BEM-VINDOS A ESTE ESPAÇO

Bem-Vindos a este espaço onde a temática é variada, onde a imaginação borbulha entre o escárnio e mal dizer e o politicamente correcto. Uma verdadeira sopa de letras de A a Z num país sem futuro, pobre, paupérrimo, ... de ideias, de políticas, de educação, valores e de princípios. Um país cada vez mais adiado, um país "socretino" que tem o seu centro geodésico no ministério da educação, no cimo do qual, temos um marco trignométrico que confundindo as coordenadas geodésicas de Portugal, pensa-se o centro do mundo e a salvação da pátria.
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quinta-feira, 19 de abril de 2007

APITO DOURADO: PINTO DA COSTA A EVITAR CASTIGO A DECO


CASO DECO, TAMBÉM NAS ESCUTAS TELEFÓNICAS.
FORAM FEITAS PRESSÕES PARA EVITAR O CASTIGO.

PINTO DA COSTA CONSEGUE QUE O CASTIGO A DECO SEJA REDUZIDO DE TRÊS PARA DOIS JOGOS.

As pressões exercidas para que Deco, jogador do FC Porto, não fosse punido no caso que ficou conhecido como o da "bota" - um incidente ocorrido no final de Outubro de 2003, num jogo Boavista-FC Porto, arbitrado por Paulo Paraty - podem ser conhecidas através da leitura das escutas telefónicas no âmbito do processo Apito Dourado.

As transcrições estão anexas ao processo e sustentam uma das certidões que se mantém em investigação no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto.
Pinto da Costa e Valentim Loureiro estão indiciados por tráfico de influências. Mas as conversas envolvem muitos outros intervenientes.

Designadamente, Antero Henriques e Adelino Caldeira, dirigentes portistas, e também Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Pinto de Sousa, dirigente da arbitragem.Punido inicialmente com três jogos de suspensão, o castigo foi diminuído para dois, por intervenção da Federação.

Pinto da Costa tinha falado dias antes com Gilberto Madaíl, alertando-o de que Deco ameaçava não jogar pela Selecção e não representar Portugal no europeu.Nas mesmas escutas anexas ao inquérito Apito Dourado, pode ainda ler-se uma conversa de Pinto da Costa com Pinto de Sousa onde o dirigente da arbitragem garante ao líder portista que já falara com o árbitro Paulo Paraty.

O receio de ambos era que o relatório falasse de uma agressão, mas Pinto de Sousa deixa Pinto da Costa descansado: "Eu dá-me a ideia de que não vai utilizar a expressão agressão, de modo nenhum!"

Para as autoridades, este caso assumiu especial gravidade por se tratar de um dos principais jogadores.

Deco era uma peça fundamental na equipa que meses depois se sagrou campeã europeia e foi também um dos atletas cuja transferência rendeu uma mais elevada maquia para os cofres do clube. Estas escutas são anteriores ao caso Mourinho, mas fazem parte da mesma investigação.
Na certidão enviada para o DIAP do Porto, Carlos Teixeira, magistrado de Gondomar, alertou ainda para a alegada promiscuidade com os magistrados que presidiam os órgãos disciplinares da Liga. Mais uma vez, o nome dos juízes foi referido nas escutas.

VALENTIM LOUREIRO

"O gajo diz que atirou ostensivamente a bota ao árbitro".

Pinto da Costa sabe que o delegado da Liga escreveu que se tratou de uma agressão. Telefona a Valentim Loureiro a protestar pelo teor do relatório.

Pinto da Costa (PC) - Estou?
Valentim Loureiro (VL) - Então, ilustre presidente!
C - Como?
VL - dono do prédio das Antas!
PC - Já sei!
VL - Fala o inquilino! Está tudo bem ou quê?
PC - Olhe não está nada tudo bem, que lá o delegado da Liga é um f**** da p***!
VL - Quem é o gajo?
PC - É
VL - Eu não sei, nem sei quem foi O sr. Óscar!
PC - É mas é um o gajo é mentira! Eu estive a ver as imagens
VL - Ah, já?
PC - o gajo atira ostensivamente bota para o chão e o gajo diz que o atingiu atirou ostensivamente a bota ao árbitro e que o atingiu, o que não é verdade!
VL - Mas o árbitro, mas o árbitro também não diz qualquer coisa disso?
PC - Não, o árbitro diz que lhe lançou lançou a em direcção a ele a bota (...) agora, o outro é que diz que atirou ostensivamente, o que é mentira! ( ) Ó pá, é fo**** ser expulso injustamente
VL - Eu percebo, eu percebo.
PC - e reage, pá!, que o gajo é que lhe tira a bota o gajo diz: "Saltou-lhe a bota."
VL - Mas, ó Jorge, você veja veja aí com os seus serviços como as coisas poderiam conduzir-se para minorar os efeitos, pá ponha aí alguém a estudar isso, pá!
PC - Pois, isso já estão!
VL - a estudar isso porque a estudar essa m**** porque é esta coisa e que vem nos jornais é estúpido.
PC - Aquele Paraty Paraty é uma m****! Nem
VL - Ó pá uma m****
PC - não tem categoria para um jogo daqueles!
VL- Sim, não o gajo ali chegava, matava a jogada e tal
PC - Já sabe quem saiu para a Taça?
VL - Quem?
PC - Porto-Boavista! ( )
VL - Lá vai o Boavista descansar, ca*****. F***-se!, o ca*****!

PINTO DA COSTA




Pinto da Costa fala com Pinto de Sousa sobre o relatório de Paraty. Que já garantira ao presidente da arbitragem que não iria utilizar a expressão "agressão".

Pinto de Sousa (PS) - Olha, é o seguinte (...) Já falámos portanto, eu dá-me ideia que não vai utilizar a expressão "agressão", de modo nenhum!... portanto, ele até disse, muito contritamente: "Não, eu não sou vilão!" e, portanto, não vai utilizar a frase portanto, será o comportamento incorrecto, etc., etc., pronto!, e isso foi o e até, inclusivamente, ele disse: "Já estou estou a ser convocado pelo Conselho de Disciplina " até podias dizer ao Adelino Caldeira que ele vai ser ouvido pela Comissão Disciplinar da Liga ( ) Não convém dizer nada só nós é que sabemos, não é?PC - Claro, claro!

PS - ( ) Agora, ficaria bem, pá, ouve lá!, e ajudava muito, vê lá se podias fazer isso, pá, que alguém do FC Porto, talvez o Reinaldo Teles e o Deco telefonarem a pedir desculpa, pá! ( ) vês algum inconveniente nisso?

PC - O Reinaldo não vejo problema (...)
PS - E o Deco! E o Deco!
PC - Ó!, muito menos! Ah, ah, ah!
PS - Porquê?
PC - Mas foi ele que deu a ideia, não?
PS - Foi ele que deu a ideia, pá ( ) Pelo menos podiam pedir-lhe desculpa, não é?
PC - Mas ele, quem?
S - Ele! Ele, Paraty!, como é evidente!
ADELINO CALDEIRA

Adelino Caldeira telefona a Pinto da Costa a dar-lhe conta da punição que será aplicada a Deco.
Adelino Caldeira (AC) - Olhe, não comente até segunda-feira se não eles apanham o meu informador!... mas deu três jogos!
Pinto da Costa (PC) - Está bem era o que calculava, não é?
AC - Não, calculava dois e estava com medo dos gajos, porque os gajos realmente são uns ca*****, pá! Agravaram em um até mandou proposta para o instrutor! Para nós é igual porque ele não jogar no Marítimo é igual mas é uma filha da p***** destes gajos! Ainda gozaram lá com a situação, os ca*****!


DECO

Pinto da Costa fala com Deco e combina que o jogador deverá ameaçar que não joga na Selecção. Só assim poderá atemorizar a Federação para que diminua o castigo.

Pinto da Costa (PC) - Estou!
Deco (D) - Sim.
PC - Estou! É presidente!(...) Estou-te a falar pelo seguinte amanhã, como sabes nós metemos o recurso do teu castigo, não é?(...) e vai sair naquela coisa do "Pato"
D - Hum
PC - uma coisa a dizer do género de: "Pode estourar uma bomba ofendido com o que foi dito aquele termo de "indigno" e o castigo".
D - Hum.
PC - e tal... Pode estourar uma bomba, que é possível que o Deco, desgostoso com a perseguição dentro daquilo que tu dissestes hoje!
D - Sim, sim
PC - "ofendido com a perseguição que lhe está a ser feita, se calhar, vai pedir dispensa de jogar no na Selecção ou no Europeu" uma coisa assim, estás a perceber?
D - Hum, hum!
PC - que é como forma de pressão para
D - Hum, hum
PC - para o Conselho! Portanto, se amanhã alguém te perguntar se isso é verdade, se não é, o que pensas, tu dizes: "Desculpe, sobre isto não falo nem uma palavra! Na altura própria, eu eu direi "

ANTERO HENRIQUES

Pinto da Costa recebe uma chamada de Antero Rodrigues, que já está a par da pressão exercida sobre a Federação e comenta a ameaça de Deco não jogar.

PC - Sim?
A - Presidente, bom dia!
PC - Então?
A - Esta do "Pato", do Deco vou-lhe dizer uma coisa, pá!... eu sabia que o presidente era um génio mas esta!, fo**-se!
PC - Como é que vem?
A - Vem espectacular, pá!
PC - Como é que está?
A - Acho que é uma chantagem fantástica!...

GILBERTO MADAÍL

Pinto da Costa recebe uma chamada de Gilberto Madaíl e faz a mesma ameaça. Diz que Deco admite abandonar a Selecção por causa do castigo da Liga.

Pinto da Costa (PC) - Estou?
Gilberto Madaíl (GM) - Como é que está o meu amigo?
PC - Óóó, oó!, então?
( ...)
PC - Olhe, eu preciso de falar com o meu amigo, mas tem tempo (...) é só depois do Real Madrid. O Deco vai tomar uma posição sobre a Selecção
GM - Ai é? Hum
PC - é! Porque aquilo é muito grave o que foi dito, nós já temos a informação de que quem escreveu aquilo foi o próprio presidente do Conselho de Disciplina e entendo que se não houver uma reparação, se ele é indigno, não deve jogar pela Selecção!... (...)
GM - Mas o presidente do Conselho de Disciplina já escreveu?
PC - escreveu no relatório no acórdão, quando foi castigado ( ) ele diz que se não houver uma reparação, seja de quem for, ou da Federação a desmarcar-se do
GM - Não, tem que ser!
PC - daquilo, ele ele, depois do Real Madrid vai pedir escusa da Selecção!
GM - Hum presidente, eu vou ver isso obrigadinho por me ter avisado!


VALENTIM LOUREIRO

A Federação diminui o castigo a Deco e Pinto da Costa telefona a Valentim Loureiro a dar-lhe conta disso.

PC - Estou, sr. Major! Como está?
VL - Então como é que vai o meu amigo? Está na Madeira, cara no bananal!
PC - Então mais uma mais uma vez desautorizados !
VL - Em quê?
PC - No Deco! Baixou de três para dois!
VL - Já se sabia, carago!
PC - Já se sabia? Mas é uma esses gajos não têm vergonha, ca*****!, se tivessem vergonha.
VL - Ó Jorge!
PC - Eu vou eu vou sabe o que é que vou dizer?
VL - Ó você vai dizer!
PC - É é pena que para ser juiz não seja preciso ter vergonha!
VL - Ó não diga isso.
PC - Eles depois que me processem!
VL - Hum, não diga isso, pá! As várias instâncias podem sempre ( ) os tribunais é a mesma coisa! Você não viu agora o caso do Ritto e da Rita e dessa gente toda.
PC - Ó ó Major, o que é engraçado é que é sempre é sempre do
VL - Enquanto, enquanto lá estiver o Mortágua, é assim, pá!
PC - É e enquanto estiver o Cebola
VL - é a resposta é a resposta que eles podem dar, pá!
PC - É ?
VL - É!
PC - Então que "deiam"! Que "deiam"!
(...)
PC - Major, Major!
VL - Diga!
PC - mas você, um dia vamos os três Eu, você e o Mortágua e depois o Mortágua conta-lhe coisas!
VL - Óptimo! Pronto ! Se ele me contar, pá sei lá! Sei lá disso! Mas quê?!, do Gomes da Silva?
PC - O pior de todos é um tal Cebola
VL - O Cebola... mas eu nem sei quem ele é o Cebola eu só conheço este gajo e um rapaz agora novo, que apareceu de Famalicão ou não sei quê!, pá!... substituiu um outro gajo que foi para Timor ou para o ca*****, pá! De resto, nem os conheço, pá! Cebola ?!... Cebola, até cheira mal, pá! Cebola
PC - É de Coimbra! É um gajo de Coimbra
VL - Não sei quem é! E e e é quê? do Benfica?
PC - Não sei o que é! Sei que é o mais anti-Porto possível! Isto dito pelo Mortágua!

RELATÓRIO DO DELEGADO

(Pinto da Costa) -O delegado da Liga é um fi*** da p***. (...) Diz que o atingiu. Atirou ostensivamente a bola ao árbitro... E que o atingiu, o que não é verdade.

POSIÇÃO DO ÁRBITRO

(Pinto de Sousa) -Já falámos. (...) Eu dá-me a ideia de que não vai utilizar a expressão agressão, de modo nenhum! (...) será o comportamento incorrecto.

"DECO AMEAÇA NÃO JOGAR"

Se calhar vai pedir dispensa de jogar no Europeu. (...) É uma forma de pressão para o Conselho. Portanto, se amanhã alguém te perguntar se isso é verdade, se não é, o que pensas, tu dizes: "Desculpe, sobre isso não falo nem um a palavra. Na altura própria eu... eu direi".

" CASTIGO DE DECO DESCE DE TRÊS PARA DOIS JOGOS"

Mais uma vez desautorizados. (...) No Deco, baixou de três para dois! Sabe o que eu vou dizer? (...) É pena que para se ser juiz não seja preciso ter vergonha.

NOTAS - DECO FOI PARA BARCELONA

Deco saiu do FC Porto no final da época 2003/2004, quando o clube se sagrou campeão europeu. Nos últimos anos, foi um dos mais rentáveis negócios dos azuis-e-brancos.

15 MILHÕES EM CAIXA

O acordo com o Barcelona, oficializado a 6 de Julho de 2004, estabeleceu o pagamento de 15 milhões e a aquisição dos direitos desportivos do jogador Ricardo Quaresma.

AGRESSÃO DAVA SUSPENSÃO

A agressão ao árbitro poderia ser punida com vários meses de suspensão. Dois anos antes, um caso semelhante tivera como interveniente João Pinto, durante o Mundial da Coreia/Japão.

APITO DOURADO: PINTO DA COSTA DEFENDE JOSÉ MOURINHO


ISTO SIM ... é de morrer a rir ... de VERGONHA!!


PINTO DA COSTA, ANTERO HENRIQUES E ADELINO CALDEIRA (DIRIGENTES DO FCPORTO) COMBINARAM DURANTE DIAS A ESTRATÉGIA PARA DEFENDER O TREINADOR JOSÉ MOURINHO.

"As escutas telefónicas anexas ao processo "Apito Dourado", entre dirigentes do FCPorto indiciam que José Mourinho insultou mesmo Rui Jorge, dizendo que gostaria que o jogador do Sporting tivesse morrido em campo e que lhe terá rasgado a camisola, após o encontro entre portistas e verdes-brancos, realizado no dia 31 de Janeiro de 2004.

As conversas mantidas entre os dirigentes portistas, depois do encontro de Alvalade e as pressões exercidas junto da Liga, para que Mourinho não fosse castigado, revelam ainda que os factos seriam pelo menos do conhecimento de Pinto da Costa, Antero Henriques (actual nº 2 da SAD portista) e Adriano Caldeira ( Administrador da mesma SAD). As transcrições mostram os dias que se seguiram aos incidentes, até ao desfecho do caso que terminou com a suspensão do treinador por dez dias e multa de 3.000 euros.

Um castigo "leve" atendendo ao que havia sido admitido pelos dirigentes portistas".

Para pressionar Valentim Loureiro, Pinto da Costa chegou mesmo a simular uma "rebelião" de jogadores que ameaçavam não jogar na Luz, reunião que nunca terá existido e que foi apelidada por Pinto da Costa numa conversa com Adelino Caldeira como sendo uma "tanga".

O mesmo termo (tanga) foi ainda usado por Antero Henriques, para qualificar a história que teria de ser inventada pelos dirigentes do FCPorto, sobre os acontecimentos à entrada dos balneários de Alvalade"."

Durante dias, os dirigentes desdobraram-se em conversas e a punição da Comissão Disciplinar da Liga acabou por ser bastante inferior ao que os próprios admitiram"."Adelino Caldeira também pediu a Pinto da Costa que alguém abordasse o Delegado da Liga, para que aquele alterasse o que havia escrito no Relatório".


PINTO DA COSTA

Horas depois do caso Mourinho, Antero Henriques, dirigente da SAD, prepara com Pinto da Costa as primeiras explicações para negar os insultos de Mourinho e o caso da camisola rasgada.

Antero Luís (A) - F***-se! Não dormi um car****! Estou com uma enxaqueca, pá.
Pinto da Costa (PC) - F***** da p***.... [...] Tínhamos morto esta mer** ontem [...]
A - Embora eu ache que o Mourinho, no final, também se exaltou muito!
PC - É, um bocado.
A - É! Aquela história de dizer que o Rui Jorge morreu em campo e...
C - Ele disse aonde?
A - Ele diz que disse cá em baixo, disse cá em baixo, junto a... quando estava a malta toda ali! Mas eu liguei para a "Bola" e para o "Jogo" a desmentir! A dizer que ele estava a dizer que era mentira!
PC - Não, não! Não... não é desmentir! A gente tem é de processar o gajo que diz! [...]
A - É... e em relação à camisola, também tem de se arranjar ali uma tanga, presidente!
PC - Arranjar que ele foi provocar para a porta do balneário!
A - É. E que o Mourinho disse que: 2Esta camisola é indigna de ser trocada. Porque se a tivesse rasgado não a mandava outra vez para o balneário do Sporting." [...] É! Temos de arranjar aí uma tanga, senão saímos por baixo desta mer** toda.
PC - Mas já falou com o Mourinho, não?
A - Não, não, não. Vou agora com ele ver o Rio Ave, agora, às quatro horas!
PC - É... mas diga-lhe, é pá! Ele que não preste dec... diga-lhe só...
A - Não, por isso é que vou com ele! Por isso é que vou com ele!
PC - E amanhã é um processo-crime contra...
A - É...
PC - Esse Bettencourt e os jornais carago!
A - É que esse gajo é mesmo um cobarde!


VALENTIM LOUREIRO no dia 2 de Fevereiro

Pinto da Costa toma conhecimento de que Mourinho terá um processo disciplinar e que não haverá qualquer processo contra Liedson, jogador do Sporting, que alegadamente teria agredido Jorge Costa. Zangado, liga para Valentim Loureiro a pedir explicações.

Valentim Loureiro (VL) - Estou!
Pinto da Costa (PC) - Sr. presidente, como está?
VL - Ilustre amigo!
PC - Eu estou um bocado fo**** com o meu amigo!
VL - Comigo?
PC - Então! Eu falo-lhe no Liedson... o Liedson não apanha nada, põe um processo disciplinar ao Mourinho!!!
VL - Isso ainda não está decidido, pois não?
PC - Está! Então! O processo disciplinar
VL - Eu cheguei agora à Liga [...] Como é que você sabe?
PC - Oh...
VL - Foi algum comunicado?
PC - Estou a dizer-lhe! Processo disciplinar ao Mourinho!
VL - Ó pá, desconheço isso em absoluto! Cheguei agora!
PC - E ao Liedson nada! [...] Vai um gajo à televisão dizer que o Paulino, que o Paulino que é um atrasado mental disse uma coisa e pronto! E o treinador tem um processo disciplinar!
VL - Jorge, eu vou ver isso, está bem?
PC - Está!


ADELINO CALDEIRA, Quatro horas depois de ter falado com Valentim

Pinto da Costa recebe um telefonema de Adelino Caldeira, também administrador da SAD, que já conhecia o relatório do árbitro.

Pinto da Costa (PC) - Estou?
Adelino Caldeira (AC) - Estive a ver o relatório, pá... ali há uma coisa complicada! O... aquele cab*** de Braga, o Paulino, sabe quem é?
PC - Sim, sim...
AC - O gajo escreve que viu! A história da camisola! [...] É o que ele escreve, presidente!
PC - Oh!
AC - Pois, está bem! Agora, ó presidente, das duas uma: ou se arranja alguém que chegue ao pé do gajo, que o gajo vá dizer que não viu mas que lhe foram contar... ou se o gajo mantém essa versão no relatório, no mínimo uma semana, no mínimo!
PC - É um f**** da p***! [...] Quem se dá.... quem se dá bem com ele é o Zé Mário!
AC - Ó presidente, quer que eu fale com ele?
PC - O Zé. Eu falo com o Zé Mário!
AC - É que... atenção! Ou o gajo chega lá... o gajo, o gajo não chega lá a dizer que viu! Porque ele... porque ele, depois diz a seguir: e quanto à afirmação veio contar-me o Bettencourt! Portanto!
PC - Ah!
AC - ...o que se presume que ele viu! Agora o que ele pode dizer - como está lá escrito no relatório! - "Não, a mim também me contaram!"
PC - Pois.
AC - Ó pá! É tão simples quanto isso! É que se não aquilo dá um mês de pena mínima, no caso dos treinadores é reduzido para 25 por cento!... é pá, que dá um mínimo de uma semana... [...] Não tem hipótese nenhuma mas... ó pá, pode dar e depois e... estes cab**** ... pode dar sempre duas a três semanas. E se eles derem por exemplo três meses " por causa do passado do Mourinho! " ou quatro... 25 por cento é um mês não é? [...]
PC - É... mas eu falo com ele amanhã.


PINTO DA COSTA No dia seguinte, 4 de Fevereiro,

Pinto da Costa e Antero falam logo pela manhã. Antero Henriques está preocupado com Mourinho que entende não ter recebido a necessária solidariedade dos dirigentes portistas.

Pinto da Costa (PC) - Estou!
Antero Henriques (A) - Devia ir a Gaia, que o gajo está todo atrofiado!
PC - Porquê? Lá por causa...
A - Estive agora a falar com ele, diz que não sente da parte do clube... uma defesa que vai... que vai... vai avançar sozinho!
PC - Não sente, da parte do clube?
A - Não!
PC - Uma grande defesa???
A - Disse-lhe: "Ó pá, isso não tem jeito nenhum!" ...diz: - Ó pá, mas pronto! Não, não sinto uma solidariedade pá... as pessoas vão dizer que... pá... pede desculpa ao Sporting" e o ca*****... [...]
PC - Não! Nós já ontem pusemos uma coisa no site...
A - Eu sei, eu sei, eu sei. Mas ó presidente, eu acho que devíamos ir com uma queixa-crime para cima do delegado da Liga se fosse possível!
PC - Isso é a minha ideia!
A - Se fosse possível... falar com o Adelino, se é tecnicamente possível... Avançar já com essa me***!


VALENTIM LOUREIRO, minutos depois de terminar a conversa,

Pinto da Costa telefona a Valentim e ameaça que os jogadores não vão à Luz se Mourinho for punido. A intenção no entanto nunca existiu, como se comprova em outros telefonemas.

Pinto da Costa (PC) - Eu precisava de falar consigo porque isto está a tomar proporções que vai dar uma bronca do carago!
Valentim Loureiro (VL) - Então?
PC - Eu estou aqui no centro de estágio... e os jogadores estão reunidos...VL - Hum...PC - e querem faltar ao jogo da Luz!
VL - Faltar?
PC - Sim...
VL - Oh!
PC - Perdem os três pontos, não há problema!
VL - Oh, oh, oh.
PC - Não querem e o Mourinho vai processar judicialmente o delegado da Liga! Já entregou a um advogado!
VL - Hum... Você vem para baixo?
PC - Eu... eu estou aqui, estou a falar com eles... estão reunidos [...] Depois vou para a torre das Antas!
VL - Então ligue-me, lá para o meio-dia.


ANTERO HENRIQUES

O actual número dois do Porto depois de se reunir com José Mourinho liga a Pinto da Costa a contar-lhe o estado de espírito do treinador.

Por sua vez, Pinto da Costa relata a Antero a conversa com Valentim e conta-lhe que disse que os jogadores ameaçavam não ir à Luz.

Pinto da Costa (PC) - Esteve com o homem?
Antero (A) - [...] Ele está um bocado atrofiado... mas ó presidente, ele também é incoerente, percebe? [...] Como é que correu com o Major, presidente?
PC - Ó pá, disse-lhe que havia a bomba de podermos dia 14 .... faltar! Ele entrou em pânico ... e eu disse-lhe: "Ó Major, eu sei que não adianta nada, mas pelo menos, olhe, vamos ter a oportunidade de dizer ao mundo do futebol porque é que temos de fazer isto!"


ADELINO CALDEIRA

Terminado o telefonema com Antero, Pinto da Costa telefona a Adelino Caldeira e conta-lhe da ameaça de não jogarem com o Benfica. Ao administrador da SAD, Pinto da Costa diz que aquilo não passou de uma tanga e que serviu para assustar Valentim. Caldeira promete ligar depois ao Major a meter "veneno" sobre a mesma matéria.

E no dia seguinte volta a ligar a Pinto da Costa porque já "conseguira" mudar o relatório do observador.

Adelino Caldeira (AC) -Ameaçou com o Estádio do Benfica?
Pinto da Costa (PC) - Exacto, fiz uma tanga quando estava a falar com ele, de modo que o gajo ficou em pânico. [...]
AC - O relatório, segundo o relatório, diz claramente que não viu nada... e que foi só o Bettencourt que lhe contou tudo o que escreveu! Portanto melhor que isto é impossível!
PC - É impossível, está bem! [...]
AC - Portanto o relatório limpa tudo completamente, OK?
PC - OK.
AC - Diz exactamente isso. Claro que o gajo vai ser sacrificado, se calhar vai ter de lhe deitar a mão, mas também o gajo foi um f**** da p***, escreveu primeiro portanto... que se lixe, né?


GOMES DA SILVA

Adelino Caldeira diz a Pinto da Costa que falou com o juiz Gomes da Silva, da Comissão Disciplinar da Liga, porque Mourinho só podia ser ouvido após ter recebido a nota de culpa.

Adelino Caldeira (AC) - Antes do sr. ligar pedi uma chamada para o Gomes da Silva. Foi combinado entre mim, o dr. Gomes da Silva e o Major que o sr.José Mourinho só seria ouvido depois de receber a nota de culpa. Porque eu quero que ele seja acusado só naquele artigo que dá multa, que foi o que nós combinámos.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

APITO DOURADO: PINTO DA COSTA APANHADO COM A BOCA NA BOTIJA


ISTO SIM!
por mais que digam que não, as conversas ficaram registadas e, essas ninguém as pode negar.
Talvez por isso se entenda o quanto tem sido importante para os advogados lutarem pela sua inconstitucionalidade.

VALENTIM LOUREIRO e PINTO DA COSTA faziam questão de manter uma boa relação com magistrados e polícias que mais tarde poderiam ser "úteis" noutro tipo de circunstâncias.
A maioria das situações detectadas nas escutas telefónicas no âmbito do processo Apito Dourado passam mesmo pela oferta de bilhetes para jogos internacionais, que o magistrado Carlos Teixeira considerou configurarem o crime de corrupção e serem passíveis de infracção disciplinar no caso dos magistrados que solicitaram as ofertas.
Outras há que não deram origem a qualquer extracção de certidão criminal, por nem sequer se ter determinado quem eram os envolvidos. No entanto, fica claro como se processava algumas teias de favores.
Exemplo disso é uma conversa entre Pinto da Costa e o empresário Jorge Mendes, onde o dirigente portista pede ao segundo para arranjar um clube da 2.ª divisão para um guarda-redes que eles próprios consideram não ser especialmente dotado.
O motivo, no entanto, é claro: Pinto da Costa quer que o empresário faça o favor ao irmão do jogador, comissário da PSP de Gaia, cujo cargo, segundo Pinto da Costa, "tem sempre interesse".
Dois dos magistrados envolvidos nesta situação (pedido de bilhetes) são Antero Luís, na altura juiz de 1.ª instância, actualmente director do SIS, e Madeira Pinto, juiz desembargador da Relação do Porto e à data magistrado do Tribunal de Menores.
Segundo as escutas, que deram origem a uma das certidões, Antero Luís pretenderia bilhetes para a inauguração do Estádio da Luz, enquanto Madeira Pinto queria assistir ao encontro Porto-Manchester.
Os pedidos foram feitos através do advogado Lourenço Pinto e tiveram como interlocutores Valentim Loureiro e Pinto da Costa. Lourenço Pinto garantiu que os bilhetes foram pagos.
Houve também um caso investigado pelas autoridades que dizia respeito a um contrato de trabalho do filho do juiz Costa Mortágua, celebrado com a Câmara de Gondomar.
O contrato chegou a ser apreendido durante uma busca à autarquia, mas as autoridades não conseguiram demonstrar que tinha havido tráfico de influências.

JUIZ COSTA MORTÁGUA: "ESSE NÃO PODE SER, QUE ESSE É SPORTINGUISTA"
Valentim Loureiro liga ao presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, o juiz Costa Mortágua, a propósito de declarações prestadas por Dias da Cunha.
O magistrado dá-lhe conta de que as afirmações de Saldanha Sanches que também merecem participação e acaba a prometer abrir um inquérito ao dirigente do Sporting e arranjar um colega que não seja sportinguista.

Costa Mortágua (CM) - ...em directo...que...os grandes clubes..ele disse, à cabeça, que os grandes responsáveis pela corrupção, pelo que está mal no futebol, - aquelas m****s todas, aqueles chavões! - que eram os dois nomes: Gilberto Madaíl e Valentim Loureiro! Exactamente assim, pá!!
Valentim Loureiro (VL) - Não me diga que isso, também tem que se fazer uma participação para a...criminal, ou não?!
CM: - Essa... essa... essa é que sim. Essa, eu chamei a atenção disso ao Madaíl.
VL: - O senhor é da área, porra! O que é que lhe parece? Hã?
CM - Eu chamei a atenção ao Madaíl, que me disse...que ia..tentar obter a cassete. Eu ontem falei com ele...falei com ele...ele vai hoje à Suíça, mas segunda-feira vamos aí faze...vou tentar, pá!... não deixar esfriar isto...
VL - Para ele coisa, e... e transcreve-a?...Para ele
CM - E porque...essa é que fala mesmo com os...vem com os nomes à cabeça! Está a ver... o Saldanha Sanches é um fiscalista, não percebe nada de futebol, pá...e, chega ali, debita um ódio terrível em cinco minutos, pá...
VL - Quê? Os responsáveis são A e B! Prontos! Come também.
CM - A e B! À cabeça! Nomes e tudo!
VL - Come também!
CM - É que não é o Presid... é: Gilberto Madaíl e Valentim Loureiro. Quer dizer... cidadãos...
VL -Nós é que somos os responsáveis?...
CM - Exactamente! Oh pá, não pode ser!
VL - Tem que dizer porquê!
CM - Pá! Evidente, pá! É evidente! (...) Eu disse ao Madaíl para arranjar a cassete da SIC, pá... porque essa é fundamental, está lá o nome... os dois nomes e... eh pá, eu fiquei... eu fiquei... achei aquilo horrível.
VL - Está bem. OK. Mas, ouça: essa, se for, ´é... é... participação, nem é preciso falar... é pumba!
CM - Pumba! Essa é directa, pá!
VL - Percebe? Pumba! (risos)
CM - Essa é directo!
VL - O resto é conversa...
CM - Eh... qua... não diga nada que...
VL - Não, não, não!
CM - Diga... Não! Diga que... diga que vai mandar para o Conselho de Justiça, e tal, não faça considerações, porque eu, na próxima reunião...
VL - Sim...
CM - Vou... vou mandar... abrir um inquérito..
VL - É...
CM - ... e vou pôr um colega a ouvi-lo.
VL - Sim, sim! Eu tenho lá um gajo bom, pá! Aquele gajo que conseguiu engavetar o Pimenta!
CM - Sim. Mas esse não pode ser, que esse é sportinguista.
VL - Ai é?
CM - Pois. Porque eles também não têm tempo, e tal. Simplesmente, eu vou tentar pôr outro... outro gajo, sem ser ele...
VL - Sim... sim...

JORGE MENDES "O GAJO É LÁ DA POLÍCIA, EM GAIA, TEM ALGUM INTERESSE"
Pinto da Costa pediu ao empresário para "observar" um guarda-redes, que um comissário da Polícia de Gaia lhe pediu para contratar. O empresário diz que o jogador não é para o Porto, mas o dirigente insiste, e aproveita também para tentar saber se o polícia tem algum interesse.

Pinto da Costa (PC) - Olhe uma coisa... você conhece? ... aquele jogador, um gajo chamado Colaço, que é guarda-redes do Fão...? Sabe quem é?
Jorge Mendes (JM) - Ó pá, aquilo é da zona lá do Carlos... é da zona dele... é capaz... ele mora ali ao pé, como ele vê muito essa equipa... mas eu posso perguntar!
PC - Pergunte só...
JM- ... Não lhe vou dizer já!
PC-- É que veio aqui um... gajo, que é irmão dele...
JM- Ahhhhhh! Espere aí! Espere aí!
PC- Um gajo que é...
JM- Não é nada disso! Já sei o que é que você está a falar! Está a falar do comissário da Polícia!PC-- Exacto!
JM- É pá, mas ouça lá! Isto aqui estamos a falar os dois! esqueça lá o guarda-redes, cara**o
PC-- Não vale nada?
JM- Ó pá, é normal... é normal... - a indicação que eu tenho, que nunca o vi, mas não é para o Porto nem pensar nisso! Nem coisa que se pareça!
PC-- Não, não!... mas ele também não era para o Porto! "Ele, era para ver se o puxava... se ajudava o rapaz, que ele era seu jogador, estava a jogar"...
JM- Ele disse-me, ontem... ele foi, ontem, lá ao meu escritório! Não me lar... está sempre... anda sempre atrás de mim, foi lá ontem, ao escritório o gajo!
PC - Um gajo magrinho, não é?
JM- Sim, magrinho... é comissário da Polícia!
PC - Exacto!
JM- Que é... que é... pronto! que está a jogar muito bem, não sei quê! Mas eu não sei o nível dele! Mas eu posso perguntar, depois digo-lhe!
PC-- Pergunte e ... e, depois, diga-me! É que o gajo é comissário lá da Polícia, em Gaia, tem sempre interesse!
JM- Está bem! Olhe uma coisa...
PC-- E veja lá se sabe como... se o polícia vale alguma coisa!
JM- Está! Eu digo-lhe alguma coisa!
PC-- OK! Está!
JM- Até já, até já!


LOURENÇO PINTO: " O LELLO DISSE-ME QUE ATÉ ME AGRADECIA MUITO

"Pinto da Costa e Lourenço Pinto decidem não apresentar queixa contra uma procuradora, que "tem muito peso", mas avançam com uma contra a socialista Ana Gomes porque José Lello até agradecia.
Lourenço Pinto (LP) - Agora, a ... a Liga... o Major f****-me para aqui a cabeça... já tenho procuração da..da..da Federação e da Liga, para fazer o processo contra a Ana Gomes, não é?
Pinto da Costa (PC) - Sim
LP - Isso vou fazer! Agora contra a procuradora... eu estou a ver se arranjo matéria, não é? Mas não sei se tenho matéria para... para...
PC - Não, e o Major disse-me que as declarações dela que não têm nada... o próprio Major me disse que até... Não, nem acho que se deva, agora, estar a... meter com a procuradora...
LP - Nada, nada! Nem de perto nem de longe!
PC - Não porque aquilo também representa um grupo que tem... ela não é sozinha...
LP - É e tem peso, a gaja tem peso!
PC - Acho que nem o Major - e o meu amigo muito menos - está para meter-se nisso!
LP - Não, não eu não me meto nada nisso! Agora, contra a Ana Gomes... contra a Ana Gomes... vou-lhe chegar!
PC - Ah, isso é diferente! Claro!
LP - Ela chamou-nos "gabirus", não é?
PC - "Gabirus" que não pagam impostos!
LP - É! Essa vai comer, não é? Vai comer!
PC - É... ela vai para o Parlamento Europeu, que eles querem-se ver livres dela!
LP - Pois mas... mas vêem-se livres dela mas mandam-na para um tacho bestial, não é?
PC - Pois é!
LP - Mandam-na para um tacho bestial!! O Lello disse--me que... que... até me agradecia muito que fizéssemos a queixa porque queriam ver--se livres dela...
PC - Pois!
LP - ... e, portanto, a queixa dá mais... mais força para... para a gaja desandar, não é?


ADELINO CALDEIRA
Pinto da Costa recebe uma chamada de Adelino Caldeira, administrador da SAD azul-e-branca. Mais uma vez, o dirigente portista consegue saber por antecipação qual vai ser o castigo que a Comissão Disciplinar vai aplicar a um determinado atleta.
Pinto da Costa (PC) - Estou.
Adelino Caldeira (AC) - Estou! Presidente?
PC - Sim...
AC - Adelino Caldeira. Como está?
PC - Tudo bem?
AC - Tudo bem, está tudo bem. Olhe o que lhe vou dizer agora é para si mesmo!
PC - Sim, sim.
AC - Só pode dizer ao Mourinho, a mais ninguém! [...] É assim, o McCarthy vai ser despenalizado por um jogo! [...] Portanto, vai poder jogar no próximo. Mas atenção que não se pode saber porque a reunião só vai ser na terça-feira! Foi tomada a decisão hoje, de baixarem um jogo, mas a decisão formal, o acórdão, só pode ser redigido na terça-feira e formalmente é só na terça-feira que é decidido.
PC - Não, eu nem ao Mourinho digo.
AC - Pronto, é só para lhe dizer... se não eles podem voltar atrás [...] Terça-feira fica espantado, pronto!

PINTO DE SOUSA
Pinto da Costa e Pinto de Sousa conversam sobre as incidências do jogo Sporting-FC Porto (onde se verificou depois o incidente da camisola alegadamente rasgada a Rui Jorge por José Mourinho) e falam de Lucílio Baptista, o árbitro que apitou aquele jogo. Pinto da Costa não poupa críticas ao juiz do jogo.
Pinto da Costa (PC) - O sr. Lucílio Baptista acha que é um penálti, porque é um vigarista!
Pinto de Sousa (PS) - É!
PC - Aliás. Estava tão comprometido.
PS - Sim...
PC - Estava tão comprometido,que os meus jogadores chamaram-lhe tudo, de f**** da p*** para cima e ele ria-se deles. Estás a perceber?
PS - Também não achas que ia expulsar aquela malta toda. Estragava o jogo, não é?
PC - Não, se ele estivesse de consciência tranquila, expulsava carago! Agora, foi de f**** da p*** para cima. "És um vigarista, és um f**** da p***! "
PS - Até se vê na televisão.
PC - O gajo só se ria. Chamaram-lhe de tudo, f**** da p***, gatuno, ladrão, vendido e o ca*****. E o gajo ria-se.
PS - Ah, ah, ah!
PC - Um dia, quando eu encontrar esse gajo, vou dizer-lhe: "Você é um vigarista do ca*****!". Só quero ver se ele tem jogo hoje!
( )
PC - Olha, da Taça vai ter, pá! Mas eu já te tinha avisado pá! Já estava montado isso há muito tempo
PC - Não, digo se vai ter domingo.
PC - Ah, para domingo vamos ver.
PC - Pode ser que o f**am na Figueira. Que ele tenha lá uma surpresa.

PINTO DE SOUSA
Pinto da Costa e Pinto de Sousa comentam as incidências de um jogo Boavista-Guimarães arbitrado por Paulo Baptista. Depois, o presidente dos azuis-e-brancos pede a Pinto de Sousa para falar com Luís Guilherme, de forma a combinarem as nomeações da jornada seguinte.

Pinto da Costa - Não! Eu disse-te a ti, os dois penáltis, são penáltis, não houve nenhum erro crasso [...] E apitar o Boavista, para um gajo que não esteja ali a pensar que o major é o presidente da Liga, é complicado... porque com aquelas palhaçadas todas, o gajo tem de os pôr na rua.
Pinto de Sousa - Pois é...[...]
PC - Agora, tudo isto nasce de uma má nomeação do imbecil...
PS - É, sem dúvida!
PC - Olha, não te esqueças mas é de comunicar ao gajo, para ele não queimar nenhum [...] Devias pedir por escrito, para ficar.
PS - É, vou-lhe mandar por escrito. Vou-lhe telefonar e dizer [...] vou-lhe mandar por escrito, os jogos.
PC - Os jogos, esses quatro vão fazer esses jogos! Diz mesmo, esses jogos!
PS - Digo.
PC - É, assim ele já não tem desculpa.

Pinto de Sousa, responsável pela arbitragem na Liga, pergunta a Pinto da Costa se ele aceita Jacinto Paixão para arbitrar um jogo da Taça.
Antes disso, Pinto da Costa diz a Pinto de Sousa que deve alterar a classificação de um árbitro.
Pinto da Costa (PC) - Estou.
Pinto de Sousa (PS) - Estou, Zé!
PC - Já rectificaste a nota do homem?
PS - Eh, eh, eh!!!!! É pá, deixa lá o rapazinho em paz, coitadinho!
PC - Ah???
PS - 8... 8,4
PC - É uma boa nota!
PS - É uma boa nota!
PC - Pois foi, mas o observador tem de ser reclassificado!
PS - Olha, estou-te a telefonar pelo seguinte. Estou a pensar nomear o Jacinto Paixão para o Porto-Felgueiras. Não há inconveniente nenhum?
PC - Ah!
PS - Jacinto Paixão... Porto-Felgueiras! Não é nada de especial.
PC - Se entretanto ele não for nomeado para outro jogo [...] nomeado para a casa Pia!
PS - Eh, eh, eh!
PC - Mas não é de muito longe? [...]
PS - Não, coitado, precisa de fazer um joguito e como ainda fez poucos.
PC - Por mim, pode.
Poucas horas depois, Pinto de Sousa volta a telefonar a Pinto da Costa.
Afinal, Jacinto Paixão não pode ser nomeado porque vai apitar um jogo do Estoril.
Pinto de Sousa (PS) - Olha, afinal, o Jacinto Paixão vai fazer agora o Estoril, no próximo dia 4 de Janeiro, eu não tinha reparado [...] De maneira que olha, como não é um jogo importante ia o Paulo Pereira, de Viana do Castelo.
Pinto da Costa (PC) - É fraquinho!
PS - É. Mas o jogo também não tem interesse nenhum...
PC - Sim, mas porque é que não pões um gajo do Porto?
PS - Pá, porque o Jorge Sousa vai fazer o Estoril- -Setúbal [...] O Paulo Costa e o Paulo Paraty não os nomeei já porque fizeram um jogo a semana passada. E o Martins dos Santos não se justificava para este jogo [...] e em segundo lugar vai fazer um jogo importante.
PC - Qual é o jogo?
PS - Talvez o Nacional, com o Leiria [...]
PC - Mas o Martins, para lá para baixo é bom. Que assim põe aquilo tudo em sentido.
PS - É, mas esse vai para Leiria.
PC - É, está bem.

PINTO DE SOUSA30-11-2003
Dias antes do jogo FC Porto-Maia, um dos encontros que o procurador de Gondomar investigou, Pinto de Sousa perguntou a Pinto da Costa se estava de acordo com a nomeação do árbitro.
Pinto de Sousa (PS) - Houve um árbitro pá, que anda assim com problemas... que me pediu para eu jantar com ele e eu fui
Pinto da Costa (PC) - Quem é?
PS - O Nuno Almeida.
PC - Ah!
PS - Um do Algarve, pá [...] Estou a pensar nomeá-lo para o Porto-Maia... vês algum inconveniente?
PC - Não, acho bem! É bom árbitro. [...] Mas é um bocado difícil justificar um gajo de tão longe!
PS - É. mas é taça, é taça. [...] E ele pediu-me para ir o Paulo Januário como assistente.
PC - Está bem, ajuda.
PS - É. Ajuda um bocado.

PINTO DE SOUSA
Pinto de Sousa liga a Pinto da Costa pedindo-lhe que escolhesse o árbitro para a meia-final da taça de Portugal. Pinto da Costa escolhe Bruno Paixão.
Pinto da Costa (PC) - Estou?
Pinto de Sousa (PS) - Estou. [...] Olá Jorge. Ouve lá, já tens alguma ideia para a final da taça?
PC - Para a final?
PS - Para a meia-final pá, para a meia-final.
PC - Ó pá, eu... queres internacional, né?
PS - É, mais ou menos pá.
PC - Acho que pode ser o Bruno!
PS - O Bruno?
PC - Não é?
PS - Hum...
PC - Não nos apita há muito...
PS - Deixa ver, o Bruno só tem um defeito...
PC - Qual é?
PS - É ter feito um jogo agora... Mas pode ser. Vamos ver.

OTA ...OTA





RAINHA SANTA ... SOCRÉNIA


Ia a Rainha Santa Sócretina na direcção de uma televisão para distribuir mais umas quantas mentiras em forma medidas de propaganda, na companhia na sua fiel Aia Mariana dos Olhos Lindos, quando inesperadamente lhe surge ao caminho o Rei D. Aníbal Silva e seus dois lacaios, Tony Borges e Ferreira Leite.
- Onde ides minha Rainha?
- Perguntou ele com voz doce.
- Meu Senhor, ia só dar uma volta com a minha aia pelos Jardins do nosso pais.
- Vós sabeis, Scretina, que o reino passa por grandes dificuldades e que o povo não anda satisfeito. Não podemos andar sempre a distribuir-lhes mentiras.
- Meu Senhor Aníbal, vós já me haveis avisado disso e eu nunca vos desobedeceria.
- Não, minha Rainha? O que o amor que o povo vos tem mostrado nas sondagens é muito estranho. Não andareis vós a enganar-me e a distribuir mentirinhas nas minhas costas?
- Não seria capaz disso, meu Senhor. - Mentiu a Sócretina.
- Que lavais então ai no vosso regaço?
Tudo parecia perdido. O seu regaço ia carregado de mentiras para distribuir pelo povo e só um milagre a poderia salvar.
Sem saber o que fazer abriu os braços e lá de dentro, perante a surpresa de todos, caíram dezenas de diplomas.
- São diplomas, meu Senhor. São diplomas da Universidade Independente

segunda-feira, 16 de abril de 2007

NOVAS OPORTUNIDADES


O desenvolvimento do país confronta-nos com uma opção clara e inadiável: a aposta na qualificação da população portuguesa.

A Iniciativa Novas Oportunidades assenta numa base clara: o nível secundário é o objectivo de referência para a qualificação dos nossos jovens e adultos.
A estratégia da Iniciativa Novas Oportunidades tem dois pilares fundamentais.

Em primeiro lugar, fazer do ensino profissionalizante de nível secundário uma verdadeira e real opção, dando Oportunidades Novas aos nossos jovens.
O segundo pilar é o de elevar a formação de base dos activos. Dar a todos aqueles que entraram na vida activa com baixos níveis de escolaridade, uma Nova Oportunidade para poderem recuperar, completar e progredir nos seus estudos.
Atingir estes objectivos implica o desenvolvimento profundo e consistente do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.

Será, seguramente, um caminho muito longo, duro e difícil. Esta escolha não admite hesitações.
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PUZZLE

Dizem ...

SARIDON

Às voltas com as minhas tralhas, encontrei uma caixa de comprimidos Saridon com mais de 33 anos, ainda com 4 comprimidos no interior e os respectivos selos fiscais de Angola.
Quantas e quantas vezes essa saudosa e milagrosa caixinha se abriu em nossa casa, em Angola, para suprimir algumas dores de cabeça.
Olhar para ela, é recordar um passado feliz numa terra saudosa e grande, onde nasci e cresci- a minha terra!



Saridon® é um tradicional analgésico especialmente formulado com uma combinação diferenciada de substâncias analgésicas, que trazem o alívio rápido da dor de cabeça, para que as pessoas voltem rapidamente às suas actividades diárias.

No Saridon®, a propifenazona está combinada ao paracetamol e à cafeína.
Por um lado, o paracetamol aumenta a biodisponibilidade da propifenazona e, por outro, a toxicidade da combinação é muito menor que a toxicidade de cada substância isolada.
Além disso, as duas substâncias são complementares em termos de eficácia.
A propifenazona tem início rápido de acção e o paracetamol tem efeito mais prolongado.
Já a cafeína aumenta a eficácia de qualquer analgésico.


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sábado, 14 de abril de 2007

MOMENTO PROFUNDO DE POESIA


Sócrates e os Lusíadas

As equivalências e os termos assinados,
Que na ocidental raia Lusitana,
Por cursos nunca antes frequentados,
Passaram ainda além dos seis dias da semana,
Em betão armado e pré-esforçado,
Mais do que prometia a desfaçatez humana,
E entre gente bem mais douta edificaram
Novo currículo, que tanto sublimaram;

E também as notícias gloriosas
Daqueles feitos, que foram omitindo
A Lisura, a Hombridade, as Virtudes valerosas
Das corporações que foram destroçando;
E aquele, que por obras viciosas
Se vai da lei da respeitabilidade libertando;
Sobranceiro, entre pares, no plenário,
Cantarei, se a tanto me ajudar o engenho sanitário.



Um poema ao nosso 1º

O Churchil não tinha canudo
O John Major também não.
O Jerónimo de Sousa é metalúrgico
O Zé Socas é aldrabão.

Se queres fazer uma casa
Um arquitecto deves procurar
Se queres construir um palheiro
Com o Socas podes tratar

Queixava-se o povo do Santana
Achava-o maluco e incompetente
Agora apanhamos o Socas
Que "tirou o curso" na Independente

Anda um gajo a queimar as pestanas
Anos a fio no ensino estatal
O Zé Socas que é um gajo ocupado
Fez tudo numa manhã dominical...

SALVADOR CORREIA DE SÁ - A CONVERSÃO DA RAINHA JINGA


"Salvador Correia de Sá e Benevides, depois de ter expulsado de Angola os Holandeses, interessa-se pela conversão de Jinga; por isso, há troca de embaixadores entre ambos.

Escreveu a Jinga, em termos mais moderados, enviando-lhe Rui Pegado como embaixador.


CONVERSÃO DE GINGA (Nzinga Mbandi Ngola)

O capitão-general Salvador Correia de Sá e Benevides, depois de ter expulsado os Holandeses do reino de Angola no ano de 1648, aplicou-se não só aos interesses materiais do Estado, mas também aos espirituais da religião católica.
Edificou, além de outras, uma igreja em honra de Santo António de Lisboa e um hospício para os nossos (1).

Procurou a extirpação da devassidão, única causa, como a própria gente admitia, das graves calamidades anteriores quando, no espaço de sete anos, foram obrigados pelos inimigos holandeses a abandonar as terras conquistadas mediante o seu suor e o seu sangue, vendo os seus haveres barbaramente dissipados. O governador usou toda a diligência para concluir a paz e renovar a aliança com o rei do Congo. Como indemnização pelos prejuízos sofridos, exigiu novecentos escravos ou o equivalente, a entrega das minas de ouro e o livre exercício pelos Capuchinhos do seu ministério apostólico (2), fazendo-lhe compreender por estas condições que o seu pedido de paz não era ditado pela necessidade e que estava em condições de obrigá-lo mediante a força.

Pelo contrário, usou da maior bondade para com a rainha Ginga, desculpando-lhe a provocação e o natural desejo de recobrar o seu antigo domínio. Enviou-lhe, portanto, Rui Pegado, capitão de experimentada prudência, acompanhado por numeroso séquito com preciosos presentes e duas cartas, uma do rei de Portugal e outra dele próprio, e com plena autorização de concluir qualquer contrato, sob condição de que ela se reconciliasse com o verdadeiro Deus. Agradaram sumamente à rainha estas aberturas e deu boas esperanças de aceitar os conselhos de Correia.

Tendo lido a carta do rei, respondeu com muita submissão que ficava obrigada pelas corteses ofertas e retorquiu desculpando-se dos seus excessos e acusando a D. Fernão de Sousa, que pretendeu não só oprimi-la invadindo o seu Estado, mas tirar-lhe até o reino, transferindo indevidamente e sem autoridade nenhuma o título e a investidura dela para a pessoa de Ngola-a-Ari, seu vassalo (3).
Numa palavra: suplicava a Sua Majestade que lhe fizesse o favor da sua assistência, prometendo-lhe por sua parte submeter-se outra vez à lei do verdadeiro Deus.

Pouco diferentes foram as expressões da resposta à carta de Correia de Sá, mas suplicava-lhe que prestasse, conforme as suas promessas, auxílios eficazes para ela recobrar o reino de Matamba (4), prometendo-lhe fazer a vontade dele quanto a abandonar a seita dos lagas. Baseando-se nestas respostas, Correia de Sá julgou que pouco faltaria para concluir o tratado.
Contudo, não se tinha ainda chegado a uma estável suspensão das hostilidades, porque a rainha, que não queria perder as suas ocasiões, continuava a combater nas partes extremas do reino de Matamba.

Então Correia de Sá escreveu-lhe outras cartas, em que a exortava a cumprir as suas promessas, a escolher uma capital para residir com a sua corte e a dar licença aos católicos para entrarem, morarem e edificarem igrejas nos seus domínios (5)
_______________________________


(1 ) A ermida de Santo António foi restaurada, não edificada, por Salvador Correia, ao passo que o hospício foi edificado por ele
(2 ) «Capitulações das pazes com o rei do Congo)> (docs. 23 e 24). Uma vez que o documento 24 é muito extenso, apenas irei transcrever para aqui o documento 23 porque me parece interessante percebermos a forma como antigamente procediam para as negociações.
(3 ) Esta nota será desenvolvida posteriormente
(4) Matamba estava sujeito a Ginga, excepto uma parte do território que o jaga Cassanje tinha usurpado e da qual os Portugueses prometeram expulsá-lo
(5 ) Os Jagas não viviam em aldeias fixas, mas em acampamentos instáveis, chamados «quilombo»



(Montecucccolo, J. - Congo Matamba e Angola, 1687, reeditado em 1965)
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TRABALHAR? ... QUEM?

Hoje não me apetece trabalhar. NADA, NADA.
E a ti apetece?



E amanhã apetece-te fazer alguma coisa?




E depois ... também Não?

NADA, ... NADA ?



A MIM TAMBÉM NÃO!!!

NADA... NADA!!

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sexta-feira, 13 de abril de 2007

TRISTE ÁFRICA

Tenho de confessar que às vezes o Miguel Sousa Tavares também se engana e escreve algumas coisas acertadas.
Não sou grande admirador dele, principalmente porque ainda não percebeu que o melhor CLUBE, (eu disse CLUBE!) no nosso país é o Sporting Clube de Portugal e que o Apito Dourado é a ponta de um iceberg que tem no cimo o seu adorado Pinto da Costa.
Bom, mas isso são outras coisas para outras alturas

Vale a pena ler o MST na sua crónica no Jornal Expresso:


Triste África
Olhem para a cara de Jean-Pierre Bemba, o líder da oposição congolesa.
Eu sempre acreditei que olhar para a cara das pessoas ajuda muito a perceber quem são. Concordo que a receita é falível: há gente com aspecto de boa pessoa e que, afinal, não é recomendável e vice-versa. E há caras que não dizem tudo, de bom ou de mau, acerca do seu portador. Mas, para quem conhece um bocadinho a África Negra e a sua classe política, a cara do sr. Bemba diz tudo ou quase tudo sobre o que há a esperar dele no dia em que conseguir chegar à presidência da República Democrática do Congo. A menos que estejamos perante uma notável excepção ao meu critério de adivinhar carácteres a partir das caras, a do sr. Bemba traz as marcas inconfundíveis da generalidade dos políticos negros africanos da última geração. Um catálogo de horrores: nepotismo, prepotência, violência, cupidez e, fatalmente, corrupção. Agora, olhem para a cara do sr. Joseph Kabila, o seu rival e actual Presidente da RDC: a outra face da mesma moeda. O Presidente Joseph Kabila sucedeu a seu pai — coisa habitual nestas paragens —, o distinto Laurent-Desiré Kabila, cuja presidência será sobretudo recordada pela ruína do país e o estendal de cadáveres deixados para trás.

Kabila-pai tinha sucedido ao imortal Mobutu Sese Zeko, uma espécie de estereótipo de ditador africano, de quem Bemba e o pai foram estreitos aliados. Dois clãs em luta pelos despojos do país, coisa comum na África Negra. Depois de vinte anos de guerras, golpes e contra golpes, o ex-Zaire e ex-Congo Belga, um dos mais ricos países africanos, está reduzido à miséria, à ineficácia e à corrupção e exposto às intromissões e cobiças do seu poderoso vizinho angolano. Voltemos ao sr. Bemba, herdeiro de uma colossal fortuna deixada por seu pai e empresário cujos exemplos mais admirados são o marselhês Bernard Tapie e o milanês Sílvio Berlusconi, dois príncipes da alta finança europeia que a Justiça perseguiu e condenou por toda a espécie de falcatruas possíveis no ramo.

No final de 2006, Bemba regressou do exílio para fundar o MLC e concorrer às eleições. Derrotado por Kabila, gritou à fraude (o que, mais do que provavelmente, é verdade) e transformou o MLC numa milícia militar, apoiada pela Líbia e outros países africanos e acusada pela ONU de práticas de canibalismo. Em Março passado, o MLC saiu do mato e desceu às ruas de Kinshasa, tentando tomar o poder pela mais antiga das formas locais de o fazer. Derrotado também nas ruas, Bemba refugiou-se na Embaixada da África do Sul, e a situação caiu num impasse. Foi então que a diplomacia portuguesa teve uma ideia luminosa: mediar a saída negociada (e necessariamente provisória) de Bemba do país e da cena política.

Aproveitar o passaporte português da mulher, uma luso-brasileira filha de um emigrante português, e dos filhos e aproveitar o facto de o sr. Bemba ser proprietário de uma casa na Quinta do Lago, no Algarve (como já sucedia com o seu 'padrinho' Mobutu), assim proporcionando uma saída airosa a ambas as partes.

Se os esforços do embaixador Alfredo Duarte Costa tiverem sucesso, a nossa diplomacia consegue, de facto, uma lança em África: proporciona uma saída para a crise, que Kabila tem de agradecer, e fica nas boas graças do sr. Bemba, para o dia em que este, milhar de mortos a mais ou a menos, consiga enfim sentar-se no trono do Leopardo. O desfecho diplomático está iminente e apenas aguarda que Kabila resista à tentação de tentar deitar a mão ao seu rival para o cortar às postas e se decida a assinar um papel, deixando-o sair.Como se pode imaginar, aos congoleses, à excepção dos milicianos e arregimentados de ambos os lados, tanto se lhes faz Kabila como Bemba.

Quem ficar com o poder enriquecerá — ele e a sua corte; o resto da população continuará na miséria, à espera do milagre impossível do dia em que o Congo, como o resto da África Negra, seja governado por homens sérios, competentes e com vontade de servir o seu país.
Desçamos um pouco mais abaixo e a leste, onde temos o caso-limite do Zimbabwe, desse louco criminoso que é Robert Mugabe.
Como escreveu há dias a Conferência Episcopal do Zimbabwe, ali o poder perdeu já qualquer resquício de vergonha, de pudor, de condescendência para com a miséria do povo ou de respeito pelos direitos humanos mais elementares.

A oposição é espancada, presa e torturada à vista de todos, os jornalistas estrangeiros são expulsos, o desemprego atinge os 80%, e a fantástica Reforma Agrária de Mugabe, que correu com os melhores agricultores africanos, que eram os rodesianos brancos, trouxe a fome aos campos e às cidades superlotadas. No seu delírio de psicopata, Mugabe não encontrou melhor plano do que mandar o Exército desterrar da capital, Harare, centenas de milhares de pessoas que não tinham para onde ir. Em Harare esteve há duas semanas o ministro dos Estrangeiros de Angola, que lá foi oferecer apoio militar a Mugabe e proclamar a solidariedade 'anticolonialista' do regime de José Eduardo dos Santos.

Depois, o ministro veio a Lisboa e sentou-se numa mesa ao lado do nosso MNE, Luís Amado. Perguntaram a Amado se, perante a situação no Zimbabwe e o isolamento a que o regime foi votado pela União Europeia, ele ponderava a possibilidade de não convidar Mugabe para a Cimeira Europa-África, prevista para a presidência portuguesa da UE. O MNE deve ter estremecido, antes de responder convictamente que não: imaginar que Portugal pudesse comprometer aquilo que está previsto ser o «achievement» da nossa presidência, arriscando-se a que os países africanos boicotassem a Cimeira por 'solidariedade anticolonialista' com o Zimbabwe, é simplesmente antipatriótico.

Seria o mesmo que convidar o Governo português, por exemplo, a perguntar a Luanda para onde vão as receitas do petróleo angolano que não entram no Orçamento do Estado. 'Provocações' dessas não se fazem aos africanos. Eles são muito sensíveis às intromissões 'colonialistas' dos brancos nos seus assuntos: em especial se forem europeus e, pior ainda, antigas potências coloniais em África. Eles não se importam de ser neocolonizados pelos indianos e agora pelos chineses, que estão a tomar conta de África em busca de energia e terras cultiváveis. Como antes não se importavam com os negócios ruinosos feitos com russos ou americanos, desde que as 'nomenclaturas' locais, bem entendido, fossem devidamente recompensadas.

Mas, para os europeus, as regras são muito mais duras e exigem, como ponto prévio, que só há negócios em África se se seguir estritamente a diplomacia dos interesses e jamais a dos valores. É preciso ficar muito calado, olhar para o lado, fingir que não se vê e não se sabe e, sendo possível, como fazem Portugal e França, conseguir que os seus dirigentes tenham sempre um «pied à terre» na Côte d'Azur ou no Algarve, para criarem laços de afinidade e cumplicidade connosco. Um dia, quando se fizer a história da África desaparecida, haveremos de chegar à conclusão de que, muito pior e muito mais imperdoável do que os cinco séculos de colonialismo europeu, foram estas cinco décadas de cumplicidade com o que há de pior em África.


Miguel Sousa Tavares Publicado segunda-feira, 9 de Abril de 2007 5:12 por Expresso Multimédia
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QUANDO HÁ COISAS QUE NÃO ACONTECEM SÓ AOS OUTROS


António Lobo Antunes luta contra um cancro após intervenção cirúrgica.

Lobo Antunes escreveu a crónica no hospital, onde recuperava de uma intervenção cirúrgica em que lhe foi retirada a vesícula.

O prognóstico era ainda reservado.

O escritor confessa abertamente a sua angústia e desespero, mitigados com a esperança dada pelo facto de um amigo de longa data, em quem deposita inteira confiança, ter aceite operá-lo.


"Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé" - escreve Lobo Antunes.O autor diz que está a lutar e que, seja qual for o desfecho, o cancro alterou "de cabo a rabo" a sua vida, mas ainda sem saber em que sentido.Pede também desculpa pelo facto de o texto poder estar um pouco desconexo e pede à revista que entenda "a caligrafia tremida da crónica".Sobre o cancro, escreve: "Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não - sim.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

O DIA SEGUINTE

Sócrates esteve ontem na RTP1 para falar da sua licenciatura

Constrange-me os jornaleiros encomendados para a entrevista.
A forma como ela foi conduzida, as perguntas por fazer, a insistência que ficou por ser feita em dúvidas que persistem.
Perguntas simples como a utilização provinciana de um curso municipal de 7 dias utilizado pomposamente como pós graduação, o título e orientador da monografia, uma explicação plausível para a rasura de documentos na AR, impossibilidade legislativa ao alcance de ninguém para se matricular sem documentos comprovativos que atestem as suas habilitações a não ser POR FAVOR, confirmação abusiva de um título que não possui desde que andou a forjar em 93 documentos na AR até à permanente alteração do CV no portal do governo, etc,
Mas temos um primeiro ministro que tem uma licenciatura em que todas as incongruências (e não são poucas) e pouca transparência (e não é pouca) são SEMPRE culpa da Universidade. Ele é um pobre coitado, uma vítima apanhado numa teia que não urdio. Uma matrícula na UnI, inocente e descomprometida.
Ficámos a saber que o PM tem uma licenciatura e um percurso exemplar com documentos sem datas, sem carimbos, sem assinaturas, com favores, concluída ao domingo, matriculado sem apresentar documentos e na boa fé da secretaria da UnI (só ao alcance dele, de mais ninguém).Uma entrevista bem organizada, com gente certa no lugar certo.
Como se impunha. Com guião.
Como se fossemos todos parvos.
A saber:

- Certificado de Habilitações - Entregou-o, conforme confirmou, em Junho/Julho de 1996, tendo-se inscrito em 1995. É mais que óbvio que aqui houve favorecimento!
Se eu chegar a uma secretaria e disser: "Acabei o Bacharelato, quero inscrever-me na Licenciatura, para o ano trago as minhas habilitações (ou quando as tiver)"
Alguém consegue esse FAVOR?
- Professor(es) - Foi para uma turma especial de Inglês Técnico do 1º ano, com o Reitor, que se encontra de momento preso por FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS, leccionada por outro professor que diz ser ele o titular da cadeira. PORQUÊ?
As restantes cadeiras (4) com outro professor, TODAS NO MESMO ANO. Teve dois 17 e dois 18, era era seu colega no governo Guterres e mais tarde fez parte do seu governo, e acabou demitido por ter contratado uma brasileira (boazona?) cozinheira no Restaurante "Sr. Bacalhau" em Benfica para assessora dele ou de um amigo, não sei bem. Estranho? Não é nada...
- Coincidências - Afirmou claramente que não conhecia o professor em questão antes deste lhe dar aulas, mas este tinha sido seu docente também no ISEL. Não o conhecia anos depois quando o nomeou, através do seu ministro, para director das finanças do ministério da Justiça (grande Engenharia).
Este senhor viria mais tarde a demitir-se devido a um escândalo convenientemente abafado de ter nomeado uma senhora brasileira que era criada de mesa para chefe do seu gabinete. Caricato.
- Equivalências - Pediu 25 e obteve 26. Querem melhor? Mas melhor ainda é que faltavam 12 disciplinas e passaram a faltar 5! Uffffffff! E deram-lhe as equivalências sem certificado de habilitações entregue, como ele próprio admitiu e achou "normal" com um papel que ele entregou ao reitor Arouca, com o plano de equivalências que ele (Sócrates) achava correcto...
- Títulos - Se usou do titulo de Engenheiro ou não, é irrelevante. Como ele diz, é um titulo "social". Mas trabalhou em Castelo Branco ou na Covilhã entre 1981/82 até 1987, como engenheiro. Isto é um bocadinho mais grave.
- Falsificação de documentos - Na inscrição da Assembleia, nota-se claramente 2 acrescentos: Na profissão, de "engenheiro civil" para "técnico de engenheiro civil" e nas qualificações, de "Engenharia Civil" para "bach engenharia civil". Diz ele que aquilo foi uma correcção. E porque não foi destruída a que estava errada?

Vejamos outros comentários:

“Simplesmente patético! Um primeiro-ministro a defender-se como um arguido!

Um primeiro-ministro a considerar insinuações as mais legítimas dúvidas da imprensa e da opinião pública!
Um primeiro-ministro que acha normal que um deputado, ministro depois, se matricule em curso superior e obtenha diploma académico de recurso (feito em três universidades diferentes), ainda por cima em estabelecimento não reconhecido pela respectiva Ordem profissional!
(…)
Um primeiro-ministro que considera normal e desculpável que os seus documentos oficiais curriculares sejam corrigidos e alterados ao gosto das revelações públicas!” António Barreto



“ (…) Para começar, arrumou com brandura o caso da sua carreira académica, que afinal não é um caso. A Universidade Independente mandou e ele cumpriu. Quanto à burocracia, não sabe, nem se interessa. Quanto ao Dr. António José Morais, que lhe “deu” quatro cadeiras, não o conhecia antes. Quanto ao resto, toda a sua vida de estudante só revela “nobreza de carácter”, vontade de “melhorar” e de se “enriquecer” (intelectualmente). Um exemplo que ele, aliás, recomenda aos portugueses. Ponto final.
A minha ignorância não me permite contestar explicações tão, por assim dizer, “transparentes”. Claro que nunca ouvi falar de um professor que “desse” quatro cadeiras no mesmo ano ao mesmo aluno, nem um reitor que ensinasse “inglês técnico”, nem um conselho científico que fabricasse um “plano de estudos” para “acabar” uma licenciatura. Falha minha, com certeza. Se calhar, agora estas coisas são normais. (…) ” Vasco Pulido Valente



“O único momento verdadeiramente surpreendente da entrevista do primeiro-ministro à RTP foi quando explicou que escreve o pronome seu no fim das cartas, para ser como o inglês yours. Isso e a ideia de que, afinal, o substantivo engenheiro não designa uma competência mas sim um rótulo social definiram uma entrevista que valeu pelo que não se viu. Desde logo não se viu o balanço dos dois anos do Governo, que era a justificação da entrevista. Ora, gastou-se mais tempo com a Independente. (…) “ Miguel Gaspar



“ (…) Conseguiu desmontar bem o alegado caso de assassínio de carácter, mas acabou por se atrapalhar nos pormenores. Ficou muito emperrado na questão da emenda dos documentos da Assembleia da República, bem como nas notas lançadas pela Independente a um domingo. As questões de facto foram remetidas para casos de secretaria. (…) “ Pedro Mexia



“José Sócrates não esclareceu porque falou tão tarde. Disse que estava à espera que decorresse o processo de investigação em relação à Universidade Independente mas este ainda está em curso. É uma falácia política. Qualquer cidadão colocado perante tantos factos – a questão da data de lançamento da conclusão do curso, estatísticas erradas que dizem que não houve licenciados no seu ano de curso – teria uma reacção: eu reconheço que a minha vida académica parece uma trapalhada, mas não é, porventura por culpa da instituição. Eu nunca vi um tão grande amontoado de factos erróneos, contradições. Não há como não admitir que a situação precisa de se explicar.” António Lobo Xavier



“Há esclarecimentos que o primeiro-ministro não deu. Usou ou não de forma indevida títulos académicos a que não tinha direito? A resposta é sim, voluntariamente ou quanto mais não seja por omissão. Nenhum deputado permite que se reproduzam documentos que lhe atribuem títulos académicos que não tinha. Foi um jovem que se deixou deslumbrar. Quanto ao processo Universidade Independente caiu em contradições: hoje falou dos seus professores, ao Público disse que não se lembrava dos professores. Pode ser vítima de caos administrativo, mas isto tem de ser esclarecido. O caso não acabou.” José Pacheco Pereira
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terça-feira, 10 de abril de 2007

HUMOR

- Qual é a coisa qual é ela que antes de ser já o era?

- O Diploma de Sócrates

"DIPLOMA" DOMINGUEIRO

Voilá!
Este é o Certificado do aluno nº 950389 José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que concluiu o curso de Licenciatura em Engenharia Civil com a média final de 14 - catorze valores - em 08 de Setembro de 1996 ... a um Domingo!

Este é o "célebre" bilhetinho que o sr. ex-engenheiro enviou ao Reitor a dar conta do seu "desconsolo", utilizando para o efeito o papel TIMBRADO do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente. Bonito!

Mas HÁ MAIS documentos e perguntas que, por exemplo o Jornal Público, gostava de ver esclarecidas. Vejam AQUI

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O EXEMPLAR PERCURSO ACADÉMICO DE SÓCRATES

Pois é, Portugal ficou a saber que o percurso académico daquele que hoje é o Ministro Primeiro deste país, teve um percurso académico exemplar.
E se esse percurso é de facto um exemplo para os nossos jovens, estamos mal.

A partir de agora, ficamos a saber que cada um de nós pode publicitar o título que não tem.
Toda a gente pode passar a auto-intitular-se de Engenheiro.
Inclusivamente, é exemplar, a utilização de folhas TIMBRADAS do Ministério/Secretaria de Estado do Ambiente para resolver assuntos pessoais, "pressionando" o Reitor.
Aliás, terminar a licenciatura a um domingo é de facto um exemplo.
Melhor dizendo, um EXEMPLO ÚNICO.
Ao que parece, segundo o próprio Sócrates, o seu motorista particular no carro do estado, enquanto membro do governo, pode testemunhar as vezes (!) que o levou à UnI e ficou à espera. E nós a pagarmos ao motorista, digo eu.
Mariano Gago deu ainda a conhecer a Portugal e ao mundo as razões e o exemplo porque Sócrates teve de alterar repetidamente o seu CV no portal do governo.
Talvez faça igualmente parte desse exemplo, as incompreensíveis e frequentes tentativas em silenciar a comunicação social pois, sendo o seu percurso exemplar, não faz sentido essa pressão.
Ou estaria Mariano Gago a referir-se à gestão do silêncio do Primeiro Ministro sempre que era confrontado com as suas habilitações e principalmente pela forma como a conseguiu?
Exemplo de quê, afinal?
Quem assim fala ... não é Gago.



domingo, 8 de abril de 2007

DIPLOMA


A todo(a)s o(a)s portuguese(a)s que mantiveram e trouxeram novos valores e talentos para a política nacional e elegeram grandes personalidades e grandes estadistas para nos representarem no Parlamento, no Governo e no Parlamento Europeu:
É atribuído o DIPLOMA TROUXA

sábado, 7 de abril de 2007

"ANGOLAGATE" - JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, NEM INOCENTE NEM INGÉNUO ... CORRUPTO!

José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola desde 1979, portanto, há 28 anos no poder, é um exemplo consagrado da ditadura e da corrupção do tal poder que tanto se gosta de dizer ser do povo.

Desde a sua subida ao poder, o seu principal aliado é a indiferença do povo angolano perante a teia que sustenta e consagra um império que tem no vértice José Eduardo dos Santos e família e na base todo um generalato em compadrio.
Os diamantes e o petróleo mantêm esta família cada vez mais rica e poderosa, apoiada numa cumplicidade sustentada no silêncio e no servilismo de um pobre povo, incompreensivelmente resignado ao momento, mas sabedor da forma como é urdida e controlada a corrupção instalada, por aquele que reconhecidamente é um ditador.


A guerra foi sempre a desculpa para tudo, contudo, desde que a guerra acabou, o bem estar do povo angolano, continua a contrastar com a riqueza pessoa e familiar de JES e dos seus generais que, gerem a riqueza de Angola em proveito próprio, comprando e subornando a consciência dos mais capazes, enquanto ele, a família e os generais, continuam na lavagem do dinheiro proveniente dessa riqueza, com a descarada cumplicidade de parceiros portugueses, chineses, americanos, brasileiros, russos e …franceses, que, obviamente, estão-se borrifando para o povo angolano!


E agora, vem a justiça francesa acusar o ditador angolano no 'Angolagate' de ter recebido um pagamento de 37 milhões de dólares

O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, está entre os acusados de receber comissões elevadas no âmbito do Angolagate, um caso relativo à
venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre Falcone e Arcadi Gaydamak.

Segundo o Expresso, "Eduardo dos Santos é acusado pelo juiz de ter, directa ou indirectamente, recebido milhões de dólares de comissões". A mesma fonte adiantou que um dos arguidos no caso informou Courroye de que o Chefe do Estado angolano "foi pessoalmente informado, em meados dos anos 90, sobre 'o tráfico e as elevadas somas de dinheiro que Falcone e Arcadi Gaydamak realizavam e distribuíam por personalidades francesas e angolanas'".

O citado artigo do Monde identificava vários beneficiários franceses e angolanos no alegado esquema de desvio de fundos, nomeadamente Jean-Christophe Mitterrand (filho do ex-presidente francês com o mesmo apelido), o ex-ministro Charles Pasqua, José Leitão Silva (então secretário do Conselho de Ministros angolano), Fernando Araújo (conselheiro de Eduardo dos Santos) e Elísio Figueiredo (embaixador itinerante de Angola).

Angola rejeita as acusações de tráfico ilegal de armas e de fraude fiscal cometidos por Pierre Falcone, porque o material não era de origem francesa nem transitou através de França.


O montante das verbas desviadas neste negócio "atingiu o valor de 300 milhões de dólares", referia ainda aquele semanário.

O governo de Eduardo dos Santos delineou, de acordo com o mais recente relatório da
GW, «Hora de Transparência», “um sistema de empréstimos com juros altos, garantidos pela futura produção petrolífera”.

Este documento, publicado em Março último, detalha o processo de pagamento: “os que organizavam o fornecimento de equipamento militar recebiam um valor inicial, à cabeça; depositavam este dinheiro e encomendavam as armas; um empréstimo garantido por petróleo era então obtido dos bancos franceses e desembolsado a partir de Paris para cobrir os restantes custos e honorários.”

Segundo as investigações publicadas no «Hora da Transparência», a
Global Witness afirma que “pelo menos” um outro contrato de fornecimento de armas foi levado a cabo entre 1995 e 1996. O relatório indica ainda que o valor desta operação deverá rondar os 44 milhões de dólares. Para a ONG, Falcone foi o mediador do processo.
No entanto, os negócios entre o empresário e Eduardo dos Santos não se limitaram ao comércio de armamento, segundo a GW.


De acordo com as investigações desta ONG britânica, de “um modo semelhante de financiamento e fornecimento”, Falcone forneceu ao exército angolano, em regime de “monopólio”, bens essenciais entre os quais comida e medicamentos. O negócio terá sido empreendido através da CADA – Empresa Angolana de Distribuição Alimentar, estrutura integrante da Brenco International, cujo presidente é o empresário francês.