BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (4)

Extrapolando para o resto do país observa-se que Angola em 1973 apresentava estruturas urbanas modernas, em que sobresssaiam a organização administrativa e financeira, a boa rede de estradas asfaltadas, os eficientes caminhos de ferro, a estrutura de ensino ao nível de povoação, a permanente vigilância dos recursos naturais, um bom estado sanitário e um cadastro organizado de excepcional premência nos tempos actuais de ordenamento e regularização fundiárias. Citando o insuspeito geógrafo Orlando Ribeiro(182):«A arrumação urbana de Angola podia-se considerar razoável à escala do imenso território e da baixa densidade da população». Esta arrumação tinha apenas 50 anos.
Havia tudo para singrar, como independente, rumo a um futuro de progresso e com aspirações a ser o primeiro país de África em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Podem perguntar: e, então a África do Sul? Angola tem muito menor densidade demográfica, tem petróleo e tem maiores recursos hídricos e energéticos. Em termos de século 21, o “século da água”, o país é excepcionalmente rico. Além de já o ser ainda em plena “era petrolífera”.
Vejamos o que sucedeu. É justo adiantar que a geopolítica mundial também contribuiu, e muito, para o colapso total da promissora Angola.Mas não foi a única culpada.A União Soviética, que mal adivinhava que iria morrer de morte súbita nos princípios dos anos 90, alimentava grandes esperanças em ocupar o lugar que a Inglaterra tinha ocupado no século 19 e metade do século 20.
Os Estados Unidos não queriam perder a hegemonia mundial, apesar de estarem desanimados e envergonhados com o desfecho da guerra do Vietname. Era muito difícil para Portugal manter o “status quo” colonial, como tinha conseguido em grande parte do século 20. E era ainda mais difícil manter uma certa influência em Angola, logo que esta obtivesse a sua independência. Portugal não era uma potência económica e estava complexado com o colonialismo desenvolvido ao longo do século 20. A União Soviética convenceu-se que ia ficar em Angola, ocupando o lugar que os portugueses detiveram por mais de quatro séculos. Ilusão! A União Soviética era um modelo elaborado de colonialismo, querendo aparentar o contrário..
Mas não foi a geopolítica mundial a única culpada, repetimos, do descalabro que se instalou em Angola. A geopolítica é a desculpa dos que nada fizeram para defender os angolanos, humildes cidadãos cuja única ocupação era o trabalho no dia a dia; é a desculpa para os ineptos que se querem refugiar no determinismo. Se o país(Angola) tivesse estruturas culturais, financeiras, jurídicas, militares, diplomáticas e políticas, tão boas como as administrativas, as económicas, as de ensino (infelizmente com um injustificável atraso), de saúde, de comunicações (também com atraso) e outras, talvez tivesse apresentado resistências internas às investidas das duas potências mundiais.
Resumindo: se tivesse quadros angolanos preparados, se tivesse uma habitualidade de eleições e uma cultura de tolerância , ofereceria outra resistência às multinacionais que se queriam instalar. Elas instalar-se-iam, não vamos imaginar um quadro irrealista de obstrução ao grande capital. Só a esquerda vesga é que imagina um país sem multinacionais. Igual a Cuba e à Coreia do Norte. Como imaginaram, com elevada dose de ingenuidade e maior ainda de ignorância, os militares que derrubaram Caetano.
Mas infelizmente Angola não tinha estruturas humanas no topo , nem tinha a mínima tradição democrática de eleições para resistir a um capitalismo selvagem. Tudo estava e girava em mãos metropolitanas submetidas, ainda por cima, a uma ditadura impenetrável e avessa a quaisquer mudanças. O povo angolano estava mergulhado em um absoluto e impenetrável nevoeiro político onde qualquer oportunista encontraria campo para militâncias. Até os chamados “civilizados” detinham um analfabetismo político de proporções confrangedoras.
Vale a pena fazer-se uma retrospectiva das doenças em Angola, tanto mais que é um assunto que praticamente ocupa hoje sempre o seu espaço nos jornais e na TV, infelizmente pela negativa. As doenças foram, em séculos anteriores, um dos principais obstáculos à entrada da modernidade. Elas ceifavam, abruptamente, os europeus que se arriscavam a viver em Angola.
Até ao aparecimento do DDT em 1945 os mosquitos eram os eternos micro-companheiros em todas as casas. Portadores da malária (ou paludismo) atacavam de noite. Na verdade só atacava a fêmea que precisa da hemoglobina do sangue para poder alimentar as larvas. Antes de se ter conhecimento sobre o ciclo evolutivo do Plasmodium, de que o mosquito é um dos vectores, sendo o ser humano ou quaisquer mamíferos, o outro vector, e ainda não se ter descoberto o quinino, a mortandade causada pela malária atingiu números de hecatombe. Neste livro referimos a letalidade em S.Tomé, em Benguela e em menor escala em Luanda.
Dizia-se, com uma certa lógica, que só eram angolanos aqueles que partilhavam os mosquitos.
A fêmea do mosquito, conhecido no Brasil como muriçoca, põe os ovos em águas estagnadas de onde sairão as larvas que se transformarão em insecto perfeito com asas, é a fase “aeronáutica”. É neste estágio que saem as “esquadrilhas nocturnas” em busca de sangue fresco.
A secagem de pântanos, através de eucaliptos, o saneamento das cidades com a eliminação de quaisquer focos de água estagnadas, o uso de mosquiteiros e, posteriormente de repelentes, e o aparecimento do DDT transformaram o paludismo numa má recordação, em meados da década de 50. Deve ressaltar-se que o quinino atenuou, bastante, a letalidade da malária. Mas este medicamento, de triste memória, deixa sequelas para o resto da vida. Uma delas é a surdez na velhice!
Mas o grande mérito da erradicação da malária deve-se às severas medidas de profilaxia, complementadas com as aplicações de DDT. Os delegados de saúde e os médicos de Angola, secundados pelos administrativos, eram implacáveis nas medidas de saneamento. Foi um bom trabalho dos médicos e dos administrativos para a eliminação do paludismo, O maior amigo do mosquito, transmissor da malária, é um pneu velho. É indestrutível, é quente e não se consegue tirar, com facilidade, a água do seu interior. É uma luxuosa maternidade de mosquitos.
Até meados da década de 50 o quinino ou quina fazia parte da vida quotidiana de todos os angolanos. Era tomado em drageias (comprimidos) e em injecções. Umas e outras venha o Diabo e escolha. As drageias eram em cru, não tinham qualquer revestimento, se tocassem na língua e boca a sensação era única. Deve ser a substância mais amarga que existe. Com as injecções era pior, embora fossem de maior e rápido valor curativo. Eram dolorosíssimas e, às vezes, agravavam-se ou seja não eram absorvidas pela massa muscular e formavam um abcesso que, depois, tinha que ser lancetado e levar um dreno durante umas semanas.
Uma doença, quase sempre fatal, era a biliosa. Responsável por milhares de mortos era atribuida a uma forma terminal do paludismo. Uns atribuíam à própria degeneração do fígado e dos rins provocada pelo quinino em excesso. Uma outra teoria afirmava que era uma forma diferente da febre amarela. A doença começava pelos habituais febrões, acima de 40º C, com as urinas acastanhadas. Quando se chegava à fase de urinar sangue, era o fim. Até à década de 50 o número de óbitos era tristemente grande. Durante o meu tempo de escola primária e de liceu morreram mais de 10 alunos, nas turmas que eu frequentei, vitimados por biliosa. Na Mocidade Portuguesa a quina ( três soldadinhos- lusitos- à frente, e dois atrás, deixando vago o lugar do meio, como a quina dos dados) era a unidade fundamental da ordem unida. Nós dizíamos que na sena tinha morrido um lusito. Por isso se chamava quina, cujo nome talvez afugentasse o paludismo. Nós marchávamos em quina.
Um bichinho, que nos moía a paciência era a universal barata. Só que as de Angola devem ser as mais inteligentes do globo. Elas auto-programaram estratégias de defesa e fuga como eu não vi em outras terras por onde passei. O melhor insecticida para as baratas continua a ser o chinelo, porque não agride o meio ambiente, embora agrida a barata. Mas o ataque à chinelada exige muita concentração, boa forma física e estômago forte, porque não é agradável ver-se a massa esmigalhada de uma barata.
As baratas angolanas tinham táticas de defesa surpreendentes. Fugiam em zig-zags desconcertantes, faziam paradas e mudanças de direcção mais rápidas do que o Eusébio nos seus gloriosos e inesquecíveis dias, e acolhiam-se, quando não conseguiam um bom abrigo, nos cantos das casas onde convergem três arestas. É impossível matá-las com uma chinelada, talvez se consiga matar com os modernos sapatos pontudos. Mas exige muita pontaria.
As fábricas de insecticidas apresentaram uma arma secreta, por volta de 1950, que provocou uma devastação no mundo das baratas. Era o célebre Flit, o DDT líquido que se espalhava com uma bomba de pulverização, ainda longe dos actuais sprays. O Flit apareceu no Brasil com um anúncio onde mostravam uma dona de casa com um chinelo na mão e uma legenda por baixo: não faça isso D.Judite, use Flit. Foi uma hecatombe inicial mas, uns anos depois, as baratas adquiriram resistência. Dizia-se, por piada, que elas se alimentavam, e engordavam, com funje de farinha (pó) de DDT.
A bitacaia, matacanha, ou bicho de pé como é conhecida no Brasil, ou pulex penetrans como é conhecida pela ciência, foi outro parasita que fazia parte do dia a dia de Angola, até meados da década de 50. Medidas de profilaxia (chão cimentado e creolina) e posteriormente o DDT praticamente acabaram com este indesejável bichinho.
Supõe-se que a bitacaia entrou em Angola, via Brasil, em séculos anteriores ao século 19, e dali propagou-se para toda a África, até Zanzibar, levada pelas caravanas de escravos. No Brasil a bitacaia ou matacanha é conhecida por bicho de pé. Os africanos não se aperceberam do perigo nos primeiros tempos de ignorância. A bitacaia, um pequeno ponto preto quando penetra na pele, nas mãos e nos pés junto às unhas, começa por provocar uma agradável comichão. É o seu primeiro e último aviso. A pessoa escolhida pela pulga, mas que já esteja tarimbada, sabe logo que é uma bitacaia e imediatamente trata de a tirar. Desinfectava-se o local com alcool, na verdade lavava-se apenas, porque o alcool nada desinfecta. O meu pai uma vez expunha ao Dr.Strangway as maravilhas do alcool como desinfectante. Comentário do distinto médico: “alcool é bom, mas bebido”. Depois procedia-se à extracção da bitacaia com um alfinete de segurança, grande, previamente passado em uma chama. A extracção era uma operação rápida para quem sabia, e ainda tinha bons olhos. A pulga vinha inteira na ponta do alfinete que era levada a uma chama. Um estalido e acabou a pulga . Depois nova desinfecção com alcool ou tintura de iodo. E gritos, se fosse extraído um saco.
Se a bitacaia não fosse extraída, em dois dias começava a formar uma colónia (saco), que em menos de uma semana ficava com o tamanho de uma ervilha sem já provocar comichão, mas com o aspecto de uma ferida infectada. Depois “explodia” em pústula. O saco, um verdadeiro super mercado de infecções (tétano e septicemia), era extraído também com um alfinete, mas com muito cuidado para não rebentar.
Os efeitos da bitacaia foram devastadores porque os africanos nada sabiam sobre ela e, no panorama tenebroso da escravatura, ninguém os elucidava. John Reader (175) cita uma observação de um explorador alemão Oscar Baumann em 1894: « Vimos pessoas em Uzinza (actual Tanzânia) cujos membros estavam desfeitos. Aldeias inteiras têm morrido devido a esta moléstia». Henrique de Carvalho(48) deixou escrito que« na estrada de Dombe ao Cuio em 1876 registou-se uma epidemia de pulex penetrans (bitacaia) que causou a morte a mais de 1 000 pessoas e afugentou muita gente daquela região».
È curioso transcrever o que Livingstone escreveu (128), a respeito da bitacaia ( que ele denomina tampan como era conhecida em Zanzibar), quando passou em Luanda em 1854: «varia de uma cabeça de alfinete até um grão de ervilha. Logo que você é mordido pelo tampan, você sente uma dor ardente misturada com comichão que invade toda a perna; logo que o veneno chega ao abdomen causa vómitos e diarreia com violência; quando não há diarreia há febre como eu senti em Tete onde fui mordido mais tarde; soube de um Português inteligente que morreu após a febre. A solicitude de meus amigos de Tete manifestada em relação aos meus Zambezianos, para os preservarem dos tampans, que são comuns em quase todos os povoados, prova o terror que lhes inspira este insecto; quanto a mim, não deixei de sofrer durante oito dias com uma comichão bastante activa na parte mordida».
O folclore de Angola contava que um funcionário, ao embarcar de licença a Portugal, foi “contemplado” com uma bitacaia. Resolveu levá-la até Portugal, para mostrar aos amigos uma “fera de África”. Morreu, durante a viagem, com tétano.
No Brasil um vaqueiro diz para outro: as três melhores coisas da vida são dinheiro, muié e bicho de pé. Uai, responde-lhe o companheiro porquê bicho de pé? Uai se não tivé o bicho de pé, p`ra quê muié?
21.-As doenças. A melhoria das habitações contribuiu bastante para a erradicação da bitacaia e de outras doenças. Quando os caminhos de ferro penetraram no interior de Angola, complementados logo a seguir com o automóvel, ficou viável o transporte de cargas pesadas.O cimento entrou em Angola e passou a pavimentar todo o interior das casas, aliás tornou-se obrigatório, no segundo consulado de Norton de Matos. Foi um duro golpe nas bitacaias, mas elas ainda duraram uns anos até à chegada do DDT. As bitacaias apareciam, em grande profusão, no milho a granel. Quando começou a ser expurgado (matança de parasitas com tetracloreto de carbono em câmaras herméticas) desapareceram quase por completo.
Os oxiuros são minúsculos vermes intestinais que vivem no intestino grosso, mais propriamente no ceco dos seres humanos. Durante a noite as fêmeas ( 10 mm) alojam-se no ânus, onde já se encontram os machos (3 mm) para a desova. Isto provoca coceira e profunda irritação no hospedeiro. A transmissão é feita por infestação e através das fezes. A erradicação da “doença” faz-se através de medidas rigorosa de higiene ( banhos diários de chuveiro) e na administração de vermífugos.
Em Angola, onde as condições de higiene no século 19 e primeiros anos do século 20 eram deploráveis, esta “doença” atingia números de epidemia e casos de extrema gravidade. Silva Porto descreveu, com minúcia, a oxiuríase ou maculo como era conhecida nos planaltos de Angola. Capelo e Ivens resgataram um adolescente, escravizado por uma quibuca (caravana só de africanos), que estava a definhar com o maculo.
Esta doença desapareceu de Angola graças às medidas de higiene e de profilaxia e aos potentes vermífugos que apareceram logo a seguir à guerra 39/45. Uma outra medida, que contribuiu para a quase erradicação da doença, foi a obrigatoriedade de cimentar o interior das residências, facilitando a “creolinagem” do chão. O facto de ser cada vez maior o número de gente calçada talvez tenha também contribuido para o decréscimo da doença.
A febre das mabatas era uma doença temida em Angola porque era de difícil cura e provocava febres altas, recorrentes. O agente da doença era uma bactéria ou espiroqueta transmitida através de uma carraça. Esta agarrava-se aos mamíferos e tinha o seu habitat em antigas palhoças de adobe ou barro chapinhado em paus ( pau a pique). Existem centenas de variedades de carraças e de bactéria da mesma estirpe espalhadas por todo o Mundo. O agente em Angola era o Spirochaeta dutonni, observado em 1906. O vector era uma carraça o Ornithodorus Moubata e, daí, o seu nome mabata. A febre das mabatas era semelhante aos ataques da malária e, quando não era diagnosticada convenientemente, era tratada com quinino. Em Angola esta doença era particularmente grave.
Fig 11 Vector da febre das mabatas Ornithodorus Moubata(vista de cima e de baixo) uma carraça cuja fêmea se alimenta do sangue dos mamíferos, transmitindo uma bactéria que provoca febres recorrentes , altíssimas. Existia em casas abandonadas, de barro cobertas de colmo(capim). Norton de Matos incentivou a instalação de dezenas de cerâmicas que impulsionaram a construção de casas de tijolo, cobertas com telhas e chão cimentado. O aparecimento do DDt foi o golpe mortal na febre das mabatas, conhecida nos Estados Unidos da América como Mal de Lyme.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (5)

Antes do aparecimento dos antibióticos, um remédio drástico, para a febre das mabatas, era a administração, em injecções, do célebre 914. Constituição deste “remédio”: mercurio. Dizia-se que o nome 914 era devido ao facto de se terem feito 914 experiências até se conseguir uma fórmula de mercurio assimilável pelo organismo e que não matava o doente. As injecções eram dadas nas veias por um enfermeiro experiente. E era assim: espetava-se agulha e depois injectava-se um pequeníssimo volume e esperava-se pela reacção do doente. Se nada houvesse, injectava-se mais uma pequena dose e esperava-se. E assim até à dose total. Ou letal se houvesse infelicidade. As injecções de 914 eram o terror de toda a gente. Eram usadas, também, para combater a sifílis e as doenças venéreas renitentes. Muita gente julgava que o nome provinha da guerra de 1914.Mais tarde descobriu-se o salvarsan cujo componente era o arsenio, outro veneno.
O nome científico da “doença do sono” é Tripanossomíase Africana que é causada por um protozoário flagelado. O nome popular da Tripanossomíase Americana é “doença de Chagas”. A doença do sono caracteriza-se por febres intermitentes, inflamação dos gânglios linfáticos, inchaços generalizados e, claro, por uma sonolência incontrolável. A doença foi devastadora noutras épocas. Ironicamente foi ela que evitou a matança total dos grandes mamíferos africanos, em especial do elefante. Este animal, sentindo-se acuado, por causa da procura do marfim, refugiou-se em áreas de grande incidência da doença do sono ou em áreas com falta de água.
O mal é transmitido através de uma pequena mosca a Glossina Palpalis ou tsé-tsé como é conhecida em toda a África. Os hospedeiros do ciclo evolutivo da doença são a mosca e os mamíferos. Destes exceptuam-se os animais selvagens africanos aclimatados e com anti-corpos para a doença. O gado bovino não estava imune e morria quando se fixava em uma região com aquela mosca. Mais uma vez, ironicamente, foi a mosca que evitou a formação de pastos para os bois e, consequentemente, a devastação da flora natural. Alguns grandes parques naturais devem muito da sua existência à mosca tsé tsé. Foi só em 1910 que se correlacionou a doença com o vector mosca.
A tsé tsé ingere os tripanossomas aspirando o sangue humano ou de outro qualquer mamífero. O ciclo evolutivo na mosca é de cerca de 20 dias findos os quais o tripanossoma aloja-se na saliva. A partir daqui a transmissão dá-se com qualquer picada do insecto. O período de incubação nos mamíferos é de 2 a 3 semanas. A picada no homem fica com 2 cm de diâmetro e apresenta uma côr amarela esbranquiçada que desaparece em poucos dias. As febres são intermitentes, podendo atingir mais de 40ºC. Duram semanas. Depois começam as sonolências que conduzem à morte se a doença não for tratada. Na fase terminal o sono é tão profundo que induz as pessoas a suporem que o paciente já morreu. Existiam vários remédios que sustinham a doença na fase inicial. O mais conhecido em Angola era a pentamidina que era administrada através de injecções intramusculares. As célebres Brigadas de Pentamidinização operaram um verdadeiro milagre sanitário em Angola com a redução da doença a níveis mínimos, sem expressão estatística. Os médicos e enfermeiros eram dos melhores do continente africano.
A Tripanossomíase Americana , mais conhecida por “doença de Chagas”, tem a mesma etiologia da “doença do sono” africana. Os doentes apresentam inchaços nos gânglios linfáticos, no fígado, no baço e no coração. O agente Tripanossoma Cruzi é transmitido através de insectos da família dos Reduviidae parecidos com baratas de cor preta. No Brasil são conhecidos popularmente por barbeiro ou chupão. Esta doença ataca também os mamíferos.
Foi o médico brasileiro Carlos Chagas (1879/1934) que descobriu o Tripanossoma Americana e baptizou-o com o nome de Cruzi em homenagem ao médico brasileiro, seu mestre, Osvaldo Cruz. Sózinho Carlos Chagas fez o estudo completo da doença sob os aspectos etiológicos, patogénicos, anatómicos, patológicos, sintomáticos, suas formas clínicas, meios de transmissão, epidemiológicos, e profiláticos. Um estudo completo, caso único na história da medicina mundial. Chagas estabeleceu a correlação da doença e seus vectores. Uma história que, talvez, pertença ao folclore brasileiro narra que a criança com 7 anos de idade a quem o médico Chagas retirou o sangue, onde descobriu o tripanossoma, viveu para lá dos oitenta anos, um caso de convivência amigável com a doença.
No Brasil, como já se afirmou, o agente vector do Tripanossoma Cruzi é conhecido, popularmente por barbeiro ou chupão, devido à picada sangrenta que ele faz, geralmente, na cara das pessoas, porque o resto do corpo está tapado durante o sono. A área preferida para a picada, por ser de pele macia, é a das pálpebras.
Uma mãe leva a filha ao médico, A moça anda pálida e sem forças. O médico faz análises de sangue, chama a mãe e diz-lhe: eu já desconfiava, a sua filha foi chupada pelo barbeiro. Bem que me parecia, comentou a mãe, e o safado dizendo a toda a hora que era engenheiro civil!
A bilharzíose ou esquistossomíase é originada por helmintos (lombrigas) que se alojam nos intestinos ou na bexiga. A doença existia em águas estagnadas. Há duas variedades a africana ou bilharzíose urogenital e a americana ou bilharzíose intestinal. Em Angola a doença não estava tão generalizada como no Brasil o que se pode explicar pela morfologia fluvial: os rios de Angola são, regra geral, turbulentos com poucas águas estagnadas. O tratamento era feito à base de antimónio que, já de si, é um veneno. Eram as célebres injecções de Fuadine, temidas por todos os pacientes.
A amebiana ou amebíase é provocada por um parasita protozoário que se aloja nos intestinos, podendo invadir o fígado. O agente é a Entameba histolística. A água de alguns rios angolanos é portadora desta doença. Só a água que saía das rochas ou do solo (ressurgências) era de confiança. A característica principal desta doença era a diarreia violenta que evoluia para hemorragias. O tratamento era longo, os doentes atingiam fases dramáticas de emagrecimento. Os antibióticos contribuiram bastante para reduzir a periculosidade da doença, embora não fossem milagrosos como, por exemplo, na febre das mabatas.
Era inexistente a cólera em Angola devido ao bom estado sanitário das cidades. Nas aldeias africanas, apesar de não haver saneamento básico, nunca se verificou a mínima ameaça de tal doença, porque os aglomerados eram pequenos, e havia cuidados rudimentares de profilaxia. A unica ameaça, no século 20 no tempo colonial registou-se nos princípios dos anos 70, mas a prevenção foi tão eficaz que se registaram muito poucos casos.
O tétano era uma ameaçadora doença até meados dos anos 30, o índice mortal era de 100%. È provocado por um bacilo que resiste a altas e a baixas temperaturas. Forma esporos e fica incubado durante anos até encontrar um hospedeiro. Não tem agente transmissor mas sabe dissimular-se, geralmente está incubado em velhos ou enferrujados objectos metálicos (parafusos, pregos,facas, canivetes, garfos, arcos de barril etc). Os solos contaminados com fezes são também um habitat natural do bacilo. Quem pisasse um prego ferrujento estava sujeito, com grandes probabilidades, em contrair o tétano. A doença provoca espasmos e convulsões. As contracções espasmódicas nos maxilares são um indício certeiro da doença.Os médicos em Angola empreenderam, desde cedo na década de 30, um ataque frontal à doença: a vacina anti-tetânica era obrigatória e gratuita, o soro anti-tetânico era o primeiro a ser injectado nos feridos que apareciam nos hospitais. No fim do Tempo Extra a doença praticamente não fazia vítimas devido à boa cobertura sanitária. Sabia-se que ela continuava nos seus locais predilectos, especialmente em pregos ferrugentos. Por isso era obrigatória a vacina anti-tetânica.
Em Angola corria uma lenda: um alfaiate inadvertidamente palitou os dentes com uma crina de cavalo daquelas que se usavam antigamente nos colarinhos dos casacos para lhes dar mais rigidez. Em duas semanas morreu com o tétano.
O bócio é o aumento da glândula tireóide ( maçã de Adão), por isso é denominada hipertireoidismo. Uma característica é o aumento do pescoço formando uma pronunciada papada.A doença é também conhecida por papeira, embora este nome pertença a outra moléstia a parotidite ou inflamação das glândula salivares, no Brasil denominada caxumba. Outra característica do bócio é o esbugalhamento dos olhos. Esta moléstia é provocada por deficiência de iodo nas águas e nos alimentos. Em Angola esta doença era muito comum nos planaltos, com grande incidência em regiões típicas, como por exemplo grande parte da bacia do rio Luando, na área do habitat da Palanca Preta, e nas Lundas. O sal marinho com iodo, que se tornou obrigatório, o uso quotidiano de tintura de iodo, vendida pelos comerciantes, e a difusão do peixe seco do mar(ombisse, corruptela da palavra peixe), de Moçâmedes de Porto Alexandre e da Baía dos Tigres, baixaram drasticamente o índice desta enfermidade.
A filariose (elefantíase) era provocada por helmintos sendo o homem o principal hospedeiro, embora os macacos, os gatos e os cães estivessem sujeitos à doença. A filariose é transmitida por insectos hematófagos com especial relevância para os mosquitos. O helminto adulto circula pelo corpo onde parasita os vasos linfáticos, o tecido conjuntivo sub-cutâneo e as cavidades do corpo: as larvas circulam no sangue onde se acumulam em camadas superficiais sob a pele. Estas camadas entopem as veias e dão origem a inchaços brutais originando, quando nas pernas, a característica “pata de elefante” daí derivando o nome de elefantíase. A confirmação desta doença era feita através de observações microscópicas. Não havia cura, embora houvesse tratamentos mitigadores desagradáveis porque eram à base de substâncias venenosas. As medidas de prevenção, instituídas em Angola, baixaram bastante os indices desta doença. A prevenção era feita sobre os insectos hematófagos, em especial sobre os mosquitos. Uma variedade desta doença era a oncocercose, com as mesmas caracteríticas da filariose, mas que levavam à cegueira. O mosquito, vector da oncocercose, só vive em ambientes de água batida, ou seja, próximo de quedas de água. Por isso era conhecida por doença das mupas ( quedas de água).
Em Angola houve sempre muita aversão em viver-se próximo de rios, por isso a doença não era vulgar. O mesmo já não acontecia no Congo Belga (actual República Democrática do Congo) onde era comum encontrarem-se aldeias inteiras de cegos. Faziam uma vida normal, o que deixou completamente espantado um antropólogo belga. Apenas um único pormenor saltava à vista: caminhavam em fila, sempre que se deslocavam, o guia era o que ainda tinha uma certa visão. Mas uma pessoa menos avisada não dava pela cegueira total na região, onde os habitantes tinham controle sobre quaisquer pessoas estranhas que lá entrassem.
A febre amarela é originada por um vírus através de um mosquito o aedes aegypti que transmite a doença, por picada, depois de um período de incubação de duas semanas.A fêmea infectada, ao picar um mamífero para recolher sangue, transmite o vírus. Ela põe os ovos em qualquer recipiente húmido, como por exemplo vasos de plantas dentro das próprias casas. Só em 1926 é que várias comissões internacionais, que estiveram em estudos em África, concluiram que a febre amarela é um vírus transmitido através do mosquito referido. Os hábitos do mosquito aedes aegypti só foram conhecidos muito tempo depois e, por isso, as brigadas sanitárias desesperavam porque não conseguiam erradicar os insectos. Eles estavam dentro das habitações, em especial nos vasos de plantas.Cabe aqui a frase “dormindo com o inimigo”. Em Angola os meios de erradicação dos mosquitos e, especialmente a vacinação obrigatória extinguiram a doença.
A lepra era causada pelo bacilo de Hansen por isso é que a imprensa denominava a doença por hanseníase, tirando assim a carga negativa que aquele nome carregava desde a Idade Média. Os serviços de saúde angolanos concentraram-se, em força, na erradicação da doença. Boas gafarias, muita higiene e a administração de sulfonas estavam acabando com a doença. Estou convencido que hoje seria apenas uma má recordação do passado.
A poliomielite foi uma doença universal que infelizmente se propagou por Angola. Foi das primeiras regiões no mundo a usar a vacina Salk, depois substituida por uma vacina oral a Sabin. Em 1964 já era obrigatória a vacina quádrupla em crianças: Sarampo, tétano, difteria e poliomielite. Esta doença estava, praticamente, erradicada.
Uma temível doença em Angola era a hidrofobia, popularmente conhecida por raiva. Trata-se de um vírus, que se instala na saliva dos animais infectados, animais domésticos especialmente, e que se transmite através de mordidas. Os sintomas da doença são febre, inquietação e depressão. A inquietação acaba por se transformar em excitação incontrolável: o doente espuma e tem espasmos na garganta que o impossibilitam de beber qualquer líquido. Daí o nome hidrofobia. A morte é inevitável, não há qualquer espécie de cura, mas há o soro anti-rábico que é eficaz em quase 100% dos inoculados, desde que não haja atrasos nas aplicações.. Desde muito cedo, ainda na década de 20, que esta doença foi atacada com todos os recursos. Qualquer pessoa, em qualquer ponto do país, mordida por um animal, era imediatamente submetida a uma bateria de injecções dolorosas, na barriga. A doença nos animais era vigiada pelos Serviços de Veterinária. Estava praticamente extinta, o ultimo caso, devido a uma lamentável displicência, foi em 1964.
A doença mais terrível em África foi a varíola, de resto foi ainda mais violenta no continente americano. Recordamos que as civilizações Incas, Maias e Astecas, assim como as diversas nações nativas nos Estados Unidos, esfacelaram-se em parte devido à aterradora moléstia.
Para África a doença foi trazida da Europa e encontrou indivíduos com muito pouca resistência ao vírus. Os resultados, em toda a África foram devastadores. De uma expedição de Silva Porto ao Barotze (Zâmbia), em 1880, composta por centenas de pessoas, regressaram umas dezenas, figuras fantasmagóricas com o olhar carregado de terror. A doença começa com umas manchas vermelhas localizadas principalmente na cara, nos braços e nas pernas. Sob febres violentíssimas as manchas transformam-se em pápulas, em vesículas que se juntam umas às outros formando “tubos” que, depois, rebentam em pústulas.
O aspecto do doente é aterrador, até o pessoal médico acaba por esquecer o juramento de Hipócrates e trata de escapar com vida, segundo o velho lema “Presença de espírito e Ausência de corpo”. Jorge Amado, no livro “Tereza Batista cansada de guerra” descreve uma epidemia de varíola no interior do estado de Sergipe. O capítulo intitula-se “ABC da peleja entre Tereza Batista e a Bexiga Negra”. O abecedário é percorrido em 48 páginas de um dramatismo acompanhado de cenas picarescas descrevendo o cinismo e a cobardia dos responsáveis pela cidade de Boquim no interior do estado de Sergipe. E destacando a valentia das mulheres populares, verdadeiras heroínas dentro do pânico que se instalou na cidade. O capítulo é uma obra prima da literatura.
Uma das primeiras medidas de Norton de Matos, ainda no seu primeiro governadorado em 1912, foi a cobertura de todo o território com a vacina contra a varíola. Na década de 30 estava praticamente erradicada, mas a vacinação, obrigatória, ostensiva e gratuita só foi abolida após a Organização Mundial da Saúde ter declarado a doença como extinta em 1980. Em Angola a varíola foi extinta 40 anos antes de a Organização Mundial de Saúde ter declarado que mais nenhum caso se tinha verificado em todo o mundo.
Antes do aparecimento das sulfamidas e, depois, dos antibióticos (a penicilina como eram designados quando apareceram), era vulgar infectar-se qualquer ferimento. Qualquer ferida, mesmo “desinfectada”, tinha uma grande probabilidade de ficar infectada e, às vezes, fora de controle.
Manda a verdade que se diga que os desinfectantes (alcool, água oxigenada mercuro-cromo e tintura de iodo) não eliminavam totalmente as bactérias que nos rodeavam. Eram vulgares os panarícios, as unhas encravadas e o acne originarem infecções. Quando a infecção se tornava grave podia dar origem a uma septicemia. Esta doença é provocada pelo envenenamento do sangue com bactérias, e provocava a morte, antes do aparecimento das sulfamidas e dos antibióticos. Nas cidades havia postos médicos, abertos todo o dia, destinados a fazer curativos de feridas, a darem injecções de quinino e de pneuquinol para as bronquites,e a inocularem vacinas ( varíola, tétano, febre amarela e soro anti- rábico especialmente). Mudar o penso a uma ferida era um hábito corriqueiro. Conheci um funcionário de finanças, filósofo (infelizmente não pôde continuar os estudos) , que dizia que “ir ao posto de socorros tem o seu quê de metafísico, “porque penso, logo existo”.
Só a partir de 1920 é que os partos em Angola, das mulheres europeias, deixaram de ser um motivo de inquietação. Relatos antigos elucidam-nos sobre as parturientes europeias em Angola: quase sempre os partos eram fatais para mãe e filha. A febre puerperal, que vitimava as parturientes, não estaria relacionada com a facilidade infeccional que existia em Angola?
O herpes labial era uma afecção que aparecia, regra geral, após um ataque de paludismo.Para curar o herpes havia os três Ps: prazo, paciência e um penso para esconder a ferida.
Faziam parte da vida das pessoas os desinfectantes creolina, permanganato de potássio, mercuro-cromo, tintura de iodo e o inócuo alcool. Na higiene avultavam os sabonetes mercuriais Lifebuoy ( nada tem a ver com o actual) e Sapocian (liquido especial para relações sexuais suspeitas).

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (6)

22.- Introdução das frutas europeias.Os sertanejos trouxeram para Angola quase todas as frutas dos climas temperados. No século 19 já eram vulgares o figo, a nêspera, o limão, a laranja , a tangerina, a romã, o marmelo, a maçã e a pera. A uva não vingou nos planaltos: chove no Verão e não há temperaturas acima de 30º C. Com a entrada dos bóeres a fruticultura ficou mais enriquecida, especialmente na Huíla, pois eles trouxeram mudas e sementes do Cabo. Na década de 20, quando se registou uma onda imigratória de portugueses e estrangeiros, a fruticultura sofreu um notável incremento. Na Huíla, onde os solos apresentam embasamentos calcários e o clima não é tão chuvoso como no planalto central, apareceram grandes pomares de frutas europeias de boa qualidade, já em fins do século 19. Na década de 20, com o caminho de ferro de Benguela totalmente desenvolvido (1929), despontaram no Planalto Central interessantes pomares de frutas de climas temperados. O morango, a maçã, a pera, o figo e a romã ficaram vulgarizados, embora sofressem condicionamentos resultantes da adaptação e da acidez dos solos. Eram frutas que podiam ser amplamente melhoradas, com investigação e tecnologia. E com dinheiro como é óbvio.
23.- As frutas das savanas. Todos os planaltos eram muito ricos em frutas silvestres, muito apreciadas pelos animais selvagens. Talvez o fruto mais característico seja a nocha,locha ou ucha cuja classificação botânica é “parinaria mubola”. Provinha de uma árvore com 10 a 15 metros de altura, de tronco grosso, folhas elípticas. O fruto era do tamanho de um kiwi, de cor amarela acastanhada, com um grande caroço e polpa amarela doce, adstrigente. Deve ser a fruta mais odorífera que existe.E, para nós, a mais deliciosa de todas. Quando está madura o chão fica completamente atapetado com frutos exalando um cheiro fortíssimo e delicioso muito semelhante ao ananás e ao abacaxi, mas muito mais intenso. Este odor, que se propaga até mais de 20 metros, atrai centenas de animais, entre os quais os elefantes que são os mais gulosos, e os macacos. O fruto, já no chão, fermenta e provoca bebedeiras. Segundo se dizia os elefantes, e os macacos principalmente, gostavam de tomar uns “pifos” de nochas fermentadas. O caroço, exageradamente grande e duro, continha duas amêndoas cujo sabor era semelhante ao das genuínas amêndoas. Os elefantes comiam toneladas de nochas e depois expeliam os caroços que eram disputados por quem encontrasse as fezes. O nome da árvore estava aportuguesado para nocheira. A árvore dá uma optima madeira, de constituição semelhante ao carvalho, o que a coloca na lista vermelha, ou seja propícia à gula dos predadores humanos. A aniquilação das nocheiras das savanas, para madeira,lenha e carvão, vai originar o desaparecimento de toda uma cadeia alimentar dos animais selvagens, especialmente dos mamíferos. A destruição das savanas e das florestas é o fim dos animais selvagens.
Outra fruta muito conhecida em todo o país era o maboque, também designado por mapole ou upole. O nome botânico é Strychnos shumannianna segundo a classificação de Gossweiler. A árvore é de tamanho médio e o fruto parece uma laranja, meio ferrujenta, embora a casca seja muito dura. Um pedúnculo bastante comprido suspende o fruto verticalmente dos ramos da árvore. O envólucro é muito duro, só com um objecto pesado se consegue quebrar. Dentro existem sementes de côr cinzenta nadando em um líquido espesso e coagulado. O sabor é agridoce. Em grandes quantidades provoca solturas. Era perigoso, para quem não os soubesse distinguir.Havia uma variedade em tudo semelhante, que era venenosa, talvez a classificação botânica tenha levado isso em conta com o termo Strychnos.
Um fruto delicioso, com o qual se faziam compotas e geleias, era o lôengo. A respectiva árvore era de tamanho médio, mas apareciam exemplares com cerca de 15 metros de altura.Assemelhava-se à ameixa preta pequena. O caroço era muito grande, deixando uma polpa vermelha muito estreita. Era mais para chupar do que para comer. Talhava os dentes de tão ácida, matava a sede e enganava a fome. O nome botânico é “Anisophyllia fruticosa”. A compota era deliciosa.
A lombula ou ombula aparecia em árvores e arbustos e o seu fruto era redondo, amarelo, do tamanho de um damasco. Era o fruto mais doce das savanas. Dentro da polpa havia quatro caroços sumarentos.. Comida em excesso provocava soltura.
Um fruto vulgaríssimo era a matúndua ou massunje. Era arbustiva e anual. Cada “bissapa” só dava um fruto, enterrado, vermelho, de casca grossa. O fruto era “arrancado”do chão, como se fosse uma cebola. A polpa era esbranquiçada com pequenas sementes pretas. Era ácida, mas dava sumos deliciosos. Matava a sede. Quando passava uma queimada, era deslumbrante ver milhares de frutos, vermelhos, emergindo no chão preto. A casca do fruto tinha propriedades medicinais. As folhas exalavam um cheiro carcterístico, fazendo lembrar os desinfectantes.O arbusto era ornamental, com folhas lanceoladas de um verde envernizado. A matúndua concentra muita vitamina C que nunca foi apercebida pelos viajantes do século 19, em especial pelo viajante inglês Cameron que chegou a Benguela atormentado com o escorbuto.O próprio botânico Welwitsch, que classificou a célebre planta do deserto de Namibe a Welwitshia mirabilis, sofreu um ataque de escorbuto.

Fig 12 Outro fruto vulgaríssimo e arbustivo era a cassússua ou matipa-tipa. O fruto está envolvido em um cápsula verde, enquanto não atinge a maturação. Quando maduro, a capa protectora fica seca. O fruto é uma” uva” isolada e rósea ou amarela, conforme a variedade. O sabor é agridoce, delicioso. É nutritivo e digestivo. É vendido em Portugal, vindo da Colômbia, com o nome de physallis. Muito caro. Em Espanha já é utilizado em culinária. Houve colonos que propuseram a comercialização deste fruto; foram escarnecidos pelo governo colonialista.
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Muito vulgar, especialmente no sul de Angola, era o mirangolo (omuniangolo), semelhante a uma uva preta. O sabor era agridoce e a planta era arbustiva. Faziam-se compotas e geleias.
Menos vulgares, mas que eram fundamentais para a biodiversidade das savanas, eram: cunucuna, árvore com 2 a 3 metros de altura, fruto parecido com a goiaba; curiungo de bagas pequenas; maravassusso arbusto de 20 a 30 centímetros, com o fruto em cachos parecido com uma romã pequena, de sabor muito agradável; longonguena arbusto de 50 centímetros, de fruto redondo, pequeno, vermelho; olomone arbusto de 50 centímetros bagas pequens, pretas, do tamanho de um grãos de milho; sangala, fruto pequeno em cachos; ussombo árvore cujos frutos pendiam em cachos; tetembula, do tamanho de um berlinde, de côr branca, e o iolo de um arbusto com 30 a 50 centímetros, do tamanho de um limão, semelhante à pinha, de côr amarela, bastante doce; lomuínho árvore média, ou em arbustos, com o fruto semelhante a um berlinde verde claro, era muito aromático, adstrigente e matava a sede. Com o lomuínho fabricava-se um bom quimbombo (aguardente).
Depois desta breve descrição das principais frutas das savanas do planalto central, ficámos a fazer uma ideia da riquíssima flora angolana. O que descrevemos abarca apenas a área referente ao Planalto Central. Em outras regiões existem mais variedades de frutas silvestres, que seria fastidioso descrevê-las. O farmaceutico Sezinando Marques que acompanhou Henrique de Carvalho na viagem às Lundas em 1890 deixou um alentado volume sobre a flora daquelas regiões.
24.-As abelhas.São milhares de plantas frutíferas cuja flores são polinizadas pelas abelhas. Angola era uma das áreas mundiais com mais abelhas, conhecidas pelo seu intenso labor. Bastava pôr uma colmeia num ponto alto e logo de seguida era ocupada por um enxame. Por isso Angola foi o primeiro produtor mundial de cera. O padrão mundial da cera, no mercado de Londres era a Cera Benguela.
O trabalho das abelhas africanas foi reconhecido mundialmente ao ponto de as teram levado para outros continentes onde não só apresentam trabalho, como também dão trabalho àqueles povos: não são nada meigas e ferram por motivos insignificantes, basta uma pessoa mexer-se. Em Angola era vulgar assistir-se à passagem de um enxame e à consequente fuga das pessoas. Vários desafios de futebol tiveram que ser interrompidos, temporariamente, devido às abelhas. Talvez elas ficassem excitadas por verem duas dezenas de pessoas correndo atrás de uma bola.
Ficou lendária uma procissão em Sá da Bandeira que foi desbaratada por dois enxames de abelhas. Com todo o respeito que me merecem todas as cerimónias religiosas, mas o caso foi hilariante. Dois enxames de abelhas huilanas andavam à procura de casa. E encontraram-na: dentro de um dos sinos da catedral de Sá da Bandeira. Nesse dia realizava-se uma procissão solene. Quando esta vinha saindo para a rua começaram a ecoar os sinos e sucedeu o previsível: os enxames despencaram da torre e “esborracharam-se” no cimento à saída da catedral. Para piorar estava muito fumo de incenso no ar. E, para piorar mais, as pessoas entraram em pânico o que deixou as abelhas furiosíssimas. Difundiram-se em todas as direcções, não poupando ninguém, ferravam à esquerda e direita, em baixo e em cima, não escolhendo situações sociais, quer fosse o bispo, ou o governador, ou o juiz da comarca ou, até, o comandante militar. A procissão ainda chegou a estar totalmente desenvolvida, segundo a liturgia do acto. A procissão ainda andou uns metros, já sob forte ataque “dos caças apícolas”, mas as pessoas ainda se defendiam conforme podiam, os estudantes com a capa que ostentavam, as freiras e os padres com as suas vestes. Mas as abelhas africanas são, no dizer dos brasileiros, enfézadas, ou seja irritadiças e, também, obstinadas e raçudas. Se houve um lado que quebrou foi o da procissão. Debandou quase tudo, em todas as direcções. Houve algumas excepções que pagaram caro a teimosia (e heroicidade), uma delas foi o representante do bispo que trazia a custódia e que ficou irreconhecível. A procissão reorganizou-se, uma horas depois. Muitas pessoas seriamente picadas, teimaram em regressar, com as caras inchadas. Foi um espectáculo hilariante.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (7)

25.- Por que tudo fracassou? Por que não conseguiram os portugueses e seus descendentes, e muitos africanos ocidentalizados, prosseguirem as sua vidas em Angola, optando, antes, por um exílio indesejado em outros países, especialmente na antiga Metrópole? Em um anterior ensaio “A utopia de um novo Brasil em Angola” desenvolvemos os vários motivos que estiveram na origem da inviablização de um novo Brasil, isto é, uma nação miscigenada com predominância dos costumes ocidentalizados. Expusemos as causas remotas e as causas próximas.
Fundamentalmente, quando Angola já dispunha de boas estruturas urbanas, apoiadas em uma administração moderna e próspera, os colonos continuavam mergulhados em um marsupialismo que foi explicado no ensaio referido. Achamos que a palavra marsupialismo explica bem a extrema dedicação deles em relação a Portugal. Os colonos não queriam largar a”bolsa marsupial” mesmo depois de ser evidente que os ventos da história apontavam para outro rumo. O pouco tempo da colonização (só a partir de 1920) explica, em parte, este apego à Metrópole.
Os colonos estavam longe de imaginar que o “grande portuguesismo” era só de fachada; ele desmoronar-se-ia perante a surpresa de quase todos e, até, dos estrangeiros.
Valeu a pena a saga dos portugueses em Angola? Eis um tema para dezenas de debates( que tardam em aparecer!), colóquios, seminários, conferências, encontros , simpósios etc. É tempo de se perderem os complexos e os recalcamentos. Não há que ter medo da história. Os fantasmas só se expulsam encarando-os.
Já expusemos que a colonização europeia em Angola só começou em 1920. Também demonstrámos, em artigos anteriores (1), por que decorreram mais de 400 anos até que chegassem os primeiros colonos portugueses. O século 20 em Angola foi de uma tal complexidade que não se pode explicar através de um modelo simples, maniqueísta e marxista, de luta de raças ou classes do tipo “branco opressor versus preto oprimido”. O tempo e os acontecimentos posteriores provaram, amplamente, que este modelo simplista não funciona mais. Só um modelo muito complexo, envolvendo dezenas de variáveis, poderá explicar tudo o que sucedeu. Chega de se apoucar a grande obra feita pelos africanos e pelos portugueses ao longo dos tempos.
E para Angola valeu a pena a presença dos colonos de 1920 a 1975 ?
Não seremos nós, tal como na dúvida anterior, a responder a esta pergunta, mas limitar-nos-emos a transcrever uma frase do esplêndido livro de Jean-Claude Barreau & Guillaume Bigot “Toda a geografia do mundo” Edição Teorema Lisboa 2007:« A Angola lusitana é uma verdadeira nação».
Fig 13 Vista de satelite de Tombua antiga Porto Alexandre. Foi um caso bem sucedido de colonização espontânea e que não teve “subsídios oficiais”.Após a fundação de Moçâmedes( actual Namibe) em 1848 “saltou à vista” que os mares do sul de África eram excepcionalmente piscosos. Alguns pescadores do Algarve (Olhão) não perderam tempo: fizeram-se ao mar com as suas traineiras e instalaram-se em Porto Alexandre. Em poucos anos já estavam exportando, para todo o mundo, produtos comerciais (enlatados e secos de inicio). A cidade está em pleno deserto de Namibe onde chove menos de 50 mm anuais.Os Serviços Agrícolas e Florestais de Angola empreenderam, a partir da década de 20, plantações de árvores resistentes ao deserto a fim de conterem as dunas e amenizarem o clima.Estas defesas contra as dunas prosseguiram até à independência, era um trabalho que despertava a curiosidade mundial. Esta parte de Angola, o sudoeste, apesar de estar inserida no deserto de Namibe, é de excepcional interesse porque tem um clima “aparentado” com o mediterrânico. A região produzia, na foz dos rios, produtos de climas temperados como por exemplo a azeitona, a uva, o pêssego, a ameixa, o melão,o figo, etc. Na fotografia ainda são visíveis as cortinas de árvores plantadas a partir da década de 30. O “pai” destas cortinas foi o engenheiro agrónomo Bento e, mais tarde o engenheiro florestal Augusto Sardinha que empreendeu outra obra idêntica, mas de muito maior dificuldade, na Baía dos Tigres( hoje uma península) mais a sul.


Fig 14 Baía dos Tigres no sul de Angola. Em pleno deserto do Namibe a vila foi das maiores realizações, no género, em Angola. Edificada na restinga ali existente abrigava pescarias aproveitando o magnífico mar piscoso. Foram estabelecidas cortinas florestais de espécies exóticas adaptadas ao clima desértico (chuvas menores do que 50 mm por ano): um trabalho que despertava a curiosidade mundial. O engenheiro florestal Augusto Sardinha,já citado, representa o imenso sacrifício, trabalho e empenhamento dos técnicos de Angola. . Na figura vê-se um “muro” destinado a abrigar as espécies florestais emquanto novas. A Baía dos Tigres foi palco de um episódio mundial em 1904 quando a esquadra russa, em rota para o Japão, ali se refugiou. Uma canhoneira portuguesa deu-lhe ordem de retirada que foi cumprida pelos russos. Quando o meu pai chegou a Angola em 1909 ainda era um grande motivo de orgulho este acontecimento.


Fig 15 O governador Geral Paiva Couceiro em 1908, a cavalo ao lado das suas tropas, atravessando a ponte sobre o rio Cunene que ele mandou construir em tempo recorde . Precária, feita de paus da flora circundante, não aguentou muitos anos. Este governador, que foi insultado e preso por Salazar em 1937, tinha a percepção do atraso de Angola e tudo fez para a alcandorar à modernidade. O seu breve governo (1907-1909) criou os alicerces de uma nação, no sentido lato da palavra. Em 1912-1914 Norton de Matos continuou a sua obra. Este ultimo regressaria em 1921-1924 e catapultou Angola para a modernidade.


Fig 16 Ponte sobre o rio Cunene em Xangongo uma grande obra de engenharia e uma velha ambição dos colonos do sul de Angola. O conjunto é constituido por uma ponte com 85,4 m de comprimento , um viaduto com 726,80 m de desenvolvimento e um aterro com 11,2 km de extensão.Com esta ponte, inaugurada em 1968, o sul de Angola, a maior região pecuária do país, conheceu um desenvolvimento explosivo.



Fig 17 Corte de eucaliptos nos polígonos florestais do CFB Caminho de Ferro de Benguela.As máquinas a vapor, que ainda funcionavam em 1974, necessitavam de muita biomassa (lenha). Nos primeiros anos (1912 a 1935) foi utilizada lenha proveniente das savanas por onde passava o comboio. O desbaste tornou-se notório. O CFB empreendeu a plantação de centenas de milhares de hectares com floresta exótica (não nativa) de crescimento rápido. O eucalipto encontrou condições excepcionais nos planaltos de Angola. Dizia-se que, quando o corte chegava a meio da área total, já as arvores anteriormente cortadas estavam em condições de corte. Uma verdadeira economia sustentável.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (8)

Fig 18 Edifício da Escola Comercial e Industrial do Huambo (antiga Nova Lisboa). Até 1961 o ensino em Angola esteve muito garrotado e as directrizes de Lisboa eram cumpridas integralmente: um ensino rigoroso e exigente, um diploma do 5º ano do liceu, por exemplo, era uma garantia de competência. Na década de 60 Angola ficou “semeada” de escolas comerciais e industriais onde se leccionavam cursos tecnicos médios (contabilistas,electricistas, serralheiros, carpinteiros, construção civil etc). Dizia-se, com muita verdade, que Lisboa não “queria doutores angolanos” o que até tinha lógica.Lisboa sentia que com massas cultivadas a independência era mais do que inevitável. Estes cursos médios, como se provou anos mais tarde, eram modernos e de grande utilidade. Foram uma mais valia para Angola independente quando ficou esvaziada de quadros.Sarmento Rodrigues, Ministro do Ultramar, um homem de larga visão ,que infelizmente não foi aproveitado nos momentos cruciais , foi o “pai”deste ensino, inegavelmente de grande valia para o futuro. Um engenheiro inglês que eu conheci em Luanda ficou espantado com o bom nível destas escolas aparelhadas com o que de melhor havia no mundo. Os ex-alunos tinham orgulho das suas escolas( dos seus professores e dos seus cursos), todas elas instaladas em edifícios imponentes.

Fig19 Edifício principal do Liceu Diogo Cão em Lubango (antiga Sá da Bandeira). Foi o único liceu no interior de Angola até 1956. Foi o nosso abrigo nos últimos 4 anos do ensino liceal.Sem ele não estaríamos a escrever este ensaio. Teve um escol de professores a quem muito agradeço por aquilo que aprendi: era uma escola de letras e ciências e, sobretudo, de integridade e formação de caracter.

Fig 20 Negage “a capital do café”. Com menos de 30 anos era já uma cidade em progresso explosivo. A cidade prestou-se a receber uma base aérea e com isso o seu desenvolvimento acelerou-se. Os habitantes eram empreendedores e com sentido de modernidade. Não era capital de distrito mas não obstou a que ganhasse os “galões” de cidade em pouco tempo após a fundação.Já nos referimos anteriormente que o eixo Uíge-Negage-Camabatela tem um grande potencial para actividades sustentáveis: bons solos, muita água (a isoieta de 1400 mm “fecha-se” nesta área), bem servida de estradas, podendo usufruir de um bom porto marítimo no Ambriz.

Fig 21 Camacupa, antiga General Machado. Fundada em 1923 em poucos anos tornou-se a “Raínha do Arroz”. Este cereal encontrou condições excepcionais nas baixadas do rio Cuanza. Os angolanos bienos dedicaram-se com afinco à cultura do arroz, introduzido em Angola pelo governador geral Paiva Couceiro(1907-1909).Na década de 50 a cultura do arroz espalhou-se por quase todo o país com relevância para Sanza Pombo e Lundas.


Fig Apesar de não ser a sede de distrito, a cidade da Gabela era o “Coração Forte do Cuanza-Sul”. Com boas fazendas de café e numa região de paisagens maravilhosas-o Amboim- a cidade estava com um grande desenvolvimento. Marcelo Caetano, quando ali esteve em 1945 como Ministro das Colónias, ficou impressionado com a paisagem, e deixou assinalado: «O Amboim é o Buçaco decuplicado».

Fig 22 A cidade do Cubal também não era sede de distrito mas tinha uma notável força económica. Grande parte da sua pujança filiava-se na presença de fazendeiros alemães que introduziram o sisal em Angola. Este produto, utilizado em cordoaria, estava bem cotado nos mercados internacionais; perdeu muito interesse com o aparecimento dos materiais sinteticos como o nylon por exemplo. Mesmo com este contratempo a cidade dedicou-se a outros géneros e à criação de g ado. Nunca perdeu o epíteto de “Raínha do Sisal”.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (9)

Fig 23 Um belo exemplo de saparalo, uma adaptação do sobrado português à arquitectura angolana.Em 1908 ainda era muito dispendioso utilizar material durável na construção de casas..A cobertura de capim tornava a casa muito confortável no aspecto térmico, mas trazia grandes inconvenientes entre os quais a atracção de insectos e ratos. E de mabatas como já aqui foi afirmado.O governador geral Norton de Matos não permitia que os postos estivessem instalados em tais casas; por isso incrementou a instalação rápida de cerâmicas.




Fig 24 O primeiro grande edifício no planalto central fruto da aragem moderna que Norton de Matos trouxe para Angola.

Fig 25 Abertura de uma estrada em 1913, durante o 1º consulado de Norton de Matos em Angola.Este governador prometia um automóvel, na altura era só o célebre Ford T, a quem fizesse 100 km de estradas.Trabalho penoso não só pela orografia desfavorável entre o litoral e o interior, como também pelo numero espantoso de rios,todos de caudal permanente, obrigando à construção de pontes.Na gravura é notória “a fuga” da linha de água. As autoridades aconselhavam os cipaios “a fugirem dos rios”para evitarem as pontes. Assim é que as estradas em Angola estão, na sua quase totalidade, situadas nas linhas de cumeada, um formidável trabalho desenvolvido pelos africanos. Fig26 Dois Ford T na fotografia. O automóvel só trouxe benefícios para Angola, acabando com os carregadores. Os carros em Angola receberam a designação de “Tuco-Tuco” uma onomatopeia do trabalhar do motor. Também eram designados, no Planalto Central por “Nena-ió-Baba” que quer dizer “Traz água”.Era comum os Ford T irromperem, fumegantes, nas aldeias africanas: deles saía um “branco”bigodudo, de chapelão, gritando:Nena-ió-Baba. Isto sucedia sempre que os Ford T acabavam de subir uma rampa da Escarpa Atlântica.
Fig 27 Barragem do Cuito primeira, e única, hidroelectrica municipal em Angola. Foi autorizada pelo governador geral Lopes Mateus em 1937. Foi financiada pelo Banco de Angola. Modesta (era a época), produzia 250 kW que chegavam para as necessidades da pequena cidade de Silva Porto (actual Cuito). Com o progresso tornou-se insuficiente, a solução foram os inevitáveis motores “diesel” de grande consumo e maior poluição. Nesta altura o governo colonial tinha-se apercebido do enorme potencial hidroelectrico de Angola que já estava monopolizado pelos oligarcas de Lisboa. Próximo de Silva Porto, no rio Cuquema havia locais para bons aproveitamentos hidroelectricos, bastante baratos porque não havia expropriações e os materiais(granito, areia e bons solos) eram abundantes e de fácil extracção) . As “forças vivas” da cidade fartaram-se de “batalhar” por uma nova barragem. Infelizmente em vão, o presidente da Câmara Municipal chegou a ser humilhado.

Em princípios de 2009 faleceu o engenheiro agrónomo Castanheira Diniz. Ele foi para Angola, em meados da década de 30, encerregado de uma diligência ingrata: estudar a cultura do kenaf e as suas possibilidades económicas. Nunca mais saiu de Angola. Passou a fazer parte do corpo técnico do Instituto de Investigação Agronómica desde a sua fundação em 1961. Foi aqui que emergiu todo o seu saber tendo publicado a maior obra de referência no género: Características Mesológicas de Angola onde estavam reunidos, sob a sua lúcida orientação, todos os estudos efectuados em Angola e que se encontravam dispersos. Depois da independência ainda publicou obras valiosas, sobre vários rios de Angola e suas potencialidades agrárias.
Castanheira Diniz é o pai da moderna geografia de Angola.


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo

Luiz Chinguar
Maio 2009

TAL CARA, TAL CU


A DERROTA DO AVÔ CANTIGAS


PROFESSOR DO ANO

PROFESSOR DO ANO

Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.

Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.

Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.

Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.

Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.

Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.

Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.

Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.

Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.

Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.

Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.

Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.

Professor do ano foi aquele que continuou a motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.

Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.

Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.

Professor do ano... tanto professor do ano.

Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.

Somos mais que professores do ano.

Somos professores sempre!

sábado, 6 de junho de 2009

O PERMANENTE AUTISMO DO PS COM OS PROFESSORES - SÃO SEMPRE CULPADOS


... , uma das maiores especialistas portuguesas em 'pedagogice', deu duas entrevistas ao Jornal Público, nas quais disse coisas de fugir. Esta ex deputada do PS e eventual futura ministra da educação, continua a defender com unhas e dentes a totalitária ideologia do "eduquês". Segundo ela, "há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa."

Sobre a principal tarefa que é ensinar, nem uma linha.

Depois, prossegue dizendo que "as escolas têm que ser avaliadas se resolverem os problemas e se não o fazem têm que explicar porquê." Ou dito de outra forma, se não passarem os meninos todos, serão culpabilizadas pelos chumbos, e avaliadas pelas grelhas altamente científicas do secretário de estado Valter Lemos. Sobre as medidas propostas pela actual equipa do ministério, nomeadamente sobre o ensino das línguas, a Drª Bettencourt continua maravilhada com a Finlândia (até suspeito que ela viva lá), pois refere que "na Finlândia, há alunos dessas idades [10 a 12 anos] a estudar cinco línguas, há percursos muito centrados nas línguas porque os finlandeses dizem que são um país periférico e têm que aprender. O problema não é o ensino de duas línguas, mas a consolidação da compreensão das mesmas".

Sobre a Matemática defende que "os professores têm que trabalhar mais. Não podem ser só as famílias, embora estas sejam importantes; é a escola que tem que ter muito mais responsabilidade."

Claro, a culpa é dos professores, não são as famílias que não ligam nenhuma à escolaridade dos filhos, e não são os alunos que são cada vez mais preguiçosos. Sobre o facilitismo que tem sido acusada, e acerca dos "chumbos" a linha é a mesma:

"Um aluno que chumba várias vezes é porque não foi apoiado e vai acabar por desistir, o que é mau para ele e para o país. O que defendo é que os professores compreendam as dificuldades dos alunos, insistam e trabalhem muito. Isto é muito importante, para poder resolver, porque se não, os professores dão sempre mais do mesmo. Um dos aspectos que me impressionou na escola finlandesa foi os alunos trabalharem imenso. Existem alunos com dificuldades, são apoiados e vão fazer a sua escolaridade."

Mais uma vez, a culpa é dos professores e nunca, nunca é dos alunos. Dos exames, disse que "o problema do sucesso nas aprendizagens não depende de mais exames."

Ana Maria Bettencourt personifica bem o espírito do Partido Socialista para a educação. Qualquer ministro que venha deste partido, vai defender estas ideias, que têm sido em parte responsáveis pelo tremendo falhanço que é a escola em Portugal.

Estes senhores, debaixo da capa de quererem ajudar os "coitadinhos" e os "pobres", estão com estas ideias, a prolongar-lhes a pobreza e coitadice, porque no essencial os desresponsabilizam pelos seus resultados e pelas suas aprendizagens. Ao mesmo tempo, fazem tábua rasa de tudo o que muitos professores todos os dias fazem nas escolas, passando-lhes a responsabilidade de todos os males.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

O ARTIGO QUE MOTIVOU O PROCESSO DE SÓCRATES

OS MEUS PARABÉNS A JOÃO MIGUEL TAVARES DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt03 Março 2009

sábado, 4 de abril de 2009

PINTO DA COSTA BENFIQUISTA ... E FALA ELE DO LUIS FILIPE VIEIRA

O Luis Filipe Vieira tem as quotas do FCP em dia e o Pinto da Costa andou a passear e a fotografar-se com a bandeira do Sport Lucilio e Batista na mão. Mas que grande promiscuidade ...

Agora percebo melhor a CORRUPÇÃO em que o juiz António Mortágua se envolveu quando estava como presidente do Conselho de Justiça.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"NUNCA SE DEVE DAR PODER A UM GAJO PORREIRO"

Um texto que vale a pena ler

«No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa.

Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor. Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras. Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia.

Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomima a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro. E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo Ministério Público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados.

O Procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos... Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.»

Helena Matos, Público, 02/04/09

sábado, 14 de março de 2009

SÓCRATES ESCONDEU RENDIMENTOS ENTRE 1999 e 2002 E NADA LHE ACONTECEU


Manuela Moura Guedes, denunciou a situação no Telejornal da TVI e nós ficámos a saber o ... inimaginável ... só possível a alguns ... sempre os mesmos. Quem? José Sócrates, obviamente!!!!O Vídeo está AQUI

José Sócrates não revelou os rendimentos nas declarações entregues entre 1999 e 2002 no Tribunal Constitucional.

Como detentor de um cargo político, o actual Primeiro-ministro era e é obrigado a entregar a declaração de rendimentos naquele tribunal.
Na altura dos factos, Sócrates era apenas ministro e depois deputado. Nas declarações de 22/11/99, de 12/01/2001, 6/4/2002 e 12/4/2002, o campo dos rendimentos foi entregue em branco.

O decreto-lei 25/95 estabelece que os rendimentos têm de se declarados e que as omissões comunicadas e denunciadas ao Tribunal Constitucional têm de ser facultadas ao Ministério Público para proceder em conformidade.
Um representante do Tribunal Constitucional afirmou à TVI que nada foi feito porque ainda ninguém denunciou essas ilegalidades. Do gabinete do Primeiro-ministro foi garantido à TVI que as declarações de José Sócrates cumprem os requisitos da lei.

Por esclarecer está esta interpretação do gabinete do Primeiro-ministro, que permite a Sócrates não revelar o rendimento nas declarações que entrega ao Tribunal Constitucional.

Uma ilegalidade que é ajudada pelo facto de o Tribunal Constitucional e o Ministério Público não verificarem as declarações.

Experimentem então entregar as vossas declarações com o campo de rendimentos em branco e vão ver se é preciso alguém denunciar ou se vos caem imediatamente em cima. É só experimentar !!

sábado, 7 de março de 2009

EX-PRESIDENTE ANTÓNIO MORTÁGUA RECONHECE A "COMPRA DE ÁRBITROS"


António Mortágua:

«500 contos é uma quantia ridícula»RECONHECE QUE SE "COMPRAVAM" ÁRBITROS
Prosseguiu esta sexta-feira o julgamento do Caso do Envelope, tendo sido ouvidas as testemunhas de Pinto da Costa. Destaque para o depoimento de António Mortágua, ex-presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e da Comissão de Arbitragem da Liga. Questionado sobre a quantia (2.500 euros) que Carolina Salgado diz ter visto entregar ao árbitro Augusto Duarte disse: "Quinhentos quantos? Era pouco para a bitola que se dizia".
O procurador Augusto Sá perguntou então se os árbitros eram corruptos ou se o podem ser, ao que Mortágua respondeu: "alguns".

Mortágua recordou um Feirense-Beira-Mar, revelando que um árbitro (não disse o nome) que acabou por não dirigir o jogo, terá recebido 1.500 contos de cada equipa. "Todas as pessoas têm um preço e, repito, acho 500 contos uma quantia ridícula", frisou.
Em abono de Pinto da Costa, sustentou: "Não estou a ver que essa pessoa que eu conheço fizesse isso".
Foram também ouvidos, o antigo árbitro assistente, António Perdigão, o director geral da FC Porto SAD, Antero Henrique, e o comentador Pôncio Monteiro.
António Perdigão considerou o Beira-Mar-FC Porto "um jogo normal" e revelou que Pinto da Costa disse a Pinto de Sousa, numa conversa telefónica, que o árbitro Augusto Duarte "não deu um cheirinho".
"Recordo-me de ouvir Pinto de Sousa dizer que Pinto da Costa tinha afirmado que Augusto Duarte não tirou nada mas também não deu nada", destacou.


Denúncia
Curiosa foi a revelação de Perdigão sobre os motivos que o levaram a deixar a arbitragem.
Ficou a saber-se, no tribunal de Vila Nova de Gaia, que se ficou a dever ao facto de ter sido castigado após uma denúncia feita pelo arbitro internacional Jorge Sousa e pelo antigo árbitro assistente Domingos Vilaça (integraram a equipa de Augusto Duarte no Beira-Mar-FC Porto).
Os dois terão contado ao secretário da Comissão de Arbitragem da Liga, Carlos Pinto, um comentário que Perdigão tinha feito sobre ele durante um curso de arbitragem numa conversa informal.
VERGONHOSO !!!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

LIEDSON . . . PORQUE OS BENFIQUISTAS NÃO GOSTAM DELE!!!

PERCEBEM AGORA??
... SÓ AGORA ???



domingo, 15 de fevereiro de 2009

CAMPANHA NEGRA CONTRA O POVO PORTUGUÊS



Isto já começa mas é a cheirar mal. Se fosse um qualquer anónimo português, estaria por certo, e bem, a ser investigado se é que, na melhor das hipóteses já não estaria mesmo preso.
A promiscuidade na política é como no futebol. Pode-se fazer tudo, de tudo que NADA acontece. E se for do PS, ainda melhor.
Agora é Mesquita Machado que com tantas evidências consegue O MESMO que José Sócrates com os seus projectos falsificados: PARA QUÊ IR AO IGAT? PARA QUÊ SEREM INVESTIGADOS?
Do resumo desta notícia, que vale a pena lerem, fica apenas aqui um resumo de ... arrepiar e deixar incrédulo qualquer um pela FALTA DE INVESTIGAÇÃO.

Não será isto uma VERDADEIRA CAMPANHA NEGRA contra o Povo Português que paga os seus impostos e vê cada vez mais os abutres da política e deste PS MAMAREM até onde podem porque a eles TUDO é permitido?

RENDIMENTOS DECLARADOS E MOVIMENTADOS PELO CASAL E FAMÍLIA (EUROS)
MESQUITA MACHADO E A MULHER
1993
Rendimento declarado: 42 500 (bruto)
Movimentos bancários: 75 750
1994
Rendimento declarado: 44 000 (bruto)
Movimentos bancários: 73 000
1995
Rendimento declarado: 46 000 (bruto)
Movimentos bancários: 64 500
1996
Rendimento declarado: 50 000 (bruto)
Movimentos bancários: 60 000
CLÁUDIA
Rendimento declarado: 6500 (bruto)
1997
Rendimento declarado: 51 000 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 58 500
Movimentos bancários: 165 000
1998
Rendimento declarado: 53 500 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 60 000
Movimentos bancários: 230 000
1999
Rendimento declarado: 40 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 42 500 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 14 500 (líquido)
Movimentos bancários: 200 000
2000
Rendimento declarado: 46 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 59 000 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 300 000 (líquido)
Movimentos bancários: 782 500
2001
Rendimento declarado: 53.000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 55 409 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 219 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 695 480
2002
Rendimento declarado: 51 400 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 99 300 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 262 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 603 000

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

VERSÃO COMPLETA DO PARECER PRELIMINAR DE GARCIA PEREIRA

Paulo Guinote, no seu Umbigo da Educação, apresenta a
Um documento importante na nossa luta contra o descrédito a que chegámos.
.



CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO DOUTOR GARCIA PEREIRA

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EM DIRECTO,

a conferência de imprensa do doutor Garcia Pereira,

AQUI

.

A MINHA RESPOSTA À DESESPERADA DGRHE

A DGRHE mantém o assalto às caixas de correio dos professores para intimidar e pressionar numa clara situação de desespero porque já percebeu que, apesar de tudo, GRANDE PARTE dos professores mantém a sua coerência e espírito de luta por se sentir injustiçado, enxovalhado e com a sua dignidade posta em causa.
Esta permanente intimidação fazem-me sentir vítima de uma campanha negra por parte da DGRHE. Sinto-me insultado pela DGRHE.
PORQUÊ que o meu email pessoal há-de ser vandalizado por quem quer?
Não terei também o direito à minha privacidade?
Sou obrigado a abrir a porta de minha casa a qualquer um?
Porquê que a DGRHE passa a vida a "chatear" se ninguém lhe encomendou o sermão?
Por isso mesmo, assim que recebi mais uma AMEAÇA deles, respondi-lhes ... curto.
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A RESPOSTA

From: Francisco Teixeira Homem <fxxxxxxxxxx@gmail.com>
Date: 2009/2/13Subject:
Re: Objectivos individuaisTo: DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt

DGRHE
Em referência ao ponto 2, queiram fazer o favor de me transcrever no referido Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, onde está escrito que os objectivos individuais são obrigatórios.Por outro lado, surpreende-me este assédio que se começa a tornar quase diário ao meu email pessoal por causa da não entrega de Objectivos Individuais quando se eu não pagar os impostos a tempo e horas, a DGCI não me avisa, se eu não pagar as propinas do meu filho a Universidade não me avisa, se não pagar a água e telefone também ninguém me avisa.
Porquê tanta preocupação com a não entrega dos Objectivos Individuais?
Aveiro, 13 de Fevereiro de 2009
Com os melhores cumprimentos
Francisco de Barros Teixeira Homem

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O INSULTO

2009/2/13 <DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt>
Professor,
Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informar o seguinte:
1.Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer para a auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselho executivo;2.De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação;3.Da mesma forma, os objectivos individuais são elemento obrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez que só a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar o contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados no projecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com o estabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.
Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar o desempenho dos professores.Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação de objectivos individuais, que:1.O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola;2.Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências;3.No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo, tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos ao avaliado, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual de actividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro).
A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aos professores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual, uma vez que se trata de profissionais com elevados níveis de competências e de autonomia. Aliás, no SIADAP, os objectivos individuais são sempre fixados a partir de uma proposta da hierarquia.
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo os professores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participação e valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a sua avaliação.
Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para que não restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliação de desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um mero procedimento de auto-avaliação.
Lisboa, 13 de Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,
DGRHE

VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DE PROJECTO EM PROJECTO, ATÉ À PALHOTA FINAL

A Campanha começa a ficar negra. Agora até a Judiciária não deixa em sossego o pobre do Zézito só porque dizem que ele andou a assinar projectos que não fez, que em Portugal é considerado CRIME. A palavra do nosso primeiro ministro já não conta. A sua palavra de honra, também não. Até aprece que o "engenheiro" não tem honra ou que é mentiroso. Não há direito que tratem assim, aquele ministro que até é o primeiro. Pobre Portugal, ao que tu chegáste!!



Se José Sócrates já tinha feito o desmentido, PORQUÊ que não acreditam nele? Que maldade!

PORQUÊ que o presidente da Câmara da Guarda (PS e ex-colega de Sócrates no curso) não havia de recusar enviar para a Inspecção-Geral de Administração do Território (IGAT) o relatório da comissão interna sobre licenciamento de projectos assinados por José Sócrates nos anos 80, se já está "está tudo esclarecido"?

Façam o favor de não inventar para aí mais uma "campanha negra", tá bem? O homem é mesmo o autor dos projectos e responsável pela construção, tá bem? Puxaaaa ... tanta desconfiança nem sei mesmo porquê! É demais!!! Ainda não percebi PORQUÊ que não acreditam nele, basta olhar para a sua carinha ... ora vejam lá bem.



A FASE PRETA DE UMA DAS VÁRIAS "CAMPANHAS NEGRAS"

ATÉ JÁ COMEÇO A TER PENA DO DESGRAÇADO

PINÓCRATES - 2 ANOS DO PIOR GOVERNO

VER PARA CRER

O Pinóquio ao pé de José Sócrates era um verdadeiro menino de coro.

MENTIRAS, ...MENTIRAS, ... MENTIRAS, ... TANTA MENTIRA.

Vale a pena confirmar!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UM EXEMPLO DE UMA PCE

Depois de ultrapassado o prazo estabelecido para entrega dos Objectivos Individuais, uma Presidente de um Conselho Executivo (PCE) que eu conheço, e que se tem mostrado corajosa, foi visitada por um grupo de comissários políticos da Equipa de Apoio às Escolas do Concelho.

Depois de perceberem que a enorme maioria dos professores da escola NÃO TINHA ENTREGUE os Objectivos Individuais, já que se trata de uma escola que se tem mostrado abertamente contra este cadáver em putrefacção que é o modelo chileno de avaliação de docentes, perguntam de forma provocatória e intimidatória à Presidente o que é que ela tenciona fazer perante tal situação.
- NADA, refere esta Presidente com uma paciência de fazer inveja e uma pachorra própria de quem até acaba por ter dó de uns paupérrimos "paus mandados" que não têm onde cair nem mortos nem vivos e que se arrastam penosamente para fazer valer a voz do dono ao preço de um pacote de torresmos ou pouco menos ainda, sei lá.

E então, nesse momento, incomodados com a serenidade da resposta, um dos comissários políticos dessa Equipazeca, agarra na caneta e escreve no seu bloco de apontamentos de forma excessivamente pausada, AO MESMO TEMPO QUE IA REPETINDO EM VOZ ALTA:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ... numa clara tentativa de intimidação.

E sabem o que é que aconteceu?

Pois bem, como a Presidente continuou toda a semana seguinte a fazer NADA, eles regressaram à escola com a mesma técnica e voltaram a escrever soletrando pausadamente e em voz alta:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ...

PARABÉNS Presidente, pela "espinha" e verticalidade!

PARABÉNS a todos os colegas da escola, pela forma como têm dado a cara e lutado sem baixar os braços. A MENTIRA e a INJUSTIÇA não podem suplantar a dignidade que queremos ter como professores.