BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A UTOPIA DE UM "NOVO BRASIL" EM ÁFRICA (2)

Factor transportes –A chegada dos bóeres a Angola revolucionou os transportes. Eles deslocavam-se em carroções, puxados por dez juntas de bois (espanas) e com mais duas ou três espanas de reserva. Os bois provinham de estirpes domesticadas e adaptadas aos climas da África do Sul, remontando ao ano de 1648 em que desembarcaram no Cabo as primeiras colónias de holandeses. Os bóers traziam, também, cavalos e burros adaptados a África, muito embora prevalecesse uma doença desconhecida a “horse sickness” que os atacava de modo pestilento, fazendo razias. Mas os bóeres conseguiam curar algumas doenças do gado. Em pouco tempo eles monopolizaram, e revolucionaram, os meios de transportes dando outra dinâmica ao progresso de Angola. Então, sim, já foi possível pensar-se em povoamento.
Pouco a pouco os colonos portugueses começaram a absorver as tecnologias bóeres, indiscutivelmente adaptadas a África, e o povoamento europeu começou, timidamente, a consolidar-se, graças aos carroções. A implantação de três ferrovias de penetração, a partir de 1903,embora uma só delas se tenha internacionalizado , e a chegada do automóvel(1910), tornaram, finalmente, possível a fixação de colonos no interior.Tinham acabado os carregadores, uma fonte de azedumes e violências. Já se podiam importar as pesadas máquinas de cerâmica, revolucionando a construção de habitações.Como escreveu o geógrafo Orlando Ribeiro«A penetração africana é esporádica,tardia e incompleta».
O povoamento de Angola com europeus, ou seja a passagem de feitoria a colónia, teve início em 1910, muito embora só tenha tomado expressão a partir de 1920. Mas logo ficou evidente que o


Fig 6 - Luanda em 1885. Era a cidade mais desenvolvida na costa ocidental africana.


povoamento europeu não seria de índole agro-pecuária mas sim de índole comercial. Os africanos produziam e os europeus comercializavam. Foi uma simbiose que deu certo. À data da independência (1975) Angola detinha, em termos de diversidade de géneros agrícolas, a melhor balança comercial internacional. Exportavam-se mais de 30 géneros agrícolas, pecuários e de pescas.
Muito diferente do Brasil, onde os solos e pastos são incomparavelmente melhores. A boa adaptação dos gados cavalar e bovino, a fertilidade dos solos, e um comércio interno aberto e de grandes consumos foram o suporte de uma promissora agro-pecuária em terras brasileiras. Não sucedeu isto em Angola.


Factor climático ou de saúde – Resolvido o velhíssimo problema dos transportes começou o povoamento, de início timidamente e, depois, com rapidez. A partir de 1920 foram fundadas
centenas de povoações que logo se converteram em vilas e, algumas, em cidades. Com o comboio e o automóvel foi possível atacar os dois maiores flagelos da colónia: o paludismo e a doença do sono. Foram secados pântanos nas cidades, com a plantação de eucaliptos, o uso do quinino generalizou-se, foram adoptadas medidas rigorosas de prevenção. O paludismo ou malária começou a declinar de tal maneira que em 1960 já nem se falava em anti-palúdicos. O combate à doença do sono começou na década de 20, embora se não dispusesse de remédios directos como, por exemplo, o quinino para a malária.
Apesar de tudo, os resultados foram notáveis pois a doença do sono começou a diminuir. Tal como com a malária, o principal combate incidiu sobre a prevenção, ou seja eliminando os habitantes dos mosquitos e da mosca tsé-tsé. Nos primórdios da independência ninguém se recordava mais da malária ou da doença do sono. As outras doenças, como por exemplo a raiva, o tétano e a varíola foram eliminadas com vacinas ou medidas profiláticas, num épico combate dia a dia. As rigorosas medidas de higiene, com pisos cimentados nas casas, foram um factor decisivo para o melhoramento sanitário da colónia.


Fig 7 - Hospital Maria Pia em Luanda em 1885. Era o melhor edifício da colónia e era, também, o melhor hospital da África Ocidental.


Factor geopolítico – Portugal, pequeno país europeu, possuir vastas regiões em África foi sempre motivo de grandes invejas e ameaças de desapropriação. Países maiores e mais fortes economicamente não se conformavam com esta distribuição. As ameaças vinham de longe, desde a Conferência de Berlim em 1885, Ultimato em 1890, um conluio entre a Alemanha e a Inglaterra em 1905, com a primeira grande guerra em 1914, com a Sociedade das Nações em 1920, com o Relatório Ross em 1925, com os apetites de Hitler e a expulsão dos judeus em 1935, com Roosevelt durante a guerra 39-45. Portugal esteve quase sempre atemorizado com as ameaças de esbulho.


Factor Metrópole ou centralismo – Às grandes dificuldades intrínsecas que Portugal encarou, em relação à colonização de Angola, somaram-se as manobras dos africanistas, residentes em Lisboa, que tudo fizeram para atrasar o processo histórico de Angola. Os governos de Lisboa governavam obcecados com a síndrome do Brasil. A oligarquia que se assenhoreou dos destinos de Angola e, principalmente, das suas riquezas e da sua mão de obra dócil e barata, logo que ela passou de feitoria a colónia, não dava margem para autonomia e, muito menos, para o desenvolvimento de um capitalismo sólido. O processo histórico da independência brasileira povoou, sempre, a mente dos governantes em Lisboa e, especialmente, dos oligarcas donos das riquezas e do trabalho de Angola.
Nos governos da Primeira República, talvez sob influência maçónica, romântica, houve alguns períodos de “abertura” , infelizmente de pouca duração. O primeiro governo de Norton de Matos estendeu-se de 1912 a 1914; o segundo governo, com poderes de Alto-Comissário (podia lavrar decretos), durou quatro anos, de 1921 a 1924. Estes governos ainda trouxeram uma aragem de modernidade. Com Salazar em 1930, tudo piorou. Os poderes dos Altos Comissários foram cerceados, até se extinguirem, em simultâneo com o nome. Novamente os Governadores Gerais, mas agora meras correias de transmissão. As grandes fortunas internas (na relatividade angolana) diluiram-se em falências, desistências e sob leis sufocadoras. O número de europeus em Angola em 1930 era de cerca de 60 000; em 1940 eram 40 000. Neste ano já o grande capital era todo metropolitano. Investir-se em Angola passou a ser um favor que os oligarcas metropolitanos concediam a Angola. Para piorar, não se autorizavam quaisquer empréstimos ou entradas de capital estrangeiro. E havia bancos estrangeiros desejosos de entrar em Angola. Não havia bancos comerciais com empréstimos de longo prazo. Um atroz mercantilismo mais consentâneo com o século 19.


O regime de Salazar, no que toca ao povoamento europeu,esteve sempre afundado num paradoxo. Porfiava-se no povoamento rápido por europeus, mas mantinham-se e criavam-se leis que o obstaculizavam. Para um português viver em Angola necessitava de uma “carta de chamada” um precursor dos actuais vistos de permanência.Não se asfaltavam as estradas, um motor de arranque para o desenvolvimento de um país virgem. Não se construíam grandes barragens das quais se podia obter electricidade muito barata, um chamariz para indústrias. Não se autorizavam bancos comerciais que pudessem financiar grandes projectos agro-pecuários. Os bancos portugueses, únicos detentores do capital, estavam “entocados” em Lisboa. Nenhum banco metropolitano cogitou abrir agências em Angola. Só a partir de 1961 é que isso se verificou, mas com muitas deficiências: o crédito agro-pecuário de longa duração só se tornaria efectivo na década de 70, já muito próximo da independência.


Fig 8 -Cameron, um inglês que passou em Angola em 1875, escreveu:«Benguela é, como importância, a segunda das cidades portuguesas da costa ocidental; ela tem com o interior um comércio considerável de cera e marfim e alguns dos comerciantes têm pescarias na costa. As ruas são largas, as casas brancas, as portas e as janelas pintadas de cores vivas, que dão à cidade um ar de limpeza. No centro há um jardim público, feito com gosto, um jardim bem conservado onde a banda militar toca todos os domingos à tarde. Quanto a edifícios há a Alfandega, um muito bom hospital, o palácio do governador, o tribunal e uma igreja que só é aberta para baptismos e enterros;»


O ensino esteve abandonado até 1961, o maior erro colonial. O ensino universitário era tabu. Os diamantes não podiam ser garimpados, tudo era monopólio de uma multinacional. Possuir diamantes era um crime do mesmo jaez de um homicídio. E, por último, os africanos, inegavelmente uma formidável força de trabalho, “uns imigrantes que jogavam em casa”, uma massa buliçosa e criativa, não foram aproveitados, pelo contrário, viveram sufocados por leis incríveis de trabalho compelido, deficits de cidadania e proibições de mobilidade. E, principalmente, com o ensino totalmente vedado.Era com os africanos que se deveria ter feito “o povoamento” de Angola, era com eles que se poderia ter feito um novo Brasil.
A partir de 1951, ano em que a ONU “começou a meter o nariz”, passou a ser tudo metropolitano, ratificando o slogan “Do Minho a Timor”. Angola passou outra vez a designar-se por província ultramarina. Lisboa tudo decidia, ficou célebre o facto de se pedir autorização ao Ministério das Colónias para se mudar o nome de uma rua de Luanda. Foi um retrocesso que se revelou fatal, decorridos 25 anos. Angola ficou sempre fragilizada, sob o aspecto político, militar, cultural e financeiro. Tudo era resolvido por Salazar. Infelizmente foi ele quem preparou tudo para


Fig 9 – Hospital de Benguela em 1879. Como foi mencionado na Fig 8 Cameron referiu-se a ele «...um muito bom hospital...». E tinha as suas razões porque nele foi bem tratado, de um violento ataque de escorbuto que o pôs às portas da morte.


que Angola não fosse usufruída por aqueles que contribuíram na sua formação de nação moderna, europeus e africanos. Mas que, tendenciosamente mal informados, sempre o apoiaram julgando que ele era o mais sábio.Lisboa manteve,sempre, uma interface entre as duas comunidades, a africana e a europeia, de modo a complicar quaisquer veleidades autonómicas.Dividir para governar de acordo com a velha máxima de Roma. A independência acabou por chegar, mas vinda de fora.No processo da independência só intervieram os metropolitanos comissionados e os angolanos no exílio.
Lei Joaquim da Silva: “queres que a tua firma entre em colapso? Entrega-a a um gerente que resida a mais de 7 000 km, não conhece os teus negócios, e pior, os negócios dele colidem com os teus. E,sobretudo, ele prima sempre pela ausência, governa com conselheiros, infelizmente mal intencionados”.


De 1930 a 1974 o factor que mais pesou no atraso histórico de Angola foi, indubitavelmente, a obsessão metropolitana de tudo controlar, de manter a colónia rigorosamente portuguesa. Até 1930 o maior factor de atraso tinha sido o das doenças, seguido dos transportes. Depois de ultrapassados todos os obstáculos físicos, que impediam uma colonização europeia, iria aparecer uma última barreira, mas humana: a intransigência de Salazar, levada quase aos extremos de obsessão.
Os colonos em Angola, de parceria com os angolanos, conseguiram vencer, em meio século, todas as adversidades, de geografia, de clima, de solos pouco férteis, de doenças-talvez entre as piores do mundo-de transportes e comunicações e até conseguiram acalmar as diversas nações do tecido angolano.Depois da chegada dos colonos, só a partir de 1920, Angola entrou em um verdadeiro regime de paz.


Os portugueses em Angola fundaram, em meio século, mais de 30 cidades, mais de 150 vilas e mais de 2000 povoações comerciais.Os colonos de Angola aglutinaram todas os povos em uma Nação Única, sob uma língua oficial.Estava consolidada a tardia “pax angolensis”, ao fim de séculos. Angola estava unificada, com as fronteiras bem definidas e com uma boa administração secundária.Os colonos só não conseguiram vencer a obsessão psicótica de Lisboa em relação ao “complexo Ipiranga”.
Em quase 500 anos de permanência em Angola os governos em Lisboa quiseram ser, sempre, os donos incontestáveis da situação, de actuação e mandos absolutos. E foram, infelizmente. Nunca abdicaram do poder, nem mesmo na infame descolonização.


Fig 10 - Uma rua de Diamantina (Brasil). A cidade foi fundada em 1713 devido ao aparecimento de diamantes. Ainda hoje mantém a traça colonial, carinhosamente preservada. As injustiças e violências que se verificaram com o garimpo de diamantes não constituíram motivo para destruições.

A UTOPIA DE UM "NOVO BRASIL" EM ÁFRICA (3)

Angola em 1974 estava estruturada como nação, mas com uma estranha anomalia: era uma nação exo-cerebral isto é o seu cérebro estava afastado do corpo: todas as decisões importantes eram tomadas em Lisboa. Isto originou uma independência exógena, ao contrário do Brasil que se "independentizou" endogenamente. Ninguém, dos que viviam permanentemente em Angola, interferiu no processo da independência, tudo foi decidido fora do país. E, pior, por indivíduos (os metropolitanos, como é óbvio) que se ligavam a Angola por comissões de serviço, com ajudas de custo,é claro. Ou,até, que nunca tinham estado em Angola. Conheciam-na só através de um atlas escolar histórico-geográfico.


Quando todos os factores impeditivos, no século 20,( clima, doenças, agricultura, pecuária, transportes e ensino) se atenuaram, quando tudo se moldou para o nascimento de uma nação, os governos da Metrópole profiram em manter, sempre, o domínio total, mesmo quando já reconheciam que tinham sido ultrapassados pela própria História. Até na descolonização quiseram ser os últimos a mandar, só largaram o ceptro do poder quando a desmoralização era total. Eram os primeiros e únicos a mandar, foram os primeiros a debandar.


Em 1947 o jornal de Nova Lisboa “A Voz do Planalto” publicou uma crónica que provocou um pequeno terramoto nas hostes colonialistas, valendo-lhe um ano de suspensão. Foi o célebre artigo “Angola a gata borralheira”. Volvidos mais de 60 anos transcrevemos a parte inicial, como homenagem ao autor F.A. cujas iniciais, até agora, não conseguimos decifrar: «Entretanto Angola já existia quando o Brasil foi descoberto, mas o seu progresso, se for posto em paralelo, não tem comparação possível. Na simplicidade deste lamento perpassa a vibração dum simbolismo amargo: Brasil e Angola, símbolo do que Portugal pode fazer e símbolo do que Portugal não pode fazer».



Fig 11 - Henrique de Carvalho, um militar que passou por Malanje em 1885, escreveu:«...assenta a vila numa elevação cuja parte superior é uma estreita faixa, na sua maior largura 400 m tendo para mais de 1 km de comprimento...».Malanje, a mais de 250 km do mar, era, em 1885, o povoado mais importante do interior.

Em 1930 os fracassos de um povoamento semelhante ao brasileiro eram já notórios. Havia que escolher outra solução, e ela estava intra-muros: os africanos produziam quase todas os géneros agrícolas e respondiam bem a todos os desafios de economia. Aceitavam com entusiasmo os valores civilizacionais do chamado Ocidente. Angola estava pacificada, bem definida territorialmente, e bem administrada em termos secundários. Portugal era, de entre todos os países colonizadores, aquele que apresentava melhores resultados em aculturação e miscigenação, pese embora o facto de episódios menos bons. Basta ler os viajantes estrangeiros do século 19 que salientam que Angola era o único território em África onde havia africanos alfabetizados. Mas o rumo não foi o racional.


Copiaram-se os esquemas belgas, bem sintetizados num célebre discurso proferido por Marcelo Caetano, então Ministro das Colónias, aos microfones do Rádio Clube de Moçambique, em 7 de Setembro de 1945 quando já perpassavam, por todo o mundo, as ideias libertárias e anti-racistas, quando o fim da guerra 39-45 apontava para outros rumos onde sobressaiam a igualdade e a liberdade:
«Num só ponto devemos ser rigorosos quanto à separação racial: no respeitante aos cruzamentos familiares ou ocasionais entre pretos e brancos, fonte de perturbações graves na vida social de europeus e indígenas e origem do grave problema do mestiçamento, grave, digo, senão sob o aspecto biológico, tão controvertido, ao menos sob o aspecto sociológico».


Uma palavra para definir o colonialismo português: mesquinhez.
Uma palavra para definir a colonização portuguesa: ilusão.
Uma palavra para definir a descolonização feita por alguns militares das Forças Armadas Portuguesas: esculhambação.


Estas três palavras são suficientes para explicarem por que não foi possível concretizar um mito que perdurou durante um século e meio: a formação de um “novo Brasil” em África.

Esta matéria é retirada do livro “ Mucandas do Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.



Luiz Chinguar - Agosto 2008




Fig 12 - O centro histórico de Ouro Preto (Brasil) considerado Património da Humanidade. A cidade foi fundada em 1698, após a descoberta de ouro (“disfarçado”, sem rutilância, coberto com uma camada de óxido de ferro). O garimpo de ouro foi extraordinário, visível na arquitectura e nas obras de arte que a cidade ostenta, orgulhosamente. Ouro Preto, no século 18, deitou por terra as teorias, em voga na Europa, de que nos trópicos não podia florescer uma civilização requintada, com pintores, escultores, escritores músicos e artistas.




Fig 13 - Vista aérea parcial de Huambo (ex-Nova Lisboa) em 1961 , antes da eclosão de um promissor desenvolvimento acicatado pelo início da guerra da independência. A cidade foi fundada em 1912 graças a um rasgo audacioso de Norton de Matos governador geral na época. Praticamente no centro de Angola, tinha tudo para ser uma metrópole: a 1700 m de altitude, micro-climas acima de 2000 m de altitude circundando-a,optimo clima, chuvas abundantes e regulares, solos razoáveis, bons se fossem melhorados com tecnologia,principal nó rodoviário, povos industriosos com imenso potencial de aprendizagem,bem servida por rios. A visão de Norton de Matos ainda hoje é patente: ruas largas, horizontes abertos. Até 1930 a cidade desenvolveu-se: um central hidroelectrica (a primeira em Angola), oficinas gerais do Caminho de Ferro de Benguela (internacional, servia as minas de Katanga e da Zâmbia), uma base aérea que depois foi extinta,uma laboratório veterinário etc, A partir de 1930 (Acto Colonial promulgado por Salazar) a cidade, como aliás toda a colónia de Angola, foi “engessada” e pouco se desenvolveu. Não fora a persistência dos colonos e o progresso teria sido zero. Era notório na cidade: muita área e pouco volume, isto é, muita vontade dos residentes,mas muita obstrução metropolitana e, portanto, pouca execução.Um pequeno pormenor: em fins da década de 60 já era viável uma conexão aérea Nova lIsboa-Lisboa: nunca foi autorizada. A guerra da independência,a partir de 1961, empurrou os governos de Lisboa a tentarem recuperar o atraso dos “malfadados trinta anos”, mas nunca no aspecto político. Não foi suficiente, apesar do muito que se recuperou. As guerras civis, a partir de 1975, que se seguiram à independência, vibraram-lhe, talvez, o último golpe. A cidade merecia melhor sorte.Tinha tudo para ser uma metrópole.Felizmente ainda está a tempo de recuperar, poucas regiões no mundo têm, na actualidade,o potencial do Planalto Central de Angola.




Fig 14 - A cidade de Londrina no Paraná (Brasil) foi fundada em 1912, tal como o Huambo. Era uma fazenda de ingleses, daí o seu nome. O governo brasileiro encarregou-os de a dividirem em lotes com áreas suficientes para agriculturas de sucesso. O solo fertilíssimo (terra roxa) atraiu imigrantes europeus que transformaram a antiga fazenda em uma bela cidade, uma pequena metrópole. Actualmente tem mais de 600 000 habitantes, duas universidades e uma intensa vida intelectual.Tudo nela respira entusiasmo, bom gosto e modernidade




Fig 15 - Saurimo (ex-Henrique de Carvalho) em 1968. Foi fundada em 1918 com o nome actual, depois mudado para Henrique de Carvalho.Única cidade na vasta região dos Lundas e Quiocos era a capital do enorme distrito da Lunda (179 863 km², duas vezes o tamanho de Portugal) no tempo colonial. A magestática Diamang, detentora exclusiva de todos os diamantes, exerceu um policiamento exacerbado sobre toda a região rica em diamantes e em água. O distrito esteve fechado aos angolanos. Até 1962 quem quizesse deslocar-se à Lunda tinha que obter um visto no “consulado”da Diamang em Luanda que esperava sempre as ordens de Lisboa. Era a cidade mais a oriente,a 780 km do mar, muito isolada e, especialmente fechada a quaisquer actividades estranhas ao monopólio dos diamantes.



sábado, 2 de agosto de 2008

TOURADA AÇORIANA !

Uma pausa para um momento de alguma descontracção

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

DO "NOSSO" COMPUTADOR "MAGALHÃES" ... À VERDADE QUE A IMPRENSA NÃO DIZ !!!!

Com a devida vénia pelo blog Zero de Conduta e da autoria de Pedro Sales, porque é imperioso ajudar a desmascarar, UMA VEZ MAIS, a propaganda e campanha de mentira a que infelizmente começamos a estar habituados diariamente a ouvir (e massacrados), sinto o dever patriótico de reproduzir a Publicidade Enganosa que, com toda a pompa e circunstância, foi debitada em casa de cada português.

Para além daquele aspecto habitual de quem não lava a cara de manhã, principalmente nestas ocasiões, José Sócrates estava feliz tal como Maria de Lurdes Rodrigues. Foi até lindo ver também a cara da nossa ministra da educação. Enternecedor, diria mesmo!

Leiam! Leiam com atenção que vale a pena.

"Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido
anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão
80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no
relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel.
"

quarta-feira, 30 de julho de 2008

AINDA BOB GELDOF ... E O OUTRO LADO (ESCONDIDO) DE LUANDA!

Bob Gedolf veio a Portugal dizer que as casas em Luanda são mais caras do que em Londres.
As autoridades angolanas ripostaram violentamente.
O DN foi saber de que fala o cantor irlandês.

Empreendimentos de luxo nascem ao lado dos musseques Indiferente à pressão dos musseques (bairros de lata) que cercam a cidade, nasce mais um prédio de luxo no centro de Luanda. Com 24 andares e 150 metros de altura, o edifício Espírito Santo custou ao grupo português liderado por Ricardo Salgado 115 milhões de euros. Tem uma zona comercial, com lojas e esplanadas, e escritórios, entre o quarto e o décimo sexto andares.
No topo, com vista privilegiada sobre a baía de Luanda, foram construídos quatro apartamentos. Para já, sabe-se que Ricardo Salgado deverá ficar com uma dessas casas cujos valores oscilam entre os 625 mil e um milhão de euros. O preço dos escritórios é ainda mais elevado: três vezes o preço do andar mais caro. Estão todos vendidos.

Apenas dois tipos de pessoas têm acesso a estes empreendimentos que proliferam pela capital angolana: os ricos, altos cargos de empresas estrangeiras, e os muito ricos, nomenclatura do MPLA e generais que subiram na vida à custa da guerra civil. A sua identidade não é segredo para ninguém.
Em Fevereiro de 2003, o jornal O Angolense publicou os nomes dos angolanos com fortunas superiores a 32 milhões de euros, num artigo intitulado 'Os nossos milionários'. A ousadia de escrever a verdade valeu aos dois editores do jornal perseguições a ameaças, segundo o que contaram ao Human Rights Watch, e o jornalista Graça Campos acabou oito meses fechado numa prisão.
Também no centro da cidade, no famoso bairro de Miramar - onde o Presidente José Eduardo dos Santos tem uma das suas residências não oficiais -, ergue-se mais uma torre imponente. Em breve, ser á ocupada pela Wayfield, holding empresas de fabrico e comércio de produtos alimentares, como a Refriango. Para os últimos andares foram projectados dois duplexes de 1.100m2 com casa de banho revestidas de pedras semi-preciosas. Um deles já tem dono: o líder do grupo, o português Luís Vicente.

Ali bem perto, em Alvalade, o bairro mais caro da cidade, onde o preço do aluguer de uma moradia não é menos do que dez mil euros por mês, vive Fernando Teles, presidente do BIC (Banco Internacional de Crédito) numa moradia com todas as comodidades, incluindo piscina. A maioria dos empresários portugueses com negócios em Angola, como Américo Amorim, prefere, no entanto, hospedar-se em hotéis ou em casas de amigos.

Luanda é demasiado perigosa e assusta muitos destes empresários, que evitam comprar uma casa e preferem a comodidade e segurança de se instalarem um hotel, contou ao DN um angolano que pediu para não ser identificado. Se comprar casa só está ao alcance de alguns, alugar também não é para todos.

A invasão de estrangeiros endinheirados numa cidade sobrelotada (Luanda foi projectada para receber 500 mil habitantes, hoje tem cinco milhões) fez com que os preços dos arrendamentos disparassem nos últimos cinco anos. Um português expatriado em Angola contou ao DN que o grosso dos engenheiros, advogados e arquitectos estrangeiros estão instalados no centro da cidade, na zona de Kinaxixi. Onde pagam em média dois mil euros por mês por um T2 num prédio com mais de 30 anos, sem elevador e com constantes infiltrações, entupimentos e falhas de energia.

Já os altos quadros de empresas estrangeiras e os angolanos milionários vivem barricados em condomínios de luxo em Luanda Sul a 17 km do centro da cidade, resguardados dos musseques que os cercam. Seguranças armados à porta 24 horas por dia, piscina nas traseiras e heliporto no quintal isolam os muito ricos do resto da paisagem decadente.
Deslocam-se nos seus, jipes e Porsches de vidros fumados indiferentes a que 80% da população da cidade não tenha energia eléctrica (segundo um estudo da UNICEF) e que 11 milhões de pessoas vivam abaixo da linha da pobreza.

Uma visita ao Google Earth é esclarecedora das assimetrias abissais. Condomínios em forma de trevo com as suas piscinas de um azul profundo destacam-se entre a imensidão do musseque que do céu parece um amontoado de lata velha. O fosso entre os muitos ricos e os muito pobres escava-se diariamente. Em breve, outro condomínio irá nascer em Luanda Sul.
Da responsabilidade do maior consórcio diamantífero de Angola, o Catoca/Endiama, as casas estão a ser comercializadas em segredo, apenas através de contactos pessoais. Ao mesmo passo a que a cólera invade os musseques e as barracas invadem a cidade, constrói-se mais um bunker para os milionários.

O luxo na baía
Na baía de Luanda os novos prédios que se erguem com vista sobre o mar são luxuosas sedes de grandes empresas corno a BP e a Exxon Mobil. A requalificação da marginal é uma iniciativa do consórcio Luanda Waterfront Corporation, do empresário português José Récio, muito próximo de José Eduardo dos Santos.
O projecto, aprovado pelo Governo em 2005, inclui a construção de parques de estacionamento, de uma nova ponte de acesso à ilha de Luanda, a criação de espaços verdes, a par da construção de hotéis e prédios de escritórios. Inicialmente, foi também aprovada a construção de uma ilha artificial (ver em cima desenho do projecto), inspirada na fanhosa Palm do Dubai.
Mas os veementes protestos de ambientalistas deram os seus frutos e, por agora, o projecto parece ter sido abandonado.
Rita Roby Gonçalves
Fonte: Diário de Notícias

EU TENHO A MINHA CARREIRA CONGELADA E ELES NÃO !!!

ALGUNS RENDIMENTOS DE GOVERNANTES

JOSÉ SÓCRATES - Primeiro-ministro
2007 – 101 638,04€
2004 – 49 837,83€ (início de funções)
– 6000€ (independente)

LUÍS AMADO - Ministro dos Negócios Estrangeiros
2007 – 103 742,64€
Mais-valias – 81 343,81€
2003 – 106 581,10€ (início de funções)

JAIME SILVA - Ministro da Agricultura e Pescas
2007 – (Não registou) ...
2006 – 102 764,20€
2004 – 82 648,24€ (início de funções)

NÃO DECLAROU RENDIMENTOS
Jaime Silva entregou a declaração de rendimentos ao TC dentro do prazo, contudo não assinalou os rendimentos do ano passado. O Ministério disse tratar-se de um lapso e garantiu que irá rectificar o documento. Segundo adiantou o gabinete do ministro, Jaime Silva auferiu no ano passado
103 740 euros.

AUGUSTO SANTOS SILVA - Ministro dos Assuntos Parlamentares
2007 – 103 742,64€
2004 – 52 424,38€ (início de funções)
– 19 600€ (independente)

TEIXEIRA DOS SANTOS - Ministro das Finanças
2007 – 103 742,64€
Mais-valias – 10 348,75€
2005 – 246 557,07€ (início de funções)
– 2100€ (independente)

SEVERIANO TEIXEIRA (Defesa)
2006 – 70 049,47 € (só tem de renovar declaração a partir de 3 de Julho - 60 dias)
– 9313,27 € (independente)
2005 – 52 586,94€ (início de funções)
– 19 202,47€ (independente)

RUI PEREIRA (Administração Interna)
2006 – 89 279,54€ (início de funções)
– (tem de renovar até 17 de Julho)
– 10 265,70€ (independente)
2005 – (juiz do TC) – 71 859,34€
– 2552,93 € (independente)

MANUEL PINHO (Economia)
2007 – 88 086,24€
2004 – 413 870,57 € (início de funções)

PEDRO SILVA PEREIRA (Presidência)
2007 – 88 086,24€
2004 – 55 570,41€ (início de funções)
– 2250€ (independente)

ALBERTO COSTA (Justiça)
2007 (?) – 88 086,24€
2006 (?) – 87 109,60€
2005 (?) – 80 460,49€
–26 161,30 (independente)
2003 (?) – 66 310,06€ (início de funções)
–30 466,76€ (independente)

NUNES CORREIA (Ambiente)
2007 (?) – 88 086,24€
– 349,86€ (independente)
2006 (?) – 87 109,68€
– 235,86€ (independente)
2005 (?) – 118 111,24€
– 229,15€ (independente)
– 250,05€ (rendimentos de capitais)
– 4165 ,33€ (mais valias)
– 476,23 (outros rendimentos)
2003 (?) –123 008,20€ (início de funções)
– 850,75€ (independente)

MÁRIO LINO (Obras Públicas)
2007 – 88 086,24 €
– 2756,89€ (rendimentos prediais)
– 11 731,38€ (pensões - Reforma da Segurança Social)
– 48 035,82 € (outros rendimentos)
2004 – 74 775,00€ (indp - início de funções)
– 1 613,77€ (rendimentos de capitais)
– 2 503,41€ (rendimentos prediais)
– 79 625,24 (pensões)

ANA JORGE (Saúde)
2007 – 89 291,57€ (início de funções)

ANTÓNIO COSTA (Ex-Adm Interna)
2006 – 87 109,60€
2005 – 78 954,22€
– 3087,00€ (rendimentos prediais)
– 251 505,00€ (1/2) (mais valias)
2003 – 78 443,09€ (início de funções)

MARIA DE LURDES RODRIGUES (Educação)
2007 (?) – 88 086,24€
2006 – 87109,60€
2005 – 80158,54€
2003 – 47 647,32 € (início de funções)
– 332,69€ (independente)

MARIANO GAGO (Ciência e Ens Superior)
2007 – 88 086,24€
– 1345,50€ (rendimentos prediais)
2006 – 87 109,60€
– 141,74€ (independente)
– 1278,94€ (rendimentos prediais)
2005 – 82 989,30€
– 876,16€ (direitos de autor)
– 1252,02€ (rendimentos prediais)
2003 – 68 363,54€ (início de funções)
– 4715,40€ (independente)

VIEIRA DA SILVA (Trabalho)
2007 – 88 086,24€
2006 – 86 665,03€
2005 – 80 552,16€
2004 – 52 424,38€ (início de funções)

JOSÉ PINTO RIBEIRO (Cultura)
2006 – 92 774,80€ (ind - início de funções)
O ministro da Cultura , além de uma vasta lista de património, declarou no Tribunal Constitucional possuir uma carteira de títulos no valor de mais de 1,5 milhões de euros

PRESIDENTE
O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe por mês 7264 euros.
Por seu lado, o primeiro-ministro, José Sócrates, recebe cerca de 5400 euros.

ENQUANTO ISSO, ... SALÁRIO MÍNIMO - 426 EUROS
O salário mínimo nacional este ano é de 426 euros.
Em média, os portugueses auferiram por mês em 2007, de acordo com o Boletim Estatístico da Segurança Social, 860 euros

terça-feira, 29 de julho de 2008

TODOS IGUAIS, TODOS DIFERENTES

Quando George Orwell descreveu em 1943/44, no Triunfo dos Porcos (Animal Farm) a revolta na Quinta "Manor", talvez estivesse a pensar já em Portugal quando o porco Benjamim referia que os sete mandamentos já não existiam e apenas havia um único:

TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS MAS
ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS
Senão vejamos alguns exemplos significativos para percebermos algumas das razões que fazem com que Portugal seja já, com Sócrates, o País mais atrasado da Europa. E depois, isto é que é irritante, eles MENTEM com todos os dentes que têm na boca

Espanha - Governo congela salários de altos cargos públicos para fazer face à crise (na Rádio Renascença).

Portugal - José Sócrates foi o governante que mais beneficiou com a política e já arrecada por ano mais 51 mil euros do que quando era deputado (no CM).

Portugal - Gestores públicos receberam 27 milhões (no Diário de Notícias)


Confira:
Espanha
Governo congela salários de altos cargos públicos.

O Primeiro-ministro espanhol, Rodrigues Zapatero, anunciou o congelamento de ordenados de todos os altos cargos da administração do Estado. A medida, para vigorar nos próximos dois anos, tem por objectivo combater a grave crise que atravessa a economia do país vizinho. O anúncio feito por Zapatero prevê o congelamento do salário do próprio Primeiro-ministro, de todos os altos cargos da administração do Estado e dos principais dirigentes das empresas públicas. A norma não se aplicará aos outros sectores da Função Pública, pois a intenção é respeitar os compromissos assumidos com os sindicatos. Rádio Renascença

domingo, 27 de julho de 2008

SERÁ APENAS INCOMPETÊNCIA?

À
DGRHE (Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação)

C/c
À Responsável pela Rede de Bibliotecas Escolares na DRELVT
ao Presidente do Conselho Executivo da Esc. Sec. Rafael Bordalo Pinheiro e
à Coordenadora Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares

Ex.mos. Srs.
Director-Geral (Dr. Jorge Sarmento Morais) e
Subdirectora-Geral dos Recursos Humanos da Educação (Dr.ª Idalete Gonçalves)


Há dias de trabalho assim. Aqueles em que tudo parecia estar a correr como o previsto – o relatório da Biblioteca/Centro de Recursos, de que sou coordenadora, entregue e terminado um pequeno vídeo/amostra das actividades que a equipa foi desenvolvendo para distribuição pelos vários elementos do Conselho Pedagógico e divulgação à escola, um "mimo" final. Eis senão quando o inesperado – um telefonema diz-me que um dos elementos da equipa (professor do Quadro de Escola) vai ter de concorrer, pois não irá ter trabalho no próximo ano. O seu nome consta de uma lista, emitida pela DGRHE a meio de Julho. Face aos dados de que dispõem sobre o número de alunos efectivamente matriculados, decidem fazer concorrer, diga-se "mandar embora", não só professores de Quadro de Zona Pedagógica, mas também professores do Quadro de Escola. Fiquei perplexa.

Rebobinei as informações recebidas no Conselho Pedagógico de 23 de Abril em que foi anunciado que, em reunião com o Ministério da Educação para distribuição da Rede Escolar, passaríamos das 38 turmas deste ano para uma previsão de 41, 42 em 2008-09.

Ora, perante estes dados, como seria possível estar a dispensar professores do Quadro? A situação parece ser simples e é sobejamente conhecida por todos nas Caldas da Rainha – a Rede Escolar definida pelo Ministério da Educação não está a ser cumprida! Logo, estarão as outras escolas a receber alunos que não são da área geográfica que lhes foi atribuída, retendo os seus processos para os seleccionarem, e só tardiamente os reencaminharem? Então, continuo a perguntar, por que razão o Ministério da Educação em vez que deixar professores "à beira de um ataque de nervos", não foi procurar saber junto dessas escolas qual era a situação? Entende-se a necessidade de rentabilizar os recursos humanos das escolas de um concelho/área geográfica, mas questiono se o "timing" será o ajustado. E, tendo em conta a experiência do que aconteceu o ano passado, é a meu ver prematuro estar agora a fazer concorrer professores do Quadro para, em Setembro, contratar outros entretanto em falta nos mesmos grupos/áreas disciplinares.

Se a minha indignação no ano passado era meramente como espectadora de uma situação que estava a acontecer, este ano senti que tinha o dever de informar de que não estão a ser rentabilizados os recursos humanos de que dispomos.

Vejamos – a Biblioteca/Centro de Recursos da minha escola, depois de vários anos com problemas na constituição de equipas, teve este ano um grupo de trabalho coeso, diversificado quanto às áreas disciplinares, e que desenvolveu um trabalho com visibilidade na escola. Foi um primeiro ano de trabalho, de uma equipa pouco experiente no domínio das Bibliotecas Escolares, mas que aceitou o desafio, obtendo muito bons resultados. Um desses elementos, o colega do Quadro de Escola que agora tem de concorrer, ficou com a árdua tarefa de ter de estudar e aprender a funcionar com o programa de catalogação digital, o Bibliobase, que ninguém na escola conhecia em profundidade. Esse programa estava comprado desde 2004 e nele estavam inseridos, quando iniciámos funções, somente cerca de 300 títulos. Chegámos ao final deste ano lectivo com 1219 títulos. Depois de conhecer o programa, este colega disponibilizou-se a dar formação (informal, gratuita) a outros colegas que ao longo do ano foram ajudando no trabalho. Após este difícil arranque inicial, e como havia muito a fazer no domínio da operacionalização da gestão dos recursos, este colega, que domina também a área informática, disponibilizou-se a construir uma aplicação informática – a que chamámos o "Biblioges" – para fazer a gestão dos cacifos, registo de requisição de postos áudio e computador, registos do serviço de fotocópias/impressões e para apuramento dos índices de frequência dos alunos na Biblioteca. O programa foi ensinado às funcionárias e entrou em funcionamento agilizando todo o procedimento estatístico, necessário à boa gestão de qualquer serviço. Foi através desta aplicação que conseguimos definir pela primeira vez na escola o "Aluno do Ano" da Biblioteca, premiado numa cerimónia ocorrida a 17 de Junho.

Para além deste trabalho, o colega ficou com a componente lectiva no Centro Novas Oportunidades, para o qual teve de receber formação, disponibilizada pelo ME.

Pergunto pois: vamos desperdiçar o "know how" de professores do Quadro de Escola, muito deles dominando áreas específicas ou pertencendo a equipas que desenvolvem trabalhos com uma abrangência temporal definida, fazendo-os sair da escola para, mais tarde, em Setembro, vir a contratar outros professores?

Estas são as perguntas, em jeito de desabafo, de uma mera coordenadora da Biblioteca/Centro de Recursos da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, em Caldas da Rainha.
16 de Julho de 2008

Noémia Cláudia Machado
PQND do grupo 300 e
Coordenadora da Biblioteca / Centro de Recursos da Esc. Sec. Rafael Bordalo Pinheiro
Caldas da Rainha

sexta-feira, 25 de julho de 2008

E AGORA?

Freitas do Amaral, ARRASA completamente o Presidente do Conselho de Justiça que pretendeu fazer um GOLPE DE ESTADO que afinal de contas lhe caiu em cima. Confirme AQUI

E agora pergunto: ficará isto por aqui?

Se for à portuguesa ... NÃO.

Há sempre um "Portugal desconhecido" à espera.

Cabe a Gilberto Madaíl dar cumprimento a este parecer caso contrário ficaríamos sem saber para quê que ele foi pedido. Para emoldurar as conspurcadas paredes da Federação?

Boavista desce de divisão (e é MUITO POUCO) e Pinto da Costa é suspenso por 2 anos (e é também MUITO POUCO) .

É pouco, muito pouco para a VERGONHA que tem CORROMPIDO o Desporto em Portugal. Mas enfim ... numa República de Bananas como esta, também não se estava à espera de melhor, não é verdade? Num país onde não há justiça ... agora imaginem se houvesse!!!

Fiquemos então à espera dos próximos pareceres de Miguel Sousa Tavares, do Manuel Serrão e do Carlos Magno. Ah ... a sapiência parda que é o Guilherme Aguiar já abriu a boca, perdendo, uma vez mais, uma belíssima oportunidade para ter ficadop calado. Como sempre, saiu asneira!! Estes SIM, estes é que percebem do assunto, não é o sr. Professor Doutor Freitas do Amaral.

Nem sei se chore, se ria. Portugal no seu melhor !!!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

LUIS DE MATOS NÃO FARIA MELHOR !!!

O país não melhora chamando profissional a um ensino sem oficinas nem laboratórios nem diplomando o analfabetismo. A Comissão Europeia tornou público mais um relatório, o quinto, sobre a distância que separa os sistemas educativos europeus do cumprimento das metas para 2010, estabelecidas pela Estratégia de Lisboa, em 2000. Como Portugal não está bem na fotografia, logo o inefável Valter Lemos se apressou a desvalorizar as constatações de Ján Figel, comissário europeu da Educação, alegando que os números não traduzem a "aceleração" dos últimos tempos.

São assim, estes governantes: se os números são bons, loas a eles; se os números são maus, toca a torcê-los. Estou farto de relatórios e dos bonzos da estatística, mas socorro-me deste para denunciar a glorificação da asneira promovida pelos pigmeus da política e para clarificar que a "aceleração" de que falam é simples manipulação de números e mistificação de resultados. Diz o relatório que, em 2007, 36 por cento dos jovens portugueses abandonaram a escola sem concluir o ensino secundário.

A média de abandono para esse nível de ensino na Europa não chega a 15 por cento e o objectivo da Estratégia de Lisboa é reduzi-lo a 10. O governo tem anunciado o sucessivo crescimento do ensino profissional como o facto que mais tem contribuído para a diminuição da taxa de abandono. É uma insistência que cansa. Recordo o que aqui já escrevi e é bem conhecido por quantos estão no terreno: o país não melhora chamando profissional a um ensino de papel e lápis, sem oficinas nem laboratórios, diminuindo exigências ao nível da fraude e diplomando o analfabetismo. Estes cursos, insidiosamente anunciados como o futuro dos nossos filhos e magicamente facilitadores duma entrada na universidade, terminarão com uma desilusão do tamanho da ilusão que vendem.

Quando daqui a anos os factos me derem razão, perceber-se-á que garantir equivalência a diplomas escolares com cursos de jogadores de futebol não passa de malabarismo rasca para manter na escola todos os que antes a abandonavam. A "aceleração" dos anos 80 gerou universidades de vão de escada e um crescimento desordenado do ensino superior, que terminou nos tribunais, nas falências, no descrédito e num desemprego de doutores que, só no reinado de Sócrates, cresceu 63 por cento. Mas não impediu, duas décadas mais tarde, a glorificação de nova asneira. Quando os factos lhes caem em cima, julgam que os políticos mudam de ideias e corrigem as políticas? Não! Eles preferem mudar os factos.

Esperemos para ver reacções mais elaboradas a uma constatação do relatório, segundo o qual a iliteracia, que a Estratégia de Lisboa queria diminuir de 20 por cento até 2010, afinal... aumentou. Disse Figel, desvalorizou Valter, que um quarto dos jovens portugueses não sabe ler ou interpretar o que lê. Naturalmente que esse é o resultado da orientação do ensino para a facilidade suprema, para a despromoção do rigor e da exigência que a ministra, secretários de Estado e gurus do eduquês têm promovido.
Disse-se que "os chumbos são um mecanismo retrógrado, antigo" e que "facilitismo é chumbar".
Disse-se aos adultos que chegou a altura de terem "a escolaridade obrigatória sem frequentar a escola" e aos jovens que podem nem sequer lá pôr os pés que não reprovam por isso.
Esperava-se que tais dislates promovessem o saber? O milagre da Matemática e a farsa dos exames nacionais foram chocantes. A facilidade de muitas provas colheu a unanimidade dos observadores. Mas a ministra diz que são meras opiniões, não sustentadas por factos.

Perguntas mal formuladas não são factos.
Perguntas a tresandar a ideologia de pacotilha não são factos.
Respostas erradas, mandadas considerar como certas, não são factos.
Glossários e formulários indigentes fornecidos aos alunos, não são factos.
Grelhas paranóicas de classificação, que reduziram a zero a autonomia dos professores, não são factos.
Facto é que os 25 por cento de analfabetos funcionais, apontados pelo comissário europeu, são antes os acelerados de Valter Lemos.
Luís de Matos não faria melhor!

Santana Castilho, professor do ensino superior

quarta-feira, 16 de julho de 2008

AO PONTO A QUE CHEGÁMOS ...

Via email, acabo de receber um documento incrível que ilustra bem ao ponto a que este Ministério da Educação fez chegar as escolas. Do Agrupamento das Marinhas, vale a pena clicar no documento para o aumentar e ler.
Para ler atentamente.
De boca fechada.
De facto, anda tudo doido, mas há uns que andam mais doidos que outros !!!!

domingo, 13 de julho de 2008

CRIANÇAS PORTUGUESAS ENTRE AS MAIS BAIXAS E GORDAS DA EUROPA

EXCESSO DE PESO NOS JOVENS É MAIOR EM PAÍSES DO SUL QUE DO NORTE

Aos 11 anos, as crianças portuguesas são "significativamente mais baixas" do que a maior parte das suas congéneres da União Europeia e também mais pesadas do que o padrão de referência para a idade.

Deste cruzamento resulta que, em conjunto com as crianças espanholas, as portuguesas são aquelas que têm um Índice de Massa Corporal mais acima da norma para a idade, segundo revela o estudo europeu Pro Children, financiado pela UE e concluído em 2007.
Em vez de 17,68 (raparigas) e de 17,48 (rapazes) dados como padrão para a sua idade, as meninas portuguesas de 11 anos subiam para os 19,1 e os rapazes para os 19,4. Dos nove países avaliados no âmbito do Pro Children - Áustria, Bélgica, Dinamarca, Islândia, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Suécia -, que em Portugal foi coordenado pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação do Porto, só o país vizinho apresenta um desvio parecido.

Mas a situação é mais grave por cá.

Com base em inquéritos enviados para as escolas e que foram entregues depois aos pais para estes responderem, entre Outubro e Dezembro de 2003, o Pro Children confirmou que o passo seguinte já fora também dado.
Dos nove países estudados, Portugal era o que apresentava uma maior prevalência de crianças que, aos 11 anos, tinham peso a mais ou já eram obesas: 30,6 por cento de rapazes e 21,6 por cento de raparigas cabiam numa daquelas duas categorias. João Breda, coordenador da Plataforma Nacional contra a Obesidade da Direcção-Geral da Saúde, frisa que a prevalência do excesso de peso entre as crianças é hoje uma característica do Sul da Europa.

"Está relacionada com a perda dos valores da alimentação tradicional de características mediterrânicas, e também com o baixo nível educacional dos pais", explica, chamando também a atenção para o facto de os países do Norte terem acordado para o problema bem mais cedo. Segundo dados da International Obesity Task Force, no Sul da Europa a prevalência da obesidade infantil situa-se entre os 20 e os 35 por cento, enquanto no Norte está entre os 10 e os 20 por cento.

Em todo o mundo, esta "epidemia do século XXI", como já foi classificada e que, segundo os especialistas, tem vindo a ultrapassar os piores prognósticos, abrangerá 155 milhões de crianças. Na Europa, a expectativa é de que o seu número (22 milhões já terão excesso de peso) aumente ao ritmo de mais 400 mil por ano.

A obesidade é já responsável por seis por cento das despesas de saúde. Em Portugal, dados da DGS situam este patamar nos 3,5 por cento: 235 milhões de euros. No futuro será pior. Um dos principais especialistas portugueses em diabetes, Davide Carvalho, prevê que, devido à obesidade crescente, em 2025 Portugal será o quatro ou quinto país com mais casos daquela doença.

Inquéritos realizados no âmbito do Pro Children mostram que em média só 17,6 por cento das crianças com 11 anos comem a quantidade recomendada pela OMS (400 gramas/dia). Portugal e a Áustria, com 265 gramas, são os que apresentam melhores resultados. O consumo de sopa é um dos grandes responsáveis por esta performance de Portugal que, no entanto, não lhe garante um lugar entre os menos obesos.
Os próximos estudos permitirão talvez apurar as razões para esta discrepância, sendo certo que não é a sopa a culpada

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DE CADA VEZ QUE ABRE A BOCA, OU MENTE, OU ... MENTE

Na linha daquilo que este ex-engenheiro pela Independente nos tem presenteado, uma vez mais, abriu a boca e saiu .. a mosca.

Promete aquilo que não é e que muito menos sabe. Fala do que não sabe mas, promete. Está-lhe na alma a MENTIRA.

Prometeu baixar o imposto de um automóvel que por si só já estava ISENTO do imposto.
São as brejeirices do sr. ex-engenheiro.

Cada cavadela cada minhoca!
Sempre do mesmo, nada a que não estejamos habituados: à MENTIRA e à PROPAGANDA.
Já agora, que baixe também o imposto de circulação dos BURROS.
Uma verdadeira medida ... à sua medida

terça-feira, 8 de julho de 2008

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES - UMA ANALOGIA INTERESSANTE

Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.).
Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos. A carreira seria dividida em duas: Médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e Médico.

A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados.

Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes.

O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc.

A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal.

Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética...

Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos 'especialistas' na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim.

A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões?

Será???!!!

Já agora... Poderiam começar a 'experiência' pela Assembleia da República e pelos(des)governantes...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

AS BALELAS DE SEMPRE

Quem ganha com o IMI

A descida das taxas de IMI, a segunda promessa feita por José Sócrates tem a forte possibilidade de vir a beneficiar poucos contribuintes. Actualmente existem duas bandas de taxas de IMI. Uma que varia entre 0,2 e 0,5 por cento e que se aplica aos prédios novos ou aos que foram transaccionados a partir de 2003; e outra que varia entre 0,4 e 0,8 por cento e que se aplica aos restantes prédios.

Dentro destas bandas cabe a cada município definir qual a taxa a aplicar. A promessa do primeiro-ministro é de que irá reduzir estas taxas, mas, mais uma vez, a medida poderá não ter grandes efeitos. Primeiro, porque actualmente a lei fiscal isenta do pagamento deste imposto todos as famílias que preencham duas condições: que tenham um rendimento anual inferior a cerca de 10 mil euros e cuja casa não tenha um valor patrimonial superior a cerca de 50 mil euros. Ou seja, por mais mexidas que se faça nas taxas, estes contribuintes não irão sentir qualquer diferença.

Depois, a lei fiscal permite ainda uma outra isenção.

As casas cujo valor patrimonial seja inferior a 157.500 euros estão isentas por seis anos e as casas que tenham um valor entre 157.500 e 236.250 euros estão isentas por um período de três anos. Mas estas isenções apenas vigoram desde 2003, ano em que foi introduzida a reforma da tributação do património pela então equipa liderada pela ministra das Finanças Manuela Ferreira leite.

Antes disso as isenções (então de Contribuição Autárquica e não de IMI) chegavam aos dez anos para as casas cujo valor não ultrapassasse os 113.492 euros.

Por lógica, os contribuintes de mais baixos rendimentos compram casas de valor mais reduzido pelo que, a grande maioria deles gozam actualmente de isenção de imposto, logo, não sentirão, no imediato, uma redução de taxas. Assim, apenas beneficiarão de uma redução de taxas os contribuintes que tendo comprado uma casa de baixo valor já saíram do período de isenção e todos os que compraram casas de valor mais elevado e, como tal, não tiveram direito a isenção.

Refira-se que, segundo números publicados pelo Jornal de Negócios, 70 por cento das casas transaccionados entre 2004 e Janeiro de 2006 não pagavam IMI, beneficiando de uma qualquer das isenções.

Mas mesmo os contribuintes sem qualquer isenção poderão não sentir qualquer alteração no imposto a pagar, a menos que a redução de taxas seja muito significativa. Isto porque como são as Câmaras Municipais a fixar as taxas, muitas delas já aplicam valores que não são o limite máximo.

E analisando os 10 concelhos mais populosos do país, verifica-se que apenas três – Vila Nova de Gaia; Porto e Cascais - aplicam as duas taxas máximas (0,8 e 0,5 por cento). Lisboa, por exemplo, aplica uma taxa de 0,7 e 0,4 por cento.

Logo, se o Governo vier a descer os limites máximos para 0,7 e 0,4 por cento, os munícipes de Lisboa não notarão qualquer alteração.

O PACOTE DE DEDUÇÕES NULAS DO EX-ENGENHEIRO SÓCRATES


Deduções sem impacto

A consulta das estatísticas de IRS de 2006 e a forma como está redigida a lei fiscal permitem verificar, no entanto, que o aumento que vier a ser concretizado não terá resultados práticos significativos. Por um lado porque, segundo as estatísticas de IRS, em média, as famílias com rendimentos anuais brutos mais baixos já não pagam IRS.

Os dados deste imposto referentes a 2006 (os últimos disponíveis) mostram que uma família com rendimento bruto até 5.000 euros (pouco mais de 357 euros mensais considerando 14 salários) pagou pouco mais de 15 euros de imposto. Ou seja, mesmo que o aumento das deduções venha a fazer-se sentir nestas famílias, a poupança nunca ultrapassará este valor anual. No escalão seguinte (entre 5.000 e 10.000 euros) a poupança seria de apenas 49 euros. E mesmo no terceiro escalão, que vai até aos 13.500 euros (pouco mais de 964 euros mensais de salário bruto) a poupança apenas seria 176,34 euros anuais, cerca de 14 euros por mês.

Nestes três escalões, ainda segundo as mesmas estatísticas, encontram-se 2,5 milhões de agregados (ou famílias) de um total de pouco mais de 4,3 milhões de agregados que entregaram a sua declaração de rendimentos naquele ano.

Acontece que, ainda segundo as mesmas estatísticas, apenas pouco mais de um milhão de famílias utilizou esta dedução em 2006, tendo deduzido um montante de 447 milhões de euros. Ou seja, mesmo que este milhão de famílias estivesse dentro destes três escalões, a poupança que obteria com o aumento das deduções nunca ultrapassaria os 14 euros mensais. Mas não são apenas as estatísticas que indiciam que o aumento das deduções terá pouco efeito prático, especialmente sobre os contribuintes de menores rendimentos.

A forma como a lei fiscal está feita permite que sejam as famílias de maiores rendimentos a poderem deduzir mais despesas ao seu rendimento bruto. Isto porque a lógica da dedução é a de que o contribuinte vá deduzindo ao seu rendimento bruto várias despesas até ao momento em que já não tenha imposto a pagar ao Estado.

Acontece que no Código do IRS estão previstas nove categorias de despesa que podem ser deduzidas e se, por exemplo, se chegar à terceira categoria e já não haja imposto a pagar, então, as restantes já não se deduzem.
Ora, as despesas com encargos com a habitação, são a quinta categoria a deduzir, ficando atrás das despesas de saúde, de educação, entre outras. Ou seja, o aumento desta parcela pouco efeito terá para os contribuintes de menor rendimento.

sábado, 5 de julho de 2008

PALHAÇADA À MODA DO PORTO

Só nos podemos rir quando somos confrontados com este tipo de notícias, próprias de um mundo do futebol que nos tem habituado a uma corrupção continuada e a viver na maior promiscuidade com toda a impunidade do mundo.
Gonçalves Pereira queria fazer "um golpe de estado" e levou com ele em cima. No Zimbabwe, com o Mugabe, é que ele estava bem. Nem era preciso ter feito a tal reunião.

E é este circo uma "instituição de utilidade pública". FRANCAMENTE!

A MÁFIA em Itália? Até dá vontade de rir. Têm muito que aprender em Portugal. Comparados com os portugueses, não passam de meros e reles aprendizes A Máfia italiana em Portugal, não passa de um grupo de meninos de coro.

(Para a ouvir, desligue primeiro a Rádio Cotonete do Bolg)

PORREIRO, PÁ ... JÁ SOMOS TODOS BONS A MATEMÁTICA

De repente ... de um ano para o outro ... somos um país de matemáticos.

Assim SIM, vale a pena termos orgulho em sermos portugueses.

2+2=4 ... pois claro
Sendo a aprendizagem um processo gradual e contínuo, este Ministério consegue o milagre das notas.

"Rapidamente e em força", de um momento para o outro, a taxa de reprovação baixou de 18% para 7%. A média obtida foi de 14 valores, 3,4 valores acima do que se verificou em 2007, ano em que pela primeira vez a média obtida por estes alunos foi superior a dez valores. VALENTE!

Já tinhamos o milagre das rosas, agora conhecemos o milagre da ministra da avaliação.

"São boas notas, meu senhor".

Só falta aprender a fazer melhor as cruzinhas nos exames de português !! ehehehe

E daqui a uns anos vamos ver quem governa este país!!

Consulte aqui o quadro de exames nacionais

sexta-feira, 4 de julho de 2008

APRENDER (E SABER) PORTUGUÊS COM CRUZINHAS

AQUI tinha feito esta denúncia:

"Uma prova que pouco mais exigia que fazer algumas cruzinhas nas perguntas de escolha múltipla. Uma prova de PORTUGUÊS onde poucas vezes se pedia para ESCREVER"

Deste vez, e uma vez mais, surge mais uma voz importante na denúncia desta enorme mentira que são os exames e cada vez mais o "ensino" em Portugal - Mª Filomena Mónica. Vale a pena ler o seu artigo hoje pulicado no Jornal Público a este respeito.

O Ministério da Educação, na sua política autista e incompetente, não olha a meios para atingir fins estatísticos para propaganda barata. Razão tinha Scolari: "E o burro sou eu?"

quinta-feira, 3 de julho de 2008

SALÁRIOS PORTUGUESES FORAM OS QUE MAIS CAÍRAM


Os salários reais dos trabalhadores portugueses desvalorizaram em 2006, 2,6%, naquela que foi a maior queda nos países que compõem a OCDE. O mais grave é que os salários em Portugal são menos de metade dos restantes países da OCDE e da Zona Euro

Se considerarmos a média do salário do trabalhador português chegamos a um valor de 11.616 euros (18.455 dólares) em 2006, ano a que se reporta o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. A média dos salários anuais dos países integrantes da OCDE situa-se nos 39.743 dólares enquanto na Zona Euro essa média salarial anual desce para 38.759 dólares. Abaixo de Portugal apenas se contabilizam quatro países.

Hungria, a República Checa, a Polónia e a Eslováquia, apresentam salários médios anuais mais baixos, sendo que a Eslováquia por exemplo, se queda nos 8.675 dólares. Vencedor do ranking salarial é a Suíça onde em média um trabalhador consegue levar para casa anualmente 60.385 dólares.

No Luxemburgo, onde muitos portugueses se encontram a trabalhar em busca de uma vida melhor e a Dinamarca ocupam os lugares cimeiros com vencimentos médios de 59 e 56 mil dólares anuais.

Nos Estados Unidos da América, o trabalhador leva anualmente em média para casa a quantia de 47.688 dólares, o que constitui duas vez e meia o salário médio de um trabalhador português. Nas quedas dos salários reais Portugal apenas foi acompanhado pela Espanha, Alemanha, Itália e Holanda que, à semelhança da terra lusa viram os seus salários anuais médios reais descerem no ano de 2006.

Visto o salário médio anual auferido em Portugal, em 2006, mas medido em paridades de poder de compra, os dados da OCDE mostram que os vencimentos se quedam 44,9% abaixo da média dos países que integram a organização.

Tendo em conta o nível de vida nos diversos países, Portugal apresenta um índice de 55,1, acima dos 46,4 sem este factor, sendo que 100 é a média dos salários da OCDE.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

ENERGIA EÓLICA: MEGAWATTS OU NEGAWATTS

No passado fim de semana estive no Caramulo onde, um amigo residente me convidou a visitar um miradouro para desfrutar de uma paisagem que seria ímpar não fosse, de facto, ver uma enorme área pejada de turbinas eólicas que transformavam uma natureza selvagem num verdadeiro PALITEIRO, tantas eram as turbinas espalhadas pela paisagem. É verdade, à minha frente estava um parque eólico que adulterava a paisagem transformando-a, EXACTAMENTE, num verdadeiro PALITEIRO . Uma vez mais, e na sequência daquilo que tanto me afrontou na altura e afronta, não posso deixar de agradecer o valioso e prestimoso contributo do Engenheiro Luiz Teixeira, a este blog e à causa da energia, que de seguida reproduzo:

"Nos últimos dias de Maio o entusiasmo alastrou-se por todo o país, mesmo antes de ter começado mais um Europeu de Futebol. Desta vez não foi o futebol que causou tanto alvoroço; foi a venda de acções da EDP-Energias Renováveis. Claro que a maioria dos portugueses acha que energias renováveis dizem respeito, apenas, às turbinas eólicas e aos painéis solares. Na prática as barragens (grandes produtoras de energia eléctrica constante e duradoura) também estão incluídas nas energias renováveis nas quais detêm sempre a maior participação em termos de potência e produção contínua.
Apesar de haver uma má vontade contra estas indiscutíveis e, por enquanto, insubstituíveis, fontes de electricidade.

Fig 2 -Um parque eólico trabalhando com “vento de projecto” ( Velocidade do vento de 13 a 20 m/s ou 46 a 72 km/h). Na escala de Beaufort à velocidade maior do que de 13 m/s os galhos das árvores oscilam fortemente, as bandeiras ficam desfraldadas, as pás das turbinas não se vêm, o vento “uiva” através das frinchas das janelas).
Abordaremos a seguir apenas a energia produzida pelo vento.
Desde tempos imemoriais que o homem transforma a energia do vento em outras energias especialmente em mecânica. Basta dizer-se que o vento, até à descoberta da máquina a vapor, era o único meio de propulsão na água, quando não era utilizada a energia muscular, esta as mais das vezes obtida através da escravatura.
O vento é gratuito e não provoca danos ambientais; mas é difícil de converter, é volátil, exige grandes áreas de conversão, as estruturas destacam-se pelo gigantismo, em suma é muito fraca a sua densidade energética, imprevisível o seu sopro. Há cerca de 15 anos, quando se começaram a notar os primeiros sintomas da depleção mundial do petróleo, muitos interesses se voltaram para a velha conversão do vento em outras energias. Até então, os velhos “moinhos de vento” estavam, em grande número, abandonados, substituídos por pequenos geradores movidos a gasolina ou gasóleo.

A energia do vento é intermitente e inconstante: muda de direcção e velocidade em poucos segundos, não se podem estabelecer tempos ou direcções. A energia eléctrica, produzida por uma turbina eólica, não pode ser injectada numa rede de macro-energia devido à sua volatilidade. Na verdade passa-se de uma potência para outra em poucos segundos, o que é altamente danoso para um complexo sistema eléctrico. Uma turbina hidráulica, por exemplo, trabalha com queda e caudal constantes e com um coeficiente de permanência superior a 90 %, o que não sucede com as turbinas eólicas. Ao contrário da eólica, a energia hidroeléctrica é altamente confiável.
A potência teórica de uma turbina eólica,utilizando a fórmula de Janet Ramage (Guia da Energia) é:

P=(D2x V3)/2000

sendo P a potência em kW, D o diâmetro em m da área de recepção do vento (ou seja as pás correspondem a metade do diâmetro D), V a velocidade do vento em m/s.
Por esta fórmula a potência obtida depende de duas variáveis: o vento, intermitente e de velocidades inconstantes e o diâmetro que tem que ser de grandes dimensões. Como se não pode mexer com o vento, só há um caminho: aumentar o diâmetro ou seja o comprimento das pás.

É por isto que as turbinas eólicas padecem de gigantismo. As pás têm vindo, de ano para ano, a aumentar de tamanho, de modo a obter-se uma área de recepção que possa aumentar a potência, uma vez que o vento não pode ser modificado.

Fig 3 -A gravura dá para se perceber o gigantismo das estruturas eólicas.

A única alternativa para melhorar a velocidade do vento é aumentando a altura das torres, agravando, ainda mais, o gigantismo. Já há pás em funcionamento com 45 m de comprimento, superiores às asas da maior parte dos aviões. Isto cria enormes problemas de construção, manutenção e avarias. Está em fase experimental uma turbina de 6 MW cujas pás têm o comprimento de 126 m criando problemas futuros de manutenção e de economia de escalas.
Mas as maiores limitações dizem respeito ao vento.As maiores potências obtêm-se com a velocidade do vento acima de 13 m/s (47 km/h), mas, a partir deste valor, a potência passa a ser constante (limite de Betz ou rendimento máximo de 60%).

Fig 4-Um pequeno vale encaixado inundado por eólicas

Por outro lado só se pode contar com ventos de projecto (acima de 10 m/s) em torno de 90 dias no ano, e em flagrante descontinuidade. A velocidade do vento acima de 60 km/h é perigosa para a estrutura, por tal motivo as hélices ficam, automaticamente, em bandeira, deixando de funcionar. É muito estreita a área de optimização.

A energia eólica apresenta as seguintes vantagens:
- combustível gratuito;
- não polui o ar, águas ou solos;
gera muitos empregos temporários, durante a construção;
- garante empregos fixos durante a operação, manutenções e avarias. Estamos a considerar o critério social, antagónico ao critério económico, modernamente gerador de desempregos em grande escala. Pelos modernos ditames da actual economia predadora, quanto menos empregos, melhor!

As desvantagens são:
- Ddescaracterização da paisagem; muitos ambientalistas chamam-lhe um “estupro da paisagem”. - as turbinas são instaladas em calotas de relevo, ou em vales encaixados, precisamente áreas pouco visitadas, onde ainda estão preservadas algumas condições naturais; quebram-se os últimos resquícios de beleza e tranquilidade, não tem interesse fotografar as paisagens pejadas de “ventoinhas”, ou “avantesmas” como lhes chamou um conhecido cronista;
- ruído que, a ser atenuado, obriga à instalação de painéis acústicos, mais uma agressão ambiental;
- volátil, imprevisível e de baixa densidade energética,ou seja a implantação abrange áreas imensas;
- interfere no voo de morcegos, aves e insectos e, portanto, na polinização e na reprodução. - funcionamento muito limitado à velocidade do vento: leque entre 10 e 50 km/h; este último verifica-se, regra geral em 90 dias no ano mas em descontinuidade;
- grande exposição aos incêndios florestais;
- maquinaria sofisticada, muito dispersa volumosa e pesada, necessitando de um grande corpo técnico e um dispendioso parque de máquinas pesadas (camiões-plataforma, tractores pesados, gruas e guindastes);
- abertura de muitas estradas secundárias “roubando” a privacidade dos baldios naturais.
- a ACV (Análise do Ciclo de Vida) de uma eólica é negativa, se nos cingirmos aos combustíveis fósseis que serão necessários para a sua construção, operação, manutenção e posterior desmantelamento. Por exemplo, as fundações das torres consomem betão armado em quantidades pantagruélicas, abrem-se quilómetros de estradas, com piso adequado para as máquinas pesadas. A rede rodoviária fica um autêntico Dédalo.

Fig 5 -Isto é uma pá de um conjunto de três. Será que é viável manter milhares de estruturas gigantes como esta?

A operação exige um grande corpo técnico e viaturas e máquinas de elevação de grande porte. A parte ambiental na ACV reúne condições pouco atractivas.

Quanto maior o parque eólico maior será o número de turbinas em manutenção ou avariadas. Um aspecto positivo é o de proporcionar muitos empregos, como já frisámos atrás.
Na fase final de desmantelamento as despesas ainda serão maiores. Para o desmonte final serão necessárias as mesmas máquinas gigantes que ajudaram à construção. A energia eólica alivia a atmosfera de C02, mas consome combustíveis fósseis durante a a sua existência.

Qual o saldo final?

Chega-se ao paradoxo de, em qualquer avaria, a energia eléctrica, necessária para os consertos, ser fornecida por um motor a gasóleo, porque pode não haver vento.
Uma das maneiras de aproveitar a energia eólica, que não pode entrar na rede geral dada a sua intermitência, é carregando baterias. Mas estas têm inconvenientes: tecnologia do século 19, são grandes, muito pesadas, contêm cádmio, chumbo e ácido sulfúrico, o que as torna perigosas no manuseio.
Toda a potência eólica instalada, se estiver ligada a uma rede geral, precisa de uma fonte de energia de substituição, que seja mobilizável rapidamente,e de potência mais ou menos equivalente. Na Dinamarca a energia nuclear da Suécia socorre a energia eólica quando é necessário.

Um parque eólico é interessante quando em conjunção com uma barragem, constituindo uma reversão energética. A energia cinética do vento é convertida em energia potencial hidráulica. Por outras palavras: toda a energia das eólicas, seja grande ou pequena, é “canalizada” para bombas especiais (que trabalham com um leque muito diversificado de potências) que restituem, para as albufeiras, ou para lagos artificiais a grandes alturas,uma pequena parte dos caudais que saem pelas turbinas hidráulicas. É uma forma mitigada de “armazenamento de energia”, com grandes perdas, como é óbvio. E, por paradoxo, é uma maneira de fazer com que “umas águas voltem a passar de novo debaixo de uma ponte”.

Estava prevista uma reversão para a barragem de Foz Coa. Esta barragem era uma boa reserva técnica de água. Era uma feliz combinação elo-hidráulica, que foi, ironicamente, substituída por uma reversão a favor da arqueologia. Agora, quando o barril de petróleo se aproxima dos 200 dólares, vão-se construir, a toque de caixa, 10 barragens em Portugal, ultrapassada que foi a psicose contra as barragens.Tenciona-se, agora, fazer-se reversões nestas barragens, para aproveitar os numerosos parques eólicos “que nasceram como cogumelos depois de uma invernada” De negativo, também, o facto de serem grandes as distâncias entre os diferentes parques eólicos, originando custos elevados de transportação. Recordamos aqui a recente polémica em torno do custo dos cabos substitutivos das linhas de alta tensão que passavam sobre habitações.

Um parque eólico, próximo de uma barragem, beneficia das estruturas de apoio desta , como sejam os bons acessos, já construídos, o pessoal (fixo, de “carreira”) a energia eléctrica constante, e os estaleiros que sempre rodeiam os aproveitamentos hidroeléctricos.
É pertinente transcrever uma interrogação, formulada por John Howard Kunstler no seu “best seller “O Fim do Petróleo”: «Que acontece se não houver por trás o fantástico apoio tecnológico da economia baseada no petróleo?». "

Luiz Teixeira
Engenheiro civil