unidades hoteleiras estavam a caminho da falência pois os turistas já não suportavam mais os arroubos revolucionários de uma minoria de portugueses. O aboletamento dos “retornados” nos hoteis foi a forma miraculosa de evitar um colapso na então recente estrutura turística de Portugal.


A descolonização não foi mais do que a cereja ácida em cima do bolo amargo(feito de farinha de quina) do colonialismo, como já foi afirmado. Uma e outro completam-se, têm muitos pontos de contacto. Foi intitulada de revolução mas a grande verdade é que os protagonistas da descolonização (militares portugueses) estavam seriamente comprometidos com o colonialismo, alguns foram figuras-chave nos dois processos. Acabaram por beneficiar de promoções, e até condecorações, nos dois sistemas. E, cúmulo dos cúmulos, ainda se acham prejudicados porque “a revolução do 25 de Abril “ atrasou as suas carreiras militares”. No mínimo, é bizarro querer ser recompensado dos próprios erros cometidos! Mais bizarro, ainda, é exibir condecorações recebidas em dois sistemas antagónicos!


A descolonização foi tão atabalhoada que o colonialismo ficou esquecido. As pessoas que perderam os seus haveres, para não citar os anos perdidos, culpam a descolonização por todos os males que dela advieram. Mas a verdade é que as maiores culpas recaiem sobre o colonialismo e algumas, também, sobre a colonização. O colonialismo, incluindo nele os militares que aguentaram a guerra da independência (e o regime ditatorial também), não soube encontrar uma solução para o impasse político que persistiu ao longo de treze anos (1961-1974). Os governos de Lisboa, apesar de terem atenuado algumas injustiças, não souberam, ou não quiseram, arranjar uma saída de acordo com o bom senso, ou seja acompanhando o “main stream” mundial (corrente dominante). Depois da guerra 1939/1945 as colónias passaram a ser olhadas, mundialmente, como anacronismos incómodos. Nenhum país concordava com o colonialismo, alguns deblateravam-no cruelmente.


Fig As pessoas que viviam em Angola ficaram aturdidas com tantos acontecimentos em tão pouco tempo, um contraste com 40 anos de modorra colonial. E mais ainda com a cobardia e a falta de caracter de todos aqueles que “mudaram de clube” de um dia para o outro. Subitamente aqueles que serviam a “ditadura de direita” passaram-se para a” esquerda”.Em 24 horas praticamente já não existiam pessoas que tivessem servido Salazar. Aqueles patriotismos exacerbados que nos acompanharam durante dezenas de anos esfumaram-se em poucos meses.Em Angola tudo dasaguou em um período “Caixotesco”.




Fig Contrariamente ao que se afirma correntemente ninguém em Angola fazia fortuna. Basta folhear um qualquer jornal de Angola (Provincia de Angola,Diário de Luanda, A Voz do Planalto, O Lobito, O Intransigente, Notícias da Huíla etc) para nos depararmos com notícias do género”morreu na miséria o velho colono Fulano de tal”). Um colono que não tivesse filhos morreria na miséria no fim da vida. Depois do Acto Colonial de 1932, todo o capital estava em mãos metropolitanas.Todas as fortunas feitas em Angola estavam sediadas na Metrópole.Aleatoriamente, porque foram muitas as notícias sobre este assunto, transcrevemos de “A Voz do Planalto” de 01/02/1951 a propósito da morte do velho colono Cristiano de Miranda no Bailundo:«Deixa a viúva na miséria, ultimamente vivia do auxílio de muitas pessoas. Que mocidade tão inutilmente desbaratada e que fim triste e pungente»
A partir de Abril de 1974 já não eram mais silenciosas as quase sempre estreladas e maravilhosas noites de Angola: passou a ouvir-se a Sinfonia dos Caixotes onde sobressaiam os metais, (alicates, torquezes, serrotes) as cordas( de sisal), a percussão (martelos e marretas) e os sopros (um colono bufando depois de uma martelada num dedo).

A partir de 1961, quando se registou uma promissora descompressão, tinha que se arranjar uma solução política e ela só poderia ser a de uma rápida e ousada ascensão dos africanos ao topo da governação, a par de uma notória melhoria nas condições de vida deles. Isto foi proposto por alguns militares mas nem Salazar, nem Caetano estavam dispostos a ceder. Qualquer deles já tinha demonstrado uma intransigência que não se ajustava ao tempo presente, tudo agravado com o facto de Angola já possuir RN (referências nacionais) em nível mundial: o comboio da independencia já estava em marcha e nada o poderia deter. A única saída era uma descolonização, com o apoio da ONU e dos países amigos, facilitando a saída dos europeus. Infelizmente nem isso sucedeu. O tempo era escasso, já não havia tempo para se esbaterem os grandes erros históricos.


Fez-se uma descolonização atabalhoada e vergonhosa, a reboque da ideologia marxista-leninista, ela própria a caminho da auto-destruição. Sem qualquer descolonização nunca se teria chegado a tão desastroso resultado.Pior do que esta descolonização era impossível.


Uma palavra para definir a descolonização feita por um “escol” das Forças Armadas Portuguesas: esculhambação.


Luiz Chinguar
Agosto 2009


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo


Fim

sábado, 5 de Setembro de 2009

"JORNAL NACIONAL" DA TVI CENSURADO

Este "spot" de promoção do "Jornal Nacional" é que esteve na origem da censura efectuada.

José Sócrates pôs-se a jeito, utilizou o Parlamento e o palco do Congresso do PS para aproveitar e dizer o que lhe convinha para desacreditar e criar animosidade contra a TVI.

Agora que tudo aconteceu como ele verdadeiramente desejava, queixa-se e arma-se em vítima. Em grande vítima.

Os portugueses são todos parvos. Devem ser.

Para trás ficam os vários processos a jornalistas e recadinhos que ele foi dando a vários redacções de jornais e rádio (Publico, RR ...) de cada vez que publicavam alguma coisa que ele não gostava. A TVI noticiou factos, não inventou nada, tal como o Jornal Publico e RR não inventou as habilitações de engenheiro ao domingo do sr. Sócrates.

SÓCRATES E A TVI

Até parece que José Eduardo Moniz estava a prever.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

«JORNAL NACIONAL DE SEXTA», e MANUELA MOURA GUEDES

Vigília pela Liberdade de Imprensa


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Quem puder, participe na Vigília pela Liberdade de Imprensa, amanhã, sexta-feira, 4-9-2009, pelas 20 horas, em frente à TVI, na Rua Mário Castelhano, n.º 40, Queluz de Baixo.
E divulgue a inicitiva nos blogues, redes sociais e mail.

DOSSIÊ SÓCRATES: O ATRIBULADO PERCURSO ACADÉMICO DE QUEM SE TORNOU ENGENHEIRO DE UM DOMINGO PARA O OUTRO

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Um documento oportuno de António Balbino Caldeira

do blogue: doportugalprofundo

PARABÉNS ANTÓNIO


Para download gratuito: clique aqui, grave o ficheiro e só depois abra*..
Para comprar o livro impresso: clique aqui.
Com factos novos e documentos inéditos descobertos, publico em livro "O Dossiê Sócrates".
Este livro contém o revisto trabalho de investigação publicado no blogue Do Portugal Profundo sobre o percurso académico do primeiro-ministro José Sócrates - e ainda uma introdução sobre o contexto da investigação e um epílogo onde são revelados factos e documentos novos (não publicados no blogue), entretanto destapados. São ao todo 405 páginas, das quais 251 correspondem aos posts revistos publicados no blogue e o resto a material novo.
Trata-se de um trabalho que comecei após o período de nojo do inquérito judicial aberto por queixa do "primeiro-ministro enquanto tal e cidadão" José Sócrates, que terminou em Janeiro de 2008, como se sabe, com o arquivamento da queixa e a não apresentação, pelo queixoso, de acusação particular contra mim. Reuni os posts que publiquei sobre o caso e, pacientemente, fui explorando novos caminhos de pesquisa para descobrir e esclarecer novos factos, que me pareceram ser importantes do conhecimento público, sobre o percurso académico (que constitui vida pública) do primeiro-ministro de Portugal.
Por ser importante, revelo abaixo a saga da publicação de mais um livro proibido e a necessidade de recurso à publicação nos EUA (na Lulu.com) para vencer os bloqueios da publicação em Portugal.
Comunicado ao o grupo editorial Leya o meu propósito de edição do livro, recebi no próprio dia a manifestação do interesse na publicação. Apresentei o conjunto de posts que compôem a II Parte do livro e o interesse da editora manteve-se - e cresceu quando depois entreguei a I Parte (a Introdução) na qual contava o contexto da pesquisa e as vicissitudes do afrontamento do poder quase-ditatorial do Governo. Paralelamente, trabalhei ao longo de meses no desenvolvimento do livro, e investigando os novos factos. Até que, em 27 de Fevereiro de 2009, entreguei à Leya uma versão preliminar da III Parte (a Conclusão) do livro, com a descrição de alguns factos novos e a interpretação de documentos inéditos. A insistência constante da editora para que eu terminasse o livro foi substituída por um silêncio absoluto: nem mais um pio. Nunca mais se atendeu o telefone, nem se respondeu aos mails, nem às mensagens. Nem, estranhamente, sequer se correspondeu ao pedido legítimo e formal de devolução do material entregue. Nada.
Contactei outras editoras, mas também não tive êxito na edição do livro. Uma delas - aparentemente insuspeita... - nem sequer respondeu ao mail que lhe enviei. E outra também recusou. Finalmente, já no final de Julho de 2009, uma editora mostrou-se interessada, oferecendo-me a possibilidade de colocar o livro para download pago e eu fazer o co-financiamento da edição impressa (co-financiamento que se destinava a prevenir o risco do bloqueio da distribuição e venda em prazo útil). Alguém, do meio, explicou-me depois a dificuldade e receio de, no Portugal socratino, uma distribuidora fornecer, e as cadeias de livrarias e superfícies comerciais exporem e porem à venda, um livro intitulado... "O Dossiê Sócrates"...
Frustrada a tentativa de edição tradicional em tempo útil, sem meios para o co-financiamento da edição impressa, sem interesse numa versão digital paga, e sem a difusão natural e distribuição corrente nos pontos de venda, decidi contornar o obstáculo da edição, distribuição, exposição e venda, com a publicação integral gratuita do livro em linha e a possibilidade de compra para os leitores que queiram ler e ter o livro impresso.
O valor de compra do livro impresso cobre apenas o custo da edição, e com os portes, não é superior ao preço de edições similiares no mercado. Escolhi propositadamente um tamanho de papel mais longo, o qual permite um custo baixo (14,95 euros). Podia cobrar também pela edição digital; porém como o meu objectivo não é económico, mas político, o livro fica disponível para o download gratuito dos leitores. As duas modalidades estão disponíveis na Lulu.com. Creio que a alternativa que escolhi responde à máxima difusão possível e conveniência dos leitores.
Recomendo aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...
O livro, como explico na Introdução, é o produto do trabalho desinteresseiro de muitos cidadãos que colaboraram na investigação e apoiaram o esforço e ousadia. Estou obrigado a todos os que ajudaram nesta missão e contribuiram para este projecto. Portugal vale bem os nossos riscos. Deus vos abençoe.
* Se não gravar o ficheiro após o download, a sua abertura pode ser mais difícil. Por isso, primeiro grave o ficheiro no seu computador e só depois abra o ficheiro para o ler. Por condcionamento da Lulu.com, a versão digital deste livro é igual à versão em papel.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

A FALTA DE DELICADEZA PARA COM OS PROFESSORES ...

Talvez Sócrates ache que os professores sejam TODOS PARVOS.
Sócrates é um MENTIROSO e a Maria de Lurdes tem um bom professor
Estes vídeos não enganam.
Deviam era ter VERGONHA NAQUELAS CARAS.

Ministra admitiu problemas de comunicação com professores mas nega críticas ao seu trabalho e
Sócrates admitiu que, da parte do Governo, "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores"

"Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores" - disse o ALDRABÃO!




APITO DOURADO

Clique em cima para aumentar a imagem
As coisas que nós vamos (entretanto) sabendo melhor. (Semanário Privado de 26.08.2009)
No carrossel da corrupções, andavam todos os árbitros.
Pinto da Costa sabia muito bem QUEM escolhia, POR QUE escolhia, QUANDO escolhia e, COMO escolhia.
E no final, toda a gente sabe como as coisas se faziam e aconteciam, os telefonemas EXISTIRAM, DE FACTO, mas ... NÃO ACONTECEU NADA.
Como não acontecerá nos processs Casa Pia e Freeport.
A justiça portuguesa ao melhor nível.
A JUSTIÇA DOS RICOS !!

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

AGORA? AGORA É TARDE !!!

Mas porque não se cala este homem? Acho piada.
Mas então este senhor pensa que os professores têm todos uma memória curta?
Se diz que vai melhorar, Porquê que não melhorou quando teve oportunidade para isso?
Porquê que quando falava dos professores, falava sempre com ÓDIO, com DESPREZO e com MENTIRA, referindo várias vezes que os professores NÃO ERA AVALIADOS, sabendo ele que estava a MENTIR com o objectivo único de lançar a população CONTRA os portugueses, que foi assim que a ministra sempre governou: CONTRA OS PORTUGUESES.
De nada lhe vale agora vir com falinhas mansas, armar em Madalena arrependida, lançando os maiores elogios aos professores quando se trata de elogiar as estatísticas do "sucesso escolar"
NÃO, NÃO E NÃO.
Comigo vais de carrinho, NÃO ME ENGANAS.
Sócrates que esclareça lá melhor as suas habilitações e a forma como se "licenciou", as falsificações na Assembleia da Republica, os projectos das casas na Guarda, os offshores das casas dele e da mãe, o Freeport ... Etc.!!
Não dá para acreditar naquilo que ontem os portugueses ouviram da boca deste MENTIROSO sobre os professores. Nem queria acreditar:

"Acredito que exista crispação" e "um sentimento especial em relação às medidas que o Governo tomou", mas "farei tudo o que puder e o que estiver ao meu alcance para que esse ambiente não subsista".

Sócrates admitiu que a sua personalidade tenha contribuído igualmente para o ambiente de crispação. "Não posso pôr isso de parte, mas não gostaria que isso acontecesse. Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores",

Sou professor, felizmente ainda tenho memória e não acredito que os restantes docentes que verdadeiramente estiveram na defesa da escola pública não estejam atentos. Saberão dar a devida resposta a todo este chorrilho de mentiras, hipocrisias e falsidades.

Estamos FARTOS DE OUVIR MÚSICA !!!


sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

PERMUTA DE PROFESSORES

Por solicitação de uma colega deixo aqui o seguinte pedido:

"Sou de Aveiro e fui colocada em Alpiarça (Santarém) na Escola EB 2/3 S José Relvas no grupo 620 de Educação Física. Pretendo fazer permuta com colega que tenha sido colocado(a) em Aveiro, Coimbra, Pombal ou em qualquer outra escola em concelhos na linha de combóio até ao Porto e pretenda ir para a zona de Santarém"

Resposta para este "post" ou tlm 934252263

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

CAROLINA PATRÍCIO - MANDATÁRIA DA JUVENTUDE DO PS

A Staples adoptou para campaha do seu "Regresso às aulas" a figurinha de uma batoteira assumida. Uma figurinha que prefere fazer batora a perder e, só come cerejas se for a empregada a tirar-lhe os caroços. (Correio da Manhã de 24.08.2009)
Carolina Patrocínio escolheu o partido certo.
Com esta vocação para a batota, terá certamente um futuro político muito promissor.




COMUNICADO DE JOSÉ SÓCRATES

MUITO IMPORTANTE:

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro

Faz o Governo saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.
.

domingo, 9 de Agosto de 2009

FÉRIAS DOS POLÍTICOS

Clicar em cima da imagem para a aumentar
Entretanto ... também entrei de férias!

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

O SPORTING E OS CROMOS DA TVI COM AZIA!

Jogámos 94 minutos contra os locutores da TVI e ... GANHÁMOS. Rui Patrício com a cabeçada de Jesus, calou 6 milhões de portugueses


domingo, 2 de Agosto de 2009

SÓCRATES SEM VERGONHA

O antes e o depois de ser primeiro ministro
A cara de um é o cú do outro!

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

ESTÁ PARA NASCER UM PRIMEIRO MINISTRO MAIS MENTIROSO"

E também ainda "está para nascer um primeiro ministro que se tenha ´licenciado`a um domingo, por FAX e entre amigos".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que não tenha na Assembleia da República uma ficha biográfica a dizer que é engenheiro civil e licenciado e outra a dizer que não passa de um "bach" em engenharia".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que diga que assinou mas que verdadeiramente não projectou casas e currais".

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

HISTÓRIA DE AVEIRO - SINTESES E PERSPECTIVAS


Na próxima sexta-feira, dia 17 de Julho, pelas 18.30 horas, no plenário do edifício da Antiga Capitania, será lançado o Livro “História de Aveiro – Sínteses e Perspectivas”, coordenado por Amaro Neves e Delfim Bismarck Ferreira.

No âmbito das comemorações do 250.º aniversário da elevação de Aveiro à categoria de Cidade, a presente obra pretende reunir num volume os mais recentes trabalhos de investigação produzidos por aveirógrafos, ou seja, por autores que se dedicam ao estudo dos mais diversos aspectos relacionados com o passado e evolução de Aveiro.

Este desafio, difícil de materializar, só foi possível graças à participação de cerca de duas dezenas de autores, constituindo-se, assim, a História de Aveiro - Sínteses e Perspectivas, onde o leitor poderá vislumbrar uma “viagem” por muitos dos aspectos marcantes da evolução de Aveiro, da sua Geologia e Geografia ao Turismo, passando pela Arqueologia, História, Arte, Heráldica e Património.

Em suma, uma síntese desde as suas mais remotas origens até à contemporaneidade, abordando os seus mais distintos aspectos e principais actividades artísticas, económicas e sociais.

Naturalmente, uma obra deste género não pode abarcar todo o passado de uma comunidade, constituído certamente de grandes momentos de glória mas também de longos períodos de sofrimento, ao longo de milhares de anos de existência.

Os Autores das investigações são:

Amaro Neves; Ana Clara Correia; Armando Teixeira Carneiro; Artur Jorge Almeida; Clara Sarmento; Delfim Bismarck Ferreira; Énio Semedo; Fernando L. Ladeira; Francisco Messias Trindade Ferreira; Francisco Teixeira Homem; Hugo Calão; Inês Amorim; João Gonçalves Gaspar; Luís M. Ferreira Gomes; Manuel Barreira; Manuel Fernandes Thomaz; Paulo Morgado; Rosa Maria Oliveira; Saul António Gomes e Sónia Filipe.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

MAGALHÃES? MELHOR AINDA ...

Eu também tive um Salazagalhães

CONTOS PROIBIDOS, de RUI MATEUS

Um livro que desapareceu do mercado

PODE-SE FAZER AQUI O DOWNLOAD DO LIVRO.

E TEM DE SER RÁPIDO, ANTES QUE O TIREM. EU JÁ O GUARDEI, POIS É MUIIITO LONGO E TEM FOTOS ...TUDO BONS RAPAZES.

Dizem que a Fundação Mário Soares comprou os exemplares quase todos. mas aí está a verdade nua e crua escrita por uma pessoa muito próxima de Mário Soares - o seu conselheiro e amigo RUI MATEUS

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

CONCURSO DE PROFESSORES 2009/2010 - A GRANDE FARSA !

Confirmam-se resultados que são dos piores de sempre: Mais de 99% dos candidatos não entrou nos quadros

Numa profunda e inaceitável manifestação de desrespeito pelos professores, o Ministério da Educação, em vez de tornar públicas as listas de colocação dos docentes, para 2009/2010, decidiu, antes, manipular os números para fazer crer o que não é verdade, pois a verdade, usando os números que o ME hoje mesmo tornou públicos, é que:
- 99% dos docentes que concorreram para ingressar em quadro não o conseguiram (apenas entraram 417 dos cerca de 50.000 candidatos que apresentaram 65.464 candidaturas – menos de 1%);
- 11.836 docentes que já pertencem aos quadros (40,9% do total de docentes dos QZP) não obtiveram colocação no novo quadro criado (Quadro de Agrupamento).

Perante estes números, pode dizer-se que este é um dos piores concursos de sempre, o que só consegue ser disfarçado pela manipulação de números, a um ponto que é de todo inaceitável. Por exemplo, nos quadros que o ME divulga no seu site, é indicado que entre Quadros de Agrupamento e de Escola, a relação vagas positivas / vagas negativas é a seguinte:

2005 – 4.430 / 7.358;
2006 – 6.303 / 5.969;
2009 – 20.896 / 2.660.

Ora bem, estamos perante uma grosseira manipulação de números, com o intuito de enganar a opinião pública.

De facto, se o ME considera todas as vagas abertas para os novos Quadros de Agrupamento, que vieram substituir os QZP (que incluíam 28.926 docentes), não pode apenas considerar como negativas as do Quadro de Escola (as 2.660 referidas), mas acrescentar-lhe as que faziam parte do quadro que se extingue – o QZP – e essas são, segundo o Ministério, 28.926.

Isto é, no cômputo global, não há 18.236 vagas positivas este ano, mas, se a este número, forem subtraídas, também, as 28.926 que correspondem a docentes dos QZP que foram obrigados a concorrer para o Quadro de Agrupamento, e nele deveriam ser colocados, então o saldo é negativo, correspondendo a 10.690 vagas a menos.
Não se compreende, também, como pode o ME afirmar que, numa segunda fase, serão colocados mais 38.000 docentes dos QZP e contratados, quando as escolas ainda não fizeram o levantamento de necessidades após esta primeira fase de colocação. O que há são cerca de 38.000 docentes por colocar, entre QZP’s e contratados de primeira prioridade, e outros tantos que são identificados pelo ME como “Outros candidatos”.

Após uma análise mais detalhada das listas definitivas, pronunciar-se-á de forma ainda mais precisa, analisando a situação grupo a grupo, mas denuncia, desde já, a manipulação que o ME pretende fazer dos números e reafirma que estamos perante o concurso mais negativo dos últimos anos, que fará crescer, como nunca, as situações de instabilidade para docentes dos quadros e remeterá para o desemprego muitos milhares de docentes que aguardavam o ingresso em quadro ou, pelo menos, uma contratação.

Nota final: Numa primeira observação, verifica-se que a maior parte dos docentes que ingressou em quadro são dos grupos 350 (Espanhol) e 550 (Informática). Na Educação Pré-Escolar, no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no grupo 910 da Educação Especial ou na generalidade dos grupos do 2.º Ciclo não houve qualquer colocação que correspondesse a entrada em quadro.

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

É UM BENFIQUISTA NORMAL !


O Senhor da fotografia acerca de CR9:

"Ele sai do melhor clube do mundo em Inglaterra, e do meu clube em Inglaterra, para o melhor clube do mundo em Espanha, e toda a gente sabe que em Espanha o meu clube é o Real Madrid.."

in A Bola, 06/07/2009, pg 4, 4ª e 5ª colunas

Há com cada cromo ...

domingo, 5 de Julho de 2009

SIADAP - DO OPORTUNISMO À POUCA VERGONHA

Grupo de Trabalho para a revisão do sistema integrado de avaliação de desempenho da Administração Pública (SIADAP)
  • Dr. Carlos Joaquim Pedro Fernandes, que preside, funcionário já aposentado no ano de 2006 - remuneração total pela realização do SIADAP de 14.400 € + reforma de 4.800 € + …….;
  • Prof. Doutor Luís Augusto de Carvalho Rodrigues, funcionário aposentado em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Maria do Rosário Pablo da Silva Torres, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Maria Joana Bento da Silva Santos, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Ana Paula Vicência dos Santos Francisco, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;
  • Dr.a Elda Maria Correia Guerreiro Morais, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma.

Estes são aqueles fizeram o SIADAP e que como já sabiam as consequências negativas da sua implementação, foram para a Reforma (alguns deles até já eram pensionistas da CGA e outros já estavam a pensar nisso em 2006), e agora riem-se à tua custa por seres avaliado(a) pela porcaria deste modelo que inventaram e lucraram …

Formação do grupo de trabalho

e ... passado um ano ... a reforma!

Remunerações do grupo de trabalho

SÓCRATES - MILITANTE DO PPD

Mentiras e cambalhotas ... é um artista português!
Palavras para quê?

A NOVA FAMÍLIA PORTUGUESA


LAMENTÁVEL PAR DE CORNOS

O país que temos é este, não nos podemos lamentar.
Este bom par de cornos (qual chifres? qual corninhos?) é o espelho do à vontade com que o governo passeia a sua arrogância e a sua altivez. A superioridade dos ministros e principalmente do primeiro ministro. Aquele que mais mente e fica com a mesma cara de aldrabão como se nada tivesse dito. Só o nariz lhe cresce!
Mas, desta vez correu mal.
... já era demais.

sábado, 4 de Julho de 2009

A HISTÓRIA DO SOCIALISMO


A IRONIA DE UMA CARTA AO CONSELHO PEDAGÓGICO


Ao Conselho Pedagógico

Ser-se avaliado em Professor Excelente não é a mesma coisa que ser-se um excelente professor.
E não é fácil, um professor ser avaliado em EXCELENTE!
É difícil, muito difícil mesmo e, numa escala de valores, ser EXCELENTE é ainda mais do que ser-se MUITO BOM. Eu disse mesmo M-U-I-T-O–B-O-M; não disse BOM.
Ser-se portanto EXCELENTE é o mesmo que ser-se perfeito, distinto, notável, admirável, brilhante, magnífico, óptimo. São sinónimos que o qualificam extraordinariamente, que o qualificam como O MELHOR de entre aqueles que já são MUITO BONS.

Tal como o Ministério preconiza, os professores titulares têm obrigação de ter as maiores responsabilidades nas escolas porque os considera melhores que os outros; então, também deve caber aos professores EXCELENTES serem os mais responsáveis em todo o processo ensino/ aprendizagem e em todas as funções e tarefas do contexto escolar.
E se um professor titular, de acordo com o ministério, já é do melhor que existe numa escola, então, um professor Titular Excelente é muito mais! Além de distinto, perfeito, admirável, notável, brilhante, magnífico e óptimo, ainda tem mais um atributo: ser TITULAR. Este título não é para muitos!

E, mesmo, ser-se apenas EXCELENTE já haverá poucos, muito poucos!

Posto isto, gostaria de propor para análise aos colegas deste Conselho Pedagógico o seguinte: aos professores que, nesta fase, forem avaliados em EXCELENTE, sejam eles titulares ou não, deverão, a partir do próximo ano lectivo, leccionar as turmas mais «difíceis» da escola, bem como direcções de turma e cursos que só eles, pelas suas reconhecidas qualidades evidenciadas neste rigoroso processo que tem sido a avaliação de desempenho docente, serão capazes de resolver ou minimizar problemas da melhor forma, contribuindo, assim, para que a escola seja também melhor.

O rigor desta avaliação deu-lhes esse direito. É por isso que vão ser beneficiados na pontuação para concursos, no concurso para titulares, em prémios pecuniários, … É por serem EXCELENTES, por serem os MELHORES DOS MELHORES, por serem perfeitos, distintos, notáveis, admiráveis, brilhantes, magníficos e óptimos que devem mostrar aos outros como se deve fazer.

Não é pois justo nem razoável que a escola deixe escapar este capital de conhecimentos mantendo os restantes professores com turmas difíceis e funções e tarefas complicadas, aparentemente bons professores, é verdade, mas incapazes de evidenciar os dotes que, em rigor, os professores EXCELENTES foram capazes de demonstrar nesta avaliação criteriosa dirigida ao desempenho de cada docente.

Certo da melhor atenção dos colegas e consciente da importância desta análise, solicito que, após reflexão devida, esta proposta baixe aos Departamentos e deles seja considerado o conjunto de opiniões formuladas.

Francisco Teixeira Homem, professor titular

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (1)

“O que é importante é a história. Porque quando todos nós formos pó,- dentes e pedaços de pele- quando estivermos a dançar com os nossos próprios esqueletos- as nossas palavras poderão ser tudo o que restará de nós.” Alexandra Fuller em Scribbling the Cat-Travels with an african soldier.London 2005 Picador. (edição em inglês)

Em um ensaio anterior estabelecemos a diferença entre colonialismo e colonização. E exumámos os esqueletos do colonialismo. Agora vamos analisar os esqueletos da colonização: não estão em armários, como os do colonialismo, mas espalham-se por toda a Angola, sob o olhar desconsolado dos angolanos que sonharam sempre com uma melhoria que, infelizmente, tarda em aparecer. Por que perdeu Angola, em três dezenas de anos, todo um património em que se empenharam milhares de pessoas?
Ressalvando alguns aspectos negativos dos colonos, abordados em anteriores artigo(Os ossos do colonialismo) (A utopia de um novo Brasil em África), a colonização dos portugueses foi positiva, decorridos mais de 30 anos sobre o seu fim, com a poeira histórica já muito assente. Sobre os colonos, em uma manobra hábil da descolonização feita pelos militares portugueses , foram descarregados todos os anátemas do colonialismo. Mas este foi idealizado, normatizado e dirigido, sempre, sem um minuto de descanso, por Lisboa. Para os colonos foi descarregado o fardo desse colonialismo oco e antiquado, totalmente gizado e dirigido por Lisboa, embora eles não saiam isentos de culpa, por terem mantido uma passividade colaborante e de se terem aproveitado de leis injustas, especialmente as referentes ao trabalho compelido. Infelizmente o hábito de injustiças acaba por legitimizá-las, mas só para os que delas usufruem. Os colonos construíam, os oligarcas obstruíam, estes mentiam, aqueles acreditavam.
Foi o exército português, pela força das armas, que instituiu a soberania portuguesa em Angola. E ele viu-se obrigado a fazê-lo, pressionado por outros países europeus, sob a ameaça de “ se não queres, avanço eu”. À medida que as regiões iam sendo subjugadas, o exército consolidava a autoridade através do capitão-mor, sargentos que aceitavam permanecer em Angola. Cumpria-se, assim, o principal mandamento da Conferência de Berlim (1885): a ocupação efectiva. Mas militar, apenas. A ocupação civil só se efectivaria especialmente a partir de 1920.
Em 12 de Outubro de 1920 o major Norton de Matos tomou posse em Lisboa do cargo de Alto-Comissário de Angola. Este oficial de engenharia já tinha estado em Angola, em 1912, como Governador Geral. Esta posse foi o dealbar de uma nova era, que apelidámos de O Grande Salto, porque Norton de Matos, neste segundo governadorado, imprimiu uma tal dinâmica que transformou Angola de feitoria em colónia. A sua posse desencadeou uma onda de entusiástica emigração para Angola.
O capitão-mor que era a autoridade em uma região, logo que estivesse pacificada, deixou má fama em Angola, onde ficou conhecido quer pela violência de que se cercava, quer pelas extorsões que praticava. Norton de Matos, em 1921, acabou com esta predominância militar e instituiu o Quadro Administrativo Civil que perdurou até à independência.
O Quadro Administrativo Civil foi preenchido com pessoal formado na Escola Superior Colonial, sediada em Lisboa e por angolanos escolhidos por concursos públicos. Houve uma substancial melhoria nas relações humanas, pese embora alguns episódios desagradáveis.
Os maiores pecados do Quadro Administrativo foram o de ter colaborado com o negócio dos contratados, e o de ter exorbitado, algumas vezes, na autoridade. O contrato foi uma maneira hábil que o governo de Lisboa encontrou para se continuar a utilizar a mão de obra barata, uma atenuada reminiscência da escravidão. Dela beneficiava a oligarquia de Lisboa (detentora das grandes fazendas e de inúmeros privilégios e monopólios), mas o ónus recaía sobre os administrativos e sobre os colonos. Eram os administrativos que tinham que cumprir as ordens absurdas e iníquas, era sobre eles que recaíam todas as acrimónias das injustiças praticadas. Mas as mais valias económicas e financeiras deste mau proceder ficavam para os oligas. Que nunca deram a cara. Até na independência ficaram “assobiando para o lado”.
A parte pior do contrato sobrou para o Chefe do Posto. Dizia-se que alguns recebiam comissão por cada “contratado” que conseguissem arranjar para S.Tomé, para as fazendas do litoral de Angola, para as fazendas de café no sub-planalto, ou para as pescarias. Os donos da maioria das fazendas viviam em Lisboa, em um execrável absentismo mas com um total poder de decisão.
Corria por Angola a fama de que os administrativos da Baixa de Cassanje e da Lunda recebiam um segundo salário pago pelas ANG`s Cotonang e Diamang. Mas a figura principal, em todo este negócio, era o angariador de pessoal, detestado pela população, já por estar a esvaziar demograficamente a região,o que prejudicava a produção e consequente comércio no interior, já pelo tipo de transacção, já por alardear fartura de dinheiro aliás uma pecha típica dos portugueses quando ganham dinheiro fácil.
Como se pode classificar a actuação do Quadro Administrativo, sem cair em excessos de linguagem ou em maniqueísmos? Depois de 1974, em Portugal, não se procura a verdade, ou melhor, as verdades. Apenas o que é politicamente correcto e que não vá pôr em xeque “as conquistas do 25 de Abril”.Para ocultar o passado nada como manter, através de uma imprensa controlada e ignorante, as consagradas “verdades” definitivas e oficiais.
Angola começou a pulsar como nação, infelizmente governada superior e politicamente por um absentismo colonialista, a partir de 1920, no início do segundo consulado de Norton de Matos, com a instituição do Quadro Administrativo. Foram eles, os Administradores, os Secretários e os Chefes do Posto (estes designados, a partir de 1961, por Administradores de Posto), que instituiram o poder em Angola, foram eles que desarmaram a população, foram eles que incentivaram a agricultura de subsistência, foram eles que garantiram a paz em Angola, um bem que lá não existia desde tempos imemoriais, Foram eles que estabeleceram as fronteiras nacionais e entre províncias, foram eles que dirigiram a construção das primeiras estradas, foram eles que garantiram a circulação de pessoas e bens, por todo o país, foram eles que apoiaram fortemente as acções tendentes a erradicar ou atenuar as seculares doenças , foram eles que incentivaram e protegeram a agricultura tradicional, punindo extorsões ou roubos,foram eles que tornaram possível o entendimento entre povos diferentes.
Infelizmente houve injustiças e até alguns actos de brutalidade, que se repercutiriam até aos dias da independência, e que ficaram com o maior peso, porque foram aproveitados para as sementes da discórdia e separação. As poucas acções negativas do Quadro Administrativo, de muito menor volume do que as acções positivas, ficaram com muito maior peso para a posteridade. E para a história recente. Terão que passar muitas décadas até se reconhecer, também, o papel positivo dos administrativos. A actual Angola, nação consolidada una e próspera, não teria sido possível sem o braço vigoroso do Quadro Administrativo nos seus primórdios.
Em mais de meio século, porque a colonização só começou na década de 20, os colonos conseguiram implantar e transformar Angola nos seguintes pontos:
1.-População sem armas e portanto sem violência. Um latrocínio (assassinato para roubar) era severamente punido. Instalou-se um clima de paz e de trabalho, visíveis em poucos anos: a colónia passou a ter desafogo económico ou, para ser mais moderno nas palavras, adquiriu uma situação de sustentabilidade. A fome, com presença constante em séculos anteriores, passou a ser apenas uma má recordação.
2.-Erradicação das terríveis doenças que faziam de Angola uma das piores regiões do mundo. Há historiadores modernos que apoucam o incontestável sucesso da supressão das doenças mortíferas argumentando que”fizeram isso porque queriam trabalhadores sãos para as roças e fazendas”. É provável que isso tenha passado pela cabeça de algum governante alinhado com alguns africanistas de Lisboa. Mas o espírito em Angola, nos médicos, nos enfermeiros e em todas as pessoas que contribuiram para o enorme sucesso da erradicação de quase todas as doenças tropicais, e não só, nunca foi esse. O objectivo dos agentes de saúde em Angola, e eu conheci muitos e muitos, nunca foi o de “contribuir para a saúde dos trabalhadores das fazendas”. Foi unicamente o de orgulho profissional, de competência,de brio de generosidade e de honradez. Ninguém gosta de viver em uma terra cercado de doenças e miséria. Ninguém gosta de viajar “com os vidros fechados” numa terra de calor.
O quadro de saúde em Angola deixou um rasto de sucessos devido à abnegação, ao entusiasmo e altruísmo dos seus elementos. Podemos aqui citar grandes médicos, não só no sentido académico, mas especialmente no sentido humano. O Dr.João Pessoa, que morreu quase na miséria em Nova Lisboa, o Dr. Pinto da Fonseca, que mesmo canceroso, continuou a dirigir as brigadas da “Doença do Sono”, o Dr.Garcez Palha que gostava da profissão e que não tinha horários, o Dr.Ricou empenhado em erradicar a lepra,o dr.Strangway da Chissamba, os drs Parsons, pai e filho da Missão do Bongo etc. E, também, grandes enfermeiros, “verdadeiros médicos” quando não os havia nos bicanjos longínquos (interior), que chegaram a fazer milagres. Eles actuavam, porque gostavam da profissão, eram competentes e ambicionavam melhorar o terrível quadro clínico que existia em Angola. E conseguiram-no. Conheci enfermeiros que se deslocavam de bicicleta pessoal, paga do seu bolso, em percursos longos e difíceis, só para vacinarem populações isoladas.
3.-Um orçamento geral equilibrado, em que tudo era pago dentro dos prazos e não havia lugar para desvios de dinheiro e, muito menos, para falcatruas. Todos pagavam os impostos justos em tempo devido. Havia uma confiabilidade mútua nos negócios.
4.-Um sistema de produção e comercialização de alimentos, que tornaram o país auto sustentado. Os excedentes, cada vez maiores, eram exportados. Produção quase toda feita pelos africanos. Em todos os pontos de Angola encontravam-se os artigos de primeira necessidade, baratos e cujos preços não sofriam inflação: pão, peixe seco e em conserva, enlatados de peixe e carne, farinhas de bombó e milho, sal, azeite dem-dem, feijão, fósforos, petróleo, sabão, tintura de iodo, tintura de mercuro-cromo, creolina, resoquina e outros anti-palúdicos, aspirina, sulfamidas, bananas, cambriquites (cobertores), D.D.T. (chamado pó mata-piolhos) etc. E não eram provenientes de doações de países estrangeiros. Eram produzidos em Angola e adquiridos através do trabalho honrado dos angolanos.
Nenhum angolano estava à espera de receber doações.Nas transacções comerciais não havia intermediários ( comissários ou parceiros) parasitas. O sistema de produção de alimentos foi instituido por Norton de Matos, governador geral de Angola em 1912/1914. O país produzia em 1973 mais de 40 artigos comerciáveis, quase todos produzidos pelos camponeses africanos, ostentando uma balança comercial invejável ou, usando novamente os jargões de hoje, uma economia sustentável. Infelizmente o colonialismo metropolitano aproveitou-se das divisas relativas às exportações e mantinha os africanos, por regra, sob salários vergonhosamente baixos.
Durante a guerra de 1939-1945 houve casos escandalosos de apropriação das divisas de Angola feitas pelos colonialistas da Metrópole. Estes chegavam a ter lucros escandalosos até nos próprios transportes marítimos monopolisados! As tarifas nos barcos belgas, franceses e ingleses eram mais baratas do que nos transportes portugueses. Mas era obrigatória a utilização destes últimos!
A agricultura em Angola era difícil devida a vários factores: solos pobres, facilmente erosionáveis, pragas violentas especialmente quando se agricultavam grandes áreas contínuas, transportes deficientes, escasso poder de compra por ausência de moeda-uma manobra cavilosa dos governos de Lisboa- , ausência de crédito agrícola, doenças no pouco gado de tracção, etc.
Os solos eram pouco férteis, mas qual a explicação para o facto de a produção nativa encher todos os silos, ao longo das ferrovias e também ao longo das estradas ? A resposta tem várias componentes. Era essencialmente, uma agricultura de subsistência, tradicional, sustentável, itinerante, apoiada pelos orgâos oficiais, financiada pelos comerciantes ( com todos os atropelos que lhes são, a maioria das vezes sem razão, imputados), supervisionada pelas autoridades. Fazia-se dentro de uma economia fora de todos os parâmetros ocidentais ( capital, juros, taxa de retorno, amortizações etc. ), era uma agricultura livre ( uma das poucas liberdades que os camponeses angolanos usufruiram). O sucesso da produção nativa apoiava-se em cinco cês: camponeses, comerciantes, chefes do posto, camionistas e capatazes agrícolas dos serviços oficiais.
Era uma agricultura de subsistência porque garantia aos camponeses as condições mínimas de alimentação e aquisição de bens primários. As fubas de mandioca e milho, o feijão, a batata doce, o arroz, juntamente com peixe seco do litoral ( muito barato) ou alguma carne que compravam ,ou obtinham da caça, complementados com azeite de palma, eram a base da alimentaçã. O excedente era trocado por comida (o pão era vulgar) roupa e outros artigos, nas lojas dos comerciantes do mato ou na cidade, se estivessem próximas. As sementes eram distribuídas pelos orgãos oficiais, Junta dos Cereais ou Serviços de Agricultura e Florestas que também ofereciam ajuda técnica. Eram os únicos subsídios do Estado, mas não eram em dinheiro. Nada de subsídios!
As sementes recebiam um corante, que os orgãos que as distribuíam diziam ser venenoso, a fim de evitar que fossem utilizadas na alimentação. Os serviços oficiais faziam qualquer desinfecção, se fossse necessário, e combatiam as pragas muito frequentes. Muitas vezes os comerciantes vendiam sementes, às vezes ofereciam-nas, e comprometiam-se a comprar as produções, foi assim que se difundiram, rapidamente, culturas de outros géneros. Géneros exóticos como por exemplo os morangos (aos milhares) grão de bico, produtos hortícolas, até espargos, frutas de clima temperado, etc.

Fig1 - Silos de milho na Caála. Esta cidade de invulgar vigor económico, apesar de não ser capital de distrito e situar-se muito próximo de Nova Lisboa (Huambo), era conhecida pelo epíteto de “Rainha do milho”.Um engenheiro húngaro, que conheci no Brasil, e que tinha trabalhado em Angola logo após a independência, perguntou-me, espantado, se os silos que bordejavam as estações do Caminho de Ferro de Benguela eram só para propaganda ( influência do regime comunista que vigorou na Hungria e que ele abominava do mais fundo da sua alma! ), ou se realmente ficavam repletos. Eu confirmei: ficavam repletos e nos lados restavam milhares de sacos, por excesso de produção. Era necessário construirem-se mais silos. Então, por que é que os europeus não tinham sucesso com a agricultura ? O húngaro baseava-se nos, já evidentes, insucessos dos cooperantes estrangeiros ao pretenderem implantar uma agricultura soviética. Estes cooperantes agrícolas estavam convencidos de que os solos negros de Angola eram “ Tchernozions”. Estes solos, que existem na Ucrânia, são os mais ricos do mundo.Os africanos tinham sucesso porque acumulavam séculos de experiência, uma sabedoria empírica que funcionava.

Como escreveu Isabel Castro (115) «... comerciantes, esses intermediários que dão valor ao que se produz, qualquer que seja a natureza dos bens propostos».
A propósito, o insuspeito geógrafo santomense, já falecido, Francisco Tenreiro, em 1962 escreveu, citado por Orlando Ribeiro(182) «Certamente como colono lançado pelo interior das savanas e anharas o português trouxe, como portador de civilização em expansão, muita perturbação às estruturas tradicionais nativas, o que sempre se dá quando lado a lado estão culturas diferentes, mas também transplantou elementos que revigoraram as mesma estruturas no campo da vida material ou económica, sistemas e princípios revolucionários àquelas latitudes. O tudo traduziu-se num enriquecimento do património agrário pela introdução de plantas que, se indiscutivelmente não erradicaram por completo a fome congénita daquelas civilizações, a atenuaram consideravelmente: lembro-me do milho americano, da mandioca, da jinguba e tantos outros produtos presentes, hoje, por toda a parte, na dieta fundamental dos africanos negros; instrumentos agrários, nem sempre utilizados com sabedoria, mas que promovem, quando aplicados devidamente, uma melhoria dos rendimentos da terra, como o uso da charrua ou até simplesmente da enxada e pás de cabo comprido; estimulou a utilização dos estrumes transformando uma agricultura ausente de gado em sistemas agrários mistos, etc. A outro nível, levou uma religião ecuménica- o cristianismo-, um sentido de unidade política e uma língua veicular- e se todos estes elementos não se encontram ainda hoje profundamente radicados nas estruturas nativas, permitem, no entanto, num mundo diverso física e humanamente, um certo caminhar em comum, um certo sentido colectivo, acentuado ainda por um ensino rudimentar e por uma salubridade que começa a dar os seus frutos. Acrescente-se a isto uma forma de viver que tende para a harmonia entre os homens que, embora de quando em quando submetida a desvios perigosos, não deixou de constituir até hoje um revelação original. Em síntese: o corpo de Angola existe porque existem portugueses- pretos e brancos».
Era uma agricultura itinerante e tradicional porque, como já se apontou, os solos eram pouco férteis e frágeis. Mais de três anos de culturas tornavam o solo infértil e obrigavam a ir cultivar outras áreas virgens ou áreas com muitos anos de pousio. Isso explica a grande transitoriedade dos povoados nativos, um dos motivos por que as suas casas não eram de construção definitiva, que utiliza pedra, tijolo e outros materiais mais duráveis. Por isso a grande complexidade da questão fundiária em Angola, em que os terrenos pareciam que não eram de ninguém, mas que eram reclamados quando alguém os pretendia utilizar. Uma agricultura itinerante precisa de todas as terras, nunca se sabe onde se vai abrir “ uma lavra”.
Os africanos sabiam, por experiência secular, quando uma terra já podia receber culturas. Um outro motivo desta agricultura itinerante era o de não se poderem estrumar as terras, aumentando-lhes a fertilidade, devido à falta de transportes com gado cavalar, asinino e bovino.
Mesmo quando tinham gado bovino, que sobrevivia às doenças, não se aproveitavam os estrumes porque os bois não eram estabulados de acordo com as práticas agrícolas sequentes. E não havia tradição no manejo de gado de tracção, embora já muitos camponeses lidassem, e bem, com esta melhoria.
A economia da agricultura itinerante sai fora da percepção capitalista, e muito especialmente, da desastrada economia dirigida que vigorou no império soviético e que foi implantada em Angola nos primórdios da independência. O capitalismo arroga-se o direito de entender que, fora do âmbito da competição e do lucro, ninguém pode sobreviver. Esta economia africana não visava o lucro e muito menos tinha contabilidade, era um trabalho de formiguinhas laboriosas, que enchiam os silos grão a grão, pouco se importando com o rendimento por hectare, com o capital investido ( era só o trabalho manual), com a taxa de retorno, com a amortização e com toda uma parafernália de termos que conduzem, regra geral, a uma febre de subsídios e concomitante falência, que depois o estado subsidia, ou melhor, distribui dinheiro sem controle. Eu gostaria de ver um agricultor europeu, que vive apoiado no estado, a produzir cereais em Angola, sem subsídios directos (dinheiro), como faziam os angolanos.
E sobretudo era uma agricultura sustentada. Os camponeses africanos, ao contrário do que se pensava e escrevia durante os primeiros tempos da presença europeia, tinham tecnologia, experiência, bom senso e sensibilidade para os problemas agrícolas, como foi observado por Livingstone, Cameron, Serpa Pinto, Capelo, Ivens, Artur de Paiva, Henrique de Carvalho, Paiva Couceiro e, especialmente, Norton de Matos, nos fins do século 19 e princípios do século 20. E por muitos agrónomos, nos tempos seguintes, quando adquiriam experiência local.
Raramente eu vi um insucesso entre estes camponeses. Discretos, como formiguinhas, não exigiam subsídios, não contraíam empréstimos, não exigiam indemnizações quando a natureza era adversa, não faziam manifestações, não culpavam o estado pelos insucessos, mas enchiam os silos e aumentavam as produções de ano para ano. E ainda alguns africanistas comentavam que “eles não gostam de trabalhar”. Em produção de alimentos Angola ocupava um lugar de destaque em África. Produzia para comer e exportava os excedentes. Nos finais dos anos 60, antes do grande desenvolvimento que caracterizou o Tempo Extra (1961- 1974) a colónia produziu, para exportação, 87 217 toneladas de café robusta ( 15% da produção africana), 58 571 toneladas de sisal, 117 116 toneladas de milho, 13 004 toneladas de óleo de palma, 11 789 toneladas de feijão, 3 846 toneladas de arroz além de bananas, laranjas, abacaxi, batata, mandioca, batata doce e outros géneros, muitos e muito géneros, alguns bem exóticos. Em anexo( no livro) apresentam-se números de produção, em cotejo com a África tropical.São números que confirmam o que escrevemos.
Bastava apenas um comerciante do mato fornecer as sementes, e comprometer-se na compra, e os resultados apareciam. Os comerciantes do mato davam valor a tudo o que se produzisse. Compravam todos os géneros, alguns com pouco interesse. O Bié, por exemplo, era farto de morangos, fruta pinha, nêsperas, goiabas, mangas,bananas, citrinos e produtos hortícolas introduzidos pelos comerciantes do mato. Quando as estradas já estavam asfaltadas os camponeses vendiam frutas e produtos hortícolas ao longo das estradas, um interessante comércio que estava tendo um crescimento exponencial e que iria originar a instituição de futuras feiras tradicionais e, até, ao aparecimento de novas cidades.
Em Fevereiro de 1953 em conferência no Palácio da Bolsa no Porto Marcelo Caetano, um dos ideólogos das doutrinas coloniais e colonialistas, desenvolveu o tema “O nativo como produtor”. A respeito eis o que disseram os jornais:
“Enumerou os principais géneros cultivados uns para consumo, outros para exportação, e deteve-se no estudo das características da agricultura angolana feita em pequenas lavras dispersas, que mudam de ano para ano de lugar (cultura divagante) com muita técnica primitiva, quase sem alfaias, trabalhada sobretudo pelas mulheres emquanto os homens permanecem ociosos. Não admira, pois, que a agricultura africana produza relativamente pouco e de má qualidade.
Mas se o ruralato indígena prende muitos braços para atingir um resultado medíocre, não será preferível aproveitar antes os pretos como assalariados das empresas europeias ? O problema é muito complexo e não pode apenas atender-se ao seu aspecto económico. Mas, sem dúvida, uma parte da população indígena tem de participar na produção, fornecendo trabalhadores de conta doutrem, enquadrados por europeus.”
Antes de mais, uma observação ao termo divagante que caracteriza um acto sem rumo certo ou sem objectivos, mais ao sabor do acaso. Não era assim a agricultura tradicional dos africanos. Já mencionámos que era uma agricultura itinerante, que seguia um planeamento baseado na experiência. Os solos, especialmente os do planalto central, perdiam a sua pouca fertilidade ao fim de 3 ou 4 colheitas e havia necessidade de os deixar em pousio. Escolhiam-se outros locais e a faina agrícola lá prosseguia. Os rendimentos, segundo a óptica capitalista não eram bons, mas era com eles que Angola exportava milho e muitos outros géneros. Foi com a tal “divagante e com muita técnica primitiva” e “relativamente pouco e de má qualidade” que Portugal se alimentou de milho, feijão e açucar, principalmente, durante a segunda guerra mundial. Interessante a maneira capciosa como se defende o contrato: « Mas, sem dúvida, uma parte da população indígena tem de participar na produção, fornecendo trabalhadores de conta doutrem, enquadrados por europeus.»

Fig 2- Nos últimos anos da monarquia e durante os 16 anos da 1ª República os governos de Lisboa olharam Angola sob uma optica de melhoria das condições de vida dos africanos. Floresceram em Luanda, Benguela, Golungo-Alto, Ambaca, Pungo Andongo e Caconda burguesias africanas ocidentalizadas e alfabetizadas, um contraste com a Metrópole.Isto já tinha provocado o espanto, em 1854, de David Livingstone, quando passou por Angola. Um dos angolanos de referência foi Luiz Sambo autodidata e sempre empenhado em obras de ajuda e cooperação com os angolanos. Na figura uma escola por ele dirigida e patrocinada pelo rei D.Carlos.

É bom frisar que a maioria dos colonos não tinha fazendas mas apenas “chitacas”. Uma loja era sempre necessária para suporte financeiro das chitacas que, normalmente, davam prejuízos.Eram muitas e desconhecidas as doenças que atacavam, especialmente, as espécies exóticas.
Os chefes do posto garantiam a segurança, reprimindo os roubos ou extorsões. Se não fosse a sua autoridade, infelizmente com alguns excessos, nunca teria sido possível instituir uma agricultura tão sustentável.
O sistema da produção de géneros alimentícios, já consolidado e em vias de sofrer uma segunda transformação com a introdução de pequena mecanização e tecnologias intermédias, recebeu em 1977, já com Angola independente, uma primeira cacetada com uma infeliz frase de Agostinho Neto:
«O camponês tem, em si, um gérmen de capitalista. O sonho de um camponês qual é? É ter uma grande propriedade ... para ter lucros. E o seu lucro aumenta à custa dos trabalhadores que ele assalariou. É um explorador». Discurso de Agostinho Neto em 1977, citado em “A indústria.em tempo de guerra (Angola 1975-91)” de Manuel Ennes Ferreira.
5.-Havia uma pacífica convivência entre os diversas povos que constituem a nação angolana. Comparável à que existia na antiga Jugoslávia, no tempo do marechal Tito. Se não fossem as barreiras impostas, subreptíciamente, por Lisboa, a convivência teria sido melhor, entre a comunidade europeia e a africana. Se deixassem trabalhar a natureza (miscigenação e aculturação), o resultado teria sido menos desastroso.
6.-Um sistema de ensino adaptado ao país. Vale repetir que este sistema, infelizmente, só foi adoptado no Tempo Extra, ou seja a partir de 1961. Os professores recebiam, dentro dos prazos, o respectivo salário. Era impressionante verificar-se a avidez dos africanos pelo ensino e cultura. Era raro um africano abandonar os estudos.
7.-Uma rede de estradas invejável, até em países do primeiro mundo. Voltamos a repetir que, infelizmente, só apareceu no Tempo Extra(1961-1974), mas isso não lhe tira o mérito. Todas as cidades estavam ligadas por estradas asfaltadas. Em 1973 Angola dispunha de mais de 8000 km de estradas pavimentadas. Vale ressaltar aqui a excelência da JAEA (Junta Autónoma de Estradas de Angola).


Fig 3 - Os lacetes da Leba. Um “ataque” à Escarpa Atlântica” no sul de Angola. Como já frisámos, em ensaios anteriores, o sistema orográfico do país é concordante com a linha litoral e atinge os 2000 m a escassos 200 km do mar. Por tal motivo Angola era quase inexpugnável. Esta estrada é um exemplo geográfico da tenacidade dos colonos e da excelência da engenharia angolana. Esta subida,infelizmente só concretizada nos anos 60, foi sempre uma velha aspiração dos colonos.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (2)

Fig 4 Uma vista geral da subida da Leba: é notória a grandiosidade da estrada e da paisagem..

8.-Os recursos naturais estavam bem preservados, em muitos aspectos até demais. Nos diamantes exagerou-se em não querer mexer, mas isto é outra conversa abordada em ensaios anteriores. Por exemplo no aspecto florestal Angola estava bem encaminhada, tudo estava regulamentado, não havia lugar para depredações, como sucede actual e infelizmente. Era um a estabilização do deserto no sudoeste do país. A conservação do solo era uma realidade, era uma preocupação quotidiana dos respectivos orgãos oficiais.
9.- Parques naturais-A colonização portuguesa protegeu 64 650 km2 de parques nacionais, 93 450 km2 de reservas naturais e 18 050 km2 de reservas florestais. Estes parques, reservas naturais e florestais estavam perfeitamente definidos e eficientemente policiados. Todas as cidades eram rodeadas de perímetros florestais destinados a cortar ventos e secar pântanos, além de proporcionarem remanejamento de massa seca para lenhas.
O maior consumo energético era feito pelos africanos através da lenha. Isto iria acarretar, à medida que as cidades crescessem, uma rarefação do combustível doméstico dos africanos. Planeava-se o fabrico em Angola de fogões “Primus” e candeiros tipo “Petromax” para evitar o desbaste da flora natural.
Contavam-se por milhares as palancas pretas (únicos exemplares no Mundo) no Parque do Luando. Havia grandes mamíferos (elefantes, rinos, hipopótamos e pacaças (búfalos) a 50 km de Luanda. Os rios de Angola estavam povoados de crocodilos e hipopótamos.
10.-Uma frota pesqueira, constituida por milhares de pequenos pescadores, que contribuía para a preponderância de Angola nas exportações de pescado. A industria de enlatados de peixe era uma bela realidade. Como já era realidade o peixe congelado. A farinha de peixe era um dos maiores produtos de exportação. O peixe seco e o de meia-cura foram um notável contributo para a alimentação dos angolanos. Além das proteínas, o peixe do mar (ombisse) reduziu o bócio para níveis insignificantes, devido à presença de iodo. Infelizmente nesta área poderia ter-se feito mais se tivesse havido crédito bonificado. Lisboa nunca quis que em Angola se instalasse uma postura atlântica, virada para o mar, é sintomático que, no século 20, só tenha surgido uma única cidade litorânea o Lobito. Portugal, um pioneiro na navegação de longo curso, e depositário de uma cultura marítima mundial, não deixou qualquer escola de ciência dos mares em Angola. Nem sequer uma mentalidade atlântica.A pesca desenvolveu-se por particulares.A orla marítima esteve, sempre, abandonada pelos governantes de Lisboa.
Fig 5 Lobito o melhor porto da África Ocidental em 1973. Era o pivot de toda a importação e exportação de mais de metade de Angola e das regiões, na altura integradas em colónias da Bélgica e Inglaterra, Katanga e Rodésia do Sul. A cidade fundada em 1903 destinou-se a ser o términus do Caminho de Ferro de Benguela. É uma língua de areia (restinga) originada pelos sedimentos dos rios Catumbela e Cavaco, pelas calemas e pela Corrente Fria de Benguela. Era motivo de comentários irónicos, entre os angolanos, devido ao seu elevado requinte civilizacional .Lobito era a porta de entrada da modernidade.Nota-se o eficiente sistema de ampliação da restinga empreendida pelo LNEC de Lisboa nos anos 70, com colaboração do LEA de Angola que os brasileiros denominavam de LNEQUINHO, por ser também excelente nos trabalhos que fazia.

Fig 6 A vermelho o percurso do Caminho de Ferro de Benguela com 1349 km desde o Lobito até à fronteira leste em Teixeira de Sousa(actual Léua).Nesta vila ligava-se com a Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e com o Katanga (actual Shaba pertencente à República Popular do Congo). E, depois, com todo o sul de África, incluindo Moçambique e África do Sul.. O traçado implantou-se na Culminação Transversal de Angola uma linha de cumeada que separa os rios do norte dos do sul, excepto o rio Cuanza como já foi descrito em um nosso anterior ensaio.

Fig 7 Oficinas Gerais do Caminho de Ferro de Benguela em Nova Lisboa (actual Huambo). A ferrovia drenava minérios do Katanga e da Zâmbia. Os comboios com minérios, nocturnos, sucediam-se uns aos outros, num afã de acordo com o lema colonial “o tempo urge”. Como qualquer peça das máquinas a vapor demorava muito tempo até chegar a Angola, logo nos primórdios (1910) a administração inglesa instalou as Oficinas Gerais, uma verdadeira fábrica. Nos anos 60, quando os comboios a vapor começavam a desaparecer estas Oficinas fabricavam peças de material circulante para todo o mundo. Embora a mentalidade do CFB até 1961 fosse anglo-saxónica com separação etnica, é justo destacar a primorosa administração desta companhia, onde tudo funcionava e onde tudo era cumprido, rigorosamente.Neste ultimo aspecto um grande exemplo,até para os tempos presentes.Os lucros desta empresa eram normais porque predominava já, naquela altura, o tripé- lucro, social e ambiental.

11 -Um cadastro de terras organizado e uma cartografia excelente. A carta aerofotogramétrica, na escala 1/100 000 e constituída por 484 folhas, era um dos bons instrumentos para o desenvolvimento do país. Em geodesia Angola estava toda triangulada. Estava montado um cadastro que, facilmente, ajudaria a uma distribuição de terras pelos camponeses. A propósito, repetimos, quando é que os angolanos terão direitos a serem donos “jure et facto” (de direito e de facto) das suas terras?
12.-Ética nas actividades comerciais e no dia a dia das populações. Quase toda a gente, apesar dos salários serem baixos, saldava os seus débitos. A taxa de letras protestadas era menor do que 5%.
13.-Meteorologia eficiente, cobrindo todo o país, com dados completos de 20 anos, ou mais (até 1973) , em todas as capitais de distrito. Se as observações não tivessem sido abandonadas hoje Angola disporia de dados meteorológicos fiáveis, com mais de 30 anos, uma ferramenta imprescíndivel em hidrologia. Com dados de 30 anos é possível obterem-se equações de chuvas, por exemplo. Mas, ainda hoje, os dados daquele tempo, absolutamente confiáveis, são de uma evidente utilidade. A partir de 1961 foi estabelecida uma rede de hidrometria; em 1974 já se dispunha de valiosos dados sobre os caudais dos rios.
14.- Laços familiares. Apesar das actuações menos felizes (os famigerados contratos) que caracterizaram o colonialismo, ainda se mantinham as bases e raízes africanas. O “quimbo” era o último refugio de um sèculo (ancião), era a sua “segurança social”.

Fig 8 – Ocupação portuguesa (em róseo) em Angola em 1905, segundo René Pélissier (História das Campanhas de Angola-Imprensa Universitária, Editorial Estampa Lisboa 1986).Só havia 2 cidades (Luanda e Benguela). Moçâmedes foi promovida a cidade em 1907, Lubango em 1923 , Malange em 1933 e Belmonte (Silva Porto, actual Cuito) em 1935. Luanda foi fundada em 1575 e Benguela em 1617.

15.-Farmácias eficientes e sérias. Os medicamentos fornecidos pelo estado eram gratuitos, genéricos e absolutamente confiáveis. Como confiáveis eram a alimentação e a água, em qualquer parte de Angola. Luanda tinha a melhor água dentre as cidades da África ocidental. A água em garrafas não fazia parte do quotidiano luandense, bebia-se, com confiança, água da torneira. Que o povo chamava de “UísqueDucano”.
16.-Parques industriais interessantes e numa explosiva expansão.Angola fabricava quase todos os artigos que eram consumidos pela sua população, como por exemplo tijolos, telhas, cobertores (cambriquites), tecidos, sapatos, pneus, fósforos, óleos comestíveis, farinhas, tubos, bicicletas etc. Nos últimos anos a taxa de crescimento industrial chegou a atingir 22% ao ano. Eram indústrias, mesmo, e não artigos industriais vindos em contentores, às vezes de países distantes, onde se pratica ainda uma semi-escravatura apoiada em degredados. Em 1944 a Lupral em Benguela já fabricava tubos para saneamento, chapas de aço, e diversos artigos de serralharia (pregos, parafusos, fechaduras etc.). Eram indústrias dirigidas por engenheiros que se preocupavam com a produção.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (3)

17.-Aglomerados populacionais com boa qualidade de vida. De três cidades e meia dúzia de vilas em 1920 Angola tinha em 1974 mais de 30 cidades, centenas de vilas e milhares de povoações. Todos os anos duas vilas eram promovidas a cidades. Hoje haveria, pelo menos, mais 60 novas cidades. Uma cidade tinha que obedecer aos seguintes requisitos: ter, pelo menos dois bons hoteis, água tratada e electricidade, colégio do ensino liceal ou técnico, hospital, ruas pavimentadas, repartição de finanças e foral.
Angola tinha uma interessante cobertura de hoteis e pensões de cariz europeu. Um engenheiro inglês, que conheci em 1974, afirmou-me que ficou surpreendido com os restaurantes e pastelarias existentes em Angola, não só pela qualidade como pelos preços praticados.


Fig 9 Os transportes foram um dos principais factores limitantes ao progresso de Angola. Paiva Couceiro(1907-1909), o governador mais esclarecido que passou em Angola, empreendeu esforços denodados para melhorá-los. Em 1908 tentou a locomóvel, um tractor a vapor puxando 2 vagões. Isto funcionou, muito precariamente, entre Lucala (onde já chegava a ferrovia) e Malanje. Durou pouco tempo porque o automóvel já se estava impondo no mundo. Apesar disso as locomóveis foram muito uteis porque foram aproveitaas para geração de energia electrica quando ligadas a um gerador. O combustível era a lenha, seria hoje uma energia de biomassa..


Fig 10 Abertura de uma estrada em 1908. O automóvel já se estava espalhando por todo o mundo. Em breve Angola começaria a ser inundada com o célebre automóvel Ford T. A Escarpa Atlântica foi um sério obstáculo à subida para os planaltos.

Havia toda uma herança colonial utilizável e que foi liminarmente destruída, em nome de uma ideologia marxista que só durou 15 anos. Se em Portugal tivesse prevalecido a teoria da “destruição criadora”!!!, logo após o 25 de Abril, o país teria hoje, apenas, meia dúzia de barragens, ao invés de mais de uma centena. Porque na construção das barragens em Portugal também se verificou exploração de mão de obra e houve extorsões de terras sem a devida compensação. A maior parte das barragens foi construida no regime salazarista. Em todas elas ainda lá estão as placas comemorativas da inauguração.
Quem inventou a teoria da ”destruição criadora”, implantada em Angola, de certeza que nunca pegou numa parker(passe a propaganda) de 9 libras. Angola não se fez de um dia para o outro. Como foi explanado, ao longo destas mucandas, a vida em Angola em 1974 era dura, mas muito agradável se a compararmos com o início de século 20 em que ainda não havia estradas e as doenças eram uma constante no dia a dia. A Angola de 1974 era o culminar de um esforço gigantesco de milhões de pessoas, europeus e africanos. Era todo um passado aproveitável.
Vale a pena referir aqui o exemplo da Alemanha. A prestigiada marca Volkswagen nasceu sob a inspiração de Hitler. Este ditador resolveu que todos os alemães iriam desfrutar da utilidade e do prazer de possuir um automóvel. Projectou-se um carro popular que atendia aos desejos de Hitler. Dizia-se que ele tinha dado muitas sugestões. Era o célebre carochinha ou fusquinha no Brasil, um dos carros mais populares na história do automóvel. Com um motor original arrefecido com turbina de ar. O primeiro carro apareceu em 1936 e logo começaram a sair aos milhares. A partir de 1938 apareceu um outro modelo, com um desenho menos aerodinâmico mas mais robusto. Era uma espécie de jipe que foi utilizado na guerra que eclodiu pouco depois em 1939. Assinale-se, como curiosidade, que o motor arrefecido a ar estava adaptado à guerra no deserto. Uma novidade premonitória.
Depois da Guerra Mundial (1939/1945), em que a Alemanha ficou quase toda destruída, a fábrica Volkswagem voltou a laborar em poucos anos. Em 1953 já em Angola rodavam os primeiros carros Volkswagen perante a estupefacção das pessoas. Estupefacção dupla, não só pelo pequeno e estranho automóvel diferente dos carrões americanos Ford e Chevrolet, glutões em consumo, como também pela recuperação da Alemanha. Esta em 8 anos, depois de uma tremenda guerra destruidora, já apresentava carros robustos, económicos e baratos.
Os automóveis Mercedes, ainda com as linhas características do tempo da guerra, começaram, também, a aparecer no pequeno mercado angolano em 1947. Em pequeníssima quantidade, diferente do que hoje se verifica. Os alemães, depois de uma guerra destruidora, aproveitando as tecnologias e os recursos humanos que “sobraram” da carnificina anterior, logo recomeçaram as suas vidas. Mas aproveitaram o que de bom existia no medonho regime anterior.
O mesmo se passou com os japoneses. A fábrica imperial Mitsubishi, que fabricou aviões para a máquina de guerra japonesa, de imediato recomeçou a sua actividade, agora dirigida ao bem estar dos japoneses e aos tempos de paz.
Mal iriam estes países se não aproveitassem os aspectos positivos dos dois sistemas totalitários que existiram durante a década de 30 e metade da década de 40. Não se destroe o que várias gerações demoraram a fazer, não interessa qual o regime que vigorou. O que é bom tem que ser aproveitado, não interessa quem o mandou fazer. Como disse Deng Xiao Ping “não interessa a côr do gato, interessa é que cace ratos”.
A Espanha passou por uma terrível guerra civil de 1936 a 1939, em que morreram milhões de cidadãos.. Grande parte das cidades espanholas ficou arrasada mas a reconstrução foi iniciada no dia seguinte ao fim das hostilidades. A Espanha estava pobre, com deficite de população e não tinha qualquer suporte económico. Mas não recebeu ajuda externa de qualquer espécie. Em Espanha era notória a vergonha deles quando os estrangeiros deparavam com quaisquer ruínas da guerra. Respeitando os mortos, dir-se-ia que a guerra foi um catalisador de desenvolvimento. Mas foram os espanhois que reconstruiram o país. Não ficaram à espera de chineses ou outros quejandos. Nem ficaram à espera de doações. O mesmo se passou com a Coreia do Sul envolvida em uma guerra civil em 1950, hoje uma potência industrial.
Em 1900 as fronteiras de Angola não estavam definidas o país era um puzzle de micro nações, as mais díspares, com línguas diferentes provenientes de nove grandes grupos linguísticos: Bacongos, Ambundos ou Umbundos, Lundas-Quiocos, Ovimbundos, Ganguelas, Hereros, Nhanecas-Humbes, Ovambos e Xindongas.
Não acreditamos que se formaria a actual Angola se não tivesse prevalecido a presença portuguesa. Boa ou má, conforme cada um queira interpretar segundo o seu ponto de vista, a realidade foi que o nascimento da actual nação fez-se sob a égide portuguesa. E com a colaboração de milhares de portugueses. Em 1890 apenas existiam duas cidades, ambas de raiz portuguesa: Luanda e Benguela.. No interior não existia nenhuma cidade, existiam uma vila (Dondo) e um posto administrativo (Malanje). O distrito do Bié em 1900 não tinha nenhuma vila ou cidade moderna. Mas em 1970 o Bié já tinha 3 cidades e 5 vilas em vias de serem promovidas a cidades, além de mais de 200 povoações comerciais, embriões de futuras cidades.
18.-Em Angola repetiu-se o modo português: um território imenso mas que ficou unido, como um único país. E onde vai prevalecer uma única língua. Tony Hodjes(117) observou que« O português beneficiou do seu estatuto de única língua oficial e da promoção que dele fez o Governo pós-independência como um instrumento de unidade nacional. Tem sido o único veículo de instrução nas escolas e também a língua dos militares, partilhada por sucessivas gerações de recrutas. Actualmente, é comum encontrar jovens angolanos, sobretudo em Luanda, que não falam nenhuma língua africana – uma situação sem paralelo na África Subsariana».
São comuns as lamentações de alguns angolanos: “se tivéssemos sido colonizados pelos ingleses” ou “se os holandeses tivesssem continuado em Angola”ou “se nós falássemos inglês” tudo frases que nada adiantam. Os portugueses em Angola(1),ao contrário do que se proclama, encontraram um território cheio de adversidades, na orla marítima, de clima, na orografia, de doenças (talvez das regiões mais mortíferas do mundo), de solos e de obstruções metropolitanas. Mas estas dificuldades foram todas ultrapassadas. Nasceu um país moderno que não envergonhará, nunca, os colonos. Para provar isto, basta consultar os anexos, no fim deste livro.Os colonos portugueses, ao partirem para um indesejado exílio, deixaram para trás um país , devidamente estruturado e com doses grandes de optimismo em relação ao futuro.
Em Belmonte, anterior nome de Silva Porto em 1900, residiam dez europeus,(oito solteiros e um casal). Os povoados africanos, não lhes tirando o indiscutível valor humano e social, não tinham um cariz fixo.Os motivos disto já os explanámos nos capítulos anteriores: agricultura itinerante, devido ao rápido esgotamento do solo, constante temor das razias, feitas pelos escravistas e por povos aguerridos e salteadores, epidemias de varíola, morte de um rei, etc. Os povoados africanos não se coadunavam com a modernidade, não querendo, com isto,tirar-lhes o mérito que, indiscutivelmente, detêm. A transitoriedade dos povoados já foi aqui explicada em pormenor.
Era inevitável o choque da civilização africana com a modernidade. Se não fossem os portugueses, outros apareceriam, como sucede hoje com cidadãos estrangeiros que estão em Angola, agora sob a capa não mais de governos, mas de multinacionais. Os efeitos desta “nova invasão” serão conhecidos d