BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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terça-feira, 24 de julho de 2007

ÀS ARMAS ... ÀS ARMAS ... CONTRA ESTE ROUBO ... MARCHAR ... MARCHAR

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1) Para quem não saiba quem é Alan Greenspan, fique a saber que é um senhor nascido em Nova Iorque, de origem judaica, que gostava de tocar saxofone na adolescência, que se doutorou em Economia e que foi nomeado pelo presidente Reagan, em Junho de 1987, "Chairman of the Board of Governors of the Federal Reserve" - nomeação confirmada pelo Senado dois meses depois.
2) O "Federal Reserve" está para os americanos como o Banco de Portugal está para nós. E por que estou eu com toda esta conversa sobre o Sr. Greenspan? Porque quando ele deixou o lugar, em Janeiro de 2006, auferia anualmente, pelo desempenho daquele alto cargo, a módica quantia de 186.600 dólares norte-americanos por ano -- qualquer coisa como 155.000 euros. O valor dos honorários dos outros membros do Conselho de Administração ("Vice-Chairman" incluído) é de cerca de 150.000 euros.
3) Agora, sabem quanto pagamos ao Governador do Banco de Portugal, um senhor dotado de prodigioso crânio, que dá pelo nome de Vítor Constâncio? Não sabem, pois não? Então pasmem: 280.000 euros, leram bem, DUZENTOS E OITENTA MIL EUROS! É claro que uma grande potência como Portugal, que possui o dobro da influência, à escala planetária, dos insignificantes EUA, tinha de pagar muito bem ao patrão do seu Banco, além de todas as incontáveis mordomias que lhe dispensa, tal como aos seus pares daquela instituição pública. Também é claro que a verba do americano é fixada pelo Congresso e JAMAIS (como diria o bronco do Lino) pelo próprio, ao contrário do que se passa no país dos donos do mundo e dos maiores imbecis que habitam o planeta Terra.
4) O que mais impressiona nestes números é que o homem que é escutado atentamente por todo o mundo financeiro, cuja decisão sobre as taxas de juro nos afecta a todos, ganha menos do que o seu equivalente num país pobre, pequeno, periférico, que apenas uma ínfima parcela desse território presta alguma atenção! Até a reforma do Mira Amaral é superior à do Greenspan! Talvez não fosse má ideia espreitarem o portal do Banco de Portugal e verem quem por lá passou como governador, http://www.bportugal.pt e cliquem em "história".
5) Por que razão esta escandalosa prática se mantém? Pela divisa do Conselho de Administração do Banco de Portugal que deve ser parecida com algo assim: " Trabalhe um dia, receba uma pensão de reforma vitalícia e dê a vez a outro."
6) Os sucessivos governadores do Banco de Portugal têm muito em comum. Por exemplo, sempre que aparecem em público de rompante é porque vem aí borrasca! -- "Os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Há que cortar nos ordenados, há que restringir o crédito!" Proclamam-no sem que a voz lhes trema, mesmo quando se sabe que o actual governador aufere rendimentos que fariam inveja a Alan Greenspan. No fundo, o que eles nos querem dizer é, "Vocês vivem acima das vossas possibilidades, mas nós não!" Têm carradas de razão.
7) As remunerações dos membros do conselho de administração do Banco de Portugal são fixadas, de acordo com a alínea a) do art. 40.º da Lei Orgânica, por uma comissão de vencimentos. E quem foi que Luís Campos e Cunha, o então ministro das Finanças e ex-vice-governador do Banco de Portugal, nomeou para o representar e presidir a essa comissão? O ex-governador Miguel Beleza, o qual, como adiante se verá, e caso o regime da aposentação dos membros do conselho de administração também lhe seja aplicável como ex-governador do Banco, poderá beneficiar dos aumentos aprovados para os membros do conselho de administração no activo. Uma seita a que o comum dos portugueses não tem acesso e sobre a qual lhe está vedada toda e qualquer informação, filtradas que são todas as que não interessa divulgar pelos meios da subserviente comunicação social que temos.
8) Mas tão relevantes como os rendimentos que auferem, são as condições proporcionadas pelo Banco de Portugal no que respeita à aposentação e protecção social dos membros do conselho de administração.
9) O regime de reforma dos administradores do Banco de Portugal foi alterado em 1997, para "acabar com algumas regalias excessivas actualmente existentes." Ainda assim, não se pode dizer que os membros do conselho de administração tenham razões de queixa. Com efeito, logo no n.º 1 do ponto 3.º (com a epígrafe "Tempo a contar") das Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal se estabelece que, "O tempo mínimo a fundear pelo Banco de Portugal junto do respectivo Fundo de Pensões, será o correspondente ao mandato (cinco anos), independentemente da cessação de funções ."
10) Que significa isto?
Um membro do conselho de administração toma posse num belo dia e, se nessa tarde lhe apetecer rescindir o contrato, tem a garantia de uma pensão de reforma vitalícia, porque o Banco se compromete a "fundear" o Fundo de Pensões pelo "tempo mínimo (?) correspondente ao mandato (cinco anos)". (Ver "divisa" no parágrafo 5).
11) Acresce que houve o cuidado de não permitir interpretações dúbias que pudessem vir a prejudicar um qualquer membro do conselho de administração que, "a qualquer título", possa cessar funções. O n.º 1 do ponto 4.º das Normas sobre Pensões de Reforma dissipa quaisquer dúvidas: "O Banco de Portugal, através do seu Fundo de Pensões, garantirá uma pensão de reforma correspondente ao período mínimo de cinco anos, ainda que o M.C.A. [membro do conselho de administração] cesse funções, a qualquer título ."
12) Quem arquitectou as Normas sobre Pensões de Reforma pensou em tudo?
Pensou, até na degradação do valor das pensões.
É assim que o n.º 1 do ponto 6.º estabelece por sua vez: "As pensões de reforma serão actualizadas, a cem por cento, na base da evolução das retribuições dos futuros conselhos de administração, sem prejuízo dos direitos adquiridos ."
13) E o esquema foi tão bem montado que as Normas sobre Pensões de Reforma não deixam de prever a possibilidade de o membro do conselho de administração se considerar ainda válido para agarrar uma outra qualquer oportunidade de trabalho que se lhe depare. Para tanto, temos o ponto 7.º, com a epígrafe "Cumulação de pensões", que prevê: "Obtida uma pensão de reforma do Banco de Portugal, o M.C.A. [membro do conselho de administração] poderá obter nova pensão da C.G.A. ou de outro qualquer regime, cumulável com a primeira (!)."
14) Mas há mais.
O ponto 8.º dispõe que o "M.C.A. [membro do conselho de administração] em situação de reforma gozará de todas as regalias sociais concedidas aos M.C.A. e aos empregados do Banco, devendo a sua pensão de reforma vir a beneficiar de todas as vantagens que àqueles venham a ser atribuídas."·
15) Não restam dúvidas de que fez um excelente trabalho quem elaborou as Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal. Pena é que não tenha igualmente colaborado na elaboração do Código do IRS, de modo a compatibilizar ambos os instrumentos legais. Não tendo acontecido assim, há aquela maçada de as contribuições do Banco de Portugal para o Fundo de Pensões poderem ser consideradas, "direitos adquiridos e individualizados dos respectivos beneficiários" e, neste caso, sujeitas a IRS, nos termos do art. 2.º, n.º 3, alínea b), n.º 3, do referido código. No melhor pano cai a nódoa.

Minhas amigas e meus amigos: depois de tudo quanto os mais velhos já assistiram nos últimos 33 anos, e de tudo quanto temos vindo a assistir desde 2005, do candidato a Belém que Sócrates escolheu, do aborto, da OTA, do TGV, das reformas de miséria, da "hotelização" do litoral alentejano, das mentirolas e falsificações de documentos do primeiro-ministro, da saída do ministro mais influente do governo para "namorar" dois anos de presidência da CML, das gafes inqualificáveis do Lino e do Pinho, estamos à espera do que mais para passar à acção?

Às armas, é o que é, e contra os ladrões, marchar, marchar!
Ah, e por favor não reencaminhem isto para o Greenspan - ainda dá uma dor fininha ao pobre coitado...
Ó Toninho, onde é que distribuem as armas?
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domingo, 22 de julho de 2007

SE O BRASIL TEM O LULA DA SILVA ... PORQUÊ QUE NÓS NÃO PODEMOS TER O JOSÉ SÓCRATES?

Há tempos circula pela Internet uma apresentação que questionava o porquê dos nossos países serem "pobres".
Basicamente está na forma como desperdiçamos os recursos públicos. Por um conceito atávico, acreditamos que o público não tem dono e portanto, há que meter a mão grande. Isto tudo, vem a propósito dos chorudos vencimentos que os nossos portugueses governantes, deputados, administradores públicos, governador do Banco de Portugal e toda essa comandita ganham.
Quando no Brasil se esperava que o Lula e o PT , que sempre falaram de ética na politica, como Sócrates fala em rigor e em excelência viesse para corrigir este tipo de desvio ... Qual o quê!!
Multiplicaram por mil os desmandos e o compadrio na administração pública. O mesmo Lula passou de 16 para 37 ministérios, dando guarida a uma série de sindicalistas medíocres e que agora, tal como cá em Portugal, auferem chorudos salários nas empresas do governo, para nada produzirem de bom para o país. A cartilha foi a mesma e o choradinho é conhecido.
Bem pode Jorge Sampaio gritar que há mais vida para além do deficit, está bem, está. Primeiro ... EU, segundo ... EU, terceiro ... EU ...


Estes então, estão muito bons.

Depois do P.A.C.(PÃO, ÁGUA e CIRCO) Lula vai criar mais 7 novos programas, para resolver definitivamente os problemas do país:

1 - Base de Operações Legislativas Avançadas - B.O.L.A. (em Angola chama-se "gasosa", em Portugal são "luvas")
2 - Programa Intensivo de Auxílio Didáctico ao Analfabeto - P.I.A.D.A.
3 - Programa de Revisão Orientado para o Próprio Interesse nas Nomeações em Autarquias - P.R.O.P.I.N.A.
4 - Mensuração da Eficiência Real das Decisões Administrativas - M.E.R.D.A.
5 - Serviço de Apoio aos Companheiros que Actuam Nacionalmente, Aliciando Governadores, Empresários e Magistrados - S.A.C.A.N.A.G.E.M.
6 - Fundo para Operações Destinadas aos Apadrinhados - F.O.D.A.
7 - Programa de Interesse Regional das ONGs Cadastradas na Amazónia - P.I.R.O.C.A.

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CONCURSO PARA PROFESSOR TITULAR - DA IMBECILIDADE AO AUTISMO

Recebida por email, não resisti à publicação da carta de uma colega dirigida à nossa ministrinha da educação onde percebemos o estado de espírito em que se encontram imensos professores, vítimas de uma arrogante incompetência que não consegue ver para além do seu próprio umbigo.
Isto tem a ver, como se percebe, com a aberração de um concurso hipócrita, injusto e revoltante como é o concurso para professor titular, ao nível da melhor imbecilidade e autismo.


À Ministra da Educação
Av. 5 de Outubro, 1071069-018 LISBOA


Assunto: os critérios do 1º concurso para professor titular e odesperdício de professores

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação,

Ensino Francês na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, e sou um dos muitos professores do 10º escalão do nosso país que não somam os 95 pontos para acederem ao 1º concurso para professor titular. Não venho lamentar-me e muito menos pedir um tratamento de excepção, antes apresentar um exemplo que ajude V. Exª a meditar sobre as injustiças dos critérios que decidiu adoptar para este concurso.
Adianto que pertenço ao grupo de professores que defendem uma avaliação séria da qualidade – e sublinho QUALIDADE - das nossas prestações profissionais e mesmo da existência de duas carreiras que se distingam, mais uma vez, pela QUALIDADE daquilo que cada um de nós sabe fazer e do modo como o faz.

Considerar apenas os últimos sete anos em carreiras com mais de trinta releva de um grande desrespeito pelo trabalho de uma vida; valorizar exageradamente cargos de natureza marcadamente administrativa em detrimento dos cargos verdadeiramente pedagógicos é negar a intenção sobejamente anunciada de conferir mais qualidade e mais sucesso à educação e ao ensino nas nossas escolas; fixar um total de 95 pontos, fasquia agora generosamente descida de um montante inicial quase inatingível, só gera injustiças num enorme grupo de professores que devia aceder a titular sem ter que saltar barreiras.
Dos critérios adoptados, Senhora Ministra, estão à vista consequências que deveriam fazer pensar o Ministério que V. Exª tutela, pois desperdiçam recursos humanos que empobrecem as nossas escolas.
E aqui chego à minha situação pessoal.
Se me permite um pequeno historial, alinho de seguida as minhas actividades dos últimos sete anos:
- Professora do 8o Grupo B do Quadro da Escola Secundária Passos Manuel - (destacada de 1999-2000 a 2003-2004 na Associação Portuguesa dos Professores de Francês; em exercício de funções de 2004-2005 a 2005-2006)
- Orientadora de estágio pedagógico de Francês da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, realizado na Escola Secundária Passos Manuel (2005-2006)
- Presidente da Comissão Executiva da Associação Portuguesa dos Professores de Francês (de 1993 a 2006)
- Presidente da Federação Nacional das Associações de Professores de Línguas Vivas (de 1995 a 2002)
- Membro do Conselho Nacional de Educação (de 1997 a 2001)
- Membro do Conselho Consultivo do Currículo Nacional do Ensino Básico (de 1999 a 2000)
- Co-autora do Currículo Nacional do Ensino Básico (de 1999 a 2000)
- Autora-coordenadora dos programas de Francês do Ensino Secundário em vigor (de 1999 a 2000)
- Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua nas áreas A34 – Francês e C05 –Didácticas Específicas (Francês), com o registo CCPFC/RFO-06415/98 (de 1998 até à presente data), com dezenas de sessões de formação contínua de professores de Línguas dinamizadas em muitas escolas do país.
- Directora do Centro de Formação desta Associação Portuguesa dos Professores de Francês (de 1999).

Todavia, poucas destas actividades contam. Algumas, como a autoria de programas, só contariam se fossem simultâneas ao trabalho efectivo na escola, o que prova que mais que a capacidade para fazer programas conta o malabarismo em gerir a multiplicidade de tarefas.
Aquela seriação pode parecer um exercício de imodéstia, mas é essencial para demonstrar que no meu percurso profissional recente houve um trabalho com parceiros muitos diversificados, forçosamente com especialistas nacionais e estrangeiros, que me ajudaram a construir um saber que aperfeiçoou muito significativamente a minha prática lectiva, me permitiu compreender a Escola e a minha profissionalidade de uma forma mais rigorosa e plural e, finalmente, me concedeu o reconhecimento por pares e superiores hierárquicos.

Ao referir o meu caso, não esqueço o de todos aqueles colegas que, tendo tido um percurso diferente, realizaram um trabalho de muita qualidade e vêem igualmente negado o acesso a um patamar que é deles de direito.

Refiro-me aos formadores de professores reconhecidos pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua que, durante anos, dinamizaram inúmeras sessões de formação contínua.
Refiro-me aos professores que publicam a sua reflexão pedagógica e didáctica (e não falo de elaboração manuais escolares, que, pela sua natureza comercial, não deveriam constituir um critério de admissão de professores) que fundamenta algumas das linhas de força de muitas decisões de política educativa.
Refiro-me igualmente aos colegas que não desempenharam cargos por terem tido horários completos, não necessitando de os “preencher” com uma direcção de turma, uma coordenação de disciplina ou outro. Infelizmente, a rotatividade quase obrigatória destes e de outros cargos de gestão intermédia das escolas tem frequentemente desvirtuado a sua vertente educativa e formadora, quase deixando de ser importantes as pessoas que os desempenham.

Onde tem estado, em muitíssimos casos, a preocupação em adequar o perfil do professor ao cargo que vai desempenhar? E nos critérios de acesso a este concurso, onde esteve a preocupação em contemplar as práticas de formação e de avaliação imprescindíveis para futuros avaliadores dos seus colegas?

Senhora Ministra, gostaria que meditasse na orientação que está a dar à vida das nossas escolas e revisse algumas das suas decisões no sentido do estímulo da qualidade e da inovação.
Assim o fez a França ao atribuir-me duas condecorações em reconhecimento do meu trabalho pela causa e pelo ensino do Francês, trabalho que o governo do meu país não valoriza.

Os meus cumprimentos
(Zélia Sampaio Santos)

IVG, GRAVIDEZ E DOENÇA

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Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez dá direito a 30 dias de Licença com 100% do ordenado !

Mas uma mulher que esteja grávida e que se veja forçada a ficar de baixa antes do parto, sem este ser de risco, recebe um subsídio de 65% do seu ordenado ;
e
uma mãe que tenha de assistir na doença um seu filho menor recebe apenas
65% do seu ordenado ...

Há coisas fantásticas, não há?
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sábado, 21 de julho de 2007

HABILITAÇÕES DE JOSÉ SÓCRATES ... NÃO MEXAM NO ASSUNTO!!

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Não podia perder esta.
Carlos Pinto, 59 anos, PSD, presidente da Câmara da Covilhã, deu recentemente uma entrevista à Revista VISÃO, nº 749 12 Jul. 2007, que não podia passar em branco. Diz que os comprovativos das habilitações de José Sócrates fazem parte de um «dossiê reservado». Que pode vir a agitar o País
Portanto, ... por favor ... Não mexam no assunto...

É num tom enigmático que Carlos Pinto lança um «conselho de amigo» aos socialistas. Neste município da Cova da Beira, há, segundo o autarca, «documentos que têm que ver com pessoas altamente colocadas, como é o caso do primeiro-ministro». Para já, toda a documentação encontra-se num «dossiê reservado». Foi através desta autarquia que o funcionário José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa entrou na Administração Pública.
Carlos Pinto confirma que parece haver «uma discrepância» nos certificados públicos do primeiro-ministro, posta em evidência pelas investigações ao processo académico da sua licenciatura em Engenharia Civil, na Independente.
Essa matéria já é do conhecimento do Ministério Público, que investiga a possível utilização de «título falso». As pistas recolhidas na Covilhã têm um interesse especial: são as únicas que apontam para factos que podem não estar prescritos. Como Carlos Pinto confirma, nesta entrevista, Sócrates «teve uma promoção», quando era ministro. Ou seja, este certificado, de 2000, permite aos investigadores retomar o fio desta meada.
(...)

Recentemente relacionou a publicitação de partes do relatório da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) sobre a Câmara da Covilhã com o facto de existir, na autarquia, documentação «preocupante» sobre José Sócrates. A que é que se estava a referir concretamente?

Isso veio a propósito de uma discussão na Assembleia Municipal sobre o relatório do IGAT. Deputados socialistas extrapolaram circunstâncias desse relatório, o que me levou a dizer que me preocupava a existência de documentos já publicitados, não comprovados, que de certa maneira têm a ver com pessoas altamente colocadas, como é o caso do senhor primeiro-ministro. Gostaria muito que não se desse relevo à Câmara da Covilhã por essa via, porque quando se fala desta autarquia, sobre relatórios da IGAT, isso faz lembrar às pessoas circunstâncias que estão a decorrer, como os documentos que têm a ver com pessoas altamente colocadas. O mínimo de senso dos socialistas em relação a esta matéria seria terem alguma discrição.

Quando fala de documentos, refere-se ao currículo que foi depositado aqui, na autarquia?

Falo de documentos que – é público – foram solicitados à Câmara no pedido que foi feito pela Procuradora Adjunta. Não é segredo. Não revelei nada que não estivesse na decorrência de outros processos que escapam ao município. O sentido foi esse: Não chamem a atenção porque estão a avivar coisas que nesta altura não devem ser empoladas.

Foi um aviso aos socialistas? Um conselho de amigo?

Foi exactamente isso: um conselho de amigo. Não mexam no assunto porque a Câmara, do ponto de vista deste relatório do IGAT, não tem preocupações. Agora, não me façam estar preocupado com outras coisas que devem ser geridas com grande parcimónia...

Na sua opinião, quem poderá ter promovido essa «estranha coincidência», como lhe chamou, de aparecer o relatório ao mesmo tempo que a autarquia estava nos holofotes por causa da licenciatura de José Sócrates?

Posso fazer exercícios de imaginação, mas que não dão para situar isso pessoalmente. Mas posso dizer-lhe que dificilmente me enganarei sobre a origem das coisas.

E qual terá sido o objectivo?

Poria a questão neste sentido: Qual é o objectivo da pessoa que põe um recorte de jornal num escaparate e que depois vê esse documento transformar-se em motivo de intervenção do ministro? Qual é o objectivo de um professor que tece considerações e que depois é exonerado por ter dito estas palavras ou aquelas? O objectivo é haver um clima que pode proporcionar que existam pessoas no sistema partidário que querem mostrar serviço e fazer política por uma via absolutamente obtusa e incorrecta. É esse o objectivo: o desgaste daquilo que consideram os seus adversários políticos.

«Isto lembra o caso Charrua», desabafou. E acrescentou: «Acredito que haja funcionários que sejam mais papistas do que o papa». Acha que temos uma Administração Pública ao serviço de um partido ou subjugada ao poder?

Temos muita gente na Administração Pública a quem faz falta um sentido de ética do serviço público permanente e desligado dos circunstancialismos partidários. O País está a pagar uma pesada factura pelo facto de ter este ADN perturbante na AP. Precisávamos urgentemente de afastar, em primeiro lugar, a rotatividade que existe ao nível de certos responsáveis da AP. Estou a falar de nomeações políticas e partidárias. E devo dizer-lhe que tanto condeno as praticadas por este Governo como pelos anteriores. Precisávamos de estabilidade e de uma capacidade decisória que criasse confiança e segurança jurídica e formal nos actos. Não estou a dizer que não haja uma numerosa parte da AP que acredite que esse factor é importante. Mas o grave do problema está sobretudo ao nível das chefias. Eu não concebo que de cada vez que muda um governo, mude o director-regional da Educação, dos Desportos, disto e daquilo. Em que é que a manutenção de pessoas pode perturbar o facto de haver execução?

Atendendo a que recentemente se viveram, em Portugal, casos como o do professor Charrua ou o da directora-clínica do Centro de Saúde de Vieira do Minho, o que lhe apetece dizer sobre o estado da Democracia portuguesa? Está saudável?

Este tipo de coisas vem, provavelmente, de pessoas que pensam que ajudam o Governo e que o prejudicam imenso. Acho que isto pode ser muito prejudicial para o Governo e está a justificar a preocupação de pessoas dentro do PS. Pensei que nós éramos mais rápidos, depois do 25 de Abril de 74, a criar uma Democracia que não tivesse casos destes. Isto é muito mais próprio de uma período do PREC do que de um de decorrência normal da Democracia. Quando um caso não é perfeitamente isolado e revela que na Administração existem coisas assim em cadeia, já podemos começar a analisar como uma fenómeno que está a tentar despontar subjacente a um espírito e um estado de coisas que pode ser preocupante.

De onde conhece José Sócrates?

De jovem na Juventude Social Democrata. Eu não era da JSD, mas conheço-o de lá. Já destacado em relação aos seus pares. Já com uma postura diferente... de quem tinha uma personalidade forte.

Para si, não ficou nada por explicar no episódio Sócrates/Independente? Não ficou com dúvidas?

Entendi e entendo. Naquilo que diz respeito ao meu contacto com o problema, tomei conhecimento de que existia aqui um certificado que não era coincidente com um outro que também existia. Verifiquei essa situação como cidadão e nada mais. Como sabe, a entrada de documentos num dossiê pessoal depende do próprio. Eu limitei-me a dar ordens para quem esse dossiê tivesse um cuidado especial e que fosse documentação reservada. Dei ordens expressas para que só o vereador responsável tivesse acesso a essa documentação.

Para se proteger?

Absolutamente.

Como é que o documento chegou à Câmara da Covilhã? Entregue por quem?

O senhor engenheiro José Sócrates é engenheiro do quadro. Foi aqui que ele entrou na AP, tanto quanto sei. Depois, quando era ministro, teve a promoção que lhe competia e apresentou os documentos necessários, onde depois aparece essa situação de discrepância que parece existir.

Que outros documentos foram requeridos pela Direcção Central de Investigação e Acção Penal no âmbito da investigação à licenciatura de Sócrates?

Não lhe posso dizer porque é matéria que está em segredo de justiça. Está a haver um inquérito. Como é óbvio, e natural, foram-me solicitados elementos, mas não posso divulgar quais.

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SÓCRATEZINHOS ... SÓCRETINOS

Não criticar o chefe em público ou ao telefone. Tão-pouco dizer graçolas sobre a actuação do Governo.
Ter cuidado com o que se diz, onde se diz e, sobretudo, junto de quem se diz.
Convém não exagerar – nada disto é, como no antigo regime, proibido. Há, no entanto, a noção de que o funcionário exemplar é prudente nas afirmações, moderado nos comentários, contido nas objecções.
E que deve seguir o conselho zeloso da secretária de Estado adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli, tendo a «sensibilidade» de falar apenas «nos locais apropriados».
Pode dizer-se que Sérgio Abrantes Mendes, juiz do Tribunal da Relação de Évora, ignorou todas as recomendações quando, no princípio do mês, enviou um e-mail para os amigos e colegas, dando conta do seu estado de alma: «Se, antes do 25 de Abril, todos sabíamos que poderíamos ter problemas com a polícia política, para os novos pides não se torna necessário esticar tanto a corda: basta não ser apoiante do partido do Governo.»
À VISÃO, o antigo inspector-geral da Administração do Território e director-geral dos Serviços Judiciários explica que tomou a iniciativa de maneira a impedir que, à sua volta, se instale «um terror reverencial»:
«Estamos num estado orwerliano? Estamos num estado policial?»
A escritora e professora do ensino secundário Luísa Costa Gomes fala do sector que melhor conhece. E confessa-se «perplexa» perante o medo que anda no ar, no dia-a-dia das escolas:
«Os professores têm medo do desemprego. Têm medo de, no emprego, serem espiados, avaliados, denunciados pelos colegas, sabe-se lá por que razão. Há direitos fundamentais das pessoas que não estão a ser cumpridos, nas escolas.»
«Portugal não tem nem História, nem condições económicas, nem tradição moral de democracia – e as pessoas interiorizam muito facilmente medos antigos», conclui.

SSSHHHHIUUU ...


A revista Visão desta semana aborda o tema das crescentes críticas ao Governo, acusado de fomentar um clima de intimidação em relação àqueles que o criticam propondo um debate sobre esta matéria.
Estará mesmo a nossa liberdade em risco?
Falar baixinho, não criticar o chefe à frente dos colegas, evitar contar anedotas sobre a licenciatura do primeiro-ministro. Se vivemos em democracia, porque é que – nas escolas, nos hospitais e na administração pública – se voltou a viver em clima de medo? O que é que (ainda) nos resta do Portugal amordaçado?
É um facto que nos últimos meses, têm-se sucedido os casos de alegada perseguição política por membros do Governo de José Sócrates que têm amordaçado a nossa liberdade de expressão:
- A Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, instaurou um processo disciplinar a Fernando Charrua, por este ter dito uma piada sobre José Sócrates. Margarida Moreira, que recebeu a delação por SMS, diz que o professor e ex-deputado do PSD insultou o primeiro-ministro, mas Charrua recusa a acusação. Até Jorge Coelho já disse tratar-se de uma situação «ridícula e inadmissível».
- Após três pareceres negativos da Comissão Nacional de Protecção de Dados, o Governo aprovou a interconexão de dados da Administração Pública. A Caixa Geral de Aposentações vai poder cruzar informações dos funcionários públicos e respectivas famílias.
- A coordenadora da Sub-Região de Saúde de Castelo Branco, Ana Maria Correia, avisou os serviços de que a correspondência enviada a «determinados funcionários» seria aberta. A medida causou mal-estar junto dos funcionários e a coordenadora assumiu que a nota interna continha «um erro de linguagem», acrescentando que onde se lê «determinados funcionários» deveria ler-se «funcionários em nome individual».
- O primeiro-ministro, José sócrates, apresentou uma queixa-crime contra António Balbino Caldeira, responsável pelo blogue Portugal Profundo, no qual se divulgaram informações sobre a licenciatura de José Sócrates.
- Correia de Campos, ministro da Saúde, exonerou a directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, por um médico ter afixado, nas instalações, uma fotocópia com comentários jocosos a uma entrevista do ministro de Saúde, na qual este confessava que nunca tinha ido a um Serviço de Atendimento Permanente (SAP). Mário Soares criticou a actuação do Governo e Manuel Alegre achou a reacção «desproporcionada».
- O novo Estatuto do Jornalista altera o artigo 11.º referente ao sigilo profissional e prevê que a Comissão da Carteira passe a fiscalizar e a sancionar os jornalistas por violações deontológicas. O diploma é contestado pelo Movimento Informação é Liberdade e pelo Sindicato dos Jornalistas que pretendem evitar a promulgação do diploma.
- A presidente da Associação de Professores de Matemática, Rita Bastos, foi expulsa da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional da Matemática pelo director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular por ter criticado a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
- O governador civil de Braga, Fernando Moniz, pediu ao Ministério Público para investigar o que se passou na manifestação de Outubro do ano passado, em Guimarães, por ocasião de uma reunião do Conselho de Ministros. Segundo o Correio da Manhã, o relatório da PSP acusava alguns dos participantes de proferirem «palavras insultuosas» dirigidas ao primeiro-ministro, mas alguns dos arguidos alegam que nem sequer estavam presentes.

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

LUANDA DE LUXO

Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana que, entre festas e champanhe, vive do petróleo, dos diamantes e de negócios multimilionários


FESTA Há quem viva entre recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta e galas no palácio oficial do Presidente. Para trás ficam os que nada têm, num país em que a taxa de desemprego é de 80%

Hoje há festa em Luanda. Hoje, um dia qualquer. Um bebé nasceu entre o lixo, próximo de um esgoto a céu aberto, alguém atirou uma lata de «gasosa» para um chão imundo, alguém lhe deu um pontapé, alguém a recolheu para vender no mercado da sobrevivência, alguém caiu de um prédio sem varanda, sem água, sem luz, cheio de nada, cheio de gente, construído em altura, como em extensão se construíram quilómetros de barracas instáveis e insalubres, chamados musseques. Todos no âmago desta Luanda, uma camisa-de-forças recheada de automóveis, quase tantos como os buracos das suas ruas. Esta Luanda encerra toda a Angola, encerrando-se da Angola que resta. A assimetria entre a capital e as províncias é enorme. E parece menor se comparada com as paralelas assimétricas que dividem os ricos inacreditavelmente ricos, os inacreditavelmente-novos-ricos e os pobres, ainda inacreditavelmente mais pobres, de Luanda. Hoje, alguém morreu de cólera, de paludismo, alguém arrasta feridas de guerra pela cidade, vende cigarros na rua, lava o corpo na lama, chora ausências de nutrição, procura comida na lixeira, foi assaltado por um miúdo, bebeu de mais, fumou de mais, abusou, foi abusado, encontrou mais uma jazida de diamantes, inaugurou mais uma torneira de petróleo. E alguém terá de abandonar o musseque com a família às costas, a fugir das águas da chuva, do polícia que lhe diz para parar, para pagar, «pentear», dar «gasosa», a correr de encontro à fome que já tinha, nos dias pesados do calor, sem mais nada que isso, só uma estranha alegria que faz o angolano sempre sorrir. «Estamos sempre a subir». Tão certo como o contrário.


Nessa noite, cansada de trabalhar, cansada porque não tem trabalho, sem coragem para levantar-se entre os despojos do seu caos, essa Luanda estava incapaz de comparecer ao evento. Fazia anos - não seria elegante dizer quantos - Isabel dos Santos, primogénita do Presidente José Eduardo dos Santos, que escolheu o Miami, um bar da moda na ilha de Luanda, do qual é sócia, para celebrar com coisa de setecentos amigos chegados. Todos os convidados, escrutinados por um pelotão de seguranças, deviam vestir de branco. Abaixo do bar, numa enorme tenda sobre a areia da praia, seria servido o jantar. Ao lado, separado por um passadiço, brilhava a jóia da coroa, o bolo de anos, num altar envolto em arranjos florais. Por trás, fogo de artifício para a primeira fatia do bolo. Um grupo de «capoeira» articulava-se onde podia. Seguranças ofereciam olhares atentos, absolutamente convencidos do seu estado incógnito. Os convidados sacudiam o protocolo. «Boa party», dizia o novo ao velho, olhos à deriva. «Estas damas não são do teu campeonato», advertiu o «cota».

Isabel chegou dentro de um vestido em fundo branco, com estampado exclusivo de flores magenta e rosa - evidente como uma piscina olímpica no deserto - com Sindika Dokolo, o marido, filho de um banqueiro congolês, herdeiro prematuro da condição de milionário. Em séquito, abriram alas vagarosamente, consentindo que os desfrutassem. Três amigas aproximavam-se a grande velocidade, instáveis em salto alto, voando para um abraço cúmplice. «Huammm!!!» Beijo na bochecha da filha do Presidente. «Parabéns, querida! O teu vestido é lindo. Estás boa?» Tudo indicava que sim. «Ainda bem que vieste», disse Isabel. «Ya. Como é que eu ia faltar?!», declarou a amiga. As outras duas, de sorriso aberto, espreitavam com os queixos em posição oftalmológica nos seus ombros. Que desculpassem, Isabel tinha afazeres protocolares.


Convidadas da festa da filha de José Eduardo dos Santos: «dress code», branco

Depois de um jantar bem regado, com interrupções fotográficas para a «Caras» angolana, decorria animadíssima a noite. Ocasião para iniciar a travessia para o bolo. Champanhe ao alto à saúde de Isabel, uma das empresárias mais poderosas de África, movendo-se em áreas multimilionárias como o petróleo ou os diamantes. Na última visita a Angola, o primeiro-ministro José Sócrates elogiou o seu empreendedorismo, endereçando-lhe convite para ministrar em Lisboa uma conferência sobre dinamismo empresarial. Talvez fosse aí o momento para explorar a contradição destes números: crescimento da economia angolana ao ano - 18 por cento; taxa de desemprego - 80 por cento. Ali, não era de certeza. Explodira alegria e fogo de artifício. O bolo de aniversário tinha agora um cenário de chuva brilhante, que iluminava o mar e os guardas que no pontão embalavam metralhadoras kalashnikovs.

Descera a madrugada em arromba. Os mais idosos começavam a desistir. Entravam outros, «party-people», «subjet-set» generalistas, a arejar as narinas com leques coloridos, envergando óculos panorâmicos, próprios para o amanhecer na pista. Excelente média de empresário por metro quadrado. O Mister África 2007, que agora chegava, cruzava-se com um deputado, de saída. A sociedade emergente desfilava, celebrando-se. O Miami era agora uma mini-Ibiza. O balcão do bar segurava um amontoado de gente, escorriam suores na pista, corpos apertavam-se, soltava-se África. Com a luz da manhã, os resistentes abandonaram.

À tarde, na Esplanada de um restaurante chinês, na ilha de Luanda, hoje mais uma península, a cidade aparecia de novo deslumbrante, a coberto da distância, só interrompida por barcos de pesca rudimentares ou pelos iates que balouçavam ancorados. Câmara, luzes, acção: «Incrível! Como é que pode?», frase da Melhor Actriz angolana de telenovelas 2006, Tânia Bwity. Decorria a gravação da próxima telenovela da Televisão Pública de Angola, de título «Crime e Punição» - nada de Dostoievski -, sob direcção e argumento de Aloísio Filho, brasileiro, contente por ali estar, a bordo de um carro-digital com um estúdio móvel do mais moderno que é possível. «Incrível! Como é que pode?» Take 2. Os artistas, diz Tânia, são em muitos sentidos o espelho convexo da Angola que se mostra ao mundo, e ópio para os 12 milhões no anonimato, que usa quilómetros de puxadas de fios eléctricos só para os ver. «Incrível! Como é que pode?» Take 3. A avaliar pelo cenário, nada de errado.

INTERIOR da UNYKA, loja do estilista Rucka Santos, uma das mais luxuosas de Luanda (à espreita, um sinal dos tempos: uma cliente chinesa)

A luz do dia começou a esconder-se. Do outro lado, Luanda adquiria brilho, camuflada sob as luzes de uma urbanidade que não tem. Esconde tantos segredos esta cidade, tantas singularidades, um fosso social que determina tudo ou nada, onde bolina uma classe média tímida, em boa parte expatriados ao serviço de multinacionais. Dizia alguém à Rádio Nacional sobre o problema dos buracos, que entopem o que está sobrelotado: «Como resolver o problema? Comprando um jipe.» Faz isto tanto sentido como a insegurança ser um excelente negócio para quem vende a segurança. Ou como estradas tão más entre províncias resultam num enorme estímulo para as companhias de aviação privadas. Angola está em bruto, como um diamante, mas não sofre de ingenuidade.

De modo que se torna difícil massificar as modas internacionais, enquanto na rua há miúdos a coçar os piolhos, ou democratizar o luxo num universo transversal que habita condomínios de pobreza. Luanda é uma festa de crianças onde poucos têm altura para chegar à caixa das bolachas. É, portanto, o que é. Mas é também o inverso. Sol e alegria, desprendimento, ruído, vida vivida rápido, «ya» e «tásse bem». O ritmo vagaroso é apressado. A sua pressa tem muito tempo. O tempo tem relógios à venda, a bom preço nos zungueiros (vendedores de rua), directamente de um retalhista da R.D. Do Congo. Que «take» reservará o futuro?

A BORDO de um iate, a caminho do Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul

Se for da moda angolana, ao fundo está um sorriso. Os estilistas de Luanda, em processo de internacionalização, são como uma S.A. que se exporta, importando tecidos para as suas criações. Há tradicionalistas, retro-vanguarda, corte clássico, puristas, tribalistas, neoliberais, esquerda «fashion», os que estudaram Gestão em Lisboa, outros advocacia em Londres, uns que tiveram educação nos EUA, outros ali mesmo. Todos tomaram novo curso neste sector específico do universo amplo da futilidade. E há Shunnoz Tião, transcendência, antigo estudante de Psicologia, autoproclamado inventor da Pensologia, segundo o autor, uma espécie de corrente intelectual, com artes de igreja alternativa. «Não somos nada», diz Tião. «Não somos carne», diz Tião. Tião, contudo, desenha roupas para a carne que as pode comprar, vive da carne onde passeiam os exemplares com a sua assinatura. Com Tekassala, parceiro de ateliê, foram os Estilistas do Ano em Angola. Hoje, para encontrá-los é preciso viajar para as grandes capitais europeias, nas teias da globalização. O mesmo aconteceu com Rucka Santos. A sua loja, UNYKA, vende a exclusividade que o dinheiro pode comprar. Rucka organizou recentemente o espectáculo de Missy Elliot, embaixadora multimilionária do «rap» americano, que veio a Luanda ver como Angola é pobre entre o aeroporto e a sala de espectáculos. «Ela ficou muito impressionada com as mulheres com a fruta à cabeça», diz Rucka.

Vista da Marina, onde iates e barcos de pesca tradicionais partilham águas

«O mercado é reduzido, mas abastado», garantem. Tanto vai ao cabeleireiro a Paris, como lhe pode apetecer comprar-lhes uma colecção inteira e deixar o troco. Na «chaise longue» social, essa Luanda é como se fosse a capital do paraíso, pequeníssima, tão real como a outra, imensa e submissa, atada de pés e mãos como um gigante em Liliput. A sobrevoar a cidade num helicóptero particular, em direcção ao iate, na travessia para uma mansão, nem se notam as evidências. Os grandes problemas tornam-se pequenos, minúsculos, ínfimos. E desaparecem, voando para longe na nuvem doce de um Cohiba à brisa da utopia.

Vive em Luanda uma cidade cor-de-rosa, de festas, brindes à saúde dela própria, em pose para a «Caras», por acaso propriedade de Tchizé dos Santos, filha do Presidente. O angolano tem natureza vaidosa, gosta de exibir. A «Caras» dá os «high-lights» de tudo a quem nada tem. Os luxos, as recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta, no palácio oficial do Presidente, as galas, as festas no Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul, navegando para lá nos seus iates, trajando lantejoulas e «smokings», com vista para uma cidade feroz, nas ruas de outra realidade.

Festa de praia

Não seria por isso que Luís «Dufa» Rasgado, destacado empresário de Benguela, com vínculo ao MPLA, deixaria de assinalar o seu 60.º aniversário. A sociedade das aparências - ou das evidências - celebrava mais uma noite. Dizia no convite para se usar indumentária adequada, as melhores jóias, um «je ne sais quoi» de qualquer coisa, fosse o convidado pele de lobo em cordeiro ou exactamente o contrário. Fosse como fosse, ao entrar deixaram para trás uma rua cheia de guardas. E estes deixaram para trás as barracas e os milhões que nelas habitam, que deixaram para trás a província, as origens, longe, em sítios onde hoje só moram os velhos e a incapacidade de voltar. Para trás, musseque e pobreza. Para a frente, acepipes.

Gin-tónico, talvez? Whiskie irlandês com duas pedras de gelo purificado? Uma cervejinha importada a estalar? Salgadinho? O aniversariante, de «smoking» branco, da mesma cor do seu sorriso, estava à porta do Endiama, uma casa colonial de luxo no bairro de Miramar, onde fica a residência não-oficial do Presidente, assim como a «Casa Branca», que foi morada de Jonas Savimbi, líder defunto da UNITA. Abraço, beijo, agradecimentos pela comparência. «O trânsito está um inferno», atirou uma convidada, acertando a traseira do vestido, por onde escapava um pedaço de roupa interior. «Não se pode», devolveu outra, irrepreensível em corte clássico sobre camisa de folhos, penteado de fixação improvável.

SHUNNOZ TIÃO desenha roupas para os ricos. A sua parceria com Tekassala garantiu-lhes o título de Estilistas do Ano em Angola

Muito difícil o trânsito na cidade. Se chove, pior. Os assaltos também não ajudam. Luanda foi desenhada para 500 mil pessoas. Tem hoje mais de cinco milhões. Nada flui. Só os mil esquemas que a rua oferece. Aliás, vende. Nada é de graça. Tudo se paga. Tudo falta. Tudo se arranja. Só os limitados conhecem como são duros os limites. E guardam isso para eles, como se guardassem um segredo. Os que navegam na zona franca do «cash-flow» saboreiam esta nova Angola que superou o colonialismo português, mas não o arrumou, que saiu de uma longa guerra civil, mas não sarou todas as feridas, que tem abundância de petróleo e diamantes e transborda pobreza a cada rua. E transborda riqueza, como certa roupa interior num vestido apertado.

É a Angola dos descendentes da ascendência, ínfima minoria. Alto negócio, carro de luxo, charuto, helicóptero, iate e champanhe, apartamento na cidade e casa no campo, da política de relacionamentos, do apetite sôfrego das economias internacionais. Crescem em Luanda prédios moderníssimos, esguios por questões de propriedade privada e valor de metro quadrado numa das cidades mais caras do mundo. Mas os passeios e as estradas em redor são feitos de buracos públicos. As chinelas havaianas que nelas passeiam - baptizadas «facilitas» -, tornaram-se mito, calçaram todos os pés, foram augúrio de modernidade. Mas os pés continuam sujos. E nada podem, caso se cruzem na rua com os pneus de um jipe topo de gama. O trânsito estava um inferno? Provável.

ESTIVANDRA Oliveira, Miss Angola 2006, fotografada na varanda da suite do Hotel Alvalade, em Luanda

Os convidados integravam-se, escorriam pela cerimónia, mais descontraídos, segurando copos, descrevendo círculos. Uma bola gigante multimédia assinalava o evento: «Parabéns Dufa». Perto das mesas alongava-se um «buffet». Carnes, peixes, mariscos, frios, quentes, dentro de enormes caixas de cobre com tampa deslizante, para manter à temperatura exacta a comida. O vinho tinto devia estar a 16 graus. Para o Moët & Chandon, que começava a jorrar, o calor era inimigo da perfeição. Lá fora, dentro da enorme panela ao lume chamada Luanda, nas barracas onde não existe frigorífico e os escassos alimentos se conservam em sal, a Cuca, cerveja local, também sofre aquecimento prematuro. Tantas coisas dividem esse mundo deste, só mesmo imponderáveis os podiam unir num problema comum, sublinhando a diferença que os separa: uns incomodam-se porque não conseguem ter tudo. Outros sofrem porque só conseguem ter nada.

Na pista, meninas com traje de princesinhas rodopiavam alegremente. Por trás do palco, um desfile de doces e uma colecção de frutos. Ao lado, outra de frutos secos. Um conviva mais animado, que sabia do que falava em matéria de fruta seca, pegou num exemplar e declarou: «Este é bom para a virilidade», olhar malandro. «É... hermafrodita». Adiante. Repasto, sobremesa, mais brindes, discursos, mais champanhe, digestivos, mais champanhe e mais champanhe, champanhe para o momento da noite: Dufa dirigiu-se ao centro da pista, para soprar as velas. Seguiram-se horas de baile, comida, bebida, alegria.

OS RICOS são poucos e muito ricos. Os pobres são muitos e muito pobres. São dois mundos diferentes num convívio de vizinhos

Só a chuva deteve a festa, já de madrugada. De madrugada, o trânsito já não é um inferno. O inferno dorme a essa hora. Mas a chuva vai acordá-lo em sobressalto, despertando a Angola que não vai à «vernissage» e ao beberete, não tem preocupações com os «down jones» e o preço do barril de crude, não bebe conhaque em balão aquecido, não tem um todo-o-terreno Porsche e conta «off-shore», nem é servida em bandejas de prata. Essa Luanda, desenraizada, agoniza em contrastes. E sorri. E, sorrindo, é a Angola perdedora, neste jogo de subserviências. Tem a Babilónia debaixo dos pés, mas não encontra o caminho no meio do lixo e das barracas, a tropeçar no vácuo, a cair em nada. Se escavar um pouco do seu solo, é provável que encontre petróleo ou diamantes. A escavar no seu musseque, só encontra musseque.

Reportagem de Luís Pedro Cabral (texto)e Sandra Rocha/Kameraphoto (fotografias), em Luanda

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A SANIDADE MENTAL DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO, D. MILU RODRIGUES

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Vi em tempos umas imagens da Ministra aos gritos respondendo com um "huuuuuuuuu" quando foi vaiada numa festa de Desporto Escolar com crianças que a receberam com um ... "hhuuuuuuu".
Vai daí, esta ministra disse que ainda sabia gritar mais alto que eles e daí o ... "huuuuuuu" dela.
Isto é normal? Não é de uma pessoa perfeitamente demente mental, com problemas de educação, de incompetência e perfeitamente rasca ao nível dos mais rascas?
Que exemplo? Se este é o exemplo que vem de cima, como quer ela e o ex-engenheiro Sócrates diplomado à pressa a um domingo, que as crianças se comportem na escola'
Parafraseando Eça de Queirós, as nódoas não se demitem, tiram-se com benzina!
Vários têm sido os casos de trabalho forçado a professores (curiosamente ... a professores) em estado terminal de vida ou de incapacidade grave, na DREN foi a pouca vergonha que se sabe com o professor Charrua, os erros nas provas de exame sem que se assuma a responsabilidade dos mesmos, a questão o ano passado dos alunos do 12º ano prejudicados com a repetição de exame que o tribunal lhes deu razão, o RIDÍCULO do "Prémio de Melhor Professor" num universo de 150 mil, a inconstitucionalidade de um concurso desumano e injusto como foi este dos titulares a juntar à pouca vergonha do concurso CORRUPTO e PROMÍSCUO para amigos que são as cíclicas, a Associação de Professores de Matemática que foi "convidada" a abandonar o grupo de trabalho de acompanhamento do Plano da Matemática, apenas e só porque ousou criticar a ministrinha, as alterações permanentes e constantes, em cima da hora de critérios de avaliação, ....
Agora, e finalmente, até o Marcelo Rebelo de Sousa, já vem dizer na RTP que "A ministra da educação está, politicamente, descredibilizada".
Piou tarde mas enfim, lá piou. Já não há pachorra com tanta incompetência!
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APANHADOS DO BENFICA ...


Palavras para quê? ...
São artistas ... cor de rosa.

POSTAL ESCRITO DE LUANDA (4)

Nossos guias acabaram errando a saída, e demos numa altura da avenida um pouco longe do ponto em que a van tinha ficado.
Enquando procurávamos o lugar certo, eu aproveitava que estávamos no ponto mais alto do mercado e me postava em cada vão livre para tirar fotos daquela mar de barracas com o Atlântico ao fundo. Foi então que ele apareceu – o policial. Aos berros, ele dizia para um dos nossos seguranças (exatamente o que tinha dito que eu poderia levar a câmera) que era proibido levar estrangeiros ao Roque sem escolta policial – e terminamentemente proibido tirar fotografias. Eu olhava para a minha Canonzinha e temia pelo pior.
Ela não estava nem há seis meses na minha mão, tadinha. Pensei rapidamente numa maneira de fingir que estava apagando todas as fotos, mas ainda não aprendi sequer a manejar os botões certos, que dirá os errados. O segurança resolveu engrossar a voz com o polícia, e o resultado é que fomos parar todos na "esquadra" – um cercadinho com chão de terra batida que fazia as vezes de distrito policial. Ali, sob um sol senega... ops, angolano, eu fiquei bem uns 20 minutos com o kimbundo na mão, enquanto os seguranças chegavam a bom termo com os polícias. Não sei como se entenderam, não quero saber, e se soubesse, talvez não tivesse como publicar.
O facto é que saí inteiro, de posse de minha câmera e cheio de fotos do Roque para postar. (Se bem que, assim em close, o Roque Santeiro não é muito diferente de qualquer feira que se possa fotografar nos grotões do Brasil.)

É divertido ouvir os angolanos. A elite angolana fala igualzinho aos portugueses. Já o povo tem um sotaque diferente – os nasais são agudos, espanholados (Luánda, Án-gola, páo, máe); alguns "e" e "o" são fechados (dêla, côla). Nos meus ouvidos autocentrados, eles soam como estrangeiros falando o português do Brasil.
Mas a surpresa é quando cantam. Se a música for angolana ou portuguesa, o sotaque é português. Mas se o cantor ataca de música brasileira, o sotaque se torna carioca da gema, com todos os dji, tchi, amorrr e forrrrça a que se tem direito.O Brasil é adorado por aqui. Quer dizer: graças à exibição diária do "Cidade Alerta" pela Record Internacional, o Brasil não é mais idealizado, mas é de qualquer maneira queridíssimo.
A identificação cultural é enorme. (E não estou falando de candomblé, vatapá ou acarajé – coisas, a propósito, inexistentes por aqui.) É triste ver que o Brasil não esteja mais presente em Angola neste momento tão fundamental. Portugal será, na melhor das hipóteses, um bom padrasto – enquanto o Brasil está fugindo às suas obrigações de irmão mais velho.
O que tanto estamos fazendo na Venezuela, quando existe um país inteiro de fãs do Martinho da Vila precisando da nossa força (e oferecendo imensas oportunidades)?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

POSTAL ESCRITO DE LUANDA (3)

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Por sinal, quase tudo no Roque (e em Angola) é importado – das Havaianas falsificadas na Nigéria aos sachezinhos de uísque fabricados na África do Sul.

Vende-se muita coisa produzida no Brasil. Cerca de um terço dos passageiros do meu vôo da South African de São Paulo para Joanesburgo era de muambeiros (muambeiras, sobretudo) de Angola. Em São Paulo, a fila do guichê de excesso de bagagem é quase tão grande quanto a fila do check-in. (Parênteses: é incrível que a Varig não esteja numa rota movimentadíssima como esta.) Entre Joanesburgo e Luanda, a South African coloca um Jumbão, juntando as sacoleiras que vieram do Brasil às que só foram até a África do Sul. No aeroporto de Luanda, o desembarque de bagagem dura quase duas horas. Cada muambeira traz cinco, seis malonas. Boa parte dessa mercadoria vem parar no Roque.

(Eu sei, você quer saber a origem do nome. Ouvi duas versões e ainda não decidi em qual acreditar mais. Uma vertente dá conta de que o mercado começou na época da primeira exibição da novela em Angola. Outros dizem que o nome vem do fato de sempre terem vendido muitos produtos brasileiros por ali.)"Pode descer com a câmera, eu garanto". O segurança me pegou de surpresa. Eu tinha levado a máquina só para fotografar o mercado por fora. Já estava conformado em deixar o equipamento no carro. Claro que não precisei de nenhuma insistência para colocar a alça em volta do pescoço e me embrenhar com a minha Canon pelo Maracanã dos camelódromos.

Tão logo começamos a descer – nosso grupo: dois brasileiros visitantes, um brasileiro residente, três seguranças angolanos – deu para ver que barra não era tão pesada assim. Quem pinta o Roque como um lugar apavorante certamente nunca pulou o carnaval em Salvador (naquele momento em que você resolve sair do bloco e precisa atravessar a pipoca). Eu posso imaginar vários outros lugares – a bilheteria do Pacaembu em dia de venda de ingresso para decisão, por exemplo – em que aqueles três seguranças se fariam mais necessários.

No início eu fotograva timidamente, sem querer enquadrar ninguém em primeiro plano. Mas de repente comecei a ouvir "Amigô, tira foto!", "Amigô, filma a minha barraca!", "Amigô, a minha também!". Se o resto do grupo não estivesse com pressa, eu poderia passar a tarde inteira fazendo lambe-lambe do povo do Roque

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POSTAL ESCRITO DE LUANDA (2)

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Descontados os problemas de infra-estrutura (os elevadores que pararam de funcionar há 20 anos, os cortes freqüentes de luz, o caos do trânsito, a necessidade de visitar supermercados de todas as redes para fechar a lista de compras), os "expatriados" não vivem mal, não. Há bons restaurantes – o melhor deles é o Bahia, do qual Flávia Virgínia, uma das filhas de Djavan, é sócia –, um clube noturno muito bacana, o Palos, e os ótimos bares de praia da Ilha. A propósito, vai-se à praia em Luanda com um conforto e uma mordomia que nós só encontramos no Brasil em pousadas de altíssimo luxo à beira-mar.
O melhor desses clubes de praia, o Miami, faz todos os domingos uma Noite das Músicas com cantores e bandas locais. Domingo passado um dos convidados especiais foi um compositor-cantor-produtor chamado Heavy C. Com o porte do Ed Motta e a inteligência de um Eduardo Dusek, Heavy C é autor de letras satíricas geniais. Eu estava sem papel e caneta, de modo que não consegui anotar toda a letra de uma canção que começava com o verso "Eu quero ser um corno feliz", em que Heavy pede à namorada que lhe poupe de saber. Nem de "A higiene é um dom", sobre a tragédia de uma noie de amor prejudicada pela falta de asseio da companheira. Procurei por discos dele, mas não achei. Agora vou em busca de pelo menos um mp3.O povo não tem acesso a nada disso. Se falta luz para os ricos, falta tudo para os pobres. Mas já esteve muito pior, é o que todos dizem. Se hoje a guerra é uma desculpa para todos os males que ainda afligem o país, até 2002 a guerra era uma realidade de todos os dias. O problema mais visível da cidade é o lixo que se espalha por todo canto. Mas a se acreditar no que nos contam, há dois anos havia pilhas de lixo mais altas que os jipes. Se isso continuar a evoluir no mesmo ritmo, daqui a dois anos Luanda vai estar mais limpa que Zurique :-)

Todo mundo adverte o tempo todo para o problema da segurança, mas não vi muito motivo. Como não existem táxis e quase não há comércio (o primeiro shopping ainda está para ser inaugurado), nenhum visitante tem possibilidade ou motivo para andar sozinho pela cidade. Ainda assim, com exceção de disputas entre flanelinhas para vigiar o carro (alguém por acaso nunca passou por isso no Brasil?), não vi nada que pudesse indicar um ambiente hostil. Na vida real, pelo que notei, o medo maior é o de ser achacado pela polícia.

Depois de muito insistir, acabei sendo levado a uma área normalmente off-limits (eu poderia dizer "vedada", mas off-limits é tão mais proibido, não é?) a estrangeiros: o Roque Santeiro, o maior mercado negro do mundo. São quilômetros e mais quilômetros de barracas montadas diariamente no alto de uma colina, onde se encontra de pasta de dente a metralhadora.

Existem quarteirões inteiros dedicados a artigos como jeans, perfumes, móveis e telemóveis (celulares). Lá dentro dá para ir ao cinema, jogar videogame, obturar uma cárie ou trepar em francês com putas importadas do Congo.

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POSTAL ESCRITO DE LUANDA (1)

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Ninguém vende chiclete nos engarrafamentos de Luanda. Mas se você quiser comprar tábua de passar, antena de TV, calcinha, relógio de parede, faqueiro ou sapato, é só esperar. Enquanto o trânsito estiver parado – e aqui a hora do rush vai das 8 da manhã às 8 da noite – sempre vai aparecer alguém para vender o mosquiteiro, o cinto, o abajur e a cueca que você estava precisando. Com sorte, você leva para casa ventilador, três em um, toalha, churrasqueira, benjamins, óculos de grau e a Caras da semana, sem jamais se incomodar em achar uma vaga para estacionar.

Você pode se chocar com a pobreza de um lugar em que todo mundo parece viver de vender alguma coisa na beira da estrada. Ou você pode admirar a vitalidade e a capacidade de um povo que inventa uma maneira de sobreviver entre os escombros de uma guerra que durou quase os 30 anos da existência do país. No meu caso, depois de quatro dias tentando encarar tudo da maneira mais otimista, de repente me vi caído na mais profunda depressão. Mas daí pedi um pudim de sobremesa e passou. (Lição no. 235: nunca faça regime em países em fase de reconstrução.)

Não há turismo em Angola – os estrangeiros que estão por aqui, aos montes, não vieram a passeio. Se eu ligar para a recepção do hotel e pedir um táxi para ir à praia, a recepcionista vai achar graça. Mas tão logo haja a mínima estrutura (daqui a três, cinco, dez anos?), não tenho dúvida de que os turistas vão começar a aparecer.

A situação de Luanda é belíssima: a cidade fica à beira de uma baía que mais parece uma lagoa, protegida do mar aberto por uma peninsulazinha longa e bastante estreita que o pessoal aqui chama de "Ilha de Luanda". Ao longo da baía corre uma avenida que me lembrou muito o Malecón de Havana, com alguns prédios muito bonitos da época colonial e um forte encarapitado num morro (não há cidade colonial portuguesa sem morro).

A região da Ilha é o playground da cidade, com praias públicas extensas e – preciso deixar claro que a-do-rei isso – pequenas praias particulares, servidas por restaurantes muitíssimo bem montados, freqüentados pela elite angolana e pelos "expatriados", que é como são chamados os gringos (portugas incluídos) por aqui.

Assim como no Brasil, a pobreza é evidente demais – basta sair da região central que a cidade vira um interminável "musseke", o termo kimbundo para favela. Ao contrário de nossas cidades, no entanto, a riqueza (ou a falta de pobreza) se esconde por trás de fachadas decrépitas e muros sem pintura. Deve ser mais ou menos como as ruas: a aparência pode ser lamentável, mas o engarrafamento é de jipões japoneses com ar-condicionado (OK, dividindo o que restou do asfalto com um exército de vans-lotações caindo aos pedaços).

Saindo da beira-mar (onde fica a parte antiga) em direção ao interior, a cidade apresenta um layout muito interessante, com avenidas largas e muitas rotatórias. Embora o socialismo
instaurado com a independência já tenha dado lugar a um capitalismo pragmático, aqui e ali ainda se notam resquícios da era pró-soviética – como as avenidas Lenine e Ho Chi Minh, o cinema Karl Marx e a implicância da polícia com qualquer pessoa de posse de uma câmera fotográfica. Arquitetonicamente, a cidade (assim como aconteceu com Havana, perdoe a insistência) parou na época da revolução – no caso de Angola, em 1975. Se por um lado o Estado nunca teve dinheiro para a manutenção dos prédios residenciais que já existiam, por outro lado também não conseguiu enfear a cidade com a horrorosa arquitetura institucional comunista.
Dificilmente, no entanto, Luanda vai escapar agora da horrorosa arquitetura corporativa capitalista – os arranha-céus vêm aí.

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FOTOGRAFIA ... APENAS ISSO!




terça-feira, 17 de julho de 2007

ÚLTIMO JAPONÊS MORRE EM 2800, ÚLTIMO PORTUGUÊS NÃO SE SABE

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As portuguesas têm em média 1,36 filhos, mínimo histórico. As japonesas 1,32.
Para o país asiático, as contas estão feitas: o último habitante morrerá em 2800, calculou o Yomiuri, jornal para levar muito a sério, com 130 anos de história e dez milhões de exemplares cada manhã. Para Portugal, falta um demógrafo fazer o exercício, mas o resultado só pode ser igualmente assustador: um dia não haverá ninguém. Não vale a pena entrar já em pânico. Tal como os japoneses, ainda temos séculos para inverter a tendência. E se a primeira solução é óbvia (pelo menos dois filhos por mulher), a segunda passa pela importação de gente. De imigrantes. É o que está a ser feito por todo o mundo rico, com diferentes níveis de imaginação.
O Japão, por exemplo, tenta atrair os nissei, brasileiros de origem nipónica. Portugal recebeu africanos, depois brasileiros e ucranianos. A Alemanha em tempos foi buscar turcos. A Grã-Bretanha, sobretudo indianos e paquistaneses. E a França, que se destaca pela tradição de acolhimento (até tem um presidente de apelido húngaro), virou-se para as antigas colónias árabes, esgotado que está o filão português, espanhol e italiano.
Há lições a aprender com a experiência da França. Está por fim a inverter-se o declínio demográfico, pois cada mulher tem já em média mais de 2,1 filhos. Resultado admirável, pois na UE só três países atingem o patamar que renova as gerações.
A este ritmo, arrisca-se em 2050 a ultrapassar uma Alemanha a minguar e a ter o povo mais numeroso da Europa ocidental - como acontecia até aos tempos de Napoleão. E é graças à fertilidade das comunidades imigrantes que cresce. Por isso, cada vez mais franceses respondem por nomes como Sarkozy, Zidane ou Garcia (é o n13.º apelido mais comum, agradeçam a espanhóis e portugueses).
Tal como os franceses, o caminho mais seguro para os portugueses se salvarem da extinção (e, mais urgente, garantirem descontos para a Segurança Social) é somarem as soluções: mais filhos, sim, mas também imigrantes. Só que integrar pessoas de cultura diferente desafia qualquer país. Uma parte da opinião pública sente-se incomodada. E os discursos xenófobos tendem a aparecer, mesmo que envergonhados.
Mas para lidar com o inevitável existem já dois modelos: a assimilação à francesa e o multiculturalismo britânico. Basta escolher. Ou então inventar um terceiro, com a experiência de 500 anos de mistura de sangues no Brasil, África e Índia.
Quem achar que os imigrantes não são solução pode sempre imitar uma boa ideia recente do espanhol Zapatero e acreditar que basta oferecer 2500 euros por criança para que as mulheres dupliquem de um dia para o outro o número de filhos. Mas, se fosse só uma questão de dinheiro, o Japão nunca teria de se preocupar com 2800.
Leonídio Paulo Ferreira

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OS PRIMEIROS NA AUSTRÁLIA FORAM ... OS PORTUGUESES

Historiador descobriu mapas elaborados a partir de anotações portuguesas
Os navegadores portugueses ganharam ainda mais peso na História. Um jornalista e historiador britânico acredita que a Austrália foi descoberta pelos portugueses antes dos holandeses e até mesmo do famoso capitão Cook. Num livro com o título "Além de Capricórnio", Peter Trickett defende a tese de que os portugueses chegaram à Austrália 250 anos antes de todos os outros navegadores.
O autor do livro descobriu um conjunto de mapas do século XVI que tinham sido elaborados a partir de anotações portuguesas mal traduzidas pelos cartógrafos franceses. Com a ajuda de um computador, corrigiu os erros e descobriu uma boa parte da costa australiana devidamente cartografada pelos navegadores portugueses.
Supostamente estes mapas foram feitos durante uma expedição em busca de ouro e por isso os documentos foram muito bem guardados. Tão bem que o segredo resistiu mais de 500 anos.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

CIÊNCIA VIVA

Futebol e o uso de equipamentos de protecção

O uso de caneleiras pelos jogadores de futebol é algo já aceíte como fundamental para o evitar de lesões graves. Mas um estudo realizado nos Estados Unidos da América mostra como o uso de um equipamento de protecção da cabeça pode também evftar certas lesões e deveria ser utilizado de modo muito mais frequente. Este estudo publicado na edição de Julho da publicação inglesa da medicina do desporto “Journal of Sports Medicine”, foi realizado no final da época de 2006, e abarcou 268 adolescentes entre os 12 e os 17 anos, de um clube americano “Oakville Soccer Club”.

Do número total de jogadores em estudo, apenas 52 deles usaram regularmente este equipamento de protecção, e vários indicadores surgiram da análise comparativa.
Assim, 52,8% dos adolescentes que não usaram esta protecção apresentaram concussões de diferentes gravidades relativamente a apenas 26,9 % casos de concussões entre os que efectivamente usaram esta protecção da cabeça.

Deste modo, em termos matemáticos, o risco de lesões da cabeça é 2,65 vezes maior para os jogadores que não utilizam este equipamento.
Este estudo apresenta sugestões á FIFA para tornar obrigatório o uso destas protecções particularmente entre as camadas jovens (neste momento a FIFA autorizou o seu uso, mas não o tornou obrigatório).

Mais informações em http://www.muhc.ca/

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domingo, 15 de julho de 2007

GRAMÁTICA PORTUGUESA


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
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Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
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sexta-feira, 13 de julho de 2007

TITULARÍSSIMO CONCURSO A PROFESSOR TITULAR

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Não imagino se o facto dos resultados dos alunos pesarem na avaliação dos professores é uma forma de pressionar os professores a darem melhores notas, resolvendo-se assim o problema do insucesso escolar. Não imagino, mas desconfio.
As turmas não são todas iguais, há turmas mais problemáticas, com menos aproveitamento que outras por mais que os professores se dediquem e se empenhem no seu sucesso escolar. E isto não tem só a ver com turmas tem a ver com as localizações das escolas. Dentro de Lisboa há escolas mais problemáticas que outras. Tal como no Porto ou noutra cidade qualquer, ou entre cidades do interior e do litoral, por exemplo.
Vá lá, senhores professores, sejam a partir de agora generosos, distribuam boas notas à baldex, só assim verão reconhecido o vosso real valor. Bardamerda para o rigor e a exigência, abaixo o insucesso escolar. Exames nacionais mais fáceis como aconteceu com a matemática. Tudo isto é MUITO MAIS IMPORTANTE E PRIORITÁRIO que restituir a autoridade dos professores nas escolas.
Depois dos pais, ... os alunos a avaliarem os professores.
Por outro lado, depois de um concurso pindérico, injusto e desleixado que valorizou apenas os últimos 5/7 anos de uma vida de entrega e dedicação ao ensino dos professores que concorreram a titulares, surge agora a necessidade de estes terem de se submeter, futuramente, a 2 exames se quiserem ter acesso a essa categoria. Depois de se saber que o ex-engenheiro e diplomado à pressa José Sócrates fez um dos seus exames por FAX, resta saber se somos todos iguais ou se uns são mais iguais que outros.
Tal como resta saber se os deputados, para o serem, terão também de prestar exames, tanto mais que grande parte deles, NUNCA foram NADA na vida antes de para lá irem e hoje NADA saberiam fazer quando de lá saíssem, não fosse o facto de virem de lá reformados com meia dúzia de anos a mamar à nossa custa, com subsídios para tudo e nada.
Já imaginaram um professor (que não seja deputado) a assinar o livro de ponto e depois abandonar a sala de aula para ir de férias?
Que outras profissões serão igualmente sujeitas a estes exames? O próprio ex engenheiro e diplomado à pressa José Sócrates não deveria ser sujeito a um exame DE VERDADE para ser primeiro ministro mesmo sabendo-se que REPROVARIA no teste da MENTIRA?
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quinta-feira, 12 de julho de 2007

DUPONT E DUPONT, NÃO DIRIAM MELHOR: FICÁMOS TÃO CHOCADOS!

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Sócrates anunciou que ficou “tão chocado como a opinião pública” ao saber dos casos dos dois professores a quem foi recusada aposentação, apesar de sofrerem de doença oncológica grave.
Só passado um mês, é que ele vem com aquela cara de sonso e de "Madalena arrependida" dizer aquilo que toda a gente sentiu imediatamente, quando viu aqueles professores morrerem por serem obrigados a ir trabalhar.
É verdade, foi preciso esperarmos um mês.
Foi preciso estarmos a 3 dias das eleições em Lisboa para a autarquia. Foi preciso o bastonário da ordem dos médicos insurgir-se contra a forma como a CGA classifica os doentes desde que este governo nos desgoverna.
E ficou chocado contra quê? Quem dá estas ordens, não é ele? Quem criou este clima de intimidação e medo, não foi ele? Quem promove e premeia estes "trabalhinhos" por objectivos, não é ele? (só podem ter baixa "x" funcionários por mês!)
Isto acontecia antes deste governo tomar posse? E esta coincidência de serem todos professores ... a sª Ministra da Educação, depois de receber autorização para tal, também vem agora ridiculamente atrás do patrão dizer que está "tão chocada como a opinião pública"? E mais grave ainda, vem dizer que já sabiam destas coisas há muito mais tempo, muito antes delas terem acontecido.
INCRÍVEL, só mesmo num país de incompetentes e déspotas se pode ouvir uma coisa destas.
Estamos num país onde se matam professores rapidamente para não terem que estar a pagar reformas, onde os bebés nascem nas ambulâncias ou têm de ir nascer a Espanha, onde morrem doentes que não têm tempo sequer de chegar ao hospital mais próximo que dista 40, 50 ou 60 quilómetros da sua residência, onde se amordaça quem tiver a coragem de dizer mal do primeiro ministro, onde se conseguem diplomas ao domingo com processos obscuros, muito pouco claros e oportunistas, onde se manda borda fora quem pode parecer estar a ser jocoso, onde quem mora na margem sul não passa de camelo, e por aí em diante.
E destas coisas, o sr. ex- engenheiro e mal-diplomado José Sócrates não está "tão chocado como a opinião pública"? Nem a sua ministra de educação quando não recebe ordens para ir a correr repetir as mesmíssimas desculpas.
Nem os imortalizados Dupont e Dupont diriam melhor e fariam melhor figura. Enfim, as cretinices a que vamos estando, infelizmente, habituados.

HÁBITOS DE CONSUMO DE MEDIA EM ANGOLA

Mais de metade da população residente em Luanda costuma ler ou folhear jornais (50,5%) e uma fatia ainda maior recorre às revistas (54,5%).

Dos jornais, o Jornal de Angola tem 28,7% das preferências, seguindo-se o Jornal dos Desportos (17,8%) e a Folha 8 (15,1%).

A revista mais lida é a Tveja, com 38,1%, a que se seguem A Caras, com 19,2% e a TV24 com 13,9%.

São estes alguns dados mostrados no estudo Angola - All Media & Products Study, da Marktest, agora a operar naquele país africano.

O estudo decorreu sobre a população residente em Luanda, com 5000 entrevistas, entre 13 de Fevereiro e 24 de Maio últimos.

A televisão atinge 91,9% da população, dominada pela TPA (primeiro canal: 86%; segundo: 75,2%), vindo depois a Globo (27%) e a Record (22,8%).

Já quanto à rádio, o ranking é o seguinte: Luanda (47,4%), Escola e a Ecclésia. 85,5% dos inquiridos costuma ouvir rádio.

ANGOLA DOS RICOS

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Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana, que vive do luxo e da extravagância, das festas e do champanhe, do petróleo e dos diamantes, dos negócios multimilionários.

O Expresso foi espreitar a nova sociedade angolana

Num país que exibe uma taxa de crescimento da economia de 18% e com o desemprego a rondar os 80%, há quem viva entre galas no palácio oficial do Presidente José Eduardo dos Santos e recepções nos jardins da Cidade Alta e quem se desloca em helicóptero privado para festas no Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul.
A assimetria social é flagrante.

Os ricos são poucos e muito ricos. Os pobres são muitos e muito pobres. Nesta Luanda a rebentar pelas costuras, onde Angola está sitiada, são vizinhos. Em mundos diferentes.

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