BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

LUANDA DE LUXO

Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana que, entre festas e champanhe, vive do petróleo, dos diamantes e de negócios multimilionários


FESTA Há quem viva entre recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta e galas no palácio oficial do Presidente. Para trás ficam os que nada têm, num país em que a taxa de desemprego é de 80%

Hoje há festa em Luanda. Hoje, um dia qualquer. Um bebé nasceu entre o lixo, próximo de um esgoto a céu aberto, alguém atirou uma lata de «gasosa» para um chão imundo, alguém lhe deu um pontapé, alguém a recolheu para vender no mercado da sobrevivência, alguém caiu de um prédio sem varanda, sem água, sem luz, cheio de nada, cheio de gente, construído em altura, como em extensão se construíram quilómetros de barracas instáveis e insalubres, chamados musseques. Todos no âmago desta Luanda, uma camisa-de-forças recheada de automóveis, quase tantos como os buracos das suas ruas. Esta Luanda encerra toda a Angola, encerrando-se da Angola que resta. A assimetria entre a capital e as províncias é enorme. E parece menor se comparada com as paralelas assimétricas que dividem os ricos inacreditavelmente ricos, os inacreditavelmente-novos-ricos e os pobres, ainda inacreditavelmente mais pobres, de Luanda. Hoje, alguém morreu de cólera, de paludismo, alguém arrasta feridas de guerra pela cidade, vende cigarros na rua, lava o corpo na lama, chora ausências de nutrição, procura comida na lixeira, foi assaltado por um miúdo, bebeu de mais, fumou de mais, abusou, foi abusado, encontrou mais uma jazida de diamantes, inaugurou mais uma torneira de petróleo. E alguém terá de abandonar o musseque com a família às costas, a fugir das águas da chuva, do polícia que lhe diz para parar, para pagar, «pentear», dar «gasosa», a correr de encontro à fome que já tinha, nos dias pesados do calor, sem mais nada que isso, só uma estranha alegria que faz o angolano sempre sorrir. «Estamos sempre a subir». Tão certo como o contrário.


Nessa noite, cansada de trabalhar, cansada porque não tem trabalho, sem coragem para levantar-se entre os despojos do seu caos, essa Luanda estava incapaz de comparecer ao evento. Fazia anos - não seria elegante dizer quantos - Isabel dos Santos, primogénita do Presidente José Eduardo dos Santos, que escolheu o Miami, um bar da moda na ilha de Luanda, do qual é sócia, para celebrar com coisa de setecentos amigos chegados. Todos os convidados, escrutinados por um pelotão de seguranças, deviam vestir de branco. Abaixo do bar, numa enorme tenda sobre a areia da praia, seria servido o jantar. Ao lado, separado por um passadiço, brilhava a jóia da coroa, o bolo de anos, num altar envolto em arranjos florais. Por trás, fogo de artifício para a primeira fatia do bolo. Um grupo de «capoeira» articulava-se onde podia. Seguranças ofereciam olhares atentos, absolutamente convencidos do seu estado incógnito. Os convidados sacudiam o protocolo. «Boa party», dizia o novo ao velho, olhos à deriva. «Estas damas não são do teu campeonato», advertiu o «cota».

Isabel chegou dentro de um vestido em fundo branco, com estampado exclusivo de flores magenta e rosa - evidente como uma piscina olímpica no deserto - com Sindika Dokolo, o marido, filho de um banqueiro congolês, herdeiro prematuro da condição de milionário. Em séquito, abriram alas vagarosamente, consentindo que os desfrutassem. Três amigas aproximavam-se a grande velocidade, instáveis em salto alto, voando para um abraço cúmplice. «Huammm!!!» Beijo na bochecha da filha do Presidente. «Parabéns, querida! O teu vestido é lindo. Estás boa?» Tudo indicava que sim. «Ainda bem que vieste», disse Isabel. «Ya. Como é que eu ia faltar?!», declarou a amiga. As outras duas, de sorriso aberto, espreitavam com os queixos em posição oftalmológica nos seus ombros. Que desculpassem, Isabel tinha afazeres protocolares.


Convidadas da festa da filha de José Eduardo dos Santos: «dress code», branco

Depois de um jantar bem regado, com interrupções fotográficas para a «Caras» angolana, decorria animadíssima a noite. Ocasião para iniciar a travessia para o bolo. Champanhe ao alto à saúde de Isabel, uma das empresárias mais poderosas de África, movendo-se em áreas multimilionárias como o petróleo ou os diamantes. Na última visita a Angola, o primeiro-ministro José Sócrates elogiou o seu empreendedorismo, endereçando-lhe convite para ministrar em Lisboa uma conferência sobre dinamismo empresarial. Talvez fosse aí o momento para explorar a contradição destes números: crescimento da economia angolana ao ano - 18 por cento; taxa de desemprego - 80 por cento. Ali, não era de certeza. Explodira alegria e fogo de artifício. O bolo de aniversário tinha agora um cenário de chuva brilhante, que iluminava o mar e os guardas que no pontão embalavam metralhadoras kalashnikovs.

Descera a madrugada em arromba. Os mais idosos começavam a desistir. Entravam outros, «party-people», «subjet-set» generalistas, a arejar as narinas com leques coloridos, envergando óculos panorâmicos, próprios para o amanhecer na pista. Excelente média de empresário por metro quadrado. O Mister África 2007, que agora chegava, cruzava-se com um deputado, de saída. A sociedade emergente desfilava, celebrando-se. O Miami era agora uma mini-Ibiza. O balcão do bar segurava um amontoado de gente, escorriam suores na pista, corpos apertavam-se, soltava-se África. Com a luz da manhã, os resistentes abandonaram.

À tarde, na Esplanada de um restaurante chinês, na ilha de Luanda, hoje mais uma península, a cidade aparecia de novo deslumbrante, a coberto da distância, só interrompida por barcos de pesca rudimentares ou pelos iates que balouçavam ancorados. Câmara, luzes, acção: «Incrível! Como é que pode?», frase da Melhor Actriz angolana de telenovelas 2006, Tânia Bwity. Decorria a gravação da próxima telenovela da Televisão Pública de Angola, de título «Crime e Punição» - nada de Dostoievski -, sob direcção e argumento de Aloísio Filho, brasileiro, contente por ali estar, a bordo de um carro-digital com um estúdio móvel do mais moderno que é possível. «Incrível! Como é que pode?» Take 2. Os artistas, diz Tânia, são em muitos sentidos o espelho convexo da Angola que se mostra ao mundo, e ópio para os 12 milhões no anonimato, que usa quilómetros de puxadas de fios eléctricos só para os ver. «Incrível! Como é que pode?» Take 3. A avaliar pelo cenário, nada de errado.

INTERIOR da UNYKA, loja do estilista Rucka Santos, uma das mais luxuosas de Luanda (à espreita, um sinal dos tempos: uma cliente chinesa)

A luz do dia começou a esconder-se. Do outro lado, Luanda adquiria brilho, camuflada sob as luzes de uma urbanidade que não tem. Esconde tantos segredos esta cidade, tantas singularidades, um fosso social que determina tudo ou nada, onde bolina uma classe média tímida, em boa parte expatriados ao serviço de multinacionais. Dizia alguém à Rádio Nacional sobre o problema dos buracos, que entopem o que está sobrelotado: «Como resolver o problema? Comprando um jipe.» Faz isto tanto sentido como a insegurança ser um excelente negócio para quem vende a segurança. Ou como estradas tão más entre províncias resultam num enorme estímulo para as companhias de aviação privadas. Angola está em bruto, como um diamante, mas não sofre de ingenuidade.

De modo que se torna difícil massificar as modas internacionais, enquanto na rua há miúdos a coçar os piolhos, ou democratizar o luxo num universo transversal que habita condomínios de pobreza. Luanda é uma festa de crianças onde poucos têm altura para chegar à caixa das bolachas. É, portanto, o que é. Mas é também o inverso. Sol e alegria, desprendimento, ruído, vida vivida rápido, «ya» e «tásse bem». O ritmo vagaroso é apressado. A sua pressa tem muito tempo. O tempo tem relógios à venda, a bom preço nos zungueiros (vendedores de rua), directamente de um retalhista da R.D. Do Congo. Que «take» reservará o futuro?

A BORDO de um iate, a caminho do Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul

Se for da moda angolana, ao fundo está um sorriso. Os estilistas de Luanda, em processo de internacionalização, são como uma S.A. que se exporta, importando tecidos para as suas criações. Há tradicionalistas, retro-vanguarda, corte clássico, puristas, tribalistas, neoliberais, esquerda «fashion», os que estudaram Gestão em Lisboa, outros advocacia em Londres, uns que tiveram educação nos EUA, outros ali mesmo. Todos tomaram novo curso neste sector específico do universo amplo da futilidade. E há Shunnoz Tião, transcendência, antigo estudante de Psicologia, autoproclamado inventor da Pensologia, segundo o autor, uma espécie de corrente intelectual, com artes de igreja alternativa. «Não somos nada», diz Tião. «Não somos carne», diz Tião. Tião, contudo, desenha roupas para a carne que as pode comprar, vive da carne onde passeiam os exemplares com a sua assinatura. Com Tekassala, parceiro de ateliê, foram os Estilistas do Ano em Angola. Hoje, para encontrá-los é preciso viajar para as grandes capitais europeias, nas teias da globalização. O mesmo aconteceu com Rucka Santos. A sua loja, UNYKA, vende a exclusividade que o dinheiro pode comprar. Rucka organizou recentemente o espectáculo de Missy Elliot, embaixadora multimilionária do «rap» americano, que veio a Luanda ver como Angola é pobre entre o aeroporto e a sala de espectáculos. «Ela ficou muito impressionada com as mulheres com a fruta à cabeça», diz Rucka.

Vista da Marina, onde iates e barcos de pesca tradicionais partilham águas

«O mercado é reduzido, mas abastado», garantem. Tanto vai ao cabeleireiro a Paris, como lhe pode apetecer comprar-lhes uma colecção inteira e deixar o troco. Na «chaise longue» social, essa Luanda é como se fosse a capital do paraíso, pequeníssima, tão real como a outra, imensa e submissa, atada de pés e mãos como um gigante em Liliput. A sobrevoar a cidade num helicóptero particular, em direcção ao iate, na travessia para uma mansão, nem se notam as evidências. Os grandes problemas tornam-se pequenos, minúsculos, ínfimos. E desaparecem, voando para longe na nuvem doce de um Cohiba à brisa da utopia.

Vive em Luanda uma cidade cor-de-rosa, de festas, brindes à saúde dela própria, em pose para a «Caras», por acaso propriedade de Tchizé dos Santos, filha do Presidente. O angolano tem natureza vaidosa, gosta de exibir. A «Caras» dá os «high-lights» de tudo a quem nada tem. Os luxos, as recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta, no palácio oficial do Presidente, as galas, as festas no Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul, navegando para lá nos seus iates, trajando lantejoulas e «smokings», com vista para uma cidade feroz, nas ruas de outra realidade.

Festa de praia

Não seria por isso que Luís «Dufa» Rasgado, destacado empresário de Benguela, com vínculo ao MPLA, deixaria de assinalar o seu 60.º aniversário. A sociedade das aparências - ou das evidências - celebrava mais uma noite. Dizia no convite para se usar indumentária adequada, as melhores jóias, um «je ne sais quoi» de qualquer coisa, fosse o convidado pele de lobo em cordeiro ou exactamente o contrário. Fosse como fosse, ao entrar deixaram para trás uma rua cheia de guardas. E estes deixaram para trás as barracas e os milhões que nelas habitam, que deixaram para trás a província, as origens, longe, em sítios onde hoje só moram os velhos e a incapacidade de voltar. Para trás, musseque e pobreza. Para a frente, acepipes.

Gin-tónico, talvez? Whiskie irlandês com duas pedras de gelo purificado? Uma cervejinha importada a estalar? Salgadinho? O aniversariante, de «smoking» branco, da mesma cor do seu sorriso, estava à porta do Endiama, uma casa colonial de luxo no bairro de Miramar, onde fica a residência não-oficial do Presidente, assim como a «Casa Branca», que foi morada de Jonas Savimbi, líder defunto da UNITA. Abraço, beijo, agradecimentos pela comparência. «O trânsito está um inferno», atirou uma convidada, acertando a traseira do vestido, por onde escapava um pedaço de roupa interior. «Não se pode», devolveu outra, irrepreensível em corte clássico sobre camisa de folhos, penteado de fixação improvável.

SHUNNOZ TIÃO desenha roupas para os ricos. A sua parceria com Tekassala garantiu-lhes o título de Estilistas do Ano em Angola

Muito difícil o trânsito na cidade. Se chove, pior. Os assaltos também não ajudam. Luanda foi desenhada para 500 mil pessoas. Tem hoje mais de cinco milhões. Nada flui. Só os mil esquemas que a rua oferece. Aliás, vende. Nada é de graça. Tudo se paga. Tudo falta. Tudo se arranja. Só os limitados conhecem como são duros os limites. E guardam isso para eles, como se guardassem um segredo. Os que navegam na zona franca do «cash-flow» saboreiam esta nova Angola que superou o colonialismo português, mas não o arrumou, que saiu de uma longa guerra civil, mas não sarou todas as feridas, que tem abundância de petróleo e diamantes e transborda pobreza a cada rua. E transborda riqueza, como certa roupa interior num vestido apertado.

É a Angola dos descendentes da ascendência, ínfima minoria. Alto negócio, carro de luxo, charuto, helicóptero, iate e champanhe, apartamento na cidade e casa no campo, da política de relacionamentos, do apetite sôfrego das economias internacionais. Crescem em Luanda prédios moderníssimos, esguios por questões de propriedade privada e valor de metro quadrado numa das cidades mais caras do mundo. Mas os passeios e as estradas em redor são feitos de buracos públicos. As chinelas havaianas que nelas passeiam - baptizadas «facilitas» -, tornaram-se mito, calçaram todos os pés, foram augúrio de modernidade. Mas os pés continuam sujos. E nada podem, caso se cruzem na rua com os pneus de um jipe topo de gama. O trânsito estava um inferno? Provável.

ESTIVANDRA Oliveira, Miss Angola 2006, fotografada na varanda da suite do Hotel Alvalade, em Luanda

Os convidados integravam-se, escorriam pela cerimónia, mais descontraídos, segurando copos, descrevendo círculos. Uma bola gigante multimédia assinalava o evento: «Parabéns Dufa». Perto das mesas alongava-se um «buffet». Carnes, peixes, mariscos, frios, quentes, dentro de enormes caixas de cobre com tampa deslizante, para manter à temperatura exacta a comida. O vinho tinto devia estar a 16 graus. Para o Moët & Chandon, que começava a jorrar, o calor era inimigo da perfeição. Lá fora, dentro da enorme panela ao lume chamada Luanda, nas barracas onde não existe frigorífico e os escassos alimentos se conservam em sal, a Cuca, cerveja local, também sofre aquecimento prematuro. Tantas coisas dividem esse mundo deste, só mesmo imponderáveis os podiam unir num problema comum, sublinhando a diferença que os separa: uns incomodam-se porque não conseguem ter tudo. Outros sofrem porque só conseguem ter nada.

Na pista, meninas com traje de princesinhas rodopiavam alegremente. Por trás do palco, um desfile de doces e uma colecção de frutos. Ao lado, outra de frutos secos. Um conviva mais animado, que sabia do que falava em matéria de fruta seca, pegou num exemplar e declarou: «Este é bom para a virilidade», olhar malandro. «É... hermafrodita». Adiante. Repasto, sobremesa, mais brindes, discursos, mais champanhe, digestivos, mais champanhe e mais champanhe, champanhe para o momento da noite: Dufa dirigiu-se ao centro da pista, para soprar as velas. Seguiram-se horas de baile, comida, bebida, alegria.

OS RICOS são poucos e muito ricos. Os pobres são muitos e muito pobres. São dois mundos diferentes num convívio de vizinhos

Só a chuva deteve a festa, já de madrugada. De madrugada, o trânsito já não é um inferno. O inferno dorme a essa hora. Mas a chuva vai acordá-lo em sobressalto, despertando a Angola que não vai à «vernissage» e ao beberete, não tem preocupações com os «down jones» e o preço do barril de crude, não bebe conhaque em balão aquecido, não tem um todo-o-terreno Porsche e conta «off-shore», nem é servida em bandejas de prata. Essa Luanda, desenraizada, agoniza em contrastes. E sorri. E, sorrindo, é a Angola perdedora, neste jogo de subserviências. Tem a Babilónia debaixo dos pés, mas não encontra o caminho no meio do lixo e das barracas, a tropeçar no vácuo, a cair em nada. Se escavar um pouco do seu solo, é provável que encontre petróleo ou diamantes. A escavar no seu musseque, só encontra musseque.

Reportagem de Luís Pedro Cabral (texto)e Sandra Rocha/Kameraphoto (fotografias), em Luanda

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A SANIDADE MENTAL DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO, D. MILU RODRIGUES

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Vi em tempos umas imagens da Ministra aos gritos respondendo com um "huuuuuuuuu" quando foi vaiada numa festa de Desporto Escolar com crianças que a receberam com um ... "hhuuuuuuu".
Vai daí, esta ministra disse que ainda sabia gritar mais alto que eles e daí o ... "huuuuuuu" dela.
Isto é normal? Não é de uma pessoa perfeitamente demente mental, com problemas de educação, de incompetência e perfeitamente rasca ao nível dos mais rascas?
Que exemplo? Se este é o exemplo que vem de cima, como quer ela e o ex-engenheiro Sócrates diplomado à pressa a um domingo, que as crianças se comportem na escola'
Parafraseando Eça de Queirós, as nódoas não se demitem, tiram-se com benzina!
Vários têm sido os casos de trabalho forçado a professores (curiosamente ... a professores) em estado terminal de vida ou de incapacidade grave, na DREN foi a pouca vergonha que se sabe com o professor Charrua, os erros nas provas de exame sem que se assuma a responsabilidade dos mesmos, a questão o ano passado dos alunos do 12º ano prejudicados com a repetição de exame que o tribunal lhes deu razão, o RIDÍCULO do "Prémio de Melhor Professor" num universo de 150 mil, a inconstitucionalidade de um concurso desumano e injusto como foi este dos titulares a juntar à pouca vergonha do concurso CORRUPTO e PROMÍSCUO para amigos que são as cíclicas, a Associação de Professores de Matemática que foi "convidada" a abandonar o grupo de trabalho de acompanhamento do Plano da Matemática, apenas e só porque ousou criticar a ministrinha, as alterações permanentes e constantes, em cima da hora de critérios de avaliação, ....
Agora, e finalmente, até o Marcelo Rebelo de Sousa, já vem dizer na RTP que "A ministra da educação está, politicamente, descredibilizada".
Piou tarde mas enfim, lá piou. Já não há pachorra com tanta incompetência!
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APANHADOS DO BENFICA ...


Palavras para quê? ...
São artistas ... cor de rosa.

POSTAL ESCRITO DE LUANDA (4)

Nossos guias acabaram errando a saída, e demos numa altura da avenida um pouco longe do ponto em que a van tinha ficado.
Enquando procurávamos o lugar certo, eu aproveitava que estávamos no ponto mais alto do mercado e me postava em cada vão livre para tirar fotos daquela mar de barracas com o Atlântico ao fundo. Foi então que ele apareceu – o policial. Aos berros, ele dizia para um dos nossos seguranças (exatamente o que tinha dito que eu poderia levar a câmera) que era proibido levar estrangeiros ao Roque sem escolta policial – e terminamentemente proibido tirar fotografias. Eu olhava para a minha Canonzinha e temia pelo pior.
Ela não estava nem há seis meses na minha mão, tadinha. Pensei rapidamente numa maneira de fingir que estava apagando todas as fotos, mas ainda não aprendi sequer a manejar os botões certos, que dirá os errados. O segurança resolveu engrossar a voz com o polícia, e o resultado é que fomos parar todos na "esquadra" – um cercadinho com chão de terra batida que fazia as vezes de distrito policial. Ali, sob um sol senega... ops, angolano, eu fiquei bem uns 20 minutos com o kimbundo na mão, enquanto os seguranças chegavam a bom termo com os polícias. Não sei como se entenderam, não quero saber, e se soubesse, talvez não tivesse como publicar.
O facto é que saí inteiro, de posse de minha câmera e cheio de fotos do Roque para postar. (Se bem que, assim em close, o Roque Santeiro não é muito diferente de qualquer feira que se possa fotografar nos grotões do Brasil.)

É divertido ouvir os angolanos. A elite angolana fala igualzinho aos portugueses. Já o povo tem um sotaque diferente – os nasais são agudos, espanholados (Luánda, Án-gola, páo, máe); alguns "e" e "o" são fechados (dêla, côla). Nos meus ouvidos autocentrados, eles soam como estrangeiros falando o português do Brasil.
Mas a surpresa é quando cantam. Se a música for angolana ou portuguesa, o sotaque é português. Mas se o cantor ataca de música brasileira, o sotaque se torna carioca da gema, com todos os dji, tchi, amorrr e forrrrça a que se tem direito.O Brasil é adorado por aqui. Quer dizer: graças à exibição diária do "Cidade Alerta" pela Record Internacional, o Brasil não é mais idealizado, mas é de qualquer maneira queridíssimo.
A identificação cultural é enorme. (E não estou falando de candomblé, vatapá ou acarajé – coisas, a propósito, inexistentes por aqui.) É triste ver que o Brasil não esteja mais presente em Angola neste momento tão fundamental. Portugal será, na melhor das hipóteses, um bom padrasto – enquanto o Brasil está fugindo às suas obrigações de irmão mais velho.
O que tanto estamos fazendo na Venezuela, quando existe um país inteiro de fãs do Martinho da Vila precisando da nossa força (e oferecendo imensas oportunidades)?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

POSTAL ESCRITO DE LUANDA (3)

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Por sinal, quase tudo no Roque (e em Angola) é importado – das Havaianas falsificadas na Nigéria aos sachezinhos de uísque fabricados na África do Sul.

Vende-se muita coisa produzida no Brasil. Cerca de um terço dos passageiros do meu vôo da South African de São Paulo para Joanesburgo era de muambeiros (muambeiras, sobretudo) de Angola. Em São Paulo, a fila do guichê de excesso de bagagem é quase tão grande quanto a fila do check-in. (Parênteses: é incrível que a Varig não esteja numa rota movimentadíssima como esta.) Entre Joanesburgo e Luanda, a South African coloca um Jumbão, juntando as sacoleiras que vieram do Brasil às que só foram até a África do Sul. No aeroporto de Luanda, o desembarque de bagagem dura quase duas horas. Cada muambeira traz cinco, seis malonas. Boa parte dessa mercadoria vem parar no Roque.

(Eu sei, você quer saber a origem do nome. Ouvi duas versões e ainda não decidi em qual acreditar mais. Uma vertente dá conta de que o mercado começou na época da primeira exibição da novela em Angola. Outros dizem que o nome vem do fato de sempre terem vendido muitos produtos brasileiros por ali.)"Pode descer com a câmera, eu garanto". O segurança me pegou de surpresa. Eu tinha levado a máquina só para fotografar o mercado por fora. Já estava conformado em deixar o equipamento no carro. Claro que não precisei de nenhuma insistência para colocar a alça em volta do pescoço e me embrenhar com a minha Canon pelo Maracanã dos camelódromos.

Tão logo começamos a descer – nosso grupo: dois brasileiros visitantes, um brasileiro residente, três seguranças angolanos – deu para ver que barra não era tão pesada assim. Quem pinta o Roque como um lugar apavorante certamente nunca pulou o carnaval em Salvador (naquele momento em que você resolve sair do bloco e precisa atravessar a pipoca). Eu posso imaginar vários outros lugares – a bilheteria do Pacaembu em dia de venda de ingresso para decisão, por exemplo – em que aqueles três seguranças se fariam mais necessários.

No início eu fotograva timidamente, sem querer enquadrar ninguém em primeiro plano. Mas de repente comecei a ouvir "Amigô, tira foto!", "Amigô, filma a minha barraca!", "Amigô, a minha também!". Se o resto do grupo não estivesse com pressa, eu poderia passar a tarde inteira fazendo lambe-lambe do povo do Roque

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POSTAL ESCRITO DE LUANDA (2)

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Descontados os problemas de infra-estrutura (os elevadores que pararam de funcionar há 20 anos, os cortes freqüentes de luz, o caos do trânsito, a necessidade de visitar supermercados de todas as redes para fechar a lista de compras), os "expatriados" não vivem mal, não. Há bons restaurantes – o melhor deles é o Bahia, do qual Flávia Virgínia, uma das filhas de Djavan, é sócia –, um clube noturno muito bacana, o Palos, e os ótimos bares de praia da Ilha. A propósito, vai-se à praia em Luanda com um conforto e uma mordomia que nós só encontramos no Brasil em pousadas de altíssimo luxo à beira-mar.
O melhor desses clubes de praia, o Miami, faz todos os domingos uma Noite das Músicas com cantores e bandas locais. Domingo passado um dos convidados especiais foi um compositor-cantor-produtor chamado Heavy C. Com o porte do Ed Motta e a inteligência de um Eduardo Dusek, Heavy C é autor de letras satíricas geniais. Eu estava sem papel e caneta, de modo que não consegui anotar toda a letra de uma canção que começava com o verso "Eu quero ser um corno feliz", em que Heavy pede à namorada que lhe poupe de saber. Nem de "A higiene é um dom", sobre a tragédia de uma noie de amor prejudicada pela falta de asseio da companheira. Procurei por discos dele, mas não achei. Agora vou em busca de pelo menos um mp3.O povo não tem acesso a nada disso. Se falta luz para os ricos, falta tudo para os pobres. Mas já esteve muito pior, é o que todos dizem. Se hoje a guerra é uma desculpa para todos os males que ainda afligem o país, até 2002 a guerra era uma realidade de todos os dias. O problema mais visível da cidade é o lixo que se espalha por todo canto. Mas a se acreditar no que nos contam, há dois anos havia pilhas de lixo mais altas que os jipes. Se isso continuar a evoluir no mesmo ritmo, daqui a dois anos Luanda vai estar mais limpa que Zurique :-)

Todo mundo adverte o tempo todo para o problema da segurança, mas não vi muito motivo. Como não existem táxis e quase não há comércio (o primeiro shopping ainda está para ser inaugurado), nenhum visitante tem possibilidade ou motivo para andar sozinho pela cidade. Ainda assim, com exceção de disputas entre flanelinhas para vigiar o carro (alguém por acaso nunca passou por isso no Brasil?), não vi nada que pudesse indicar um ambiente hostil. Na vida real, pelo que notei, o medo maior é o de ser achacado pela polícia.

Depois de muito insistir, acabei sendo levado a uma área normalmente off-limits (eu poderia dizer "vedada", mas off-limits é tão mais proibido, não é?) a estrangeiros: o Roque Santeiro, o maior mercado negro do mundo. São quilômetros e mais quilômetros de barracas montadas diariamente no alto de uma colina, onde se encontra de pasta de dente a metralhadora.

Existem quarteirões inteiros dedicados a artigos como jeans, perfumes, móveis e telemóveis (celulares). Lá dentro dá para ir ao cinema, jogar videogame, obturar uma cárie ou trepar em francês com putas importadas do Congo.

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POSTAL ESCRITO DE LUANDA (1)

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Ninguém vende chiclete nos engarrafamentos de Luanda. Mas se você quiser comprar tábua de passar, antena de TV, calcinha, relógio de parede, faqueiro ou sapato, é só esperar. Enquanto o trânsito estiver parado – e aqui a hora do rush vai das 8 da manhã às 8 da noite – sempre vai aparecer alguém para vender o mosquiteiro, o cinto, o abajur e a cueca que você estava precisando. Com sorte, você leva para casa ventilador, três em um, toalha, churrasqueira, benjamins, óculos de grau e a Caras da semana, sem jamais se incomodar em achar uma vaga para estacionar.

Você pode se chocar com a pobreza de um lugar em que todo mundo parece viver de vender alguma coisa na beira da estrada. Ou você pode admirar a vitalidade e a capacidade de um povo que inventa uma maneira de sobreviver entre os escombros de uma guerra que durou quase os 30 anos da existência do país. No meu caso, depois de quatro dias tentando encarar tudo da maneira mais otimista, de repente me vi caído na mais profunda depressão. Mas daí pedi um pudim de sobremesa e passou. (Lição no. 235: nunca faça regime em países em fase de reconstrução.)

Não há turismo em Angola – os estrangeiros que estão por aqui, aos montes, não vieram a passeio. Se eu ligar para a recepção do hotel e pedir um táxi para ir à praia, a recepcionista vai achar graça. Mas tão logo haja a mínima estrutura (daqui a três, cinco, dez anos?), não tenho dúvida de que os turistas vão começar a aparecer.

A situação de Luanda é belíssima: a cidade fica à beira de uma baía que mais parece uma lagoa, protegida do mar aberto por uma peninsulazinha longa e bastante estreita que o pessoal aqui chama de "Ilha de Luanda". Ao longo da baía corre uma avenida que me lembrou muito o Malecón de Havana, com alguns prédios muito bonitos da época colonial e um forte encarapitado num morro (não há cidade colonial portuguesa sem morro).

A região da Ilha é o playground da cidade, com praias públicas extensas e – preciso deixar claro que a-do-rei isso – pequenas praias particulares, servidas por restaurantes muitíssimo bem montados, freqüentados pela elite angolana e pelos "expatriados", que é como são chamados os gringos (portugas incluídos) por aqui.

Assim como no Brasil, a pobreza é evidente demais – basta sair da região central que a cidade vira um interminável "musseke", o termo kimbundo para favela. Ao contrário de nossas cidades, no entanto, a riqueza (ou a falta de pobreza) se esconde por trás de fachadas decrépitas e muros sem pintura. Deve ser mais ou menos como as ruas: a aparência pode ser lamentável, mas o engarrafamento é de jipões japoneses com ar-condicionado (OK, dividindo o que restou do asfalto com um exército de vans-lotações caindo aos pedaços).

Saindo da beira-mar (onde fica a parte antiga) em direção ao interior, a cidade apresenta um layout muito interessante, com avenidas largas e muitas rotatórias. Embora o socialismo
instaurado com a independência já tenha dado lugar a um capitalismo pragmático, aqui e ali ainda se notam resquícios da era pró-soviética – como as avenidas Lenine e Ho Chi Minh, o cinema Karl Marx e a implicância da polícia com qualquer pessoa de posse de uma câmera fotográfica. Arquitetonicamente, a cidade (assim como aconteceu com Havana, perdoe a insistência) parou na época da revolução – no caso de Angola, em 1975. Se por um lado o Estado nunca teve dinheiro para a manutenção dos prédios residenciais que já existiam, por outro lado também não conseguiu enfear a cidade com a horrorosa arquitetura institucional comunista.
Dificilmente, no entanto, Luanda vai escapar agora da horrorosa arquitetura corporativa capitalista – os arranha-céus vêm aí.

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FOTOGRAFIA ... APENAS ISSO!




terça-feira, 17 de julho de 2007

ÚLTIMO JAPONÊS MORRE EM 2800, ÚLTIMO PORTUGUÊS NÃO SE SABE

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As portuguesas têm em média 1,36 filhos, mínimo histórico. As japonesas 1,32.
Para o país asiático, as contas estão feitas: o último habitante morrerá em 2800, calculou o Yomiuri, jornal para levar muito a sério, com 130 anos de história e dez milhões de exemplares cada manhã. Para Portugal, falta um demógrafo fazer o exercício, mas o resultado só pode ser igualmente assustador: um dia não haverá ninguém. Não vale a pena entrar já em pânico. Tal como os japoneses, ainda temos séculos para inverter a tendência. E se a primeira solução é óbvia (pelo menos dois filhos por mulher), a segunda passa pela importação de gente. De imigrantes. É o que está a ser feito por todo o mundo rico, com diferentes níveis de imaginação.
O Japão, por exemplo, tenta atrair os nissei, brasileiros de origem nipónica. Portugal recebeu africanos, depois brasileiros e ucranianos. A Alemanha em tempos foi buscar turcos. A Grã-Bretanha, sobretudo indianos e paquistaneses. E a França, que se destaca pela tradição de acolhimento (até tem um presidente de apelido húngaro), virou-se para as antigas colónias árabes, esgotado que está o filão português, espanhol e italiano.
Há lições a aprender com a experiência da França. Está por fim a inverter-se o declínio demográfico, pois cada mulher tem já em média mais de 2,1 filhos. Resultado admirável, pois na UE só três países atingem o patamar que renova as gerações.
A este ritmo, arrisca-se em 2050 a ultrapassar uma Alemanha a minguar e a ter o povo mais numeroso da Europa ocidental - como acontecia até aos tempos de Napoleão. E é graças à fertilidade das comunidades imigrantes que cresce. Por isso, cada vez mais franceses respondem por nomes como Sarkozy, Zidane ou Garcia (é o n13.º apelido mais comum, agradeçam a espanhóis e portugueses).
Tal como os franceses, o caminho mais seguro para os portugueses se salvarem da extinção (e, mais urgente, garantirem descontos para a Segurança Social) é somarem as soluções: mais filhos, sim, mas também imigrantes. Só que integrar pessoas de cultura diferente desafia qualquer país. Uma parte da opinião pública sente-se incomodada. E os discursos xenófobos tendem a aparecer, mesmo que envergonhados.
Mas para lidar com o inevitável existem já dois modelos: a assimilação à francesa e o multiculturalismo britânico. Basta escolher. Ou então inventar um terceiro, com a experiência de 500 anos de mistura de sangues no Brasil, África e Índia.
Quem achar que os imigrantes não são solução pode sempre imitar uma boa ideia recente do espanhol Zapatero e acreditar que basta oferecer 2500 euros por criança para que as mulheres dupliquem de um dia para o outro o número de filhos. Mas, se fosse só uma questão de dinheiro, o Japão nunca teria de se preocupar com 2800.
Leonídio Paulo Ferreira

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OS PRIMEIROS NA AUSTRÁLIA FORAM ... OS PORTUGUESES

Historiador descobriu mapas elaborados a partir de anotações portuguesas
Os navegadores portugueses ganharam ainda mais peso na História. Um jornalista e historiador britânico acredita que a Austrália foi descoberta pelos portugueses antes dos holandeses e até mesmo do famoso capitão Cook. Num livro com o título "Além de Capricórnio", Peter Trickett defende a tese de que os portugueses chegaram à Austrália 250 anos antes de todos os outros navegadores.
O autor do livro descobriu um conjunto de mapas do século XVI que tinham sido elaborados a partir de anotações portuguesas mal traduzidas pelos cartógrafos franceses. Com a ajuda de um computador, corrigiu os erros e descobriu uma boa parte da costa australiana devidamente cartografada pelos navegadores portugueses.
Supostamente estes mapas foram feitos durante uma expedição em busca de ouro e por isso os documentos foram muito bem guardados. Tão bem que o segredo resistiu mais de 500 anos.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

CIÊNCIA VIVA

Futebol e o uso de equipamentos de protecção

O uso de caneleiras pelos jogadores de futebol é algo já aceíte como fundamental para o evitar de lesões graves. Mas um estudo realizado nos Estados Unidos da América mostra como o uso de um equipamento de protecção da cabeça pode também evftar certas lesões e deveria ser utilizado de modo muito mais frequente. Este estudo publicado na edição de Julho da publicação inglesa da medicina do desporto “Journal of Sports Medicine”, foi realizado no final da época de 2006, e abarcou 268 adolescentes entre os 12 e os 17 anos, de um clube americano “Oakville Soccer Club”.

Do número total de jogadores em estudo, apenas 52 deles usaram regularmente este equipamento de protecção, e vários indicadores surgiram da análise comparativa.
Assim, 52,8% dos adolescentes que não usaram esta protecção apresentaram concussões de diferentes gravidades relativamente a apenas 26,9 % casos de concussões entre os que efectivamente usaram esta protecção da cabeça.

Deste modo, em termos matemáticos, o risco de lesões da cabeça é 2,65 vezes maior para os jogadores que não utilizam este equipamento.
Este estudo apresenta sugestões á FIFA para tornar obrigatório o uso destas protecções particularmente entre as camadas jovens (neste momento a FIFA autorizou o seu uso, mas não o tornou obrigatório).

Mais informações em http://www.muhc.ca/

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domingo, 15 de julho de 2007

GRAMÁTICA PORTUGUESA


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
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Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
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sexta-feira, 13 de julho de 2007

TITULARÍSSIMO CONCURSO A PROFESSOR TITULAR

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Não imagino se o facto dos resultados dos alunos pesarem na avaliação dos professores é uma forma de pressionar os professores a darem melhores notas, resolvendo-se assim o problema do insucesso escolar. Não imagino, mas desconfio.
As turmas não são todas iguais, há turmas mais problemáticas, com menos aproveitamento que outras por mais que os professores se dediquem e se empenhem no seu sucesso escolar. E isto não tem só a ver com turmas tem a ver com as localizações das escolas. Dentro de Lisboa há escolas mais problemáticas que outras. Tal como no Porto ou noutra cidade qualquer, ou entre cidades do interior e do litoral, por exemplo.
Vá lá, senhores professores, sejam a partir de agora generosos, distribuam boas notas à baldex, só assim verão reconhecido o vosso real valor. Bardamerda para o rigor e a exigência, abaixo o insucesso escolar. Exames nacionais mais fáceis como aconteceu com a matemática. Tudo isto é MUITO MAIS IMPORTANTE E PRIORITÁRIO que restituir a autoridade dos professores nas escolas.
Depois dos pais, ... os alunos a avaliarem os professores.
Por outro lado, depois de um concurso pindérico, injusto e desleixado que valorizou apenas os últimos 5/7 anos de uma vida de entrega e dedicação ao ensino dos professores que concorreram a titulares, surge agora a necessidade de estes terem de se submeter, futuramente, a 2 exames se quiserem ter acesso a essa categoria. Depois de se saber que o ex-engenheiro e diplomado à pressa José Sócrates fez um dos seus exames por FAX, resta saber se somos todos iguais ou se uns são mais iguais que outros.
Tal como resta saber se os deputados, para o serem, terão também de prestar exames, tanto mais que grande parte deles, NUNCA foram NADA na vida antes de para lá irem e hoje NADA saberiam fazer quando de lá saíssem, não fosse o facto de virem de lá reformados com meia dúzia de anos a mamar à nossa custa, com subsídios para tudo e nada.
Já imaginaram um professor (que não seja deputado) a assinar o livro de ponto e depois abandonar a sala de aula para ir de férias?
Que outras profissões serão igualmente sujeitas a estes exames? O próprio ex engenheiro e diplomado à pressa José Sócrates não deveria ser sujeito a um exame DE VERDADE para ser primeiro ministro mesmo sabendo-se que REPROVARIA no teste da MENTIRA?
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quinta-feira, 12 de julho de 2007

DUPONT E DUPONT, NÃO DIRIAM MELHOR: FICÁMOS TÃO CHOCADOS!

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Sócrates anunciou que ficou “tão chocado como a opinião pública” ao saber dos casos dos dois professores a quem foi recusada aposentação, apesar de sofrerem de doença oncológica grave.
Só passado um mês, é que ele vem com aquela cara de sonso e de "Madalena arrependida" dizer aquilo que toda a gente sentiu imediatamente, quando viu aqueles professores morrerem por serem obrigados a ir trabalhar.
É verdade, foi preciso esperarmos um mês.
Foi preciso estarmos a 3 dias das eleições em Lisboa para a autarquia. Foi preciso o bastonário da ordem dos médicos insurgir-se contra a forma como a CGA classifica os doentes desde que este governo nos desgoverna.
E ficou chocado contra quê? Quem dá estas ordens, não é ele? Quem criou este clima de intimidação e medo, não foi ele? Quem promove e premeia estes "trabalhinhos" por objectivos, não é ele? (só podem ter baixa "x" funcionários por mês!)
Isto acontecia antes deste governo tomar posse? E esta coincidência de serem todos professores ... a sª Ministra da Educação, depois de receber autorização para tal, também vem agora ridiculamente atrás do patrão dizer que está "tão chocada como a opinião pública"? E mais grave ainda, vem dizer que já sabiam destas coisas há muito mais tempo, muito antes delas terem acontecido.
INCRÍVEL, só mesmo num país de incompetentes e déspotas se pode ouvir uma coisa destas.
Estamos num país onde se matam professores rapidamente para não terem que estar a pagar reformas, onde os bebés nascem nas ambulâncias ou têm de ir nascer a Espanha, onde morrem doentes que não têm tempo sequer de chegar ao hospital mais próximo que dista 40, 50 ou 60 quilómetros da sua residência, onde se amordaça quem tiver a coragem de dizer mal do primeiro ministro, onde se conseguem diplomas ao domingo com processos obscuros, muito pouco claros e oportunistas, onde se manda borda fora quem pode parecer estar a ser jocoso, onde quem mora na margem sul não passa de camelo, e por aí em diante.
E destas coisas, o sr. ex- engenheiro e mal-diplomado José Sócrates não está "tão chocado como a opinião pública"? Nem a sua ministra de educação quando não recebe ordens para ir a correr repetir as mesmíssimas desculpas.
Nem os imortalizados Dupont e Dupont diriam melhor e fariam melhor figura. Enfim, as cretinices a que vamos estando, infelizmente, habituados.

HÁBITOS DE CONSUMO DE MEDIA EM ANGOLA

Mais de metade da população residente em Luanda costuma ler ou folhear jornais (50,5%) e uma fatia ainda maior recorre às revistas (54,5%).

Dos jornais, o Jornal de Angola tem 28,7% das preferências, seguindo-se o Jornal dos Desportos (17,8%) e a Folha 8 (15,1%).

A revista mais lida é a Tveja, com 38,1%, a que se seguem A Caras, com 19,2% e a TV24 com 13,9%.

São estes alguns dados mostrados no estudo Angola - All Media & Products Study, da Marktest, agora a operar naquele país africano.

O estudo decorreu sobre a população residente em Luanda, com 5000 entrevistas, entre 13 de Fevereiro e 24 de Maio últimos.

A televisão atinge 91,9% da população, dominada pela TPA (primeiro canal: 86%; segundo: 75,2%), vindo depois a Globo (27%) e a Record (22,8%).

Já quanto à rádio, o ranking é o seguinte: Luanda (47,4%), Escola e a Ecclésia. 85,5% dos inquiridos costuma ouvir rádio.

ANGOLA DOS RICOS

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Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana, que vive do luxo e da extravagância, das festas e do champanhe, do petróleo e dos diamantes, dos negócios multimilionários.

O Expresso foi espreitar a nova sociedade angolana

Num país que exibe uma taxa de crescimento da economia de 18% e com o desemprego a rondar os 80%, há quem viva entre galas no palácio oficial do Presidente José Eduardo dos Santos e recepções nos jardins da Cidade Alta e quem se desloca em helicóptero privado para festas no Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul.
A assimetria social é flagrante.

Os ricos são poucos e muito ricos. Os pobres são muitos e muito pobres. Nesta Luanda a rebentar pelas costuras, onde Angola está sitiada, são vizinhos. Em mundos diferentes.

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quarta-feira, 11 de julho de 2007

A LUA NOVA NO PÓLO NORTE

Uma foto verdadeiramente surpreendente.


Uma cena que provavelmente nunca poderemos ver pessoalmente.
Este é o por do sol no pólo norte com a lua no seu ponto mais próximo.

DO VERMELHO AO COR DE ROSA ... UMA EVOLUÇÃO PERFEITAMENTE NATURAL!

A reacção de Eusébio ao novo equipamento cor de rosa do Benfica está a dar que falar.
Ao que parece, o Pantera Negra demitiu-se de todos os cargos que ocupava no clube porque, admite-se, não quer ser lembrado no futuro como... o Pantera Cor-de-Rosa!

Contra factos não há argumentos!
Por mais que digam que o cor de rosa dos equipamentos do Benfica não é bonito, ninguém acredita e a provar que não só é bonito como lhes fica bem, aqui estão as imagens.



terça-feira, 10 de julho de 2007

SETE MARAVILHAS DO MUNDO - AS ANTIGAS E AS NOVAS

A lista das Sete maravilhas da antiguidade

Para mais detalhes, consulte Sete maravilhas do mundo antigo

Jardins suspensos da Babilónia
Pirâmides de Gizé
Estátua de Zeus
Templo de Ártemis
Mausoléu de Halicarnasso
Colosso de Rodes

Farol de Alexandria


As novas Sete maravilhas do mundo

Para mais detalhes, consulte: Novas Sete Maravilhas do Mundo

As Novas Sete Maravilhas do Mundo foram escolhidas em concurso informal e popular internacional promovido pela NewOpenWorld Foundation, com o lançamento da campanha New7wonders, que contou com mais de cem milhões de votos através de telefones celulares e da internet, enviados de todas as partes do mundo e anunciados em 7 de julho de 2007, numa cerimônia em Lisboa, Portugal



Maravilha ---------------- Atributos -------------------- Localização
Muralha da China ----- Perseverança, Persistência ----- China
Petra ------------------Engenharia, Protecção --------- Jordânia
Cristo Redentor ------- Boas-vindas, Abertura --------- R. Janeiro, Brasil
Machu --------------- Comunidade, Dedicação ---------Cuzco, Peru
Chichen Itza ---------- Adoração, Conhecimento --------Yucatán, México
Coliseu ---------------- Alegria, Sofrimento ------------ Roma, Itália
Taj Mahal ------------- Amor, Paixão ------------------ Agra, India

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segunda-feira, 9 de julho de 2007

A VALSA DOS DELATORES

Componho esta valsa com o pensamento nas vitimas dos delatores, esses torpes seres que, nas palavras de François Miterrant, "fazem nojo aos cães". Componho esta valsa porque os nostálgicos dos velhos métodos do antigamente (1926-1974) estão de volta à Administração Pública. E antes que renasçam, qual "Phoenix" da "esquerda moderna", com as palavras emprestadas e adaptadas de Almada Negreiros, repetirei, indignado:


" Basta! Pum! Basta! Uma geração que consente deixar-se representar por um delator é uma geração que nunca o foi! É um coio de indigentes, de indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração! Morra o delator, morra! Pim! O delator é o escárnio da consciência! Se o delator é português, eu quero ser espanhol! O delator é a vergonha da intelectualidade portuguesa! O delator é a meta da decadência mental! E ainda há quem duvide de que o delator e os seus comanditários não valem nada, não sabem nada, não são inteligentes nem decentes, nem zeros!" A delação é um fenómeno de todos os tempos e sempre habitou o lado mais negro da espécie humana. Para medrar, não importa a época. Basta, como qualquer semente daninha, que encontre terreno propicio. É preciso, por isso, avisar todos os professores "Charrua".Porque têm face e nome os que publicaram um guia incitando 700 mil funcionários públicos à bufaria. Que engendraram o "5 em 1", cartãozito tecnológico que poderá expor a nossa vida a qualquer morcão informático. Que expuseram na praça pública os devedores ao fisco.Que arregimentaram todas as policias sob comando do mesmo ministro.Que colocaram sob a estrita dependência do primeiro-ministro os serviços de informação.Que "expediram" para exílio dourados Ferro Rodrigues, João Cravinho e Manuel Maria Carrilho.Que rasteiraram Mário Soares, Manuel Alegre e . , veremos, António Costa.Que querem purificar o " jornalismo de sarjeta".
Porque, perante tal lista, que é bem mais longa, o terreno é propicio a que certos militantes, sem outras qualificações para subir na vida e chegar a dirigentes locais, regionais, centrais e outros que tais, que não delatar e lamber botas, apareçam venerandos e atentos.

Porque para eles não há amizades de 15 anos. Há promoções, fidelidades de ocasião, expectativas, subsídios, colocações, nomeações, recomendações, avaliações, excedentes (PRACE a que vais obrigar!...), ossos, restos de carne. Porque três décadas parecem ter chegado para varrer da escala de valores de tantos, que hoje detêm o poder, as referências primeiras da liberdade e da cidadania. Porque os cegou a obsessão de reduzir o défice ou, quem sabe, a ditadura apenas os incomodou por não serem eles que se sentavam na cadeira do poder.

É preciso que todos os professores "Charrua" se acautelem.

A História repete-se. E como ilustração deste ponto de vista, recordo a saga exemplar, que mereceu glosa cinematográfica, de Joaquim Silvério dos Reis, o delator dos "inconfidentes mineiros".
Era coronel, senhor de terras e dono de minas. Devido aos pesados impostos cobrados pela Coroa de Portugal, estava falido. Convidado para participar na "Inconfidência Mineira", uma revolta ocorrida em 1789, na então Capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra o domínio português, Joaquim Silvério dos Reis aceitou. Mas, tendo-lhe alguém acenado com possibilidade de ter as suas dívidas perdoadas pela Coroa, delatou os "inconfidentes" seus companheiros.
O expediente valeu-lhe a evaporação dos débitos fiscais. Como incentivo público à delação, foi-lhe concedido um cargo oficial. A Coroa agradecida deu-lhe uma pensão para toda a vida e uma nova moradia, além de um título nobiliárquico.
Que eu saiba, não passeou a cavalo na Praça Vermelha, devidamente encerrada aos olhares da plebe. Mas na primeira oportunidade foi recebido em Lisboa, com pompa e circunstância, pelo príncipe regente, D. João. "
Que canalha!...


Santana Castilho - Professor do ensino superior

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sexta-feira, 6 de julho de 2007

A IMPORTÂNCIA DO ... ARAÚJO

"Ar", de Araújo

Pepe veio para Portugal pela mão do homem mais investigado em corrupção no futebol : o empresário António Araújo.

Este vendedor de sonhos e jogadores era empreiteiro em Ermesinde. Um dia resolveu entrar no mundo do futebol e assumiu a presidência do Ermesinde.

António Araújo é familiar de Jorge Gomes, um elemento que nessa altura trabalhava no departamento de futebol do FC Porto e era o homem de maior confiança de Reinaldo Teles, tendo surgido envolvido no Caso Guímaro, quando este árbitro foi acusado de corrupção. António Araújo, pela mão do seu familiar Jorge Gomes transformou-se num dos melhores amigos de Reinaldo Teles e o seu apetite pela arbitragem ganhou mais depressa asas do que se tivesse bebido Red Bull.

Mas o futebol tem um sem número de oportunidades para se ganhar dinheiro, principalmente para aqueles que não olham a meios para atingir fins. A venda de jogadores era o que estava a dar. Araújo colocou imediatamente o seu plano em marcha. Viajou para o Brasil e num ápice deixou o Ermesinde para comprar 50% do clube brasileiro, Corinthians Alagoano em parceria com outro empresário brasileiro e o presidente do Nacional.

Este clube, em muito pouco tempo passou a ser o entreposto de venda de jogadores para Portugal. Deco veio por essa via e Pepe também. Os jogadores eram vendidos ao Corinthians Alagoano por uma determinada verba e saíam do clube brasileiro por números substancialmente superiores com negócios geridos através de "off shores".
Desta forma deixava de haver controlo entre o negócio da venda e da compra. O Corinthians Alagoano é um clube sem expressão no Brasil, mas tem vendido as melhores estrelas para o futebol português quase todos pela mão de António Araújo , o tal que trata Pinto da Costa por "engenheiro chefe".

Todavia nem Pepe nem Deco vieram directamente do Alagoano para o FC Porto. Aterraram antes noutros clubes portugueses e só depois se transferiram para os dragões, até porque António Araújo, na maior parte dos casos, ficava detentor de uma boa percentagem nos passes dos jogadores. São estes passos que estão a ser investigados pela equipa de Maria José Morgado, porque se suspeita de fugas de comissões para contas abertas em bancos no exterior e até em "off shores".

Mas ao longo de todos estes anos tem-se vindo a levantar a suspeita de que alguns dirigentes do nosso futebol têm recheado substancialmente as suas contas bancárias à custa destes negócios, no entanto, pouco se tem avançado em termos de produção de prova.

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O APITO DOURADO ... E O BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

A PJ tem poucas dúvidas

Transferências de jogadores podem encobrir fugas e branqueamento de capitais

A Polícia Judiciária quer desmontar um dos negócios que alegadamente mais renda proporciona no mundo do futebol: as transferências dos jogadores. Os inspectores sabem que os contratos encobrem fugas e branqueamento de capitais e crimes de peculato. Por isso resolveu ir ao fundo da questão. Em marcha estão várias investigações que podem atingir alguns clubes e os seus presidentes, muito embora toda a atenção esteja, neste momento, direccionada para os negócios feitos pelo FC Porto.

Há já algum tempo que a PJ anda a investigar crimes de fugas de capitais e branqueamento de dinheiro ligados à contratação de jogadores, mas estas investigações nunca avançaram muito em termos de produção de prova e até à altura apenas Vale e Azevedo foi condenado tendo como pano de fundo a venda do guardião russo, Ovchinnikov.

O caso Mantorras também continua com inquérito aberto, mas há mais transferências de jogadores sob suspeita, a maior parte deles ligados ao Alverca, clube do qual Luís Filipe Vieira chegou a ser presidente presidente e que serviu de entreposto para vários negócios de atletas para o FC Porto, nomeadamente de Deco, Maniche e outros.

Parece todavia, que o FC Porto é neste momento o clube mais visado e tudo porque Carolina Salgado, nos depoimentos que prestou, deixou pistas que fizeram acreditar ser possível ir até contas bancárias na Suiça, abertas por dirigentes desportivos.

Os casos relacionados com o FC Porto e que estão a ser investigados pela Equipa de Coordenação do Apito Dourado, têm a ver com os jogadores, Pepe, Paulo Ferreira, Maciel e Ricardo Carvalho .

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ENQUANTO DUROU O "BEM BOM" ...


Sim, Carolina...

Carolina Salgado veio dar um novo alento a toda esta situação quando disse à Polícia Judiciária que Pinto da Costa costumava ter em casa uma cómoda recheada de dinheiro vivo e a curiosidade espevitou os inspectores que começaram a seguir o rasto de vários negócios nomeadamente os feitos muito recentemente com o Chelsea de Mourinho.

Como se sabe, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira foram vendidos ao clube inglês por uma verba que ronda os 50 milhões de euros e foram distribuídas muitas comissões.

Pepe que teve origem no Corinthians Alagoano veio para o Marítimo por um milhão de euros e "aterrou" nos dragões por uma verba muito superior, assim como Maciel que veio do Leiria.
Mas, o que mais despertou a curiosidade dos inspectores da PJ é a forma como o presidente portista compra e vende casas para viver com as suas namoradas.
Com as suas últimas três mulheres, Pinto da Costa deu uma casa a Filomena Morais, que lhe custou 120 mil contos.

Comprou uma casa de férias em Cerveira, muito embora não esteja no seu nome, mas no de uma imobiliária, mas toda a gente sabe quem lá habita e desfruta dos seus prazeres.

Comprou um apartamento para Carolina Salgado em Gaia que até nem foi muito caro, mas logo de seguida ofereceu-lhe uma casa que custou 1 milhão de euros na Madalena.

Todavia, quando se zangou com a sua companheira ficou com a propriedade. Sem deixar passar muito tempo, comprou para a sua filha Joana, um apartamento situado nos terrenos do Parque da Cidade cujo valor ultrapassa o meio milhão de euros e de seguida comprou outro pelo mesmo preço para viver com a sua nova namorada, a brasileira Liza.

Segundo conseguimos apurar, Carolina Salgado não falou só do dinheiro da cómoda, mas de muitos negócios feitos no estrangeiro e das prendas abastadas que recebia não só durante as suas viagens como em Portugal.

Para as namoradas, Pinto da Costa foi sempre um mãos-largas.

A PJ sabe que Pinto da Costa há mais de 20 anos que não tem rendimentos que não sejam os do FC Porto e o seu vencimento de cerca de 12 500 euros mensais não é considerado suficiente para permitir tantos negócios imobiliários.

É isso que está a ser investigado

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VAGAS ABERTAS PARA O MELHOR EMPREGO DO MUNDO

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INCRIÇÕES LIMITADAS ...

Uma marca de preservativos australiana espera que mil candidatos se apresentem para ocupar os 200 postos de trabalho que consiste em experimentar seus produtos. O anúncio, feito na página da empresa na internet, avisa que o trabalho não é remunerado.


Os candidatos, segundo a convocação, devem ser homens e mulheres "com um forte desejo de melhorar o desempenho sexual" e que estejam dispostos a testar com seus parceiros as últimas novidades no mundo dos preservativos, como a camisinha "Máximo prazer" e "Prazer estendido".

"Qual é o trabalho dos seus sonhos? Ser massagista da Scarlett Johansson? Pintar o corpo de Jessica Alba? Esses cargos já estão preenchidos, mas você pode experimentar camisinhas para a Durex" - diz o anúncio.

Apesar de não oferecer retorno financeiro, o "especialista" receberá um kit de produtos da campanha, concorrerá a um prêmio de US$ 860 dólares, aproximadamente e o prestígio profissional de trabalhar numa firma que é líder do setor, sugere a empresa.

Os interessados deverão explicar o motivo de se considerarem especialistas em uso de preservativo. O anúncio, porém, não diz quais os critérios dessa avaliação.

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quarta-feira, 4 de julho de 2007

GABINETE DO NOVO AEROPORTO DE LISBOA (GNAL)

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GABINETE DO NOVO AEROPORTO DE LISBOA - 1972

Ministério das Comunicações
ESTUDO DA LOCALIZAÇÃO DO NOVO AEROPORTO DE LISBOA
Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa



O Gabinete será assistido por um conselho técnico consultivo com a seguinte composição:
a) o director-geral da Aeronáutica Civil;
b) Um representante da Secretaria de estado da Aeronáutica
c) Representantes das entidades interessadas\e especialistas de reconhecida competência nos diversos sectores abrangidos pela obra.

Foram escolhidos 5 locais (Fonte da Telha, Montijo, Alcochete, Porto Alto e Rio Fria) e incluida a Portela de Sacavem.
Nos Estudos Preliminares de Localização foram considerados os seguintes critérios:
1) Condições Operacionais
1.1) Espaço aéreo e condições de respectivo tráfego
1.2) Obstruções
1.3) Perigos existentes ou em potencial
1.4) Condições meteorológicas
1.5) Ajudas rádio

2) Condições sociais
2.1) Polos geradores de tráfego
2.2) Acessos por terra
2.3) Ruídos incómodos
2.4) Utilização dos terrenos circunjacentes

3) Condições de custo
3.1 Condições topográficas
3.2 Natureza do solo
3.3 Drenagem, abastecimento de água, esgotos, energia electrica
3.4 Valor aquisitivo do terreno
A escolha de qualquer solução implicava necessariamente a transferência do Campo de Tiro de Alcochete e a desactivação da base aérea nº 6 no Montijo.

(cedido pelo Sr. Eng. Luis Teixeira)
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II - PARA QUE SERVE A INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL? (2ª Parte)

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Segunda Parte

Ao escrevermos a primeira parte deste artigo estávamos convictos de que não havia qualquer estudo comparativo entre os prováveis locais para o novo aeroporto. Os debates na TV, os artigos nos jornais e na Net arreigaram essa crença.
Uma pesquisa revelou-nos que, afinal, houve estudos, baseados em projecções, feitas atempadamente.
O Decreto nº 48 902 de 8 de Março de 1969 criou o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa agregado ao Ministério das Comunicações. Infere-se que o lema “governar bem é prever” foi cumprido pelos governantes de então. Quarenta anos antes da polémica sobre o novo aeroporto da OTA já aqueles governantes começaram os estudos sobre a localização.
O Decreto referido criava o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa, reunindo os técnicos mais competentes, com liberdade para contratarem especialistas. O escopo do decreto era a apresentação de um relatório final, conciso, indicando o melhor local para um novo aeroporto.
O relatório final – Estudo da Localização do Novo Aeroporto de Lisboa - foi impresso e publicado pela Imprensa Nacional em 1972. Foram escolhidos 6 locais (Fonte da Telha, Montijo, Alcochete, Porto Alto, Rio Frio e Portela de Sacavém).
Sobre os seis locais incidiram estudos preliminares atendendo aos seguintes critérios:

1) Condições Operacionais
1.1) Espaço aéreo e condições de respectivo tráfego
1.2) Obstruções
1.3) Perigos existentes ou em potencial
1.4) Condições meteorológicas
1.5) Ajudas rádio

2) Condições sociais
2.1) Pólos geradores de tráfego
2.2) Acessos por terra
2.3) Ruídos incómodos
2.4) Utilização dos terrenos circunjacentes

3) Condições de custo
3.1 Condições topográficas
3.2 Natureza do solo
3.3 Drenagem, abastecimento de água, esgotos, energia eléctrica
3.4 Valor aquisitivo do terreno.

Transcrevendo do relatório:
« Os estudos de localização no Novo Aeroporto foram realizados paralela e
simultâneamente pela firmas americanas S.A.R.C./H.N.T.B. e pelo consórcio
luso-alemão I.D.G.W., como consequência imediata dos da “Previsão de
Tráfego” também por eles realizado nas mesmas condições, e ambos confirmaram, como já se referiu, a localização preliminar estudada pelo GNAL
».
Foi feita uma análise comparativa, entre os seis locais escolhidos, recorrendo ao conceito de médias ponderadas, «...para uma maior facilidade de comparação de resultados obtidos e, assim, foram atribuídos “pesos” às várias rubricas...»
O peso 5 foi atribuído a 1.1) e 2.4); o peso 4 foi atribuído a 1.2),1.4), 1.5), 2.2), 2.3), e 3.4); o peso 3 à rubrica 3.1); o peso 2 coube a 1.3),2.1),3.2) e 3.3).
A matriz da Análise Comparativa ficou assim ordenada:

Em 1969 os recursos informáticos eram mínimos, um computador gigante, que necessitava de refrigeração, tinha uma capacidade muito limitada, era quase impossível “fazer-se” Investigação Operacional(IO) com os recursos disponíveis. Mas em 1985 já havia programas de Análise Multiobjectivos e Multicritérios que optimizavam as opções escolhidas.

Poderia ter-se aproveitado este Estudo, é óbvio, “mutatis mutandis”, porque apareceram mais critérios que não eram considerados na época. Lembramos o critério de Impacto Ambiental, com grande peso, o critério de Arqueologia impensável naquela época, a própria evolução da aviação, quer no aspecto aeronáutico, quer no aspecto de frequências de voos. Poderia ter-se feito uma IO sobre este estudo de 1972, depois de completado e actualizado.

A escolha seria matemática, nada de voluntarismos.
Repare-se que a OTA não foi incluída neste Estudo mas poderia ter sido considerada em estudos posteriores, aproveitando o que já estava feito, aperfeiçoando-o de acordo com as técnicas modernas. Em Análise Multiobjectivos e Multicritérios ganhava o melhor, “em campo” e não na secretaria.
Consultando a Carta Militar de Portugal Série M586/Escala 1:250 000 –Folha nº 5-, apenas como análise preliminar, referente ao critério 1.1) Condições Operacionais, inferimos que:

a) Rio Frio e Porto Alto, em um raio de 20 km, não apresentam qualquer obstrução orográfica. A 34 km de Rio Frio destaca-se a Serra da Arrábida que culmina a 501m.
b) Alcochete não apresenta qualquer obstrução orográfica, embora obrigue ao sobrevoo de Almada, Barreiro, Seixal e Montijo.
c) Fonte da Telha não tem relevo desfavorável mas está muito próximo do mar onde há ventos que variam, constantemente, de direcção.
d) Orograficamente OTA é o mais desfavorável. Ao norte tem a Serra de Montejunto a 14 km com culminância a 666m; a 35 km avulta a Serra de Candeeiros culminando a 615m.

São apropriadas algumas considerações sobre a evolução da aviação. È muito provável que, dentro de 30 anos, a aeronáutica tenha sofrido transformações quantitativas e qualitativas devidas aos problemas de custo dos combustíveis, às restrições impostas pela degradação ambiental global, à mudança de mobilidade das pessoas, e à substituição dos motores de combustão por outros mais avançados (fusão nuclear, anti-matéria?).

É um tema um tanto ou quanto de ficção científica em que valem todas as hipóteses, mesmo aquelas que pareçam ousadas.

Ao manusearmos o Estudo de 1972, de bom apuro técnico-científico, apenas uma palavra para definir o nosso estado de espírito: perplexidade.

Em 2007, trinta e cinco anos depois, ainda se anda à procura do melhor local para um novo aeroporto!

Luiz Teixeira
Engenheiro civil
Julho 2007

(a importância do tema e o rigor de análise, leva-me a agradecer uma vez mais ao Sr. Eng Luiz Teixeira esta prestimosa colaboração)

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