BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

AYRTON SENNA - O MELHOR PILOTO DE F1 DE TODOS OS TEMPOS

A minha mais do que justa Homenagem àquele que considero ter sido o melhor piloto de fórmula 1 de todos os tempos. Com a sua morte prematura, a fórmula 1 perdeu todo o seu encanto.





SUCESSO ESCOLAR? . . . FACÍLIMO!

Qualquer semelhança com a realidade não passa de pura coincidência.
E se a gorda e sinistra ministra não sabe como resolver o problema do sucesso escolar em Portugal, do abandono escolar e da falta de motivação dos professores, pais e alunos ... é fácil.
Dê uma vista de olhos a esta banda desenhada de ficção da parvalhónia para ver como é que na Parvalândia se faz.
É que se eles conseguem bons resultados porque não nós em Portugal? Nada mais fácil para sair da cauda da Europa.

















POESIA PARA QUEM VIVE DISTRAÍDOS NO DESGOVERNO DE SÓCRATES

No primeiro diploma,
Congelam as progressões,
Acabam os escalões,
E não dizemos nada.
No segundo diploma,
Aumentam o tempo das reformas,
Mexem com todas as normas,
E não dizemos nada.
No terceiro diploma,
Alteram o sistema de saúde,
Há um controlo amiúde,
E não dizemos nada.
No quarto diploma,
Criam-se informações,
Geram-se várias divisões,
E não dizemos nada.
No quinto diploma,
Passa a haver segredo,
As pessoas vivem com medo,
E não dizemos nada.
Até que um dia,
O emprego já não é nosso,
Tiram-nos a carne fica o osso,
E já não podemos dizer nada.
Porque a luta não foi travada,
A revolta foi dominada,
E a garganta está amordaçada.
Cláusula de salvaguarda
Face ao perigo dos Bufos súcia-listas, comunico que:
- este e-mail não está a ser enviado por nenhum funcionário público durante o horário de trabalho;
- não está a ser enviado de um computador de um organismo público;
- não está a ser enviado de nenhum gabinete, nem mesmo do interior de uma instituição da administração pública;
- não existe nenhum bufo por perto;
- não é um comentário jocoso;
- não é um insulto;
- não trata o Exmo e Ilustre Sr. ex-Eng. Primeiro-Ministro com sentido depreciativo e injurioso;
- garante a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo "QUERIDO LÍDER ";
- não demonstra grave desinteresse pelo cumprimento dos deveres gerais de lealdade e correcção;
- não viola o dever de lealdade;
- não procura atingir o Sr. ex-Eng. primeiro-ministro;
Aliás , eu gramo o Sr. Eng. Primeiro-Ministro aos molhinhos;
e Viva o GRANDE LÍDER DO POVO, O SR. ENG. Primeiro-Ministro!!!
Mais: se alguém bufar que fui eu a enviar este e-mail, eu nego N-E-G-O."
FIM

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A EDUCAÇÃO PODE SER AINDA MUITO MELHOR

St. Tropez, 30 de Outubro de 2007
Minha cara Maria de Lurdes
Mesmo a este recanto turístico francês chegou o sucesso da Educação: diminuição em 22 por cento do insucesso escolar!
Estava eu, repimpado com vista para o mar, a celebrar com um Don Pérignon Vintage 1998 mais este sucesso da nossa Educação quando, para minha desgraça, o meu velho amigo Prof. Jean Desgrandes Baldàs me desencantou:
- Mais non, mon cher, não é um grand sucesso. É apenas um petit passo (o resto do diálogo vai em português, senão isto parece uma entrevista com o Comendador Berardo, caso ele tivesse sido educado no Québec).
Contrapus que eram 22 por cento! Mas ele insistiu.
- Podiam ser mais. Eu tenho um método quase perfeito para melhorar esses números.
- Qual? - perguntei, ávido.
- Não só acabar com a retenção ou chumbo por faltas, como também por notas ou por qualquer outro caso.
Perguntei ao Prof. Jean Desgrandes Baldàs em que circunstâncias poderia, então, um aluno chumbar.
- Nunca! Jamais! A menos claro, em casos muito graves, se matar um professor ou fumar no recreio ou assim... De resto, o aluno não é retido. E poderia mesmo ser - e este é o grande segredo do meu método acelerado!
- Acelerado? Que quer o Prof. Baldàs dizer com isso?
- Acelerado! Por exemplo, um aluno que está no 6.º Ano de escolaridade, se for a mais do que 20 aulas pode passar logo para o 8.º ou o 9.º Ano, por exemplo.
- Porquê?
- Porque sabe tanto como um que lá chega sem pôr os pés na aula, como é óbvio, evidente e absolutamente claro. Repare, se um aluno que nunca viu o quadro negro da sua turma, acaba por passar do 6.º para o 7.º, por que razão injusta o que se esforça e aparece, vá lá, mais de 10 vezes, não pode passar para o 8.º ou 9.º.
Concordei com o meu amigo. Mas como gosto de discutir, ainda tinha uma objecção.
- E se um aluno do 1.º Ano for todos os dias à escola? O que lhe dá? O diploma do 9.º Ano?
- Por que não? Que lhe falta a ele saber para a vida? Não vê o concurso "Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?"
- E se ele continuar sem faltar - objectei - pode dar-lhe a Carta de Condução? - interroguei, em tom de brincadeira.
- Claro que sim. Desde que ele não conduza. No fundo, não é diferente de dar o 9.º Ano a quem não sabe quantos são 7x8, ou a raiz quadrada de 9. Porque, repare - e este era o grande argumento do Prof. Desgrandes Baldàs -, o que interessa não é o conhecimento, mas sim a aprendizagem. Ora, quem está num programa de aprendizagem (ou seja, uma aula) ganha créditos e direitos, não lhe parece?
-Mas mesmo sem saber nada de útil? - ainda contrapus. E ele respondeu, calmo:
- Se não tivermos de provar os conhecimentos, todos nós somos especialistas em Física Quântica. Este é o meu postulado. Confesso, minha cara Ministra, que fiquei a pensar nisto. Como método de pedagógico é só mais um pequeno passo dos muitos que em Portugal temos dados. Pense também, e aceite os meus cumprimentos
Comendador Marques de Correia

sábado, 10 de novembro de 2007

O ESTADO EM QUE SE ENCONTRA A ESCOLA E O ENSINO EM PORTUGAL

Carta aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa

Ílhavo, 22 de Outubro de 2007

Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência:

Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: “Talvez V. Excia não saiba bem quanto!”

1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a “má-fé”) do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).
A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.

2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: ”Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!”

3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer “Olha-me este!” e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.

4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: “Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?”
Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas “Entram, sentam-se e calam-se!”
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como “obrigado”, “por favor” e “desculpe” e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente “Mas o que é que este quer agora?” e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno “não está na sala”, está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem “esquecidas” em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: “Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!” mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!

5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para “tirar o 9º ano”.
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!

7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, “enfrentar”, já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender “dói”! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.

Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira…

Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo…

Atenciosamente
Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
3830 - 203 ÍLHAVO

... APENAS AO ALCANCE DOS CORRUPTOS E DITADORES FACÍNORAS

Quem havia de dizer ... aliás, é comum a todos os ditadores facínoras, a opulência.

Pois é ... enquanto o povo passa fome ...


A quem pertence esta opulenta mansão?.....
Finalmente alguém obteve estas fotos.
Imaginem quem tem este gosto e vive nesta opulência?
Um Bilionário Americano?
Um Principie Saudita?
Louis XIV de França?



This manison belongs to::

President of Zimbabwe

Robert Mugabe

one maniac, that has his people starving, while he fills his pockets with millions and the world looks on without doing anything and the African nations are very proud of him for standing up to the white farmers that fed the nation.

Most Africans outside Zimbabwe thinks of him as a hero!.

Damn...surely we will have to organize, again, one solidarity campaign with the people of Zimbabwe .

So much hipocrisy.

O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE E OS GENERAIS DE CARREIRA

UMA EXCELENTE FORMA PARA LUTAR CONTRA O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE!


A plataforma negocial de 14 sindicatos não chegou a acordo com a ministra sobre o novo Estatuto da Carreira Docente.
E muito bem.
O que se pretende é aniquilar completamente o que resta da dignidade de ensinar.Já nem falo do dinheiro que se perde.
A dignidade de 400 mil professores é que não se admite que uma qualquer ministra, que não o será mais do que 4 anos, destrua.
Agora: há variadíssimas formas de luta. Desde já proponho uma monumental greve de "zelo", cumprindo apenas os serviços mínimos na sala de aula. Se os pais não se importam com a vida escolar dos seus alunos talvez seja a única forma de o começarem a fazer.
Dá-se a matéria mínima, ao ritmo mínimo, tiram-se as dúvidas a quem estudou, não se repetem exposições. Ou seja: temos que fazer com os alunos aquilo que a ministra quer fazer connosco, a ver se os pais entendem a nossa luta e se gostam que o mesmo aconteça aos seus filhos. Estabeleceremos cotas em cada turma:Em 20 alunos, só daremos 10% de nota máxima, tal como a ministra faz connosco.
Portanto, se houver mais do que 2 alunos que mereçam 5, paciência!
Ficam com 5 os dois melhores.
Mas se um deles faltou mais de 3 dias por doença, terá que ter paciência.
Fica com 4 e sobe o seguinte a aluno-titular.
Os outros cotam-se, proporcionalmente, por aí abaixo.10% de nível 5 e 20% de nível 4.
O resto vai corrido a 3.
Se uma turma for muito boa e tiver 10 alunos que merecessem 4 e 5, outra vez paciência.
«Nem todos podem chegar a generais», não é?
Dois ficam com 5, quatro com 4 e os restantes terão 3.
Mesmo que, também esses merecessem 5. Faltaram?Quem os mandou adoecer a eles ou aos pais? Quem mandou o carro avariar e chegar tarde uma vez? Quem mandou o irmão mais novo apanhar sarampo?
É cotas, é cotas!
Não são os Pais que aprenderam com a ministra que «nem todos podem chegar a general»?
Pois então? Os seus filhos também não!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

ANGOLA - DO NOVO RIQUISMO ÀS DESIGUALDADES SOCIAIS AGRAVADAS


Novos empreendimentos erguem-se em meio a cenário de desigualdade social

O superaquecimento da economia vem dando origem a uma nova geração de empreendedores, mas preserva e pode até estar agravando a diferença entre ricos e pobres.
Novos capitalistas proliferam. Um caso típico é o de Daniel Nunes, 31. Dez anos atrás ele combatia ao lado de tropas marxistas na selva.
Hoje, de óculos escuros e relógio vistoso, viaja três vezes por ano para Dubai a fim de comprar carros de luxo e revendê-los em Angola, lucrando até o equivalente a R$ 15 mil por unidade.
No centro de Luanda, a capital, as contradições são visíveis. Erguendo arranha-céus para o governo ou petroleiras, guindastes disputam espaço com prédios delapidados. A moderníssima sede da estatal do petróleo Sonangol, 19 andares em vidro fumados, é vizinha de cortiços com fachadas tomadas por roupas em varais. Concessionárias despejam carros 4X4, preferência nacional, nas ruas esburacadas. Os engarrafamentos são intermináveis.
Em Angola, nada é mais comum do que deixar o ar-condicionado de um vistoso edifício e pular uma poça de água esverdeada e malcheirosa na calçada. Ao lado, provavelmente haverá uma pilha de lixo. Blecautes são uma certeza quotidiana num país que extrai 2 milhões de barris diários de petróleo, a segunda maior produção africana.
O fluxo de petróleo deve cair a partir de 2012, o que já preocupa o governo. "Estamos trabalhando para desenvolver outros sectores e deixar de ter a economia vinculada ao petróleo", disse a ministra do Planeamento, Ana Dias.
O fluxo repentino de recursos tornou a corrupção endémica. A cultura de pagar "gasosa" (literalmente, refrigerante) para polícias e funcionários públicos está enraizada. Angola, no ano passado, foi considerada pela ONG Transparência Internacional o 34º país mais corrupto do mundo, entre 180.
Há ainda sinais de que o petróleo pode estar contribuindo para empurrar uma parcela da população para um estado mais agudo de pobreza. A explosão da demanda gerada por petrodólares não foi acompanhada por similar aumento de oferta. O custo de vida disparou, e hoje Luanda é uma das cidades mais caras do mundo.
Os ricos e a classe média emergente refugiam-se em novos condomínios fechados e aproveitam o primeiro shopping e as primeiras salas cinemax do país. Na Ilha de Luanda, o bairro boémio, lotam restaurantes dispostos a pagar o equivalente a R$ 80 por uma lagosta ou R$ 55 por um prato (individual) de picanha com farofa.
Na periferia, onde o desemprego é de 60%, jovens recorrem a biscates ou à venda de badulaques em semáforos. Roubo de carros e assaltos tornaram-se problemas sérios.
"Crescimento não é necessariamente desenvolvimento.
O crescimento ainda não se reflecte na melhoria das condições de vida das pessoas", admite Custódio Armando, da Agência Nacional para o Investimento da Presidência.
Sintomaticamente, num país que sempre foi fanático pelo kuduro, o samba funk angolano, é o rap de protesto de artistas como MC Kappa, 25, que hoje mais cresce.
"Já estou no asfalto, os cidadãos reclamam, os preços estão mais altos. Lixo na rua é o semblante matinal, subida do combustível é a manchete do jornal", canta ele, no hit "Atrás do Prejuízo".

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

DIAMANTES ENRIQUECEM GENERAIS

Uma sociedade de generais angolanos encaixou perto de 120 milhões de dólares, nos últimos dez anos, com uma participação "silenciosa" no negócio dos diamantes.
Segundo revelou a organização não governamental Parceria África-Canadá(PAC), na Revista Anual da Indústria dos Diamantes 2007 dedicada a Angola, publicada ontem, abundam por todas as regiões mineiras angolanas casos como o da "Lumanhe Extracção Mineira, Importação e Exportação", em que empresas "aliadas do Governo" impõem a sua presença em projectos de exploração."
Na corrida para conseguir uma parte da indústria angolana de diamantes,a Lumanhe demonstrou ser extremamente afortunada, captando uma participação de 15 por cento nos projectos aluviais de Chitotolo e Cuango, e uma participação de percentagem semelhante no projecto de exploração em Calonda", afirma o relatório. A empresa tem como sócios *António Emílio Faceira* , Armando da Cruz Neto, *Luís Pereira Faceira *, Adriano Makevela McKenzie, João Baptista de Matos e Carlos Alberto Hendrick Vaal da Silva, cinco dos quais generais das Forças Armadas Angolanas.
De acordo com a PAC, o rendimento anual da "empresa dos generais" passou de cinco milhões de dólares em 1997 para 22 milhões de dólares em 2006.No total, o rendimento no período foi de 120 milhões de dólares, o equivalente a dois milhões de dólares por general, por ano."Os investidores estrangeiros que actuam em Angola parecem ter incluído essas transferências de dinheiro simplesmente como fazendo parte dos custos de negociação. Contudo, ao reivindicarem de cinco a 25 por cento de cada projecto, essas empresas aliadas do Governo não estão a tirar dinheiro ao Governo ou aos investidores. É o povo angolano que paga o preço", afirma."
A pergunta fundamental", diz a ONG, é "o que os angolanos poderiam ter feito com esse dinheiro", que equivale ao necessário para a construção de 100 hospitais provinciais como o recentemente inaugurado no Dondo, capital da Lunda Norte, no valor de 1,25 milhões de dólares."Os 120 milhões de dólares recebidos pelos generais dariam para construir 150 escolas e pagar a 800 professores um salário mais digno de300 dólares todos os meses durante 25 anos, sobrando ainda dinheiro para giz, papel e canetas", afirma a PAC. De acordo com a ONG, existem um pouco por todas as regiões produtoras de diamantes "projectos de mineração onde as empresas angolanas apoiantes do Governo retiram a sua parte". Entre estas estão a Hipergesta e a Angodiam (cada uma com participação de dois por cento no projecto Luô), Micol e Som Veterang (25 por cento no projecto Láurica). Toca Mai, Diagema, Afro Mineiras, Lumae, CDS e CMJS detêm 30 por cento no projecto da Fucauma, adianta a mesma fonte, sem especificar que interesses governamentais específicos estão por detrás das referidas sociedades."
Além desses, há dezenas de outros projectos em prospecção ou a entrarem produção. Nas próximas décadas, o custo dessas transferências ascenderá a um valor de vários milhares de milhões de dólares", afirma. Entre as recomendações da ONG ao Governo angolano está a realização de leilões ou licitações para atribuição das participações em sociedades mineiras, e que os ganhos destes sejam encaminhados para projectos sociais nas regiões diamantíferas. "O Governo angolano e a ENDIAMA devem deixar de oferecer grandes percentagens dos projectos de sociedade conjunta às empresas angolanasapoiantes do Governo. Todos os vínculos nominais que existem entre as áreas de concessão e as empresas angolanas deveriam ser cancelados",defende o relatório.
Além disso, adianta, o executivo e a ENDIAMA devem "trabalhar a questão da distribuição dos benefícios do sector diamantífero angolano", uma vez que os beneficiados actualmente resumem-se ao Governo, empresas e aos amigos do Governo, "e pouco é retribuído aos moradores das regiões que produzem diamantes". A PAC foi criada em 1986 com o apoio da Agência Internacional Canadiana de Desenvolvimento e de diversas organizações não-governamentais africanas, dedicando-se à promoção do desenvolvimento sustentável em África.
Fonte: Lusa

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

OS PROFESSORES SÃO OS CULPADOS PELO INSUCESSO ESCOLAR?




Os professores são culpados do insucesso escolar?
- Sim. Se metade dos alunos chumbam não é porque são mais burros que os outros. A culpa é dos professores e de quem os educou. A ministra está a ser corajosa.
Inês Pedrosa (escritora)
Por incrível que pareça, quem diz isto, não é uma pessoa qualquer que à partida não deveria confundir-se com uma qualquer pessoa. É uma pessoa que se faz passar por escritora, que deveria estar mais conhecedora do Ensino e da Educação em Portugal. Ou então, deve ter alguns ajustes de contas a fazer com os professores.
É que se em Portugal metade dos portugueses não lê, não é porque são mais burros que os outros. A culpa é dos pseudo e incompetentes escritores como ela, ignorantes e ressabiadas da vida, que vendem menos livros que algumas peixeiras na praça vendem peixe e que, lá porque aparecem de vez em quando na TV ou nos jornais, fruto da solidariedade, corporativismo e amizades conseguidas entre os jornalista, se acham capazes de denegrir uma classe inteira de professores que merece muito mais respeito do que aquele que infelizmente lhes tem sido votado, graças aos enxovalhos de uma ministra que se chegou a vangloriar por ter "perdido os professores mas, ter ganho a população" onde ela está obviamente incluida.
Apoiada por um primeiro ministro, sr. José Sócrates, ex-engenheiro, que, com o sentido de OPORTUNISMO conseguiu em pouco tempo, aquilo que qualquer estudante digno e que se preze, leva anos a conseguir - uma licenciatura.
Talvez fosse interessante perguntar a esta senhora Inês Pedrosa que opinião tem sobre o sistema de equivalências do sr. Sócrates, dos exames de inglês técnico, do mesmo professor a leccionar 4 disciplinas, dos exames ao domingo, dos curriculos do curso e lista de alunos do ano da sua ... licenciatura, etc. etc. etc. E já agora, do duplicado de fotocópias rasurado que se encontram na Assembleia da República sobre as suas habilitações literárias.
Gostava de saber ainda se, sobre isto, os outros portugueses também são burros.
Ou estará esta dita escritora à espera de algum convite "job for de girls" ... no Ministério da Educação?
Vão continuar a comprar livros da Inês Pedrosa? Não sejam burros ...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

RELATÓRIO E CONTAS DA REN - 2006

Meus amigos ... ISTO É UMA VERGONHA
Os políticos da Maioria e da "Não Maioria" estão afinal de acordo com esta ENORME POUCA VERGONHA, a fim de salvaguardarem tanto o presente como o futuro. Enfim, mais uma de um governo onde os seus "boys" se procuram GOVERNAR.
Sacrifícios para os outros é uma coisa, não custa cobrar sejam eles reformados, professores ou desempregados. Agora, sacrifícios para os "boys", deputados, governantes e toda essa camada de parasitas que nos infestam, já é MUITO MAIS difícil. Razão têm os brasileiros quando dizem que ... "pimenta no dos outros é açúcar"
Mais do que ser uma vergonha ... METEM NOJO!
PORTANTO, HÁ QUE COBRAR IMPOSTOS AOS REFORMADOS A PARTIR DE 600 € PARA SE CHEGAR AO DEFICIT DE 3%... esta é que é a verdade!
Vencimentos dos gestores da REN (Rede Eléctrica Nacional), segundo o Relatório e Contas de 2006 (dados publicados a páginas 127/8):
1 Presidente (José Penedos)
Remunerações anuais
Vencimento base: 272 658
Plano complementar de reforma: 45 443
Subsídio de alimentação. 2 238
Despesas de representação: 8 529
Total geral: 328 868
Média mensal: 27 405 (5.495 contos)

____

Vogais (Vítor Baptista, Aníbal Santos, Henrique Gomes e Soares de Pinho)
Remunerações anuais de cada um dos 4 Vogais:
Vencimento base: 172 205
Plano complementar de reforma: 28 701
Subsídio de alimentação. 2 238
Despesas de representação: 8 529
Total geral: 211 673
Média mensal: 17 639 (3.536 contos - cada um)

Complementarmente, o Presidente e os Vogais têm direito à utilização de viatura da empresa, com um "plafond" de 75 mil euros e 65 mil euros , respectivamente, em relação ao qual não beneficiam do direito de opção de compra, nos termos da Resolução do Conselho de Ministros nº 121/2005.

RECORDAÇÃO DE UM DESASTRE

Faz hoje 30 anos que perdi num dia, 27 de Maio de 1977, mais amigos do que em toda a vida. Perdi-os, mesmo, de morte.
E eles morreram não como se morre num acidente, juntos, mas como quando os homens enlouquecem, de um e de outro lado.

O Juca, o Neto, o Nado, o Zé, o China, o Gigi... Assim, com nome de miúdos, como éramos quando nos fizemos juntos.
Uns morreram por serem "nitistas", outros por serem "netistas", mas isso não os merece. Eles foram muito mais, por isso os misturo, porque foi juntos que eles foram o que foram, jovens de coragem.

Dez anos antes, éramos todos adolescentes, e não éramos exactamente como a nossa geração luandense. Em finais dos anos 60, vivíamos num país colonizado, Angola, e só dizer o nome do nosso país fazia-nos brilhar os olhos.


O Zé tinha 18 anos e ia à cadeia visitar presos políticos. O Neto distribuía livros proibidos. O Juca mandava medicamentos para os guerrilheiros que combatiam no Norte. Nessa altura estávamos juntos. Quando Marcelo Caetano foi a Luanda, em Abril de 1969, enchemos a nossa cidade de panfletos.


Dizíamos neles: "Amanhã, Angola será melhor."Dir-se-á, revolta vulgar em jovens. Não, não era. Por isso éramos poucos. Não era comum dois rapazes, um negro e outro branco, baterem à porta da cadeia colonial do Cacuaco e anunciarem que queriam ver o Escórcio, preso político. Em fins de 1969, todo o grupo teve um duro destino. Uns exilaram-se, outros foram presos (Peniche, Tarrafal, São Nicolau) - nenhum pôde ficar a viver na sua bela e querida cidade.Em 1975, Angola tornou-se independente, mas não se tornou melhor.


A prova foi o 27 de Maio de 1977 - uma explosão fratricida no interior do MPLA. Ao China, que tinha sido guerrilheiro, nitistas (apoiantes de Nito Alves, uma facção do partido) foram buscar a casa; de passagem, levaram o Garcia Neto, que o visitava.


Os corpos dos dois foram encontrados queimados. Os do outro lado, os netistas (da facção do Presidente Agostinho Neto), deram caça aos nitistas ou que assim eram tidos. O Nado, o Juca Valentim, o Zé Van-Dúnem, o Gilberto Saraiva de Carvalho, foram presos, quase sempre torturados, todos mortos.


Como centenas de outros, mas falo aqui dos meus amigos. Pergunto o que nos aconteceu e acuso-me e aos meus amigos. A nossa coragem nós emprestámo-la à ideologia e foi esta que nos matou - a alguns, fisicamente, naquele dia; a todos, por nos ter cegado. De nós, que tanto falávamos do futuro, não me lembro de nos ouvir falar da vida real.


E, no entanto, o Juca devia ter sido o engenheiro que Angola precisa, o Neto seria o professor que ia dentro dele, o Zé, o chefe do que quer que seja, natural nele, tão superior, elegante e inteligente... Mas falhámos tudo e não foi só naquele dia.




Ferreira Fernandes - jornalista


ferreira.fernandes@dn.pt

O SILÊNCIO QUE GRITA

Fonte: Carlos Gonçalves - Angola Digital
Wednesday, 13 June 2007
Especial Angola Digital.
Existem gritos estrondosos que ressoam e tudo estremecem à sua passagem. Existem gritos finos, secos, curtos e imediatos, brevíssimos de uma agonia fatal e eficaz. Existem gritos agudos cujos decibéis estilhaçam os vidros à volta. Existe o grito e existe o silêncio. Sobre o 27 de Maio de 1977 existem as duas coisas.
Na carta que escreve ao Semanário Angolense nº 139, Artur Pestana “Pepetela” levanta uma ponta do véu ao assumir ter feito parte de uma “Comissão criada pelo Bureau Político do MPLA com o objectivo de seleccionar, entre os depoimentos dos detidos na altura, os que seriam mais elucidativos para serem transmitidos pelos Órgãos de Informação”. Esta passagem da carta é, pelo menos, elucidativa para algumas ilações, nomeadamente que Artur Pestana terá ouvido muita coisa. Também que havia uma estratégia clara para a propaganda do facto, pelo menos para a difusão de esclarecimentos que servissem, na óptica do Estado, para marcar uma posição clara do tratamento a dar a qualquer tentativa semelhante.
O 27 de Maio, ao que se diz, marca uma tentativa de golpe de Estado, liderada por Nito Alves e José Van-Duném, contra Agostinho Neto por divergências ideológicas. O que se seguiu persiste até hoje na encruzilhada entre o imaginário e a ficção.Os que sabem não falam, os que sabem um pouco especulam, os que não sabem nada fazem que sabem. O facto é que todos sentem medo, o mesmo medo que aterroriza até os que não viveram directamente, ou eram miúdos, ou somente ouviram falar. Um medo que trespassa gerações, portanto. Mas que medo é esse? Certamente o medo que impõe o silêncio.
A questão é que esse silêncio já não se justifica no quadro de uma politica de “reconciliação nacional” entre angolanos desavindos ao longo dos anos. Em termos políticos houve “perdão” e “reconciliação” para os da FNLA. Houve “perdão” e “reconciliação” para os da UNITA. Houve “perdão” e “reconciliação” com o Zaire (RDC), ainda no tempo de Mobutu. Houve “perdão” e “reconciliação” com os “colonialistas” de Portugal. Houve “perdão” e “reconciliação” com os Estados Unidos da América. Houve “perdão” e “reconciliação” para muitos crimes económicos e civis de pessoas singulares e colectivas. Não haverá perdão para os “crimes” do 27 de Maio?
Enquanto não se sabem as razões desse “silêncio de estado” temos de convir que, do ponto de vista moral, os familiares têm direito à indignação. Fala-se que não há uma família sequer que não tenha ficado afectada com os acontecimentos de 27 de Maio, com grande incidência para as zonas de Luanda, Bengo, Kwanza-Norte, Malange, Benguela e até mesmo de angolanos que viviam e estudavam no estrangeiro. Diz-se à boca miúda que nas cadeias de Luanda a “intriga” tinha mais força que a justiça e, até que se esclarecessem alguns “equívocos”, a desgraça já havia chegado e os parentes partido para um destino até hoje incerto. É evidente que há aqui responsabilidades do Estado por cumprir.
É imperioso que se expurgue essa mácula do nosso passado (i)moral e que, verdadeiramente, façamos uma reconciliação “tout-court” entre todos, apelando à nossa imensa capacidade de “perdoar”, ou não será também infinita a bondade dos homens políticos? Á Comissão a que pertenceu Artur Pestana “Pepetela”, criada pelo Bureau Politico do MPLA, poderia certamente pedir-se que viesse fazer uma reconstituição das audições, certamente ainda num qualquer arquivo. Poderia mesmo criar-se uma nova Comissão de Conciliação para os acontecimentos do 27 de Maio. Porque não?
Hoje o medo frio que perpassa pela “espinha dorsal” da sociedade angolana, ambígua entre o “amor” e o “ódio” ao seu próprio Estado-Nação, com temor “inquisitivo” à sua Polícia de Segurança do Estado, leva-me a supor que relativamente ao 27 de Maio existe na geração que a viveu directamente um tipo de “medo” capaz de se alastrar como um desígnio e uma espécie de consciência nacional da paralisia dos sentidos. Essa etapa, que queremos saltar na história da construção da nossa Nação, faz lembrar dramas que ocorreram em diversos lugares pelo “abafamento” de “pequenos pecados?” mal expurgados em determinadas sociedades.
Os conflitos nos Balcãs e no Ruanda foram resultados directos de parciais cegueiras de um mal propalado realismo social “tropical”, surgido depois de conflitos com origem ideológica. Nós não queremos nem temos já necessidade de passar por isso. Faz parte da responsabilidade social do Estado agir imediatamente para que sobre o 27 de Maio não se faça mais drama de nenhuma espécie, nem qualquer aproveitamento político.Que se restitua às famílias, de igual modo, a dignidade dos seus entes queridos, independentemente do que tenha acontecido com eles. Na construção do nosso país, no nosso processo de maturação, quem não cometeu erros?
*Eco do Kwanza publicado em Maio de 2006

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

SOBREVIVENTES DO 27 DE MAIO DE 1977 AINDA PROCURAM EXPLICAÇÕES

Passados trinta anos dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, para uns uma tentativa de golpe de Estado, para outros um contra-golpe, os sobreviventes ainda procuram juntar pedaços da História, em nome das vítimas.
Vários sobreviventes contaram à Lusa as suas experiências e dizem que não procuram saber a verdade, porque essa já a conhecem, mas apenas apurar o que aconteceu aos milhares de desaparecidos após o 27 de Maio.

Há 30 anos, Nito Alves, então ministro da Administração Interna sob a presidência de Agostinho Neto, liderou uma manifestação para protestar contra o rumo que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) estava a tomar.
Segundo José Reis, José Fuso e Jorge Fernandes, que contaram à Lusa as suas experiências depois de detidos por serem considerados "fraccionistas", Nito Alves pretendia apenas "cumprir escrupulosamente os estatutos do movimento" e seguir "a orientação marxista-leninista adoptada".
Na versão oficial, através de uma declaração do Bureau Político do MPLA, divulgada a 12 de Julho de 1977, o 27 de Maio foi uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de "fraccionistas" do movimento, cujos principais "cérebros" foram Nito Alves e José Van-Dunem.
Nito Alves e José Van-Dúnem tinham sido formalmente acusados de fraccionismo em Outubro de 1976. Os visados propuseram a criação de uma comissão de inquérito, que foi liderada pelo actual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, para averiguar se havia ou não fraccionismo no seio do partido.

As conclusões desta comissão nunca foram divulgadas publicamente e Nito Alves nunca terá sido ouvido. Decide então escrever "13 teses em minha defesa", que, segundo os seus apoiantes da altura, não teve oportunidade de apresentar porque foi, juntamente com José Van-Dúnem, expulso do comité central do movimento, a 21 de Maio de 1977.
Os apoiantes de Nito Alves consideravam que o golpe já estava a ser feito por uma ala maoísta do partido, liderada pelo secretário administrativo do movimento, Lúcio Lara, e que terá instrumentalizado os principais centros de decisão do partido e os media, em especial o Jornal de Angola, pelo que consideraram que a manifestação convocada por Nito Alves foi "um contra-golpe".

Golpe ou contra-golpe, a repressão que se seguiu ao 27 de Maio contra os chamados fraccionistas teve graves consequências na sociedade angolana pelo número de mortos e detidos, mas também no seio do próprio MPLA, que perdeu muitos dos seus quadros e jovens militantes.
Ninguém sabe ao certo quantas pessoas morreram. Os números são tão díspares, que vão desde 4.000 a 82.000, dependendo das fontes.

Em Abril de 1992, o governo reconhece que foram "julgados, condenados e executados" os principais "mentores e autores da intentona fraccionista", que classificou como "uma acção militar de grande envergadura" que tinha por objectivo "a tomada do poder pela força e a destituição do presidente (Agostinho) Neto".
Entre os 11 nomes dos responsáveis, divulgados pelo governo, estavam Nito Alves, José Van-Dúnem e a sua mulher Sita Valles, militante da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em Portugal e que passou a militar no MPLA em meados de 1975. Os seus corpos, bem como os dos restantes, nunca foram entregues às famílias, nem emitidas certidões de óbito.

A Fundação 27 de Maio, criada em 2001 em Luanda, exige que o governo revele o que aconteceu aos milhares de pessoas que desapareceram para, pelo menos, "terem um enterro condigno", disse à Lusa o presidente da Fundação, Silva Mateus, que também esteve detido dois anos por acusação de envolvimento no 27 de Maio.

Esta fundação entregou há dois anos uma queixa por genocídio no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra os Estados angolano e cubano, "mas até hoje não houve qualquer resposta".
Em declarações à Agência Lusa, um colaborador da embaixada de Portugal em Luanda na altura, que pediu para não ser identificado, afirmou que a embaixada "tentou salvar todas as pessoas implicadas" e reconheceu que "havia muitos portugueses envolvidos".
No entanto, acrescenta a fonte, a posição das autoridades angolanas de então era que "quem fosse angolano não seria libertado".

"Havia muitos que eram luso-angolanos, mas que recusaram assumir a nacionalidade portuguesa" e, por isso, sofreram as consequências.
"Demos toda a protecção possível aos portugueses. Até cheguei a ir buscar no meu carro pessoas que estavam com medo e levei-as para minha casa", disse a fonte.
Questionado sobre se houve portugueses mortos na sequência do 27 de Maio, o colaborador de então respondeu que não sabe, acrescentando, no entanto, que "morreu muita gente na altura".
Sobre a decisão de Agostinho Neto de expulsar os portugueses, a fonte disse que se tratou de "um mal menor".

"Mais valia sair do que ficar, ser preso e ser morto", disse.
A mesma fonte acrescentou que a embaixada tentou interceder por Sita Valles, mas esta "não quis reivindicar a nacionalidade portuguesa" e como tal, "foi presa".

Sobre o que realmente se passou nesta altura, o responsável afirma que "a História é muito cruel e muito dura", considerando que "não vale a pena falar em bons e maus.
"O tratamento dado às pessoas foi brutal e cruel. De ambos os lados", disse.
Foi esse tratamento cruel que José Reis, José Fuso e Jorge Fernandes contaram à Lusa, e a que foram submetidos precisamente por recusarem dizer que eram portugueses.
José Reis esteve preso mais de dois anos. Detido a 30 de Maio, tinha 22 anos. Foi espancado, torturado e todos os dias pensava que ia morrer.
Esteve com mais dez colegas, todos nus, num pátio nas instalações da polícia de segurança do Estado (DISA), prestes a ser fuzilado. Foram salvos pelo director-geral, Ludy Kissasunda, que deu ordem para que os levassem para a cadeia de São Paulo, em Luanda.
Seguiram-se mais seis meses de horror. "Ouvíamos os outros a serem torturados. Todas as noites levavam pessoas que regressavam mais mortas que vivas. Alguns não regressavam", recorda.

"Um dia chamaram-me à noite, disseram-me para assinar um documento a afirmar que era português e deixavam-me sair de Angola. Recusei", diz, com orgulho.
A mulher, portuguesa, foi expulsa de Angola e a sua casa ocupada por um chefe da DISA. "Acabei por vê-lo mais tarde com os meus sapatos calçados", recorda.
Em Janeiro de 1978 foi transferido para um "campo de recuperação". "Foi horrível porque apesar de estar ao ar livre, sem grades, a pressão psicológica era terrível", diz.
José Reis foi inicialmente condenado à pena de morte, depois comutada para 24 anos de cadeia. Nunca foi julgado e saiu ao fim de quase dois anos e meio. Deixou Angola quatro meses depois por se sentir ainda "perseguido". Nunca mais voltou.

Jorge Fernandes foi preso no mesmo dia. Na cadeia, foi torturado e espancado durante um dia e meio. Ainda hoje tem problemas no ouvido esquerdo.
O episódio que recorda com maior mágoa foi a forma como o informaram da morte do pai, que já estava em Portugal. "Esperaram pelo meu dia de anos para me darem a notícia".
José Fuso também fazia parte deste grupo. Tinha 23 anos e era estudante de Economia. Nunca foi acusado de nada e diz: "Se cometi algum crime foi o de opinião política".
Há muitas coisas de que não se lembra, "uma forma de defesa para tentar apagar certas situações que se passaram".

A filha nasceu enquanto esteve preso. Diz que soube o sexo da criança "através de panos cor-de-rosa" que amigos lhe mostraram de fora da cadeia.
Das torturas, recorda que foi "levado para uma sala" e "interrogado enquanto um amigo pessoal estava a ser ameaçado com choques eléctricos nos órgãos genitais". Ainda tem marcas na cabeça das pancadas que levou.
Recorda que muitos presos "eram levados à noite, em ambulâncias, que regressavam no dia seguinte, vazias, e sujas de sangue".
Foi libertado a 17 de Agosto de 1979. Guarda "religiosamente" o mandado de soltura. Veio para Portugal em 1983 e nunca mais voltou a Angola.

Estes três sobreviventes formaram há três anos a Associação 27 de Maio, com um site onde podem ser deixados testemunhos. Reconhecem que não teve grande sucesso "porque as pessoas ainda têm medo de falar".
No entanto, o site serve pelo menos para partilha de informação. "Dá para juntar uma ponta daqui, outra dali e chegar a algumas conclusões".
Todos os anos lançam iniciativas para recordar a data e até já escreveram uma carta aberta ao Presidente angolano, mas nunca obtiveram resposta.
Este ano, não vão fazer nada. Porque assinalar 29, 30 ou 31 anos é a mesma coisa.

A Lusa contactou fonte da Presidência angolana, que não fez qualquer comentário sobre o assunto e um responsável do MPLA remeteu para "mais tarde" uma posição, que não foi possível obter em tempo útil.
Numa declaração oficial, aquando dos 25 anos do 27 de Maio, o Bureau Político do MPLA não usa a expressão "golpe de Estado", mas refere-se apenas aos "acontecimentos" motivados pela "atitude de alguns dos seus militantes que (.) conduziram uma acção de contestação aos órgãos de direcção do partido e do Estado, utilizando componentes de violência com excessos visíveis".
Na altura, o MPLA considerou que estava "virada mais esta página" da História de Angola.
"Devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o mundo de tudo fazermos para que Angola seja a pátria da liberdade, da tolerância, da democracia e da justiça".

Links - O dia mais negro. Associação 27 de Maio.

27 DE MAIO DE 1977 - ESTAÇÃO DAS CHUVAS

«Por estranho que pareça, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet, se comparadas com o que se passou, de 1977 a 1979, no país de Agostinho de Neto, assumem modestas proporções. E o mais chocante é que, no caso de Angola, nem sequer atingiram inimigos, mas sim membros da própria família política.»

«Na margem sul do Tejo, faleceu recentemente um angolano, antigo membro do MPLA, a quem por alturas do 27 de Maio foi atribuída a tarefa de coveiro. Há quem se lembre de o ouvir contar que fora obrigado a sepultar pessoas vivas. Milhares de famílias de angolanos nunca puderam enterrar os seus mortos.»

«[...] Eram presos e enviados, sem qualquer processo, para campos de concentração. Muitos dos que morreram nem sequer sabiam quem era Nito Alves. E eram muitos os que tinham menos de 18 anos. Entre os detidos encontravam-se, até, soldados que não estavam em Angola no dia 27 de Maio.»

«Houve pessoas que foram presas e até mortas, porque eram amigos ou parentes afastados. Pior, quando eram parentes próximos.»

«De modo que os soldados entravam nas casas perguntando onde estavam os intelectuais ou os estudantes. E acabaram por matar muitos.»

A chamada Comissão das Lágrimas foi criada pelo Bureau Políticos do MPLA com o objectivo de seleccionar os depoimentos dos presos do 27 de Maio. No entanto, como veremos, alguns dos seus membros interrogaram ou provocaram os detidos. Dela fizeram parte: Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé), Ambrósio Lukoki, Costa Andrade (Ndunduma), Paulo Teixeira Jorge, Manuel Rui, Diógenes Boavida, Artur Carlos Pestana (Pepetela), José Mateus da Graça (Luandino Vieira), Mendes de Carvalho, Henrique Abranches, Eugenio Ferreira, Rui Mingas, Beto van Dunem, Cardoso de Matos, Paulo Pena e outros não identificados.»
«O inquiridor principal foi Artur Carlos Pestana (Pepetela). Num registo particularmente agressivo, queria saber quais eram as suas actividades, se e quando tivera reuniões, quem contactava, como funcionavam as ligações entre os sectores da educação, da saúde e da função pública. [...] Foi também interrogado por Manuel Rui. [...] Maria da Luz Veloso, na altura com 47 anos, também se lembra de ter comparecido nesta Comissão, onde foi interrogada por Pepetela e por Manuel Rui. [...] Como não fazia o que pretendiam, Manuel Rui não hesita em dizer: "A minha vontade era dar-lhe um par de bofetadas. Você não colabora. Vejo-me obrigado a entregá-la aos militares." Os detidos passavam para os militares. E para as torturas.»

«Presos atirados pelas escadas e, no pátio, brutalmente espancados. Berravam e pediam clemência. Quase desfalecidos eram atirados para dentro de viaturas. Um mercenário norte-americano comentava: "Já vi muita coisa na minha vida. Mas nunca tinha visto tal coisa."»


«João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, morreu com o garrote do nguelel>. Também consta que o tinham cegado. Foi interrogado por Pedro Tonha (Pedalé), o qual, possivelmente como prémio, subirá do 10º para 4º lugar na hierarquia do MPLA. No entanto, nem coragem tinha para lhe fazer as perguntas. Os algozes deixavam na sala um gravador, para depois reproduzirem o que dizia. E iam apertando o garrote. [...] Ao que parece, atiraram o corpo de um avião.» ",



«A indicação para o seu fuzilamento [Nito Alves] terá sido do presidente da República, embora na Fortaleza, onde estava, a ordem tenha sido dada por Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé) e Carlos Jorge. Nito não quis que lhe tapassem os olhos, pois queria ver os que o iam matar. O corpo foi varado por umas três dezenas de balas. E um dos chefes ainda lhe foi dar o tiro de misericórdia. O seu corpo foi atirado ao mar, com um peso.»

«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteia-no [a Costa Martins], batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Uma das vezes puseram-no numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Ainda cheirava a carne queimada.»


«Em meados de Junho [Sita Valles] é presa com o marido [José Van Dunem]. Entra no Ministério da Defesa de mão dada com José. [...] Terá ido para a Fortaleza de S. Miguel. Terá sido torturada e violada por elementos da DISA. [...] Várias fontes, entre as quais um responsável da DISA, declaram que se encontrava novamente grávida. ",

Terão esperado que tivesse a criança para depois a fuzilar. O bebé nunca foi entregue à família.

[...] Uma presa ouviu contar que, antes de a matarem, lhe deram um tiro em cada braço e em cada perna.»

«Os cálculos sobre o número de mortos variam. Um responsável da DISA, ouvido por nós, fala em 15 000. A Amnistia Internacional fez um levantamento e avançou com 20 000 a 40 000. Adolfo Maria, militante da Revolta Activa, e José Neves, um juiz militar, falam de 30 000 mortos. O jornal Folha 8 falou de 60 000. E a chamada Fundação 27 de Maio foi até aos 80 000. [...] Quedemo-nos pelos 30 000 mortos. Dez vezes mais mortos do que no Chile de Pinochet. Na própria família política. Sem qualquer julgamento. E em muitos casos sem qualquer relação com os acontecimentos.»

«Em Malanje foram fuziladas mais de mil pessoas. No Moxico, Huambo, Lobito, Benguela, Uíje e Ndatalando aconteceu o mesmo. No Bié mataram cerca de 300 pessoas. Em Luanda, os fuzilamentos prosseguiram durante meses e meses.»

«As cadeias eram sucessivamente cheias e sucessivamente esvaziadas, desaparecendo as pessoas. [...] Um grupo de militares foi morto na periferia de Luanda, junto a uma praia. Foram abatidos um a um, com tiros na cabeça. Os vivos que assistiam à cena pediam clemência. Os verdugos divertiam-se. E continuavam a matar, com um tiro na cabeça.»

«As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.»

«Estudantes que estavam na União Soviética, na Bulgária, na Checoslováquia e noutros países do Leste, foram mandados regressar. No aeroporto de Luanda foram presos. E muitos foram decapitados, sem saberem a razão. [...] Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.» "

«Onde param os fuzilados? Uns foram depositados em valas comuns. Outros lançados de avião ou de helicóptero para o mar ou para a mata. [...] Um ano depois do 27 de Maio, ainda se matava. Ademar Valles [irmão de Sita Valles] foi morto em Março de 1978.» «O juiz José Neves conclui: "Foi um verdadeiro genocídio. Em Angola devem ter morrido umas 30 000 pessoas."»
«A questão dos presos portugueses em Angola era tratada com a máxima moderação, ao contrário do que acontecia com na imprensa ocidental com casos de idêntica natureza. [...] A solidariedade com os presos políticos angolanos era, também, um tema de excepção na imprensa portuguesa, evitando-se qualquer crítica ao regime do MPLA. Apenas a poetisa Natália Correia, no Jornal Novo, se referira a um regime de sistemática repressão policial, falando mesmo no Gulag angolano.»«Muitos dos "libertadores" sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que tantos matou e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas.» Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus,
Purga em Angola. Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem e o 27 de Maio de 1977

Associação 27 Maio
Edições Asa.

PURGA EM ANGOLA

Nº págs.: 208 ISBN: 978-972-41-5372-8
Preço: 18,00 € (com IVA 5%)

Estamos perante um livro de denúncia de um crime político de espantosas dimensões e que jamais se apagará na memória do povo angolano: o falso golpe de Estado atribuído, pelo Presidente Agostinho Neto, a três destacadas figuras do MPLA – Nito Alves, Sita Valles e José Van Dunem, todos eles fisicamente eliminados na sequência directa dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.
Em termos de vítimas, assumiu proporções superiores às dos actos criminosos de Pinochet no Chile.
Todavia, trata-se de um livro de carácter histórico, resultante de mais uma investigação – rigorosa e corajosa – de Dalila Cabrita Mateus, com a colaboração de Álvaro Mateus.

DIREITO À INDIGNAÇÃO

Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez dá direito a 30 dias de licença com 100% do ordenado!
Mas uma mulher que esteja grávida e que se veja forçada a ficar de baixa antes do parto, sem este ser de risco, recebe um subsídio de 65% do seu ordenado; e uma mãe que tenha de assistir na doença um seu filho menor recebe apenas 65% do seu ordenado...

domingo, 21 de outubro de 2007

O «PROFESSOR TITULAR» VISTO PELO JORNAL "A BOLA"

"As nossas escolas lançam-se, definitivamente, na arrojada experiência do mundo da bola. Com uma Ministra apostada em ser um género de Scolari da educação, o Ministério investe na divisão sectarista entre (professores) titulares e suplentes.
Os titulares serão, então, convocados à luz de uma escolha surpreendente. Mais importante do que saber dar aulas e ter sucesso na relação educativa com os alunos, interessará saber como pisar a alcatifa dos gabinetes, ter prática de carreira burocrática fora da sala de aulas e, acima de tudo, não ter tido lesões que obriguem a paragens mais ou menos longas no Campeonato, mesmo que por culpa de qualquer sarrafada alheia .
A táctica é, pois, não ter vida para além do dever. O destino é entregar a titularidade professoral aos mais dignos ratos de sacristia. Por isso, não bastará saber marcar golos. E, tal como em alguns clubes de futebol manhosos, é preciso não esquecer de elogiar o presidente e ser de uma fidelidade canina ao treinador."

A MATEMÁTICA DE MIGUEL SOUSA TAVARES


"Habitualmente, gosto de ler as crónicas de Miguel Sousa Tavares e aprecio a forma como ataca muitos dos problemas nacionais.
O pior é que, cada vez que fala de assuntos que conheço mais profundamente, encontro alguns erros e incorrecções.
Na sua última crónica a respeito dos professores fala do pouco que eles trabalham.
Eis como ele faz as contas: 90 dias de férias de Verão, 15 de Páscoa, 15 de Natal, 7 de Carnaval,7 de feriados, 104 fins de semana
Total: 131 dias de aulas e 234 de folgas.
Por acaso há aqui um erro na soma: são 238 de folga e 127 de aulas
Seguindo nesta linha de raciocínio, poderíamos continuar.
Eu, normalmente, durmo 8 horas por dia. Portanto, passo um terço do tempo a dormir, o que, num ano, corresponde a 121 dias.
Ou seja, o tempo de folga passa a ser afinal de 238+121 ou 359.
Como ainda por cima no ano passado tive 5 dias de formação e não dei aulas, o meu total de folgas é de 364.
Conclusão: dei apenas um dia de aulas. Já não consigo é lembrar-me em que data foi.
Algo se passa com a matemática de Miguel Sousa Tavares"
Por José Paulo Viana

sábado, 20 de outubro de 2007

EXCELENTE RECEITA

Como se cria um deputado, presidente câmara ou vereador:
1 nota de euro

1 colher de sopa de corrupção


1 dose de falta de carácter 1 dose de ganância

1 pedaço médio de cara de pau 1 pitada de merda

Coze tudo para tirar qualquer restinho de ética, acrescente fermento à vontade

Obs. Não exagere na merda senão você cria um primeiro-ministro.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

EDUCAÇÃO: O DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

António Nóvoa, reputado estudioso em matéria de Educação (autor, por exemplo, do livro Evidente mente, Histórias da Educação), considerou, no Telejornal das 22h da RTP2, o gesto do Presidente da República (PR), no discurso de 5 de Outubro, «muito interessante» e «muito republicano.» E acrescentou: «A República teve um discurso muito retórico sobre a Educação desde o princípio.»
«Aliás, este gesto do PR faz lembrar um pouco o gesto de Manuel de Arriaga, que começou por citar o discurso [em que se dirigia] a um congresso de professores, dizendo que saudava os professores comovidamente e que a "pátria confia em vós", a "minha soberania é vossa" [em 1912].
«O PR retoma e renova este gesto. Curiosamente, tal como Nicolas Sarkozy em França, no mês passado, escreveu uma carta aos professores, retomando um gesto de 1883 de Jules Ferri. Nota-se, hoje em dia, e isso é muito interessante, na Europa, uma necessidade dos principais responsáveis políticos renovarem o contrato de confiança com os professores
«Temos professores de muita qualidade no sistema de educação português. Mas, curiosamente, e isso é uma coisa que dói um bocadinho a quem gosta do trabalho escolar, são muitas vezes os melhores professores e as melhores escolas que se sentem, hoje em dia, mais atacados e desmoralizados com certas críticas sociais sistemáticas
A jornalista Cecília Carmo questionou António Nóvoa se o discurso do PR não terá sido um aviso ao Governo e às políticas de educação.
«Certamente que sim. Há aqui por parte do PR a vontade de construir algumas pontes políticas. E de construir políticas que tenham a maior estabilidade no tempo. Julgo que é muito importante que se reconstruam as pontes de confiança entre os professores, a sociedade, o Governo . Nós podemos ter muitas opiniões, e é bom que as tenhamos, e perspectivas diferentes mas não podemos viver num clima permanente de suspeição e de crítica permanente.
«O relatório da OCDE 2005 tem como título "Teachers Matter", os professores contam, são importantes, fazem a diferença. «É preciso dar-lhes mais condições de trabalho e é preciso dar-lhes mais prestígio como diz o PR.
«Não é possível viver cinco, 10, 15, 20 anos em condições muito difíceis dentro das escolas e submetidos a uma permanente crítica social: crítica na Comunicação Social, crítica dos pais, da sociedade inteira. É preciso recuperar aqui um contrato de confiança .
«O professor Cavaco Silva diz que isto não é apenas um problema da escola, não é certamente apenas um problema dos professores, é um problema da sociedade portuguesa e, em primeiro lugar, dos pais e das comunidades [educativas].
«Portugal tem décadas e décadas de uma relativa indiferença em relação à escola . A sociedade portuguesa, desde sempre, nunca foi uma sociedade muito fundada na cultura escolar. [...] Esta resignação da sociedade portuguesa está-nos a custar muito caro. [...] Mas é preciso fazer um esforço muito maior.»
Há o «problema do desinvestimento que está a haver hoje em dia na Educação , tanto na educação básica e secundária, como na educação superior. [Lançou-se] a ideia para a sociedade portuguesa que se gastava demais na Educação para ter fracos resultados. Os fracos resultados é verdade.
O investir demais em educação nunca foi verdade em Portugal.
Foi verdade durante dois ou três anos. Em 1998, 1999 e 2000 nós aproximámo-nos da média europeia. Em dois séculos Portugal investiu dois ou três anos .«Estamos sempre aos solavancos. A sociedade portuguesa tem tido uma grande dificuldade em fazer aquele esforço inicial quase de lançar o comboio para que ele atinja uma velocidade de cruzeiro. Parece que estamos sempre num permanente solavanco e que fazermos um pequeno esforço, como estava a dizer, para nos aproximarmos do investimento e a sociedade parece que ficou cansada.
«Nos últimos cinco ou seis anos nós ouvimos milhares de pessoas sucederem-se nos écrans de televisão e nos jornais a dizer que Portugal gastava demais em educação. Não foram um, dois ou três. As nossas elites todas, os nossos colunistas todos, toda a gente veio dizer isso. Essas elites podem estar sossegadas porque no momento em que estão a falar nós estamos outra vez, depois de termos estado dois ou três anos na média, abaixo da média [europeia].
«Não é possível transformar uma situação de atraso de dois séculos sem termos um esforço de alguma continuidade . Nesse sentido, estou inteiramente de acordo com o comentário do Engenheiro José Sócrates, citando aliás uma frase famosa do presidente da Harvard University, quando diz que se pensam que a educação é cara, experimentem quanto é que custa a ignorância. Mas, isto não pode ser só discurso, tem que ser práticas políticas

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

SABE LÁ A TIA LURDES O QUE ESTÁ A FAZER ...

Fará ela a mínima ideia do que está a fazer?
De facto ela não passa de uma lacaia da U.E.
O sistema educativo não estava famoso, mas não precisava, Senhora Ministra da Educação, de aparecer para estragar o resto!
Vem, Vexa., perguntar agora o que estão 30 professores a fazer numa sala de professores? Sabe que também me coloco (e coloquei aqui) essa questão muitas vezes? E sabe o que estão lá a fazer? O que Vexa. mandou: a cumprir horário!
Não aumentou a carga horária dos docentes? Esqueceu-se, foi?
Tal como as utilíssimas «aulas de substituição» em que V. Ex.ª coloca um professor de Matemática a substituir um de Educação Física e vice-versa. Vexa Manda e os professores obedecem! Não têm alternativa, não é verdade?
Pode, portanto, V/ Vexa. orgulhar-se dos resultados obtidos! Eles são a consequência da sua «reforma»!Mas não se preocupe pois vão piorar! Com o escabroso Estatuto da Carreira Docente que Vexa inventou, os resultados só podem evidentemente piorar!
Nenhuma reforma, nunca, se conseguirá impor por decreto-lei nem contra a vontade da maioria dos envolvidos!
Os professores, obedientemente, cumprem e cumprirão sempre as suas ordens! Contrariados… muito contrariados… mas cumprirão! Não lhes pode é pedir que, apesar de tudo, as cumpram de sorriso nos lábios, felizes, contentes e totalmente envolvidos com as suas orientações!
Não há milagres! Cumprirão e ponto final!
Que é o que Vexa quer?Não se pode, portanto, queixar. Continue a mandar assim e verá a tal curva de crescimento em queda absoluta. É que não pode Vexa exigir que se cumpram 35 horas de serviço na escola e se venha para casa preparar fichas de trabalho… apontamentos… actividades…estratégias… visitas de estudo… grelhas… avaliações… relatórios… currículos alternativos…programas adaptados… trabalhos em equipa… etc.… etc.… etc.
Vexa tem família? Saberá, porventura, o que é a dor de um pai que se vê obrigado a negligenciar a educação e o crescimento do seu próprio filho para acompanhar os filhos dos outros?
Esquece Vexa Que os professores também são pais? Também são pais, Senhora Ministra! Pais!
Que estabilidade emocional pode um professor ter se Vexa resolve, 30 anos depois de Abril, impedir os professores de acompanharem os seus próprios filhos ao médico … à escola… aos ATLs? Não têm os pais que são professores os mesmos direitos dos outros pais?
Conhecerá Vexa a dor de uma mãe que se vê obrigada a abandonar o seu filho, prometendo-lhe voltar dali a uma semana? E quer Vexa motivação natural? Com a vida familiar desfeita?
Não é do conhecimento público que os professores são os maiores clientes dos psiquiatras? E que é entre os professores que se encontra a maior taxa de divórcios?
Porque será, Senhora Ministra?
Motivação? Motivação, como?
Se Vexa obriga os professores a fazerem de auxiliares de acção Educativa?
Motivação, como?
Se Vexa obriga os professores a estarem na escola mesmo sem alunos? Motivação como se Vexa obriga a cumprir 35 horas na Escola mesmo não tendo esta os meios essenciais para que se possa trabalhar.
Motivação, como?
Se temos que pagar fotocópias, tinteiros para as impressoras da Escola…canetas… papel?
Motivação, como?
Se o clima é de punição e de caça aos mais frágeis?
Motivação, como?
Se lava as mãos como Pilatos e deixa tudo à deriva passando toda a responsabilidade para as escolas?
Não é função de Vexa resolver os problemas?
Não seria mais produtivo trabalhar ao lado dos professores?
Motivação, como?
Se de cada vez que abre a boca para as televisões fá-lo para tentar virar toda a sociedade portuguesa contra a classe?
Motivação, como?
Se toda a gente percebe que o seu objectivo é dividir para esfrangalhar a classe e poupar uns cobres?
Quer lá Vexa saber da qualidade do Ensino para alguma coisa!....
Quer é poupar!
que vale é que por todo o país a opinião pública – e principalmente os Pais – já se estão a aperceber disso.
Motivação, como?
Se Vexa tem feito de tudo para isolar os professores dos alunos, dos pais, dos Sindicatos, da sociedade em geral? E fica Vexa admirada com os resultados? Não eram estes os resultados que esperava obter quando tomou posse e iniciou a sua cruzada contra os professores? A sua estratégia é a mesma daqueles professores que Vexa acusa de não estarem preocupados com os resultados escolares dos seus alunos.
Sabe, Senhora Ministra da Educação? O sucesso não depende do manual… como não depende de decretos---lei!
O sucesso depende do envolvimento que o professor consegue com os seus alunos!
Depende da capacidade de motivar!
Depende da capacidade de o professor ir ao encontro dos interesses dos seus alunos.
Depende da relação professor-aluno! - a tal que Vexa queria que fosse avaliada por alguém de fora da escola!
A mesma que, se fosse feita a Vexa, daria nota zero.
E, já agora, Sra. ministra, já que a esmagadora maioria (quase totalidade) dos seus colegas de governo são reformados – alguns 2 vezes – siga-lhes, por favor, o exemplo.
Eu não me importo de trabalhar até aos setenta se Vexa se reformar já - mas da política!
Pode ser?
Desapareça ... Desapareça ...