BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
__________________________________________________________________

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NEXTTRAVEL - UM CLUBE DE FÉRIAS POUCO CREDÍVEL

É importante que toda a gente saiba de que empresa estou a falar para que não caiam no mesmo engano em que familiares meus, e directos, caíram e se viram na obrigação e necessidade de colocar a empresa em tribunal. Esta empresa a que me refiro é a

NEXTRAVEL (GLOBAL EXPERIENCE)
Rua Castilho, Edifício Castil, nº 39-10ºB
1250-068 LISBOA

No dia 06.08.2008, em vésperas de irem de férias para o Brasil já com passagens pagas por eles próprios e marcadas meses antes por outra agência, assinaram aquilo a que a NextTravel pomposamente chama contrato prestige. No regresso de férias, procuraram inteirar-se melhor da identidade da NextTravel uma vez que até ao momento nada tinham recebido por correio, ao contrário do prometido e da brevidade, para além de dois duplicados em papel amarelo do contrato com letra cinzenta minuscula (tamanho 6), uma folha de boas vindas, uma fotocópia de parabéns com indicação de possíveis destinos em 15 anos e de um recibo provisório dos cinquenta euros pagos entretanto. Nada mais.
Receberam sim, por correio, com a devida brevidade, apenas um plano de pagamentos de 48 mensalidades enviado pela CrediBom

Informaram-nos que estavam ligados à Novo Mundo, e que, por via disso, conseguiam preços muito mais acessíveis que com qualquer outro clube ou agência de viagens. Acontece que, depois de chegarem do Brasil, verificaram que a Novo Mundo já não existe há 2 (dois) anos. Ficaram imediatamente ALERTA e desconfiados porque entenderam essa informação como de má fé.

Acontece que já quando souberam dessa deslocação ao Brasil, lhes tinha sido feita a oferta de um hotel, em transito, em Lisboa. Ficava-lhes bem!
Contudo, falharam redondamente porque se “esqueceram” de tratar de TUDO o prometido. Esperaram até à véspera (sexta-feira) e telefonaram, por falta do contacto esperado, para recordar essa oferta para sábado. Disseram-lhes que não era fácil, nesse dia, os escritórios contactarem o hotel.
IMAGINEM só esta resposta!!!

Estranharam desde logo, mas já estavam quase de partida para o Brasil. Foi logo um mau começo e uma péssima imagem.
Mas o melhor ainda estava para vir.

Verificaram ainda que o contrato refere que, “só estão reunidas condições de utilização plena do cartão NextTravel aquando do pagamento de 35% do valor total do contrato” situação essa, que não só lhes foi omitida como ainda lhes foi referido que poderiam desde logo usufruir de todas as vantagens como associados no dia imediato.

Foi-lhes também dito que teriam 30 (trinta) dias para resolver o contrato no caso de repensarem melhor e o pretenderem anular e, por isso, a deslocação ao Brasil foi feita, ainda assim, com alguma despreocupação. Acontece que acabados de chegar, verificaram após algumas chamadas telefónicas para o escritório da NextTravel, e na sequência das outras constatações já referidas que, em letras minúsculas apenas perceptíveis com a ajuda de uma lupa, o que está lá escrito, no final do verso do contrato de cor amarela e com letra cinzenta, assinado numa sala de pouca luz e na sequência de várias assinaturas seguidas, são 14 (catorze) dias.

Ora, ultrapassados os 14 dias em que os privaram da documentação prometida na altura, como por exemplo, catálogos, preçários, protocolos e outros que lhes possibilitaria poderem estudar e reflectir melhor sobre a aceitação/resolução do contrato, com este atraso claro e ainda não esclarecido, que em nada correspondem aos 30 dias que foram de facto a referência transmitida, fizeram com que fosse impossível esses meus familiares terem uma ideia clara e uma reflexão possível, apenas com o intuito claro de deixar passar o tempo e assim não ser possível resolver o tal contrato cujas indicações dadas não correspondiam em grande parte e no essencial ao que estava escrito em letra minúscula no verso do contrato.

E para que as coisas fossem todas bem feitas, até o site da empresa www.nexttravel.pt continua permanentemente em remodelação apesar de prometerem ser breves. O costume!


É GRAVE esta falta de verdade. MUITO GRAVE mesmo. E revolta muito mais a forma ardilosa como a empresa procurou OBRIGAR ao cumprimento de um contrato sem terem a possibilidade que a lei confere de, com lisura, seriedade e serenidade o resolverem se nessa reflexão chegassem a essa conclusão.

Isto é um ALERTA a todos os incautos ou simplesmente gente boa que confia nos outros, como era o caso desses meus familiares.
Fixem bem e tenham muita ATENÇÃO: NEXTTRAVEL
.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A UTOPIA DE UM "NOVO BRASIL" EM ÁFRICA (1)

Esta matéria é retirada do livro “Mucandas do Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo, numa presiosa colaboração, uma vez mais, do engenheiro "Luiz Chinguar" (Agosto de 2008)


A UTOPIA DE UM “NOVO BRASIL” EM ÁFRICA


Sob o aspecto de colonização europeia por que quase tudo no Brasil deu certo? Por que quase tudo em Angola deu errado? As respostas a estas conjecturas podem filiar-se em vários factores.


Factores antigos: geográfico, litoral, climático, económico, orográfico, hidrográfico, geológico, demográfico, de transportes e políticos.


Factores modernos: agrícola, pecuário, de transportes, climático, geopolítico e centralismo metropolitano obsessivo e absoluto.


Factor geográfico – Embora Angola tenha sido reconhecida e cartografada(1482), antes do Brasil, não despertou, inicialmente, qualquer interesse à Coroa Portuguesa. As frotas da Índia, quando passavam por Angola, apenas faziam aguadas na foz dos rios e tinham alguns contactos com os povos ribeirinhos. Mas o destino estava fixado: as Índias.
Com a “descoberta” do Brasil(1500) descobriu-se, também, que a melhor rota de navegação para a Índia era através do Brasil, de acordo com a feição dos ventos e correntes marítimas. Com isto, mesmo os barcos mais bem aparelhados e aprovisionados, com destino fixo para Angola, passavam primeiro pelo Brasil, as sobras iam para África.


Como notou Gago Coutinho «A importância da ponta nordeste do Brasil na latitude de 5 graus- O Cabo de São Roque- não foi notada nem pelos cronistas, nem por autores de agora. Ignoravam os riscos das naus, ao tentarem montá-lo à vela. Pois são-lhe impostos tanto o sueste, vento dominante do Atlântico Sul, como ainda a forte corrente Equatorial para Poente. Era necessário cortarem o Equador pelo meridiano das ilhas de Cabo Verde, como lemos nos roteiros. Mas este detalhe não foi adivinhado, e até Colombo o ignorou. Ademais, hoje já sabemos que as travessias atlânticas à vela obedecem a mãos, como as ruas: o que não fora adivinhado. Não havia lá sinais nem sinaleiros. No Norte a mão é pela esquerda e, no Atlântico Sul, pela direita. Ambas eram “segredo de D.João II” e os pilotos faziam caixinhas. Com eles aprendeu Colombo, mas não foi contar para Espanha. E tanto que das suas caravelas, duas já levaram velas quadrangulares, as próprias para ventos favoráveis. Foi às Antilhas pelo Sul, e regressou pelos Açores. Sempre pela esquerda».

Fig 1 – A corrente fria de Benguela e a corrente quente do Brasil formam “um rodísio”muito aproveitado no tempo dos barcos à vela. Isto criou uma relação profunda entre as duas colónias.

Angola “encaixa” no Brasil entre as latitudes de 5º Sul ( Cabinda/ Galinhas no Rio Grande do Norte) a 17º Sul (Foz do Cunene/Porto Seguro). No Brasil existem, neste desenvolvimento de costa, mais de 60 cidades litorâneas e mais de 100 cidades a menos de 50 km do mar. Em Angola existem 14 cidades litorâneas e 3 a menos de 50 km do mar.


Factor litoral – O Brasil tem uma área de 8 547 403 km² e um recorte litoral de mais de 8 000 km. Angola tem 1 246 700 km² e um recorte litoral de 1 650 km. O Brasil é cerca de 7 vezes o tamanho de Angola que, mesmo assim, abrange, em área, os estados de Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Os navegadores portugueses pisaram terras angolanas, pela primeira vez, em 1482 e chegaram ao Brasil dezoito anos depois, em 1500. A costa angolana é semi-árida, de feição desértica, com vegetação xerófila (predominância de embondeiros, espinheiras e eufórbias ou “cactos candelabros”). Não apresenta nascentes de água, a que existe é trazida pelos rios vindos dos planaltos, ou em lagoas originadas pela chuvas. Estas são escassas e irregulares na orla marítima (350 mm anuais) e são fartas nos planaltos (1200 mm anuais). A costa apresenta falésias, com alturas chegando aos 100 metros, muito erosionadas pelas chuvas e pelos ventos. A costa brasileira é verdejante, com uma flora exuberante a que não faltam frutos silvestres e uma fauna variada, com milhares de nascentes provenientes das chuvas regulares que ali ocorrem. É um contraste bem marcante.


O litoral brasileiro, embora não tenha um grande recorte, se o compararmos com a costa leste dos Estados Unidos, é mais bem servido de baías e ancoradouros naturais do que Angola, um factor importante nos tempo de barcos à vela que, como é óbvio, teriam que ficar bem resguardados das ondas, dos ventos, de tempestades e das esquadras inimigas.
A costa de Angola não tem uma única baía natural, isto é, que seja de origem tectónica (proveniente de movimentos da crusta terrestre, ao longo de milhões de anos). As baías onde foram construídos portos marítimos (Luanda, Lobito e Moçâmedes) foram originadas por cordões litorais (restingas)constituídos por areias trazidas pelos rios ou provenientes de erosões costeiras. A baía mais notável é a Baía dos Tigres que era um cordão litoral, com 30 km de extensão, originado pelas areias carreadas pelo rio Cunene cuja foz se situa 30 km ao Sul. Dizemos era porque a língua de areia transformou-se em uma ilha, separada de terra em mais de 2 km. A melhor baía de Angola foi tragada pelo mar. A costa angolana ficou mais lisa.


Fig 2 – Angola “encaixa” no Brasil do Ceará até ao sul da Baía.




Fig 3- A costa de Angola é lisa, com “baías” muito modestas..


A costa brasileira tem boas e grandes baías naturais com relevância para A Baía de Marajó (Belém), a Baía de S.Marcos (S.Luiz), a Baía de Todos os Santos (Salvador), Baía da Guanabara (Rio de Janeiro), Baía da Paranaguá, ilha de Santa Catarina(Florianópolis), e Laguna dos Patos (Porto Alegre).
As “baías” de Angola, ou restingas, são Luanda, Lobito e Namibe. Baía dos Tigres perdeu a ligação umbilical ao continente, é hoje uma ilha, como já foi dito. No Ambriz há uma lagoa natural (Gango)que comunica com o mar através de um canal.São condições naturais que podem transformar, artificialmente, o Ambriz no melhor porto marítimo da costa ocidental de África.
Factor climático – No litoral brasileiro, regra geral, as temperaturas divergem com a humidade atmosférica, ou seja, quando a temperatura aumenta diminui a humidade, caracterizando um tempo quente e seco. Quando a humidade aumenta chove abundantemente, baixando a temperatura. Em Angola, no litoral, a temperatura e a humidade são concordantes, provocando um certo desconforto, e chove pouco. Nas regiões quentes e húmidas há uma pesada carga patológica em cima de homens, animais e plantas. A evaporação é pequena, criando um clima propício à proliferação de bactérias e de mosquitos. Por isso o litoral de Angola era um cadinho de doenças desconhecidas.


A morte ceifava, abruptamente, os poucos europeus que ali desembarcavam. E ninguém conseguia explicar o porquê das diferenças entre o litoral brasileiro e o litoral angolano. Em Angola proliferavam, em primeiro plano, a malária, a febre amarela e a doença do sono. Em todos os relatos antigos sobre Angola as doenças são sempre mencionadas, ocupam a maior parte dos escritos. Nos relatos sobre o Brasil raramente são mencionadas as doenças. Os partos de mulheres europeias em Angola quase sempre tinham um desfecho trágico, mãe e filho morriam. Só nos anos vinte do século 20 é que os nascimentos de europeus em Angola deixaram de ser motivo de preocupações.


Uma característica da colonização belga, na actual República Democrática do Congo, era a de que quase todos os nascimentos dos europeus se realizavam na Bélgica, sob o temor de que o parto fosse trágico. O governo belga pagava todas as despesas. O que não sucedia em Angola, só os comissionados é que usufruíam do privilégio dos partos na Metrópole.Por isto, nos primeiros tempos até cerca de 1920, os “colonos”tinham medo de levar as mulheres para Angola.


Factor económico – A riqueza portuguesa, sem necessidade de escravatura, pelo menos na sua forma mais repugnante, proveio da Índia (Goa, Damão e Diu) até meados do século 16. Depois, fluxos imigratórios constantes (o que não sucedeu com a Índia) transformaram o Brasil, rapidamente, de feitoria em colónia de povoamento, cujas traves mestras eram a cana de açúcar e o gado bovino. Em fins do século 17 a mineração foi um catalisador que acelerou o processo do povoamento do Brasil, porque passou a circular riqueza entre os humildes. Angola não atraía colonos, embora oferecesse condições para a cultura da cana sacarina em toda a orla marítima, mas só na foz dos rios. O interior era indevassável.


Por que se não desenvolveu uma cultura açucareira em Angola, dispondo-se de mão de obra abundante (Angola era mais povoada do que o Brasil)? Por que Paulo Dias de Novais não conseguiu imitar os seus “colegas” capitães donatários do Brasil, fundando uma colónia próspera?


O factor litoral , onde chove irregularmente, o factor da falta de capital e o factor doenças foram causas importantes, para a ausência da agricultura da cana, mas o factor humano foi o mais importante. Uma agricultura escravista no próprio solo dos escravos era, literalmente, impossível. Os escravos estariam sob vigilância redobrada, as fugas seriam constantes, como constantes seriam as rebeliões. As recapturas seriam impossíveis. Os escravos “jogavam em casa”. Os “capitães do mato”, que no Brasil capturavam escravos fugitivos,a cavalo, em Angola passariam a ser caça. Os cavalos em Angola morriam, sistematicamente, os capitães do mato teriam que “correr pelos matos”.


Seria uma agricultura sempre em “pé de guerra”. Parece que houve tentativas de agricultura, antes do século 19, cujos fracassos confirmam estas nossas suposições. As chuvas no litoral angolano são escassas e erosivas. Uma cultura de cana teria que ser irrigada, inviável em épocas antigas. Pelo contrário, no litoral brasileiro as chuvas são regulares e os solos (massapé na Baía e Pernambuco) são fertilíssimos. O outro pilar da economia brasileira –o gado bovino- não era viável em Angola. As doenças atacavam todos os gados,o bovino, o cavalar, o asinino e o porcino inviabilizando a agricultura, a pecuária e os transportes. O gado no Brasil dá-se muito bem, as manadas têm altos índices de crescimento. Em Angola, a morte era uma constante.


Nada sobrou para Angola, nenhuma atracção exerceu sobre os colonos portugueses e outros europeus, se atentarmos na breve ocupação holandesa de Luanda e Benguela de 1641 a 1648. A ocupação dos holandeses foi, totalmente, militar e estratégica. Não se instalou um único colono holandês; ele não duraria mais de um ano, como sucedeu em S.Tomé. A posse holandesa de Angola destinou-se, fundamentalmente, à arregimentação de escravos. Economicamente Angola viu-se reduzida a um zero absoluto porque a escravatura não se pode considerar um meio de produção e, muito menos, de comércio. O tráfico da escravatura não era, nem poderia ser, um factor de desenvolvimento. Antes pelo contrário, é uma fonte de conflitos e ódios.


Factor orográfico– As subidas para os planaltos interiores, a mais de 1500 m de altitude, eram difíceis e longas. Chegavam a constituir verdadeiras epopeias. No inverno seco (Maio a Setembro) a ausência de água, na escarpa de transição, era uma constante; no verão (Outubro a Abril) as chuvas diluvianas traziam alagamentos e doenças. Os rios, muito caudalosos e velozes, eram difíceis de transpor.Mesmo em pleno século 20, com todos os meios aerofotogramétricos, o “ataque” à escarpa, para a construção de modernas estradas, não foi fácil. Para citar, só um exemplo, foi homérica a construção da “subida da Leba”, na serra da Chela ao sul do país, uma monumental obra de engenharia rodoviária. A subida é toda feita em lacetes. A orografia no Brasil, tirando a parte de Minas Gerais, não é tão escarpada, as entradas são mais fáceis. A altitude média brasileira é em torno de 900 m. Os rios são largos e mansos, boas vias de penetração.



Fig 4 - Na imagem de satélite é notória a “Escarpa Atlântica” concordante com a costa


A cerca de 100 km da costa angolana começa a Escarpa Atlântica onde se atinge a altitude de 1000 m em pouco mais de 100 km; a seguir mais outro degrau até se atingir a altitude de 1500 m; depois um planalto sulcado de milhares de linhas de água perenes, quase intransponíveis no tempo das chuvas abundantes, em torno de 1350 mm anuais no Planalto Central


Fonte: A.Castanheira Diniz: Angola o Meio Físico e Potencialidades Agrárias
Fig 5 – Mapa hipsométrico mostrando que Angola é um país quase todo acima de 1000m de altitude. As primeiras faixas de relevo (0 a 1000 m de altitude) são estreitas, denunciando um enorme potencial hidroeléctrico.A rede hidrográfica diverge segundo cinco direcções. A Escarpa originando rios declivosos, não navegáveis, foi um enorme obstáculo físico para a penetração do interior. Ela só se verificaria em fins do século 19.


Factor hidrográfico – Os grandes rios brasileiros, os costeiros e os interioranos, são “planos”, extensos, largos e caudalosos, as quatro condições para a navegação fluvial. Sem dúvida o maior e melhor meio de transporte para o interior, até ao aparecimento das ferrovias e do automóvel. Muitos rios brasileiros correm no interior e para o interior do país, um factor positivo para o povoamento daquelas terras. Não admira que, mesmo em clima equatorial (Amazónia), quente e húmido, desde muito cedo em pleno século 16, se tenham implantado cidades de feição europeia. Basta dar um relance pela bacia amazónica: Manaus, um bom porto de mar, está a mais de 1 000 km do Oceano Atlântico, Porto Velho está a mais de 2 000 km, em um afluente do rio Amazonas, Vai-se, em barcos de grande calado, de Belém, no estado do Pará, até Iquitos no Perú a mais de 3 000 km,Corumbá, no rio Paraná, está a mais de 2 500 km do mar. O rio Paraná vai desaguar entre o Uruguai e Argentina, milhares de quilómetros a sul.


Os rios angolanos são muito inclinados, com quedas e corredeiras constantes, pouco excedendo os 1 000 km de estirão, em geral são estreitos no inverno seco, em termos de grande navegabilidade. Não era possível a navegação fluvial, único meio de que a Europa dispunha para subjugar os povos africanos do interior. A Europa, antes do aparecimento da arma de repetição, da metralhadora e das pequenas peças de artilharia móvel, não se arriscava a empreender grandes expedições militares de infantaria através do coração de África. Seriam dizimadas pelas doenças e, até, pela fome.E com os africanos, numerosos, sempre de tocaia, ofererecendo uma resistência encarniçada. Pelo contrário, no Brasil era baixíssima a densidade demográfica dos povos nativos e não eram tão levantadiços como os africanos. As comunidades eram pequenas, isoladas e pacíficas.


A Bélgica facilmente subjugou os povos da bacia do rio Congo porque dispôs de uma extensa navegação fluvial. O rio Congo (segundo do mundo em caudal) era “plano”, extenso, largo e caudaloso. Tal como o Amazonas, situado no Equador, o Congo beneficiava das chuvas do hemisfério norte e das chuvas do hemisfério sul, desfasadas de seis meses. Por este motivo o rio é sempre caudaloso, está sempre com cheias, oferecendo um tirante de água e uma largura propícios para a navegação fluvial. Além do rio Congo, com mais de 2 000 km navegáveis, também os seus afluentes são, quase todos, navegáveis. O rio Ubangui, que vem da República Centro Africana, e o Cassai que nasce em Angola, têm mais de 1 000 km navegáveis, além de dezenas de afluentes, notáveis vias de comunicação. Assim, foi fácil ao rei da Bélgica Leopoldo II subjugar os povos da bacia do Congo e implantar o Estado Livre do Congo, assim chamado porque tudo nele era livre, inclusive a prerrogativa de usar escravos. A “política da canhoneira” encontrou ali o seu melhor habitat. Era Livre porque se podia canhonear os povos ribeirinhos.


Factor geológico – Desde muito cedo, meados do século 17, que no Brasil começaram a descobrir-se metais preciosos (ouro e prata) e pedras preciosas (esmeraldas, rubis e diamantes) além de muitas pedras ornamentais. Em meados do século 17 o garimpo de ouro e diamantes fazia parte da vida quotidiana dos brasileiros, injectando jorros de dinheiro na economia. O ouro e os diamantes podiam ser explorados por particulares, embora a Corôa Portuguesa reivindicasse um quinto dos rendimentos. O ouro e os diamantes, em mãos dos naturais da colónia, empurraram o futuro país para um desenvolvimento acelerado, que chegou a ser avassalador, visível no fulgurante aparecimento de belas cidades e vilas de feição totalmente europeia.Ficou um património riquíssimo. O dinheiro ganho no Brasil era, de imediato, lá investido.
Em Angola, salvo umas curiosidades de palhetas de ouro em alguns rios, uma “caspa” de ouro, não se descobriu ouro em pepitas (que denunciam a proximidade de um filão) e nenhum grão da almejada prata. Os diamantes, que poderiam ter revolucionado a economia de Angola, pelo menos no século 19, só foram descobertos em 1919. E foram, de pronto, abarbatados por uma companhia monopolista. Não houve qualquer surto de mineração que servisse de catalisador em Angola. Nenhum angolano podia usufruir das riquezas minerais.O garimpo era seriamente reprimido, ao contrário do Brasil. Tudo passava para monopólios europeus. Por isso era inviável um entesouramento em Angola; isto não atraía imigrantes.


Factor demográfico – Angola era mais povoada do que o Brasil. Havia milhares de pequenas nações, agrupadas em mais de 5 grandes confederações ou reinos. Embora determinada literatura do século 19 enfatize o facto de que “não havia nenhum organização social entre os africanos”, lendo-se os cronistas sérios daquele tempo verificamos que havia reinos estruturados e governos com planos definidos, embora não existisse a noção de nacionalidade. Basta ler as obras de Henrique de Carvalho para se verificar que a região onde ele viveu- o reino de Muatiânvua (Lundas e norte das Lundas até ao rio Congo)- tinha uma grande organização social. Uma das figuras mais conhecidas das epopeias africanas do século 19, Henry Stanley, descreveu reinos importantes na África Austral. Outro viajante africano do século 19 David Livingstone também anotou povos agrupados em domínios socialmente governados. A ocupação de África, com os meios poderosíssimos de que a Europa dispunha, desfez toda a situação política existente. É uma das causas do actual desassossego em África.


O Brasil tinha uma densidade demográfica muito inferior à africana e os seus povos apresentavam-se em um degrau histórico inferior. Grande parte das nações de Angola já estava numa étapa rural e pastoril, os angolanos já extraíam o ferro e trabalhavam-no, mas o Brasil estava, ainda, em uma étapa colectora e caçadora. Os povos de Angola sempre ofereceram um oposição encarniçada contra o domínio português. As lutas arrastaram-se durante séculos, só terminaram em pleno século 20.


Factor transportes – A orografia e a hidrografia angolanas eram altamente desfavoráveis para um penetração interior. Os gados de transportes (cavalar e asinino) morriam com doenças completamente estranhas aos europeus. O recurso aos carregadores serviu para avolumar, ainda mais, as violências e prolongar, em exagero de tempo, a escravatura.No Brasil todo o transporte, afastado dos rios, era feito pelas tropas de cavalos e burros, em carroções. As tropas eram um factor altamente aglutinante entre os diversos povoados que nasciam sob os auspícios da mineração. O Estado de Minas Gerais tomou o nome devido à fartura de ouro e diamantes. Em Angola só começaram a nascer povoados definitivos ou urbanos a partir de 1920, quando as ferrovias se impuseram,logo seguidas pelo automóvel. Os povoados “fugiram”quase todos dos grandes rios


Factor político – É natural que, com tantos factores negativos, a Corôa Portuguesa se desinteressasse por Angola, pelo menos sob o ponto de vista de colonização. Salvo as tentativas goradas de Inocêncio de Sousa Coutinho, em meados do século 18, e a boa vontade de Pedro Alexandrino da Cunha em meados do século 19, nenhum governador geral se interessou pelo povoamento de Angola. E, também, nenhum português estava interessado em viver em Angola. Viver de quê, se não havia consumidores para quaisquer produtos, se a agricultura, em moldes europeus, era penosa e de fracos rendimentos, se o gado morria em tempos fulminantes, se o transporte era todo feito por carregadores, uma fonte de conflitos e violências. Viver para quê se não havia entesouramento, o recurso aos dentes de elefante era uma forma, única, de prevenção de futuro muito precária. Era um entesouramento volumoso e extremamente pesado. Um dente de marfim era transportado por 2 carregadores. Já em fins do século 19 o marfim começou a perder valor. A melhor moeda, ainda hoje, para entesouramento é o ouro. Onde estava?


Analisemos os factores modernos, os que passaram a contar após a independência do Brasil. Depois de 7 de Setembro de 1822 Portugal ficou perturbado e só teve um pensamento: fazer um novo Brasil, mas agora tomando certas precauções políticas (mais ainda do que no Brasil). Nada de independências.Mas a realidade era diferente, os factores que acabámos de mencionar estavam lá todos. Angola era indomável e a Corôa estava exaurida devido às invasões napoleónicas e à perda do Brasil. E com uma agravante: o número de emigrantes portugueses, com destino ao Brasil, cresceu em progressão quase geométrica. O Brasil independente passou a absorver mais portugueses do que quando era colónia. O povoamento de Angola foi adiado, até porque Portugal entrou em guerras civis. Angola continuou como sempre tinha estado: mera feitoria para embarque de escravos para as Américas. Para Angola “exportavam-se” os degredados.Foi um século perdido!


A partir de 1880, em face do início da industrialização da Europa, aguçou-se o apetite por colónias em quase todos os países europeus, em Portugal regressou o velho assunto do Novo Brasil. A Europa precisava de matérias primas (minérios especialmente) e novos mercados. A África e Ásia ficaram na mira das potências europeias, que principiaram a degladiar-se naqueles continentes e nas chancelarias. Para apaziguar as escaramuças o chanceler Bismarck convocou a célebre conferência de Berlim(1885), para partilha de África, segundo “moldes civilizados”. Portugal foi obrigado a fazer a ocupação efectiva de Angola. E fê-lo, não sem dificuldades, umas que já conhecia e outras por conhecer. As dificuldades continuaram a ser as doenças, os insucessos na pecuária e na agricultura, a ausência de minas de ouro e prata, os transportes e, com mais agudeza, a obsessão metropolitana de não querer perder Angola, ou seja, não ceder aos angolanos qualquer poder, ou uma simples capacidade de decisão. O “grito do Ipiranga” ecoava, sempre, em som fantasmagórico,em todas as reuniões de governos metropolitanos. Todos os portugueses que se notabilizassem em Angola, todos com bons propósitos, eram ostracizados pelos governos em Lisboa. Estes não aceitavam qualquer progresso da colónia dirigido por angolanos ou portugueses angolanizados. Isso ajudaria à emancipação.
Embora fizesse parte do imaginário leuco-angolano o episódio do “grito do Ipiranga”, não havia base histórica nem social, nem demográfica sob o aspecto europeu,para se repetir em Angola.


Era inexequível, em termos políticos modernos, semelhante aventura. O número de colonos era, confrangedoramente, diminuto. E a maioria tinha sempre os olhos postos na Metrópole. Era diminuto o numero de aposentados europeus que se fixavam em Angola. Era diminuto o número de descendentes de portugueses. Era diminuto o número de mestiços. Era diminuto o número de africanos ocidentalizados.


Factor agro-pecuário – Depois da independência do Brasil em 1822 Portugal alimentou a esperança em um segundo Brasil, ou seja apoiado na agro-pecuária.Começaram a aparecer uns primeiros relatórios exaltando os bons climas planálticos, especialmente os das terras acima dos 1 500 m de altitude. Angola tem 97 500 km² acima dos 1 500 m de altitude (um pouco maior do que a área de Portugal) e 1 200 km² ( maior do que a ilha da Madeira) acima dos 2 000 m de altitude. Nestas áreas o clima é tropical de altitude com temperaturas amenas e frias, muito raramente atingindo os 30ºC. Chove abundantemente no Verão, o Inverno( Junho a Setembro), impropriamente denominado de Cacimbo, é seco, de céu limpo(um azul maravilhoso) cheio de triliões de estrelas, visíveis a olho nu, e frio.As terras altas, bem drenadas naturalmente, têm abundantes águas cristalinas e potáveis. Estas condições destruiram a corrente pessimista, que se tinha instalado em Portugal, sobre a colonização de terras africanas. Mas as tentativas de colonização começaram, logo de início, a fracassar. O desânimo começou a instalar-se, mas dois acontecimentos activaram os velhos propósitos: a Conferência de Berlim, obrigando a uma ocupação efectiva, e a entrada de uma colónia bóer, vinda da África do Sul, fugida da guerra entre as duas nações bóeres unidas, o Transval e Orange, contra a poderosa Inglaterra da Raínha Victória. Em breve o número de bóeres, entrados em Angola, sobrepujou o de portugueses no sul . O governo de Lisboa estremeceu.

A UTOPIA DE UM "NOVO BRASIL" EM ÁFRICA (2)

Factor transportes –A chegada dos bóeres a Angola revolucionou os transportes. Eles deslocavam-se em carroções, puxados por dez juntas de bois (espanas) e com mais duas ou três espanas de reserva. Os bois provinham de estirpes domesticadas e adaptadas aos climas da África do Sul, remontando ao ano de 1648 em que desembarcaram no Cabo as primeiras colónias de holandeses. Os bóers traziam, também, cavalos e burros adaptados a África, muito embora prevalecesse uma doença desconhecida a “horse sickness” que os atacava de modo pestilento, fazendo razias. Mas os bóeres conseguiam curar algumas doenças do gado. Em pouco tempo eles monopolizaram, e revolucionaram, os meios de transportes dando outra dinâmica ao progresso de Angola. Então, sim, já foi possível pensar-se em povoamento.
Pouco a pouco os colonos portugueses começaram a absorver as tecnologias bóeres, indiscutivelmente adaptadas a África, e o povoamento europeu começou, timidamente, a consolidar-se, graças aos carroções. A implantação de três ferrovias de penetração, a partir de 1903,embora uma só delas se tenha internacionalizado , e a chegada do automóvel(1910), tornaram, finalmente, possível a fixação de colonos no interior.Tinham acabado os carregadores, uma fonte de azedumes e violências. Já se podiam importar as pesadas máquinas de cerâmica, revolucionando a construção de habitações.Como escreveu o geógrafo Orlando Ribeiro«A penetração africana é esporádica,tardia e incompleta».
O povoamento de Angola com europeus, ou seja a passagem de feitoria a colónia, teve início em 1910, muito embora só tenha tomado expressão a partir de 1920. Mas logo ficou evidente que o


Fig 6 - Luanda em 1885. Era a cidade mais desenvolvida na costa ocidental africana.


povoamento europeu não seria de índole agro-pecuária mas sim de índole comercial. Os africanos produziam e os europeus comercializavam. Foi uma simbiose que deu certo. À data da independência (1975) Angola detinha, em termos de diversidade de géneros agrícolas, a melhor balança comercial internacional. Exportavam-se mais de 30 géneros agrícolas, pecuários e de pescas.
Muito diferente do Brasil, onde os solos e pastos são incomparavelmente melhores. A boa adaptação dos gados cavalar e bovino, a fertilidade dos solos, e um comércio interno aberto e de grandes consumos foram o suporte de uma promissora agro-pecuária em terras brasileiras. Não sucedeu isto em Angola.


Factor climático ou de saúde – Resolvido o velhíssimo problema dos transportes começou o povoamento, de início timidamente e, depois, com rapidez. A partir de 1920 foram fundadas
centenas de povoações que logo se converteram em vilas e, algumas, em cidades. Com o comboio e o automóvel foi possível atacar os dois maiores flagelos da colónia: o paludismo e a doença do sono. Foram secados pântanos nas cidades, com a plantação de eucaliptos, o uso do quinino generalizou-se, foram adoptadas medidas rigorosas de prevenção. O paludismo ou malária começou a declinar de tal maneira que em 1960 já nem se falava em anti-palúdicos. O combate à doença do sono começou na década de 20, embora se não dispusesse de remédios directos como, por exemplo, o quinino para a malária.
Apesar de tudo, os resultados foram notáveis pois a doença do sono começou a diminuir. Tal como com a malária, o principal combate incidiu sobre a prevenção, ou seja eliminando os habitantes dos mosquitos e da mosca tsé-tsé. Nos primórdios da independência ninguém se recordava mais da malária ou da doença do sono. As outras doenças, como por exemplo a raiva, o tétano e a varíola foram eliminadas com vacinas ou medidas profiláticas, num épico combate dia a dia. As rigorosas medidas de higiene, com pisos cimentados nas casas, foram um factor decisivo para o melhoramento sanitário da colónia.


Fig 7 - Hospital Maria Pia em Luanda em 1885. Era o melhor edifício da colónia e era, também, o melhor hospital da África Ocidental.


Factor geopolítico – Portugal, pequeno país europeu, possuir vastas regiões em África foi sempre motivo de grandes invejas e ameaças de desapropriação. Países maiores e mais fortes economicamente não se conformavam com esta distribuição. As ameaças vinham de longe, desde a Conferência de Berlim em 1885, Ultimato em 1890, um conluio entre a Alemanha e a Inglaterra em 1905, com a primeira grande guerra em 1914, com a Sociedade das Nações em 1920, com o Relatório Ross em 1925, com os apetites de Hitler e a expulsão dos judeus em 1935, com Roosevelt durante a guerra 39-45. Portugal esteve quase sempre atemorizado com as ameaças de esbulho.


Factor Metrópole ou centralismo – Às grandes dificuldades intrínsecas que Portugal encarou, em relação à colonização de Angola, somaram-se as manobras dos africanistas, residentes em Lisboa, que tudo fizeram para atrasar o processo histórico de Angola. Os governos de Lisboa governavam obcecados com a síndrome do Brasil. A oligarquia que se assenhoreou dos destinos de Angola e, principalmente, das suas riquezas e da sua mão de obra dócil e barata, logo que ela passou de feitoria a colónia, não dava margem para autonomia e, muito menos, para o desenvolvimento de um capitalismo sólido. O processo histórico da independência brasileira povoou, sempre, a mente dos governantes em Lisboa e, especialmente, dos oligarcas donos das riquezas e do trabalho de Angola.
Nos governos da Primeira República, talvez sob influência maçónica, romântica, houve alguns períodos de “abertura” , infelizmente de pouca duração. O primeiro governo de Norton de Matos estendeu-se de 1912 a 1914; o segundo governo, com poderes de Alto-Comissário (podia lavrar decretos), durou quatro anos, de 1921 a 1924. Estes governos ainda trouxeram uma aragem de modernidade. Com Salazar em 1930, tudo piorou. Os poderes dos Altos Comissários foram cerceados, até se extinguirem, em simultâneo com o nome. Novamente os Governadores Gerais, mas agora meras correias de transmissão. As grandes fortunas internas (na relatividade angolana) diluiram-se em falências, desistências e sob leis sufocadoras. O número de europeus em Angola em 1930 era de cerca de 60 000; em 1940 eram 40 000. Neste ano já o grande capital era todo metropolitano. Investir-se em Angola passou a ser um favor que os oligarcas metropolitanos concediam a Angola. Para piorar, não se autorizavam quaisquer empréstimos ou entradas de capital estrangeiro. E havia bancos estrangeiros desejosos de entrar em Angola. Não havia bancos comerciais com empréstimos de longo prazo. Um atroz mercantilismo mais consentâneo com o século 19.


O regime de Salazar, no que toca ao povoamento europeu,esteve sempre afundado num paradoxo. Porfiava-se no povoamento rápido por europeus, mas mantinham-se e criavam-se leis que o obstaculizavam. Para um português viver em Angola necessitava de uma “carta de chamada” um precursor dos actuais vistos de permanência.Não se asfaltavam as estradas, um motor de arranque para o desenvolvimento de um país virgem. Não se construíam grandes barragens das quais se podia obter electricidade muito barata, um chamariz para indústrias. Não se autorizavam bancos comerciais que pudessem financiar grandes projectos agro-pecuários. Os bancos portugueses, únicos detentores do capital, estavam “entocados” em Lisboa. Nenhum banco metropolitano cogitou abrir agências em Angola. Só a partir de 1961 é que isso se verificou, mas com muitas deficiências: o crédito agro-pecuário de longa duração só se tornaria efectivo na década de 70, já muito próximo da independência.


Fig 8 -Cameron, um inglês que passou em Angola em 1875, escreveu:«Benguela é, como importância, a segunda das cidades portuguesas da costa ocidental; ela tem com o interior um comércio considerável de cera e marfim e alguns dos comerciantes têm pescarias na costa. As ruas são largas, as casas brancas, as portas e as janelas pintadas de cores vivas, que dão à cidade um ar de limpeza. No centro há um jardim público, feito com gosto, um jardim bem conservado onde a banda militar toca todos os domingos à tarde. Quanto a edifícios há a Alfandega, um muito bom hospital, o palácio do governador, o tribunal e uma igreja que só é aberta para baptismos e enterros;»


O ensino esteve abandonado até 1961, o maior erro colonial. O ensino universitário era tabu. Os diamantes não podiam ser garimpados, tudo era monopólio de uma multinacional. Possuir diamantes era um crime do mesmo jaez de um homicídio. E, por último, os africanos, inegavelmente uma formidável força de trabalho, “uns imigrantes que jogavam em casa”, uma massa buliçosa e criativa, não foram aproveitados, pelo contrário, viveram sufocados por leis incríveis de trabalho compelido, deficits de cidadania e proibições de mobilidade. E, principalmente, com o ensino totalmente vedado.Era com os africanos que se deveria ter feito “o povoamento” de Angola, era com eles que se poderia ter feito um novo Brasil.
A partir de 1951, ano em que a ONU “começou a meter o nariz”, passou a ser tudo metropolitano, ratificando o slogan “Do Minho a Timor”. Angola passou outra vez a designar-se por província ultramarina. Lisboa tudo decidia, ficou célebre o facto de se pedir autorização ao Ministério das Colónias para se mudar o nome de uma rua de Luanda. Foi um retrocesso que se revelou fatal, decorridos 25 anos. Angola ficou sempre fragilizada, sob o aspecto político, militar, cultural e financeiro. Tudo era resolvido por Salazar. Infelizmente foi ele quem preparou tudo para


Fig 9 – Hospital de Benguela em 1879. Como foi mencionado na Fig 8 Cameron referiu-se a ele «...um muito bom hospital...». E tinha as suas razões porque nele foi bem tratado, de um violento ataque de escorbuto que o pôs às portas da morte.


que Angola não fosse usufruída por aqueles que contribuíram na sua formação de nação moderna, europeus e africanos. Mas que, tendenciosamente mal informados, sempre o apoiaram julgando que ele era o mais sábio.Lisboa manteve,sempre, uma interface entre as duas comunidades, a africana e a europeia, de modo a complicar quaisquer veleidades autonómicas.Dividir para governar de acordo com a velha máxima de Roma. A independência acabou por chegar, mas vinda de fora.No processo da independência só intervieram os metropolitanos comissionados e os angolanos no exílio.
Lei Joaquim da Silva: “queres que a tua firma entre em colapso? Entrega-a a um gerente que resida a mais de 7 000 km, não conhece os teus negócios, e pior, os negócios dele colidem com os teus. E,sobretudo, ele prima sempre pela ausência, governa com conselheiros, infelizmente mal intencionados”.


De 1930 a 1974 o factor que mais pesou no atraso histórico de Angola foi, indubitavelmente, a obsessão metropolitana de tudo controlar, de manter a colónia rigorosamente portuguesa. Até 1930 o maior factor de atraso tinha sido o das doenças, seguido dos transportes. Depois de ultrapassados todos os obstáculos físicos, que impediam uma colonização europeia, iria aparecer uma última barreira, mas humana: a intransigência de Salazar, levada quase aos extremos de obsessão.
Os colonos em Angola, de parceria com os angolanos, conseguiram vencer, em meio século, todas as adversidades, de geografia, de clima, de solos pouco férteis, de doenças-talvez entre as piores do mundo-de transportes e comunicações e até conseguiram acalmar as diversas nações do tecido angolano.Depois da chegada dos colonos, só a partir de 1920, Angola entrou em um verdadeiro regime de paz.


Os portugueses em Angola fundaram, em meio século, mais de 30 cidades, mais de 150 vilas e mais de 2000 povoações comerciais.Os colonos de Angola aglutinaram todas os povos em uma Nação Única, sob uma língua oficial.Estava consolidada a tardia “pax angolensis”, ao fim de séculos. Angola estava unificada, com as fronteiras bem definidas e com uma boa administração secundária.Os colonos só não conseguiram vencer a obsessão psicótica de Lisboa em relação ao “complexo Ipiranga”.
Em quase 500 anos de permanência em Angola os governos em Lisboa quiseram ser, sempre, os donos incontestáveis da situação, de actuação e mandos absolutos. E foram, infelizmente. Nunca abdicaram do poder, nem mesmo na infame descolonização.


Fig 10 - Uma rua de Diamantina (Brasil). A cidade foi fundada em 1713 devido ao aparecimento de diamantes. Ainda hoje mantém a traça colonial, carinhosamente preservada. As injustiças e violências que se verificaram com o garimpo de diamantes não constituíram motivo para destruições.

A UTOPIA DE UM "NOVO BRASIL" EM ÁFRICA (3)

Angola em 1974 estava estruturada como nação, mas com uma estranha anomalia: era uma nação exo-cerebral isto é o seu cérebro estava afastado do corpo: todas as decisões importantes eram tomadas em Lisboa. Isto originou uma independência exógena, ao contrário do Brasil que se "independentizou" endogenamente. Ninguém, dos que viviam permanentemente em Angola, interferiu no processo da independência, tudo foi decidido fora do país. E, pior, por indivíduos (os metropolitanos, como é óbvio) que se ligavam a Angola por comissões de serviço, com ajudas de custo,é claro. Ou,até, que nunca tinham estado em Angola. Conheciam-na só através de um atlas escolar histórico-geográfico.


Quando todos os factores impeditivos, no século 20,( clima, doenças, agricultura, pecuária, transportes e ensino) se atenuaram, quando tudo se moldou para o nascimento de uma nação, os governos da Metrópole profiram em manter, sempre, o domínio total, mesmo quando já reconheciam que tinham sido ultrapassados pela própria História. Até na descolonização quiseram ser os últimos a mandar, só largaram o ceptro do poder quando a desmoralização era total. Eram os primeiros e únicos a mandar, foram os primeiros a debandar.


Em 1947 o jornal de Nova Lisboa “A Voz do Planalto” publicou uma crónica que provocou um pequeno terramoto nas hostes colonialistas, valendo-lhe um ano de suspensão. Foi o célebre artigo “Angola a gata borralheira”. Volvidos mais de 60 anos transcrevemos a parte inicial, como homenagem ao autor F.A. cujas iniciais, até agora, não conseguimos decifrar: «Entretanto Angola já existia quando o Brasil foi descoberto, mas o seu progresso, se for posto em paralelo, não tem comparação possível. Na simplicidade deste lamento perpassa a vibração dum simbolismo amargo: Brasil e Angola, símbolo do que Portugal pode fazer e símbolo do que Portugal não pode fazer».



Fig 11 - Henrique de Carvalho, um militar que passou por Malanje em 1885, escreveu:«...assenta a vila numa elevação cuja parte superior é uma estreita faixa, na sua maior largura 400 m tendo para mais de 1 km de comprimento...».Malanje, a mais de 250 km do mar, era, em 1885, o povoado mais importante do interior.

Em 1930 os fracassos de um povoamento semelhante ao brasileiro eram já notórios. Havia que escolher outra solução, e ela estava intra-muros: os africanos produziam quase todas os géneros agrícolas e respondiam bem a todos os desafios de economia. Aceitavam com entusiasmo os valores civilizacionais do chamado Ocidente. Angola estava pacificada, bem definida territorialmente, e bem administrada em termos secundários. Portugal era, de entre todos os países colonizadores, aquele que apresentava melhores resultados em aculturação e miscigenação, pese embora o facto de episódios menos bons. Basta ler os viajantes estrangeiros do século 19 que salientam que Angola era o único território em África onde havia africanos alfabetizados. Mas o rumo não foi o racional.


Copiaram-se os esquemas belgas, bem sintetizados num célebre discurso proferido por Marcelo Caetano, então Ministro das Colónias, aos microfones do Rádio Clube de Moçambique, em 7 de Setembro de 1945 quando já perpassavam, por todo o mundo, as ideias libertárias e anti-racistas, quando o fim da guerra 39-45 apontava para outros rumos onde sobressaiam a igualdade e a liberdade:
«Num só ponto devemos ser rigorosos quanto à separação racial: no respeitante aos cruzamentos familiares ou ocasionais entre pretos e brancos, fonte de perturbações graves na vida social de europeus e indígenas e origem do grave problema do mestiçamento, grave, digo, senão sob o aspecto biológico, tão controvertido, ao menos sob o aspecto sociológico».


Uma palavra para definir o colonialismo português: mesquinhez.
Uma palavra para definir a colonização portuguesa: ilusão.
Uma palavra para definir a descolonização feita por alguns militares das Forças Armadas Portuguesas: esculhambação.


Estas três palavras são suficientes para explicarem por que não foi possível concretizar um mito que perdurou durante um século e meio: a formação de um “novo Brasil” em África.

Esta matéria é retirada do livro “ Mucandas do Tempo do Caparandanda” (Cartas do Tempo do Antigamente) em fase de pré-prelo.



Luiz Chinguar - Agosto 2008




Fig 12 - O centro histórico de Ouro Preto (Brasil) considerado Património da Humanidade. A cidade foi fundada em 1698, após a descoberta de ouro (“disfarçado”, sem rutilância, coberto com uma camada de óxido de ferro). O garimpo de ouro foi extraordinário, visível na arquitectura e nas obras de arte que a cidade ostenta, orgulhosamente. Ouro Preto, no século 18, deitou por terra as teorias, em voga na Europa, de que nos trópicos não podia florescer uma civilização requintada, com pintores, escultores, escritores músicos e artistas.




Fig 13 - Vista aérea parcial de Huambo (ex-Nova Lisboa) em 1961 , antes da eclosão de um promissor desenvolvimento acicatado pelo início da guerra da independência. A cidade foi fundada em 1912 graças a um rasgo audacioso de Norton de Matos governador geral na época. Praticamente no centro de Angola, tinha tudo para ser uma metrópole: a 1700 m de altitude, micro-climas acima de 2000 m de altitude circundando-a,optimo clima, chuvas abundantes e regulares, solos razoáveis, bons se fossem melhorados com tecnologia,principal nó rodoviário, povos industriosos com imenso potencial de aprendizagem,bem servida por rios. A visão de Norton de Matos ainda hoje é patente: ruas largas, horizontes abertos. Até 1930 a cidade desenvolveu-se: um central hidroelectrica (a primeira em Angola), oficinas gerais do Caminho de Ferro de Benguela (internacional, servia as minas de Katanga e da Zâmbia), uma base aérea que depois foi extinta,uma laboratório veterinário etc, A partir de 1930 (Acto Colonial promulgado por Salazar) a cidade, como aliás toda a colónia de Angola, foi “engessada” e pouco se desenvolveu. Não fora a persistência dos colonos e o progresso teria sido zero. Era notório na cidade: muita área e pouco volume, isto é, muita vontade dos residentes,mas muita obstrução metropolitana e, portanto, pouca execução.Um pequeno pormenor: em fins da década de 60 já era viável uma conexão aérea Nova lIsboa-Lisboa: nunca foi autorizada. A guerra da independência,a partir de 1961, empurrou os governos de Lisboa a tentarem recuperar o atraso dos “malfadados trinta anos”, mas nunca no aspecto político. Não foi suficiente, apesar do muito que se recuperou. As guerras civis, a partir de 1975, que se seguiram à independência, vibraram-lhe, talvez, o último golpe. A cidade merecia melhor sorte.Tinha tudo para ser uma metrópole.Felizmente ainda está a tempo de recuperar, poucas regiões no mundo têm, na actualidade,o potencial do Planalto Central de Angola.




Fig 14 - A cidade de Londrina no Paraná (Brasil) foi fundada em 1912, tal como o Huambo. Era uma fazenda de ingleses, daí o seu nome. O governo brasileiro encarregou-os de a dividirem em lotes com áreas suficientes para agriculturas de sucesso. O solo fertilíssimo (terra roxa) atraiu imigrantes europeus que transformaram a antiga fazenda em uma bela cidade, uma pequena metrópole. Actualmente tem mais de 600 000 habitantes, duas universidades e uma intensa vida intelectual.Tudo nela respira entusiasmo, bom gosto e modernidade




Fig 15 - Saurimo (ex-Henrique de Carvalho) em 1968. Foi fundada em 1918 com o nome actual, depois mudado para Henrique de Carvalho.Única cidade na vasta região dos Lundas e Quiocos era a capital do enorme distrito da Lunda (179 863 km², duas vezes o tamanho de Portugal) no tempo colonial. A magestática Diamang, detentora exclusiva de todos os diamantes, exerceu um policiamento exacerbado sobre toda a região rica em diamantes e em água. O distrito esteve fechado aos angolanos. Até 1962 quem quizesse deslocar-se à Lunda tinha que obter um visto no “consulado”da Diamang em Luanda que esperava sempre as ordens de Lisboa. Era a cidade mais a oriente,a 780 km do mar, muito isolada e, especialmente fechada a quaisquer actividades estranhas ao monopólio dos diamantes.



sábado, 2 de agosto de 2008

TOURADA AÇORIANA !

Uma pausa para um momento de alguma descontracção

Desligue a Rádio Cotonete do Blog para ouvir o vídeo


Desligue a Rádio Cotonete do Blog para ouvir o vídeo

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

DO "NOSSO" COMPUTADOR "MAGALHÃES" ... À VERDADE QUE A IMPRENSA NÃO DIZ !!!!

Com a devida vénia pelo blog Zero de Conduta e da autoria de Pedro Sales, porque é imperioso ajudar a desmascarar, UMA VEZ MAIS, a propaganda e campanha de mentira a que infelizmente começamos a estar habituados diariamente a ouvir (e massacrados), sinto o dever patriótico de reproduzir a Publicidade Enganosa que, com toda a pompa e circunstância, foi debitada em casa de cada português.

Para além daquele aspecto habitual de quem não lava a cara de manhã, principalmente nestas ocasiões, José Sócrates estava feliz tal como Maria de Lurdes Rodrigues. Foi até lindo ver também a cara da nossa ministra da educação. Enternecedor, diria mesmo!

Leiam! Leiam com atenção que vale a pena.

"Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido
anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão
80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no
relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel.
"

quarta-feira, 30 de julho de 2008

AINDA BOB GELDOF ... E O OUTRO LADO (ESCONDIDO) DE LUANDA!

Bob Gedolf veio a Portugal dizer que as casas em Luanda são mais caras do que em Londres.
As autoridades angolanas ripostaram violentamente.
O DN foi saber de que fala o cantor irlandês.

Empreendimentos de luxo nascem ao lado dos musseques Indiferente à pressão dos musseques (bairros de lata) que cercam a cidade, nasce mais um prédio de luxo no centro de Luanda. Com 24 andares e 150 metros de altura, o edifício Espírito Santo custou ao grupo português liderado por Ricardo Salgado 115 milhões de euros. Tem uma zona comercial, com lojas e esplanadas, e escritórios, entre o quarto e o décimo sexto andares.
No topo, com vista privilegiada sobre a baía de Luanda, foram construídos quatro apartamentos. Para já, sabe-se que Ricardo Salgado deverá ficar com uma dessas casas cujos valores oscilam entre os 625 mil e um milhão de euros. O preço dos escritórios é ainda mais elevado: três vezes o preço do andar mais caro. Estão todos vendidos.

Apenas dois tipos de pessoas têm acesso a estes empreendimentos que proliferam pela capital angolana: os ricos, altos cargos de empresas estrangeiras, e os muito ricos, nomenclatura do MPLA e generais que subiram na vida à custa da guerra civil. A sua identidade não é segredo para ninguém.
Em Fevereiro de 2003, o jornal O Angolense publicou os nomes dos angolanos com fortunas superiores a 32 milhões de euros, num artigo intitulado 'Os nossos milionários'. A ousadia de escrever a verdade valeu aos dois editores do jornal perseguições a ameaças, segundo o que contaram ao Human Rights Watch, e o jornalista Graça Campos acabou oito meses fechado numa prisão.
Também no centro da cidade, no famoso bairro de Miramar - onde o Presidente José Eduardo dos Santos tem uma das suas residências não oficiais -, ergue-se mais uma torre imponente. Em breve, ser á ocupada pela Wayfield, holding empresas de fabrico e comércio de produtos alimentares, como a Refriango. Para os últimos andares foram projectados dois duplexes de 1.100m2 com casa de banho revestidas de pedras semi-preciosas. Um deles já tem dono: o líder do grupo, o português Luís Vicente.

Ali bem perto, em Alvalade, o bairro mais caro da cidade, onde o preço do aluguer de uma moradia não é menos do que dez mil euros por mês, vive Fernando Teles, presidente do BIC (Banco Internacional de Crédito) numa moradia com todas as comodidades, incluindo piscina. A maioria dos empresários portugueses com negócios em Angola, como Américo Amorim, prefere, no entanto, hospedar-se em hotéis ou em casas de amigos.

Luanda é demasiado perigosa e assusta muitos destes empresários, que evitam comprar uma casa e preferem a comodidade e segurança de se instalarem um hotel, contou ao DN um angolano que pediu para não ser identificado. Se comprar casa só está ao alcance de alguns, alugar também não é para todos.

A invasão de estrangeiros endinheirados numa cidade sobrelotada (Luanda foi projectada para receber 500 mil habitantes, hoje tem cinco milhões) fez com que os preços dos arrendamentos disparassem nos últimos cinco anos. Um português expatriado em Angola contou ao DN que o grosso dos engenheiros, advogados e arquitectos estrangeiros estão instalados no centro da cidade, na zona de Kinaxixi. Onde pagam em média dois mil euros por mês por um T2 num prédio com mais de 30 anos, sem elevador e com constantes infiltrações, entupimentos e falhas de energia.

Já os altos quadros de empresas estrangeiras e os angolanos milionários vivem barricados em condomínios de luxo em Luanda Sul a 17 km do centro da cidade, resguardados dos musseques que os cercam. Seguranças armados à porta 24 horas por dia, piscina nas traseiras e heliporto no quintal isolam os muito ricos do resto da paisagem decadente.
Deslocam-se nos seus, jipes e Porsches de vidros fumados indiferentes a que 80% da população da cidade não tenha energia eléctrica (segundo um estudo da UNICEF) e que 11 milhões de pessoas vivam abaixo da linha da pobreza.

Uma visita ao Google Earth é esclarecedora das assimetrias abissais. Condomínios em forma de trevo com as suas piscinas de um azul profundo destacam-se entre a imensidão do musseque que do céu parece um amontoado de lata velha. O fosso entre os muitos ricos e os muito pobres escava-se diariamente. Em breve, outro condomínio irá nascer em Luanda Sul.
Da responsabilidade do maior consórcio diamantífero de Angola, o Catoca/Endiama, as casas estão a ser comercializadas em segredo, apenas através de contactos pessoais. Ao mesmo passo a que a cólera invade os musseques e as barracas invadem a cidade, constrói-se mais um bunker para os milionários.

O luxo na baía
Na baía de Luanda os novos prédios que se erguem com vista sobre o mar são luxuosas sedes de grandes empresas corno a BP e a Exxon Mobil. A requalificação da marginal é uma iniciativa do consórcio Luanda Waterfront Corporation, do empresário português José Récio, muito próximo de José Eduardo dos Santos.
O projecto, aprovado pelo Governo em 2005, inclui a construção de parques de estacionamento, de uma nova ponte de acesso à ilha de Luanda, a criação de espaços verdes, a par da construção de hotéis e prédios de escritórios. Inicialmente, foi também aprovada a construção de uma ilha artificial (ver em cima desenho do projecto), inspirada na fanhosa Palm do Dubai.
Mas os veementes protestos de ambientalistas deram os seus frutos e, por agora, o projecto parece ter sido abandonado.
Rita Roby Gonçalves
Fonte: Diário de Notícias

EU TENHO A MINHA CARREIRA CONGELADA E ELES NÃO !!!

ALGUNS RENDIMENTOS DE GOVERNANTES

JOSÉ SÓCRATES - Primeiro-ministro
2007 – 101 638,04€
2004 – 49 837,83€ (início de funções)
– 6000€ (independente)

LUÍS AMADO - Ministro dos Negócios Estrangeiros
2007 – 103 742,64€
Mais-valias – 81 343,81€
2003 – 106 581,10€ (início de funções)

JAIME SILVA - Ministro da Agricultura e Pescas
2007 – (Não registou) ...
2006 – 102 764,20€
2004 – 82 648,24€ (início de funções)

NÃO DECLAROU RENDIMENTOS
Jaime Silva entregou a declaração de rendimentos ao TC dentro do prazo, contudo não assinalou os rendimentos do ano passado. O Ministério disse tratar-se de um lapso e garantiu que irá rectificar o documento. Segundo adiantou o gabinete do ministro, Jaime Silva auferiu no ano passado
103 740 euros.

AUGUSTO SANTOS SILVA - Ministro dos Assuntos Parlamentares
2007 – 103 742,64€
2004 – 52 424,38€ (início de funções)
– 19 600€ (independente)

TEIXEIRA DOS SANTOS - Ministro das Finanças
2007 – 103 742,64€
Mais-valias – 10 348,75€
2005 – 246 557,07€ (início de funções)
– 2100€ (independente)

SEVERIANO TEIXEIRA (Defesa)
2006 – 70 049,47 € (só tem de renovar declaração a partir de 3 de Julho - 60 dias)
– 9313,27 € (independente)
2005 – 52 586,94€ (início de funções)
– 19 202,47€ (independente)

RUI PEREIRA (Administração Interna)
2006 – 89 279,54€ (início de funções)
– (tem de renovar até 17 de Julho)
– 10 265,70€ (independente)
2005 – (juiz do TC) – 71 859,34€
– 2552,93 € (independente)

MANUEL PINHO (Economia)
2007 – 88 086,24€
2004 – 413 870,57 € (início de funções)

PEDRO SILVA PEREIRA (Presidência)
2007 – 88 086,24€
2004 – 55 570,41€ (início de funções)
– 2250€ (independente)

ALBERTO COSTA (Justiça)
2007 (?) – 88 086,24€
2006 (?) – 87 109,60€
2005 (?) – 80 460,49€
–26 161,30 (independente)
2003 (?) – 66 310,06€ (início de funções)
–30 466,76€ (independente)

NUNES CORREIA (Ambiente)
2007 (?) – 88 086,24€
– 349,86€ (independente)
2006 (?) – 87 109,68€
– 235,86€ (independente)
2005 (?) – 118 111,24€
– 229,15€ (independente)
– 250,05€ (rendimentos de capitais)
– 4165 ,33€ (mais valias)
– 476,23 (outros rendimentos)
2003 (?) –123 008,20€ (início de funções)
– 850,75€ (independente)

MÁRIO LINO (Obras Públicas)
2007 – 88 086,24 €
– 2756,89€ (rendimentos prediais)
– 11 731,38€ (pensões - Reforma da Segurança Social)
– 48 035,82 € (outros rendimentos)
2004 – 74 775,00€ (indp - início de funções)
– 1 613,77€ (rendimentos de capitais)
– 2 503,41€ (rendimentos prediais)
– 79 625,24 (pensões)

ANA JORGE (Saúde)
2007 – 89 291,57€ (início de funções)

ANTÓNIO COSTA (Ex-Adm Interna)
2006 – 87 109,60€
2005 – 78 954,22€
– 3087,00€ (rendimentos prediais)
– 251 505,00€ (1/2) (mais valias)
2003 – 78 443,09€ (início de funções)

MARIA DE LURDES RODRIGUES (Educação)
2007 (?) – 88 086,24€
2006 – 87109,60€
2005 – 80158,54€
2003 – 47 647,32 € (início de funções)
– 332,69€ (independente)

MARIANO GAGO (Ciência e Ens Superior)
2007 – 88 086,24€
– 1345,50€ (rendimentos prediais)
2006 – 87 109,60€
– 141,74€ (independente)
– 1278,94€ (rendimentos prediais)
2005 – 82 989,30€
– 876,16€ (direitos de autor)
– 1252,02€ (rendimentos prediais)
2003 – 68 363,54€ (início de funções)
– 4715,40€ (independente)

VIEIRA DA SILVA (Trabalho)
2007 – 88 086,24€
2006 – 86 665,03€
2005 – 80 552,16€
2004 – 52 424,38€ (início de funções)

JOSÉ PINTO RIBEIRO (Cultura)
2006 – 92 774,80€ (ind - início de funções)
O ministro da Cultura , além de uma vasta lista de património, declarou no Tribunal Constitucional possuir uma carteira de títulos no valor de mais de 1,5 milhões de euros

PRESIDENTE
O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe por mês 7264 euros.
Por seu lado, o primeiro-ministro, José Sócrates, recebe cerca de 5400 euros.

ENQUANTO ISSO, ... SALÁRIO MÍNIMO - 426 EUROS
O salário mínimo nacional este ano é de 426 euros.
Em média, os portugueses auferiram por mês em 2007, de acordo com o Boletim Estatístico da Segurança Social, 860 euros

terça-feira, 29 de julho de 2008

TODOS IGUAIS, TODOS DIFERENTES

Quando George Orwell descreveu em 1943/44, no Triunfo dos Porcos (Animal Farm) a revolta na Quinta "Manor", talvez estivesse a pensar já em Portugal quando o porco Benjamim referia que os sete mandamentos já não existiam e apenas havia um único:

TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS MAS
ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS
Senão vejamos alguns exemplos significativos para percebermos algumas das razões que fazem com que Portugal seja já, com Sócrates, o País mais atrasado da Europa. E depois, isto é que é irritante, eles MENTEM com todos os dentes que têm na boca

Espanha - Governo congela salários de altos cargos públicos para fazer face à crise (na Rádio Renascença).

Portugal - José Sócrates foi o governante que mais beneficiou com a política e já arrecada por ano mais 51 mil euros do que quando era deputado (no CM).

Portugal - Gestores públicos receberam 27 milhões (no Diário de Notícias)


Confira:
Espanha
Governo congela salários de altos cargos públicos.

O Primeiro-ministro espanhol, Rodrigues Zapatero, anunciou o congelamento de ordenados de todos os altos cargos da administração do Estado. A medida, para vigorar nos próximos dois anos, tem por objectivo combater a grave crise que atravessa a economia do país vizinho. O anúncio feito por Zapatero prevê o congelamento do salário do próprio Primeiro-ministro, de todos os altos cargos da administração do Estado e dos principais dirigentes das empresas públicas. A norma não se aplicará aos outros sectores da Função Pública, pois a intenção é respeitar os compromissos assumidos com os sindicatos. Rádio Renascença

domingo, 27 de julho de 2008

SERÁ APENAS INCOMPETÊNCIA?

À
DGRHE (Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação)

C/c
À Responsável pela Rede de Bibliotecas Escolares na DRELVT
ao Presidente do Conselho Executivo da Esc. Sec. Rafael Bordalo Pinheiro e
à Coordenadora Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares

Ex.mos. Srs.
Director-Geral (Dr. Jorge Sarmento Morais) e
Subdirectora-Geral dos Recursos Humanos da Educação (Dr.ª Idalete Gonçalves)


Há dias de trabalho assim. Aqueles em que tudo parecia estar a correr como o previsto – o relatório da Biblioteca/Centro de Recursos, de que sou coordenadora, entregue e terminado um pequeno vídeo/amostra das actividades que a equipa foi desenvolvendo para distribuição pelos vários elementos do Conselho Pedagógico e divulgação à escola, um "mimo" final. Eis senão quando o inesperado – um telefonema diz-me que um dos elementos da equipa (professor do Quadro de Escola) vai ter de concorrer, pois não irá ter trabalho no próximo ano. O seu nome consta de uma lista, emitida pela DGRHE a meio de Julho. Face aos dados de que dispõem sobre o número de alunos efectivamente matriculados, decidem fazer concorrer, diga-se "mandar embora", não só professores de Quadro de Zona Pedagógica, mas também professores do Quadro de Escola. Fiquei perplexa.

Rebobinei as informações recebidas no Conselho Pedagógico de 23 de Abril em que foi anunciado que, em reunião com o Ministério da Educação para distribuição da Rede Escolar, passaríamos das 38 turmas deste ano para uma previsão de 41, 42 em 2008-09.

Ora, perante estes dados, como seria possível estar a dispensar professores do Quadro? A situação parece ser simples e é sobejamente conhecida por todos nas Caldas da Rainha – a Rede Escolar definida pelo Ministério da Educação não está a ser cumprida! Logo, estarão as outras escolas a receber alunos que não são da área geográfica que lhes foi atribuída, retendo os seus processos para os seleccionarem, e só tardiamente os reencaminharem? Então, continuo a perguntar, por que razão o Ministério da Educação em vez que deixar professores "à beira de um ataque de nervos", não foi procurar saber junto dessas escolas qual era a situação? Entende-se a necessidade de rentabilizar os recursos humanos das escolas de um concelho/área geográfica, mas questiono se o "timing" será o ajustado. E, tendo em conta a experiência do que aconteceu o ano passado, é a meu ver prematuro estar agora a fazer concorrer professores do Quadro para, em Setembro, contratar outros entretanto em falta nos mesmos grupos/áreas disciplinares.

Se a minha indignação no ano passado era meramente como espectadora de uma situação que estava a acontecer, este ano senti que tinha o dever de informar de que não estão a ser rentabilizados os recursos humanos de que dispomos.

Vejamos – a Biblioteca/Centro de Recursos da minha escola, depois de vários anos com problemas na constituição de equipas, teve este ano um grupo de trabalho coeso, diversificado quanto às áreas disciplinares, e que desenvolveu um trabalho com visibilidade na escola. Foi um primeiro ano de trabalho, de uma equipa pouco experiente no domínio das Bibliotecas Escolares, mas que aceitou o desafio, obtendo muito bons resultados. Um desses elementos, o colega do Quadro de Escola que agora tem de concorrer, ficou com a árdua tarefa de ter de estudar e aprender a funcionar com o programa de catalogação digital, o Bibliobase, que ninguém na escola conhecia em profundidade. Esse programa estava comprado desde 2004 e nele estavam inseridos, quando iniciámos funções, somente cerca de 300 títulos. Chegámos ao final deste ano lectivo com 1219 títulos. Depois de conhecer o programa, este colega disponibilizou-se a dar formação (informal, gratuita) a outros colegas que ao longo do ano foram ajudando no trabalho. Após este difícil arranque inicial, e como havia muito a fazer no domínio da operacionalização da gestão dos recursos, este colega, que domina também a área informática, disponibilizou-se a construir uma aplicação informática – a que chamámos o "Biblioges" – para fazer a gestão dos cacifos, registo de requisição de postos áudio e computador, registos do serviço de fotocópias/impressões e para apuramento dos índices de frequência dos alunos na Biblioteca. O programa foi ensinado às funcionárias e entrou em funcionamento agilizando todo o procedimento estatístico, necessário à boa gestão de qualquer serviço. Foi através desta aplicação que conseguimos definir pela primeira vez na escola o "Aluno do Ano" da Biblioteca, premiado numa cerimónia ocorrida a 17 de Junho.

Para além deste trabalho, o colega ficou com a componente lectiva no Centro Novas Oportunidades, para o qual teve de receber formação, disponibilizada pelo ME.

Pergunto pois: vamos desperdiçar o "know how" de professores do Quadro de Escola, muito deles dominando áreas específicas ou pertencendo a equipas que desenvolvem trabalhos com uma abrangência temporal definida, fazendo-os sair da escola para, mais tarde, em Setembro, vir a contratar outros professores?

Estas são as perguntas, em jeito de desabafo, de uma mera coordenadora da Biblioteca/Centro de Recursos da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, em Caldas da Rainha.
16 de Julho de 2008

Noémia Cláudia Machado
PQND do grupo 300 e
Coordenadora da Biblioteca / Centro de Recursos da Esc. Sec. Rafael Bordalo Pinheiro
Caldas da Rainha

sexta-feira, 25 de julho de 2008

E AGORA?

Freitas do Amaral, ARRASA completamente o Presidente do Conselho de Justiça que pretendeu fazer um GOLPE DE ESTADO que afinal de contas lhe caiu em cima. Confirme AQUI

E agora pergunto: ficará isto por aqui?

Se for à portuguesa ... NÃO.

Há sempre um "Portugal desconhecido" à espera.

Cabe a Gilberto Madaíl dar cumprimento a este parecer caso contrário ficaríamos sem saber para quê que ele foi pedido. Para emoldurar as conspurcadas paredes da Federação?

Boavista desce de divisão (e é MUITO POUCO) e Pinto da Costa é suspenso por 2 anos (e é também MUITO POUCO) .

É pouco, muito pouco para a VERGONHA que tem CORROMPIDO o Desporto em Portugal. Mas enfim ... numa República de Bananas como esta, também não se estava à espera de melhor, não é verdade? Num país onde não há justiça ... agora imaginem se houvesse!!!

Fiquemos então à espera dos próximos pareceres de Miguel Sousa Tavares, do Manuel Serrão e do Carlos Magno. Ah ... a sapiência parda que é o Guilherme Aguiar já abriu a boca, perdendo, uma vez mais, uma belíssima oportunidade para ter ficadop calado. Como sempre, saiu asneira!! Estes SIM, estes é que percebem do assunto, não é o sr. Professor Doutor Freitas do Amaral.

Nem sei se chore, se ria. Portugal no seu melhor !!!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

LUIS DE MATOS NÃO FARIA MELHOR !!!

O país não melhora chamando profissional a um ensino sem oficinas nem laboratórios nem diplomando o analfabetismo. A Comissão Europeia tornou público mais um relatório, o quinto, sobre a distância que separa os sistemas educativos europeus do cumprimento das metas para 2010, estabelecidas pela Estratégia de Lisboa, em 2000. Como Portugal não está bem na fotografia, logo o inefável Valter Lemos se apressou a desvalorizar as constatações de Ján Figel, comissário europeu da Educação, alegando que os números não traduzem a "aceleração" dos últimos tempos.

São assim, estes governantes: se os números são bons, loas a eles; se os números são maus, toca a torcê-los. Estou farto de relatórios e dos bonzos da estatística, mas socorro-me deste para denunciar a glorificação da asneira promovida pelos pigmeus da política e para clarificar que a "aceleração" de que falam é simples manipulação de números e mistificação de resultados. Diz o relatório que, em 2007, 36 por cento dos jovens portugueses abandonaram a escola sem concluir o ensino secundário.

A média de abandono para esse nível de ensino na Europa não chega a 15 por cento e o objectivo da Estratégia de Lisboa é reduzi-lo a 10. O governo tem anunciado o sucessivo crescimento do ensino profissional como o facto que mais tem contribuído para a diminuição da taxa de abandono. É uma insistência que cansa. Recordo o que aqui já escrevi e é bem conhecido por quantos estão no terreno: o país não melhora chamando profissional a um ensino de papel e lápis, sem oficinas nem laboratórios, diminuindo exigências ao nível da fraude e diplomando o analfabetismo. Estes cursos, insidiosamente anunciados como o futuro dos nossos filhos e magicamente facilitadores duma entrada na universidade, terminarão com uma desilusão do tamanho da ilusão que vendem.

Quando daqui a anos os factos me derem razão, perceber-se-á que garantir equivalência a diplomas escolares com cursos de jogadores de futebol não passa de malabarismo rasca para manter na escola todos os que antes a abandonavam. A "aceleração" dos anos 80 gerou universidades de vão de escada e um crescimento desordenado do ensino superior, que terminou nos tribunais, nas falências, no descrédito e num desemprego de doutores que, só no reinado de Sócrates, cresceu 63 por cento. Mas não impediu, duas décadas mais tarde, a glorificação de nova asneira. Quando os factos lhes caem em cima, julgam que os políticos mudam de ideias e corrigem as políticas? Não! Eles preferem mudar os factos.

Esperemos para ver reacções mais elaboradas a uma constatação do relatório, segundo o qual a iliteracia, que a Estratégia de Lisboa queria diminuir de 20 por cento até 2010, afinal... aumentou. Disse Figel, desvalorizou Valter, que um quarto dos jovens portugueses não sabe ler ou interpretar o que lê. Naturalmente que esse é o resultado da orientação do ensino para a facilidade suprema, para a despromoção do rigor e da exigência que a ministra, secretários de Estado e gurus do eduquês têm promovido.
Disse-se que "os chumbos são um mecanismo retrógrado, antigo" e que "facilitismo é chumbar".
Disse-se aos adultos que chegou a altura de terem "a escolaridade obrigatória sem frequentar a escola" e aos jovens que podem nem sequer lá pôr os pés que não reprovam por isso.
Esperava-se que tais dislates promovessem o saber? O milagre da Matemática e a farsa dos exames nacionais foram chocantes. A facilidade de muitas provas colheu a unanimidade dos observadores. Mas a ministra diz que são meras opiniões, não sustentadas por factos.

Perguntas mal formuladas não são factos.
Perguntas a tresandar a ideologia de pacotilha não são factos.
Respostas erradas, mandadas considerar como certas, não são factos.
Glossários e formulários indigentes fornecidos aos alunos, não são factos.
Grelhas paranóicas de classificação, que reduziram a zero a autonomia dos professores, não são factos.
Facto é que os 25 por cento de analfabetos funcionais, apontados pelo comissário europeu, são antes os acelerados de Valter Lemos.
Luís de Matos não faria melhor!

Santana Castilho, professor do ensino superior

quarta-feira, 16 de julho de 2008

AO PONTO A QUE CHEGÁMOS ...

Via email, acabo de receber um documento incrível que ilustra bem ao ponto a que este Ministério da Educação fez chegar as escolas. Do Agrupamento das Marinhas, vale a pena clicar no documento para o aumentar e ler.
Para ler atentamente.
De boca fechada.
De facto, anda tudo doido, mas há uns que andam mais doidos que outros !!!!

domingo, 13 de julho de 2008

CRIANÇAS PORTUGUESAS ENTRE AS MAIS BAIXAS E GORDAS DA EUROPA

EXCESSO DE PESO NOS JOVENS É MAIOR EM PAÍSES DO SUL QUE DO NORTE

Aos 11 anos, as crianças portuguesas são "significativamente mais baixas" do que a maior parte das suas congéneres da União Europeia e também mais pesadas do que o padrão de referência para a idade.

Deste cruzamento resulta que, em conjunto com as crianças espanholas, as portuguesas são aquelas que têm um Índice de Massa Corporal mais acima da norma para a idade, segundo revela o estudo europeu Pro Children, financiado pela UE e concluído em 2007.
Em vez de 17,68 (raparigas) e de 17,48 (rapazes) dados como padrão para a sua idade, as meninas portuguesas de 11 anos subiam para os 19,1 e os rapazes para os 19,4. Dos nove países avaliados no âmbito do Pro Children - Áustria, Bélgica, Dinamarca, Islândia, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Suécia -, que em Portugal foi coordenado pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação do Porto, só o país vizinho apresenta um desvio parecido.

Mas a situação é mais grave por cá.

Com base em inquéritos enviados para as escolas e que foram entregues depois aos pais para estes responderem, entre Outubro e Dezembro de 2003, o Pro Children confirmou que o passo seguinte já fora também dado.
Dos nove países estudados, Portugal era o que apresentava uma maior prevalência de crianças que, aos 11 anos, tinham peso a mais ou já eram obesas: 30,6 por cento de rapazes e 21,6 por cento de raparigas cabiam numa daquelas duas categorias. João Breda, coordenador da Plataforma Nacional contra a Obesidade da Direcção-Geral da Saúde, frisa que a prevalência do excesso de peso entre as crianças é hoje uma característica do Sul da Europa.

"Está relacionada com a perda dos valores da alimentação tradicional de características mediterrânicas, e também com o baixo nível educacional dos pais", explica, chamando também a atenção para o facto de os países do Norte terem acordado para o problema bem mais cedo. Segundo dados da International Obesity Task Force, no Sul da Europa a prevalência da obesidade infantil situa-se entre os 20 e os 35 por cento, enquanto no Norte está entre os 10 e os 20 por cento.

Em todo o mundo, esta "epidemia do século XXI", como já foi classificada e que, segundo os especialistas, tem vindo a ultrapassar os piores prognósticos, abrangerá 155 milhões de crianças. Na Europa, a expectativa é de que o seu número (22 milhões já terão excesso de peso) aumente ao ritmo de mais 400 mil por ano.

A obesidade é já responsável por seis por cento das despesas de saúde. Em Portugal, dados da DGS situam este patamar nos 3,5 por cento: 235 milhões de euros. No futuro será pior. Um dos principais especialistas portugueses em diabetes, Davide Carvalho, prevê que, devido à obesidade crescente, em 2025 Portugal será o quatro ou quinto país com mais casos daquela doença.

Inquéritos realizados no âmbito do Pro Children mostram que em média só 17,6 por cento das crianças com 11 anos comem a quantidade recomendada pela OMS (400 gramas/dia). Portugal e a Áustria, com 265 gramas, são os que apresentam melhores resultados. O consumo de sopa é um dos grandes responsáveis por esta performance de Portugal que, no entanto, não lhe garante um lugar entre os menos obesos.
Os próximos estudos permitirão talvez apurar as razões para esta discrepância, sendo certo que não é a sopa a culpada