BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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domingo, 6 de setembro de 2009

4 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Voltamos a enfatizar: sem exército, sem força aérea, sem marinha, sem magistratura, sem diplomatas, sem encaixe monetário ouro, com o comércio de exportação totalmente nas mãos dos metropolitanos, sem fortunas, em flagrante inferioridade numérica, com clivagens internas graves, somatório de centenas de anos de injustiças, contra toda a opinião pública mundial, quais eram as chances de uma independência unilateral ? Os europeus de Angola estavam desinformados, optavam pela Metrópole por uma questão de sobrevivência, mas nunca embarcariam no barco furado, que era a independência pensada em Lisboa e montada pelos militares metropolitanos desejosos de abandonarem a colónia. Pensada em Lisboa, indiciando um oportunismo deslavado e descarado. Talvez imaginando que depois, se tudo corresse bem, poderiam voltar, que os grandes privilégios seriam mantidos, afinal “somos todos portugueses!”
Como um dique que rebenta, assim começou o êxodo, perante a estupefação dos líderes do Movimento das Forças Armadas. Estes julgavam que as pessoas se agarrariam aos seus bens. Pensavam que “ia ser igual ao Brasil”. Tinham como certo que os colonos usufruíam de uma vida insubstituível. Que não havia mais mundo para eles! Que não sabiam “fazer pela, vida fora de Angola”! “Que só sabiam explorar os pretos!” “Que não iam deixar o seu património de imóveis”. Mas qual era esse património? Apenas casas modestas ou apartamentos (cochichos copiados dos de Lisboa, sem garagens, com um sanitário por apartamento, as mais das vezes tipo “câmara de expurgo” sem janela). Recordamos, de novo, a frase de Marcelo Caetano:« O português não tem têmpera para suportar demorada e pacientemente contrariedades. Há que assisti-lo a cada passo, sobretudo quando longe da terra natal». O que não funcionou neste caso! Marcelo Caetano abandonou-os.

Em Angola a maioria da população europeia pertencia ao C.F.A. ou seja comércio, funcionalismo e administrativos, habituada a constantes mudanças de residência, as célebres e inopinadas transferências, eram autênticos caracóis sempre com a casa às costas. O apego à terra era reduzido. Só as actividades agro-pecuárias, de dezenas de gerações, criam o sentimento telúrico, abordado na literatura universal de que nos lembramos em “E tudo o vento levou”, “O tempo e o vento”, “Guerra e paz”, “ Dr. Jivago”, “Os Cisnes Selvagens” e outros. Só o somatório de muitas gerações a viverem e trabalharem em uma terra, é que cria o amor telúrico. Quase ninguém, entre a população europeia, tinha vínculos seculares à terra, porque a sua presença era apenas de pouco mais de meio século. A colonização europeia começou em 1848 mas só tomou expressão em 1920. Quase toda ela se cingiu ao comércio. Havia pouco contacto com o “mato”, na maioria das pessoas, o que pode filiar-se na ausência do cavalo e, posteriormente, do jipe cuja aquisição não era fácil.

Mais de 90% das cidades, vilas e povoados, em termos urbanos europeus, só apareceram depois de 1920, coincidindo com a difusão do automóvel. A maior parte dos europeus vivia nas cidades em actividades terciárias. E isso pesou muito quando eles resolveram partir. Abandonaram Angola, cada um deixando para trás apenas uma casa(a maioria das vezes alugada) e alguns haveres e, infelizmente, muito tempo perdido que mais se não conseguia recuperar. Ao contrário dos haveres, que facilmente se repõem. E até melhores.E em menos tempo.
Ninguém em Angola deixou para trás uma Tara, a fazenda dos O´Hara do filme “E Tudo o Vento Levou” carregada de força telurica. Os donos das boas fazendas, com sedes luxuosas, viviam em Lisboa. As sedes das fazendas dos que residiam em Angola eram modestas e muito recentes. Viviam do seu trabalho. Exceptuando as regiões do café, no resto não eram fazendas, apenas chitacas que não enriqueciam os donos.
Eu só me apercebi disto quando visitei fazendas no Brasil com instalações opulentas. E foram muitas as boas fazendas que visitei no Brasil onde viviam permanentemente os donos. Não viviam no Rio de Janeiro nem em S.Paulo. Ficavam vigiando a manada porque o “melhor pasto é o olho do dono”. Não é sem razão que a cidade de S.Paulo ostenta, orgulhosamente, a divisa:”mando, não sou mandado”. A cidade nunca esperou por decisões vindas de fora! Eles é que decidiam!

Hoje as saudades, exteriorizadas por alguns desangolanizados, são mais sentimentais do que epidérmicas. Já passaram trinta anos. A maioria já tem mais anos de Europa ou estrangeiro do que de Angola. A vida em África era dura, cheia de privações e de muitas frustrações. Por muito mal que se passe em Portugal, no Brasil, nos E.U.A, no Canadá e na Finlândia (até há “retornados” neste país) dispõem-se de muito mais oportunidades e facilidades do que em Angola. Em Portugal há algumas contrariedades: as filas no trânsito, as esperas nos hospitais que, apesar de tudo, são de melhor qualidade do que em África, as escandaleiras do dia a dia, as politiquices de baixo nível, os políticos profissionais e preguiçosos, as constantes ameaças de que o nível de vida vai baixar “nestes próximos anos”, as inconcebíveis derrotas internacionais em futebol, as incríveis peripécias nos tribunais onde até se roubam máquinas multibanco etc.
No tempo do “marsupialismo colonial” tudo era feito pelos angolanos, mas nada era decidido por eles. Ficava-se sempre à espera das decisões e ordens de Lisboa. Depois da independência, tudo é decidido em Luanda, mas os angolanos, agora, podem esperar eternamente. Tudo é feito pelos doadores, pelas ONG´s, e, ultimamente, pelos chineses. Quando é que Angola começa a “carburar”como país deixando de lado tantos cooperantes ? Alguém acredita que há benfeitores dispostos a ajudar, desinteressadamente, os angolanos ? Alguém acredita que os estrangeiros vão ensinar as suas tecnologias?

Uma das desculpas do descalabro final :“era a descolonização que era possível”. Não concordamos. É certo que, devido à intransigência de Salazar e, depois, às irresoluções de Marcelo Caetano, tinha-se atingido um “no return point” ou seja um ponto de não retorno.
Politicamente era uma situação muito complexa agravada pela permanente inacção política, em que se encontravam as gentes de Angola. Inacção filiada na ignorância.E que caracterizou, também, a postura do exército. O exército, em 13 anos de guerra, nunca pensou em soluções políticas, apesar de os militares já estarem saturados de acções no terreno. Infelizmente nunca pressionaram o governo para arranjar uma saída política para o “saco de gatos” em que se tinha transformado o Ultramar.
O exército mantinha-se afastado dos civis, não dialogava com eles, os militares ficavam confinados às suas messes, restaurantes, casões e casulos. Os militares do Quadro só intervinham na vida civil quando “ abichavam um tacho”. E os civis em Angola desinteressaram-se da guerra, “isso é com os militares” dizia a maioria. Mas alguns, com fanfarronices, diziam”qualquer dia vamos nós resolver o problema”. Estes, possivelmente, já tinham comprado sapatos de maratonas, ou até sapatilhas de corridas de 100 m. E tinham um “apartamentozito” em Portugal.

Apesar de Marcelo proclamar que o comboio da autonomia progressiva estava em andamento, a realidade era diferente. Não havia comboio, andava-se apenas em um tapete rolante. Em 1974 Angola não apresentava nenhuma RN ( referência nacional )ou, se quiserem,uma RP (referência provincial ). Ninguém com expressão para aparecer como representante das gentes angolanas, do povo que residia permanentemente em Angola. Mas no estrangeiro eram às dezenas os nacionalistas angolanos, alguns conhecidos internacionalmente e com grande prestígio, como é o caso de Viriato Cruz, Gentil Viana,Agostinho Neto, Mário de Andrade, Joaquim de Andrade e outros.
Portugal nunca encarou uma independência endógena, isto é, de dentro para fora (feita pelos residentes angolanos) e o resultado viu-se. Foi uma independência exógena, de fora para dentro, desastrada, em que forasteiros, sem qualquer vínculo com Angola, “esgaravataram”, perante a impotência, a tristeza e muita raiva, dos filhos de Angola. Onde estão agora, e o que fazem, as centenas de “barbudinhos portugueses” que caíram em Angola, como enxames de marimbondos (que me desculpem estes simpáticos ,e úteis insectos, pela comparação), e espalharam o ódio e a discórdia ? E, depois, desapareceram como tinham chegado: sorrateiramente. Será que ainda são marxistas?

Angola era um campo fértil para todos estes aventureiros “salvadores do mundo”, que iam implantar a justiça social (que nunca existiu no mundo), porque os governos coloniais sempre persistiram em não ceder qualquer espécie de governo ou de representação aos angolanos. Fazia parte do folclore angolano: o governo central, na década de 50, desviou para Macau o prestigiado director das finanças , filho da Huíla, Simões de Abreu, porque ele era natural de Angola. Mas Simões de Abreu, dotado intelectualmente, nunca tinha mostrado qualquer pendor político.
O governo central via fantasmas na própria sombra. Marcelo Caetano não se cansava de falar na autonomia progressiva que estava em marcha. Em teoria. Em 1972 foi designado para Presidente da Câmara de Luanda um metropolitano, sem qualquer consulta aos luandenses. Não desmerecendo do ilustre presidente, mas, deste modo, onde é que estava a tal autonomia progressiva? O mesmo se passou em outras Câmaras de Angola. E em quase todos os governos de distrito! Só quando o colonialismo estava agonizante é que houve alguns governadores de distrito angolanos, mas de ascendência europeia.

Para tratar da descolonização foi nomeada uma troica, que, à boa maneira portuguesa, era composta por quatro elementos. Tomaram posse mas nada resolveram. Deixaram tudo ao sabor dos acontecimentos. Por ignorância ? Por maldade ? Por preguiça ? Por pragmatismo que, levado ao extremo, é acomodação ? Por ideologia ? Só os futuros historiadores poderão responder, mas para nós fica a impressão de que foi uma mistura de todas estas interrogações. Mas podem-se fazer, desde já, algumas conjecturas. Os “troiquianos” chegaram a pensar que Angola era um novo Brasil, que as pessoas não deixariam os seus bens. Nos discursos iniciais transparece uma certeza misturada com um optimismo patético e um irrealismo atroz: os europeus não abandonariam a colónia, inicialmente haveria alguns confrontos que se iriam amortecer com o tempo. É sintomática a frase do Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho(42): «...eles sabem que vão perder privilégios mas vão ganhar noutros campos...» Estes militares, apesar dos inúmeros altos estudos que faziam (ou seriam estudos por alto?), estavam altamente por fora de tudo o que fosse sociologia ou geo-estratégia mundial, estavam confrangedoramente ausentes das realidades.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em uma conferência de imprensa do general Costa Gomes, em que este fez um discurso tranquilizador (e mentiroso, também ), um jornalista perguntou se o governo garantia o transporte das “bicuatas” (imbambas, trastes ou tarecos) de quem quisesse partir. O que ele foi dizer! Foi brutalmente deblaterado, tudo sob o efeito das patriotadas que acompanharam a vida de Angola ao longo de meio século. As pessoas, e os governantes, refugiavam-se em cenários continuistas, do género “isto aqui é diferente”. Quem assim falava, repetimos, já era dono de um apartamento nas avenidas novas em Lisboa.
Mas a “troica” de quatro elementos, um autêntico cavalo de Troia (ou um cavalo da Troica ?), dois dos quais com comissões militares em Angola, tinha obrigação de sentir o problema e ver que, pelos factos negativos, acumulados em centenas de anos, apontados ao longo deste livro, e pela acção nefasta dos comunistas em Lisboa, haveria que acautelar os interesses dos angolanos envolvidos neste furacão africano. O que teria então que ser feito? Com uma transição de alguns anos dar tempo a uma retirada com dignidade, salvaguardando os haveres, as economias e, principalmente, os documentos pessoais. A própria ONU perfilharia uma transição de, no mínimo, 5 anos. O então Secretário Geral da ONU Kurt Waldheim esteve em Lisboa em Agosto de 1974 e ofereceu os seus préstimos ao sugerir uma transição. Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Melo Antunes não aceitaram a oferta de Kurt Waldheim, achavam que era desprestigiante para Portugal. Mas aceitaram os milhões de dólares doados pelos Estados Unidos e outros países. O dinheiro foi todo desbaratado. Este dinheiro obstou a que o turismo em Portugal não entrasse em falência. Facto nunca visto, os desalojados foram aboletados em hotéis de cinco estrelas, mas o tratamento era o de um quartel.

Isto na pior das hipóteses, porque haveria outras soluções menos radicais que até poderiam passar por um entendimento.Difícil mas possível. O “status quo” da África do Sul era bem pior e conseguiram-se plataformas de conciliação.
Um entendimento para o qual era necessário muito pragmatismo, mas dentro de parâmetros realistas, a ser encarado por políticos excepcionais. O que infelizmente não foi o caso. A clivagem entre as duas comunidades, a europeia e a africana, foi intencionalmente exagerada com o fim de entregar o país ao bloco soviético. Para quê, afinal? Para descambar no impensável: centenas de multinacionais, os tais “cães imperialistas”, que eles apontavam nas suas arengas, instalaram-se em Angola, onde continuam, com a maior das calmas, a explorar todas as riquezas sem que o estado lhes imponha obrigações, ou as fiscalize,como é norma nos países mais evoluídos onde, também, se encontram instaladas. Mas nestes com obrigações trabalhistas.
Em abono da verdade, o que poderiam fazer os angolanos que ficaram, sem quadros e com o país esfrangalhado, face à invasão dos oportunistas e das multinacionais?
E o que fez a Troica ? Nada. Ingenuamente, ou por maldade porque queriam ver-se livres deles, acreditaram que “os brancos não saiem” e limitaram-se a viajar de cidade em cidade, de Alvor para Nakuru, de Nakuru para Lusaca e, nos intervalos, para Nova Iorque, Paris e outras cidades. As agências de viagens podem confirmar. Negociações? Assina-se tudo o que puserem à frente. O chic era aparecer na primeira página da Time, Newsweek, L´Express, Pravda e outros. Mas, já naquela altura, qual era o interesse em aparecer no Pravda ?
Um dos componentes da “Troica” chegou a pronunciar uma frase histórica, uma óbvia conclusão lapaliciana: «Emoção à parte, só não vê quem não quer que a posição de Angola é substancialmente diversa». Mas, pelos vistos, ele não enxergou. O processo foi igual ao da Guiné, sem desmerecimento por este país.

E chegou-se a este extremo: quem saísse de Angola com dinheiro ou haveres era preso no aeroporto. E em pleno governo ainda português. Dinheiro ganho no labor do dia a dia, ao longo de duros anos! Era proibido levar quaisquer valores, uma proibição que deixaria Lenine, Estaline e Hitler completamente embevecidos.
Comigo passou-se um caso hilariante. Tive que sair pelo terminal normal em Agosto de 1975. Apesar de ainda subsistir a autoridade portuguesa fui revistado de alto a baixo, apreenderam-me todos os escudos angolanos, mas consegui sair com 500 dólares, debaixo do saco, onde um apalpanço se torna embaraçoso. Mas o mais hilariante desta revista foi o facto de me terem apreendido um frasco que continha terra de Silva Porto e de Malanje. Desconfiados, julgando ser pó de ouro ou diamantes escondidos. Deve ter sido a primeira terra expropriada e nacionalizada.
A queima de etapas era inevitável. O entusiasmo pela independência atingiu níveis de intolerância difíceis de conter mas, pelo menos, tinha-se que garantir as vidas e os haveres dos angolanos que repudiavam a índole marxista de que se rodeou todo o processo, e a situação caótica que se instalou no dia a dia. Não eram só os colonos que iam ser abandonados. Milhões de africanos estavam na mesma situação e estes não tinham onde se refugiar. Porque o governo português recusou-lhes a nacionalidade, apesar de estar expresso nos seus bilhetes de identidade que eram portugueses. E de se ter afirmado, sempre, “Portugal do Minho a Timor”.
E foi surpreendente. A maioria dos europeus e descendentes resolveu partir, perante a estupefação dos militares que estavam convencidos que Angola era um novo Brasil. E resolveram partir, também, perante a estupefação ainda maior, milhares de africanos, receosos pelo futuro. E como tinham razão. O tempo mostrou-o, sobejamente.

5 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Foi tudo ao contrário do Brasil, ou não tivesse sido uma independência de fora para dentro, uma independência imposta. Na independência do Brasil só saíram os que estavam comprometidos com a realeza, que os brasileiros denominavam de “reinóis”, os militares (muitos ficaram) e alguns fidalgos. E logo a seguir o Brasil começou a receber fornadas de imigrantes portugueses, numa onda que perduraria até à década 60 do século 20. Uma onda que, ironicamente, ainda mais atrasou o desenvolvimento das terras de África. Os portugueses preferiam o Brasil onde havia emprego imediato e sem ser com a parker de 9 libras (enxada).
E em Angola ? Saíram milhares de angolanos, e continuam saindo, sem que se vislumbre uma maneira de travar esta hemorragia angolana. Se se está à espera dos doadores e dos cooperantes, podem arranjar uma boa poltrona porque vai demorar muito tempo. Vai ser um tempo medido em anos luz. E, entretanto, os angolanos mais capazes emigram e assumem empregos para os quais estão sobre dimensionados, como por exemplo ajudantes nas obras. Empregos abaixo das suas habilitações!Os angolanos na Diáspora parece que carregam a maldição que persegue a sua terra há mais de 500 anos, continuam a viver uma vida ingrata, uma vida que não merecem.
Rosa Coutinho governou, ou melhor dizendo, desgovernou Angola de Julho de 1974 a Janeiro de 1975. Gostava de frases de efeito, subestimando a inteligência dos angolanos.

Do livro “Anatomia de uma tragédia”(42) do general Silva Cardoso transcrevemos: « Rosa Coutinho, após ter tomado posse em Lisboa, chegou a Luanda ao fim da manhã no dia 25 de Julho. Como sempre, estava bem disposto, cheio de energia e afável. Das suas declarações merecem realce os seguintes esclarecimentos: tenho o prazer de informar, em nome do senhor Primeiro Ministro, que em breve a Província gozará de um estatuto administrativo que lhe permitirá governar-se sem ser a partir do Terreiro do Paço ou do Restelo e, portanto, satisfazendo uma ambição que Angola há muito tempo manifesta. Conjuntamente, quero também asseverar-lhes que faremos tudo, e com inteiro apoio do governo da Província, para que Angola passe a dispor do seu banco emissor aqui localizado, tendo aqui as suas reservas».
Se há uma frase que melhor defina este abominável cinismo, essa é: tarde piaste. Não se deve ter passado um único dia em que os angolanos não tenham suspirado pelas prerrogativas de autonomia, palavra mágica no imaginário colonial angolano, sugeridas pelos velhos tempos do governo Norton de Matos (1921/1924) em que houve um princípio de autonomia e correu dinheiro, única época em que foi permitido sonhar e em que as leis não permitiam o trabalho compelido. A promessa de autonomia era uma velha arma secreta com que os governos em Lisboa julgavam poder acalmar as pessoas ou resolver situações complicadas. Os tempos eram outros. Fico pensando se os governantes abrileiros pensavam sério, julgando que os angolanos acreditariam nesta miragem, num tempo em que toda a gente arrumava caixotes para o êxodo.
Como se explica que Portugal, que esteve na formação de um país multirracial, onde se verificam os menores atritos sociais, e onde a miscigenação era comum há mais de quatro séculos (Cabo Verde), tenha fracassado tão redondamente em Angola ?

Como se explica que estando Portugal na génese do Brasil, um país miscigenado que agora está a ser copiado até pelos países colonizadores (a selecção francesa de futebol, campeã do Mundo em 1998 e da Europa em 2000, mais parecia o Brasil devido à interessante mistura de povos), tenha falhado, tão rotundamente em Angola?
Como se explica que, sendo Angola um país cheio de riquezas naturais e com um povo pleno de diversidades, de criatividade e de potencialidades, tenha recebido uma independência éxogena, ou seja, inteiramente congeminada no exterior ?
Como se explica que os angolanos que viviam no país, e que o domaram com grandes sacrifícios, não tenham tido os seus direitos garantidos e, pior, não tiveram, sequer, o direito de exprimir as suas opiniões? Aliás, nunca tiveram!
Como se explica que Angola tenha soçobrado, repentinamente, quando acusava elevados índices de desenvolvimento, indicativos de grande fulgor económico e de um futuro sustentável?
Como se explica que tenham sido unicamente os militares portugueses a resolverem um problema que só aos angolanos dizia respeito? Quem lhes passou procuração? Por que se meteram numa guerra em 1961, que comprometeu milhões de angolanos (e em que se comprometeram eles próprios!), quando sabiam que estava condenada, logo à partida, e que exigia uma solução rápida? Por que esconderam a verdade, aos angolanos, até ao ultimo segundo do processo histórico? Por que envolveram milhões de africanos em uma luta fratricida, sabendo que o desfecho lhes seria adverso e, com isso, os deixariam à mercê dos novos governantes, e completamente incapazes de se oporem às multinacionais? E, principalmente, por que abandonaram povos, dando a entender de que o assunto “era entre eles”? E, por último, se estavam fartos da guerra, empreendida unicamente por eles, por que não entregaram o processo à ONU, a pessoas descomprometidas, não facciosas e desejosas de ajudar? Por que não desapareceram da cena angolana no dia 26 de Abril de 1974, providenciando substitutos descomprometidos?

Uma maneira simplista de tudo explicar é culpar a descolonização por todo o descalabro. È vulgar ouvir-se: “o Mário Soares foi o culpado”. A história não vive de acontecimentos isolados, mas sim de todo um encadeamento de factos. Uma frase estereotipada é a de que “era a descolonização que era possível...” repetida até à exaustão pelos descolonizadores. Mas os colonialistas argumentam “ foi a descolonização mal feita, porque Angola estava imparável em desenvolvimento...” “...eram precisos mais dois anos”!!
O governo colonial de Lisboa governou, como quis, durante quase 500 anos; O desgoverno descolonial, após a queda da ditadura na Metrópole, desgovernou Angola em apenas ano e meio; vinte anos depois estava tudo destruído, primeiro com uma insensata guerra pelo poder e depois, a partir de 1992, por uma guerra civil que destruiu as próprias ruínas. “Etiam periere ruinae” (Até destruíram as ruínas) é uma frase latina que pode ser inscrita em uma futura bandeira da cidade do Cuito, quando esta for reconstruída.
O sótão da história colonial portuguesa tem dois grandes armários o do colonialismo e o da descolonização. Armários grandes com trinta esqueletos no total. No primeiro, o do colonialismo, jazem quinze esqueletos, todos começados por C que é a primeira letra de colónia: cidadania, contratados, centralismo, cultura, comunicações, conhecimento científico da colónia, crédito, centrifugação do capital, consumo, castigos corporais, censura, colonatos, cartas de chamada, carências de energia, e compadríos (concessões, comissões, condicionamentos e cunhas).

Erros espessos, que persistiram até ao início do” Tempo Extra”, e alguns até ao “arriar do glorioso pendão das quinas”. Erros que deixaram estes quinze esqueletos que atestam as causas de todas as tragédias que viriam a seguir e que, infelizmente, perdurarão durante umas boas (ou más se persistirem as condições actuais) dezenas de anos. Estes erros já foram descritos em um anterior ensaio (Os ossos do colonialismo).
No armário da descolonização jazem, também, quinze esqueletos, erros crassos cometidos em apenas um ano e meio. São eles, todos começados por I, que é a primeira letra de independência:ignorância,irresponsabilidade,intolerância,ideologia,imposição,ingenuidade, indisciplina, insensibilidade,imprudência,imediatismo,ignomínia,imolação,impunidade,inferno e inveja.
Façamos, resumidamente, porque eles serão dissecados exaustivamente ao longo destas mucandas, a exumação destes últimos quinze esqueletos, uma vez que os esqueletos do colonialismo já foram exumados em escritos anteriores, como afirmámos atrás.

O primeiro esqueleto da descolonização é o da ignorância. Ignorantes estavam os habitantes de Angola, desinformados e crédulos em tudo quanto aparecia nos jornais ou era captado pela rádio.Tudo censurado. Sempre, anos e anos, com informações falsas ou distorcidas. Ignorantes eram os membros da comissão liquidatária portuguesa encarregada de conduzir o processo da descolonização. Estavam imersos em um oceano de ignorância.
A palavra descolonização, como afirmámos acima, não existia antes de 1960. Em qualquer dicionário, anterior àquele ano, ela não existe. Foi arranjada, às pressas, para justificar a fuga precipitada de África dos países europeus que a ocuparam, e onde tinham cidadãos nacionais, em quantidades tão pequenas, e com tão pouco tempo de permanência, que não se poderiam denominar colonos, mas antes residentes, ou moradores como se dizia no século 19 . Nos Estados Unidos, no Brasil, na Austrália, no Canadá, etc não houve descolonização, porque havia colonos. Que se independentizaram a tempo e a horas. Ninguém fugiu. E as metrópoles não concederam as independências, não tiveram outra atitude senão aceitá-las. Contrariadas, mas aceitaram!

A comissão liquidatária da descolonização era uma Troica constituída, à boa maneira portuguesa, por quatro pessoas, três actuantes e um “fiscal”. O chefe era um advogado (Mário Soares) que nunca tinha estado em Angola. O único conhecimento que ele tinha sobre o país era através de um atlas histórico-geográfico, por sinal muito ruim. E espanto: interveio em todo o processo descolonizador sem nunca ter posto os pés em Angola. Igualzinho a Oliveira Salazar, confirmando aquela máxima: os extremos tocam-se.

O segundo membro era outro advogado (Almeida Santos) que conhecia Angola através de uma viagem folclórica, quando acompanhou o Orfeão Académico de Coimbra em 1949, era o orador oficial da Embaixada Académica, cantou alguns fados e perorou sobre patriotismo.


O terceiro era um oficial do exército (Melo Antunes) que tinha conseguido ler as obras de Karl Marx, o que é uma grande proeza, especialmente em Portugal em que só se lêm os jornais desportivos e, agora, os jornais gratuitos distribuídos nas viagens de comboio e metropolitano. A estes jornais presto a minha homenagem, se não fossem eles o panorama literário seria arrasador.
Melo Antunes, imbuído das suas leituras recentes de marxismo-leninismo, que levou os jornais a apelidá-lo de ideólogo, chegou a elaborar um programa económico para Angola. Dá para sorrir!

O quarto elemento ( Pezarat Correia) era um fiscal do Movimento das Forças Armadas. Major do exército português, era um oficial de topo no exército colonial que desenvolvia a guerra em Angola. Ele gosta de reinventar a história e contar tudo à sua maneira. E que desempenhou a missão como se fosse imparcial e não tivesse actuado na guerra colonial
Este senhores “arrumaram” o problema de Angola, com que direito?

O director de uma multinacional reune todo o pessoal e diz: amanhã vamos receber um grupo de colegas franceses. Gostaria que confraternizassem com eles. Quem, entre vós, sabe francês? Fez-se um silêncio, depois quebrado por um sabichão, daqueles que gosta de se intrometer e tem propostas para tudo: francês, francês, não sei, mas tenho uma prima que toca viola francesa.
Finalmente, ignorantes eram os representantes dos três movimentos de libertação que não se aperceberam de que o que existia em Angola não eram só opressão, injustiças ou humilhações. Existia todo um passado utilizável, um passado regado com o suor de milhões de angolanos. Um passado utilizável que sobrepujava, e muito, o somatório das injustiças. Se o país exportava alimentos e não havia fome, se o país apresentava uma invejável balança de pagamentos, se o país apresentava uma boa situação sanitária com as terríveis doenças já controladas e algumas erradicadas, se o país apresentava uma boa rede de estradas asfaltadas, se o país apresentava uma rede hoteleira, a segunda melhor em África, se o país tinha já uma razoável rede de ensino básico e secundário, se o ensino era gratuito para todos e o número de vagas era ilimitado, se o país tinha já uma interessante base industrial , se o país estava bem organizado em termos administrativos e, fundamentalmente, se o país estava em paz,nem tudo era mau! Antes pelo contrário, algumas coisas eram más, mas o saldo aproveitável, positivo em linguagem contabilística, era enorme. Quantas situações, muitíssimo piores, existem por esse mundo fora, até mesmo em países altamente civilizados? Quantos países, com séculos de independência, apresentavam a pujança económica de Angola em 1973?

Ao se des-sacralizarem as leis do regime salazarista, porque se admitia que eram todas“fascistas”, ao se atropelarem as hierarquias e, principalmente, o mérito, criou-se um vazio propício para todos os graus de irresponsabilidade, agravados com as incompetências dos novos mandantes ungidos de presunção e auto convencimento.
A descolonização foi feita para entregar o país à União Soviética e um dos pontos mais sensíveis era explorar as assimetrias sociais, e as injustiças, tão ao gosto do comunismo, pelo menos quando se pretende a sua implantação. É a tal luta de classes. Depois a conversa é outra. Criar uma atmosfera de intolerância, entre as duas comunidades foi um dos objectivos. Com a intolerância vieram a ideologia comunista e a sua consequente imposição.Ideologia foi outro esqueleto deixado pela descolonização. O comunismo acabou por querer ser uma religião e com isso punha-se a ideologia acima da economia, tal como na Idade Média se punha a religião acima da economia. Com resultados, a longo prazo, catastróficos. Deve ter passado pela cabecinha daquela gente que era fácil implantar sovietes em Portugal e em Angola. Em Portugal logo verificaram que não ia ser fácil, tanto mais que o país era mais antigo do que a União Soviética. Mas em Angola, explorando bem as assimetrias, as injustiças, a extrema ignorância e detendo o poder, não era difícil, pelo menos aparentemente, a implantação do marxismo, melhor dizendo do estalinismo. O que de facto conseguiram, mas numa altura em que a própria União Soviética já não conseguia disfarçar o seu próprio colonialismo.


O comunismo em Angola foi uma ideologia efémera que durou apenas 15 anos. Em termos históricos nada ficou. Serviu apenas para criar “esquemas”. Quando ele se implantou já trazia os germes da sua própria destruição.Mas que provocou estragos de difícil reparação. Quem os provocou vive hoje repatanado em Portugal beneficiando das delícias da democracia egoísta implantada em 1974. E vivem garimpando no tesouro nacional. Impuseram o marxismo em Angola e depois ficaram assobiando para o lado. Redunda em tragédia sempre que se quer sobrepor a ideologia à economia. Razão teve o escritor brasileiro Jorge Amado quando lhe perguntaram o que achava de ideologia. A resposta foi curta e lapidar: “vocês querem saber o que é ideologia? É uma merda”

6 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Imposição era a directriz trazida de Lisboa. Nada de consensos.Nada de referendos. Tudo estava já resolvido. Ingenuidade foi uma das facetas da população. Os angolanos de ascendência portuguesa e os europeizados, habituados a serem sempre conduzidos, ingenuamente acreditaram que os novos governantes saberiam honrar as suas promessas e que o exército “sabia o que estava a fazer”. Ingenuidade foi, também, a da população autóctone que acreditou que a nova era traria, finalmente, a felicidade que tanto esperavam. Ingenuidade foi, também, a dos futuros donos que se convenceram que as suas novas doutrinas facilmente seriam implementadas, e que eram a chave da felicidade universal. Exemplos da felicidade universal: a ex-União Soviética e os dois relictos comunistas Coreia do Norte e Cuba, paradigmas de modernidade , e exemplos dos direitos humanos. Mas o pior da ingenuidade dos angolanos foi o facto de aceitarem, como normal, o abandono perpetrado por Portugal, de aceitarem como normal o facto de Portugal não querer assumir as suas responsabilidades históricas, de aceitarem como normal o facto de um exército bandear-se para o lado contrário, para o inimigo (ou “in” como era mencionado nos comunicados militares). Esta ingenuidade funda-se na falta de informação e, sobretudo, na falta de cultura política.

Indisciplina foi a principal característica do exército português, ressalvando umas poucas, mas honrosas, excepções. O exército português que conseguiu dominar toda uma guerrilha, com poucos recursos e muita competência, de repente desbundou. A disciplina esvaiu-se, a autoridade conferida pela hierarquia – um pilar indiscutível em um exército- escorregou para os escalões mais baixos e, então, viu-se o inimaginável: cabos mandarem em oficiais, capitães darem ordens a generais.
Em Angola sucederam casos que foram testemunhados por pessoas que, ainda hoje, os recordam com amargura. Em Cabinda um grupo de capitães prendeu um general numa pequena sala, no Moxico um batalhão foi desarmado e posto em cuecas, por isso ficou conhecido como a "batalhôa". Desarmado, só faltou desfilar por uma Avenida das Forças des-Armadas. Eu vi um soldado de suspensórios vermelhos, o que não deixa de ser lógico, era a cor da revolução. Só faltou pôr um cravo na orelha.
O episódio de Cabinda foi tragi-cómico. O general governador do distrito acumulando com o cargo de comandante em chefe das forças armadas foi preso, com o seu staff, por um bando de revoltosos. Foram trancafiados numa pequena sala. É um caso gravíssimo de indisciplina que, num exército a sério, conduz a fuzilamentos. Abriu-se um rigoroso inquérito. Nesse ano a frota pesqueira portuguesa, que ia para a Terra Nova pescar bacalhau norueguês, vendido depois como português, não precisou de se fazer ao mar alto, aproveitou as “águas de bacalhau” em que se transformou o tal rigoroso inquérito.
O general Silva Cardoso (42) conta que uma reunião na fortaleza de S.Miguel em Luanda, onde compareceram oficiais generais, foi dirigida, com a maior “cara de pau”, por um major (Pezarat Correia), neste caso seria o major “cara de pau”.
Kapuscinski, um repórter-escritor polaco, recentemente falecido (Janeiro 2006), presenciou o seguinte(122) em Angola: « Regressei num camião que transportava soldados portugueses.Eram tropas num estado de total dissolução.Tinham barba comprida e não usavam bonés nem cinto. Vendiam as suas rações no mercado negro e arrombavam carros. Tinham ordens para se manterem neutros, não dispararem, não se envolverem.Estavam a carregar os navios com tudo. A última unidade partiria daí a uma semana».

Insensibilidade foi o que se instalou nas mentes dos portugueses na Metrópole. Uma bem urdida campanha, de descrédito e de falsas culpabilidades, instilou na alma generosa dos portugueses a noção de que os problemas coloniais diziam respeito, exclusivamente, a quem vivia nas colónias. Talvez a frase mais demolidora tenha sido: “nem mais um soldado para as colónias”, numa situação em que era fundamental proteger as populações indefesas, era mais necessário garantir a ordem nas cidades, era premente salvaguardar um património feito por milhões de angolanos. É conveniente lembrar que em Angola, durante os 13 anos de guerra, não se registou um único acto de violência dentro de cidades, ao contrário, por exemplo, da Argélia ou do Vietname onde os actos de barbárie nas cidades atingiram níveis incomportáveis. Qual foi a causa de se não terem registado actos violentos nas cidades? Humanismo dos movimentos ? Inépcia dos movimentos ? Segurança eficaz feita pelas forças armadas portuguesas ? Ou um sentimento de paz bem instalado nas populações ? Perfilho esta última hipótese.
O geógrafo Orlando Ribeiro(182) escreveu: «A exigência de mais nenhum soldado para o Ultramar mostra que não ocorreu à multidão e aos políticos que, para garantir uma correcta transferência de poderes, seria preciso reforçar ou render algumas guarnições. Angola mergulhou no caos e abriu-se à intervenção estrangeira. Sob o sorriso imperturbável de um governador português inepto. O Governo, que ainda parecia decidido a negociar, seguiu logo o caminho mais fácil da abdicação total. Bens materiais, influência cultural, acção espiritual, de tudo se abriu mão. O destino dos que, noutro lugar, chamei “africanos brancos” não foi acautelado, nem lá, nem cá, deixado aos azares de uma trágica debandada».
Onde a infeliz frase,” Nem mais um soldado para as colónias” deixou um rasto de horrores foi em Timor. A fuga da autoridade, baseada na tal frase, deixou um vazio que acabou por ser preenchido, a contra-gosto, pela Indonésia. O Governador de Timor protagonizou uma fuga caricata, para uma pequena ilha, abandonando o cargo e as populações que nele confiavam.
Há um contraste entre a independência do Brasil e a de Timor. Quando perguntaram ao Imperador Pedro I o que faria se Lisboa o mandasse regressar, a resposta foi: fico. Quando perguntaram ao Governador de Timor qual seria a sua atitude se Lisboa o mandasse ficar, a resposta foi: fujo.

Outro esqueleto foi a imprudência. Ao fim de 13 anos de guerra existiam milhares de armas e munições nos quartéis em Angola. E de que se lembrou o Presidente da Junta Governativa Rosa Coutinho? Nada mais nada menos do que distribuí-las pelos três movimentos, reforçando, deste modo, o poder bélico e a vontade de “atirar por tudo ou por nada” e “atirar antes de conversar”. O Presidente da Junta acabou por satisfazer a velha vontade de Salazar(159): «pôr os brancos contra os brancos em África, e os pretos contra os pretos, e brancos e pretos uns contra os outros...». E, para piorar, foram oferecidas milhares de granadas que contribuíram para uma diminuição drástica do peixe nos rios de Angola e para a morte de milhares de crocodilos e hipopótamos. Além dos horrores em pessoas e bens. Igual razia sucedeu com os elefantes.
Norton de Matos em 1921 apaziguou Angola e lançou-a no caminho da paz e do progresso, culminado com o aumento surpreendente de todas as produções, ao desarmar as populações. Rosa Coutinho e outros, imprudentes e irresponsáveis, tiraram o descanso merecido à alma do grande general, e abriram o caminho para uma longa e medonha guerra civil e para uma delapidação da fauna e da flora. E, mais grave, alguns militares portugueses tornaram-se, depois, agentes de venda de armas e de recrutamento de mercenários. Alguns chegaram a participar em combates. Não há dúvida de que “não queriam mais guerras”!

Imediatismo foi outra das facetas da descolonização. A frase de Mário Soares diz tudo: «Quanto mais depressa nos virmos livres das colónias, melhor». Resolver tudo de imediato, e, depois, justificando com a estafada frase: “fez-se o que era possível”. Um pouco seguindo a lei Belungas. Esta historieta passou-se no futebol. Vindo dos bicanjos (berças em Portugal, grotão no Brasil) chegou Belungas um beque (defesa) com a fama de limpador de área. Dizia-se que onde ele assentava a chuteira nunca mais nascia capim. O que se confirmou em parte, pois os campos eram pelados. O capitão do time recomendou-lhe várias vezes: a bola não pode entrar na grande área, o objectivo numero um é “afastar o perigo”, chutão para a frente. Minutos decorridos vem uma bola por alto e o nosso beque aplica-lhe um chuto de voleio (ou seja sem deixá-la tocar no chão). Em que direcção ? Para a própria baliza, golo contra. O capitão, espumando de raiva, interpela-o, mas a desculpa dele deixa-o imobilizado de espanto: Ó sr. Jaime, pelo menos eu “afastei o perigo”.

Intrujice foi a palavra sempre presente em todos os actos da descolonização. Intrujice do exército português que teve sempre medo de dizer a verdade. Intrujice do colonialismo onde nunca campeou a verdade. Intrujice dos movimentos de libertação que traziam uma conversa, mas actuavam ao contrário. Intrujice dos descolonizadores ou visão curta em geopolítica e estratégia histórica?

Fig Debandada do exército português. Ele não soube (ou não quis?) arranjar uma solução política para uma guerra que estava, à partida, perdida. Todas os exércitos que lutam contra a história estão condenados à derrota. Se o exército Português tivesse formado um irmão mais novo (um exército Angolano com quadros superiores angolanos e integral capacidade de decisão) Angola hoje não apresentaria uma tal magnitude de destruição.

O que levou os militares a entrarem na guerra colonial quando se sabia, pela própria história universal, que o desfecho lhes seria adverso? E após terem passado por uma humilhação colonial na Índia em 1961? Por que não coadjuvaram o desastrado general Botelho Moniz que quis destituir Salazar? Porquê tantos altos-estudos militares, em que se estudavam todas as espécies de guerrilhas e os seus desfechos? Por que, durante os 13 anos de guerra, não forçaram o Governo a arranjar uma solução política, que teria sido fácil, como depois se verificou, quando se viram as fragilidades dos movimentos de libertação e a boa vontade da ONU, dos E.U.A. e de muitos países, até africanos? Como se pode explicar a atitude estática das forças armadas? Como pode um exército ser tão despolitizado, e reagir tão tarde? Como pode a população civil ser tão despolitizada e acomodada?


Treze anos é tempo mais do que suficiente para se ter compreendido que tinha que se arranjar uma solução política e pacífica. E, sobretudo, o exército já tinha uma triste experiência de rendição na Índia Portuguesa. E tinha o conhecimento sobre Dien Bien Phu na Indochina (tratado mais adiante neste livro) e sobre o êxodo da Argélia.
Os militares convenceram-se de que o processo ia ser pacífico ou quiseram imolar as populações que nunca se revoltaram contra a ditadura ? A primeira hipótese é pouco abonatória da sua percepção política da história; a segunda hipótese, a imolação, revela maldade própria de quem se quer ver livre de um problema de que foi o principal causador, mas do qual quer sair como imparcial. Se possível levando vantagens. E levaram-nas, mas a história, aos poucos, vai repondo as verdades.


De início o propósito do MFA era passar todo o ónus de 500 anos para os colonos, e abandoná-los, uma espécia de imolação que pode ser comparada com a fuga da tripulação de um barco, não deixando baleeiras ou salva-vidas. Era uma espécie de naufrágio do Lusitanic.
O MFA, denotando uma confrangedora perspectiva da História, esperava uma reacção independentista dos colonos, tipo Rodésia. Mas enganaram-se. Os colonos, muito sabiamente, resolveram partir em bloco. Um independência dos “brancos” era um rematado suicídio. Angola não era, nem de longe, um Brasil! Felizmente que houve unanimidade, os angolanos não eram tão ingénuos como supunham os militares descolonizadores. Há um limite para as mentiras e para a insensatez!


Houve actos da parte do presidente da Junta governativa (Rosa Coutinho) que nos levam a acreditar que ele tentou “empurrar” os “brancos” para uma independência tipo Rodésia. Assim viam-se livres de um pesado ónus histórico! De uma penada livravam-se do pesadelo originado pelo êxodo de meio milhão de pessoas.Nas arengas quotidianas de Rosa Coutinho transparece claramente a alusão, e o desejo de uma independência rodesiana.


Impunidade é outro esqueleto da descolonização. Os militares que empreenderem todo o processo revolucionário cometeram excessos que nenhum sistema judiciário deixaria passar em claro. E o que fizeram para “limpar o caminho” ? Nada mais nada menos do que forjarem, aproveitando a revolução, leis que isentavam de culpa os desmandos que eles próprios tinham feito. Mas com essas leis que eles forjaram admitiram implicitamente as culpas, chegando a denominá-las de crimes nos laudos das novas leis descriminalizantes.


Em 25 de Abril eclodiu o golpe de estado seguido de um vale tudo. Quebraram-se juramentos de lealdade, saltou-se por cima das leis, espezinharam-se regulamentos, ignoraram-se direitos e tradições. Em tempo de paz social estes desmandos são punidos com tribunais comuns ou cortes marciais, mas nada se verificou. Apareceram leis, feitas pelos próprios contraventores, isentando-os de qualquer culpa. Em 1979, quando ainda estava muita poeira no ar, os próprios revoltosos fizeram leis para limpar todas as áreas.Em 23 de Novembro de 1979 saíu a Lei 74/79 cuja alínea 1 do artigo 1º exarava:«São amnistiadas as infracções criminais e disciplinares de natureza política, incluindo as sujeitas ao foro militar cometidas depois de 25 de Abril de 1974, nomeadamente as conexionadas com os actos insurreicionais de 11 de Março de 1975 e 25 de de Novembro de 1975». Uma autêntica auto-faxina em cima de atropelos e desmandos, em alguns casos atingindo níveis criminosos. Um revoltoso, que se auto isenta de ter atropelado as leis, é marxismo puro. Não de Karl Marx mas sim de Groucho Marx. Este cómico de Hollywood ficou famoso pela suas tiradas de “non sense”. Num dos seus filmes um interlocutor diz-lhe:”Vou propô-lo para sócio do meu clube.” Responde-lhe Groucho: “Não posso aceitar essa oferta, porque eu não quero ser sócio de um clube que me vai aceitar como sócio”.

7 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Inferno é outro esqueleto. O pânico apoderou-se das pessoas ludibriadas por aqueles que ficaram anos e anos alimentando falsas esperanças e prometendo uma quimera. Infernal é o facto de uma guarnição militar fugir de madrugada, abandonando tudo e todos e sem avisar as populações. Infernal é um exército aliciar os nativos, ingénuos e puros, fazendo-os passar para o seu lado, e depois abandoná-los à sorte, sabendo que o mínimo que lhes iria suceder seriam os campos de reeducação cujos manuais foram redigidos pelo “grande pedagogo educador das massas” Pol Pot.
Na Guiné foram fuzilados mais de 500 comandos africanos portugueses porque cometeram o erro de acreditar em Portugal. Infernal é assistir à desmontagem de um país e à arrogância de militares que achavam que estavam no palco da história desempenhando um grande papel. Infernal é assistir-se a estes militares oferecerem-se, posteriormente, como mercenários ou traficantes de armas, aos três movimentos inimigos, como eles os classificavam, querendo assim perpetuar-se nas guerras. Mas diziam antes, com ênfase, que estavam fartos de guerra. Aliás não sabiam e não sabem fazer mais nada! Infernal é ver militares, que afirmavam que queriam a paz, passarem posteriormente a intermediários de armas destinadas a uma guerra fratricida. Nesta foram enterradas muitas minas anti-pessoal que originaram (e infelizmente ainda originam!) milhares de estropiados. E deixaram vastas zonas do país, ainda hoje (2005), com perigos de morte enterrados no chão.



Uma guarnição militar, altamente conceituada, melhor dizendo estimada, entre os angolanos, recebeu ordem para evacuar a população civil. Abandonou-a, à sorrelfa, de madrugada. O povo dizia que eles cumpriram as ordens mas trocaram os artigos gramaticais: em vez de evacuarem a população eles “evacuaram” na população.

Inveja é a última palavra dos Lusíadas e é o último esqueleto deixado pela descolonização. Ficou intolerável para os militares e para os oligas africanistas a ideia de uma Angola com um ritmo de desenvolvimento acima das médias mundiais e, especialmente, com um fabuloso horizonte originado pelos enormes recursos naturais. E, fundamentalmente, uma Angola livre das amarras colonialistas que tudo inviabilizavam, que se opunham ao progresso material e, principalmente, humano. Tudo em Angola era grande, o país ia ter um exército com oficiais angolanos, o país iria ser um exemplo mundial. Não mais haveria obstruções ao progresso!

Para os militares portugueses acabavam as comissões, as sinecuras, o bem bom “de um pé cá e outro lá”, as viagens, os casões onde se comprava tudo por metade do preço, as chorudas aplicações de escudos metropolitanos no mercado negro, a compra de uma segunda casa. Para eles restavam, de futuro, os comandos de esquadras de polícia, não seriam mais comandantes em chefe, em áreas com mais de 100 000 km², mas apenas mandariam numa jurisdição concelhia com 50 ou menos quilómetros quadrados. Iam comandar num quintal, não mais numa região. Em síntese, almejavam uma situação futura com Angola mergulhada no desgoverno. Para eles, triunfantes, argumentarem “estão a ver, nós saímos, ninguém se entende, não sabem dirigir seja o que fôr”.


É óbvio que apenas nos referimos a alguns militares da oligarquia, aos que se bandearam para o”in”, não nos referimos à maior parte dos militares, com destaque para os milicianos, verdadeiras vítimas em toda a desaustinada guerra. Vítimas que estão à espera de serem indemnizadas.Os civis portugueses, os milicianos que foram integrados no exército que combateu em África, que pouco ou nada tinham a ver com Angola,foram os mais sacrificados em todas estas desgraças, uma desdita igual à dos “indígenas” que também foram abandonados pelos novos senhores de Angola. Os portugueses que “serviram a Pátria” foram vergonhosamente abandonados pelos “revolucionários”. Ainda hoje, em 2009, se arrasta o processo de reparações morais e monetárias a que os milicianos têm direito. Os oligas estão à espera que todos morram. Mas, entretanto vão-se conferindo pensões chorudas para quem nunca descontou!
Em 1999 festejou-se em Portugal o 25º aniversário do golpe de estado. Fez-se um filme e desenrolaram-se muitas cerimónias. O ponto alto destas comemorações foi a petição de alguns “capitães de Abril”, agora coroneis, pleiteando a promoção a general. Motivo: tinham sido prejudicados com a revolução que eles próprios tinham desencadeado. Era o regresso ao marxismo do Groucho Marx! Vamos resumir: eles fizeram o golpe porque estavam a ser ombreados com oficiais milicianos que não tinham feito “academia”; agora queriam ser generais sem terem feito os “altos estudos necessários” e sem terem um único dia de quartel! O que eles condenaram serviu depois de pretexto para as suas serôdias ambições carreiristas.

O mais pungente, impróprio de um país europeu, é o numero brutal de deficientes, completamente abandonados pelos governos, sob a alegação de que “não há verba”. Mas há-a para 124 generais. Rácio em Portugal: um general para 322 soldados.
Os assimilados, os colonos e os indígenas edificaram, a partir praticamente do nada, um país com infrastruturas fundamentais, com uma interessante organização e com um mais que aproveitável sistema de produção de alimentos e bens. Os militares portugueses e os militantes angolanos estraçalharam todas as actividades, infrastruturas e sistemas construídos ao longo de mais de 60 anos.

A história é constituída por factos inter-ligados, onde o passado é o factor preponderante que explica o presente. Angola não fugiu a esta regra. Em 25 de Abril de 1974 os militares que perpretaram o golpe de estado que derrubou uma ditadura de 40 anos, estavam cientes desta regra ou ,pelo menos, deveriam estar. O processo histórico colonial angolano estava eivado de injustiças mas também de sacrifícios e de dedicações. Em meio século os colonos e os africanos erigiram um país, um dos mais bem estruturados do continente africano, augurando uma grande nação próspera. Infelizmente tudo correu mal, acabando no processo que conduziu à independência. Esta foi resolvida pelos militares portugueses e por três movimentos de independência que nunca se entenderam. Uma emancipação exógena (de fora para dentro) ao contrário dos variados países colonizados que se independentizarem endogenamente.

Entre os chamados retornados está arreigada a crença de que “o Mário Soares foi o unico culpado”. Não foi. Era difícil a resolução do processo histórico angolano tal como ele se apresentava. Séculos de dominação implacável e depois 40 anos ininterruptos de ditadura surda e cega às modificações que se geraram em todo o mundo conduziram a uma independência precipitada de que poucos dirigentes metropolitanos anteviram as consequências. O facto de não haver uma cultura democrática em Portugal, e muito menos em Angola, foi o principal motivo do desentendimento geral. Todos se guerrearam num processo niilista, difícil de entender.
Havia alternativas menos piores do que aquela que se verificou? Ou, utilizando a frase predilecta dos descolonizadores, “foi a descolonização que era possível”, isto anos depois, porque inicialmente eles proclamavam “urbi et orbi”, com um ridículo orgulho, de que foi “uma descolonização exemplar”. Tão “exemplar” que todos foram despojados dos seus bens e dos seus direitos! Tão “exemplar” que ninguém foi indemnizado, ao contrário de outros países que tiveram colónias. Tão exemplar que precipitou Angola em lutas fratricidas cujos resultados foram desastrosos em todos os sentidos.

Mário Soares, por estar mal elucidado, por não ter qualquer conhecimento das realidades africanas , e não estava interessado em conhecê-las( corre a fama de que “não lê os dossiers”), por alimentar uma incontida má vontade contra os “ultramarinos”, mesmo assim não pode receber todo o ónus de políticas anteriores seculares e desastrosas. Mário Soares, com aquela ligeireza com que aborda qualquer assunto, com aquela empáfia de ser laico, republicano e socialista (embora tenha como passatempo a acumulação de reformas, subvenções e subsídios) e com aquela facilidade de “ceder os trunfos” sem pensar,não estava, minimamente, à altura de um processo histórico tão complexo e tão melindroso.

No Brasil, na gíria, diz-se para uma pessoa que não se está apercebendo da sua incompetência, do ridículo, da ignorância, da vaidade ou da má vontade : si manca. Entre os jovens esta frase significa: cai na real O dicionário Aurelião consigna: « mancar- capacitar-se de que está sendo inoportuno,inconveniente ou está cometendo erro, engano». Em Portugal diz-se “que não se dá conta” a propósito de não estar à altura ou a ser inconveniente.O fantástico humor brasileiro criou o xarope “Simancol” que deve ser tomado por todos aqueles que “não se mancam”, ou seja de que se não dão conta, que não caiem na real. Em 1974 as farmácias portuguesas deveriam ter este xarope à venda, teriam evitado milhões de desgraças! Foi enorme a quantidade de gente incompetente que “se não mancou”, de pessoas que não cairam na real.Hoje estão mudos e quedos!

Fig Reunião no célebre Acordo de Alvor. Em primeiro plano da esquerda para a direita Melo Antunes, Rosa Coutinho,Agostinho Neto,Costa Gomes,Holden Roberto,Jonas Savimbi,Mário Soares e Almeida Santos. Em 8 intervenientes 5 são portugueses sem quaisquer interesses em Angola.Um destes (Mário Soares)“nunca lá pôs os pés”.Dos mais de 5 milhões de residentes em Angola ninguém está representado. Estranha forma de se exercer democracia, agravada com o facto de que o Movimento dos militares portugueses tinha como ponto de honra um referendo e eleições em Angola.


Fig Arriar da bandeira portuguesa e hasteamento da nova bandeira. Nenhum alto-representante (Presidente da República)do governo português.O novo governo em Portugal,saído de um golpe de estado em 25/04/1974, ficou inquinado com ideologias marxistas e com ideias mirabolantes sobre a nova ordem e justiça a implantar em Angola.Os três movimentos independentistas entraram armados em Angola,e depois receberam mais armas do exército português. Em pouco tempo estava instalado o caos, com terríveis consequências em bens e pessoas. O governo de Lisboa teve vergonha de conceder a independência: a quem? Numa breve cerimónia na fortaleza de S.Miguel, restrita apenas aos militares,sem qualquer elemento da imprensa, foi arriada a bandeira portuguesa,« dobrada, colocada em bandeja de prata e entregue ao alto-comissário».Os três movimentos proclamaram, cada um de “per si”, a independência. Na gravura vê-se a cerimónia que decorreu em Luanda somente com o MPLA. Angola merecia uma liturgia mais consentânea com o seu passado e com os seus povos. Como afirmamos mais adiante isto não foi mais do que a cereja ácida no bolo amargo(feito com farinha de quina) do colonialismo.

Era possível uma descolonização menos traumatizante? Era. Bastava terem entregue todo o processo à ONU. Se os militares portugueses estavam fartos de guerra e se “nem mais um soldado para África”, a solução era a ONU. O próprio secretário-geral ofereceu a opção ONU que foi recusada pelos militares portugueses. Aliás não se compreende que, sendo os militares portugueses a parte mais preponderante da guerra, tenham intervindo como imparciais. Nestas circunstâncias temos que admitir que, na recente independência de Timor, a Indonésia (ocupante) também tivesse interferido naquele processo. O Brasil estava pronto a ajudar no processo da descolonização angolana, estava disposto a enviar quaisquer tropas requeridas pela ONU. Estas tropas garantiriam a segurança de pessoas e bens. Infelizmente, “orgulhosamente sós” no colonialismo e “orgulhosamente sós” na descolonização


Fig Retirada da bandeira americana de uma urna, para depois ser entregue à família de um militar morto em combate. Há todo um cerimonial de recolha onde imperam a honra, o rigor, o orgulho, o respeito, o patriotismo.A fotografia transmite emoção!


Fig Recolha da bandeira portuguesa por um´” barbudinho”. Ela é levada debaixo do braço, como qualquer melão. As mãos estão sem luvas, as mangas arregaçadas, não se vislumbra qualquer escolta!. Ocorre-nos a pergunta: não havia um regulamento para a dobragem e transporte da bandeira? O que transmite esta fotografia?

Se os militares portugueses estavam fartos de guerra, o que até é verdade, por que quiseram levar o processo até ao fim, conduzindo-o afinal para piores confrontos, agravados com ideologias importadas e, convenhamos, a caminho de estas próprias se tornarem também ultrapassadas?

8 - ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS - OS OSSOS DA DESCOLONIZAÇÃO (PARTE 3)

Em 1962, em plena guerra diplomática entre Salazar e Kennedy, os Estados Unidos propuseram planos para a independência de Angola, todos eles tendentes a estabelecer um governo de maioria africana, de absoluta confiança de Washington. Prazo: dez anos. Os interesses e haveres dos que quisessem abandonar a colónia teriam sido levados em conta, como uma das prioridades. Os americanos comprometiam-se a indemnizações, a garantia de direitos, e previam grandes êxodos.
Apareceram vários planos, todos eles feitos por “especialistas”, dos quais os mais importantes eram o Plano Sakwa e o Plano Anderson. O Plano Sakwa foi preparado por Paul Sakwa funcionário da CIA e preconizava o seguinte: em troca da alienação das colónias, Portugal receberia uma compensação financeira, de tal modo avultada que era suficiente para que o país “ levantasse a cabeça”. O dinheiro recebido permitiria que o país duplicasse o seu rendimento por habitante, em cinco anos. Em Angola era acelerado o ensino de modo a preparar as populações para um auto-governo. Seriam feitas em 1967 eleições locais (autarquias?), em 1969 seriam feitas eleições regionais (distritos ?) e em 1970 seria o coroamento dos planos com eleições nacionais e proclamação da independência. Estavam previstas indemnizações para todos os que quisessem abandonar Angola.


O Plano Anderson apareceu mais tarde, em 1964, e propunha que Portugal aceitasse a autodeterminação das suas colónias num prazo de 8 anos. Em troca receberia várias compensações e indemnizações. Anderson era o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, substituto de Elbrick o embaixador que ajudou e incentivou Botelho Moniz para a efectivação de um golpe de estado, infelizmente fracassado, conhecido depois como Abrilada.
Em 1974, e uma vez que a continuidade da leuco-comunidade em Angola estava seriamente comprometida, podia-se ter reavivado o Plano Sakwa, adaptando-o aos tempos actuais, de modo a defender os muitos interesses: as pessoas que quizessem abandonar o território seriam indemnizadas e colocadas, pacificamente, em qualquer país que as quizesse receber.

Mas tudo se fez estouvadamente. O país recebeu, de muitos países, milhões de dólares e toneladas de donativos que foram distribuidos sem “rei nem roque”. Os fugitivos de Angola- mais de metade não conheciam a metrópole- receberam o nome de retornados e foram alojados em hoteis de turismo (3, 4 e 5 estrelas). Estas unidades hoteleiras estavam a caminho da falência pois os turistas já não suportavam mais os arroubos revolucionários de uma minoria de portugueses. O aboletamento dos “retornados” nos hoteis foi a forma miraculosa de evitar um colapso na então recente estrutura turística de Portugal.


A descolonização não foi mais do que a cereja ácida em cima do bolo amargo(feito de farinha de quina) do colonialismo, como já foi afirmado. Uma e outro completam-se, têm muitos pontos de contacto. Foi intitulada de revolução mas a grande verdade é que os protagonistas da descolonização (militares portugueses) estavam seriamente comprometidos com o colonialismo, alguns foram figuras-chave nos dois processos. Acabaram por beneficiar de promoções, e até condecorações, nos dois sistemas. E, cúmulo dos cúmulos, ainda se acham prejudicados porque “a revolução do 25 de Abril “ atrasou as suas carreiras militares”. No mínimo, é bizarro querer ser recompensado dos próprios erros cometidos! Mais bizarro, ainda, é exibir condecorações recebidas em dois sistemas antagónicos!


A descolonização foi tão atabalhoada que o colonialismo ficou esquecido. As pessoas que perderam os seus haveres, para não citar os anos perdidos, culpam a descolonização por todos os males que dela advieram. Mas a verdade é que as maiores culpas recaiem sobre o colonialismo e algumas, também, sobre a colonização. O colonialismo, incluindo nele os militares que aguentaram a guerra da independência (e o regime ditatorial também), não soube encontrar uma solução para o impasse político que persistiu ao longo de treze anos (1961-1974). Os governos de Lisboa, apesar de terem atenuado algumas injustiças, não souberam, ou não quiseram, arranjar uma saída de acordo com o bom senso, ou seja acompanhando o “main stream” mundial (corrente dominante). Depois da guerra 1939/1945 as colónias passaram a ser olhadas, mundialmente, como anacronismos incómodos. Nenhum país concordava com o colonialismo, alguns deblateravam-no cruelmente.


Fig As pessoas que viviam em Angola ficaram aturdidas com tantos acontecimentos em tão pouco tempo, um contraste com 40 anos de modorra colonial. E mais ainda com a cobardia e a falta de caracter de todos aqueles que “mudaram de clube” de um dia para o outro. Subitamente aqueles que serviam a “ditadura de direita” passaram-se para a” esquerda”.Em 24 horas praticamente já não existiam pessoas que tivessem servido Salazar. Aqueles patriotismos exacerbados que nos acompanharam durante dezenas de anos esfumaram-se em poucos meses.Em Angola tudo dasaguou em um período “Caixotesco”.




Fig Contrariamente ao que se afirma correntemente ninguém em Angola fazia fortuna. Basta folhear um qualquer jornal de Angola (Provincia de Angola,Diário de Luanda, A Voz do Planalto, O Lobito, O Intransigente, Notícias da Huíla etc) para nos depararmos com notícias do género”morreu na miséria o velho colono Fulano de tal”). Um colono que não tivesse filhos morreria na miséria no fim da vida. Depois do Acto Colonial de 1932, todo o capital estava em mãos metropolitanas.Todas as fortunas feitas em Angola estavam sediadas na Metrópole.Aleatoriamente, porque foram muitas as notícias sobre este assunto, transcrevemos de “A Voz do Planalto” de 01/02/1951 a propósito da morte do velho colono Cristiano de Miranda no Bailundo:«Deixa a viúva na miséria, ultimamente vivia do auxílio de muitas pessoas. Que mocidade tão inutilmente desbaratada e que fim triste e pungente»
A partir de Abril de 1974 já não eram mais silenciosas as quase sempre estreladas e maravilhosas noites de Angola: passou a ouvir-se a Sinfonia dos Caixotes onde sobressaiam os metais, (alicates, torquezes, serrotes) as cordas( de sisal), a percussão (martelos e marretas) e os sopros (um colono bufando depois de uma martelada num dedo).

A partir de 1961, quando se registou uma promissora descompressão, tinha que se arranjar uma solução política e ela só poderia ser a de uma rápida e ousada ascensão dos africanos ao topo da governação, a par de uma notória melhoria nas condições de vida deles. Isto foi proposto por alguns militares mas nem Salazar, nem Caetano estavam dispostos a ceder. Qualquer deles já tinha demonstrado uma intransigência que não se ajustava ao tempo presente, tudo agravado com o facto de Angola já possuir RN (referências nacionais) em nível mundial: o comboio da independencia já estava em marcha e nada o poderia deter. A única saída era uma descolonização, com o apoio da ONU e dos países amigos, facilitando a saída dos europeus. Infelizmente nem isso sucedeu. O tempo era escasso, já não havia tempo para se esbaterem os grandes erros históricos.


Fez-se uma descolonização atabalhoada e vergonhosa, a reboque da ideologia marxista-leninista, ela própria a caminho da auto-destruição. Sem qualquer descolonização nunca se teria chegado a tão desastroso resultado.Pior do que esta descolonização era impossível.


Uma palavra para definir a descolonização feita por um “escol” das Forças Armadas Portuguesas: esculhambação.


Luiz Chinguar
Agosto 2009


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo


Fim

sábado, 5 de setembro de 2009

"JORNAL NACIONAL" DA TVI CENSURADO

Este "spot" de promoção do "Jornal Nacional" é que esteve na origem da censura efectuada.

José Sócrates pôs-se a jeito, utilizou o Parlamento e o palco do Congresso do PS para aproveitar e dizer o que lhe convinha para desacreditar e criar animosidade contra a TVI.

Agora que tudo aconteceu como ele verdadeiramente desejava, queixa-se e arma-se em vítima. Em grande vítima.

Os portugueses são todos parvos. Devem ser.

Para trás ficam os vários processos a jornalistas e recadinhos que ele foi dando a vários redacções de jornais e rádio (Publico, RR ...) de cada vez que publicavam alguma coisa que ele não gostava. A TVI noticiou factos, não inventou nada, tal como o Jornal Publico e RR não inventou as habilitações de engenheiro ao domingo do sr. Sócrates.

SÓCRATES E A TVI

Até parece que José Eduardo Moniz estava a prever.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

«JORNAL NACIONAL DE SEXTA», e MANUELA MOURA GUEDES

Vigília pela Liberdade de Imprensa


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Quem puder, participe na Vigília pela Liberdade de Imprensa, amanhã, sexta-feira, 4-9-2009, pelas 20 horas, em frente à TVI, na Rua Mário Castelhano, n.º 40, Queluz de Baixo.
E divulgue a inicitiva nos blogues, redes sociais e mail.

DOSSIÊ SÓCRATES: O ATRIBULADO PERCURSO ACADÉMICO DE QUEM SE TORNOU ENGENHEIRO DE UM DOMINGO PARA O OUTRO

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Um documento oportuno de António Balbino Caldeira

do blogue: doportugalprofundo

PARABÉNS ANTÓNIO


Para download gratuito: clique aqui, grave o ficheiro e só depois abra*..
Para comprar o livro impresso: clique aqui.
Com factos novos e documentos inéditos descobertos, publico em livro "O Dossiê Sócrates".
Este livro contém o revisto trabalho de investigação publicado no blogue Do Portugal Profundo sobre o percurso académico do primeiro-ministro José Sócrates - e ainda uma introdução sobre o contexto da investigação e um epílogo onde são revelados factos e documentos novos (não publicados no blogue), entretanto destapados. São ao todo 405 páginas, das quais 251 correspondem aos posts revistos publicados no blogue e o resto a material novo.
Trata-se de um trabalho que comecei após o período de nojo do inquérito judicial aberto por queixa do "primeiro-ministro enquanto tal e cidadão" José Sócrates, que terminou em Janeiro de 2008, como se sabe, com o arquivamento da queixa e a não apresentação, pelo queixoso, de acusação particular contra mim. Reuni os posts que publiquei sobre o caso e, pacientemente, fui explorando novos caminhos de pesquisa para descobrir e esclarecer novos factos, que me pareceram ser importantes do conhecimento público, sobre o percurso académico (que constitui vida pública) do primeiro-ministro de Portugal.
Por ser importante, revelo abaixo a saga da publicação de mais um livro proibido e a necessidade de recurso à publicação nos EUA (na Lulu.com) para vencer os bloqueios da publicação em Portugal.
Comunicado ao o grupo editorial Leya o meu propósito de edição do livro, recebi no próprio dia a manifestação do interesse na publicação. Apresentei o conjunto de posts que compôem a II Parte do livro e o interesse da editora manteve-se - e cresceu quando depois entreguei a I Parte (a Introdução) na qual contava o contexto da pesquisa e as vicissitudes do afrontamento do poder quase-ditatorial do Governo. Paralelamente, trabalhei ao longo de meses no desenvolvimento do livro, e investigando os novos factos. Até que, em 27 de Fevereiro de 2009, entreguei à Leya uma versão preliminar da III Parte (a Conclusão) do livro, com a descrição de alguns factos novos e a interpretação de documentos inéditos. A insistência constante da editora para que eu terminasse o livro foi substituída por um silêncio absoluto: nem mais um pio. Nunca mais se atendeu o telefone, nem se respondeu aos mails, nem às mensagens. Nem, estranhamente, sequer se correspondeu ao pedido legítimo e formal de devolução do material entregue. Nada.
Contactei outras editoras, mas também não tive êxito na edição do livro. Uma delas - aparentemente insuspeita... - nem sequer respondeu ao mail que lhe enviei. E outra também recusou. Finalmente, já no final de Julho de 2009, uma editora mostrou-se interessada, oferecendo-me a possibilidade de colocar o livro para download pago e eu fazer o co-financiamento da edição impressa (co-financiamento que se destinava a prevenir o risco do bloqueio da distribuição e venda em prazo útil). Alguém, do meio, explicou-me depois a dificuldade e receio de, no Portugal socratino, uma distribuidora fornecer, e as cadeias de livrarias e superfícies comerciais exporem e porem à venda, um livro intitulado... "O Dossiê Sócrates"...
Frustrada a tentativa de edição tradicional em tempo útil, sem meios para o co-financiamento da edição impressa, sem interesse numa versão digital paga, e sem a difusão natural e distribuição corrente nos pontos de venda, decidi contornar o obstáculo da edição, distribuição, exposição e venda, com a publicação integral gratuita do livro em linha e a possibilidade de compra para os leitores que queiram ler e ter o livro impresso.
O valor de compra do livro impresso cobre apenas o custo da edição, e com os portes, não é superior ao preço de edições similiares no mercado. Escolhi propositadamente um tamanho de papel mais longo, o qual permite um custo baixo (14,95 euros). Podia cobrar também pela edição digital; porém como o meu objectivo não é económico, mas político, o livro fica disponível para o download gratuito dos leitores. As duas modalidades estão disponíveis na Lulu.com. Creio que a alternativa que escolhi responde à máxima difusão possível e conveniência dos leitores.
Recomendo aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...
O livro, como explico na Introdução, é o produto do trabalho desinteresseiro de muitos cidadãos que colaboraram na investigação e apoiaram o esforço e ousadia. Estou obrigado a todos os que ajudaram nesta missão e contribuiram para este projecto. Portugal vale bem os nossos riscos. Deus vos abençoe.
* Se não gravar o ficheiro após o download, a sua abertura pode ser mais difícil. Por isso, primeiro grave o ficheiro no seu computador e só depois abra o ficheiro para o ler. Por condcionamento da Lulu.com, a versão digital deste livro é igual à versão em papel.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A FALTA DE DELICADEZA PARA COM OS PROFESSORES ...

Talvez Sócrates ache que os professores sejam TODOS PARVOS.
Sócrates é um MENTIROSO e a Maria de Lurdes tem um bom professor
Estes vídeos não enganam.
Deviam era ter VERGONHA NAQUELAS CARAS.

Ministra admitiu problemas de comunicação com professores mas nega críticas ao seu trabalho e
Sócrates admitiu que, da parte do Governo, "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores"

"Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores" - disse o ALDRABÃO!




APITO DOURADO

Clique em cima para aumentar a imagem
As coisas que nós vamos (entretanto) sabendo melhor. (Semanário Privado de 26.08.2009)
No carrossel da corrupções, andavam todos os árbitros.
Pinto da Costa sabia muito bem QUEM escolhia, POR QUE escolhia, QUANDO escolhia e, COMO escolhia.
E no final, toda a gente sabe como as coisas se faziam e aconteciam, os telefonemas EXISTIRAM, DE FACTO, mas ... NÃO ACONTECEU NADA.
Como não acontecerá nos processs Casa Pia e Freeport.
A justiça portuguesa ao melhor nível.
A JUSTIÇA DOS RICOS !!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

AGORA? AGORA É TARDE !!!

Mas porque não se cala este homem? Acho piada.
Mas então este senhor pensa que os professores têm todos uma memória curta?
Se diz que vai melhorar, Porquê que não melhorou quando teve oportunidade para isso?
Porquê que quando falava dos professores, falava sempre com ÓDIO, com DESPREZO e com MENTIRA, referindo várias vezes que os professores NÃO ERA AVALIADOS, sabendo ele que estava a MENTIR com o objectivo único de lançar a população CONTRA os portugueses, que foi assim que a ministra sempre governou: CONTRA OS PORTUGUESES.
De nada lhe vale agora vir com falinhas mansas, armar em Madalena arrependida, lançando os maiores elogios aos professores quando se trata de elogiar as estatísticas do "sucesso escolar"
NÃO, NÃO E NÃO.
Comigo vais de carrinho, NÃO ME ENGANAS.
Sócrates que esclareça lá melhor as suas habilitações e a forma como se "licenciou", as falsificações na Assembleia da Republica, os projectos das casas na Guarda, os offshores das casas dele e da mãe, o Freeport ... Etc.!!
Não dá para acreditar naquilo que ontem os portugueses ouviram da boca deste MENTIROSO sobre os professores. Nem queria acreditar:

"Acredito que exista crispação" e "um sentimento especial em relação às medidas que o Governo tomou", mas "farei tudo o que puder e o que estiver ao meu alcance para que esse ambiente não subsista".

Sócrates admitiu que a sua personalidade tenha contribuído igualmente para o ambiente de crispação. "Não posso pôr isso de parte, mas não gostaria que isso acontecesse. Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores",

Sou professor, felizmente ainda tenho memória e não acredito que os restantes docentes que verdadeiramente estiveram na defesa da escola pública não estejam atentos. Saberão dar a devida resposta a todo este chorrilho de mentiras, hipocrisias e falsidades.

Estamos FARTOS DE OUVIR MÚSICA !!!


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

PERMUTA DE PROFESSORES

Por solicitação de uma colega deixo aqui o seguinte pedido:

"Sou de Aveiro e fui colocada em Alpiarça (Santarém) na Escola EB 2/3 S José Relvas no grupo 620 de Educação Física. Pretendo fazer permuta com colega que tenha sido colocado(a) em Aveiro, Coimbra, Pombal ou em qualquer outra escola em concelhos na linha de combóio até ao Porto e pretenda ir para a zona de Santarém"

Resposta para este "post" ou tlm 934252263

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

CAROLINA PATRÍCIO - MANDATÁRIA DA JUVENTUDE DO PS

A Staples adoptou para campaha do seu "Regresso às aulas" a figurinha de uma batoteira assumida. Uma figurinha que prefere fazer batora a perder e, só come cerejas se for a empregada a tirar-lhe os caroços. (Correio da Manhã de 24.08.2009)
Carolina Patrocínio escolheu o partido certo.
Com esta vocação para a batota, terá certamente um futuro político muito promissor.




COMUNICADO DE JOSÉ SÓCRATES

MUITO IMPORTANTE:

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro

Faz o Governo saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.
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domingo, 9 de agosto de 2009

FÉRIAS DOS POLÍTICOS

Clicar em cima da imagem para a aumentar
Entretanto ... também entrei de férias!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O SPORTING E OS CROMOS DA TVI COM AZIA!

Jogámos 94 minutos contra os locutores da TVI e ... GANHÁMOS. Rui Patrício com a cabeçada de Jesus, calou 6 milhões de portugueses


domingo, 2 de agosto de 2009

SÓCRATES SEM VERGONHA

O antes e o depois de ser primeiro ministro
A cara de um é o cú do outro!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ESTÁ PARA NASCER UM PRIMEIRO MINISTRO MAIS MENTIROSO"

E também ainda "está para nascer um primeiro ministro que se tenha ´licenciado`a um domingo, por FAX e entre amigos".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que não tenha na Assembleia da República uma ficha biográfica a dizer que é engenheiro civil e licenciado e outra a dizer que não passa de um "bach" em engenharia".

Ainda "está para nascer um primeiro ministro que diga que assinou mas que verdadeiramente não projectou casas e currais".

quinta-feira, 16 de julho de 2009

HISTÓRIA DE AVEIRO - SINTESES E PERSPECTIVAS


Na próxima sexta-feira, dia 17 de Julho, pelas 18.30 horas, no plenário do edifício da Antiga Capitania, será lançado o Livro “História de Aveiro – Sínteses e Perspectivas”, coordenado por Amaro Neves e Delfim Bismarck Ferreira.

No âmbito das comemorações do 250.º aniversário da elevação de Aveiro à categoria de Cidade, a presente obra pretende reunir num volume os mais recentes trabalhos de investigação produzidos por aveirógrafos, ou seja, por autores que se dedicam ao estudo dos mais diversos aspectos relacionados com o passado e evolução de Aveiro.

Este desafio, difícil de materializar, só foi possível graças à participação de cerca de duas dezenas de autores, constituindo-se, assim, a História de Aveiro - Sínteses e Perspectivas, onde o leitor poderá vislumbrar uma “viagem” por muitos dos aspectos marcantes da evolução de Aveiro, da sua Geologia e Geografia ao Turismo, passando pela Arqueologia, História, Arte, Heráldica e Património.

Em suma, uma síntese desde as suas mais remotas origens até à contemporaneidade, abordando os seus mais distintos aspectos e principais actividades artísticas, económicas e sociais.

Naturalmente, uma obra deste género não pode abarcar todo o passado de uma comunidade, constituído certamente de grandes momentos de glória mas também de longos períodos de sofrimento, ao longo de milhares de anos de existência.

Os Autores das investigações são:

Amaro Neves; Ana Clara Correia; Armando Teixeira Carneiro; Artur Jorge Almeida; Clara Sarmento; Delfim Bismarck Ferreira; Énio Semedo; Fernando L. Ladeira; Francisco Messias Trindade Ferreira; Francisco Teixeira Homem; Hugo Calão; Inês Amorim; João Gonçalves Gaspar; Luís M. Ferreira Gomes; Manuel Barreira; Manuel Fernandes Thomaz; Paulo Morgado; Rosa Maria Oliveira; Saul António Gomes e Sónia Filipe.