BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (6)

22.- Introdução das frutas europeias.Os sertanejos trouxeram para Angola quase todas as frutas dos climas temperados. No século 19 já eram vulgares o figo, a nêspera, o limão, a laranja , a tangerina, a romã, o marmelo, a maçã e a pera. A uva não vingou nos planaltos: chove no Verão e não há temperaturas acima de 30º C. Com a entrada dos bóeres a fruticultura ficou mais enriquecida, especialmente na Huíla, pois eles trouxeram mudas e sementes do Cabo. Na década de 20, quando se registou uma onda imigratória de portugueses e estrangeiros, a fruticultura sofreu um notável incremento. Na Huíla, onde os solos apresentam embasamentos calcários e o clima não é tão chuvoso como no planalto central, apareceram grandes pomares de frutas europeias de boa qualidade, já em fins do século 19. Na década de 20, com o caminho de ferro de Benguela totalmente desenvolvido (1929), despontaram no Planalto Central interessantes pomares de frutas de climas temperados. O morango, a maçã, a pera, o figo e a romã ficaram vulgarizados, embora sofressem condicionamentos resultantes da adaptação e da acidez dos solos. Eram frutas que podiam ser amplamente melhoradas, com investigação e tecnologia. E com dinheiro como é óbvio.
23.- As frutas das savanas. Todos os planaltos eram muito ricos em frutas silvestres, muito apreciadas pelos animais selvagens. Talvez o fruto mais característico seja a nocha,locha ou ucha cuja classificação botânica é “parinaria mubola”. Provinha de uma árvore com 10 a 15 metros de altura, de tronco grosso, folhas elípticas. O fruto era do tamanho de um kiwi, de cor amarela acastanhada, com um grande caroço e polpa amarela doce, adstrigente. Deve ser a fruta mais odorífera que existe.E, para nós, a mais deliciosa de todas. Quando está madura o chão fica completamente atapetado com frutos exalando um cheiro fortíssimo e delicioso muito semelhante ao ananás e ao abacaxi, mas muito mais intenso. Este odor, que se propaga até mais de 20 metros, atrai centenas de animais, entre os quais os elefantes que são os mais gulosos, e os macacos. O fruto, já no chão, fermenta e provoca bebedeiras. Segundo se dizia os elefantes, e os macacos principalmente, gostavam de tomar uns “pifos” de nochas fermentadas. O caroço, exageradamente grande e duro, continha duas amêndoas cujo sabor era semelhante ao das genuínas amêndoas. Os elefantes comiam toneladas de nochas e depois expeliam os caroços que eram disputados por quem encontrasse as fezes. O nome da árvore estava aportuguesado para nocheira. A árvore dá uma optima madeira, de constituição semelhante ao carvalho, o que a coloca na lista vermelha, ou seja propícia à gula dos predadores humanos. A aniquilação das nocheiras das savanas, para madeira,lenha e carvão, vai originar o desaparecimento de toda uma cadeia alimentar dos animais selvagens, especialmente dos mamíferos. A destruição das savanas e das florestas é o fim dos animais selvagens.
Outra fruta muito conhecida em todo o país era o maboque, também designado por mapole ou upole. O nome botânico é Strychnos shumannianna segundo a classificação de Gossweiler. A árvore é de tamanho médio e o fruto parece uma laranja, meio ferrujenta, embora a casca seja muito dura. Um pedúnculo bastante comprido suspende o fruto verticalmente dos ramos da árvore. O envólucro é muito duro, só com um objecto pesado se consegue quebrar. Dentro existem sementes de côr cinzenta nadando em um líquido espesso e coagulado. O sabor é agridoce. Em grandes quantidades provoca solturas. Era perigoso, para quem não os soubesse distinguir.Havia uma variedade em tudo semelhante, que era venenosa, talvez a classificação botânica tenha levado isso em conta com o termo Strychnos.
Um fruto delicioso, com o qual se faziam compotas e geleias, era o lôengo. A respectiva árvore era de tamanho médio, mas apareciam exemplares com cerca de 15 metros de altura.Assemelhava-se à ameixa preta pequena. O caroço era muito grande, deixando uma polpa vermelha muito estreita. Era mais para chupar do que para comer. Talhava os dentes de tão ácida, matava a sede e enganava a fome. O nome botânico é “Anisophyllia fruticosa”. A compota era deliciosa.
A lombula ou ombula aparecia em árvores e arbustos e o seu fruto era redondo, amarelo, do tamanho de um damasco. Era o fruto mais doce das savanas. Dentro da polpa havia quatro caroços sumarentos.. Comida em excesso provocava soltura.
Um fruto vulgaríssimo era a matúndua ou massunje. Era arbustiva e anual. Cada “bissapa” só dava um fruto, enterrado, vermelho, de casca grossa. O fruto era “arrancado”do chão, como se fosse uma cebola. A polpa era esbranquiçada com pequenas sementes pretas. Era ácida, mas dava sumos deliciosos. Matava a sede. Quando passava uma queimada, era deslumbrante ver milhares de frutos, vermelhos, emergindo no chão preto. A casca do fruto tinha propriedades medicinais. As folhas exalavam um cheiro carcterístico, fazendo lembrar os desinfectantes.O arbusto era ornamental, com folhas lanceoladas de um verde envernizado. A matúndua concentra muita vitamina C que nunca foi apercebida pelos viajantes do século 19, em especial pelo viajante inglês Cameron que chegou a Benguela atormentado com o escorbuto.O próprio botânico Welwitsch, que classificou a célebre planta do deserto de Namibe a Welwitshia mirabilis, sofreu um ataque de escorbuto.

Fig 12 Outro fruto vulgaríssimo e arbustivo era a cassússua ou matipa-tipa. O fruto está envolvido em um cápsula verde, enquanto não atinge a maturação. Quando maduro, a capa protectora fica seca. O fruto é uma” uva” isolada e rósea ou amarela, conforme a variedade. O sabor é agridoce, delicioso. É nutritivo e digestivo. É vendido em Portugal, vindo da Colômbia, com o nome de physallis. Muito caro. Em Espanha já é utilizado em culinária. Houve colonos que propuseram a comercialização deste fruto; foram escarnecidos pelo governo colonialista.
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Muito vulgar, especialmente no sul de Angola, era o mirangolo (omuniangolo), semelhante a uma uva preta. O sabor era agridoce e a planta era arbustiva. Faziam-se compotas e geleias.
Menos vulgares, mas que eram fundamentais para a biodiversidade das savanas, eram: cunucuna, árvore com 2 a 3 metros de altura, fruto parecido com a goiaba; curiungo de bagas pequenas; maravassusso arbusto de 20 a 30 centímetros, com o fruto em cachos parecido com uma romã pequena, de sabor muito agradável; longonguena arbusto de 50 centímetros, de fruto redondo, pequeno, vermelho; olomone arbusto de 50 centímetros bagas pequens, pretas, do tamanho de um grãos de milho; sangala, fruto pequeno em cachos; ussombo árvore cujos frutos pendiam em cachos; tetembula, do tamanho de um berlinde, de côr branca, e o iolo de um arbusto com 30 a 50 centímetros, do tamanho de um limão, semelhante à pinha, de côr amarela, bastante doce; lomuínho árvore média, ou em arbustos, com o fruto semelhante a um berlinde verde claro, era muito aromático, adstrigente e matava a sede. Com o lomuínho fabricava-se um bom quimbombo (aguardente).
Depois desta breve descrição das principais frutas das savanas do planalto central, ficámos a fazer uma ideia da riquíssima flora angolana. O que descrevemos abarca apenas a área referente ao Planalto Central. Em outras regiões existem mais variedades de frutas silvestres, que seria fastidioso descrevê-las. O farmaceutico Sezinando Marques que acompanhou Henrique de Carvalho na viagem às Lundas em 1890 deixou um alentado volume sobre a flora daquelas regiões.
24.-As abelhas.São milhares de plantas frutíferas cuja flores são polinizadas pelas abelhas. Angola era uma das áreas mundiais com mais abelhas, conhecidas pelo seu intenso labor. Bastava pôr uma colmeia num ponto alto e logo de seguida era ocupada por um enxame. Por isso Angola foi o primeiro produtor mundial de cera. O padrão mundial da cera, no mercado de Londres era a Cera Benguela.
O trabalho das abelhas africanas foi reconhecido mundialmente ao ponto de as teram levado para outros continentes onde não só apresentam trabalho, como também dão trabalho àqueles povos: não são nada meigas e ferram por motivos insignificantes, basta uma pessoa mexer-se. Em Angola era vulgar assistir-se à passagem de um enxame e à consequente fuga das pessoas. Vários desafios de futebol tiveram que ser interrompidos, temporariamente, devido às abelhas. Talvez elas ficassem excitadas por verem duas dezenas de pessoas correndo atrás de uma bola.
Ficou lendária uma procissão em Sá da Bandeira que foi desbaratada por dois enxames de abelhas. Com todo o respeito que me merecem todas as cerimónias religiosas, mas o caso foi hilariante. Dois enxames de abelhas huilanas andavam à procura de casa. E encontraram-na: dentro de um dos sinos da catedral de Sá da Bandeira. Nesse dia realizava-se uma procissão solene. Quando esta vinha saindo para a rua começaram a ecoar os sinos e sucedeu o previsível: os enxames despencaram da torre e “esborracharam-se” no cimento à saída da catedral. Para piorar estava muito fumo de incenso no ar. E, para piorar mais, as pessoas entraram em pânico o que deixou as abelhas furiosíssimas. Difundiram-se em todas as direcções, não poupando ninguém, ferravam à esquerda e direita, em baixo e em cima, não escolhendo situações sociais, quer fosse o bispo, ou o governador, ou o juiz da comarca ou, até, o comandante militar. A procissão ainda chegou a estar totalmente desenvolvida, segundo a liturgia do acto. A procissão ainda andou uns metros, já sob forte ataque “dos caças apícolas”, mas as pessoas ainda se defendiam conforme podiam, os estudantes com a capa que ostentavam, as freiras e os padres com as suas vestes. Mas as abelhas africanas são, no dizer dos brasileiros, enfézadas, ou seja irritadiças e, também, obstinadas e raçudas. Se houve um lado que quebrou foi o da procissão. Debandou quase tudo, em todas as direcções. Houve algumas excepções que pagaram caro a teimosia (e heroicidade), uma delas foi o representante do bispo que trazia a custódia e que ficou irreconhecível. A procissão reorganizou-se, uma horas depois. Muitas pessoas seriamente picadas, teimaram em regressar, com as caras inchadas. Foi um espectáculo hilariante.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (7)

25.- Por que tudo fracassou? Por que não conseguiram os portugueses e seus descendentes, e muitos africanos ocidentalizados, prosseguirem as sua vidas em Angola, optando, antes, por um exílio indesejado em outros países, especialmente na antiga Metrópole? Em um anterior ensaio “A utopia de um novo Brasil em Angola” desenvolvemos os vários motivos que estiveram na origem da inviablização de um novo Brasil, isto é, uma nação miscigenada com predominância dos costumes ocidentalizados. Expusemos as causas remotas e as causas próximas.
Fundamentalmente, quando Angola já dispunha de boas estruturas urbanas, apoiadas em uma administração moderna e próspera, os colonos continuavam mergulhados em um marsupialismo que foi explicado no ensaio referido. Achamos que a palavra marsupialismo explica bem a extrema dedicação deles em relação a Portugal. Os colonos não queriam largar a”bolsa marsupial” mesmo depois de ser evidente que os ventos da história apontavam para outro rumo. O pouco tempo da colonização (só a partir de 1920) explica, em parte, este apego à Metrópole.
Os colonos estavam longe de imaginar que o “grande portuguesismo” era só de fachada; ele desmoronar-se-ia perante a surpresa de quase todos e, até, dos estrangeiros.
Valeu a pena a saga dos portugueses em Angola? Eis um tema para dezenas de debates( que tardam em aparecer!), colóquios, seminários, conferências, encontros , simpósios etc. É tempo de se perderem os complexos e os recalcamentos. Não há que ter medo da história. Os fantasmas só se expulsam encarando-os.
Já expusemos que a colonização europeia em Angola só começou em 1920. Também demonstrámos, em artigos anteriores (1), por que decorreram mais de 400 anos até que chegassem os primeiros colonos portugueses. O século 20 em Angola foi de uma tal complexidade que não se pode explicar através de um modelo simples, maniqueísta e marxista, de luta de raças ou classes do tipo “branco opressor versus preto oprimido”. O tempo e os acontecimentos posteriores provaram, amplamente, que este modelo simplista não funciona mais. Só um modelo muito complexo, envolvendo dezenas de variáveis, poderá explicar tudo o que sucedeu. Chega de se apoucar a grande obra feita pelos africanos e pelos portugueses ao longo dos tempos.
E para Angola valeu a pena a presença dos colonos de 1920 a 1975 ?
Não seremos nós, tal como na dúvida anterior, a responder a esta pergunta, mas limitar-nos-emos a transcrever uma frase do esplêndido livro de Jean-Claude Barreau & Guillaume Bigot “Toda a geografia do mundo” Edição Teorema Lisboa 2007:« A Angola lusitana é uma verdadeira nação».
Fig 13 Vista de satelite de Tombua antiga Porto Alexandre. Foi um caso bem sucedido de colonização espontânea e que não teve “subsídios oficiais”.Após a fundação de Moçâmedes( actual Namibe) em 1848 “saltou à vista” que os mares do sul de África eram excepcionalmente piscosos. Alguns pescadores do Algarve (Olhão) não perderam tempo: fizeram-se ao mar com as suas traineiras e instalaram-se em Porto Alexandre. Em poucos anos já estavam exportando, para todo o mundo, produtos comerciais (enlatados e secos de inicio). A cidade está em pleno deserto de Namibe onde chove menos de 50 mm anuais.Os Serviços Agrícolas e Florestais de Angola empreenderam, a partir da década de 20, plantações de árvores resistentes ao deserto a fim de conterem as dunas e amenizarem o clima.Estas defesas contra as dunas prosseguiram até à independência, era um trabalho que despertava a curiosidade mundial. Esta parte de Angola, o sudoeste, apesar de estar inserida no deserto de Namibe, é de excepcional interesse porque tem um clima “aparentado” com o mediterrânico. A região produzia, na foz dos rios, produtos de climas temperados como por exemplo a azeitona, a uva, o pêssego, a ameixa, o melão,o figo, etc. Na fotografia ainda são visíveis as cortinas de árvores plantadas a partir da década de 30. O “pai” destas cortinas foi o engenheiro agrónomo Bento e, mais tarde o engenheiro florestal Augusto Sardinha que empreendeu outra obra idêntica, mas de muito maior dificuldade, na Baía dos Tigres( hoje uma península) mais a sul.


Fig 14 Baía dos Tigres no sul de Angola. Em pleno deserto do Namibe a vila foi das maiores realizações, no género, em Angola. Edificada na restinga ali existente abrigava pescarias aproveitando o magnífico mar piscoso. Foram estabelecidas cortinas florestais de espécies exóticas adaptadas ao clima desértico (chuvas menores do que 50 mm por ano): um trabalho que despertava a curiosidade mundial. O engenheiro florestal Augusto Sardinha,já citado, representa o imenso sacrifício, trabalho e empenhamento dos técnicos de Angola. . Na figura vê-se um “muro” destinado a abrigar as espécies florestais emquanto novas. A Baía dos Tigres foi palco de um episódio mundial em 1904 quando a esquadra russa, em rota para o Japão, ali se refugiou. Uma canhoneira portuguesa deu-lhe ordem de retirada que foi cumprida pelos russos. Quando o meu pai chegou a Angola em 1909 ainda era um grande motivo de orgulho este acontecimento.


Fig 15 O governador Geral Paiva Couceiro em 1908, a cavalo ao lado das suas tropas, atravessando a ponte sobre o rio Cunene que ele mandou construir em tempo recorde . Precária, feita de paus da flora circundante, não aguentou muitos anos. Este governador, que foi insultado e preso por Salazar em 1937, tinha a percepção do atraso de Angola e tudo fez para a alcandorar à modernidade. O seu breve governo (1907-1909) criou os alicerces de uma nação, no sentido lato da palavra. Em 1912-1914 Norton de Matos continuou a sua obra. Este ultimo regressaria em 1921-1924 e catapultou Angola para a modernidade.


Fig 16 Ponte sobre o rio Cunene em Xangongo uma grande obra de engenharia e uma velha ambição dos colonos do sul de Angola. O conjunto é constituido por uma ponte com 85,4 m de comprimento , um viaduto com 726,80 m de desenvolvimento e um aterro com 11,2 km de extensão.Com esta ponte, inaugurada em 1968, o sul de Angola, a maior região pecuária do país, conheceu um desenvolvimento explosivo.



Fig 17 Corte de eucaliptos nos polígonos florestais do CFB Caminho de Ferro de Benguela.As máquinas a vapor, que ainda funcionavam em 1974, necessitavam de muita biomassa (lenha). Nos primeiros anos (1912 a 1935) foi utilizada lenha proveniente das savanas por onde passava o comboio. O desbaste tornou-se notório. O CFB empreendeu a plantação de centenas de milhares de hectares com floresta exótica (não nativa) de crescimento rápido. O eucalipto encontrou condições excepcionais nos planaltos de Angola. Dizia-se que, quando o corte chegava a meio da área total, já as arvores anteriormente cortadas estavam em condições de corte. Uma verdadeira economia sustentável.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (8)

Fig 18 Edifício da Escola Comercial e Industrial do Huambo (antiga Nova Lisboa). Até 1961 o ensino em Angola esteve muito garrotado e as directrizes de Lisboa eram cumpridas integralmente: um ensino rigoroso e exigente, um diploma do 5º ano do liceu, por exemplo, era uma garantia de competência. Na década de 60 Angola ficou “semeada” de escolas comerciais e industriais onde se leccionavam cursos tecnicos médios (contabilistas,electricistas, serralheiros, carpinteiros, construção civil etc). Dizia-se, com muita verdade, que Lisboa não “queria doutores angolanos” o que até tinha lógica.Lisboa sentia que com massas cultivadas a independência era mais do que inevitável. Estes cursos médios, como se provou anos mais tarde, eram modernos e de grande utilidade. Foram uma mais valia para Angola independente quando ficou esvaziada de quadros.Sarmento Rodrigues, Ministro do Ultramar, um homem de larga visão ,que infelizmente não foi aproveitado nos momentos cruciais , foi o “pai”deste ensino, inegavelmente de grande valia para o futuro. Um engenheiro inglês que eu conheci em Luanda ficou espantado com o bom nível destas escolas aparelhadas com o que de melhor havia no mundo. Os ex-alunos tinham orgulho das suas escolas( dos seus professores e dos seus cursos), todas elas instaladas em edifícios imponentes.

Fig19 Edifício principal do Liceu Diogo Cão em Lubango (antiga Sá da Bandeira). Foi o único liceu no interior de Angola até 1956. Foi o nosso abrigo nos últimos 4 anos do ensino liceal.Sem ele não estaríamos a escrever este ensaio. Teve um escol de professores a quem muito agradeço por aquilo que aprendi: era uma escola de letras e ciências e, sobretudo, de integridade e formação de caracter.

Fig 20 Negage “a capital do café”. Com menos de 30 anos era já uma cidade em progresso explosivo. A cidade prestou-se a receber uma base aérea e com isso o seu desenvolvimento acelerou-se. Os habitantes eram empreendedores e com sentido de modernidade. Não era capital de distrito mas não obstou a que ganhasse os “galões” de cidade em pouco tempo após a fundação.Já nos referimos anteriormente que o eixo Uíge-Negage-Camabatela tem um grande potencial para actividades sustentáveis: bons solos, muita água (a isoieta de 1400 mm “fecha-se” nesta área), bem servida de estradas, podendo usufruir de um bom porto marítimo no Ambriz.

Fig 21 Camacupa, antiga General Machado. Fundada em 1923 em poucos anos tornou-se a “Raínha do Arroz”. Este cereal encontrou condições excepcionais nas baixadas do rio Cuanza. Os angolanos bienos dedicaram-se com afinco à cultura do arroz, introduzido em Angola pelo governador geral Paiva Couceiro(1907-1909).Na década de 50 a cultura do arroz espalhou-se por quase todo o país com relevância para Sanza Pombo e Lundas.


Fig Apesar de não ser a sede de distrito, a cidade da Gabela era o “Coração Forte do Cuanza-Sul”. Com boas fazendas de café e numa região de paisagens maravilhosas-o Amboim- a cidade estava com um grande desenvolvimento. Marcelo Caetano, quando ali esteve em 1945 como Ministro das Colónias, ficou impressionado com a paisagem, e deixou assinalado: «O Amboim é o Buçaco decuplicado».

Fig 22 A cidade do Cubal também não era sede de distrito mas tinha uma notável força económica. Grande parte da sua pujança filiava-se na presença de fazendeiros alemães que introduziram o sisal em Angola. Este produto, utilizado em cordoaria, estava bem cotado nos mercados internacionais; perdeu muito interesse com o aparecimento dos materiais sinteticos como o nylon por exemplo. Mesmo com este contratempo a cidade dedicou-se a outros géneros e à criação de g ado. Nunca perdeu o epíteto de “Raínha do Sisal”.

OS OSSOS DA COLONIZAÇÃO (9)

Fig 23 Um belo exemplo de saparalo, uma adaptação do sobrado português à arquitectura angolana.Em 1908 ainda era muito dispendioso utilizar material durável na construção de casas..A cobertura de capim tornava a casa muito confortável no aspecto térmico, mas trazia grandes inconvenientes entre os quais a atracção de insectos e ratos. E de mabatas como já aqui foi afirmado.O governador geral Norton de Matos não permitia que os postos estivessem instalados em tais casas; por isso incrementou a instalação rápida de cerâmicas.




Fig 24 O primeiro grande edifício no planalto central fruto da aragem moderna que Norton de Matos trouxe para Angola.

Fig 25 Abertura de uma estrada em 1913, durante o 1º consulado de Norton de Matos em Angola.Este governador prometia um automóvel, na altura era só o célebre Ford T, a quem fizesse 100 km de estradas.Trabalho penoso não só pela orografia desfavorável entre o litoral e o interior, como também pelo numero espantoso de rios,todos de caudal permanente, obrigando à construção de pontes.Na gravura é notória “a fuga” da linha de água. As autoridades aconselhavam os cipaios “a fugirem dos rios”para evitarem as pontes. Assim é que as estradas em Angola estão, na sua quase totalidade, situadas nas linhas de cumeada, um formidável trabalho desenvolvido pelos africanos. Fig26 Dois Ford T na fotografia. O automóvel só trouxe benefícios para Angola, acabando com os carregadores. Os carros em Angola receberam a designação de “Tuco-Tuco” uma onomatopeia do trabalhar do motor. Também eram designados, no Planalto Central por “Nena-ió-Baba” que quer dizer “Traz água”.Era comum os Ford T irromperem, fumegantes, nas aldeias africanas: deles saía um “branco”bigodudo, de chapelão, gritando:Nena-ió-Baba. Isto sucedia sempre que os Ford T acabavam de subir uma rampa da Escarpa Atlântica.
Fig 27 Barragem do Cuito primeira, e única, hidroelectrica municipal em Angola. Foi autorizada pelo governador geral Lopes Mateus em 1937. Foi financiada pelo Banco de Angola. Modesta (era a época), produzia 250 kW que chegavam para as necessidades da pequena cidade de Silva Porto (actual Cuito). Com o progresso tornou-se insuficiente, a solução foram os inevitáveis motores “diesel” de grande consumo e maior poluição. Nesta altura o governo colonial tinha-se apercebido do enorme potencial hidroelectrico de Angola que já estava monopolizado pelos oligarcas de Lisboa. Próximo de Silva Porto, no rio Cuquema havia locais para bons aproveitamentos hidroelectricos, bastante baratos porque não havia expropriações e os materiais(granito, areia e bons solos) eram abundantes e de fácil extracção) . As “forças vivas” da cidade fartaram-se de “batalhar” por uma nova barragem. Infelizmente em vão, o presidente da Câmara Municipal chegou a ser humilhado.

Em princípios de 2009 faleceu o engenheiro agrónomo Castanheira Diniz. Ele foi para Angola, em meados da década de 30, encerregado de uma diligência ingrata: estudar a cultura do kenaf e as suas possibilidades económicas. Nunca mais saiu de Angola. Passou a fazer parte do corpo técnico do Instituto de Investigação Agronómica desde a sua fundação em 1961. Foi aqui que emergiu todo o seu saber tendo publicado a maior obra de referência no género: Características Mesológicas de Angola onde estavam reunidos, sob a sua lúcida orientação, todos os estudos efectuados em Angola e que se encontravam dispersos. Depois da independência ainda publicou obras valiosas, sobre vários rios de Angola e suas potencialidades agrárias.
Castanheira Diniz é o pai da moderna geografia de Angola.


Esta matéria é extraída do livro “Mucandas de Tempo do Caparandanda (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.
O livro tem a seguinte estrutura:
-Prólogo
-1ª Mucanda: Os Esqueletos nos Armários
-2ªMucanda: O País e os Seus Povos
-3ª Mucanda: 1890-1920 A Formação e Unificação do País
-4ª Mucanda:1921-1930 O Grande Salto
-5ª Mucanda: 1931-1960 A Grande Soneca
-6ª Mucanda 1961-1974 O Tempo Extra
-7ª Mucanda: 1974-1975 A Virada
-8ª Mucanda: 1975-2005 No Tempo de Hêtali (No Tempo de Hoje)
-9ª Mucanda: Para além de 2005: No Tempo de Hênah (No Futuro)
-Epílogo

Luiz Chinguar
Maio 2009

TAL CARA, TAL CU


A DERROTA DO AVÔ CANTIGAS


PROFESSOR DO ANO

PROFESSOR DO ANO

Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.

Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.

Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.

Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.

Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.

Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.

Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.

Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.

Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.

Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.

Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.

Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.

Professor do ano foi aquele que continuou a motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.

Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.

Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.

Professor do ano... tanto professor do ano.

Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.

Somos mais que professores do ano.

Somos professores sempre!

sábado, 6 de junho de 2009

O PERMANENTE AUTISMO DO PS COM OS PROFESSORES - SÃO SEMPRE CULPADOS


... , uma das maiores especialistas portuguesas em 'pedagogice', deu duas entrevistas ao Jornal Público, nas quais disse coisas de fugir. Esta ex deputada do PS e eventual futura ministra da educação, continua a defender com unhas e dentes a totalitária ideologia do "eduquês". Segundo ela, "há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa."

Sobre a principal tarefa que é ensinar, nem uma linha.

Depois, prossegue dizendo que "as escolas têm que ser avaliadas se resolverem os problemas e se não o fazem têm que explicar porquê." Ou dito de outra forma, se não passarem os meninos todos, serão culpabilizadas pelos chumbos, e avaliadas pelas grelhas altamente científicas do secretário de estado Valter Lemos. Sobre as medidas propostas pela actual equipa do ministério, nomeadamente sobre o ensino das línguas, a Drª Bettencourt continua maravilhada com a Finlândia (até suspeito que ela viva lá), pois refere que "na Finlândia, há alunos dessas idades [10 a 12 anos] a estudar cinco línguas, há percursos muito centrados nas línguas porque os finlandeses dizem que são um país periférico e têm que aprender. O problema não é o ensino de duas línguas, mas a consolidação da compreensão das mesmas".

Sobre a Matemática defende que "os professores têm que trabalhar mais. Não podem ser só as famílias, embora estas sejam importantes; é a escola que tem que ter muito mais responsabilidade."

Claro, a culpa é dos professores, não são as famílias que não ligam nenhuma à escolaridade dos filhos, e não são os alunos que são cada vez mais preguiçosos. Sobre o facilitismo que tem sido acusada, e acerca dos "chumbos" a linha é a mesma:

"Um aluno que chumba várias vezes é porque não foi apoiado e vai acabar por desistir, o que é mau para ele e para o país. O que defendo é que os professores compreendam as dificuldades dos alunos, insistam e trabalhem muito. Isto é muito importante, para poder resolver, porque se não, os professores dão sempre mais do mesmo. Um dos aspectos que me impressionou na escola finlandesa foi os alunos trabalharem imenso. Existem alunos com dificuldades, são apoiados e vão fazer a sua escolaridade."

Mais uma vez, a culpa é dos professores e nunca, nunca é dos alunos. Dos exames, disse que "o problema do sucesso nas aprendizagens não depende de mais exames."

Ana Maria Bettencourt personifica bem o espírito do Partido Socialista para a educação. Qualquer ministro que venha deste partido, vai defender estas ideias, que têm sido em parte responsáveis pelo tremendo falhanço que é a escola em Portugal.

Estes senhores, debaixo da capa de quererem ajudar os "coitadinhos" e os "pobres", estão com estas ideias, a prolongar-lhes a pobreza e coitadice, porque no essencial os desresponsabilizam pelos seus resultados e pelas suas aprendizagens. Ao mesmo tempo, fazem tábua rasa de tudo o que muitos professores todos os dias fazem nas escolas, passando-lhes a responsabilidade de todos os males.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

O ARTIGO QUE MOTIVOU O PROCESSO DE SÓCRATES

OS MEUS PARABÉNS A JOÃO MIGUEL TAVARES DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt03 Março 2009

sábado, 4 de abril de 2009

PINTO DA COSTA BENFIQUISTA ... E FALA ELE DO LUIS FILIPE VIEIRA

O Luis Filipe Vieira tem as quotas do FCP em dia e o Pinto da Costa andou a passear e a fotografar-se com a bandeira do Sport Lucilio e Batista na mão. Mas que grande promiscuidade ...

Agora percebo melhor a CORRUPÇÃO em que o juiz António Mortágua se envolveu quando estava como presidente do Conselho de Justiça.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

"NUNCA SE DEVE DAR PODER A UM GAJO PORREIRO"

Um texto que vale a pena ler

«No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa.

Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor. Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras. Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia.

Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomima a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro. E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo Ministério Público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados.

O Procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos... Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.»

Helena Matos, Público, 02/04/09

sábado, 14 de março de 2009

SÓCRATES ESCONDEU RENDIMENTOS ENTRE 1999 e 2002 E NADA LHE ACONTECEU


Manuela Moura Guedes, denunciou a situação no Telejornal da TVI e nós ficámos a saber o ... inimaginável ... só possível a alguns ... sempre os mesmos. Quem? José Sócrates, obviamente!!!!O Vídeo está AQUI

José Sócrates não revelou os rendimentos nas declarações entregues entre 1999 e 2002 no Tribunal Constitucional.

Como detentor de um cargo político, o actual Primeiro-ministro era e é obrigado a entregar a declaração de rendimentos naquele tribunal.
Na altura dos factos, Sócrates era apenas ministro e depois deputado. Nas declarações de 22/11/99, de 12/01/2001, 6/4/2002 e 12/4/2002, o campo dos rendimentos foi entregue em branco.

O decreto-lei 25/95 estabelece que os rendimentos têm de se declarados e que as omissões comunicadas e denunciadas ao Tribunal Constitucional têm de ser facultadas ao Ministério Público para proceder em conformidade.
Um representante do Tribunal Constitucional afirmou à TVI que nada foi feito porque ainda ninguém denunciou essas ilegalidades. Do gabinete do Primeiro-ministro foi garantido à TVI que as declarações de José Sócrates cumprem os requisitos da lei.

Por esclarecer está esta interpretação do gabinete do Primeiro-ministro, que permite a Sócrates não revelar o rendimento nas declarações que entrega ao Tribunal Constitucional.

Uma ilegalidade que é ajudada pelo facto de o Tribunal Constitucional e o Ministério Público não verificarem as declarações.

Experimentem então entregar as vossas declarações com o campo de rendimentos em branco e vão ver se é preciso alguém denunciar ou se vos caem imediatamente em cima. É só experimentar !!

sábado, 7 de março de 2009

EX-PRESIDENTE ANTÓNIO MORTÁGUA RECONHECE A "COMPRA DE ÁRBITROS"


António Mortágua:

«500 contos é uma quantia ridícula»RECONHECE QUE SE "COMPRAVAM" ÁRBITROS
Prosseguiu esta sexta-feira o julgamento do Caso do Envelope, tendo sido ouvidas as testemunhas de Pinto da Costa. Destaque para o depoimento de António Mortágua, ex-presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e da Comissão de Arbitragem da Liga. Questionado sobre a quantia (2.500 euros) que Carolina Salgado diz ter visto entregar ao árbitro Augusto Duarte disse: "Quinhentos quantos? Era pouco para a bitola que se dizia".
O procurador Augusto Sá perguntou então se os árbitros eram corruptos ou se o podem ser, ao que Mortágua respondeu: "alguns".

Mortágua recordou um Feirense-Beira-Mar, revelando que um árbitro (não disse o nome) que acabou por não dirigir o jogo, terá recebido 1.500 contos de cada equipa. "Todas as pessoas têm um preço e, repito, acho 500 contos uma quantia ridícula", frisou.
Em abono de Pinto da Costa, sustentou: "Não estou a ver que essa pessoa que eu conheço fizesse isso".
Foram também ouvidos, o antigo árbitro assistente, António Perdigão, o director geral da FC Porto SAD, Antero Henrique, e o comentador Pôncio Monteiro.
António Perdigão considerou o Beira-Mar-FC Porto "um jogo normal" e revelou que Pinto da Costa disse a Pinto de Sousa, numa conversa telefónica, que o árbitro Augusto Duarte "não deu um cheirinho".
"Recordo-me de ouvir Pinto de Sousa dizer que Pinto da Costa tinha afirmado que Augusto Duarte não tirou nada mas também não deu nada", destacou.


Denúncia
Curiosa foi a revelação de Perdigão sobre os motivos que o levaram a deixar a arbitragem.
Ficou a saber-se, no tribunal de Vila Nova de Gaia, que se ficou a dever ao facto de ter sido castigado após uma denúncia feita pelo arbitro internacional Jorge Sousa e pelo antigo árbitro assistente Domingos Vilaça (integraram a equipa de Augusto Duarte no Beira-Mar-FC Porto).
Os dois terão contado ao secretário da Comissão de Arbitragem da Liga, Carlos Pinto, um comentário que Perdigão tinha feito sobre ele durante um curso de arbitragem numa conversa informal.
VERGONHOSO !!!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

LIEDSON . . . PORQUE OS BENFIQUISTAS NÃO GOSTAM DELE!!!

PERCEBEM AGORA??
... SÓ AGORA ???



domingo, 15 de fevereiro de 2009

CAMPANHA NEGRA CONTRA O POVO PORTUGUÊS



Isto já começa mas é a cheirar mal. Se fosse um qualquer anónimo português, estaria por certo, e bem, a ser investigado se é que, na melhor das hipóteses já não estaria mesmo preso.
A promiscuidade na política é como no futebol. Pode-se fazer tudo, de tudo que NADA acontece. E se for do PS, ainda melhor.
Agora é Mesquita Machado que com tantas evidências consegue O MESMO que José Sócrates com os seus projectos falsificados: PARA QUÊ IR AO IGAT? PARA QUÊ SEREM INVESTIGADOS?
Do resumo desta notícia, que vale a pena lerem, fica apenas aqui um resumo de ... arrepiar e deixar incrédulo qualquer um pela FALTA DE INVESTIGAÇÃO.

Não será isto uma VERDADEIRA CAMPANHA NEGRA contra o Povo Português que paga os seus impostos e vê cada vez mais os abutres da política e deste PS MAMAREM até onde podem porque a eles TUDO é permitido?

RENDIMENTOS DECLARADOS E MOVIMENTADOS PELO CASAL E FAMÍLIA (EUROS)
MESQUITA MACHADO E A MULHER
1993
Rendimento declarado: 42 500 (bruto)
Movimentos bancários: 75 750
1994
Rendimento declarado: 44 000 (bruto)
Movimentos bancários: 73 000
1995
Rendimento declarado: 46 000 (bruto)
Movimentos bancários: 64 500
1996
Rendimento declarado: 50 000 (bruto)
Movimentos bancários: 60 000
CLÁUDIA
Rendimento declarado: 6500 (bruto)
1997
Rendimento declarado: 51 000 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 58 500
Movimentos bancários: 165 000
1998
Rendimento declarado: 53 500 (bruto)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 60 000
Movimentos bancários: 230 000
1999
Rendimento declarado: 40 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 42 500 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 14 500 (líquido)
Movimentos bancários: 200 000
2000
Rendimento declarado: 46 000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 59 000 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 300 000 (líquido)
Movimentos bancários: 782 500
2001
Rendimento declarado: 53.000 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 55 409 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 219 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 695 480
2002
Rendimento declarado: 51 400 (líquido)
PEDRO MACHADO E CLÁUDIA
Rendimento declarado: 99 300 (líquido)
FRANCISCO
Rendimento declarado: 262 000 (líquido)
ANA CATARINA
Rendimento declarado: 2600 (líquido)
Movimentos bancários: 603 000

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

VERSÃO COMPLETA DO PARECER PRELIMINAR DE GARCIA PEREIRA

Paulo Guinote, no seu Umbigo da Educação, apresenta a
Um documento importante na nossa luta contra o descrédito a que chegámos.
.



CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO DOUTOR GARCIA PEREIRA

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EM DIRECTO,

a conferência de imprensa do doutor Garcia Pereira,

AQUI

.

A MINHA RESPOSTA À DESESPERADA DGRHE

A DGRHE mantém o assalto às caixas de correio dos professores para intimidar e pressionar numa clara situação de desespero porque já percebeu que, apesar de tudo, GRANDE PARTE dos professores mantém a sua coerência e espírito de luta por se sentir injustiçado, enxovalhado e com a sua dignidade posta em causa.
Esta permanente intimidação fazem-me sentir vítima de uma campanha negra por parte da DGRHE. Sinto-me insultado pela DGRHE.
PORQUÊ que o meu email pessoal há-de ser vandalizado por quem quer?
Não terei também o direito à minha privacidade?
Sou obrigado a abrir a porta de minha casa a qualquer um?
Porquê que a DGRHE passa a vida a "chatear" se ninguém lhe encomendou o sermão?
Por isso mesmo, assim que recebi mais uma AMEAÇA deles, respondi-lhes ... curto.
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A RESPOSTA

From: Francisco Teixeira Homem <fxxxxxxxxxx@gmail.com>
Date: 2009/2/13Subject:
Re: Objectivos individuaisTo: DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt

DGRHE
Em referência ao ponto 2, queiram fazer o favor de me transcrever no referido Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, onde está escrito que os objectivos individuais são obrigatórios.Por outro lado, surpreende-me este assédio que se começa a tornar quase diário ao meu email pessoal por causa da não entrega de Objectivos Individuais quando se eu não pagar os impostos a tempo e horas, a DGCI não me avisa, se eu não pagar as propinas do meu filho a Universidade não me avisa, se não pagar a água e telefone também ninguém me avisa.
Porquê tanta preocupação com a não entrega dos Objectivos Individuais?
Aveiro, 13 de Fevereiro de 2009
Com os melhores cumprimentos
Francisco de Barros Teixeira Homem

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O INSULTO

2009/2/13 <DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt>
Professor,
Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informar o seguinte:
1.Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer para a auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselho executivo;2.De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação;3.Da mesma forma, os objectivos individuais são elemento obrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez que só a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar o contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados no projecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com o estabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.
Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar o desempenho dos professores.Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação de objectivos individuais, que:1.O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola;2.Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências;3.No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo, tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos ao avaliado, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual de actividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro).
A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aos professores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual, uma vez que se trata de profissionais com elevados níveis de competências e de autonomia. Aliás, no SIADAP, os objectivos individuais são sempre fixados a partir de uma proposta da hierarquia.
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo os professores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participação e valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a sua avaliação.
Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para que não restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliação de desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um mero procedimento de auto-avaliação.
Lisboa, 13 de Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,
DGRHE

VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DE PROJECTO EM PROJECTO, ATÉ À PALHOTA FINAL

A Campanha começa a ficar negra. Agora até a Judiciária não deixa em sossego o pobre do Zézito só porque dizem que ele andou a assinar projectos que não fez, que em Portugal é considerado CRIME. A palavra do nosso primeiro ministro já não conta. A sua palavra de honra, também não. Até aprece que o "engenheiro" não tem honra ou que é mentiroso. Não há direito que tratem assim, aquele ministro que até é o primeiro. Pobre Portugal, ao que tu chegáste!!



Se José Sócrates já tinha feito o desmentido, PORQUÊ que não acreditam nele? Que maldade!

PORQUÊ que o presidente da Câmara da Guarda (PS e ex-colega de Sócrates no curso) não havia de recusar enviar para a Inspecção-Geral de Administração do Território (IGAT) o relatório da comissão interna sobre licenciamento de projectos assinados por José Sócrates nos anos 80, se já está "está tudo esclarecido"?

Façam o favor de não inventar para aí mais uma "campanha negra", tá bem? O homem é mesmo o autor dos projectos e responsável pela construção, tá bem? Puxaaaa ... tanta desconfiança nem sei mesmo porquê! É demais!!! Ainda não percebi PORQUÊ que não acreditam nele, basta olhar para a sua carinha ... ora vejam lá bem.



A FASE PRETA DE UMA DAS VÁRIAS "CAMPANHAS NEGRAS"

ATÉ JÁ COMEÇO A TER PENA DO DESGRAÇADO

PINÓCRATES - 2 ANOS DO PIOR GOVERNO

VER PARA CRER

O Pinóquio ao pé de José Sócrates era um verdadeiro menino de coro.

MENTIRAS, ...MENTIRAS, ... MENTIRAS, ... TANTA MENTIRA.

Vale a pena confirmar!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UM EXEMPLO DE UMA PCE

Depois de ultrapassado o prazo estabelecido para entrega dos Objectivos Individuais, uma Presidente de um Conselho Executivo (PCE) que eu conheço, e que se tem mostrado corajosa, foi visitada por um grupo de comissários políticos da Equipa de Apoio às Escolas do Concelho.

Depois de perceberem que a enorme maioria dos professores da escola NÃO TINHA ENTREGUE os Objectivos Individuais, já que se trata de uma escola que se tem mostrado abertamente contra este cadáver em putrefacção que é o modelo chileno de avaliação de docentes, perguntam de forma provocatória e intimidatória à Presidente o que é que ela tenciona fazer perante tal situação.
- NADA, refere esta Presidente com uma paciência de fazer inveja e uma pachorra própria de quem até acaba por ter dó de uns paupérrimos "paus mandados" que não têm onde cair nem mortos nem vivos e que se arrastam penosamente para fazer valer a voz do dono ao preço de um pacote de torresmos ou pouco menos ainda, sei lá.

E então, nesse momento, incomodados com a serenidade da resposta, um dos comissários políticos dessa Equipazeca, agarra na caneta e escreve no seu bloco de apontamentos de forma excessivamente pausada, AO MESMO TEMPO QUE IA REPETINDO EM VOZ ALTA:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ... numa clara tentativa de intimidação.

E sabem o que é que aconteceu?

Pois bem, como a Presidente continuou toda a semana seguinte a fazer NADA, eles regressaram à escola com a mesma técnica e voltaram a escrever soletrando pausadamente e em voz alta:

- N-Ã-O ... P-R-E-T-E-N-D-E ... F-A-Z-E-R... N-A-D-A ...

PARABÉNS Presidente, pela "espinha" e verticalidade!

PARABÉNS a todos os colegas da escola, pela forma como têm dado a cara e lutado sem baixar os braços. A MENTIRA e a INJUSTIÇA não podem suplantar a dignidade que queremos ter como professores.




CADA UM COM O NARIZ QUE MERECE ...

Quanto mais metiroso, maior a encomenda. É bem feito!

.

Cartoon ripado daqui



OLHEM QUEM SE ESTÁ A RIR COM TUDO ISTO.



SEGREDOS E ENREDOS


Não é "insultuoso", como me retorquiu o ministro Silva Pereira, interrogar governos sobre se houve troca de favores por dinheiro. É insultuoso para todo o sistema democrático o governo não responder. (Mário Crespo)

Mark Felt, Director do FBI, morreu há poucos meses. Entrou para a história por ter sido o "garganta funda" no caso Watergate. Felt, guiou Bob Woodward, do Washington Post, com "fugas cirúrgicas de informação" até o jornal conseguir entender o que estava em causa: a Presidência dos Estados Unidos era culpada de um processo ilícito de espionagem política usando agências e dinheiros governamentais. Num livro recente, Woodward analisa quais teriam sido as motivações de Felt para fazer sair do hermético sistema do FBI para os media informações cruciais para rectificar uma ilegalidade que tinha todas as probabilidades de vir a ser encoberta e esquecida. A conclusão de Woodward é que Felt o tinha feito para honrar os valores que o Estado americano lhe tinha confiado. Felt teve a percepção de que algo incrivelmente pérfido se estava a passar na maior democracia do Mundo e que todo o sistema, FBI incluído, capturado por interesses, não ia responder. "Estavam em causa coisas como democracia, responsabilização do poder político e pura e simples honestidade", diria Ben Bradley, Director do Post.

Quando na passada semana o discurso oficial, da Procuradoria ao Governo, começou a centrar-se na "gravidade" das fugas de informação, colocando-as, em termos de importância, pari passo com a enormidade criminal do que pode estar em causa, eu interroguei-me sobre as motivações de quem divulgou os pormenores que nos permitem começar agora a compor uma imagem do escândalo Freeport.

Pensei também que se não tivesse havido fugas de informação sobre o horror que se estava a passar na Casa Pia tudo tinha continuado como sempre, na conveniência confortável dos silêncios do pecado colectivo e não tinha havido a denúncia pública de que havia crianças abusadas por pervertidos poderosos num asilo do Estado. Sem fugas de informação também não se tinha chegado ao conceito ainda indefinido de que algo está mal no Freeport de Alcochete.

Nos dois casos, as fugas, por sorte, acertaram na rara combinação de coragem e persistência que é a maneira de Felícia Cabrita estar no jornalismo. É fácil e útil para quem queira controlar mediaticamente os estragos varrer tudo para os lados "ocultos" da "força". Não se pode é excluir que haja pessoas de bem na administração pública, genuinamente ultrajadas porque um Estado pactuante com perigosas irregularidades, deixa passar anos a fio sem nada fazer até as coisas caírem no esquecimento, ou pior ainda, na habituação.

Aqui, tal como Mark Felt fez com o Washington Post, alguém passou informações para o Sol. E fez muito bem. O Freeport não é um Watergate à portuguesa. Com estes montantes e possíveis envolvimentos do executivo e justiça, é, por si só, um grande escândalo em qualquer parte do mundo. Face a isto não é "insultuoso", como me retorquiu o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, interrogar governos sobre se houve troca de favores por dinheiro. Seria insultuoso para todo o sistema democrático não o perguntar. É insultuoso o governo não responder.

Não chega repetir "deixem-nos trabalhar". É essencial saber onde chega o Freeport.

Com os valores que estão em questão, tudo o mais é menor. Até as próximas eleições.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A RESPOSTA MERECIDA À AMEAÇA DE TRETA DA DGRHE

Em reunião geral de professores foi aprovada hoje na minha escola - Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima em Aveiro - uma resposta a esta carta ameaçadora que recebemos ontem da DGRHE à laia de um suposto e camuflado esclarecimento que NINGUÉM PEDIU.
Esta respsota, será enviada amanhã mesmo para a DGRHE pelos professores subscritores.

Ex.mo Sr. Director Geral dos Recursos Humanos da Educação


Relativamente ao vosso documento “Esclarecimentos solicitados pelas escolas – Fixação de objectivos individuais” emanado pela DGRHE na segunda-feira, dia 9 de Fevereiro, os professores da Escola Secundária c/ 3º CEB Dr. Jaime Magalhães Lima vêm tecer as seguintes apreciações:

Em primeiro lugar todo e qualquer documento legal carece de assinatura individualizada e nominal do responsável, ou responsáveis, pela procedência do mesmo, sob pena de o seu valor tornar-se legalmente incipiente, o que acontece com a vossa missiva informativa, pois no final da redacção apenas aparece “A DGRHE – Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação”, a qual é tão-somente uma instituição colectiva, mas abstracta, não possuindo, por si só autonomia suficiente para desenvolver qualquer acto legal. Só os seus membros e representantes legais poderão tomar actos em nome da própria instituição de forma a esses mesmos actos serem vinculativos juridicamente.

Apesar de um elevado número de escolas terem solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais parece-nos não ter sido necessário encaminhar a resposta informativa dos vossos serviços para todas as instituições escolares, pois se algumas não o fizeram é porque entenderam, por bem, o conteúdo e a interpretação legal dos documentos jurídicos emanados pelo Ministério da Educação, do qual a DGRHE faz parte, relativamente ao assunto da fixação dos objectivos individuais.

Julgamos, deste modo, hiperbolizada a vossa função e exagerado o vosso âmbito ao contactarem as escolas que nada haviam solicitado, indiciando-nos uma prática de profunda falta de confiança para com as escolas que desenvolveram e continuam a desenvolver o seu trabalho, por um lado, e, por outro, subjazendo um reforço de cariz coactivo da liberdade e responsabilidade da acção assumida por cada docente, tal como também tem sido propalado pelos altos representantes ministeriais.

No ponto 1 do vosso documento afirmam que “os objectivos individuais são um requisito obrigatório…” sem, contudo indicarem a base legal onde está inscrita explicitamente essa obrigatoriedade, pois nos documentos legais aos quais fazem referência apenas nos pontos seguintes (não neste) não está expressa a obrigação de entrega dos objectivos individuais por parte dos docentes.

No ponto 2 do vosso documento aludem ao Artigo 16 do Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de 10 de Janeiro, afirmando que “…é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação”. Conquanto, dos diversos números e respectivas alíneas do Artigo 16 apenas se referem ao número 1 e não na sua redacção total, pois este número expressa ainda que “a auto-avaliação tem como objectivo envolver o avaliado no processo de avaliação, de modo a identificar oportunidades de desenvolvimento profissional e de melhoria do grau de cumprimento dos objectivos fixados”. Este número tem redigido “objectivos” sem, todavia explicitar claramente objectivos individuais. Deste modo os objectivos poderão ser os “objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades…” conforme está descrito na alínea a) do número 1 do Artigo 8º intitulado Elementos de referência da avaliação inserto na Secção I intitulada Princípios orientadores, âmbito e periocidade, ao contrário do Artigo 16 que pertence à Secção III intitulada Processo.
Para além disto, o número 2 do Artigo 16 afirma: “a auto-avaliação é obrigatória…”, ao contrário do que é redigido para os Objectivos Individuais que em nenhuma parte dos documentos legais afirma ser obrigatória a sua entrega, o que vem no seguimento do número 3 do Artigo 11º que apresenta a seguinte redacção: “constitui dever do docente proceder à respectiva auto-avaliação como garantia do envolvimento activo e responsabilização no processo avaliativo e melhorar o seu desempenho…”. Deste modo a auto-avaliação não só é obrigatória como também a prova cabal do envolvimento e da responsabilização do professor no processo de avaliação, o mesmo não se aplicando aos Objectivos Individuais, pois não encontramos em qualquer diploma legal este tipo de referência ou alusão aos elementos de referência individuais.
Para corroborar o acima exposto é o próprio número 1 do Artigo 9 do mesmo Decreto Regulamentar, referente aos Objectivos Individuais que expressa de forma “de modo a aferir o contributo do docente para a concretização dos objectivos constantes da alínea a) do artigo anterior”, ou seja do número 1 do Artigo 8 conforme já referimos anteriormente, que explicita “objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades…” aos quais se referirão no número 1 do Artigo 16.
O número 4 do Artigo 9 afirma que “na falta de acordo quanto aos objectivos a fixar prevalece a posição dos avaliadores”, isto é, prevalecem os objectivos e metas fixadas no projecto educativo e no plano anual de actividades. Mais uma vez se constata que a relevância são os objectivos apresentados nos documentos internos do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada.

Não podemos também deixar de mencionar que os elementos de referência de capital importância para aferir o grau de cumprimento desses objectivos, conforme esclarece o Artigo 10, no presente ano lectivo, tal como aconteceu no ano transacto, “não são considerados os itens previstos nas alíneas a) e b) do número 2” do Artigo 9 do Decreto Regulamentar 2/2008, de acordo com a redacção do número 1 do Artigo 5 do Decreto Regulamentar 1-A/2009. Deste modo o Artigo 10 fica vazio e desprovido de sentido e de operacionalização concreta devido à impossibilidade comparativa imposta por este último diploma legal, pois as restantes alíneas c) até g) não podem ser comparativamente quantificáveis, ainda que possam ser avalizadamente qualifcáveis.

No que concerne ao ponto 3 do vosso documento, voltamos a destacar o supracitado vazio e desprovido sentido e de operacionalização concreta do Artigo 10 por imposição do Decreto Regulamentar 1-A/2009, tal como também acontece com a alínea C) do número 1 do Artigo 18, ao qual o vosso documento informativo faz referência, porque os resultados escolares e as taxas de abandono não são, este ano lectivo, elemento de referência para a concretização da ficha de auto-avaliação. Quanto às restantes alíneas, a saber a), b), d), e) e g) não são comensuráveis em termos quantitativos, mas, sim, em termos qualitativos, nem tampouco perspectivados individualmente pelo docente porque enquadram-se num conjunto de acções e actividades, que estarão em constante mutação e reformulação, programadas, agilizadas e reguladas pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada. Deste modo não é exequível nem justificadamente possível ter em conta os elementos de referência individuais de cada docente.

Quanto aos três pontos seguintes consideramos o seguinte:

No ponto 1, a vossa informação afirma que “o prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola”, afirmação que está incorrecta porque o calendário não é aprovado pela escola como é preconizado no número 2 do Artigo 14 do Decreto-Regulamentar 2/2008, mas sim “…fixado pelo presidente do conselho executivo ou director do agrupamento de escolas ou escola não agrupada” de acordo com o número 1 do Artigo 2 do Decreto-Regulamentar 1-A/2009 que veio alterar o primeiro diploma legal.

O ponto 2 afirma que “…deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências”. Porém, como é que o director ou presidente do conselho executivo poderá fazê-lo se nos diplomas legais – Lei 15/2007 de 19 de Janeiro, vulgo Estatuto da Carreira Docente, Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro e Decreto-Regulamentar 1-A/2009 não existe qualquer menção ou referência explícita ou mesmo implícita às consequências da não entrega dos objectivos individuais? E não existe qualquer menção ou referência porque está de acordo o pensamento jurídico dos diplomas supracitados que não estabelecem, nem impõem a obrigatoriedade de entrega desses mesmos objectivos individuais.

Quanto ao ponto 3, a vossa redacção não é coerente, nem tão-pouco extraída, idêntica ou similar à redacção do número 4, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro para o qual remetem, pois afirma o vosso documento “…poderá o director/presidente do conselho executivo… fixar os objectivos do avaliado…”, o que não é precisamente o mesmo de “na falta de acordo quanto aos objectivos a fixar prevalece a posição dos avaliadores” (número 4, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro). E mesmo que a DGRHE queira dar aquela interpretação, então os docentes que não entreguem os objectivos individuais poderão exercer o direito consagrado no número 5, do Artigo 9º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro que consta da seguinte redacção: “Verificando-se a situação prevista no número anterior pode o avaliado registar esse facto na ficha de auto-avaliação”. Este número vem confirmar a possibilidade de entregar a ficha de auto-avaliação sem consenso ou entrega dos objectivos individuais, de acordo com a vossa própria interpretação. Lamentável é que a vossa referência ao número 4, e consequente redacção, do supra mencionado artigo e respectivo decreto-regulamentar não venha, de todo, esclarecer ou clarificar, mas, sim, ainda confundir mais devido à adulteração que fizeram da própria redacção do ora número 4.

Na continuação da vossa exegese afirmam que “a avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro)…”. Conquanto, este mesmo número não afirma que a avaliação de desempenho docente se inicia com a entrega dos objectivos individuais, mas assegura que os “…objectivos individuais são fixados… através da apresentação de uma proposta do avaliado no início do período em avaliação”, portanto este número do diploma legal refere-se ao período em avaliação e não ao processo e fases desse mesmo processo de avaliação.
Por outro lado, o mesmo número do supracitado documento legal demonstra claramente que os objectivos são fixados no início do período em avaliação, o que contraria a exigência ministerial que quer obrigar os docentes a procederem à fixação dos seus elementos de referência no final do período em avaliação, ou seja, acerca de seis meses do término do período em avaliação de dois anos lectivos. No entanto a alínea a) do Artigo 15 do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008 corrobora a nossa posição porque afiança que “o processo de avaliação compreende as seguintes fases sequenciais: a) Preenchimento da ficha de auto-avaliação”, omitindo por completo a entrega dos objectivos individuais.

Parece-nos também exagerada e completamente desfasada da competência da vossa instituição a comparação da Avaliação do Desempenho Docente com o SIADAP, pois sendo a DGRHE um organismo do Ministério da Educação deveria preocupar-se em atender os verdadeiros problemas relacionados com os recursos humanos do Ministério da Educação e neste caso concreto e específico com os recursos humanos docentes, nomeadamente em esclarecer devida e competentemente as dúvidas e não proceder a comparações levianas e medíocres de cariz claramente de propaganda político-governativa, tentando demonstrar que a classe docente é privilegiada, quando no fundo a profissionalidade docente apresenta uma especificidade muito concreta reconhecida internacionalmente pelas demais instituições e especialistas de renome ao nível da investigação em educação.

A vossa conclusão retoma a famigerada e propalada impossibilidade de concretização do processo de avaliação docente devido à não entrega dos objectivos individuais, sem contudo indicarem os diplomas legais que concretizam essa vossa repetitiva informação que de tão repetitiva levanta uma sub-reptícia dúvida de propensão para pressionar os professores a realizarem um acto que o Ministério da Educação exige, mas que a lei em documento algum obriga como ficou devidamente comprovado nas linhas anteriores. Deste modo, coercivo e de propaganda autoritária, está em causa a liberdade individual de cada cidadão e consequentemente a vivência democrática de um país que é um Estado de Direito Democrático, pois num Estado livre nenhum cidadão é obrigado a fazer o que a lei não obriga.

Assim sendo os professore abaixo-assinados mantêm a sua postura e decisão de não entregar os Objectivos Individuais conscientes da sua razão de acordo com as obrigações impostas pela lei.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

UM PAÍS DO FAZ DE CONTA E DA MENTIRA

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

MAIS UMA CHANTAGEM - A DGRHE E A VOZ DO DONO

Recebida hoje na minha escola mais uma ameaça de treta que não passa de uma treta de ameaça

Um esclarecimento recebido que NÃO PEDIMOS.

[mailto:DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt]
Enviada: segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009 10:36

Assunto: Esclarecimentos solicitados pelas escolas - Fixação de objectivosindividuais

Ex.mo SenhorPresidente do Conselho Executivo/ Director Executivo

Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitadoesclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informaro seguinte:

1. Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer paraa auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselhoexecutivo;

2. De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008,de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamentefixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a suaauto-avaliação;

3. Da mesma forma, os objectivos individuais são elementoobrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez quesó a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar ocontributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados noprojecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com oestabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de10 de Janeiro.
Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar odesempenho dos professores.

Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação deobjectivos individuais, que:

1. O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estardefinido no calendário aprovado pela escola;

2. Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deveráo director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivasconsequências;

3.No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo,tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos aoavaliado, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual deactividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º2/2008, de 10 de Janeiro).

A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dosobjectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, doDecreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aosprofessores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual.

Ao contrário do que acontece no SIADAP, em que os objectivos individuaisresultam sempre de uma proposta da hierarquia, na avaliação de desempenhodocente foi dada aos professores a possibilidade de uma participação maisqualificada na sua própria avaliação, uma vez que se trata de profissionaiscom elevados níveis de competências e de autonomia.
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo osprofessores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participaçãoe valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a suaavaliação.Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para quenão restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliaçãode desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um meroprocedimento de auto-avaliação.

Lisboa, 9 de Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,

A DGRHE - Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação

domingo, 8 de fevereiro de 2009

FRASE DO DIA

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" FELIZ FOI ALI BABÁ,

QUE NÃO VIVEU EM PORTUGAL

E SÓ CONHECEU 40 LADRÕES !!!..."

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COMUNICADO FINAL DO ENCONTRO DE PRESIDENTES DOS CONSELHOS EXECUTIVOS, NO DIA 7 DE FEVEREIRO, EM COIMBRA

Os 212 Presidentes de Conselho Executivo reunidos em Coimbra, consideram que a base do desempenho das suas funções se rege por princípios de gestão democrática da actividade educativa das escolas.
Não estando em causa a ofensa do quadro legal em vigor, sublinha-se, porém, que o cumprimento de tal dever não exclui, antes implica, a assunção do dever cívico de garantir o bom funcionamento das Escolas no cumprimento de projectos educativos destinados à melhoria das aprendizagens dos alunos.O espírito que tem vindo a presidir à iniciativa de encontro de Presidentes de Conselho Executivo é o de, na observância dos princípios de responsabilidade institucional, transmitirem ao Ministério da Educação:
- a convicção de que este modelo de avaliação é um mau instrumento de gestão.
- a convicção de que este modelo não contribui para a melhoria do desempenho da escola pública naquela que é a sua finalidade: garantir a qualidade do ensino.
- que a insistência na aplicação do actual modelo não teve em conta e prejudica a construção de uma ferramenta de avaliação do desempenho docente justa, séria e credível, parecendo ignorar os sinais de preocupação e empenho continuadamente transmitidos pelas escolas, nomeadamente, em reuniões com o Ministério da Educação e documentos enviados pelas mesmas.
- Que as sucessivas adaptações introduzidas no modelo de avaliação, não correspondendo ao acima expresso, promoveram - sob a forma de recomendações e documentos avulso - factores de perturbação da vida nas Escolas, descentrando a atenção dos docentes daquela que é a sua tarefa principal.
- que tal insistência - desvalorizadora das diversas tomadas de posição dos docentes no uso das garantias de participação e protesto inerentes ao funcionamento do regime democrático - parece responder apenas a um objectivo político que se esgota no mero cumprimento de um calendário.
Estas preocupações, transmitidas à Sra. Ministra da Educação em audiência do passado dia 15 de Janeiro, não se alteraram e têm vindo a ser confirmadas, não se tendo dissipado o clima de instabilidade vivido nas Escolas, antes o agudizando.
Assim, é entendimento dos presentes que em relação às questões que envolvem a entrega dos OI, importa sublinhar que:
- na legislação publicada, não figura nenhuma referência à obrigatoriedade de entrega dos mesmos pelos docentes, nem à sua fixação pelo Presidente do Conselho Executivo;· os objectivos constantes no projecto educativo e no plano anual de actividades da Escola são referência adequada, em si mesmos, à avaliação de desempenho docente.
De igual modo, os presentes consideram fundamental dar continuidade ao desenvolvimento de um trabalho reflexivo e compreensivo sobre as questões essenciais da educação, da função da Escola Pública e da Carreira Docente.
Neste sentido exortam os demais Presidentes de Conselho Executivo do país a associarem-se a esta reflexão.
Este plenário reitera a posição anteriormente assumida, em Santarém, e transmitida à Sra. Ministra da Educação, no sentido da suspensão do actual modelo de avaliação como condição essencial para a defesa inequívoca da Escola Pública e da qualidade do ensino.

PINOCCHIO - A "CAMPANHA NEGRA" DE RABO NA BOCA

Pescadinha? Qual pescadinha ?


Uma pescadinha de rabo na boca:


Pinocchio -> Freeport
Freeport -> Ministro do Ambiente
Ministro do Ambiente -> José Sócrates
José Sócrates -> Grande Mentiroso e Aldrabão
Grande Mentiroso e Aldrabão -> Pinóquio
Pinóquio -> ...



SÓ PARA RECORDAR ALGUNS ALUNOS DA UNIVERSIDADE INDEPENDENTE

A história da Universidade Independente é assinalada pela presença assídua de individualidades, quer como docentes quer como alunos.

O primeiro-ministro José Sócrates concluiu ali a licenciatura em Engenharia Civil quando ainda era deputado do PS, como já toda a gente sabe, a um DOMINGO

Armando Vara, também socialista, concluiu o curso de Relações Internacionais, três dias antes de ser nomeado para a administração da Caixa Geral de Depósitos.

Pelo Centro de Estudos de Televisão, dirigido por Emídio Rangel, passaram nomes como José Alberto Carvalho, Ana Sousa Dias, Catarina Furtado, Margarida Marante, Júlia Pinheiro, Teresa Guilherme, Manuel Luís Goucha, Baptista-Bastos e ... Carlos Narciso (ex-reporter RTP e assessor de Santos Silva)

A modelo Bárbara Elias, a ex-miss Portugal Fernanda Silva e o cantor Axel passaram pelas cadeiras da UnI, como estudantes do curso de Ciências da Comunicação.

O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, deu lá aulas, tal como o assessor do ministro da Saúde, Miguel Vieira.