BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

CARTA DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA ESCOLA SECUNDÁRIA D. MARIA

Somos Pais e Encarregados de Educação de Alunos da ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO INFANTA D. MARIA, habituados a contar com uma escola organizada, exigente, de clima estável e pacífico, como convém a uma instituição de ensino de referência como esta. Como parte interessada e interveniente no processo educativo, tal como está consagrado no actual modelo de gestão escolar, pretendemos chamar a atenção da tutela, dos agentes sócio-educativos e da sociedade civil em geral para a situação preocupante que se vive nesta Escola e que julgamos não ser caso isolado no panorama nacional.

É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.

Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!

Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:

o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?


No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.

Somos, então, levados a perguntar:

­— será este método de substituição de professores o mais adequado?

Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.

— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?

— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?

Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.

Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.

Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!


Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria

POR QUE SERÁ QUE TODOS SE CONSIDERAM NO DIREITO DE SER PERITOS EM EDUCAÇÃO?

(Será que também eu, já agora! me poderei considerar médica pelo facto de, sempre que estive doente, ter seguido as indicações dos médicos e lido atentamente os folhetos informativos de todos os medicamentos que já me foram prescritos??)

Impressionam-me, sobremaneira, as opiniões de alguns cidadãos pouco esclarecidos que se arvoram em peritos e emitem, à boca cheia, opiniões (chamemos-lhe, no mínimo, "infelizes"(…)!) quando têm um absoluto desconhecimento de causa sobre o que é ser professor. Sou licenciada em ensino e profissionalizada há treze anos. Considero-me (e sou!) uma excelente profissional do ensino, entre dezenas de outros excelentes profissionais na minha escola e entre milhares no país (sim! porque a excelência é a norma e a mediocridade a excepção!), que se tem dedicado de alma e coração à verdadeira MISSÃO que é a nossa profissão.

Na semana passada, tive conhecimento que o namoradinho da minha filha (de vinte anos de idade e com o 12º Ano de escolaridade ) está a auferir cerca de 100 Euros mais do que eu, como vigilante nocturno numa empresa, enquanto aguarda o ingresso no ensino superior. Penso que não preciso acrescentar mais nada quanto aos nossos maravilhosos ordenados!!!

Passemos agora ao quão pouco nós trabalhamos:No meu horário constam 28 tempos semanais que resultam em 24 horas lectivas (sim, porque os intervalos de 10 minutos que dedicamos a tirar fotocópias, a ouvir e aconselhar os nossos alunos e a resolver conflitos entre eles, etc.,etc., não entram na contabilidade do tempo oficial!).

Lecciono turmas de 6º ano e as seguintes disciplinas e áreas: L.P., Inglês, Estudo Acompanhado e Formação Cívica; também tenho a cargo: aulas de ensino individualizado de Inglês a um menino do Ensino Especial; APA de Inglês aos alunos com necessidade de apoio; uma aula de substituição por semana e "A hora do Conto" na Biblioteca Escolar.

Para os colegas seria escusado especificar mas, para os não colegas é necessário esclarecer que cada uma destas actividades exige horas intermináveis de preparação, pesquisa, planificação, produção dos mais diversos materiais que fazemos e pagamos do nosso bolso! (…).Juntemos-lhe (a, pelo menos hora e meia cada, na melhor das hipóteses) as reuniões de: Departamento de Línguas; Subdepartamento de Inglês; Subdepartamento de L.P; Grupo Disciplinar de L.P.(não existente oficialmente mas necessário!); Grupo Disciplinar de Inglês (idem);Directores de Turma; Conselho de Turma de P.C.A.; Conselhos de Turma de início de Ano Lectivo; Conselhos de Turma Intercalares; Conselhos de Turma de final de cada Período Lectivo; R.G.P para informação e esclarecimento de dúvidas (…)São tantas as reuniões… sei que me esqueci de muitas!

Basta que vos diga que, em cada domingo à noite, sem ter saído a lado nenhum a não ser para ir buscar mantimentos, a minha casa está um caos e, ainda assim, nunca consigo concretizar tudo aquilo que tencionava (correcção de testes, de trabalhos individuais e de grupo, de trabalhos de casa, de composições, preparação das aulas, produção de fichas informativas e formativas, elaboração de fichas de avaliação formativa e sumativa…)

E atenção! Eu ainda sou daquelas sortudas que já tem os "rebentos próprios" crescidos, pouco precisando de supervisão e acompanhamento, o que me permite dedicar mais tempo aos "rebentos adoptados" que são todos os meus alunos.Adicionemos, agora o factor Formação Contínua e Avaliação que, bem ou mal, sempre tivemos (contrariamente ao que tem sido divulgado!) e que nos consome entre vinte e cinco a cinquenta horas anuais (oficialmente) e, na realidade, cerca do quádruplo do tempo.

Acrescentemos-lhe, em seguida, as nossas (tão cobiçadas por todos) FÉRIAS, no decorrer das quais, enquanto as crianças estão ausentes das escolas, nós fazemos reuniões de avaliação, elaboramos pautas, fazemos relatórios, produzimos grelhas para Avaliação Interna, Externa… para estatística disto e daquilo…fazemos matrículas, exames, actualização de dados informáticos, constituição de turmas, elaboração dos Planos Anuais de Actividades e concepção das mesmas, inventários, melhoramentos nas instalações da escola (reparação e pintura de portas, quadros, mesas, paredes…, serviços de electricista, de informático, de secretaria, de jardinagem, de angariadores de fundos para a escola e de estágios para alunos…)Meus caros concidadãos não docentes, não nos invejem!As nossas férias são um mito!

O tempo que nós DOAMOS e temos dedicado desde sempre ao estado, ao país, aos nossos alunos, às nossas escolas, sem nada pedir em troca a não ser respeito, consideração e compreensão, não é passível de pagamento! Não haveria tempo de férias suficiente que nos compensasse minimamente.

Gostaria que transpusessem para as vossas realidades profissionais a nossa realidade.Imaginem-se a amar incondicionalmente os vossos clientes, os vossos utentes, os vossos pacientes, mesmo aqueles que vos insultam e desrespeitam, que vos tentam impedir de trabalhar em condições, através de quaisquer meios de sabotagem!

Imaginem-se a sofrer uma falta sempre que cheguem 5 minutos atrasados ao serviço. Imaginem-se a estar alerta 100% do vosso tempo de trabalho, sem licença para intervalos de café, w.c., escapadelas na net e outras que não me ocorrem.Imaginem-se a trabalhar noite adentro horas extraordinárias para os vossos patrões (não pagas ou sequer reconhecidas) utilizando recursos pagos do vosso bolso, sem dedução no IRS.Imaginem-se a não poder faltar uma única hora sequer (com prejuízo na vossa avaliação e consequente progressão na carreira) sob qualquer boa razão, quanto mais pretexto! Imaginem-se a tentar dormir sem conseguir, porque da vossa mente não sai o fervilhar de pensamentos para dar resposta a este ou aquele problema que um vosso "cliente" vos confidenciou, manifestou ou suscitou.

Tanto fica por dizer…mas a conversa já vai demasiado longa.

Peço-vos: ajudem-nos a salvar o Ensino Público no país. Precisamos de vós como aliados, não como inimigos, a bem de TODOS os portugueses.

FOTOS DA MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES - DIA 8 DE NOVEMBRO

... DA ESCOLA SECUNDÁRIA

DR. JAIME MAGALHÃES LIMA,

EM ESGUEIRA, AVEIRO











quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O PESADELO BUROCRÁTICO E A DESOBEDIÊNCIA À LEI

Aires Almeida *
"O facto de os cidadãos estarem em geral dispostos a recorrer à desobediência civil justificada é um elemento de estabilidade numa sociedade bem ordenada, ou seja, quase justa"

John Rawls, Uma Teoria da Justiça

Tenho 48 anos e sou professor do ensino secundário há quase 26. Sou professor titular de Filosofia, não estou sindicalizado, não me recordo de ter faltado ao trabalho, mesmo em dias de greve, e não costumo participar em manifestações – nem sequer participei nas duas últimas grandes manifestações de professores, se bem que tenha pena de não o ter podido fazer. Nunca me passou pela cabeça ter outra actividade profissional, mesmo ganhando mais do que os 1850 euros que, após todos estes anos, recebo no final do mês.

Sei que para ensinar bem os meus alunos tenho de continuar a estudar, a ler e a aprender. Como costuma dizer um amigo meu, Desidério Murcho, para se ensinar bem até à letra C é preciso dominar as matérias até pelo menos à letra M: é preciso um grande à vontade e um bom domínio do que se ensina para se antecipar dificuldades dos alunos, para se responder a dúvidas inesperadas, para se encontrar o exemplo certeiro, para indicar as leituras adequadas, etc. Isto exige uma grande preparação e uma actualização permanente do professor, além de um ambiente de trabalho tranquilo e estimulante. Até porque são as deficiências científicas que originam, na maior parte da vezes, as situações pedagogicamente mais desagradáveis.

Infelizmente, os escassos estímulos que ainda poderiam existir nesse sentido parecem pertencer ao passado. As escolas transformaram-se, de há dois anos para cá, numa balbúrdia constante e num verdadeiro pesadelo burocrático em que ninguém parece entender-se. E, com muita tristeza minha, vejo os livros de filosofia que todas as semanas encomendo na Amazon ou outras livrarias acumular-se sem quase ter tempo para os folhear. Preparar aulas decentemente é algo que também deixei de fazer, caso contrário nem sequer vida familiar poderia ter. Não fosse o caso de os alunos estudarem por um manual que conheço de cor – porque sou um dos seus autores – e as aulas seriam um completo improviso. Comparar o que se tem passado nas escolas nos últimos dois anos com a barafunda gerada com o atraso da colocação de professores no tempo do ministro David Justino é como comparar um episódio infeliz com a própria infelicidade. E o ministro David Justino caiu por causa disso.

Creio poder dizer, sem qualquer exagero nem arrogância, que conheço melhor do que a senhora ministra o que se passa nas escolas, pois há 25 anos que passo a maior parte da minha vida nelas. Ora, nunca, mas mesmo nunca, houve tanta confusão e um ambiente tão pouco adequado ao ensino e à aprendizagem como o que se verifica actualmente.

Perguntar-se-á: o que ando então a fazer o tempo todo para deixar de preparar as minhas aulas como deve ser? A resposta poderia ser dada até pelo meu filho, apesar de ainda ser criança: além das aulas, passo os dias em reuniões intermináveis para entender o sentido do terrorismo legislativo com que se tolhem e intimidam os professores. Na verdade são muito mais as horas que tenho gasto a reunir por causa da avaliação do que com aulas. E o pior ainda nem sequer chegou. Como avaliador de oito colegas, terei de inventar mais 36 horas para assistir a aulas suas, além das reuniões preparatórias que tenho de fazer com cada um deles e dos quilos de papelada para preencher. De resto, na minha escola os professores irão passar o ano a assistir às aulas uns dos outros, pois somos 165 professores, o que dá cerca de 500 aulas assistidas por ano. Além disso, terei de preparar tudo para o meu avaliador – um colega de Economia que não tem culpa de nada e que fará certamente o seu melhor – poder assistir às minhas aulas de Filosofia.

Que o novo modelo de avaliação é inútil e ineficaz já o provou definitivamente, sem o querer, a senhora ministra. Diz ela repetidamente que esta avaliação é absolutamente necessária para a qualidade do ensino e para a melhoria dos resultados. Porém, anunciou com grande pompa ao país que os resultados melhoraram no último ano, o que acabou por ser reforçado com a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Só que esta apregoada melhoria da qualidade e dos resultados verificou-se ainda antes de o modelo de avaliação produzir qualquer efeito. Logo, fica provado que a avaliação não é uma condição necessária para a melhoria da qualidade e dos resultados. O que leva então a ministra a dizer que a avaliação é absolutamente necessária?

Os responsáveis pelo actual ministério da educação parecem, talvez inconscientemente, querer pôr em prática o cenário tenebroso descrito por George Orwell em "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", em que a catadupa de despachos, decretos regulamentares, documentos orientadores, ordens de serviço, instruções superiores, recomendações, etc., frequentemente incoerentes – vale a pena dizer que acumulo em casa mais de mil fotocópias sobre avaliação, que me foram entregues na escola –, são a tradução quase literal do "Big Brother is watching you" da 5 de Outubro. A obsessão do ministério por controlar tudo e todos até ao mais pequeno detalhe está bem patente no modelo de fichas de avaliação que impõe às escolas e aos professores (parece que a ideia é a de que, entre tanta coisa pedagogicamente inane, sempre há-de haver uns quantos aspectos em que o avaliado vai falhar, de modo a não atrapalhar as escassas cotas disponíveis para progressão na carreira). E o mais irónico é que, quando se encontram incoerências e impasses nas instruções oriundas do ministério, a ministra deixa o problema para as próprias escolas com o argumento de que lhes quer dar autonomia na construção dos seus instrumentos de avaliação. Não é, pois, surpreendente que os professores se sintam desorientados, cansados, chantageados e até insultados. Isso acaba naturalmente por se reflectir na sua prática lectiva e os alunos notam bem a diferença quando o professor dá as aulas cansado.

Mas o pior de tudo é que o modelo de avaliação fabricado na 5 de Outubro não vai permitir distinguir os bons dos maus professores, ao contrário do que a senhora ministra alega. Talvez seja até pior do que a completa ausência de avaliação, premiando arbitrariamente alguns dos maus e castigando cegamente muitos dos bons. Se assim não fosse, que razões teriam os bons professores que desfilaram na manifestação de sábado para lá estarem? Ou será que os mais de cem mil são todos maus ou simplesmente estúpidos?
Os professores sentem-se compreensivelmente ameaçados porque o modelo, além de burocrático, como convém ao Big Brother, obedece a uma espécie de pensamento único pedagógico: há um dogma pedagógico subjacente a que todos têm de aderir, tal como se emanasse do Ministério da Verdade orwelliano. Esse dogma é o da pedagogia do eduquês: são os resultados a qualquer preço, é a inovação a martelo, são as "estratégias de ensino-aprendizagem" como se o professor fosse o aprendiz (também o é, mas noutro sentido). Enfim, é a avaliação do portfólio e dossiê do professor para ver se ele tem o seu caderno diário em ordem, infantilizando uma actividade em que, pelo contrário, se exige autonomia e auto-confiança.

De resto, não é preciso muita atenção para ser confrontado com essa novilíngua do eduquês que, de há muitos anos para cá, tem caracterizado o Ministério da Verdade. Só que agora passou a ter uma força imparável, pois vai ser a destreza no uso dessa novilíngua a determinar se o professor é dos bons ou dos maus. Esta é, sem dúvida, a avaliação do pior eduquês em todo o seu esplendor. É um enorme passo para a asfixia intelectual dos professores e para a sua menoridade profissional. E é a negação da desejável diversidade pedagógica, transformando os professores em meros instrumentos de uma cadeia de produção em série e impedindo os alunos de se enriquecer no contacto com diferentes estilos e metodologias.

Mas o que realmente importa no desempenho do professor é, respeitando os alunos e os seus direitos, ensinar-lhes e ajudá-los a aprender o que é suposto aprenderem, recorrendo às concepções pedagógicas que muito bem se entender. É relativamente fácil apurar se o professor soube realmente ensinar e se os alunos conseguiram realmente aprender, independentemente da metodologia usada e das concepções pedagógicas em jogo, desde que os seus alunos realizem no final do percurso exames bem concebidos. E se se ponderarem os resultados dos exames comparando-os com a média de cada disciplina nas respectivas escolas, estamos muito próximos de um sistema de avaliação muito mais justo, simples, eficaz e dignificante para todos. Claro que para isso era preciso haver mais exames, além de melhores programas e de mais formação de professores, coisas que não parecem interessar minimamente a senhora ministra.

Assim, tudo indica que quando a senhora ministra afirma totalitariamente que ou se aplica o seu modelo ou não há outro, só pode estar a fazer chantagem, o termo que utiliza para descrever o comportamento dos sindicatos junto dos professores, como se os professores fossem idiotas. A verdade é que neste momento já não são os sindicatos a comandar os professores, mas os professores a empurrar os sindicatos, de tal modo que os próprios sindicatos já não estão em condições de cumprir o acordo assinado há meses com o ministério. De nada serve, portanto, ao primeiro-ministro apontar o dedo ao incumprimento dos sindicatos.
Se estes tivessem representado devidamente os professores, nunca teriam de voltar agora atrás com a palavra. Por isso, não vale a pena recorrer a fantasias e negar uma realidade muito crua: a insistência do governo no actual modelo está a degradar como nunca o sistema educativo nacional e a pôr em causa o normal funcionamento das escolas. E esta ministra ficará seguramente na história como a maior desgraça que se abateu nos últimos tempos sobre a educação em Portugal. Isso só ainda não é mais notório porque os efeitos das políticas educativas só se tornam evidentes passados vários anos.
Por isso é arrepiante ver a senhora ministra insistir – contra tudo e contra todos os que, em Portugal, já alguma vez revelaram interesse pelas questões da educação – numa teimosia própria de mentes obstinadas e dogmáticas. E é também por isso um imperativo de justiça desobedecer a esta lei arbitrária e injusta, sobre uma questão de tão grande importância. Chama-se a isto desobediência civil e foi isso que fizeram em diferentes circunstâncias Gandi, Luther King, Bertrand Russell e muitas das referências cívicas e culturais do nosso mundo.
É ilegítimo não cumprir a lei, diz a senhora ministra sem se aperceber que está a ser redundante. Pois é, é ilegítimo não obedecer à senhora ministra, pois foi ela que fez a lei. Mas terá mesmo de ser.

*Professor titular de Filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

GIGANTESCA MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES - 8 DE NOVEMBRO

Vamos lá a ver se é desta:

8 de Novembro: MANIFESTAÇÃO GIGANTESCA DE PROFESSORES OBRIGA A NOVA ALTERAÇÃO DE PERCURSO

Tendo em consideração a previsível dimensão do Plenário e da Manifestação Nacional de Professores previstos para o dia 8 de Novembro, tendo como indicadores a mobilização que existe nas escolas e o número de autocarros que ultrapassa os utilizados em 8 de Março de 2008 [cerca de 600 em Março de 2008; já se atingiram os 700 a dois dias de 8 de Novembro de 2008], o local de concentração e o percurso da manifestação tiveram de ser novamente alterados, sendo, agora, e em definitivo, os seguintes:

14.30 horas: Concentração no Terreiro do Paço:

15.00 horas: Plenário Nacional de Professores;

16.00 horas: Manifestação Nacional que passará por Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal;

17.30 horas: Aprovação da Resolução da Manifestação e encerramento da iniciativa.

TODOS À MANIFESTAÇÃO

QUE NINGUÉM FALTE!

domingo, 2 de novembro de 2008

AINDA O NAL - NOVO AEROPORTO DE LISBOA

No rasto dos 4 artigos aqui apresentados, sob o título genérico “Para que serve a Investigação Operacional?” eis-nos novamente centrados na polémica e escaldante questão do Novo Aeroporto de Lisboa. Cogitámos que tudo estava consolidado mas um pormenor levou-nos a voltar ao assunto.
Façamos uma breve recapitulação a fim de nos situarmos nos dias de hoje (Outubro 2008).
Em 1969 o Decreto nº 48902 de 8Março criou o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa- GNAL, agregado ao Ministério das Comunicaçãos, com o objectivo de ser escolhido um novo local para substituir o actual aeroporto da Portela. Era uma previsão racional uma vez que o trafico aéreo estava em grande aumento, derivado da entrada em operação, dez anos antes, dos aviões a jacto.
O Decreto referido criava o GNAL, reunindo os técnicos mais competentes, com liberdade para contratarem especialistas. O escopo do decreto era a apresentação de um relatório final, conciso, indicando o melhor local para um novo aeroporto.
O relatório final – Estudo da Localização do Novo Aeroporto de Lisboa- foi impresso e publicado pela Imprensa Nacional em 1972. Foram considerados 14 locais dos quais foram escolhidos 6 locais. Sobre estes foi feita uma Análise Comparativa, tendo como critérios, por ordem de importância, as Condições Operacionais, Condições de Custo e Condições Sociais. Não foram considerados critérios ambientais, as preocupações mundiais sobre o ambiente estavam ainda bem longe no tempo. Nas condições sociais foi incluído o ruído.
O Relatório Final considerou Rio Frio como o melhor local, seguindo-se-lhe Porto Alto a 10 km a NE de Rio Frio, Alcochete, Montijo, Portela e Fonte da Telha. Não sabemos se Ota foi considerada nos primeiros 14 locais escolhidos. O Relatório Final tinha um bom teor tecnico-científico.
Em 1978 e 1982 foi posta a hipótese, pela ANA, de se situar na Ota o NAL, argumentando-se que era a mais viável na margem norte do Tejo. Em 1998 fez-se um estudo comparativo (quando já existiam bons programas de Investigação Operacional para Hierarquização de Opções que não foram usados) e o resultado foi surpreendente: Rio Frio, que era de longe a melhor opção, foi preterido em favor da Ota. Conclusão da Comissão: «...ser a localização do NAL na zona da Ota menos desfavorável do que em Rio Frio, por esta apresentar graves condicionantes que podiam pôr em causa a sua sustentabilidade por razões ambientais». Repare-se na forma capciosa de tornear a dificuldade em impor a Ota: «...na zona menos desfavorável...». A Conclusão, sob medida, impunha a Ota, alegando motivos ambientais, inultrapassáveis, em Rio Frio.
Em Julho de 1999 o Governo, abruptamente, tomou a decisão de seleccionar a zona da Ota para localização do NAL. Esta decisão baseou-se na conclusão de que a localização em Rio Frio «constituiria um sério risco de provocar danos não minimizáveis, irreversíveis e não compensáveis».Novamente sob medida para eliminar Rio Frio.
Conforme consta da gravura anexa o local escolhido pelo LNEC (2008) situa-se muito próximo de Rio Frio, confirmando assim a competência do GNAL com a escolha feita em 1972. Qualquer técnico que se debruce sobre cartas topográficas militares, escala 1/25 000, escolhe Rio Frio sem muitas delongas. Rio Frio praticamente não tem terraplenagens. O Governo, muito a contra-gosto e pressionado pela opinião pública e vergado ao peso de ter que mudar de opção, aceitou a solução Alcochete (Rio Frio), porque o relatório feito pelo LNEC era conclusivo .Era, inexoravelmente, a melhor solução técnica.
Eis que o Governo, num açodamento impróprio para os tempos difíceis que se aproximam, resolve pôr, de imediato, a concurso projectos e obras. E mais, sem sequer uma AIA-Avaliação do Impacto Ambiental. Ela será feita durante a obra, um pequeno “garimpo para derrapagens”.Nos nossos 50 anos de engenharia nunca vimos nada igual. Manda a etica e a deontologia que qualquer projecto de obras só deve ser posto em concurso depois de esclarecidas todas as dúvidas e previstas todas as operações.
È inquietante que se considere como secundário o AIA em flagrante contraste com o critério vitorioso(o único) que levou à exclusão (indecorosa) de Rio Frio em 1999. Quais são “...os danos não minimizáveis, irreversíveis e não compensáveis” ? Por que não são, agora, levados em conta, pelo contrário, são até subalternizados?. Está-se a criar uma fonte de perturbações que, inevitavelmente, conduzirá a futuros “trabalhos a mais” não previstos no orçamento. Estamos em presença de uma clamorosa leviandade técnica que colide com a deontologia e as boas normas da engenharia civil. Quem tem razão, afinal já se pode construir na zona de Rio Frio, ignorando os tais «...danos não minimizáveis, irreversíveis e não compensáveis» ?

Fig 1- Os diversos locais escolhidos para o NAL-Novo Aeroporto de Lisboa
O local escolhido pelo LNEC em 2008, onde se pretende construir o NAL, está bem próximo de Rio Frio(1972) e, portanto, também está abrangido pelo parecer de 1999 que escolheu a Ota,alegando que Rio Frio apresentava “graves condicionantes que podiam pôr em causa a sua sustentabilidade por razões ambientais”. E, agora, já não os apresenta?


Por que há sempre “derrapagens” nas obras públicas em Portugal ? A engenharia civil tem hoje excelentes processos de apuro tecnico-científico. Há programas de Investigação Operacional ( abordados em quatro artigos anteriores) que indicam qual a melhor solução; os métodos de sondagens são ultra-sofisticados dando-nos certezas sobre as camadas subterrâneas; são sobejamente conhecidas todas as propriedades dos materiais; existem geo-texteis que resolvem intrincados problemas de geotecnia e de drenagem; as tubagens são de fácil execução, resistentes e leves; há bombas para todas as situações de elevação e drenagens; as máquinas de terraplenagens são eficientes;a topografia é toda computadorizada facilitando os levantamentos e as medições; há bons programas de acompanhamento quantitativo, qualitativo, cronológico e financeiro; há excelente tecnicos com grande experiência; então, por que é que nas obras se extravasam, obscenamente, os custos e os prazos? A engenharia civil trabalha, cada vez mais, com certezas e apuros técnico-financeiros. Por que não em Portugal? Não há qualquer desculpa!
Em Portugal as “estrelas” da engenharia civil são gestores ao invés de engenheiros. Sem querer defender corporativismos mas o senso comum estipula que “cada macaco no seu galho”!
As derrapagens podem filiar-se nas seguintes causas: projecto mal feito, fiscalização deficiente ou “engenharia contabilística” esta ao arrepio dos engenheiros de projecto ou da fiscalização.Onde anda a prestigiada engenharia portuguesa que não se impõe às “derrapagens”?
Uma grande crise acaba de se instalar, agora é tempo de decisões acertadas e de exclusão total de “derrapagens”. É um tempo de se trocarem os “pneus velhos e carecas” por “pneus novos anti-derrapantes”.

Luiz Teixeira - engenheiro civil
Outubro 2008


Vidé na Net “Para que serve a Investigação Operacional?” (4 partes) desde Julho 2007.

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES: COM QUE ENTÃO, NUNCA FOMOS AVALIADOS?

Na sequência de um desafio lançado por Paulo Guinote no seu blog Educação do meu Umbigo, a propósito da avaliação dos professores e do seu post "Nunca fomos avaliados?", encontrei nos meus documentos guardados uma declaração da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) que atesta da minha avaliação com a passagem ao 8º escalão através da prestação de PROVAS PÚBLICAS nas suas instalações, em Coimbra, para onde tive de me deslocar propositadamente, e para o efeito, em 1995, como pode ser verificado através de documento que anexo.

Como se pode ainda verificar, fui convocado para estar presente no dia 31.03.1995, às 15 horas através de CONVOCATÓRIA com data de 22 desse mesmo mês e ano para prestar PROVAS PÚBLICAS. Para que conste, dia 31.03.1995 era uma sexta-feira, NÃO ERA DOMINGO, como escandalosa e vergonhosamente consta das avaliações de José Sócrates.

Segue ainda uma outra avaliação com a menção de Satisfaz, em 1999, de acordo com a lei.


(Clique em cima para ampliar os documentos)

Classificação da Avaliação


Convocatória da DREC para prestar provas públicas

Classificação da Avaliação do Desempenho

Talvez não fosse má ideia, alguns jornalistas, José Sócrates e o Ministério da Educação darem uma vista de olhos a estes documentos para que, de uma vez por todas, não continuem a MENTIR, dizendo que os professores NUNCA foram avaliados.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CHUMBAR? ORA ESSA ...

O facilitismo no seu melhor

(clique na imagem para a aumentar)


RESSUSCITEM O PAPEL SELADO

Vale a pena ler !!!

(Para aumentar, clique em cima)

domingo, 26 de outubro de 2008

ENTREVISTA DE JOSÉ SÓCRATES À TSF E DN - CARTA DE UM PROFESSOR AOS SEUS DIRECTORES

Ex.mo Sr. João Marcelino/Paulo Baldaia

Ontem entrei no carro e ouvi os últimos 15 minutos da entrevista ao nosso primeiro ministro, exactamente no momento em que estavam a falar de educação que era o que me interessava no momento. A custo, consegui ouvir até ao fim.

Envio-lhe o meu mais veemente lamento pela forma como a entrevista, ou o que lhe queiram chamar, foi conduzida porquanto foi permitido ao sr. 1º ministro dizer o maior chorrilho de mentiras sem que alguma vez tivesse sido corrigido. Deixaram-no passar mais uma mensagem propagandística que peca pela verdade tal como ele nos tem habituado a ouvir a começar pelo seu processo de habilitações literárias.

Os srs jornalistas TINHAM a OBRIGAÇÃO de se documentarem melhor para fazer uma entrevista dessas. Mais pareceu uma entrevista de "faz favor de dizer" com questões previamente combinadas porque os entrevistadores eram pessoas experientes e deviam saber bem o que lá estavam a fazer. Só pode ter sido. Sócrates teve a oportunidade de explicar a sua educação à sua maneira e o resto foi servido em bandeja de ouro.

O meu nome é Francisco Teixeira Homem, sou professor na Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima em Aveiro, tenho 34 anos de serviço.

Tenho ainda uma licenciatura de 5 anos que é verdadeira e rigorosa. Sou do tempo em que o estágio pedagógico era de 2 anos. Fiz 1 mestrado e a parte curricular de um 2º mestrado no tempo em que os mestrados eram 2 anos. Tirei o doutoramento no tempo em que eram de 5 anos. Os investimentos na minha carreira e profissão foram pagos por mim e pelo sacrifício da minha família. Progredi na carreira com o cumprimento rigoroso de todos os créditos e subi ao 8º escalão com provas públicas efectuadas em Coimbra nas instalações da Direcção Regional de Educação do Centro. Não progredi com benesses até chegar ao 10º escalão onde tenho a minha carreira congelada e a ganhar tanto como um licenciado.

Por acaso vou ser avaliado por uma professora que é do mesmo grupo que eu mas há casos de professores de História a avaliar os de Inglês, de Educação Física a avaliar os de Ed Visual ou Educação Especial, de Biologia a avaliar os de Matemática ... enfim!!!!

Quando um professor destes vai assistir a uma aula dos outros (e tem de o fazer 2 vezes) está a ser justo por mais que o queira? Haverá honestidade neste processo?

Não me licenciei a um domingo com 26 das 31 cadeiras em falta dadas como equivalentes, nem com professores amigos ou reitores presos por falsificação de documentos, nem com a utilização de cartões do governo. A minha Universidade é pública, do Porto, e podem ser consultados todos os meus documentos. Não foi encerrada, como a UNI, só Deus sabe, VERDADEIRAMENTE porquê.

O sr. JS mente quando diz que agora há o mérito de distinguir os professores excelentes dos outros. Uma pessoa cujo percurso académico cheio de falta de rigor, mérito e excelência não lhe oferece a mais pequena moralidade para pensar sequer nisso, quanto mais falar. Desculpe voltar a falar disto mas é uma VERDADE que anda a ser camuflada e continuamente escondida.

A criação INJUSTA do professor titular no ECD é a MAIOR FRAUDE que passou impune em Portugal. Os professores foram classificados APENAS pelos últimos 7 anos de profissão, não pelos conhecimentos mas pelos cargos exercidos. Imagina certamente o que eu com 34 anos de serviço deva ter prestado ao ensino como professor. Pois bem, 27 desses meus anos contaram ZERO. RIGOROSAMENTE ... ZERO.

Aqueles anos em que quando mais jovem tinha capacidade para fazer e vontade para tudo, contaram NADA. Não sei quantos anos de serviço tem o sr. João Marcelino/Paulo Baldaia mas diga-me como se sentiria se a sua classificação fosse feita apenas com base nos últimos 7 anos, não pelos seus conhecimentos e capacidade mas APENAS pelas funções que prestou. Há professores belíssimos que foram prejudicados por terem querido ensinar. Há escolas onde ficaram titulares professores com 86 pontos enquanto outras escolas professores com 130 pontos não o conseguiram ser.

UMA VERGONHA que a imprensa nunca soube (ou nunca quis) denunciar. A escola hoje deixou de ENSINAR. O próprio ministério deixou de ser o Ministério da Educação e passou a ser o Ministério da Certificação. Faça esta experiência.

Vá a uma escola e diga que se quer matricular para APRENDER. Para APRENDER!!!!

Não há como nem onde. Até com o sistema de créditos já acabaram. Mandam-no para os EFAs ou para as Novas Oportunidades. Veja o que isso é. O que lá se aprende.

Em quantos MESES se pode fazer ao mesmo tempo o 7º, 8º e 9º ano e depois o 10º, 11º e 12º ano. Acabaram com o "Ad Hoc", agora há o "mais 23". Compare-os.

Agora, com a apresentação do currículo e a entrevista, um candidato ao ensino universitário fica logo com 60%. Os "trocos" ficam depois para um exame muito mais SIMPLIFICADO.O sr. JS falou nos cursos profissionais.

Vá a uma escola e veja o que é isso de cursos profissionais. A verdade. E já agora os CEFs. A pressão permanente para que os alunos passem sem saber apenas e só para uma avaliação estatística. As permanentes lamurias da srª ministra nos custos de uma reprovação e no facilitismo em reprovar.

Agora na avaliação dos professores é contabilizado o nº de alunos reprovados numa vergonhosa e clara afronta à perda de independência. Que culpa tenho eu que no início do ano me tenha calhado uma turma mal educada e pouco estudiosa? Que culpa tenho eu que um aluno abandone a escola porque quer ir trabalhar ou não gosta de estudar ainda que tudo tenha feito com os pais para que tal não aconteça? PORQUÊ que isso se reflecte na avaliação?

Já alguma vez pediu a uma escola as fichas de avaliação? Não acredito, desculpe mas não acredito que alguma vez as tenha visto. É IMPOSSÍVEL que aquilo possa ser seguido, IMPOSSÍVEL. Se não as conhece procure ver algumas.

Os professores o melhor é deixarem de dar aulas. A Cada escola tem as suas grelhas de avaliação. São 3 grelhas, qual delas a melhor, sempre elaboradas da forma mais incrível, injusta, desadequada, complexa, pouco credível e acima de tudo inexequível.

Isto não é uma brincadeira?

Os professores não têm família e direito ao tempo livre e lazer? JS falou igualmente no Inglês e na Educação Física das escolas primárias que já havia antes dele.

Pergunte quanto ganham esses professores e compare com o que ganha uma empregada doméstica, sem qualquer desprestígio para as empregadas domésticas.

Sr. João Marcelino/Paulo Baldaia, peço-lhe desculpa se me excedi. Penso que não. Acredito que com algumas destas "dicas", futuras entrevistas suas ao sr. JS serão diferentes. A verdade é que andamos de tal forma a ser maltratados e enxovalhados com tanta MENTIRA que após o programa da TSF que é uma rádio que oiço sempre, senti necessidade de "desentupir".

É estranho, muito estranho mesmo que a certas pessoas seja permitido fazer passar incolumemente certas mensagens. E o sr. primeiro ministro é uma delas. Usa e abusa.
Este foi o direito à minha INDIGNAÇÃO.

Queira aceitar os meus mais respeitosos cumprimentos

O professor Francisco Teixeira Homem

Identificado pelo BI 7356603 de 16.08.1999

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

PROPOSTA CONTRA A AVALIAÇÃO DE PROFESSORES

Um funcionário não docente, membro do Conselho Pedagógico da sua escola, decidiu apresentar neste órgão uma proposta para suspender a avaliação de professores.O Presidente do Conselho Pedagógico alegou que a proposta pode não ser legal e adiou a discussão para a próxima quarta-feira, anunciando que vai pedir um parecer à DREC sobre o assunto. O funcionário em causa, a quem damos os nosssos parabéns, pede ajuda jurídica para combater o pior que poderá vir desse parecer da DREC. Sabemos que o Conselho Pedagógico é livre de votar a proposta e decidir suspender a avaliação. A questão legal terá sempre que ser vista com o Conselho Executivo e nunca com o Pedagógico.

(para ler a notícia em letras maiores, clique em cima)


O Documento é extenso, mas vale a pena ler:

Agrupamento de Escolas de Ovar

Exmo. Sr.Presidente do Conselho Pedagógico
Eu, José Carlos Gomes Lopes, na qualidade de membro do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Ovar venho ao abrigo do ponto 6 do Regimento do Conselho Pedagógico, propor a inclusão do seguinte ponto na Ordem de Trabalhos da próxima reunião deste órgão de gestão do Agrupamento, devidamente fundamentado.

Proposta de tema a incluir na Ordem de Trabalhos do Conselho Pedagógico: SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO

Exmo. Sr.Presidente do Conselho Pedagógico

Agrupamento de Escolas de Ovar
PROPOSTA
1 – Por se considerar a Avaliação de Desempenho um instrumento decisivo para o aprofundamento de competências e de práticas pedagógicas e científicas por parte dos docentes e, consequentemente, para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem;
2 - Como ferramenta central e sensível da vida escolar, a Avaliação de Desempenho é um assunto demasiado sério, do qual depende o justo reconhecimento do empenho profissional dos docentes e a qualificação das aprendizagens escolares, não sendo, como tal, passível de se poder constituir como peça de estratégia política ou propagandística, seja ela qual for;
3 - Deste modo, é imperiosa a necessidade de se instituir nas escolas um modelo de Avaliação do Desempenho dos professores que seja capaz de implementar, de forma séria, diferenciações qualitativas entre as práticas docentes e de promover, verdadeiramente, o sucesso educativo, sem deixar margem para arbitrariedades, desconfianças, incertezas ou propostas minimalistas de simplificação incerta e vazia de conteúdo;
4 - Como tal, este Conselho Pedagógico é favorável à abertura de um amplo debate nacional que possa ser gerador de um consenso alargado entre professores, actores políticos, tutela e comunidades educativas, de molde a garantir-se a definição de um modelo de avaliação consistente, que possa ultrapassar a conflitualidade actual, motivar os professores, fomentar a qualidade do ensino e contribuir para o prestígio da escola pública;
5 – O Modelo de Avaliação do Desempenho estatuído no Decreto Regulamentar nº 2/2008 não assegura a justiça e o rigor de que os professores e as escolas são devedoras, nem protege, necessariamente, a valorização dos melhores desempenhos.
Assim, e em conformidade com o exposto, propõe-se a suspensão da aplicação do novo Modelo de Avaliação do Desempenho dada ainda a constatação do seguinte conjunto de limitações e de inconsistências:
a) A possibilidade efectiva deste Modelo de Avaliação do Desempenho colidir com normativos legais, nomeadamente, o Artigo 44º da Secção VI (Das garantias de imparcialidade) do Código do Procedimento Administrativo, o qual estabelece, no ponto 1, alíneas a) e c), a existência de casos de impedimento sempre que o órgão ou agente da Administração Pública intervenha em actos ou questões em que tenha interesses semelhantes aos implicados na decisão. Ora, os professores avaliadores concorrem com os professores por si avaliados no mesmo processo de progressão na carreira, disputando lugares nas quotas a serem definidas;
b) Também a imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos, cuja progressão e níveis classificatórios entram, com um peso específico de 6,5% na sua avaliação de desempenho, configura uma violação grosseira, quer do Despacho Normativo nº 1/2005, o qual estipula, na alínea b) do Artigo 31º, que a decisão quanto à avaliação final do aluno é, nos 2º e 3º ciclos, da competência do conselho de turma sob proposta do(s) professor(es) de cada disciplina/área curricular não disciplinar, quer do Despacho Normativo nº 10/2004, o qual regula a avaliação no ensino secundário e estabelece, no nº 3.5 do Capítulo II, que 'a decisão final quanto à classificação a atribuir é da competência do Conselho de Turma, que, para o efeito, aprecia a proposta apresentada por cada professor, as informações justificativas da mesma e a situação global do aluno.';
c) De rejeitar, são ainda os critérios que nortearam o primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular, valorizando, acima de tudo, a mera ocupação automática de cargos nos últimos sete anos lectivos, independentemente de qualquer avaliação da competência e da adequação técnica, pedagógica ou científica com que os mesmos foram exercidos, deixando de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com uma actividade curricular ou extracurricular excelente e prestigiada, marcada por décadas de investimento denodado na sua formação pessoal, na escola e nos seus alunos. Esta lotaria irresponsável gerou uma divisão artificial e gratuita entre 'professores titulares' e 'professores', criando injustiças insanáveis que minam, inelutavelmente, a credibilização deste modelo de avaliação do desempenho.
d) Este Modelo de Avaliação do Desempenho, é igualmente condenável, porque, além de configurar uma arquitectura burocrática absurda e desajustada daquilo que é relevante no processo de ensino/aprendizagem, possa desencadear, no quotidiano escolar, processos e relações de extraordinária complexidade e melindre, mercê de contingências disparatadas, como os avaliadores de hoje serem avaliandos amanhã, e vice-versa, avaliadores com formação científico-pedagógica e académica de nível inferior aos avaliandos, ou ocorrerem avaliações da qualidade científico-pedagógica de práticas docentes empreendidas por avaliadores oriundos de grupos disciplinares muito díspares (os quais, nem sequer foram objecto de uma formação adequada em supervisão e avaliação pedagógica, quanto mais científica);
e) O Ministério da Educação não está em condições de poder assegurar às escolas que muitos dos avaliadores possuam, além das competências de avaliação requeridas, uma prática pedagógica modelar, ou apenas razoavelmente bem sucedida, nos parâmetros em que avaliam os colegas. Em contexto escolar, parece-nos anti-pedagógico e contraproducente impor a autoridade por decreto, a partir de uma cegueira autocrática;
f) Ao contrário da convicção dos responsáveis pela área da Educação, considera-se que não é legítimo subordinar, mesmo que em parte, a avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira, ao sucesso dos alunos e ao abandono escolar (Decreto Regulamentar nº 2/2008, Artigo 8º, ponto 1, alínea b), desprezando-se uma enormidade de variáveis e de condicionantes que escapam ao controlo e à responsabilidade do professor, tendo em conta a dificuldade fáctica em ponderar, objectivamente, a diversidade e a incomparabilidade de casos e situações. Desta forma, criam-se condições desiguais entre colegas – por exemplo, as turmas são constituídas por alunos com diferentes motivações e especificidades; há disciplinas em que a obtenção de sucesso está mais facilitada, pelo que os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências e níveis de exigência totalmente diferentes;
g) Deveria ser incontestável que os resultados dos alunos visam avaliar, tão-só, os próprios alunos, a partir de uma notável diversidade de critérios, como conhecimentos adquiridos, empenho, assiduidade, condutas e valores, os quais variam na definição e na percentagem atribuídas por cada escola. Outra coisa diferente e admissível é a existência de avaliações externas dos níveis de sucesso e de insucesso das escolas, enquanto instrumentos de reflexão e de intervenção com vista à melhoria de resultados;
h) Tendo em conta o afirmado anteriormente, existem dinâmicas sociais e locais, cujo impacto nas escolas é real, mas de mensuração difícil e, como tal, não se encontra estudado ao pormenor (como pressupõe o Modelo de Avaliação do Desempenho), relativamente às quais os professores são impotentes, não podendo assumir, naturalmente, o ónus por contingências que os transcendem, como sejam: as acentuadas desigualdades económico-sociais que afectam a sociedade portuguesa; o elevado número de jovens que vivem em situação de pobreza, em famílias desestruturadas ou cujos pais são vítimas de desemprego ou de ocupações precárias e mal remuneradas; a 'guetização' de certas áreas residenciais, indutora de formas de socialização desviantes, de marginalidade e, consequentemente, de indisciplina na escola; a existência de elevados défices de instrução e de literacia entre os pais de muitos jovens que frequentam a escola; a falta de tempo, de motivação ou de saberes que permitam aos pais efectuar o acompanhamento escolar dos filhos ou, sequer, incutir-lhes o valor da aprendizagem escolar; as pressões familiares ou sociais para o abandono precoce da escola em troca de expectativas de trabalho e de remuneração. Além destas tendências, não podemos negligenciar as desiguais condições das escolas, nomeadamente, ao nível da qualidade e disponibilidade de equipamentos, da distribuição de alunos, quer com problemas e dificuldades acrescidas, quer com distintas resistências à disciplina e à aprendizagem, bem como ao nível dos suportes de acompanhamento psicopedagógico dos casos mais difíceis, para se darem apenas alguns exemplos;
i) É de recusar a rigidez e a inflexibilidade, meramente administrativas, nos critérios para a obtenção da classificação de Muito Bom ou de Excelente, penalizando o uso de direitos constitucionalmente protegidos, como ser pai/mãe, estar doente, acompanhar o processo educativo dos filhos, participar em eventos de reconhecida relevância social ou académica, acatar obrigações legais ou estar presente nos funerais de entes queridos;
j) A complexidade e a variedade dos saberes, das ferramentas e dos recursos mobilizados, pode conferir à docência de alguns professores uma extraordinária multicomponencialidade, a qual não é susceptível de, em muitos casos, poder ser adequada e seriamente avaliada por um único docente avaliador. Em outras situações, os parâmetros da avaliação podem postular a utilização de recursos inovadores que muitas escolas não estão em condições de assegurar ou mobilizar;
l) Este Modelo de Avaliação do Desempenho produz um sistema, prevalentemente, penalizador e não performativo de futuros desempenhos, além de que não discrimina positivamente os docentes que leccionam ou desenvolvem projectos com as turmas mais problemáticas e com maiores dificuldades de aprendizagem.
É pois perante todos estes argumentos que o Conselho Pedagógico toma a decisão de suspender a sua participação em toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação do desempenho à luz do novo Modelo de Avaliação do Desempenho na defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola pública.

25/09/2008
Subscritor da proposta: José Carlos Lopes
Representante dos Não Docentes no Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Ovar

domingo, 19 de outubro de 2008

O PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS PROFESSORES


Como é possível haver transparência e igualdade de oportunidades num processo tão burocratizado e com um carácter vincadamente selectivo, impositivo e extremamente obscuro, enquadrado por um mundo de pseudo-modelo de avaliação já pouco credível?

De facto, trata-se de um pseudo-modelo de avaliação pejado de injustiças e de um emaranhado de documentos burocráticos nos quais ancora este Modelo de Avaliação e a estúpida, complexa e administrativa actividade docente que pouca mais vida deixa aos professores para além da escola.

Uma escola que há muito deixou de pertencer ao Ministério da Educação e passou para o Ministério da Certificação. Uma escola que deixou de ensinar para oferecer certificados.

O ABANDONO ESCOLAR NA ESCOLA PÚBLICA . . .

Por este andar ...


JN: A REPOSIÇÃO DA VERDADE!

Na sequência do "post" anterior, o JN do dia 18 de Outubro informa que o Conselho Pedagógico da Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima em Esgueira, Aveiro, onde eu sou professor, aprovou a referida moção de repúdio e desencanto pedindo a suspensão deste tão macabro e desajeitado processo de avaliação e desempenho dos professores.

De facto, que eu saiba, a moção não chegou sequer ao CP, simplesmente foi lida aos professores na sequência de 2 "reuniões plenárias" que houve e depois das mesmas terem terminado.
Todos os professores que estiveram de acordo, assinaram-no de livre vontade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

MOÇÃO DE SUSPENSÃO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE PROFESSORES

Alguns professores da Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima, em Esgueira, Aveiro iniciaram hoje a assinatura de uma moção de descontentamento para com a aplicação deste modelo de avaliação aos professores solicitando a suspensão do mesmo. Ei-la:

MOÇÃO DE REPÚDIO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO
DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES


Ex.ª Srª
PRESIDENTE DO CONSELHO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SECUNDÁRIA Dr. JAIME MAGALHÃES LIMA EM ESGUEIRA - AVEIRO


Os professores abaixo assinados, da Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima em Esgueira, Aveiro, vêm declarar de forma veemente o seu mais vivo repúdio e desagrado com a introdução pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008 deste novo Modelo de Avaliação de Desempenho que dia-a-dia reforça a sua falta de transparência e a desigualdade de oportunidades, com um carácter vincadamente selectivo, impositivo e extremamente obscuro e burocratizado.
Já nos basta termos passado por um processo de má fé que, de forma “velhaca”, dividiu os professores entre titulares e não titulares. Talvez tenha sido aqui o início da semente de revolta que nos aperreia o espírito e nos oprime a alma. Mais que um ultraje, foi um verdadeiro vexame a que não nos queremos voltar a sujeitar e contra o qual continuaremos a lutar “até que a voz nos doa”.
Para que os “mal intencionados” não adulterem uma vez mais o que queremos com esta moção, reforçamos novamente a necessidade que temos de uma avaliação justa, no quadro dos nossos direitos e deveres que regule uma qualidade de ensino e de um ensino com qualidade bem como, uma Escola Pública universal, garante de igualdade de oportunidades.
Aquilo que os professores abaixo assinados contestam e põem em causa, é igualmente esta política persecutória da nossa dignidade profissional, o paradigma do enxovalho e espezinhamento de uma conduta de valores que deviam orientar a escola para a dialéctica do ensino/aprendizagem. Hoje, o Ministério da Educação está transformado no Ministério da Certificação, algoz de quem pretende aprender.
O nosso desencanto é infinito na cada vez maior falta de valorização da componente lectiva, na cada vez mais refinada preocupação em adubar os horários docentes com tempos de burocracia e actividades a metro, de duvidoso interesse educativo e pedagógico, enfim, na revoltante tentativa de transformar a nobre missão de ensinar em meros, meríssimos actos e procedimentos técnico-burocráticos e administrativos.
O nosso repúdio, vai ainda integralmente para a ilegitimidade que a avaliação de desempenho dos professores e a sua progressão na carreira encerram ao dependerem de parâmetros como o sucesso dos alunos, o abandono escolar e avaliação atribuída aos seus alunos, numa clara e afrontosa perda de independência.
Não menos repúdio e indignação terão de manifestar ao verificar que nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente os professores possam vir a ser penalizados ao usarem, no pleno gozo dos seus direitos que a Constituição lhes confere, o direito ao nojo, à greve, à maternidade e às obrigações legais ou a outras de reconhecida necessidade.
Não aceitamos ser permanentemente hostilizados numa sociedade que se considera civilizada, evoluída e, pelo menos, aparentemente democrata.
Não aceitamos que nos imponham um demagogo processo de avaliação com total falta de transparência e de sentido de justiça e igualdade de oportunidades, quando nos impomos a nós próprios, perante os alunos a maior seriedade, rigor e justiça.
Não aceitamos igualmente, esta forma redutora que trata a avaliação dos professores como um acerto de contas, como um correctivo de quem os odeia porque “os perdeu mas ganhou a população”, hierarquizando-os entre os bons (que serão poucos) e os maus (que serão demasiados), não pelas competências de cada um mas pelo cumprimento subserviente e tarefeiro em que se está a transformar uma classe inteira de professores qualificados.
Este modelo de avaliação, hipócrita e subversivo do espírito de grupo e de classe, que cultiva o individualismo e a ganância, cresce num desmesurado atabalhoamento de princípios, normas e valores, estrumado por uma teimosia que apenas nada quer reconhecer, ainda que evidentes, o excesso e a complexidade de fichas que não têm em conta a especificidade do exercício profissional da docência.
Como poderemos entender um processo que em nada é formativo, e remete para as calendas gregas o princípio da reflexão individual e colectiva confundindo acintosa e propositadamente, avaliação com medição ou quantificação.
Não podemos aceitar que transformem a digna missão que nos confiaram de ensinar, transvestindo a classe de professores em zelosos rebanhos de construtores de fichas, mapas e planificações, em carrascos fiscalizadores e classificadores de pares ou ainda, em cegas obediências acríticas geradas pelo medo do cutelo em permanente equilíbrio instável, ao serviço de um poder que nos hierarquiza pelas tarefas, como já o fez quando do vergonhoso primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular, e nos desvirtua nas capacidades, no mérito, rigor, excelência e competência a favor de uma política levianamente economicista, desumana e de conveniência.
Neste mundo de pseudo-modelo de avaliação já pouco credível, pejado de desigualdades e injustiças, sobressai a falta de preparação para as avaliações inter-pares e a oportunidade perdida de melhorar a qualidade do ensino e da educação em Portugal. A sua apressada implementação, o emaranhado de documentos burocráticos nos quais ancora este Modelo de Avaliação e a estúpida, complexa e administrativa actividade docente pouca mais vida deixam aos professores para além da escola. Que tempo sobra a todos os professores avaliadores e mega-avaliadores, também eles avaliados como os seus pares, para cumprimento da sua profissão e função de ensinar depois de se desenlearem da complexidade do pseudo-modelo de avaliação? E que formação ou experiência em supervisão que permita levar a bom termo a avaliação dos pares já que esta apressada e curta formação atribuída a apenas alguns avaliadores depois das aulas já em andamento, são confrangedoramente exíguas?
Por tudo isto, e por muito mais, os professores signatários solicitam a V. Ex.ª, que dê conhecimento à senhora Ministra da Educação, à Presidente do Conselho Executivo, à Câmara Municipal e à Associação de Pais desta escola do desencanto e razões que levam os signatários a solicitar a imediata suspensão deste processo que consideram viciado e incoerente, injusto e limitado, confuso e complexo, sem que se vislumbre, nestes moldes, qualquer mais valia para a qualidade de ensino e desempenho profissional.

Aveiro, 15 de Outubro de 2008


Os professores

domingo, 12 de outubro de 2008

O TRIBALISMO ENTRE DOCENTES VAI OU NÃO CHEGAR ÀS ESCOLAS?

Sobre o Abominável Sucesso Educativo (ASE) de Maria de Lurdes Rodrigues chegam novas e importantes notícias a antecipar o seu de há muito adiado desaparecimento funcional da governação, ainda que física e nominalmente se encontre na incontornável situação política de se ver arrastada, nem que seja pelos cabelos, pelo seu primeiríssimo até às próximas eleições legislativas.

Quis esta equipa ministerial tramar a Escola Pública e linchar os professores, começando, para consumar esse nefasto estratagema, por, a estes últimos, lhes querer delapidar a ética e a deontologia profissionais. Por ironia do destino (e para memória futura também), os resultados deste desvario ministerial, parecem indicar, desde já, duas coisas sobremaneira importantes:

1 - Os políticos podem errar. Não podem, contudo, persistir na teimosia do erro, fechando-lhe os olhos, eternizando-o e arrastando-o penosamente até ao ministro que se segue, para que daí venham impunemente a lavar as suas mãos. Quem assim procede, é, mais tarde ou mais cedo, castigado. Os professores mais novos na profissão (principais vítimas desde hediondo processo) mas, também e sobretudo, as novas gerações a quem quiseram usurpar a Escola Pública, não deixarão de fazer pagar bem caro a encapotada cegueira e a consentida incompetência;

2 - O insensato, insustentável e hediondo processo político dirigido por Maria de Lurdes Rodrigues, não só subestimou as reais medidas urgentes que a Educação nacional de há muito carece, como, pior ainda, a empobreceu, a enlutou e a colou definitivamente a arquétipos funcionais (políticos, administrativos e educativos) próprios e característicos dos países do terceiro-mundo, de que o frankeinsteiniano sistema de avaliação de desempenho importado do Chile constitui seu máximo e vergonhoso expoente, já para não falar aqui da inóspita e inexplicável divisão da carreira docente em duas categorias de professores só equiparável, na Europa, à divisão entre primeiros-ministros de países pobres (que para castigo não têm lugar nas cimeiras mais importantes) e a dos titularíssimos primeiros-ministros dos países europeus mais ricos (que põem e dispõem naqueles e lá os avaliam à sua maneira, raramente passando-lhes qualquer crédito). Valha-nos, ao menos, o Magalhães e o Hugo Chavez!

Voltemos ao centro da notícia que aqui me trouxe:
A confirmar-se as informações veiculadas pelo SPGL, num ápice a racionalidade e a nobreza de carácter parecem ter retomado o seu lugar naqueles de quem nunca se esperou que deles se alheassem: Conceição Castro Ramos, presidente do Conselho Científico para a Avaliação do Desempenho dos Professores, ter-se-á demitido, ainda que com recurso à figura da aposentação.
Os restantes conselheiros terão também tido um assombro de lucidez que os devolveu à realidade. Dou as boas vindas aos que, após atacados por aquilo que presumo ter sido uma fortuita constipação mental, agora parece regressar ao sentido das coisas com sentido. De alguns deles seria de esperar (e desejar) a cura; de outros nem tanto. Mas o SPGL diz-nos mais. Os membros deste mesmo Conselho terão considerado:

1 - Que os avaliadores não possuem formação para avaliar os seus pares (!). Importa agora saber porque mentiram à sociedade portuguesa os responsáveis políticos ao investi-los, perante a opinião pública, de uma titularidade de competências funcionais que afinal não detinham, não detêm e que os próprios, em grande número, parecem abominar quem as detém (?);

2 - Que este sistema de avaliação do desempenho não tem repercussão positiva na prática pedagógica dos docentes e no sucesso efectivo dos alunos. O inverso apenas poderia ser verdade se a miopia de quem nas escolas trabalha todos os dias fosse similar à dos governantes da 5 de Outubro;

3 - Que o modelo de avaliação em causa é, em si mesmo, promotor de conflitos pessoais e profissionais e gerador de um indesejável clima de instabilidade nas escolas. Quem foram os estrategas de guerra que planearam até quase ao pormenor a guerrilha entre docentes? Quem são os autistas que não perceberam (não percebem?) que o conflito tribal numa escola tem por principais vítimas não os docentes mas, sobretudo,os alunos e as suas famílias?

Do muito que aqui poderia continuar a comentar, (o tempo ainda não é infelizmente de balanço) fico-me, por agora, pelo seguinte:

A sensatez terá chegado tarde, mas, ainda assim, chegou. Pelo menos chegou ao Conselho Científico da Avaliação do Desempenho (ou pelo menos a parte significativa dele). Ao invés, para vexame de todos nós professores, não terá chegado (ainda! - Ou não vai chegar nunca?) ao famigerado Conselho de Escolas, como também ainda não chegou a alguns presidentes de conselhos executivos nem, tão pouco, a alguns Conselhos de Anciãos titulares dos órgãos Pedagógicos (à espera aquela vingançazinha que agora, para sua frustração, corre o risco de se ver adiada sine die) da mesma forma que esta ou outra lucidez, este ou outro arrependimento, este ou outro acto de nobreza democrática e de honra pessoal, não chegará nunca (por aquilo que dela cada vez menos se vai sabendo) a Maria de Lurdes Rodrigues e aos apaniguados secretários de estado. Importa agora que estejamos atentos. Muito atentos!

Importa também não esquecer nunca, para que se não repita mais, o que foi esta legislatura política para a educação nacional: uma triste e vil demissão dos nossos políticos para com a escola pública; um macabro exercício de má-fé contra os seus professores.

CASAMENTOS HOMOSEXUAIS - DO MODERNISMO AO SEU RIDÍCULO

A causa "fracturante"
Uma das cíclicas "causas fracturantes" da esquerda pós-moderna, é a dos "direitos" dos homossexuais, especialmente, nos últimos tempos, o direito ao casamento. A luta pela causa tem episódios aceitáveis, que passam pela afirmação do direito à diferença e pela rejeição de acções intolerantes que ataquem os elementares direitos de cidadania do cidadão homossexual e hoje, tirando alguns trogloditas, no Ocidente quase ninguém preconiza que se espanquem ou internem homossexuais. A ideia prevalecente é a de que a vida particular de cada um só a ele diz respeito.Assim sendo, qualquer homossexual é livre de viver a sua vida como bem entender, com quem entender, e o estado ocidental não se posta à cabeceira da alcova, para inspeccionar e sancionar os pormenores íntimos da questão. Ou seja, neste particular, tanto os homossexuais, como os heterossexuais são livres como os passarinhos. Mas a "causa fracturante" mantém-se, porque se deve à necessidade que a esquerda tem de arremeter contra homens de palha e moinhos de vento, uma vez que se vê a si própria como vanguarda revolucionária, como elite cultural cuja missão histórica é orientar as massas ignaras no caminho do progresso. Os que duvidam da sua auto-atribuída iluminação são evidentemente ignorantes ou malévolos, incapazes de ver aquilo que para a elite é de uma evidência cartesiana: os direitos dos homossexuais são condição sinequanon da modernidade e do progressismo.
Sugerir ou afirmar qualquer discordância, implica o anátema e o ódio devido aos hereges "homofóbicos". A vanguarda revolucionária, ao mesmo tempo que derrama sobre os ímpios as suas indignadas condenações morais e éticas, actua, qual Tribunal do Santo Oficio, insultando com o látego dos cismáticos.

E de uma aceitável condenação das acções concretas contra os homossexuais rapidamente escala para a pretensão totalitária de fiscalizar pensamentos e intenções, procurando castrar qualquer opinião que não coincida com a ortodoxia.

A Homossexualidade é uma "escolha"?

Aqueles que desfraldam o "orgulho gay" e abanam o rabo nas marchas do "orgulho", garantem que sim. A ciência, pelo seu lado, parece indicar que se trate de uma condição biologicamente determinada. Por exemplo, este estudo de Ivanka Savic e Per Lindström , demonstra, sem margem para grandes dúvidas, que nos aspectos relevantes a arquitectura cerebral dos homossexuais masculinos é semelhante ao das mulheres heterossexuais e vice-versa. Para além disso a homossexualidade existe noutros mamíferos que não apenas o homo sapiens pelo que, a menos que se trate de uma "escolha" de um certo chimpanzé, resta a biologia como explicação. No sentido estatístico do termo é uma anormalidade, tal como o génio, também ele sustentado em cérebros com mais ou melhores conexões, ou as habilidades futebolísticas do Cristiano Ronaldo, sustentadas não sei em quê.

Nesta perspectiva, o "orgulho gay" é algo ridículo. Que um indivíduo se orgulhe de ser génio, ou meter golos como o caraças, faz algum sentido. Que se orgulhe de uma diferença que não lhe dá qualquer vantagem, não faz sentido nenhum, excepto como fuga para a frente.

É uma doença?

O fundamento biológico não torna a homossexualidade uma doença. O seu portador nasce apenas com uma característica biológica que não lhe confere vantagens reprodutivas pelo que, naturalmente, tenderá a ser "passada" cada vez menos às gerações futuras.
O que faz crescer as espécies, são pulsões sexuais puras e duras e as nossas são exactamente iguais às dos outros mamíferos. O modo como as estilizamos é que é diferente. Gostamos de embrulhar a coisa em palavras elevadas e sublimes, mas o que está lá dentro são as poderosas forças do sexo e da morte. Eros e Tanatos, a estratégia racional, ainda que não racionalizada, de escapar à morte e ao tempo, espalhando ao máximo os genes que assegurarão a continuidade.É uma das principais razões pelas quais desaguámos no presente como espécie bem sucedida. A cultura vem depois, para suavizar, estilizar, enfeitar, humanizar. Paradoxalmente, o facto de haver mais homossexuais na nossa espécie, pode dever-se exactamente ao ambiente culturalmente hostil, porque durante muitos séculos a homossexualidade foi socialmente estigmatizada e poucos se atreviam a assumi-la, acabando por procriar no seio de relações hetero normais. Principalmente as mulheres que não tinham escolha. Com a "saída do armário", os homossexuais já não precisam de fingir pelo que as suas configurações genéticas serão cada vez menos passadas às gerações seguintes e o mecanismo darwinista remetê-los-á para a irrelevância estatística. Assim, paradoxalmente, o orgulho "gay" terá como consequência a longo prazo, com mais ou menos complexidade, com mais ou menos factores influenciadores, o confinamento dos homossexuais a uma percentagem reduzida, semelhante à de outras espécies de mamíferos. Não desaparecem (e ainda bem, a espécie pode vir a necessitá-los e a variedade é uma das armas da espécie) mas tornam-se marginais…, outliers, no sentido estatístico da palavra.

Preconceito

Nada há de escandaloso ou preconceituoso nisto, a não ser que se considere Charles Darwin e Mendel como maldosos homofóbicos.
Todavia eu tenho preconceitos relativamente à homossexualidade. Tenho e reivindico o direito de os ter. Faz parte da minha liberdade básica e não penso abdicar dela. Mas, contrariamente à correcção política vigente, penso que os preconceitos sobre a homossexualidade não são o resultado da ignorância ou da maldade. Pelo contrário, sou da opinião que as razões mergulham fundo nos nossos arquétipos colectivos, e estão presentes na maioria das pessoas.Por uma questão de conveniência ou boa educação, controlamos o impulso de fazer chacota, disfarçamos a aversão, retocamos a máscara, tal como fazemos com pessoas estranhas, obesas, deformadas, etc. A moral vigente dá polimento às atitudes mas na viela iluminada da nossa consciência, não podemos esconder de nós próprios o que realmente somos: velhos primatas prontos a matar e morrer, caso a natureza nos alcance.

Eu não sou hipócrita a não ser quando me convém. Consigo conversar civilizadamente com qualquer pessoa e disfarçar o que realmente penso, em suma, agir com correcção. Mas isso é apenas verniz social.

Importante, sem dúvida, mas apenas verniz. Para lá dele, eu penso que a homossexualidade é uma coisa estranha, e desagradam-me as suas manifestações públicas. Reconheço às pessoas o direito de serem o que são, mas reivindico para mim o direito de gostar ou não gostar disso. Há coisas que me desagradam e repugnam, não sei se por instinto, mas certamente para lá da racionalidade: por exemplo, ver dois tipos aos beijos. Porquê? Ignoro! Só sei que detesto olhar para aquilo. Há umas séries na RTP 2 que passam cenas e diálogos de gays e aquilo faz-me mudar de canal, é como mostrarem cenas de agulhas a espetarem nos braços, ou blocos operatórios, ou partos, etc. Mudo de canal porque ver aquilo incomoda-me. Não é uma questão religiosa… não acredito em Deus e estou-me nas tintas para os anjos. É algo de epidérmico. E tenho a razoável convicção de que a maioria das pessoas sente o mesmo, embora não o verbalize porque há uma pressão social que rotula tal aversão como pouco "avançada", pouco "moderna", pouco "sofisticada".
Também não gosto de ver uma pessoa com um furúnculo no nariz.

Não gosto e pronto, viro a cara e olho para coisas bonitas. Mas se a pessoa insiste em vir meter-me o furúnculo à frente dos olhos, e exige o meu respeito pelo furúnculo, e esfrega-o no furúnculo de outro tipo em público e diz que tem orgulho e quer que o estado reconheça e dignidade do furúnculo, a situação torna-se irritante.É isto que se está a passar.

Há quem pense que os outros devem submeter-se à sua visão da homossexualidade como um sinal de "modernidade", de "progressismo". É uma guerra cultural que tem de ser rechaçada.

Casamento homossexual

Quanto à "discriminação do casamento", a argumentação não me convence. Até porque a malta que agora exige o "casamento gay", é exactamente a mesma que tende a desvalorizar o casamento tradicional. Porque razão pretende esta gente estender aos homossexuais um estatuto que tanto critica, trazendo o Estado para o interior de uma relação que o não necessita, é algo que me faz torcer o nariz. Entendo que os próprios pretendam ter acesso aos benefícios que o Estado garante aos casais heterossexuais. É racional que assim o desejem. Ora o Estado, enquanto comunidade politicamente organizada, tem interesse em proteger e incentivar relacionamentos normais, com potenciais benefícios para a sociedade. A começar pela procriação, condição sinequanon da sobrevivência da sociedade.

Mas também a família, o equilíbrio, a educação das gerações, o controle da agressividade que a testosterona provoca, (basta ver a estatística de acidentes entre homens novos solteiros e casados, ou saber que os homossexuais não fazem cavalinhos nas motas para impressionar as fêmeas, para se ter uma ideia do que isto significa), a noção de uma "razão" de vida, etc, etc, tudo boas consequências empíricas de uma relação normal. Nem todos têm estes benefícios? Claro que não mas isso só se sabe à posteriori.

Pelo seu lado, as relações homossexuais não são vantajosas para a espécie, até ver. Certamente que interessam a alguns indivíduos, mas há uma certa arrogância em alguém considerar que aquilo que é bom para ele, é automaticamente bom para a sociedade. A meu ver, a sociedade apenas deve "pagar" aquilo que é potencialmente do seu interesse. A homossexualidade não o é. As sociedades humanas não necessitam de proteger juridicamente, ou incentivar a relação homossexual, porque dela não colhem quaisquer benefícios. Pode um estado legislar sobre a relação homossexual, mas não se vêem razões de "bem geral" que o justifiquem. De qualquer modo, se se vier a estender o contrato de casamento à relação homossexual, não se entende porque há-de parar aí.

Porque não incluir também outros tipos de associações conjugais, como os serralhos, por exemplo? Porque razão especial um homem há-de poder casar com outro homem e não com 3, 4, ou 5 mulheres e vice-versa? Será menos digno? Menos moderno? Menos progressista? Menos "de esquerda"? Se alguém entende que o casamento homossexual é uma coisa de tal modo importante para a sociedade, que justifica que a lei o enquadre, então o casamento poligâmico é-o por maioria de razão, porque mais natural e susceptível de gerar mais descendência.Afinal de contas, todos os homens normais gostariam de se "pôr" no maior número possível de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.

A fêmea escolhe. E é porque a fêmea escolhe que o macho se exibe e se arrisca, e quer mostrar que é melhor que o outro e que tem melhores genes. Porque a fêmea não tem outra estratégia senão a escolha criteriosa. As suas oportunidades são finitas, tem de jogar pelo seguro. Não tem biliões de óvulos para desperdiçar e se hipoteca um, convém que valha a pena porque o vai carregar durante muitos meses e porque a cria será indefesa durante anos. Os seus genes sobreviverão ao tempo e à morte, se a cria sobreviver. Tem de escolher bem… tem de escolher bons genes e um parceiro que proteja a cria.Essa é a sua estratégia. Subliminar, não racionalizada, na maioria das vezes, mas que se mostra clara nos comportamentos normais. Quase tudo se joga na biologia. A "correcção política" é uma moda de gente mimada, numa época mimada.Assim que a natureza reclama o seu lugar, as Sabinas voltam a ser raptadas e os homossexuais a levar com ovos na testa.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

POUCO ESCLARECIDO O PERCURSO ACADÉMICO DE JOSÉ SÓCRATES

Esta informação por email é antiga e tem continuado a circular por aí. Ainda bem, é importante percebermos os contornos de quem tanto exige RIGOR mas NÃO SABE O QUE ISSO É.
Uns sobem na vida com esforço e trabalho, outros ... bem, outros aproveitam-se das oportunidades, cunhas e compadrios e sobem na vida com OPORTUNISMOS.
E NADA lhes acontece!!!!

O PROFESSOR QUE SÓCRATES NÃO CONHECIA, NÃO CONHECEU NEM QUER OUVIR FALAR; A BEM DA NAÇÃO CHAMA-SE ANTÓNIO JOSÉ MORAIS E É ENGENHEIRO A SÉRIO; DAQUELES RECONHECIDOS PELA ORDEM


O António José Morais é primo em primeiro grau da Dra. Edite Estrela.
É um transmontano tal como a prima que também é uma grande amiga do Eng. Sócrates. Também é amigo de outro transmontano, também l"icenciado" pela INDEPENDENTE o Dr. Armando Vara, há bem pouco tempo ainda era caixa do balcão da Caixa Geral de Depósitos e actualmente é Administrador da Caixa Geral de Depósitos, grande amigo do Eng. Sócrates e da Dr.ª Edite Estrela.

O Eng. Morais trabalhou no prestigiado LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), só que devido ao seu elevado empreendedorismo canalizava trabalhos destinados ao LNEC, para uma empresa em que era parte interessada.
Um dia foi convidado a sair pela infeliz conduta. Trabalhou para outras empresas entre as quais a HIDRO-PROJECTO e pelas mesmas razões foi convidado a sair.

Nesta sua fase de consultor de reconhecido mérito trabalhou para a Câmara da Covilhã onde vendeu serviços requisitados pelo técnico Eng. Sócrates.
Daí nasce uma amizade.
É desta amizade entre o Eng. da Covilhã e o Eng. Consultor que se dá a apresentação do Eng. Sócrates à Dr.ª Edite Estrela, proeminente deputada e dirigente do Partido Socialista.
E assim começa a fulgurante ascensão do Eng. Sócrates no Partido Socialista de Lisboa apadrinhada pela famosa Dr.ª Edite Estrela, ainda hoje um vulto extremamente influente no núcleo duro do líder socialista.

À ambição legítima do político Sócrates era importante acrescentar o grau de licenciatura.
Assim o Eng. Morais, já professor do prestigiado ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) passa a contar naquela Universidade com um prestigiado aluno - José Sócrates Pinto de Sousa, bacharel.
O Eng. Morais demasiado envolvido noutros projectos faltava amiúde às aulas e, naturalmente, foi convidado a sair daquela docência.
Homem de grande espírito de iniciativa, rapidamente, se colocou na Universidade Independente. Aí o seu amigo bacharel José Sócrates, imensamente absorvido na politica e na governação seguiu-o ......" porque era a escola, mais perto do ISEL que encontrou ".

E assim se licenciou a um domingo, tendo como professor da maioria das cadeiras (logo quatro) o desconhecido mas exigente Eng. Morais. E ultrapassando todas as dificuldades, conseguindo ser ao mesmo tempo Secretário de Estado e trabalhador estudante licencia-se, e passa a ser Engenheiro, à revelia da maçadora Ordem dos Engenheiros, que segundo consta é quem diz quem é Engenheiro ou não, sobrepondo-se completamente ao Ministério que tutela o ensino superior.

(Essa também não é muito estendível; se é a Ordem que determina quem tem aptidão para ser Engenheiro devia ser a Ordem a aprovar os Cursos de Engenharia....La Palisse não diria melhor)

Eis que licenciado o governante há que retribuir o esforço do HIPER-MEGA PROFESSOR, que com o sacrifício do seu próprio descanso deve ter dado aulas e orientado o aluno a horas fora de normal já que a ocupação de Secretário de Estado é normalmente absorvente.

E ASSIM FOI:
O amigo Vara, também secretário da administração Interna coloca o Eng. Morais como Director Geral no GEPI, um organismo daquele Ministério.
O Eng. Morais, um homem cheio de iniciativa, teve que ser demitido devido a adjudicações de obras não muito consonantes com a lei e outras trapalhadas na Fundação de Prevenção e Segurança fundada pelo Secretário de Estado Vara

(lembram - se que foi por causa dessa famigerada Fundação que o Eng. Guterres foi obrigado a demitir o já ministro Vara (pressões do Presidente Sampaio), o que levou ao corte de relações do Dr. Vara com o Dr. Sampaio - consta até que o Dr. Vara nutre pelo ex-Presidente um ódio de estimação.

O Eng. Guterres farto que estava do Partido Socialista (porque é um homem de bem, acima de qualquer suspeita, íntegro e patriota) aproveita a derrota nas autárquicas e dá uma bofetada de luva branca no Partido Socialista e manda-os todos para o desemprego.
Segue-se o Dr. Durão Barroso e o Dr. Santana Lopes e novamente o Partido Socialista comandado pelo Eng. Sócrates..... Que GANHA AS ELEIÇÕES COM MAIORIA ABSOLUTA.

Eis que, amigo do seu amigo é e vamos dar mais uma oportunidade ao Morais, que o tipo não é para brincadeiras.
E o Eng. Morais é nomeado Presidente do Instituto de Gestão Financeira do Ministério da Justiça.
O Eng. Morais homem sensível e de coração grande, tomba de amores por uma cidadã brasileira que era empregada num restaurante no Centro Comercial Colombo.
E como a paixão obnubila a mente e trai a razão nomeia a "brasuca " Directora de Logística dum organismo por ele tutelado a ganhar 1600 € por mês. Claro que ia dar chatice, porque as habilitações literárias (outra vez as malfadadas habilitações) da pequena começaram a ser questionadas pelo pessoal que por lá circulava.
Daí a ser publicado no " 24 HORAS" foi um ápice.

E ASSIM lá foi o apaixonado Eng. Morais despedido outra vez.

TIREM AS VOSSAS CONCLUSÕES E NÃO SE ESQUEÇAM:
EM 2009 CONTINUEM A VOTAR NELES!!!